domingo, 26 de abril de 2009

Apetite


Quer coisinha mais temperamental do que o apetite?! Varia não apenas de pessoa para pessoa, mas também numa mesma pessoa dependendo da situação. Intimamente ligado às emoções, o apetite oscila ao sabor dos sentimentos.

Durante a infância, uma das grandes brigas das mamães é abrir o apetite de seus rebentos. Nessa fase, no entanto, o apetite dos pimpolhos é pelas brincadeiras, pelas descobertas, não por comida... comer é apenas um detalhe e só há apetência por salgadinhos, bolachas, refrigerantes. Apetite de criança é bem espertinho! Diante de um prato de arroz e feijão ele faz bico, diz que não quer, chora e vai embora, mas a coitada da criança, que não pode simplesmente sair andando, acaba tendo que mandar aquele pratão para dentro, mesmo sem o tempero do apetite.

Apetite é assim: se abre ou se fecha e nunca se sabe qual é a chave que usa.

Na vida adulta, quando as mamães não mais obrigam seus bebês a comer (ou quase isso!), são os probleminhas que passam a ser a chave dessa porta. Num momento de grande ansiedade, o tal do apetite pode fazer uma pessoa sentir engulhos ao ver o mais sucolento dos pratos ou pode fazê-la querer comer não só o prato, como também os talheres, guardanapo e tudo mais. Junta-se à ansiedade, a irritação, o estresse, o nervosismo, a depressão e por aí vai.

As meninas, que maravilha, têm um item a mais nessa listinha: a tpm! Nesse período, há a fase do enjoo, perda total do apetite - nela, nem uma lasanha quentinha e cheirosa, na hora do almoço, parece apetitosa. E a fase 'draga', apetite com força total vezes 10 ao cubo - nessa o apetite faz tudo, tudo, absolutamente tudo parecer o manjar dos deuses.

Mas, não são só as emoções desagradáveis que fazem o apetite variar. A amor, por exemplo, faz o apetite dos pombinhos apaixonados oscilar mais do que o índice Down Jones em tempos de crise, inclusive o sabor dos alimentos fica mais agradável, embora nem sempre se esteja com apetite para devorar a pizza do encontro do sábado à noite, por haver coisas mais interessantes para fazer.

E por falar em sabor, o apetite geralmente vai embora quando não se pode sentir exatamente o gosto do que se come. Isso acontece quando se está doente. Aquela gripona não leva apenas o ânimo pra longe, ela faz tudo ganhar sabor de isopor e não anima o apetite, por isso ele vai dar uma voltinha e só retorna quando os lenços de papel são aposentados. Por outro lado, a fato de ter de ficar de molho, se recuperando, pode abrir o apetite do pobre enfermo.

Apetite oscilando muito?! Bom parar e pensar nos motivos. Comer com prazer, não por obrigação, com o apetite convidando você aos melhores pratos, com moderação, não para satisfazer a gula, faz o organismo receber melhor tudo aquilo que está entando nele. Os nutrientes são absorvidos com mais eficiência e as refeições tornam-se muito mais satisfatórias... embora não estejamos completamente livres das vontades inexplicáveis, né?!

domingo, 19 de abril de 2009

Efeitos Especiais

Há algum tempo, eu e alguns amigos nos encontramos para visitar a super-mega-blaster exposição de Pablo Picasso na Oca do Parque do Ibirapuera em São Paulo. Exposição divina, embora eu seja suspeita para falar, já que sou fã do Pablito!
Por razões que a própria razão desconhece e motivos até hoje não explicados, muito menos entendidos, demoramos uma encarnação e meia para chegar ao Parque, mais meia vida para chegar à Oca. No entanto, a vontade de imergir na arte cubista era tamanha que pulamos um detalhe que, mais tarde, se revelou de suma importância: uma boquinha antes de iniciarmos a visita.

Ao contrário da maioria das ocas indígenas, a do Ibirapuera é gigantesca... não tão grande quanto a reserva Raposa Serra do Sol, mas, certamente, bem maior que a maioria das casas populares. Enfim, o fato é que o percurso por toda a exposição levou horas e horas e horas, afinal, além do espaço ser imenso, como bem se sabe, uma obra de arte deve ser apreciada com certo vagar, o que então se dirá de centenas delas? E assim, com vagar e atenção, a fizemos.

Olha daqui, olha de lá, obra daqui, obra de lá. Depois de algumas horas, notamos que nossos comentários sobre as obras começaram a ficar um tanto delirantes. O próprio olhar sobre elas tornou-se diferente, quase psicodélico. Coisas esquisitíssimas começaram acontecer. Certas partes saltavam das telas tal como nos filmes em 3D. Era quase possível tocar as imagens que flutuavam no ar. A arte tornava-se etérea bem diante de nossos olhos, nossos corpos estavam leves. Não andávamos mais pela Oca... ela andava em torno de nós.

Teria a arte tomado conta de nós a ponto de podermos vivenciá-la fisicamente?!

Hummm, não.

Aquelas sensações tinham um nome: fome. Fome das brabas! Fome de nos deixar vesgos. Fome de baixar a pressão a zero. Fome de nos fazer ver o próprio Pablo ao nosso lado (...uma das amigas jura até hoje que ele mesmo explicou uma obra para ela... medo!).

Somando o tempo de percurso mais o tempo de caminhada dentro da Oca, estávamos há pelo menos 10 horas sem colocar nem uma gota d'água na boca. Parece pouco, mas para nós foi o suficiente para vivenciarmos a arte cubista de uma outra forma! Antes que passássemos dos delírios às agressões verbais e/ou físicas, fizemos uma pausinha para um lanche reforçado.

Depois do recreio, a exposição foi vista com outros olhos... não tinha mais o efeito 3D e o Pablo não nos quis falar mais nada!!

Agora estou na dúvida: dou a dica de comer antes de visitar uma exposição de arte ou digo para visitar a tal exposição num jejum mínimo de 12 horas?! Escolham a opção que mais atraí-los, certo?! Depois dessa, prefiro fazer um lanche reforçado... fiquei com medo do Pablo!hehehehe
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Ah! E por falar em oca... Feliz Dia do Índio!

domingo, 12 de abril de 2009

É Páscoa!!


Depois da Sexta-feira do Peixão*, do Sábado de Aleluia... finalmente é Páscoa! Gastronomicamente, o feriado mais delicioso, perfumado, crocante, trufado, cremoso de todos. O prato principal?! Chocolate! Muito chocolate, o dia todo, de todos os tipos. Chocolate no café da manhã, no almoço, no lanche da tarde, no jantar e antes de dormir. Ueba!

Tão logo o carnaval solte sua última serpentina no ar, o comércio já se veste de coelho e sai exibindo chocolates de todas as formas por aí. É impossível passar impune. A lambança já começa na quaresma: um 'bombonzinho' aqui, um 'tabletinho' acolá. São quarenta dias de tendas infinitas de ovos nos supermercados, litros de chocolate sendo derramados nos comerciais da tv, folhetos na porta de casa tentando nos convencer de que, pagando em 12 vezes no cartão, os ovos que queremos não saem tãããão caros quanto parecem (ah, tá!)... e assim aguardamos ansiosamente o domingo de Páscoa.

Quando finalmente chega, todo mundo vira criança nesse dia. Não que os marmanjos saiam seguindo patinhas de coelho pela casa em busca de ovos escondidos, não, não, longe disso. Quando crescemos, ficamos mais velhos, sábios e maduros, sabemos perfeitamente onde ficam os ovos de chocolate e vamos direto ao ponto: o armário da cozinha!! Também descobrimos que não são os coelhos que 'botam' os ovos de chocolate no armário e para que cheguem lá, depois de adultos, passamos a desejar ter uma galinha que bote ovos de ouro para comprarmos os ovos de chocolate que têm ficado cada vez mais caros! E por mais 'maduros' que estejamos, sempre esperamos ganhar muitos ovos do pai, da mãe, dos tios, dos padrinhos... ganhar ovos de Páscoa sempre nos deixa mais crianças, mais inocentes... a ponto de nem ficarmos pensando em quantos trilhões de calorias estamos ingerindo num único dia!

Mas, ainda que os ovos de chocolate predominem os pensamentos, Páscoa não é só isso, pois não?! A Páscoa é um dia do ano para pensarmos no renascimento. Independentemente de religiões e crenças, que esse seja um momento para pensarmos em tudo de bom que pode e deve renascer. Que renasçam a esperança em si e nos outros, a fé em dias melhores, a generosidade nos atos. Renasçamos mais felizes, mais fortes, mais otimistas (mais!). Renasçamos com o mundo, para o mundo. Não vamos deixar que a Páscoa, esse ano, marque apenas o renascimento das espinhas no rosto e dos quilinhos por todo o corpo, heim?! Feliz Páscoa a todos!


