domingo, 25 de maio de 2008

Choco-Snack

Para quem acha absurda a idéia de carregar uma fruta na bolsa para casos de emergência, ou para quem simplesmente não tem uma bolsa para carregar uma fruta e precisa de opção para aplacar a larica de maneira prática e semi-saudável, uma boa pedida é o (não tão novo) Choco-Snack da Nestlé. Já provou?!


Em meio a 825 bilhões de variedades de barrinhas de cereais, esse belisquete da Nestlé dá conta do recado e se destaca dos demais por alguns detalhes que justificam a chancela. O primeiro deles é o fato de não ser constituído de 99% de flocos de arroz, ao contrário da maioria esmagadora das barrinhas. Sua casquinha é feita de milho, trigo e aveia o que lhe confere não só crocância, mas também um irresistível sabor. O recheio é delicioso: polpa de morango, azedinho na medida! Por cima, duas opções: chocolate branco ou ao leite. Escolha dificílima!! O doce do chocolate branco combina perfeitamente com o azedinho do morango, equilibrando os sabores. Já o chocolate ao leite nasceu para o morango e é uma boa escolha para quem não gosta de coisas muito doces. Gostei muito das duas!!

Nutricionalmente falando, é preciso que se façam algumas observações. Embora contenha fibras e seja fonte de cálcio (de acordo com informações da embalagem), trata-se de uma guloseima relativamente calórica (1 embalagem de 30g contém 122kcal na versão chocolate branco e 119kcal na versão ao leite), logo, ainda que deliciosa, não dá pra exagerar!! Além disso, é bom ficar atento ao "detalhe" da gordura trans*. A Nestlé, assim como praticamente todas as empresas alimentícias, amparam-se na legislação sanitária brasileira** que, tal qual uma bondosa mãe, permite que seja declarado como "não-contém", "zero" ou "0" quando a quantidade de gordura trans presente seja menor ou igual a 0,2 g , considerada não significativa, mas isso não quer dizer que o produto esteja livre dessa substância... é só dar uma olhadinha nas letrinhas miúdas que relacionam os ingredientes. No caso da presente dica, há gordura vegetal (outro nominho pra gordura trans!) tanto na cobertura quanto na casquinha. Mas, se levarmos em conta que a maioria das barrinhas de cereais também contêm esse tipo de gordura na composição, o Choco-Snack pelo menos é mais gostoso e vale cada caloria do pacotinho, acreditem!!

Legislação, venenos e jeitinho brasileiro à parte, o Choco-Snack é uma pequena delícia capaz de tapear a fome sem fazer grandes estragos às dietas!


*uma das bestas do apocalipse que virá em forma de massa folhada!
**quer se assustar e ver como nossa legislação sanitária é permissiva?! http://e-legis.bvs.br/leisref/public/showAct.php?id=9059

domingo, 18 de maio de 2008

Maçã. Sempre pronta para viagem!!

Está para nascer, ou melhor, está para ser geneticamente modificada uma fruta que seja mais perfeita do que a maçã! Pode até ser que a fruta em questão não seja a preferida por todos, o que acho difícil, mas temos de concordar com uma coisa: ela é a mais prática de todas.

Creio que seja a única que se pode carregar na bolsa para um lanchinho na rua sem grandes prejuízos. O que não se pode fazer, por exemplo, com uma pêra que se machuca à toa, ou um caqui, dada sua tendência natural a se transformar em geléia ao menor toque. Já a melancia, o melão ou até mesmo o coco, com suas cascas blindadas, conservam intactas suas polpas, porém, tratam-se de frutas domésticas. Quem seria capaz de carregar um melão na bolsa pra matar aquela fominha fora de hora?! Ou um coco??? Só se a britadeira para abri-lo couber na mesma bolsa!! A melancia pode até caber nas superfashions maxi-bolsas femininas, mas haja ombro pra carregá-la, heim?!! Com a maçã não tem erro, cabe em qualquer cantinho, suporta certa pressão (metrô em horário de pico não vale... até o coco se amassaria!), sem contar que fica ainda mais gostosa quando consumida com casca: não produz lixo! Além disso, não exala odores que atraem legiões de mosquitinhos como a coitada da banana ou que afaste as pessoas, como a goiaba*.

Nutricionalmente falando, a maçã é o que se pode chamar de fruta milionária em nutrientes (cálcio, potássio, fósforo, vitaminas A, B, C, dentre outros). Como se não bastasse tudo isso, esta maravilha tem sido alvo de inúmeras pesquisas, pois descobriu-se que sua casca contém substâncias que protegem o corpo contra o câncer**!! Só isso já deveria bastar para todo mundo comer pelo menos uma maçãzinha por dia, não?!

Além de ser fácil de carregar e comer, de matar a fome, de oferecer inúmeros nutrientes, prevenir contra o câncer, a senhorita perfeita, por ser rica em água, ainda é capaz de matar a sede!! Principalmente quando é uma daquelas bem sucolentas, como a Fuji.
E por falar em tipo, a maçã tem opções para inúmeros paladares: Gala (mais adocicada e macia), Fuji (um pouco mais ácida e sucolenta), Verde (azedinha e sucolenta), Argentina (ideais para serem raspadinhas e dadas aos bebês)... para mencionar as mais comuns nas feiras e supermercados. Não tem desculpa! É só escolher!

Símbolo do pecado original, a maçã tem sido citada, comida, apreciada, estudada há séculos e, acreditem, pecado mesmo é não comê-la. Nossas vovós já diziam: "uma maçã por dia mantém os médico longe de nós"*** e a ciência tem comprovado a veracidade desse dito popular difundido pelas boas velhinhas. Por isso sempre carrego uma boa maçã comigo, afinal, ela está sempre pronta para viagem!

*eu pelo mesno fico longe!!
***para saber mais: http://www.news.med.br/index.pl?C=A&V=66506F737449443D3131333031266163743D73686F7752656164436F6D6D656E7473
***no caso das vovós inglesas: "a apple a day, doctors away"

domingo, 11 de maio de 2008

Herança de Mãe

Nossa relação com a cozinha tem tudo a ver com nossas mães. Vendo a relação que elas têm com a cozinha, podemos vir a desenvolver e aprimorar suas habilidades ou, em caso de mamãe pouco familiarizada com as panelas, vir a sofrer do mesmo mal!! O inverso disso tudo também é perfeitamente possível. Filhos de mães chefs sentem-se intimadados e preferem nem tentar cozinhar, por sua vez, filhos de mães que nunca foram muito chegadas às artes culinárias,tornam-se exímios cozinheiros. Não há regra, porém, é dessa relação que se desenvolve nossos primeiros hábitos alimentares.
Mães que gostam de cozinhar podem, com mais facilidade, fazer com que seus filhos tenham uma boa relação com a cozinha e os alimentos. O que não significa que o esmero no preparo das refeições faça com que os pimpolhos sejam um exemplo de alimentação equilibrada, mas que facilita... ah, isso facilita sim!! Ainda que seja, como no meu caso, a longo prazo.

