domingo, 22 de março de 2009

Cafézinho Inocente

Ela havia acabado de se formar em Biologia. Recebeu uma proposta de trabalho que não era exatamente irrecusável: 3 meses na floresta amazônica pesquisando os hábitos dos animais noturnos. Aceitou.
Na noite anterior ao embarque, repetia a si mesma: posso viver sem chapinha, posso viver sem tv, computador, internet, telefone, chuveiro quente, cama macia, sou forte, sou resistente, vivo com pouco... a mim, basta um bom livro e uma xícara de café. Café?! Meu Deus, será que no acampamento tem café?!

Ela aceitava ser privada de qualquer luxo e conforto, aceitava conviver com feras selvagens e mosquitos do tamanho de helicópteros, mas sem café, não, isso nunca! Correu para o supermercado e abraçou 15 pacotes de café. Sua bagagem agora era uma mochila com roupas e itens básicos de higiene para os próximos três meses e uma mala cheia de pacotes de café, item fundamental de sobrevivência seja na selva ou na cidade!

Embarcou sem transtornos. Voou sem problemas. Chegou sã e salva ao aeroporto de Manaus. Enquanto esperava sua mala na esteira, se perguntava, ansiosa, quando a aventura iria começar. Nem precisou esperar muito tempo.

Indo em direção à saída do aeroporto, ouviu latidos histéricos, nervosos, raivosos. Já xingava mentalmente o dono-sem-noção daquele cachorro, quando olhou para trás, notou que não se tratava de um cãozinho qualquer, era uma fera de dentes enormes, babando, latindo, rosnando e vindo em sua direção!! Instintivamente, pôs-se a correr desesperadamente. Na outra ponta da coleira, um policial federal que, vendo a moçoila correr daquele jeito, deu lhe voz de prisão. Oi?!

Ela não sabia se corria mais ainda ou se parava pra perguntar se ele não a estava confundindo com alguém. Como o instinto de sobrevivência fala muito mais alto que a curiosidade, correu mais ainda, correu como uma velocista. E a besta-fera atrás, tal qual... uma besta-fera, e o policial junto. Numa cena de tragi-comédia, o cão soltou-se do policial e tão rápido quanto um raio alcançou a pobre bióloga. Em choque, ela parou. Já podia ver a luz quando reparou que o cachorro não a atacou... ele avançou em sua mala! Na mala?!

O cachorro latia, rosnava e babava olhando fixamente para a pobre malinha que, de medo, nem se mexia. Logo depois, esbaforido e fora de forma, o policial pediu que a moça e a mala os acompanhassem, ele e o cão, para averiguações.

- Heim?! Como assim?! Averiguação de quê?! Por quê?! Onde?! Agora?! Por que eu?! Quem é você?! Onde eu estou?! Que cachorro é esse?! Por que ele correu atrás de mim?! Ele é vacinado?! Acho que ele babou em mim?! Preciso me vacinar?! Posso me lavar?! Do que estou sendo acusada?! Preciso de um advogado?! Eu estou encrencada?! Eu sou inocente... seja lá qual for a acusação... aliás, qual é a acusação?! Posso chorar?!

- Não é necessário.

- O choro?! Ou o advogado?! Ou a vacina?!

- O choro é opcional. A vacina não é necessária. O advogado... depende. Se você disser quem é o fornecedor, se for dos grandes e conseguirmos pegá-lo, podemos fazer um acordo.

- Éééééé... desculpa, acho que entrei no filme errado. Não estou entendo patavinas do que o senhor está falando.

- Podemos pular essa parte e ir direto ao assunto... ou podemos passar longas horas aqui nesse joguinho.

- Juro que não faço ideia do que estamos falando aqui!

- Olha mocinha,você me fez correr demais, pra encurtar essa ladainha, vou ser bonzinho e dizer: o cão farejador identificou, localizou e apontou sua mala: ela está cheia de café...

- ...mas qual é o problema com meu café?! É proibido transportar café?! Policial, eu não sabia... eu sou viciada em café!

- Agora você vai me dizer que carrega 15 pacotes de café numa mala pra consumo próprio?!

- Sim!

- Então você quer que eu acredite que toda a droga moquiada nesses pacotes de café são pra consumo próprio?!

- Droga?! Moquiada?! Que droga?!

- Cocaína, espertinha!