*com todo respeito à paixão de Cristo, mas diz aí se toda Sexta-feira Santa não rola um peixão no almoço, heim, heim?!

domingo, 5 de abril de 2009

Top 5: estratégias de sobrevivência num boteco de quinta durante um ataque alucinante de fome no meio do nada


1° o teste do balcão - a fome é grande, a localidade não oferece opções, o jeito é entrar no único 'estabelecimento' que oferece 'coisas' de comer. Assim que entrar, de modo algum sente-se a mesa (se houver), antes, vá ao balcão para um rápido teste: encoste seu antebraço balcão e conte até 3. Se sua pele não aderir à gordura acumulada do balcão, fique parcialmente feliz, sinal de que ele foi limpo há pelo menos 6 meses. Caso sua pele fique grudada, mas se solte depois um leve puxãozinho, é um sinal de que ele foi limpo há 1 ou 2 anos atrás, hora de decidir se sua fome é maior do que o nojo dessa informação. No entanto, se seu antebraço ficar completamente grudado no balcão e não se soltar nem com a ajuda do balconista, peça um pouco de água morna, jogue entre a pele e o balcão, assim que a gordura amolecer, recolha seu bracinho querido e saia o mais rápido possível do local, sem olhar para trás;

2° copo descartável - na hipótese de ter permanecido no local, peça algo para beber, talvez sua fome seja apenas sede! Comece pedindo uma água. Peça uma cujo copo ou garrafa venha lacrado, vedado, isolado da atmosfera do boteco. Caso o balconista diga que ele não 'trabalha' com esse tipo de mercadoria, pergunte qual seria a procedência da água vendida. Se ele disser que a procedência é uma bica que fica logo ali, no mínimo peça que ele use um copo descartável! Mas pense na possibilidade de pedir que ele abra um pacote novo, nem que para isso você tenha que pagar por todo o pacote... afinal, existe a possiblidade do digníssimo balconista ser do tipo que 'reutiliza' copos descartáveis!

3° talheres descartáveis - você é a pessoa mais corajosa e faminta do mundo, o copinho d'água só abriu ainda mais seu apetite, o único jeito de resolver o problema é comer! Prefira coisas que podem ser comidas com as mãos, como lanche, esfirra, pastel. No caso desse último, o lado bom é que o óleo quente pode ter matado todas as bactérias, mas o lado ruim é que o óleo super-hiper-mega-ultra-saturado completando 5 anos no tacho pode matar você. Se o balconista disser que não frita, não assa e não prepara nada na hora, repense. Pergunte pelo PF, com muita, muita, muita sorte o 'maitrê' irá dizer que fica pronto em 15 minutos... isso será um ótimo sinal de que está sendo preparado no mesmo dia! Caso sua fome já esteja grande a ponto salivar só de pensar no 'cheirinho' do 'bife' sendo frito, aceite um conselho: peça talheres de plástico. Do contrário, seu bife pode ganhar sabor de dobradinha... que estava no cardápio de ontem!

4° ovo cozido - o bom e velho ovo, herói no combate a tantos momentos de fome, ele pode salvar você mais uma vez! Pense bem: ele tem embalagem própria e lacrada, pode ser comido sem talheres, é rica fonte de proteínas e vitaminas, não precisando de muito para matar (ainda que temporariamente) sua fome, não é frito nem assado, é cozido! Mas é preciso que seu poder de persuasão seja forte, afinal, você terá de convencer o balconista de que faz questão que seu ovinho seja cozido na hora e por pelo menos uma hora (pra garantir a eliminação de qualquer tipo de bactérias). Diga que é uma receita da sua mãe! Caso consiga, vá fundo!

5° o bom e velho Fandangos - o balconista se nega a cozer um ovinho, não serve pf, o único pastel que tem é de ontem, só tem copos de vidro, sua pressão caiu, sua fome já está embaçando sua visão. O que fazer?! De repente, não mais do que de rente, você avista um pacote vermelho, escondido atrás de algumas garrafas de 51, Velho Barreiro e Pitu... sim, sim! É um pacote de Fandangos de presunto!!! Peça-o! Cheque se está na validade, sacuda o pó da embalagem, pague, nem que custe 5 vezes mais que o normal, e saia correndo! Com certeza um pacote de Fandangos ( que rende mais do que qualquer outro salgadinho!) vai conseguir aplacar sua fome, de quebra, vai resolver seu problema de súbita queda de pressão arterial já que possui níveis ressuscitadores de sódio!

domingo, 29 de março de 2009

Nhoque de Mandioca!


Hoje é dia 29! Dia de comer nhoque para chamar dinheiro! Há quem diga que depois de comer um bom prato de nhoque no dia 29, o dinheiro começou a jorrar em suas contas bancárias... malotes de dinheiro apareciam em suas portas... verdinhas brotavam debaixo de seus colchões... uma loucura! Dizem que para Bill Gates, Antônio Hermínio de Moraes, para Oprah, dentre outros, o nhoquinho no dia 29 é sagrado!! Verdade ou não, nada, nada, a lenda é uma boa desculpa para, nesse domingão, fazer uma receitinha de nhoque diferente.

À parte a benesses financeiras (as quais ainda não percebi!), tenho um carinho todo especial por esse prato: nhoque de batata foi a primeira receita que fiz na minha vida, quando mal alcançava o fogão, com mais ou menos 5 anos de idade (com a devida supervisão de mamãe!). Com o tempo, outras receitas foram sendo testadas, além das invencionices, mas uma coisa não muda: sempre tem nhoque no meu cardápio!

À receita tradicional italiana, que tal dar um toque de Brasil?! Que tal usar mandioca ao invés de batatas?! Que tal temperá-la?! Que tal recheá-la?! Que tal fazer a receitinha abaixo no almoço de hoje?!

(porção para duas pessoas)
2 xíc. de chá de mandioca previamente cozida e amassada com garfo
1 gema (reserve a clara, você pode precisar dela!)
2 colh. de sobremesa de gérmen de trigo (sou maníaca-psicótica por coisas integrais, caso você não seja maníaco-psicótico por coisas integrais, esse ingrediente torna-se opcional, ok?!)
4 colh. de sobremesa de farinha de trigo (aproximadamente, apenas o suficiente para dar liga à massa)
1 colh. de sopa de queijo parmesão ralado
2 fatias de mussarela picadinha (se preferir, pode substituir por queijo branco!)
1 nuvenzinha de noz moscada
1 farelinho de um cubo caldo de carne (ou de legumes... ah! de preferência daqueles que têm teor de sódio e gordura reduzidos)
1 pitadinha de sal (prove um tiquinho da massa e adicione sal somente se for necessário, afinal, os queijos já são salgados e o caldo também)
1 nota bem graúda
Molho de sua preferência (mas já digo que o bolonhesa combina perfeitamente! Um sugo rústico também não faz feio).

Se ainda não estiver pronto* faça o molho de sua escolha agora... lembrando que é sempre o molho que espera a massa, nunca, nunquinha, jamais o contrário, combinado?! Coloque aproximadamente 1 e 1/2 litro de água para ferver. Agora sim hora de fazer a massa: à mandioca amassada, adicione a noz moscada, o farelinho de caldo de carne (deu pra notar que é bem pouquinho, né?! em medidas convencionais, é o equivalente a 1/5 do cubo), o gérmen de trigo, o queijo ralado e a mussarela picadinha. Misture tudo. Adicione a gema e se perceber que a massa ficou muito seca, vá adicionando parte ou toda a clara. A ideia é que a massa não fique muito úmida para que não seja necessária muita farinha, afinal de contas, o nhoque é de mandioca, não de trigo, sacou?! Para finalizar, vá adicionando a farinha de trigo até que se obtenha uma massa uniforme. Caso vá modelar os nhoques com o auxílio de duas colheres pequenas (como os que fiz nesses da foto!), a massa não precisa ficar muito enxuta, mas se optar por enrolar e cortar os nhoques, reserve um pouco mais de farinha para polvilhar na superfície. A essa altura, a água já deve estar borbulhando na panela, então, pra não ter erro, faça um teste com um nhoque para sentir se o ponto da massa está ao seu gosto. Jogue uma bolotinha na água e espere ela subir... prove com cuidado para não queimar a língua. Está do seu agrado?! Então modele os nhoques restantes! Cozinhe da mesma maneira: coloque-os com cuidado na água, na quantidade suficiente para que eles possam se mexer dentro da panela, espere até que eles subam, retire com uma escumadeira e deixe escorrer o excesso de água num escorredor de macarrão. Quando todos estiverem cozidos, acomode-os numa travessa e adicione o molho... bem quente! Para piorar a situação, regue com azeite e polvilhe maaaais queijo! Na hora de comer, muito importante: coloque a tal nota graúda embaixo do prato e coma com gosto... o nhoque, não a nota!