As primeiras aulas de cozinha temos com nossas mães. E, geralmente, as levamos para o resto da vida. Aquele jeitinho de preparar o arroz. Os temperos que aprendemos a gostar. A marca de café favorita (importantíssimo!!). E por aí vai, uma infinidade de pequenos detalhes que, com o passar do tempo, vão se transformando, sem que possamos perceber, no nosso próprio modo de cozinhar. Muito mais do que herança génetica, cozinhar tem realção direta com convivência,observação e prática. Trata-se de herança cultural e afetiva.

Tenho a imensa felicidade de ter uma mãe que cozinha muitíssimo bem, gosta de preparar boa comida, sempre se preocupou com a qualidade do que leva à mesa, tem inteligência e habilidade para preparar novas receitas e uma generosidade infinita para ensinar os truques mágicos dessa arte. Sorte a minha!!

Pena que nem todos tenham a mesma sorte, pois cada vez menos mamães têm a mesma disponibilidade para a cozinha. São sintomas dos novos tempos em que elas têm de ser mãe, pai, provedora. Cozinhar, infelizmente e em muitos casos, se tornou apenas mais uma tarefa no longo e exaustivo dia. Mas há quem, mesmo depois de um interminável período, aproveite as poucas horas disponíveis para fazer do preparo da refeição um momento especial, de comunhão, afinal, não há tempo (ou falta dele) que faça com que as mães deixem de se preocupar com o sustento e desenvolvimento de seus filhotes, sejam eles bebês ou marmanjos!! É da natureza de toda e qualquer mãe.

A todas as mamães, as habilidosas e as que tentam do fundo do coração, um lindo, saboroso, sucolento e feliz dia das mães!!

PS: Parabéns, também, a todos os papais, que por uma razão ou outra, assumiram a dupla função de pai e mãe!


domingo, 4 de maio de 2008

Tempos de Guerra

As notícias sobre a crise dos alimentos são o novo hit da imprensa e o que era para ser informção acaba se tornando, devido ao tom sensacionalista, um alarme de emergêngia que coloca as pessoas em pânico e as fazem correr desesperadamente para os supermercados em busca de alimentos para estocagem. Isso explica uma cena que tem se repetido ultimamente: supermercado lotaaaaaado, carrinhos abarrotados e prateleiras vazias.

Bastou dizerem que a produção de arroz caiu, consideravelmente, no mundo para que os preços disparassem por aqui. No dia seguinte às notícias, os supermercados já divulgavam seus novos preços, suas promoções e, como não poderia deixar de ser, seus limites de venda por consumidor. Resultado: pessoas com quatro, cinco pacotes de arroz em seus carrinhos. Não demorou muito para as prateleiras ficarem vazias e só sobrarem aquelas marcas que já eram mais caras e que ficaram mais ainda.

Mesmo o Governo dizendo que por aqui não faltaria arroz no mercado, os preços não recuaram, nem o desepero coletivo. Descrédito do Governo ou oportunismo do mercado? Os dois, não é mesmo?! O fato é que as pessoas, à mercê de especulações, assustam-se com a possibilidade de faltar o arrozinho de cada dia e gastam suas economias para fazer estoque. Parece até que estamos vivendo em tempos de guerra.

Com os preços nas alturas, é a criatividade que vai pra cozinha. Jogar aquele restinho de arroz que ficou no fundo da panela?! Nem pensar! Há um trilhão de receitas para aproveitar todas as sobrinhas. O melhor mesmo é tentar substituir, mudar a rotina, passar a comer outros alimentos. É um bom momento para passar a comer uma saladinha de alface e tomate... que aliás, segundo últimas notícias, estão contaminadíssimos com agrotóxicos e substâncias proibidas. Melhor então, caprichar no café da manhã. Tomar aquele copão de leite, que continua caríssimo, embora não seja mais notícia, torcendo para que não esteja tããão contaminado com soda cáustica, que também deixou de ser notícia. Na dúvida, que tal se alimentar de luz?! Mas cuidado com as radiações ultra-violeta. Melhor caprichar no protetor solar... que anda pela hora da morte! Se a grana estiver curta para o protetor, alimente-se de luz artificial. Aproveite enquanto os Paraguaios não resolvem se deixam de vender a energia de Itaipu pra gente e os preços também não são, digamos, reajustados!!

Como está difícil viver no século 21, não?! Preferia aquelas previsões que diziam que estaríamos usando roupas metálicas e passeando em carros voadores, afinal, carro, pelo menos em São Paulo, nem andar anda mais.


quarta-feira, 30 de abril de 2008

Virada Cultural 2008

A Virada Cultural de São Paulo aconteceu no último fim de semana (26 e 27 de abril) e se firma, a cada ano, como um dos mais importantes eventos culturais do país. Louvável. Admirável. Em 2008, sem incidentes, acidentes ou coisas do gênero. Tudo ocorreu na santa paz.


A Virada foi Cultural, mas como este é um blog que trata de comidinhas, façamos uma análise gastronômica do evento! Foram tantos acontecimentos, apresentações, aparições que era impossível participar de tudo e quando a fome bateu, achar o que comer foi uma aventura à parte! Nessa hora, o saquinho de m&m e a caixinha de tic-tac esquecidos no fundo da bolsa valeram por refeições completas e suculentas!!
E para não dizer que a Virada nada tinha a ver com comida, havia o palco Canja que estava servindo o melhor do rock e do blues. Mais de 160 músicos se revezaram durante as 24 horas do evento em jam sessions de dar água na boca (a melhor foi com Clemente, Redson, Mingau, Ari, Alonso* tocando The Clash... fantááááásticos!!). E para não sair dos galináceos, mais tarde, no palco dos Festivais Independentes, apresentou-se o Supergalo... não, não era a apresentação de um Chester, mas de uma excelente banda de Brasília** que, mesmo sob um sol de 99°C, me empolgou pra valer!
Apesar de alimentar a alma, nada disso enchia a barriga e na hora do vamos ver o que salvou de verdade, sem correr o risco de ter um distúrbio intestinal fora de hora, foi o Mercado Municipal. Antes mesmo do sol nascer, lá estava ele de portas abertas e de frutas frescas a postos. Comi uma salada de frutas que fez eu me sentir viva e saudável, mesmo depois de uma noite inteira de caminhadas e shows e esperas! Se passarem por lá, recomendo a banca do Francisco Simão, atendimento pra lá de simpático! E além da nítida frescura das frutas e da generosidade da porção, o preço é ainda mais apetitoso: R$ 2 a grande e R$ 1 a pequena. Caso a sua não seja a vida saudável, há também a barraca de pastel no andar térreo que abre antes que o galo cante. E é aqueeele pastel, heim!! Um pouco mais tarde, depois de ouvir algumas modas caipiras, o mezanino do Mercadão já abria os primeiros restaurantes e era hora de mandar cafeína pra dentro!! Pra acompanhar o cafézinho (grãos Lavazza que dão conta do recado e fazem bonito!), um belo lanche de mortadela no Mortadela Brasil (o lanche júnior mata a fome de duas pessoas famintas!). O parzinho é esse da foto. Apetitoso, né?! Um café da manhã meio junkie, mas muito válido para recarregar as energias!
Entre um show e outro, água, muita água! E uma cervejinha, afinal, ninguém é de ferro!!