- Heeeeim?!

- Não adianta negar, esse é um cão farejador treinado, ele sabe que vocês usam o café para disfarçar o cheiro da droga.

- Policial! PelamordeDeus... só tem... ca-fé dentro daqueles pacotes! Só tem caféina aí! Cafézinho inocente!
- Sei...

- É verdade! Pode abrir... um por um... só tem café ali!

- Pensa que me engana?! Nega agora... - abrindo, com um canivete, um por um, os pacotes de café, formando uma nuvem marrom e cheirosa por toda a sala.

- Satisfeito?! É café! Meu café... todo pelo chão... Vou passar 3 meses no meio da floresta e esse é , ou melhor, era meu suprimento de café.

- (com a cara mais sem graça do planeta) Aaaah... ééééééééh... bom... o cachorro se confundiu... cachorro bobo, viu?! Vai ficar sem ração hoje, viu?!

Agora quem rosnava e babava de raiva era ela.

Entre um pedido e outro de desculpas e a promessa de pacotes fechadinhos de café, uma cafeteira elétrica, um mini-gerador e uma caneca exclusica escrito PF, tomaram uma garrafa de café de procedência duvidosa.

Depois daquilo tudo, a perseguição, o interrogatório e o café ruim, enfrentar onça brava seria fichinha!


Moral da história: se ela tivesse comprado café Melitta, embalado à vácuo, nada disso teria acontecido.

domingo, 15 de março de 2009

Café do Pateo no Pateo do Colégio


Há dias em que tudo que se quer da vida é uma boa companhia, seja de si próprio, do amor, dos amigos ou de um bom livro. Melhor ainda se for num lugar calmo, tranquilo, bonito, acolhedor... boa vista, bons sons... um aroma que mistura cheiro de casa, de infância, de aconchego. Onde fica esse lugar?! No Centro de São Paulo, pertinho do Marco Zero, no Café do Pateo. Juro!

Por mais inacreditável que possa parecer, o Páteo do Colégio (Praça Pateo do Coléfio, n° 2, Centro, tel.: (11) 3105-6898) abriga um café que é uma verdadeira Pasárgada, uma ilha de tranquilidade em pleno centro caótico de São Paulo.

O ambiente é, além de acolhedor, lindo, sofisticado, mas com um quê de descontração. Logo que se entra, há o balcão e algumas mesinhas altas, para quem está ali numa pausa rápida... um pecado... afinal, a mais alguns passos ficam as mesas dispostas ao lado de um belíssimo jardim estilo europeu. É ali que a mágica acontece. Acomodando-se em uma das mesas e cadeiras estilo colonial, pode-se ouvir o barulhinho de água que brota da fonte, salpicado pelo cantarolar de passarinhos que vêm visitar as árvores... se prestar atenção, até dá pra ver um ou outro beija-flor voando por entre as flores. Do lado oposto ao jardim há uma parede de taipa de pilão feita pelos jesuítas que construíram o colégio. Ao fundo, a metrópole num horizonte infinito. E um cheirinho de lugar gostoso no ar.

Para um cenário perfeito, uma bebida perfeita: café, claro!! Os grãos são da Fazenda Pessegueiro. Para acompanhar, sugiro o bolo do dia. As opções são sempre muito boas... são bolos caseiros e as porções parecem que foram feitas por mães que querem seus filhos beeeem alimentados. O de chocolate com cobertura é espetacular, o de cenoura também é delicioso. Para quem quer fazer uma refeiçãozinha básica, também há opções de pratos rápidos, saladas, porções, além de sobremesas, sucos... o jeito é ficar curioso e ir até lá para conferir!

O Café do Pateo é cenário para se perder em bons pensamentos. É som para meditar acordado. É o lugar perfeito para aquele bate-papo de horas e horas e horas. É o fim, o começo ou o próprio passeio. É uma de minhas Pasárgadas. Mais do que recomendado!!

sábado, 7 de março de 2009

Brigadeiro Catártico!!

Nada é tão bom que não possa ser melhorado!