Atenção: a nota deve ficar embaixo do prato, não dentro do prato, heim?!

Caso queira fazer essa receita em qualquer outro dia que não seja 29, fique à vontade... daí, ao invés de colocar a nota graúda embaixo do prato, coloque-a dentro do bolso... também dá sorte!!! hehehehehe

*quando digo pronto, quero dizer: aquele-molho-que-você-já-havia-feito-anteriormente, em hipótese alguma me referiria a uma lata de "molho" pronto... que fique bem claro, nonas!! hehehehehe

domingo, 22 de março de 2009

Cafézinho Inocente

Ela havia acabado de se formar em Biologia. Recebeu uma proposta de trabalho que não era exatamente irrecusável: 3 meses na floresta amazônica pesquisando os hábitos dos animais noturnos. Aceitou.
Na noite anterior ao embarque, repetia a si mesma: posso viver sem chapinha, posso viver sem tv, computador, internet, telefone, chuveiro quente, cama macia, sou forte, sou resistente, vivo com pouco... a mim, basta um bom livro e uma xícara de café. Café?! Meu Deus, será que no acampamento tem café?!

Ela aceitava ser privada de qualquer luxo e conforto, aceitava conviver com feras selvagens e mosquitos do tamanho de helicópteros, mas sem café, não, isso nunca! Correu para o supermercado e abraçou 15 pacotes de café. Sua bagagem agora era uma mochila com roupas e itens básicos de higiene para os próximos três meses e uma mala cheia de pacotes de café, item fundamental de sobrevivência seja na selva ou na cidade!

Embarcou sem transtornos. Voou sem problemas. Chegou sã e salva ao aeroporto de Manaus. Enquanto esperava sua mala na esteira, se perguntava, ansiosa, quando a aventura iria começar. Nem precisou esperar muito tempo.

Indo em direção à saída do aeroporto, ouviu latidos histéricos, nervosos, raivosos. Já xingava mentalmente o dono-sem-noção daquele cachorro, quando olhou para trás, notou que não se tratava de um cãozinho qualquer, era uma fera de dentes enormes, babando, latindo, rosnando e vindo em sua direção!! Instintivamente, pôs-se a correr desesperadamente. Na outra ponta da coleira, um policial federal que, vendo a moçoila correr daquele jeito, deu lhe voz de prisão. Oi?!

Ela não sabia se corria mais ainda ou se parava pra perguntar se ele não a estava confundindo com alguém. Como o instinto de sobrevivência fala muito mais alto que a curiosidade, correu mais ainda, correu como uma velocista. E a besta-fera atrás, tal qual... uma besta-fera, e o policial junto. Numa cena de tragi-comédia, o cão soltou-se do policial e tão rápido quanto um raio alcançou a pobre bióloga. Em choque, ela parou. Já podia ver a luz quando reparou que o cachorro não a atacou... ele avançou em sua mala! Na mala?!

O cachorro latia, rosnava e babava olhando fixamente para a pobre malinha que, de medo, nem se mexia. Logo depois, esbaforido e fora de forma, o policial pediu que a moça e a mala os acompanhassem, ele e o cão, para averiguações.

- Heim?! Como assim?! Averiguação de quê?! Por quê?! Onde?! Agora?! Por que eu?! Quem é você?! Onde eu estou?! Que cachorro é esse?! Por que ele correu atrás de mim?! Ele é vacinado?! Acho que ele babou em mim?! Preciso me vacinar?! Posso me lavar?! Do que estou sendo acusada?! Preciso de um advogado?! Eu estou encrencada?! Eu sou inocente... seja lá qual for a acusação... aliás, qual é a acusação?! Posso chorar?!

- Não é necessário.

- O choro?! Ou o advogado?! Ou a vacina?!

- O choro é opcional. A vacina não é necessária. O advogado... depende. Se você disser quem é o fornecedor, se for dos grandes e conseguirmos pegá-lo, podemos fazer um acordo.

- Éééééé... desculpa, acho que entrei no filme errado. Não estou entendo patavinas do que o senhor está falando.

- Podemos pular essa parte e ir direto ao assunto... ou podemos passar longas horas aqui nesse joguinho.

- Juro que não faço ideia do que estamos falando aqui!

- Olha mocinha,você me fez correr demais, pra encurtar essa ladainha, vou ser bonzinho e dizer: o cão farejador identificou, localizou e apontou sua mala: ela está cheia de café...

- ...mas qual é o problema com meu café?! É proibido transportar café?! Policial, eu não sabia... eu sou viciada em café!

- Agora você vai me dizer que carrega 15 pacotes de café numa mala pra consumo próprio?!

- Sim!

- Então você quer que eu acredite que toda a droga moquiada nesses pacotes de café são pra consumo próprio?!

- Droga?! Moquiada?! Que droga?!

- Cocaína, espertinha!

- Heeeeim?!

- Não adianta negar, esse é um cão farejador treinado, ele sabe que vocês usam o café para disfarçar o cheiro da droga.

- Policial! PelamordeDeus... só tem... ca-fé dentro daqueles pacotes! Só tem caféina aí! Cafézinho inocente!
- Sei...

- É verdade! Pode abrir... um por um... só tem café ali!

- Pensa que me engana?! Nega agora... - abrindo, com um canivete, um por um, os pacotes de café, formando uma nuvem marrom e cheirosa por toda a sala.

- Satisfeito?! É café! Meu café... todo pelo chão... Vou passar 3 meses no meio da floresta e esse é , ou melhor, era meu suprimento de café.

- (com a cara mais sem graça do planeta) Aaaah... ééééééééh... bom... o cachorro se confundiu... cachorro bobo, viu?! Vai ficar sem ração hoje, viu?!

Agora quem rosnava e babava de raiva era ela.

Entre um pedido e outro de desculpas e a promessa de pacotes fechadinhos de café, uma cafeteira elétrica, um mini-gerador e uma caneca exclusica escrito PF, tomaram uma garrafa de café de procedência duvidosa.

Depois daquilo tudo, a perseguição, o interrogatório e o café ruim, enfrentar onça brava seria fichinha!


Moral da história: se ela tivesse comprado café Melitta, embalado à vácuo, nada disso teria acontecido.

domingo, 15 de março de 2009

Café do Pateo no Pateo do Colégio


Há dias em que tudo que se quer da vida é uma boa companhia, seja de si próprio, do amor, dos amigos ou de um bom livro. Melhor ainda se for num lugar calmo, tranquilo, bonito, acolhedor... boa vista, bons sons... um aroma que mistura cheiro de casa, de infância, de aconchego. Onde fica esse lugar?! No Centro de São Paulo, pertinho do Marco Zero, no Café do Pateo. Juro!

Por mais inacreditável que possa parecer, o Páteo do Colégio (Praça Pateo do Coléfio, n° 2, Centro, tel.: (11) 3105-6898) abriga um café que é uma verdadeira Pasárgada, uma ilha de tranquilidade em pleno centro caótico de São Paulo.

O ambiente é, além de acolhedor, lindo, sofisticado, mas com um quê de descontração. Logo que se entra, há o balcão e algumas mesinhas altas, para quem está ali numa pausa rápida... um pecado... afinal, a mais alguns passos ficam as mesas dispostas ao lado de um belíssimo jardim estilo europeu. É ali que a mágica acontece. Acomodando-se em uma das mesas e cadeiras estilo colonial, pode-se ouvir o barulhinho de água que brota da fonte, salpicado pelo cantarolar de passarinhos que vêm visitar as árvores... se prestar atenção, até dá pra ver um ou outro beija-flor voando por entre as flores. Do lado oposto ao jardim há uma parede de taipa de pilão feita pelos jesuítas que construíram o colégio. Ao fundo, a metrópole num horizonte infinito. E um cheirinho de lugar gostoso no ar.

Para um cenário perfeito, uma bebida perfeita: café, claro!! Os grãos são da Fazenda Pessegueiro. Para acompanhar, sugiro o bolo do dia. As opções são sempre muito boas... são bolos caseiros e as porções parecem que foram feitas por mães que querem seus filhos beeeem alimentados. O de chocolate com cobertura é espetacular, o de cenoura também é delicioso. Para quem quer fazer uma refeiçãozinha básica, também há opções de pratos rápidos, saladas, porções, além de sobremesas, sucos... o jeito é ficar curioso e ir até lá para conferir!