Um fim de semana incrível, recheado de cultura e, procurando, dá até pra comer bem em plena madrugada! Ê São Paulo... amo, amo, amo!! Preparem-se para a Virada Cultural 2009. Vale fazer uma viagem pra São Paulo, vale marcar as férias para esse período, vale pedir folga, fale faltar no trabalho, vale deixar pra dormir qualquer outro dia, só não vale ter preguicinha!!


*não, não, não era o Fernando Alonso... nessa hora ele estava correndo... e quebrando na Espanha... que triste...
**a banda é boa mesmo! Se ficou curioso, conheça pelo : http://profile.myspace.com/index.cfm?fuseaction=user.viewprofile&friendid=77582154 e baixe os sons gratuitamente no: www.tramavirtual.com.br/supergalo . Recomendo, heim?!



domingo, 20 de abril de 2008

Almas gêmeas - teste do café

- Sagitário com ascendente em Áries e Lua em Leão!
- Sou Áries com ascendente em Leão e Lua em Sagitário!
- Praia ou montanha?
- Tenho casa em Paraty!
- Amo Paraty!!
- Gato ou cachorro?!
- Gatos! Muitos!
- Tenho quatro!!
- Gosta de crianças?
- Só das legais!!
- Aaaah, eu também!!!
- Rock ou Bossa Nova?!
- O bom e velho!
- Seeeeeeeeempre!!
- Sedan ou hatch?
- SUV!
- ...o melhor de dois mundos!
- Doce?!
- Chocolate...
- ...quanto mais, melhor!
- Acho que você é minha alma gêmea!
- Casa comigo?!
- Caso!
- Vamos brindar com café?!
- Eu faço! Forte?
- Muito!
- É Melitta, amor?
- O quê, amor?!
- O pó de café é o Melitta, amor???
- Não sei, amor! Acho que não?! Peguei o que estava na promoção!
- Como assim??????
- É, amor, Melitta custa caro!
- A diferença é de centavos e a qualidade é incomparável, amor!
- Mas quase nunca tem no mercado aqui perto. Só tem no mercado do outro lado da cidade!
- Ah, então quer dizer que além de canguinha, mão de vaca, você sofre de preguiça crônica?!
- E o trânsito até lá?! É infernal!!
- Tem metrô na porta!!!!!
- Pra que andar de metrô se tenho carro?!
- É por causa de pessoas como você que o mundo está virando uma panela de pressão!!
- O aquecimento global é decorrente de causas naturais, meu carro não tem nada a ver com isso! Além disso, se todos pensarem assim, economias, países irão à ruína!
- Se todos pensarem como você o planeta explode em menos de 50 anos!
- Até lá já terei morrido!
- Egoísta! Ignorante!
- Eco-insuportável! Preciosista!
- Não me casaria com você nem que fosse a última criatura do mundo!
- Prefiro morrer só a ter de dividir o mesmo teto com você!
- Não me procure mais! Estarei do outro lado da cidade!
- Não se preocupe, nunca mais apareço por lá!


É, minha gente, um café pode dizer muito mais sobre uma pessoa do que qualquer um possa imaginar!! Lembrem-se, façam sempre o teste do café antes de aceitar um pedido de casamento!


domingo, 13 de abril de 2008

Pelé Arena Café & Futebol

Quem nunca desejou, pelo menos uma vez, ser invisível?! Eu fiquei invisível. Pena que foi num lugar meio inusitado e numa hora bem inconveniente: foi no Pelé Arena Café & Futebol (Rua XV de Novembro, 194, Centro , São Paulo - tel.:3101-9096), bem no momento que eu estava louca por um cafézinho!! Foi incrível... vou contar!

Era uma ensolarada tarde de uma linda segunda-feira do mês de abril. Caminhava animadamente pelas inspiradoras ruas do centro velho de São Paulo quando de repente, não mais do que de repente, vem a necessidade de repor o nível de cafeína no sangue. Olho para um lado, olho para o outro e logo ali, a poucos passos, estava o reino do Rei Pelé que serve café! Oh! Que coincidência!!

Entrei feliz e sorridente. Havia algum tempo que quereria conhecer esse espaço, afinal, como boa futebolista que sou, precisava fazer justiça falando do café do Rei depois de ter falado do "café do Maradona". Estava movimentado (hora do cafézinho do pessoal da Bovespa!!!). Avistei uma mesinha que havia acabado de ser desocupada. Aboletei-me.

Aguardei. Aguardei. Aguardei. Bobinhamente, ainda não havia notado que se tratava de uma mesa mágica, instalada sobre um campo de energia que torna todo aquele que ali se instala... invisível!!

Um, dois, três atendentes passaram por mim. Outras mesas foram ocupadas, atendidas, servidas e desocupadas e eu ali e nada. Passados cinco minutos que estava lá, imperceptível, comecei a duvidar de minha condição de invisibilidade. Passei a utilizar meu olhar "oi-olá-boa-tarde-o-cardápio-por-favor", que é comprovadamente eficiente, e nada, nem ao menos um "só-um-segundo-que-já-atendo-a-senhorita-pois-estou-atendendo-mais-725-mesas" de um dos atendentes. Eu estava invisível! Dez (deeeeeeeeeeeeeeeez, como o número da camisa de Pelé) minutos se passaram e não havia o menor sinal de que seria vista por um dos três atendentes que estavam encostados do lado de fora do balcão. Uma das baristas (?), de vez em quando, olhava na minha direção com cara de ponto de interrogação... devia ser a feiticeira do reino que, com sua sensibilidade aflorada, notava uma presença estranha no ambiente. Eu!

Como estava zen, tal qual um monge budista*, resolvi não procurar pelo gerente, cutucar-lhe o ombro e dizer "Qualé??!!". Levantei, saí e fui tomar café no Caffè Latte (Rua do Comércio, 58, Centro), onde fui recebida com simpáticos sorrisos e boas tardes de todos por lá... e um cafézinho... hummm... fazendo jus ao bom atendimento!!

Ehhh, Rei, se Vossa Majestade soubesse o que andam fazendo de vosso reino... Pior é que o site do café não tem aquele (in)conveniente linkizinho "fale conosco". Daí quem se faz de invisível são eles. Chato, né?! Talvez um dia entre lá novamente, mas só se for com o Mendes** à tira colo!!