Pensando sagitarianamente assim, fui à cozinha, à procura de uma gostosurinha, num daqueles dias que a gente está com vontade de comer não sei o quê, comprado não sei onde, pagado não sei quanto. Sabe como é?!
No armário, uma lata de leite condensado piscou pra mim (medo!). Retribuí a piscadinha (doida!) e pensei logo num brigadeiro de colher! No entanto, era preciso mais, mais, muito mais!!! Foi quando tive a ideia de turbinar meu brigadeiro com outros dois ingredientes: café e chocolate em barra. Nooooossa!
O resultado? Uma catarse de sabores. A receita? Logo aí embaixo:


(Dividi a receita em etapas, única e exclusivamente, para criar um clima, ok?! Não se assustem! Essa receita é simplíssima e até uma criancinha de 5 anos com sono é capaz de fazer)

Etapa 1: o trivial

1 lata de leite condensado (...desnatado, para não enterrar de vez a dieta)
1/2 colher de sobremesa de margarina light (seguindo o princípio do ingrediente anterior!)
1 e 1/2 colher de sobremesa de chocolate em pó (se preferir um doce não tãããão doce, use cacau em pó, que não tem açúcar, mas na falta de um ou de outro, vá de Toddy, Nescau, Quick...)


Numa tigela refratária grande (precisa ser grande porque o briga começa a subir, subir, subir... e faz uma sujeirada daquelas... melhor usar um refratário grande!), junte o leite condensado, a margarina e o chocolate em pó, mexa com uma colher e leve ao micro-ondas por 3 minutos e 1/2. Quando seu forno apitar, retire a tigela e parta para a etapa 2.


Etapa 2: o perfume, o aroma, o princípio da catarse
2 ou 3 pitadinhas de café solúvel

À mistura ainda borbulhante, acrescente o café solúvel esfarelando os grânulos com os dedos. Misture bem com auxílio de uma colher e leve ao micro-ondas novamente por mais 1 minuto. Passado esse minutinho, hora da etapa 3.


Etapa 3: a catarse consagratória!
3 batons (...batom garoto, gente! pelamordeDeus!!)
ou
4 alpinos
ou
2 barrinhas de +ou- 40g de chocolate amargo
ou
algum outro chocolate de sua preferência
Ao brigadeiro já perfumado com o café, ainda borbulhante, acrescente o chocolate escolhido, quebrado em pedacinhos. O calor do doce já é o suficiente para derreter o chocolate. Misture vigorosa e animadamente por 1/2 minutinho. Coloque num recipiente menor, se preferir, e leve à geladeira até que fique frio. A parte mais difícil é ter paciência para esperar esfriar!!

Esse brigadeiro catártico fica um creme lindo, brilhante, sedoso, aromático, marronzinho... não fica no ponto de enrolar, mas quem precisa disso?! Brigadeiro de colher é tudo de bom.
Acreditem, fica divino! Além de divino, esse doce é também muito versátil. Quem conseguir resistir à tentação de devorar tudinho, colherada por colherada, pode usar esse doce incrível como cobertura de bolo; pode ainda acrescentar nozes, amêndoas e/ou castanhas picadinhas e usar como recheio. Xiii, gente, o céu é o limite!
Provem esse brigadeiro e comprovem que o que já é bom demais, pode ficar ainda melhor!
Em tempo: esse brigadeiro é perfeito para comemorar o Dia Internacional da Mulher, afinal, somos catárticas!! Parabéns a todas mulheres do planeta!
Meninos, que tal agradar suas meninas com uma surpresinha doce, heim?!

domingo, 1 de março de 2009

O cérebro, o coração e a boquinha nervosa*

Comida e emoção têm uma relação muito estreita. Seja no preparo ou na degustação, o estado de espírito influencia diretamente o resultado. Ainda que a razão dê alguns pitacos, o coitado do cérebro é sumariamente posto de lado quando as emoções, ao sabor dos tuntuns do coração, resolvem ficar no comando das ações.
Uma refeição preparada com carinho leva ingredientes que vão além dos que estão nos livros de receita, um temperinho que ninguém vê, mas está ali, deixando até o mais trivial dos pratos com sabor de manjar dos deuses!

Sentar-se à mesa com os nervos à flor da pele, porém, desanda qualquer prato. Comer torna-se algo mecânico: a comida é posta na boca, mastigada e engolida sem que se perceba de fato qualquer uma dessas ações. É mais ou menos por aí que mora o perigo, não é mesmo?! Quando a boquinha fica nervosa, resolvemos distraí-la com uma comidinha aqui, um belisquete ali, uma bobagenzinha acolá e, nessa brincadeira, perdemos o controle!!