O Café do Pateo é cenário para se perder em bons pensamentos. É som para meditar acordado. É o lugar perfeito para aquele bate-papo de horas e horas e horas. É o fim, o começo ou o próprio passeio. É uma de minhas Pasárgadas. Mais do que recomendado!!

sábado, 7 de março de 2009

Brigadeiro Catártico!!

Nada é tão bom que não possa ser melhorado!

Pensando sagitarianamente assim, fui à cozinha, à procura de uma gostosurinha, num daqueles dias que a gente está com vontade de comer não sei o quê, comprado não sei onde, pagado não sei quanto. Sabe como é?!
No armário, uma lata de leite condensado piscou pra mim (medo!). Retribuí a piscadinha (doida!) e pensei logo num brigadeiro de colher! No entanto, era preciso mais, mais, muito mais!!! Foi quando tive a ideia de turbinar meu brigadeiro com outros dois ingredientes: café e chocolate em barra. Nooooossa!
O resultado? Uma catarse de sabores. A receita? Logo aí embaixo:


(Dividi a receita em etapas, única e exclusivamente, para criar um clima, ok?! Não se assustem! Essa receita é simplíssima e até uma criancinha de 5 anos com sono é capaz de fazer)

Etapa 1: o trivial

1 lata de leite condensado (...desnatado, para não enterrar de vez a dieta)
1/2 colher de sobremesa de margarina light (seguindo o princípio do ingrediente anterior!)
1 e 1/2 colher de sobremesa de chocolate em pó (se preferir um doce não tãããão doce, use cacau em pó, que não tem açúcar, mas na falta de um ou de outro, vá de Toddy, Nescau, Quick...)


Numa tigela refratária grande (precisa ser grande porque o briga começa a subir, subir, subir... e faz uma sujeirada daquelas... melhor usar um refratário grande!), junte o leite condensado, a margarina e o chocolate em pó, mexa com uma colher e leve ao micro-ondas por 3 minutos e 1/2. Quando seu forno apitar, retire a tigela e parta para a etapa 2.


Etapa 2: o perfume, o aroma, o princípio da catarse
2 ou 3 pitadinhas de café solúvel

À mistura ainda borbulhante, acrescente o café solúvel esfarelando os grânulos com os dedos. Misture bem com auxílio de uma colher e leve ao micro-ondas novamente por mais 1 minuto. Passado esse minutinho, hora da etapa 3.


Etapa 3: a catarse consagratória!
3 batons (...batom garoto, gente! pelamordeDeus!!)
ou
4 alpinos
ou
2 barrinhas de +ou- 40g de chocolate amargo
ou
algum outro chocolate de sua preferência
Ao brigadeiro já perfumado com o café, ainda borbulhante, acrescente o chocolate escolhido, quebrado em pedacinhos. O calor do doce já é o suficiente para derreter o chocolate. Misture vigorosa e animadamente por 1/2 minutinho. Coloque num recipiente menor, se preferir, e leve à geladeira até que fique frio. A parte mais difícil é ter paciência para esperar esfriar!!

Esse brigadeiro catártico fica um creme lindo, brilhante, sedoso, aromático, marronzinho... não fica no ponto de enrolar, mas quem precisa disso?! Brigadeiro de colher é tudo de bom.
Acreditem, fica divino! Além de divino, esse doce é também muito versátil. Quem conseguir resistir à tentação de devorar tudinho, colherada por colherada, pode usar esse doce incrível como cobertura de bolo; pode ainda acrescentar nozes, amêndoas e/ou castanhas picadinhas e usar como recheio. Xiii, gente, o céu é o limite!
Provem esse brigadeiro e comprovem que o que já é bom demais, pode ficar ainda melhor!
Em tempo: esse brigadeiro é perfeito para comemorar o Dia Internacional da Mulher, afinal, somos catárticas!! Parabéns a todas mulheres do planeta!
Meninos, que tal agradar suas meninas com uma surpresinha doce, heim?!

domingo, 1 de março de 2009

O cérebro, o coração e a boquinha nervosa*

Comida e emoção têm uma relação muito estreita. Seja no preparo ou na degustação, o estado de espírito influencia diretamente o resultado. Ainda que a razão dê alguns pitacos, o coitado do cérebro é sumariamente posto de lado quando as emoções, ao sabor dos tuntuns do coração, resolvem ficar no comando das ações.
Uma refeição preparada com carinho leva ingredientes que vão além dos que estão nos livros de receita, um temperinho que ninguém vê, mas está ali, deixando até o mais trivial dos pratos com sabor de manjar dos deuses!

Sentar-se à mesa com os nervos à flor da pele, porém, desanda qualquer prato. Comer torna-se algo mecânico: a comida é posta na boca, mastigada e engolida sem que se perceba de fato qualquer uma dessas ações. É mais ou menos por aí que mora o perigo, não é mesmo?! Quando a boquinha fica nervosa, resolvemos distraí-la com uma comidinha aqui, um belisquete ali, uma bobagenzinha acolá e, nessa brincadeira, perdemos o controle!!

Crescemos acreditando que comida é a solução para tudo: se estamos felizes, comemos para celebrar; se estamos tristes, ansiosos, deprimidos, comemos para desviar a atenção do coração para a boca e o estômago. Mas não é nossa culpa!! Trata-se de um comportamento arraigado, inconsciente. Fomos praticamente condicionados a isso. Culpa de nossas mamães (hehehehehe), afinal, quando bebês, ao primeiro choro, se o caso não era de fralda, lá vinha o leitinho para acalmar nossos ânimos e, consequentemente, os ouvidos do restante da família.

Desde a infância 'aprendemos' que os belisquetes são um calmante, uma 'recompensa' para o bom comportamento. 'Aprendemos' também que essas recompensas sempre vêm em forma de coisinhas gostosinhas: doces, chocolates, salgadinhos... nunca comida, lógico, afinal, quem gostaria de ter como prêmio um prato de brócolis com beterraba e feijão, heim?! Pior... aprendemos isso direitinho e até hoje, na vida adulta, nos recompensamos com essas gostosuras... nunca com um pé de alface fresquinho ou uma xícara de chá de camomila... nããããão... é sempre um chocolate enorme (porque eu mereço), um pote de sorvete (porque eu preciso), uma pizza quatro queijos (porque eu quero e quero agora!) e assim por diante!!

Ai, ai... é tão difícil desaprender o que foi aprendido tão diretinho há tantos anos! Entretanto, mais do que aprender a se desvencilhar das armadilhas das emoções (que nos faz usar o velho método da recompensa!), precisamos aprender a equilibrar emoção e razão, na vida e na mesa. Merecemos um chocolate enooooooorme?! Claro que sim, oras bolas! Mas nosso corpo, essa máquina tão perfeita, também merece uma boa dose de ingredientes que o faça funcionar sempre bem e cada vez melhor! Equilíbrio!

*texto escrito por uma pessoa que está morrendo de culpa depois de ter comido uma panela de brigadeiro porque está ansiosa com as coisas da vida... Deus! Deus! Deus!

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Tic Tac: muito mais que uma simples pastilhinha de nada!

Tic Tac! Sou fã dessa balinha! São tão refrescantes, práticas, pequenas e melhor: tudo isso, em menos de 2 calorias*! Mas tem de ser a de menta. Particularmente não gosto de nenhum outro sabor: de laranja é sem graça, de cereja me dá dor de estômago (?) e 'tic tac extra-forte' deveria se chamar 'tic tac pimenta-do-reino'... demasiadamente forte!
Mas, mais do que simplesmente refrescar o hálito, essas pastilhinhas são capazes de revelar muito sobre a personalidade, o caráter e o comportamento de uma pessoa. Duvida?! Eu também achava que se tratavam de balinhas inofensivas, até que um dia uma amiga me contou que teve uma briga seriíssima com o namorado:

- Brigamos feio esse fim de semana!
- Por quê?! O que foi que aconteceu?
- Você não vai acreditar! Estávamos na sala, assistindo tv quando de repente ele enfia a mão no bolso da calça dele e... ai que ódio... tira uma caixinha de Tic Tac de lá de dentro!!
- Eeeeee...
- Tic Tac!
- (...)
- Tic Tac! Uma caixinha de Tic Tac! Vê se pode!
- Ééééé... qual é mesmo o problema nisso?!
- Uma caixinha de Tica Tac, amiga?! No bolso da calça do meu namorado?!
- Continuo na mesma!
- TIC TAC É COISA DE MULHER, ORAS!!
- Não sabia disso, não!
- Claro que é, amiga, você consegue imaginar um homem pedindo uma caixinha de Tic Tac na padaria, na doceria, no bar?! Isso é coisa de mulher!
- Ah, nunca parei pra pensar nisso...
- Mas eu sim! Briguei feio! Queria saber qual foi a vagabunda que esqueceu aquela caixinha no bolso dele! Ele está negando até agora, mas ele que não fique pensando que me engana!