*em momentos de meditação, antes das justas manifestações a favor da independência do Tibete

**Sobre o Mendes: http://cheriaparis.blogspot.com/2008/02/o-garom-de-marseille.html, blog do Daniel Cariello, divertidíssimo!! Recomendo!!

domingo, 30 de março de 2008

Top 5: mentiras que adoraria que fossem verdades


1°- me tornei sócia da Melitta: isso me dá direito a fornecimento vitalício de café. Ueba!!
2°- depois de anos de dedicação, cientistas finalmente desenvolveram um chocolate ao leite que contém propriedades funcionais e mantém o mesmo sabor e textura da versão clássica, além disso não contém gordura saturada e, o melhor de tudo: não contém calorias! Nooooooooooooooossa!!
3°- todas frutas, verduras e legumes da Terra não contêm nenhum tipo de agrotóxico ou adubo químico. Todas as plantações são absolutamente orgânicas!! Lindo!
4°- Fome Zero é o nome de um moderador de apetite, pois todas as pessoas do mundo têm comida de qualidade à disposição. Boooa!
5°- todo ser humano têm tempo de fazer suas refeições com calma, em ambiente tranqüilo e têm direito à uma hora e meia de soneca após o almoço. E esse direito é respeitado em todos os lugares do planeta! Incrível!!


Que pena que hoje é dia da mentira, né?!

Emagreça rindo (...gargalhando!!)

Semana pós-páscoa: semana de briga com a balança. Todos comentando como foi o feriado, quantos quilos de bacalhau com quantos litros de azeite comeram, quantos bombons, quantos ovos de páscoa, tudo devidamente acompanhado de um "Ai, meu Deus!", indicando a plena consciência do exagero cometido e dos quilos crescendo em progressão geométrica no demostrador da balança. Diante do mal consumado, o que resta é retomar (ou finalmente começar) aquela dietinha saudável, equilibrada, à base de muitas frutas, verduras, legumes, carnes leves... até o Natal, próximo feriado de comilança desenfreada. Tem-se, portanto, pelo menos nove meses para entrar na linha sem despespero e atitudes estúpidas e impensadas.
Já ouvi e vi um pouco de tudo em termos de dieta: tem a das proteínas, a dos carboidratos, a das fibras, a da USP (!), a dos cardíacos e a clássica e folclórica dieta-da-lua*. Não deveria, mas ainda fico admirada com algumas que vejo por aí. É óbvio que há uma criminosa exploração do padrão-cabide-de-beleza, mas tem coisa que parece até piada.

Nos meus caminhos há uma centena de bancas e passando rapidamente os olhos pelas capas de várias revistas, uma me chamou a atenção, dizia em letras grandes e amarelas: perca 8 kg em uma semana com a dieta da água com açúcar. Uau!!

Confesso que fiquei curiosa pra saber no que consistia a tal dieta e até cogitei a possibilidade de comprar a fuleira publicação (...pela bagatela de R$ 1,99!!!!), mas achei que seria mais divertido ficar imaginando enquanto comia uma suculenta maçã. Depois de algumas hipóteses, uma mais tosca do que a outra, cheguei a uma possível, levando em conta o nível da revista: o futuro cabide substitui todas as refeições por... um copo d'água com açúcar. Sendo assim, o objetivo da água com açúcar seria deixar a pessoa mais calma durante as pesagens, pois sabe-se que jejum não emagrece. Além disso, esta graciosa fonte de glicose auxiliaria no combate aos freqüentes desmaios causados pela fraqueza, afinal a taxa de açúcar no sangue chegaria a zero em um ou dois dias. Interessante. Muito interessante, mas, uma pergunta ficou sem resposta: se a pessoa quer emagrecer, não deveria ser dieta da água com adoçante????

Ai, ai... eu me divirto!! Lendo coisas assim com freqüência, dá pra perder umas boas calorias só na gargalhada.

*dizem que nessa dieta a pessoa pode comer tudo o que quiser, só não pode comer a Lua!!! kkkkkkkk

domingo, 23 de março de 2008

Páscoa!!

Páscoa! Dos feriados religiosos, a Páscoa me parece o mais celebrável, afinal, nascer qualquer um nasce, mas ressuscitar, pelo que consta, só Jesus. E, ao contrário de outros cardápios, o da Semana Santa reserva certas peculiaridades. Antes da ceia farta do domingo, há a quaresma, os quarenta dias de certas privações gastronômicas, e, acreditem, ainda existem pessoas que respeitam a tradição de não comer carne durante o período que antecede a Sexta-feira da Paixão. E mesmo aqueles que não são tão cristãos assim, aposto que fazem questão de guardar a graninha para a farta bacalhoada da sexta-feira! Para o Sábado de Aleluia não há restrições e, além de malhar o Judas, seria interessante malhar o próprio corpinho e prepará-lo para as toneladas de calorias do dia seguinte: a Páscoa!
Como a ressureição de Cristo virou ovos de chocolate distribuídos por coelhos não vem ao caso, o fato é que para cristãos, judeus, budistas, ateus e chocólatras, a Páscoa é sinônimo de chocolate. Muito chocolate!!

A oferta é quase covarde: parece que o mundo todo cheira a chocolate. Para os que vivem de dieta, é uma ótima desculpa para fugir dela e para os outros, apenas mais uma oportunidade de se esbaldar. Um dia doce, saboroso.

Minha Páscoa começou cedo: às 4h da manhã! Assistindo à Fórmula-1 e comendo uma caixa de bombons. E já que o Alonso, que largou em quarto e chegou em oitavo, me deixou deprimida... comi mais chocolate; me consolei com melhor ovo da Páscoa: Confeti da Lacta.

À parte a gula, que a Páscoa seja um momento para reflexões. Que seja o renascimento de bons sentimentos e pensamentos e não apenas dos pneuzinhos e espinhas por conta de tanto chocolate!! Feliz Páscoa a todos!

domingo, 16 de março de 2008

Vale a pena!! Vale sim!!

- Nozes que combatem radicais livres e retardam o envelhecimento: R$ 60 o quilo;
- Granola riquíssima em fibras que garantem bom funcionamento do intestino: R$ 12 o quilo;

- Filé de salmão, fonte de de ômega três, anti-oxidante: R$ 30 o quilo;

- Azeite de oliva extra-virgem: R$ 18 a garrafa;

- Kit pomar (maçã, mamão, banana, pêra, uva): R$ 20

- Kit mato (couve, brócolis, rúcula, alface): R$ 10;

- Pão integral light: R$ 5 o pacote;

- Pastel de escarola com queijo (num momento de insanidade!): R$ 3;

- Pedir uma cerveja para acompanhar o pastel e perguntarem se você e suas amigas já têm 18 anos:
N Ã O T E M P R E Ç O!!