Crescemos acreditando que comida é a solução para tudo: se estamos felizes, comemos para celebrar; se estamos tristes, ansiosos, deprimidos, comemos para desviar a atenção do coração para a boca e o estômago. Mas não é nossa culpa!! Trata-se de um comportamento arraigado, inconsciente. Fomos praticamente condicionados a isso. Culpa de nossas mamães (hehehehehe), afinal, quando bebês, ao primeiro choro, se o caso não era de fralda, lá vinha o leitinho para acalmar nossos ânimos e, consequentemente, os ouvidos do restante da família.

Desde a infância 'aprendemos' que os belisquetes são um calmante, uma 'recompensa' para o bom comportamento. 'Aprendemos' também que essas recompensas sempre vêm em forma de coisinhas gostosinhas: doces, chocolates, salgadinhos... nunca comida, lógico, afinal, quem gostaria de ter como prêmio um prato de brócolis com beterraba e feijão, heim?! Pior... aprendemos isso direitinho e até hoje, na vida adulta, nos recompensamos com essas gostosuras... nunca com um pé de alface fresquinho ou uma xícara de chá de camomila... nããããão... é sempre um chocolate enorme (porque eu mereço), um pote de sorvete (porque eu preciso), uma pizza quatro queijos (porque eu quero e quero agora!) e assim por diante!!

Ai, ai... é tão difícil desaprender o que foi aprendido tão diretinho há tantos anos! Entretanto, mais do que aprender a se desvencilhar das armadilhas das emoções (que nos faz usar o velho método da recompensa!), precisamos aprender a equilibrar emoção e razão, na vida e na mesa. Merecemos um chocolate enooooooorme?! Claro que sim, oras bolas! Mas nosso corpo, essa máquina tão perfeita, também merece uma boa dose de ingredientes que o faça funcionar sempre bem e cada vez melhor! Equilíbrio!

*texto escrito por uma pessoa que está morrendo de culpa depois de ter comido uma panela de brigadeiro porque está ansiosa com as coisas da vida... Deus! Deus! Deus!

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Tic Tac: muito mais que uma simples pastilhinha de nada!

Tic Tac! Sou fã dessa balinha! São tão refrescantes, práticas, pequenas e melhor: tudo isso, em menos de 2 calorias*! Mas tem de ser a de menta. Particularmente não gosto de nenhum outro sabor: de laranja é sem graça, de cereja me dá dor de estômago (?) e 'tic tac extra-forte' deveria se chamar 'tic tac pimenta-do-reino'... demasiadamente forte!
Mas, mais do que simplesmente refrescar o hálito, essas pastilhinhas são capazes de revelar muito sobre a personalidade, o caráter e o comportamento de uma pessoa. Duvida?! Eu também achava que se tratavam de balinhas inofensivas, até que um dia uma amiga me contou que teve uma briga seriíssima com o namorado:

- Brigamos feio esse fim de semana!
- Por quê?! O que foi que aconteceu?
- Você não vai acreditar! Estávamos na sala, assistindo tv quando de repente ele enfia a mão no bolso da calça dele e... ai que ódio... tira uma caixinha de Tic Tac de lá de dentro!!
- Eeeeee...
- Tic Tac!
- (...)
- Tic Tac! Uma caixinha de Tic Tac! Vê se pode!
- Ééééé... qual é mesmo o problema nisso?!
- Uma caixinha de Tica Tac, amiga?! No bolso da calça do meu namorado?!
- Continuo na mesma!
- TIC TAC É COISA DE MULHER, ORAS!!
- Não sabia disso, não!
- Claro que é, amiga, você consegue imaginar um homem pedindo uma caixinha de Tic Tac na padaria, na doceria, no bar?! Isso é coisa de mulher!
- Ah, nunca parei pra pensar nisso...
- Mas eu sim! Briguei feio! Queria saber qual foi a vagabunda que esqueceu aquela caixinha no bolso dele! Ele está negando até agora, mas ele que não fique pensando que me engana!