Quem diria que um tictaquinho de nada seria causa de uma briga de casal, né?! Mas, apesar da aparente loucura, minha amiguinha me fez pensar no assunto. Comecei a reparar que de fato nas docerias nunca se vê homens pedindo Tic Tac, nas baladas somente embalagens de drops são tiradas dos bolsos. Além disso, quando ofereço essa balinha para algum homem, eles sempre pegam um punhado... dizem que são pequenas demais! Por que motivo comprariam, então?! Sem contar que a preocupação com as calorias contidas numa mísera balinha... aaaaaah, isso é, inegavelmente, coisa de mulher!Interessante! Muito interessante!
Algumas questões precisam ser respondidas: o que levaria um homem a ter uma caixinha de Tic Tac consigo?! Ganhou?! De quem?! Quando?! Por quê?! Achou?! Heim?! Eca! Comprou?! Sentiu vergonha de pedir?! Pediu para alguém comprar?! Por quê?! Para quem?! Hummmm.

Diante de tantas perguntas sem respostas, só posso dizer o seguinte: meninas, se seus namorados têm Tic Tac no bolso... desconfiem, fiquem de antenas ligadas... para evitar surpresas, ou, simplesmente, procurem um terapeuta para tratar da paranóia! E, meninos, da próxima vez, melhor vocês comprarem Halls (e dos pretos... que é coisa para gente forte de verdade!), para evitar possíveis fadigas com suas namoradas, certo?!

*fazer a voz da Ana Hickman quando ler essa parte, ok?!

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Top 5: soluções rápidas para problemas (quase) sem solução na cozinha


visitinha inesperada um dia antes da despesa do mês - a campainha toca: são pessoas que você não convidou chegando bem na hora da sua 'refeição', justamente naquele dia cujo cardápio se limitaria a pão com ovo porque a despensa estava fazendo eco de tão vazia! Solução: ficar em silêncio absoluto e fingir que a) não está em casa; b) está dormindo o mais pesado dos sonos; c) não notou que a campainha era na sua casa, já que não convidou ninguém!

o gás acabou - o bolo está no forno há 21 minutos e 1/2, falta pouco para ficar pronto, mas ainda não está; a bordinha já está assada, começa a dourar em cima, quando de repente... a chama do forno vai diminuindo, diminuindo, diminuindo... ao passo que seu desespero vai aumentando, aumentando, aumentando. Solução: a) deixa o bolo lá dentro e espera que o bafinho final do forno termine de assar seu bolo; b) diz a si mesma(o) que acabou de inventar um petit gateau gigante (!) e ainda acha graça da massa crua escorrendo do meio do seu bolo; c) acende uma vela dentro do forno e reza para santo Expedito para que aquele calorzinho seja suficiente para terminar de assar seu bolo!

a curiosidade matou o suflê - 10 entre 10 pessoas têm uma história triste de suflê para contar. Ainda assim, essas mesmas pessoas insistem em fazer essa receita mais do que temperamental. Quando finalmente você acha que tudo dará certo, quando a receita foi executada à perfeição e já está no forno, um ser intrometido entra na cozinha, local para onde não fora chamado, e enquanto vai perguntando 'o que está assaaando?' vai abrindo a porta do forno. Solução: a) numa reação ninja, você dá uma voadora no narigudo e impede a abertura do forno; b) diz que era suflê, mas agora será omelete; c) calejada(o) por experiências anteriores, coloca um pitbull rosnando e babando na porta da cozinha até o suflê terminar de assar!

o que esse ingrediente está fazendo aqui? - dia inspirado na cozinha, você resolve fazer aquela receitinha que faz há anos e adoooooora. Separa os ingredientes. Prepara a receita e quando já está quase pronta, já no forno ou no fogo, nota que um dos ingredientes deu cria no potinho e está sobrando! Solução: a) tira a tal receita da fôrma ou da panela e adiciona o ingrediente esquecido, 'qual o problema?'; b) entende o fato como um aviso do céu e procura um médico para tratar da falha na memória, enquanto o problema ainda está no começo; c) decide que é hora de testar novas formas de preparar aquela velha receita !

surpreeeesa! - "...a comidinha de ontem estava tããããão gostosa! Ainda bem que sobrou um pouquinho para hoje!", pensa você enquanto está no trânsito, indo pra casa, depois de um dia de cão e com a fome como a de um leão selvagem das savanas africanas. Antes mesmo de soltar a bolsa, você coloca o pratinho no micro-ondas e dois minutos depois, ao abrir a porta do forno você é atingido pela lufada acre. A comida azedou! Justamente no dia que você está verde de fome e bege de preguiça. Solução: a) decide que é hora de começar uma dieta, bebe um copo d'água e vai dormir (... depois de um banho, claro!); b) decide que é hora de comprar uma geladeira nova porque a sua virou um mero armário com iluminação interna; c) decide que é hora de conhecer sua vizinha da frente e vai fazer uma visitinha surpresa, embora haja o evidente risco de ser vítima das soluções 'a', 'b' ou 'c' do 1° problema!

domingo, 8 de fevereiro de 2009

O menino, o sorvete... e o cahorro!

Dias quentíssimos de verão esses últimos. Lufadas quentes vêm de todas as direções. Andar na rua é penoso... e penas são tão quentes! As roupas são poucas, algumas praticamente nada. Os cachorros, para amenizar o calor, lançam suas línguas para fora da boca e quase arrastam-nas no chão. As pessoas até que gostariam de fazer o mesmo, mas como o chão é sujo e tal e tal, optam por arrastar suas línguas em geladinhos e refrescantes sorvetes!

Como a poesia também acontece em temperaturas elevadas, dia desses, sob o sol do meio dia, enquanto desejava um condicionador de ar diante de mim, percebi a batalha hercúlea de um menininho contra um sovete. Diante dele, sua mãe desesperada.

Percebendo que o sorvete, que insistia em derreter muito rapidamente, antes que a ágil linguinha de seu filhote pudesse alcançá-lo, a mãe sentou seu pequeno herói no degrau de uma lanchonete e com delicadeza e gentileza comparáveis às de Capitão Nascimento, instruía o rapazinho de modo a minimizar os danos... que, devo dizer, já eram irreversíveis!

O pequeno rosto já estava todo tomado pelo sorvete. Como é que o sorvete foi parar nas sobrancelhas do molequinho, meu Deus?! As mãos pareciam vestir luvas brancas, mas, sim, era sorvete também! Das mãos, o caldinho açucarado escorria pelos braços formando uma goteira que criava uma pocinha no chão.

Toda luta envolve força. Era uma luta. A urgência, a pressa, (o medo do Capitão Nascimento!), fizeram com que menininho se esquecesse de que as casquinhas de sorvete não são feitas de titânio! Pleft! Além do líquido, pedaços da casquinha grudaram nas mãos. Além de lamber, era preciso mastigar e engolir! Uf!

Longos foram os minutos até que a batalha chegasse ao fim. Como sabemos, numa guerra não há vencedores e aquela não foi diferente: de um lado uma casquinha extinta, de outro, um garotinho lambuzado dos pés à cabeça... e uma mãe furiosa por ter de segurar na mão grudenta seu herdeirinho, além de ter de fugir das abelhas que ficariam rondando aquele algodão doce ambulante!

Segui meu caminho pensando nas grandes lições que aprendemos na infância. Como é difícil chupar sorvete quando se é criança, né?! E passamos por isso. E chegamos à vida adulta chupando sorvetes, na maioria das vezes, como verdadeiras damas e cavalheiros... embora haja dias em que nossa criança interior resolve brincar aqui fora e sempre saímos melecados dessa brincadeira! Talvez seja um doce lembrete de que é preciso se lambuzar na vida!!