A prática regular de exercícios físicos, aliada a uma alimentação saudável e equilibrada (com direito a alguns deslizes de vez em quando!), acreditem, dá resultados, não só por dentro, mas também por fora!! Que tal mudar alguns hábitos?! Depois é só sair pra comprar cerveja com o RG em mãos!!!!

domingo, 9 de março de 2008

Buenos Aires Café - Paraty

Andando pelas encantadoras ruas do centro histórico de Paraty, litoral sul do Rio de Janeiro, encontrei a Argentina! Mais precisamente, Buenos Aires (Rua Dona Geralda, 44 "a" - Centro Histórico de Paraty, Rio de Janeiro), o café de uma simpática e sorridente argentina de cabelos bagunçados e um incessante portunhol para convidar os passantes a adentrar as portas de seu estabelecimento.
Nada ali é convencional. Começando pela decoração: uma mistura vertiginosa de móveis rústicos (não há dois pares de cadeiras iguais), espelhos, castiçais, objetos antigos, bandeiras da Argentina, camisas da seleção argentina de futebol e fotos, muitas, muitas fotos do Boca Jr. (a dona do café foi fotógrafa oficial do time do Boca), principalmente do Maradona (urgh!). O único item contemporâneo do lugar é um computador que fica repetindo fotos de paisagens argentinas e, adivinha, do Boca!

O cardápio? "Lo cardápio soy yo!". Lá vem a argentina trazendo um maço de papéis de todos os tamanhos e texturas, com textos pouco, ou quase nada, esclarecedores sobre o que a casa oferece; dentre as parcas informações, vale dizer, não há valores! Enquanto se tenta descobrir o que se irá comer e/ou beber, a argentina faz uma continuação tagarelada do cardápio. Ela fala, fala, explica, oferece, gesticula, conta como prepara cada prato e haja portunhol!!

Medo. Para não arriscar muito, o chocolate quente foi a escolha, que, assim como todo o resto, não poderia ser comum. Ela começa dizendo que vai demorar porque o preparo é artesanal e o chocolate deve ser derretido lentamente, até atingir a temperatura ideal para que se chegue a textura e resultado perfeitos. Ansiedade. Quando finalmente fica pronto, lá vem a argentina trazendo a canequinha e uma bandeja repleta de potinhos e vidrinhos* de diversos tamanhos com licores artesanais, chocolates aromatizados, essências e líquidos extraídos de ervas, tudo para personalizar a bebida servida e completar a alquimia. Cada bebida é única. Cada um prepara a seu gosto. O meu chocolate aromatizei com licor artesanal de menta. Ficou delicioso! Exclusivo. Uma experiência se não única, no mínimo curiosa.

Vale a pena! Então, fica a recomendação: indo à Paraty, não deixe de conhecer a argentina! Nem só de peixe e frutos do mar vive a gastronomia de uma cidade litorânea!


*todos reutilizados de outras coisas como maioneses, geléias... e espero, sinceramente, que sejam apenas de alimentos!!!!

sábado, 1 de março de 2008

Branquinho Básico!

É irrefutável: somos seres mamíferos e por isso o leite é nosso primeiro e único alimento durante os primeiros meses de vida. À medida que vamos crescendo e envelhecendo, o bom e velho branquinho passa por fases de amor e ódio em nossos paladares. Há quem seja um verdadeiro bezerro durante toda a vida, mas também há os que torçam o nariz para o leitinho.

Nos últimos anos, os estudos sobre alimentos têm espocado por todas Universidades do mundo. De quando em quando elegem os heróis e vilões do momento e, evidentemente, o pobrezinho do leite não ficou de fora. Houve quem dissesse que se podia excluí-lo da alimentação sem prejuízos ao organismo, mas, só para não perder o costume, nenhum estudo a esse respeito foi conclusivo. Bem ou mal, o fato é que o leite faz parte da alimentação de 99% das pessoas e enquanto ninguém conclui algo que se possa ter certeza, vamos bebendo o que a vaquinha nos oferta.

Aliás, formas de tomar leite é que não faltam. Até mesmo aqueles que dizem ter nojinho, aposto que têm uma forma preferida de disfarçá-lo. Uma boa xícara de café com leite acompanhando um pedaço de bolo de fubá recém-saído do forno* numa tarde fria. Um copo gigantesco de milk-shake de chocolate num dia quente! Leite na vitamina de frutas com aveia para aqueles dias que não dá tempo de almoçar direito. Leite frio molhando o bolo quente de chocolate**. Leite com canela pra curar todos o males: de gripe a dor de cotovelo! Sem contar o leite com cereal, o leite puro gelado e docinho, o leite em nove entre dez receitas de qualquer coisa. Mil formas de tomar leite.

E tipos! Quantos tipos! Se há alguns anos o leite se limitava aos saquinhos ou às caras caixinhas longa vida nos balcões de padarias, hoje há corredores inteiros nos supermercados para acomodar tanta variedade. Além do integral, há o semi e o desnatado***, há também o de soja, o de cabra e o de pedra (hehehe). E os sabores?! Tem o prático, delicioso, cremoso e calórico sabor chocolate, e as centenas de variedades e combinações de frutas. Inventaram até um tal de sabor soda-cáustica, mas parece que esse não pegou muito!! Opções não faltam!

Quem nunca tomou um copo de leite numa noite de insônia? Se nunca o fizeram, que tal tentar?! As vovós já diziam (e elas sempre têm razão): um bom copo de leite é capaz de fazer maravilhas!



*embora o café purinho seja insuperável!!!
**água na boca!!

***vale lembrar que o leite desnatado é o mais rico em cálcio, heim?!

domingo, 17 de fevereiro de 2008

O melhor sorvete de limão do Universo!!

Limão vai bem com tudo: doces, salgados, bebidas. É ele quem dá um toque cítrico refrescante às mais diversas iguarias. Sendo assim, sorvete de limão, pode-se dizer, é a coisa mais refrescante do mundo! Dias quentes pedem sorvete. Dias muito, muito quentes pedem sorvete de limão!

Picolé de limão é uma delícia: ao mesmo tempo suco e sobremesa. Já o sorvete de massa é uma covardia: perfeição gelada pra comer de colher!

Há boas opções por aí, tanto de uma quanto de outra versão. Os picolés fruttare (da falecida Yopa, hoje Kibon) e la fruta (Nestlé) são ótimos e até mesmo o regional Oggi (esse pra quem é da região do abc paulista) cumprem bem sua fresca função, além de serem livres de gorduras, eles têm poucas calorias (dose de açúcar sem culpa!). Já os sorvetes de massa... esses dependem de alguma dedicação para que se encontrem os bons de verdade.

Vou direto ao ponto: sei onde fica o melhor sorvete de massa de limão do Universo!! Ele fica escondidinho no Sogo Plaza Shopping no bairro da Liberdade em São Paulo, no Vacanze Romane Coffee and Ice Cream (Rua Galvão Bueno, 40 - 4° andar - tel.: 3341-5134). O Sogo é um shopping apertado de lojinhas que vendem milhares coisinhas orientais ou nem tanto, mas com um pouco de perseverança é possível chegar ileso ao elevador e ir, sem demora, ao que interessa.

O Vacanze é uma extensão do restaurante Cia Oriental. Nada muito sofisticado, mas cheio de charme, luz agradável, cadeiras confortáveis e atendimento simpático no balcão. Seja qual for a temperatura lá fora, não se pode deixar de provar os sorvetes. Trata-se de um delicadíssimo creme, de consistência perfeita e sabores puros. Esses sim podem ser chamados de ice cream! O de coco queimado é maravilhoso. O chocomenta é delicioso. Abacaxi com vinho, coco, chocolate... todos muito bons, no entanto, nada pode ser comparado ao de limão!! Indescritível, perfeito. Vale uma viagem do Acre, Rondônia, Rio Grande do Sul ou qualquer lugar do mundo à São Paulo só pra prová-lo!!! E ainda por cima é baratinho: uma bola R$ 3 e duas R$ 5. Recomendadíssimo! Ah! Se tiver coragem, experimente também o picolé de peixe (isso mesmo!). Como o preconceito tem falado mais alto (urgh!), ainda não provei. Fica a dica!

No que diz respeito aos sorvetes, prefiro não trocar o certo pelo duvidoso. Vou ficando com os de limão que me têm feito feliz e satisfeita, faça frio ou calor!

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Aprendendo a cozinhar com minha mãe

Minha mãe me passando uma receita de bolo de cenoura:
- Mãe, quantos ovos?
-Ah, se você quiser um bolão grandão, coloca uns três, se forem pequenininhos, uns
quatro.

- Três ou quatro????
- Se os ovos forem vermelhos, novinhos, de gemonas e você quiser um bolo bem fofinho, alto, amarelinho, pode colocar uns três...
- Tá!
- ...ou quatro!
- Ok. Óleo, quanto?
- Se for óleo de milho coloca, assim, umas duas espirradinhas.
- Uma espirradinha seria quanto? Uma colher, uma xícara, um copo, um balde?
- Ah, não, só uma espirradinha! Duas, no máximo. Não coloca muito, não, porque senão o bolo fica muito encharcadão, pesado, mesmo que o óleo seja bom.
- Tá!
- Mas se você colocar bem pouquinho óleo, coloca também um tiquinho de manteiga, pra dar um saborzinho.
- (...) Leite.
- Um copo faltando um tantinho pra encher. Depende do tamanho dos ovos...
(voltamos à questão dos ovos...)
- Se forem grandes, com bastante clara, gema grande, não coloca muito leite senão vai ficar muito líquido e vai precisar de muita farinha. Se forem pequenos, pouca clara, geminha, coloca um pouquinho mais de leite senão o bolo vai ficar pequeno demais.
- Tá!
- Mas se quiser pode substituir o leite por suco de laranja, pra dar um saborzinho. Fica bom. Mas só se a laranja estiver bem madurinha, docinha, não muito ácida.
- Vou usar leite! Quantas cenouras?
- Depende. São frescas?
- Estão até fazendo ui-ui!
- Se estiverem fresquinhas, bem alaranjadinhas, pode colocar umas duas... ou três. Não muito grossas, nem muito finas. Não muito grandes, nem muito pequenas.
- Como eu sei?!
- Olha pra elas e escolhe as que não são muito grossas, nem muito finas, não muito grandes, nem muito pequenas.
- Hummm, tá. Quanto de farinha?
- Até dar o ponto.
- ?????????????
- Até você ver que a massa não está nem muito líquida, molenga, nem muito pesada.
- Isso seria aproximadamente quanto?
- Ah, daí depende do tamanho dos ovos...
(os ovos...)
- Você vai vendo quanto basta.
- Tá, tá, tá! Entendi. E fermento?
- Ah, não precisa muito, não. Depende dos ovos*...
(...não diga!)
- são eles que fazem o bolo crescer...
- Então não coloca fermento?
- Coloca, coloca, sim, mas pouco. Senão fica com gostinho de fermento!
- Então coloca, né?!
- Coloca! Mas por último de tudo. E não pode bater, senão não cresce. Mas precisa misturar bem, senão não cresce.
- Entendi, entendi! E aí?!
- Bate tudo no liquidificador, coloca numa assadeira untada e põe pra assar.
- ...vou arriscar perguntar: quanto tempo de forno?!
- Até terminar de assar, oras!!! Anotou?!
- Mãe, faz um bolo de cenoura pra mim?!

Bom, nota-se que precisão não é bem o forte da minha mãe, não é mesmo?! Mas não há no mundo quem faça bolos tão bem quanto ela!!

*...imaginem minha mãe dando receita de quindim!!!!!!

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Café com Suplicy

Aconteceu no V. Café da Cultura. “Ué! Mas não foi no Suplicy?!” . Café COM Suplicy. O Eduardo. O de prosa sonífera! Eu e uma amiga, em pleno sábado, fim de tarde, cismamos de tomar um café depois de termos mergulhado em milhares de livros interessantíssimos e caríssimos na belíssima livraria Cultura. Já que estávamos lá, nada mais fácil do que nos acomodarmos no V. Café, certo?! Errado. Muito errado. Saibam que aquele é o point mais badalado em São Paulo nos fins de tarde... sábado, então, nem se fale! Tem de tudo um pouco: jornalistas, apresentadores, intelectuais, pseudo-intelectuais (desses, aos montes!), políticos, cidadãos comuns e pessoas-desavisadas-que-achavam-que-iam-tomar-um-café (adivinha quem??!!).
Em pé, só mesmo um pingado no copo americano no balcão engordurado de um boteco, não no V. Café. Tendo isso em mente, eu e a amiga decidimos lutar (luta mesmo, tipo homem a homem, mesmo!) por uma mesa. Luta injusta. Assim que avistávamos uma movimentação caminhávamos em direção a mesa que imaginávamos que seria nossa. Nada. Nem bem nos aproximávamos da mesa, materializava-se um casal que já nos olhava com aqueles olhos: “se-f****-essa-é-nossa!”. Sem problemas, podemos esperar mais um pouquinho. Oba! Mais uma mesa! Quando já comemorávamos, vindos de uma nuvem de fumaça, dois velhinhos, bem velhinhos, beeeeeem velhinhos, de bengala e andador e tudo. Aaaaah! Sacanagem: “Podem se sentar aqui!”.
Imaginamos que a gentileza seria retribuída pela lei da ação e reação. Nada! Mais uma mesa. Assim que tocamos no encosto da cadeira para sentar, uma mulher senta-se dizendo “Ah, me desculpem, eu estava esperando há horas por essa mesa!”. A boa educação e o espírito evoluído fizeram com que nossos corações se apaziguassem e não quiséssemos partir pro braço. Resolvemos ficar ali do ladinho e mentalizar o mantra da mesa vaga. Vendo nossas carinhas de desalojadas, a tal mulher resolveu bancar a gentil: “Olha, estou com mais dois amigos, se vocês quiserem pegar mais uma cadeira, podem se sentar com a gente.” “Não obrigada, não precisa se incomodar! Depois que você roubou nossa mesa na maior cara de pau do universo, não adianta querer consertar, o que é seu tá guardado!!” - evidentemente, essa última parte do diálogo foi mental!.
Castigo vem a cavalo e nesse caso veio a galope! Pouco tempo depois, vimos quem era um dos amigos da mulher: Eduardo Suplicy!! Obrigada, Senhor pelo livramento!! Ainda bem que não aceitamos o convite de nos sentarmos com eles. Já imaginou um bate papo descontraído com o homem que recita Racionais Mc's???????? Já imaginou quantos litros de café teríamos de tomar pra nos mantermos acordadas????!