...em tempo: assim que o molequinho e o Capitão saíram andando, um cachorro foi lamber a pocinha de sorvete deixada no chão! Entenderam por que os cachorros andam com suas línguas pra fora em dias quentes?! Entenderam?!



domingo, 1 de fevereiro de 2009

Cia Oriental


Comida japonesa: há quem faça caretas só de ouvir falar, sem nunquinha ter provado, mas também há aqueles que se renderam aos deliciosos sabores dessa comida tão fresquinha, perfeita para nosso verão. Mas, o que fazer quando esses dois tipos de pessoas estão numa mesma turma de amigos ou num casal?! Alguém sempre terá de sacrificar seu gosto?! Nada! Tenho a solução: o restaurante Cia Oriental (no shopping Sogo: Rua Galvão Bueno, 40/44 - 3° e 4° andares - Liberdade - tel: 3277- 6971). Preparado para agradar a todos os gostos, esse restaurante, especializado em comida oriental, também serve excelentes opções de comida brasileira!

No 3° andar fica o buffet self-service. Saladas: verduras, legumes e frutas com carinha de frescos e bem lavados! Destaque para o brócolis verdíssimo (aviso: se forem comer de hashi, preparem-se para uma luta inglória já que os talos são enormes). Comida brasileira: opções bem familiares como o arroz e feijão, carnes (o lagarto é de dar água na boca!), bacalhoada, lasanha, nhoque, aos sábados tem feijoada... com direito à couve e caipirinha! Comida oriental: arroz japonês, harussami, gobo, lula, tofu, sashimis de atum e peixe branco, niguiris de salmão (perfeitos!) e inúmeros tipos de sushi, um mais deliciosos que o outro (feitos ali na sua frente), sempre pequenos e delicados... como devem ser. Há também yakissoba, guioza (frita como se fosse pastelzinho... não é feita no vapor... mas ainda assim vale provar, o recheio suíno é delicioso), espetinho chinês, salmão grelhado (pra quem tem nojinho de comê-lo cru!), rolinho primavera, tempurá, dentre muitas outras delícias. Não deixem de provar, por nada nesse mundo, o bolinho de atum ao molho de laranja: é divino... é de comer de joelhos agradecendo a Deus e/ou Buda pela oportunidade!! Sobremesas: banana caramelizada, mousses e brigadeiro de copinho. Para beber: sucos naturais de laranja, limão com gengibre (de subir pelas paredes!) e refrigerantes (né?!). Cortesias da casa: missoshiro (quem nunca provou deve provar esse caldinho, pra quem conhece, provem: é o melhor missoshiro que existe no mundo!), uma fatia de melancia e a caipirinha (no sábado!). O salão é grande, embora fique apertado e difícil de se locomover devido ao grande número de mesas e cadeiras espremidinhas. Sem dramas!

Para quem quer mais conforto, num ambiente espaçoso, agradavelmente decorado e servido por garçons, o 4ª andar oferece opções à la carte. É nesse andar que ficam a cafeteria e a gelateria... a que tem o melhor sorvete de limão do univero* (não se atrevam a sair de lá sem provar esse sorvete... ou irão se arrepender!). Devo confessar que ainda não conheço o serviço à la carte... o 3° andar me satisfaz completamente, além dos preços serem mais em conta, sabe?! Ah, e por falar em preço, não deixem de pegar o cupom de desconto (10%) logo na entrada do shopping, vale a pena!

Em São paulo, com vontade de passear pela Liberdade e comer comida japa de qualidade?! A dica está dada: Cia Oriental! Ah! Nos fins de semana tem uma feirinha incrível na praça da Liberdade: flores, artesanato (bolsas liiiiindas!!) e várias outras belezinhas. Além das lojinhas na redondeza. É passeio para o dia todo e de barriguinha cheia!

domingo, 25 de janeiro de 2009

A Hebe vem para o Jantar???!!!!!

Coisa natural no século XXI: naquela casa, ela, jornalista, passava quase o dia todo fora e ele, dono-de-casa, assumido e com orgulho, passava o dia às voltas com os 2345987 afazeres do lar. Por que não?!
Tarde de sexta-feira, o telefone toca. Não deu tempo de atender, estava dando banho no filho de 4 anos que insistia em brincar de acquaman-hiperativo-virando-uva-passa. A Secretária eletrônica atendeu:

- Amor, estou levando a Hebe pra jantar em casa!


Quando ouviu o recado quase infartou: O quê?! Quem?! A Hebe?! A gracinha do sofá?! A da tv?! Por que ela só avisou agora?! Eu não tenho nada na geladeira! O que eu vou servir pra essa mulher?! Como assim a Hebe vem pro jantar?! Será que ela come canja?! Eu estava fazendo canja! Será?! Quando minha mulher virou amiga da Hebe, meu Deus?! A Hebe vem jantar em casa... isso é coisa que se diga, assim, num fim de tarde?! O que ela está pensando que eu sou?! Uma máquina?! Um mágico que vai tirar um jantar de gala da cartola?! Será que a Hebe come pizza?! Não tenho nenhum vinho decente em casa. Será que a Hebe gosta de caipirinha... de 51?! Será?!
Em meio a esse turbilhão de perguntas, teve uma idéia genial: a mãe!


- Mãe, socorro! A Hebe vem jantar em casa e eu não sei se ofereço pizza ou canja!
- O quê?! A Hebe vai jantar na sua casa e você me fala isso assim, meu filho?! Você sabe que eu e suas tias amamos a Hebe... a gente acompanha a carreira dela desde menina!
- Mãe, pelamordeDeus, deixa o sermão pra depois e me dá uma luz!
- Não se mexe, meu filho! Eu e suas tias vamos dar um jeito! Em meia hora chegamos aí com tudo pronto pro maior jantar que esse seu apartamento já viu!
Dito e feito: em meia hora a sala de 4 metros quadrados do apartamento tinha virado o salão de gala do Copacabana Palace. A mãe e as quatro tias, que trouxeram seus respectivos maridos para ajudar no que fosse preciso, formaram um exército para preparar um jantar digno de Hebe Camargo. A emoção de conhecer a grande dama da tv brasileira motivava aquelas senhoras, senhores e marido em pânico.
Tudo pronto. Elevador chegando. Todos de sorrisos no rosto e câmeras a postos. A porta se abre:


- (...) Amor?! O que está acontecendo?! Quanta gente em casa! O que aconteceu com a nossa sala?!
- Ficou à altura da Hebe, amor?! Onde ela está?!
- Está aqui! A Hebe, minha estagiária na redação. Você não acha que exagerou um pouquinho?! - entre dentes.
- Oi, muito prazer, Hebe! – sem graaaça - Puxa, gente, uma festa, nem me arrumei! A chefinha não falou que seria um jantar em minha homenagem!
- Hebe????!!!! Você que é a Hebe?! Amor, cadê a Hebe Camargo?!
- Que Hebe Camargo?!
- A que você ia trazer pro jantar!!!
- Quem falou Hebe Camargo?!
- Você!
- Eu não! Eu disse que a Hebe vinha pro jantar... A Hebe, minha estagiária... a estagiária de quem estou falando há dias... você não me escutou?! Nenhuma das vezes?! Nenhuma das 750 vezes?! Você nunca me escuta mesmo, né?!
- (...)

Tem coisas que nem o século XXI é capaz de mudar!!
(...tem outro texto aí embaixo, ó!)

455 anos da São Paulo de Piratininga

(não poderia deixar passar sem um registro:)
Hoje, 25 de janeiro, aniversário de São Paulo. Amo. Com todas as contradições, defeitos, qualidades, encantos.A cidade do 8 e do 80... do 8 e do 800... do 8 e do 8 000 000 000... De todos os opostos que se pode imaginar e dos que ela mesma ainda irá inventar. A cidade do caos e da própria ordem. A cidade dos grandes restaurantes dos grandes chefs premiados e das barraquinhas de cachorro-quente e churrasquinho grego. Típicos de São Paulo!
Aliás, qual é afinal a comida típica de São Paulo?! Viradinho à paulista?! Sim! Cuscuz paulista?! Sim! Pizza?! Macarronada? Hambúrguer? Sushi?! Também, também, também! O cardápio típico dessa cidade é o reflexo de sua essência cosmopolita. Se existe no mundo, existe em São Paulo. O que se come no mundo, come-se em São Paulo! Assim.
E lá se vão 455 anos dessa São Paulo de Piratininga. Feliz Aniversário!

domingo, 18 de janeiro de 2009

Já que o verão chegou...

É sempre bom ter uma boa desculpa pra tudo nessa vida, não é mesmo?! Para aquela cervejinha na sexta-feira, a desculpa é que a semana foi muito estressante... ou foi muito boa... e por isso merecemos uma happy hour de leve! Para comermos aquele chocolate imenso a desculpa é uma ansiedade galopante que resolveu aparecer e só muito chocolate pode dar um jeito! Para sair da dieta, desculpas não faltam: estamos felizes demais, ou tristes demais, estamos com amigos, estamos sozinhos... e por aí vai! Bom mesmo é quando podemos usar uma desculpa para nos fazermos boas ações.
O verão chegou há algum tempinho, mas, pelo menos aqui em São Paulo, só resolveu agir como a estação mais quente do ano nos últimos dias. Seja como for, os dias mais quentes são o motivo perfeito para algumas atitudes bem saudáveis, como se exercitar mais, afinal, os dias mais claros jogam a gente da cama mais cedo e uma boa caminhada logo pela manhã ativa corpo e mente. Além disso, nesses dias acabamos sentindo mais sede e, consequentemente, ingerimos mais líquidos (lógico que nessa categoria, estamos falando de água, sucos, água de coco... cerveja é outro departamento, certo?!) e nos hidratarmos mais é ótimo para o bom funcionamento do organismo.
Dias quentes também pedem uma alimentação mais leve, fresquinha. Saladas são a pedida da estação. Porém, ainda que não faltem desculpas para comermos salada todos os dias, aquele prato de alface não parece ser um convite apetitoso para um banquete.
A mais clássica das saladas, a de alface, pode ser também a mais sem graça se não dermos uma caprichada no sabor. Para isso, nada melhor do que os molhospara salada. Porém, se a idéia é usar a saladinha como desculpa para uma dieta, é preciso tomar cuidado, pois alguns molhos prontos podem deixar sua inocente verdura bem gordinha.
Então, que tal uma receitinha caseira de molho para salada, que, além de light é saudável, saboroso, prático e versátil?! São desculpas suficientes para fazê-lo, não?! Lá vai:

1 colher de sobremesa de iogurte desnatado
1/2 colher de sobremesa de azeite de oliva extra virgem
1 colher de café de mostarda
1 colher de café de molho de pimenta
1 colher de café de wasabi (... é aquela pastinha verde, mais conhecida como raiz forte)
1 colher de sobremesa de salsinha bem picadinha
1 pitada de sal
(se fizer muita, muita, muita questão: 1/3 de colher de sobremesa de maionese zero ou light)

O modo de preparo é complicadíssimo e por isso, requer extremas habilidade e atenção: mis-tu-re to-dos os in-gre-di-en-tes num po-ti-nho. Em se-gui-da, dis-tri-bu-a so-bre a al-fa-ce já la-va-da. Pron-to, é só ser-vir! Uf! Entenderam?! Siiiiiiiiim! Então não tem desculpa!

Essa receita é só uma desculpa, digo, uma sugestão que pode, perfeitamente, sofrer todo tipo de variação de acordo com o gosto de cada um ou conforme as opções da geladeira! A salada também pode e deve levar mais ingredientes como tomate, cenoura ralada, outras folhas como rúcula e agrião. São tantas opções que vai ser difícil arrumar desculpa para não variar todos os dias e passar o verão todinho fazendo refeições mais leves e saudáveis!
Aproveitem o verão e todas as desculpas que ele oferece!

domingo, 11 de janeiro de 2009

Bem-casados, muito bem casados... muitos bem-casados!


Os bem-casados, além da noiva e do noivo, são de extrema importância num casamento! Eles, os bem-casados, representam duas partes que se unem, seladas pelo amor, respeito e cumplicidade. A lenda diz que todo aquele que saborear um bem-casado será agraciado com muita sorte e felicidade, basta fazer um pedido antes da primeira mordida.
Além dos bons votos, esses docinhos também dão um toque de charme e romantismo à decoração do salão. Resumindo: lindos, sortudos, gostosos... fundamentais!
Quando a irmã de uma amiga estava planejando o casamento, me ofereci para fazer os bem-casados. Ela topou e eu... tremi na base: eram 240 bem-casados!! Nunca havia feito, mas como gosto de um bom desafio, encarei!
Faltando alguns dias para o grande dia, me enfurnei na cozinha e me pus a assar fôrmas e mais fôrmas de pão-de-ló... sempre pedindo à fada-dos-bolos-fofos que deixasse todos os meus bolos fofinhos. Fui atendida. Ufa! Depois de assados, os bolos foram cortados em quadradinhos iguais (...ou quase!), recheados com doce de leite (muito doce de leite!) e cobertos com açúcar de confeiteiro. Crendo que os doces em si seriam a parte mais trabalhosa, fiquei aliviada de pensar que só faltava embalar e decorar. Ai, ai, esse meu otimismo...
No dia seguinte, já embrulhados em celofane e crepom vezes 240, hora de decorar vezes 240. E dá-lhe fita e laço, fita e laço, fita e laço, fita e laço, fita e laço, fita e laço... vezes 240! Um picotezinho nas pernas dos laços vezes 240. Mini-micro-florzinha-seca em cima de cada laço vezes 240. Cartõezinhos desejando felicidades ao casal vezes 240. A certa altura, achei que meus bem-casados estavam se multiplicando em progressão geométrica só pra me sacanear... eu não terminava nunca!!!! Mas foi só impressão... às 4 horas da manhã da sexta para o sábado, lá estavam eles: 240 bem-casados prontos!
Quando entreguei as duas caixas para a noiva, me senti a pessoa mais feliz do mundo pela missão cumprida e também a mais cansada... pela noite não dormida!
Se a lenda diz que os bem-casados dão sorte, acho que esses darão sorte e felicidade em dobro já que foram feitos com extremos carinho e dedicação!
Felicidades ao casal e às 240 pessoas que degustaram meus bem-casadinhos!! Eeeeeeeeba!

domingo, 4 de janeiro de 2009

Receitas antiqüíssimas feitas com lingüiça no liqüidificador!


Este 1° de janeiro marcou, além da estreia de 2009, o início do novo acordo ortográfico da língua portuguesa.

É provável que a maioria não tenha percebido, mas à meia-noite, concomitantemente ao espocar dos fogos de artifício, ocorreram pequenas explosões. Enquanto os fogos produziam luzes brilhantes, coloridas e alegres, das explosõezinhas resultavam pobres potinhos tristes que começavam opacos e iam se apagando melancolicamente até sua extinção total e completa. Ninguém, talvez um ou outro, tenha percebido que se tratavam de todos os tremas da língua portuguesa deixando de existir.

Embora seu fim não cause grandes catásfrofes, é inevitável pensar que nunca mais compraremos lingüiça na liqüidação, nunca mais tomaremos líqüido, o liqüidificador* será aposentado de vez, nunca mais adicionaremos na seqüência de nenhum preparo cinqüenta gramas de absolutamente nada! As receitas nunca mais serão as mesmas! Os livros e cadernos de receitas escritos até 31 de dezembro de 2008 tornaram-se antigos!

Vendo os cadernos de receitas da minha mãe, sempre achei engraçadinho ler dôce, assim, com o circunflexo, achava que isso dava um ar de receita antiga, tradicional. Agora, até as receitas que vão aos modernos microondas ganharam esse arzinho antigo. Conseqüentemente (ou consequentemente...ainda estou me adaptando), tornamo-nos antigos também! Ó, que afronta!

Alguns dirão: já vai tarde! Particularmente sentirei saudades do trema. Era como uma gravata borboleta em cima do u: chatinho de colocar, mas, assim como a gravatinha, dava um charme incomparável!

C'est la vie: vão-se os tremas, ficam as receitas! Adaptemo-nos com tranquilidade!


PS: Estou achando chatíssimo ter de deixar de ser uma LINGÜISTA para ser uma reles linguista... aaaaaaaaaaah, perde todo o charme. Por isso, ali no meu perfil, MEU perfil, não mudarei a grafia da palavra... que me chamem de antiga... de antiqüíssima!


*praticamente uma chuva de confete: são inacreditáveis SEIS pinguinhos em cima de uma única palavra!!

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Feliz Ano Novo!! Feliz Sorte Nova!

Ela nunca foi muito de superstições: acha gatos pretos o supra-sumo da elegância, acredita que o maior risco de passar sob uma escada é que uma ferramenta pode cair na sua cabeça, 13 é só um número depois do 12 e antes do 14 e por aí vai. Sempre viveu bem assim, ainda que os amigos fizessem toc-toc-toc na madeira todas as vezes que sua mão bobíssima deixava um espelho cair no chão! Azar, zica, má-sorte... bobagens, só isso!
No Reveillon de 2007 para 2008, porém, de tanto encherem-lhe os pacovás, rendeu-se a uma mandinguinha de passagem de ano. Como dinheiro aos montes é sempre bom, resolveu comer as sortudinhas lentilhas que, segundo disseram, traz fortuna, fartura, prosperidade... uau! Às doze badaladas, lá estava ela, empoleirada numa cadeira, porque é assim que tem que ser, mandando ver num prato enorme de lentilhas cozidas e temperadas com folhas de louro, ainda que estivesse se sentindo ridícula. Descrente como ela só. Dia 02 de janeiro nem se lembrava mais da tal simpatia. Foi levando a vida como sempre, até que coisas estranhíssimas começaram acontecer.