Fomos tomar café no Fran’s da Fnac.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Lembranças do Rio...

Geralmente, quem visita o Rio de Janeiro pela primeira vez traz consigo boas lembranças de lindas paisagens, do céu azul e ensolarado, do Cristo Redentor, do Pão-de-Açúcar. Eu não. Fui ao Rio pela primeira vez em 1986, era bem criancinha, e, ao contrário da maioria, guardo dolorosas lembranças de lá. Assalto? Tiroteio? Bala perdida? Nada! Nesse tempo nem existiam bandidos no Rio de Janeiro. Meu trauma fica por conta da comida!!
Quem já passou dos 20 e poucos anos deve se lembrar que nessa época a economia ia muito, muito, muito mal das pernas: inflação galopante, congelamento de preços (quem aí foi fiscal do Sarney?!!!) e racionamento de alimentos. Carne e leite viraram artigo de luxo disputado a tapa em portas de açougues e padarias às 5 horas da manhã. Mas, até mesmo em tempos difíceis, as pessoas precisam de um pouco de diversão. E vamos nós viajar, ficar longe de casa, longe da cozinha de casa, longe do açougue confiável de perto de casa!
Cidade maravilhosa, solão de dezembro, passeando o dia todo, a uma certa altura do dia, os turistas, que também são gente, têm de parar para recarregar as baterias. Lógico que, como já devem supor, Mc Donald’s não era opção. Paramos numa lanchonete (...que as lanchonetes não me ouçam...) e papi fez o pedido pra toda a família: “X salada pra todo mundo!”. “Ueba!”, gritou meu estômago nesse instante, obviamente, antes de ver do que se tratava. Quando o pedido chegou, a cara do pseudo-x-pseudo-salada já não era nada boa: pão-francês murcho da primeira fornada do dia (era tardezinha, quase noite), uma folha de alface (que sabe Deus se viu água antes de ir parar ali) e um “bife” solado-esturricado fazendo as vezes de hambúrguer. Opa! Bife em pleno racionamento de carne?! Fé!
Primeira mordida. Além de amolecer meu dente-de-leite, já pude sentir que tinha algo de muito estranho e diferente com aquela carne. Olhei pra minha mãe com lágrimas nos olhos e sem dizer uma palavra, implorei para não ter de comer aquele alien até o fim. Com meu pai por perto?! Nem pensar. Comi. Comi. Comi. Entre uma mordida e outra, respirava fundo e pedia ao Cristo Redentor misericórdia e uma boa digestão. Nem uma, nem outra.
Até hoje, passados mais de vinte anos, fico me perguntando: carne de que bicho era aquela? Cachorro? Gato? Cavalo? Impossível dizer. Acredito que o “x” não se referia ao “cheese”, mas, assim como na matemática, indicava a incógnita a ser descoberta. Qual a origem de “x”? Não sei. Não há cálculo capaz de responder. Só sei que o gosto está até hoje na minha lembrança e acho até que ainda estou digerindo o tal bife. Lembranças do Rio que me marcaram pra sempre...

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Caffè Latte

O Centro Velho de São Paulo reserva gratas surpresas, mesmo sendo barulhento com seus camelôs e pastores aos berros e o mar de gente apressada circulando sem olhar para os lados pelas estreitas ruas. Quando se anda por aqueles lados, do Largo de São Bento ao Teatro Municipal, com um pouco mais de paciência, atenção e boa vontade, é possível se encantar com as lindas construções e o doce charme do passado de uma cidade.
Além das opções culturais como o Museu do Pátio do Colégio, o Centro Cultural Banco do Brasil, o Instituto Cultural da Caixa, dentre outras, e das opções financeiras como a Bovespa e a BM&F, o Centro Velho é ainda capaz de satisfazer os mais diversos paladares e necessidades gastronômicas de quem trabalha ou passa por ali.
Há vários restaurantes (dos que servem o bom e fresquinho PF aos que têm buffets com 78525698 opções de saladas, massas e carnes), botecos e bares (como o lindo, agradável e bem freqüentado Salve Jorge) e inúmeros cafés, que são o que de fato interessam, afinal, nada, além de um bom café, de oferecer prazer duradouro e alívio imediato para as mazelas da vida ao mesmo tempo!!
Uma boa pedida é o Caffè Latte (Rua do Comércio, 58 – tel.:3242-1700) que fica escondidinho numa quase-viela ao lado da Bovespa. Assim que se dobra a esquina, parece que o mundo fica mais tranqüilo ao som do sax do músico de rua. Ao entrar no café, a sensação de tranqüilidade se mantém. Ambiente claro, elegante e suave, pequeno, mas de boa circulação, há opções de mesas, poltronas e banquetas (no balcão ou olhando o movimento da rua). Jazz de fundo. Há bastante burburinho no horário de almoço (o pessoal do mercado financeiro continua o pregão no café!!!). Os grãos são da Fazenda Pessegueiro (bem suave, mas de sabor e aroma marcantes). Boa carta. Adoçante da marca Gold... estraga o café (lembrete: levar o Zerocal de casa na próxima!). O atendimento é bom: simpático (sem paparicos), rápido (tanto na entrada quanto na saída: assim que a intenção de se levantar da mesa é manifestada, a xícara sai antes de você!) e o bolo de limão... hummm... parece uma nuvem azedinha... de-li-ci-o-so!! Recomendo.
Passear pelo Centro Velho de São Paulo é garantia de boas descobertas. Caminhar devagar, ver de perto, apurar os sentido*: eis a estratégia para tirar proveito desse lado da cidade.


*menos o olfato porque em certos pontos o cheiro de urina-mendiga é cruel. Apure os outros quatro que já está de bom tamanho!!!