Certo dia, ao examinar seu extrato, percebeu que um valor diferente aparecera... eram R$ 5mil. Noooooossa! Levou um susto e pensou nas lindinhas lentilhas. Quase infartou quando viu que aquele valor havia sido debitado de sua conta. Correu chorando pro gerente para ouvi-lo dizer que seu cartão, muito provavelmente, havia sido clonado e que o processo de estorno levaria duas vidas e meia para ser concluído. Ficou arrasada, mas, otimista, pensou na velha máxima: depois da tempestade vem a bonança. No caso dela, esse primeiro episódio foi só uma garoinha.
Onde era possível perder dinheiro ela perdeu. Pegou nota falsa no troco, uma nota de R$100 ficou enroscada, para todo o sempre, no caixa eletrônico, o flanelinha não tinha troco pra R$20, mas não se importou em ficar com a nota toda, a revista de R$10 saiu por R$20, graças a uma nota gêmea-siamesa-imperceptível, bateu na traseira de um carro e não teve como fugir da despesa, bateram na traseira dela e fugiram cantando pneu. Até então, "pequenos" prejuízos.

Lá pelo meio do ano, os EUA começaram a ter calafrios na economia e a bolsa de valores do Brasil começou a sinalizar que as lentilhas também atuariam por ali, mas nosso presidente disse que a tal crise, temida nos 4 cantos (?) do mundo, seria apenas uma "marolinha" e ela acreditou. Na semana seguinte, as ações da Petrobrás (onde investiu quase todo seu FGTS) despencaram. Em pânico, temendo as malditas lentilhas, vendeu tudo, antes que seu dinheirinho virasse pó. Quatro dias depois, anunciaram a descoberta do pré-sal. Prejuízo para ela, claro! Isso sem falar nas ações da Vale, da Perdigão, do Citibank. Para completar, descobriu que era mais um tijolinho na pirâmide de Bernard Madoff. Nesse ritmo, já devia os rins (os dois).

Resolveu fazer um investimento seguro, algo concreto: um carro zero. Para não correr riscos, pesquisou, pesquisou e pesquisou. Achou um carro perfeito: excelente custo-benefício, seguro barato e de quebra, ganharia um descontinhinhinhinho pagando à vista! Raspou a poupança. Negócio fechado! No dia seguinte, o governo anunciou o corte do IPI... seu carro de um dia para o outro ficou R$2500 mais barato! E não foi só isso, semana passada, seu carrinho zerinho foi convocado para um recall... parece que esqueceram de colocar o motor no carro... ou qualquer coisinha assim.

Graças a Deus, o ano tem apenas 12 meses e 2008 acabou! Na virada para 2009, os amigos, os mesmos das lentilhas amaldiçoadas, chegaram com uma romã... ela, mais do que depressa, abriu a bolsa e sacou (calma!) um caranguejo...manco de lá de dentro!

- Que horror, menina... isso dá azar... caranguejo anda pra trás... isso vai fazer sua vida andar pra trás...

- É o que eu espero... espero que ela ande pra trás... pro Reveillon de 2007 pra 2008 pra eu poder jogar aquele prato de lentilhas na cabeça de quem me ofereceu!

Até agora, ela fez a quina da mega e achou uma raspadinha premiada no fundo da bolsa... e é só 1° de janeiro!

Moral da história: mais vale um caranguejo-manco na bolsa do que um prato de lentilhas voando... ou algo assim!


Lógico que é só uma brincadeirinha, na verdade, sorte é a gente que faz, né?! Né?! O ano está só começando, coisas lindas nos aguardam e a maioria delas só depende de nossa vontade e empenho para acontecerem. A todos, muita Saúde, Amor, Paz, Equilíbrio, Alegrias, Sucesso e Sorte! Feliz Ano Novo! Feliz Vida nova! Feliz 2009!!


PS:... pelo sim ou pelo não, comi doze uvas e guardei as sementinhas na carteira... tomara que a bolsa de valores não exploda!! hehehehehehe



domingo, 28 de dezembro de 2008

Não deixe para 2009 o que se pode fazer ainda em 2008!!

Último fim de semana de 2008. Não há muito mais o que fazer. Evidentemente, aquela lista enorme de metas feita no início do ano já foi todinha cumprida (né?!), então, só nos resta relaxar e desfrutar dos últimos dias desse ano. Enquanto o Ano-Novo não chega, nada melhor do que um belisquete gostosinho para distrair o estômago durante a espera, afinal, a fase de comilança ainda não acabou!
Imaginando que a maioria das pessoas enfiou os dois pés na jaca e caiu de boca no panetone na semana do Natal, que tal uma receitinha tradicional dessa época?! Rabanadas! Porém, numa versão mais saudável e light (mas não menos saborosa e deliciosa) para começar ainda no ano velho a promessa da dieta equilibrada do ano novo!

As receitas tradicionais de rabanada "recomendam" fritura em imersão, ou seja, pega-se um pedaço de pão, embebido em leite e ovo, e joga-o num balde óleo... o resultado?! Uma esponja que sugou todo o óleo da frigideira e irá destruir o pobre fígado que estiver pela frente! Ui! Em casa, seguindo a tradição de nunca seguir uma receita à risca, há uma versão "grelhada" de rabanada! Para deixá-la mais personalizada, dei um toque especial! Vejam:

1 pão francês amanhecido cortado em fatias de 1,5 cm de espessura (aproximadamente)
3/4 de xícara de chá de leite (desnatado)
1 colher de sopa de leite condensado (desnatado)
2 colheres de sopa de coco ralado (desengordurado e sem açúcar)
1 ovo
1 colher de sobremesa de açúcar (ou adoçante culinário)
essência de amêndoa (ou qualquer outra, embora a de amêndoa deixe um sabor incrível!)
canela em pó
açúcar cristal (bem pouqinho... para polvilhar no final!)

Em um prato, misture o leite, o leite condensado, o coco e duas ou três gotas da essência de amêndoas (é pouquinho mesmo... a essência de amêndoas é perigosamente forte e aromática, por isso, deve ser usada com parcimônia!). Reserve. Em outro prato, quebre o ovo(...como se sabe, é a gema a parte mais calórica do ovo, por isso, caso queira, com a ajuda de uma colher, retire metade dela e despache em água corrente!), polvilhe uma nuvem de canela em pó (traduzindo para medidas convencionais: aproximadamente 1/2 colher de café!) e acrescente o açúcar ou adoçante culinário, bata bem com um garfo e reserve. Pegue uma fatia do pão e umedeça-o, dos dois lados, na mistura de leite, tomando o cuidado de não se esquecer da vida e deixar o pão sugar a mistura toda! Coloque num prato à parte. Repita o processo com as demais fatias. Caso o coco não tenha grudado nas fatias, vá colocando uma porçãozinha em cada uma delas com o auxílio de uma colher. Em seguida, passe, uma a uma, as fatias pela mistura de ovo. Essa passada deve ser rápida, para deixar uma camada fina, não deixa o pão descansar no ovo, lembrando que a receita é de rabanada, não de omelete de pão! Feito isso com todas as fatias, hora de "grelhar"! Para tal, apenas unte, com um tiquinho de óleo (tiquinho=uma colher de café), uma frigideira antiaderente (que ainda seja antiaderente!) e leve ao fogo. Quando a frigideira estiver quente, acomode as rabanadas e doure-as em fogo baixo por mais ou menos 2 minutos. Levante a beirinha de uma delas para ver se está da cor de seu agrado, se estiver, vá virando, uma a uma e espere dourar do outro lado pelo mesmo tempo. Quando estiverem prontas, coloque num prato e polvilhe com canela e açúcar cristal. Pronto! Parece que dá trabalho, mas não dá, além disso, ficam deliciosas! A essência de amêndoa deixa um perfume divino e o coco dá um toque diferente. Ficam crocantes por fora e molhadinhas e macias por dentro (...além de lindíssimas: olha a foto delas ali em cima!). Acompanhamento perfeito para aquele café fresquinho, cheiroso e gostoso!

Fim de ano é sempre um bom momento para fazer um balanço do ano que está quase subindo no telhado e para pensar em tuuuuudo que se pretende fazer no que está chegando logo ali. Mordiscando uma rabanada tão leve e gostosa, os planos, assim como o balanço, têm grandes chances de serem todos doces!! Tchau, 2008!