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Feliz Ano Novo!!

Podem chamar do que quiser, mas no fim/início de cada ano sou tomada por uma onda avassaladora de otimismo que me faz achar que tuuuuuudo vai dar certo. E me parece que a energia geral é essa. Noto que as pessoas ficam mesmo mais esperançosas, felizes e dispostas a promover mudanças. Reveillon pra mim é marco de mudança, de fim e começo de ciclo. Tempo de repensar, replanejar e recarregar as energias positivas pra os próximos dias que virão! E tudo, tudo, tudo que possa contribuir para que as coisas corram bem são bem vindas!! Nessa passagem de ano confesso e admito que estava particularmente supersticiosa!
Minha tia, primo e prima resolveram virar o ano aqui em casa. Como não havíamos planejado nada com antecedência a coisa rolou mais ou menos no improviso. Decidimos fazer um ceiazinha básica, então a tia, educadamente, se ofereceu pra trazer um franguinho:
- GALINHA CISQUENTA NA MINHA CASA NO REVEILLON NÃO!! - bradei - Gente! Não se come ave na passagem de ano! Já pensou a vida ficar ciscando o ano todo?? Deus nos livre disso!! Traga porco, boi, peixe... qualquer outra coisa!
Muitos e muitos e muitos argumentos depois, consegui convercer a todos que frango, caranguejo e outros alimentos agourentos não deveriam fazer parte da primeira refeição do ano novo. Verdade ou não, prefiro não comprovar empiricamente tal teoria alimentar. Há tantas outras coisas pra se comer, não é mesmo?!
Lentilhas, por exemplo! Tão lindinhas... parecem moedinhas e dizem por aí que dá uma sorte danada!! Fartura, Sucesso, muito dinheiro o ano todo! Garanti uma panelada de lentilhas e à meia noite fiz meu pratinho, tirei os pés do chão (sabia dessa?! dizem que pra coisa funcionar 100% você que tem de tirar os pés do chão enquanto traça as lentilhotas e visualiza rios de dinehiro entrando em sua conta bancária: subi numa cadeira!!) e mandei ver!! Pra beber, champanhe, claro! Para que o ano seja leve, suave e nos faça rir à toa (diz a lenda que quanto mais você bebe mais você ri... e olha que essa foi comprovada empiricamente!!!).
Para completar o repertório da noite, roupas brancas (branca e lilás!), um colar de cristais (uma gama imensa dos mais variados cristais para atrair boas vibrações!!), uma nota gorducha no bolso (que foi posta de volta na carteira, cuidadosamente, para pagar contas de começo de ano...) e o coração aberto pra um ano novo lindo, feliz e cheio de realizações e muita disposição pra fazer com que cada uma das metas traçadas sejam alcançadas. Com ou sem superstição, temos um ano todinho (com direito a bônus de um dia!) para sermos felizes e fazermos o sucesso acontecer por meio de muito trabalho, dedicação e muitas ações e pensamentos positivos!! E que o otimismo se faça presente no miolo, entre o começo e o fim, desse ano!!!! Feliz 2008 a todos!

sábado, 29 de dezembro de 2007

Cachacinha Harmônica

Acho incrível o talento que algumas pessoas têm em complicar as coisas mais simples da vida. Quem costuma ler sobre gastronomia já deve ter reparado que a última moda em termos de bebidas é se elas harmonizam com o prato servido. Sou do tempo que a bebida combinava ou não! Mas, moda é moda e cai em suas armadilhas quem quer. Sou a favor de seguir a intuição... eu e o Bigode, um legítimo dono de boteco!

Cachacinha Harmônica

O Bigode sempre se orgulhou de ter o boteco mais querido e freqüentado do bairro. De domingo a domingo, há 35 anos. Viu a maioria dos atuais freqüentadores nascer e crescer. Era um boteco tradicional, clássico. Um boteco de bairro.
O Bigode, um senhor de bons modos e bom bigode, não imaginava sua vida de outra maneira. Amava seu boteco como quem ama um filho. Não tinha clientes, tinha amigos, gostava de lembrar. Era amável com todos e talvez esse fosse um dos segredos de seu sucesso, mas não era só isso.
O bar do Bigode servia o melhor bolinho de bacalhau da região – “...de bacalhau mesmo!” sempre anunciava antes de servir- sem falar do torresminho, os pasteizinhos – “...fritos na hora e no óleo novo!” – o escondidinho... tudo servido em deliciosas e generosas porções . O chope sempre impecavelmente gelado, as cachacinhas (as famosas cachacinhas do Bigode!), os licores, até o pingado era de primeira.
A passadinha no bar do Bigode era praticamente uma obrigação. O dia não ficava completo sem aquela visitinha ao amigo Bigode. Sempre uma festa! Uma tradição.
E de manter tradições, Bigode entendia bem. Seus amigos admiravam isso nele. Ainda que falassem que era antiquado, não tirava seu bigodão. Café feito no coador de pano? Pra que mudar se todo mundo gosta tanto?! Ovos coloridos na vitrine? Boteco que é boteco tem de ter!
Alguns dos amigos mais jovens, porém, começaram a falar de coisas que o Bigode nunca tinha ouvido falar. Café gelado? Caipirinha de saquê? Era um homem de tradições, mas não era de ficar parado no tempo. Resolveu, então, dar uma atualizada no seu repertório. Deu uma escapadinha do bar, foi a uma banca e comprou algumas revistas especializadas em gastronomia.
Leu. Leu. Leu. Achou tudo muito estranho, mas pensou que podia usar algumas coisas que tinha lido ali. Decidiu: era hora de modernizar, afinal, estávamos no século XXI! Além disso, se não o fizesse, os concorrentes o fariam. Não queria ficar pra trás, esquecido, encalhado no passado. Ia modernizar.
Alguns dias depois, resolveu colocar seu plano de modernização em prática. Estava nervoso, ansioso. Por volta das dezenove horas, horário de maior movimento no bar, Bigode decidiu: a gastronomia se modernizou, ele também:
- Seu Bigode, mais uma dose pra mesa dois!
- Pode deixar que eu mesmo sirvo!
Serviu a dose, atravessou o salão, aproximou-se do amigo na mesa dois, colocou a mão no ombro dele, abriu um sorriso:
- E aí, seu Zé, a cachacinha harmonizou com o escondidinho?
- Heim?! – perguntou o amigo sem entender o que o Bigode queria dizer com aquilo.
-Ah, Zé... tô perguntando se a cachacinha tá harmonizando com o escondidinho...
– Olha, Bigode, se eles brigaram eu não sei, mas que esse escondidinho com essa cachacinha nasceram um pro outro, ah, isso nasceram, sim! Manda mais uma!
Bigode percebeu que em time que está ganhando (há 35 anos!) não se mexe. Tradição é tradição e com cachaça não se brinca: ela não harmoniza, desce bem ou não!