Quem diria que um tictaquinho de nada seria causa de uma briga de casal, né?! Mas, apesar da aparente loucura, minha amiguinha me fez pensar no assunto. Comecei a reparar que de fato nas docerias nunca se vê homens pedindo Tic Tac, nas baladas somente embalagens de drops são tiradas dos bolsos. Além disso, quando ofereço essa balinha para algum homem, eles sempre pegam um punhado... dizem que são pequenas demais! Por que motivo comprariam, então?! Sem contar que a preocupação com as calorias contidas numa mísera balinha... aaaaaah, isso é, inegavelmente, coisa de mulher!Interessante! Muito interessante!
Algumas questões precisam ser respondidas: o que levaria um homem a ter uma caixinha de Tic Tac consigo?! Ganhou?! De quem?! Quando?! Por quê?! Achou?! Heim?! Eca! Comprou?! Sentiu vergonha de pedir?! Pediu para alguém comprar?! Por quê?! Para quem?! Hummmm.

Diante de tantas perguntas sem respostas, só posso dizer o seguinte: meninas, se seus namorados têm Tic Tac no bolso... desconfiem, fiquem de antenas ligadas... para evitar surpresas, ou, simplesmente, procurem um terapeuta para tratar da paranóia! E, meninos, da próxima vez, melhor vocês comprarem Halls (e dos pretos... que é coisa para gente forte de verdade!), para evitar possíveis fadigas com suas namoradas, certo?!

*fazer a voz da Ana Hickman quando ler essa parte, ok?!

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Top 5: soluções rápidas para problemas (quase) sem solução na cozinha


1° visitinha inesperada um dia antes da despesa do mês - a campainha toca: são pessoas que você não convidou chegando bem na hora da sua 'refeição', justamente naquele dia cujo cardápio se limitaria a pão com ovo porque a despensa estava fazendo eco de tão vazia! Solução: ficar em silêncio absoluto e fingir que a) não está em casa; b) está dormindo o mais pesado dos sonos; c) não notou que a campainha era na sua casa, já que não convidou ninguém!

2° o gás acabou - o bolo está no forno há 21 minutos e 1/2, falta pouco para ficar pronto, mas ainda não está; a bordinha já está assada, começa a dourar em cima, quando de repente... a chama do forno vai diminuindo, diminuindo, diminuindo... ao passo que seu desespero vai aumentando, aumentando, aumentando. Solução: a) deixa o bolo lá dentro e espera que o bafinho final do forno termine de assar seu bolo; b) diz a si mesma(o) que acabou de inventar um petit gateau gigante (!) e ainda acha graça da massa crua escorrendo do meio do seu bolo; c) acende uma vela dentro do forno e reza para santo Expedito para que aquele calorzinho seja suficiente para terminar de assar seu bolo!

3° a curiosidade matou o suflê - 10 entre 10 pessoas têm uma história triste de suflê para contar. Ainda assim, essas mesmas pessoas insistem em fazer essa receita mais do que temperamental. Quando finalmente você acha que tudo dará certo, quando a receita foi executada à perfeição e já está no forno, um ser intrometido entra na cozinha, local para onde não fora chamado, e enquanto vai perguntando 'o que está assaaando?' vai abrindo a porta do forno. Solução: a) numa reação ninja, você dá uma voadora no narigudo e impede a abertura do forno; b) diz que era suflê, mas agora será omelete; c) calejada(o) por experiências anteriores, coloca um pitbull rosnando e babando na porta da cozinha até o suflê terminar de assar!

4° o que esse ingrediente está fazendo aqui? - dia inspirado na cozinha, você resolve fazer aquela receitinha que faz há anos e adoooooora. Separa os ingredientes. Prepara a receita e quando já está quase pronta, já no forno ou no fogo, nota que um dos ingredientes deu cria no potinho e está sobrando! Solução: a) tira a tal receita da fôrma ou da panela e adiciona o ingrediente esquecido, 'qual o problema?'; b) entende o fato como um aviso do céu e procura um médico para tratar da falha na memória, enquanto o problema ainda está no começo; c) decide que é hora de testar novas formas de preparar aquela velha receita !

5° surpreeeesa! - "...a comidinha de ontem estava tããããão gostosa! Ainda bem que sobrou um pouquinho para hoje!", pensa você enquanto está no trânsito, indo pra casa, depois de um dia de cão e com a fome como a de um leão selvagem das savanas africanas. Antes mesmo de soltar a bolsa, você coloca o pratinho no micro-ondas e dois minutos depois, ao abrir a porta do forno você é atingido pela lufada acre. A comida azedou! Justamente no dia que você está verde de fome e bege de preguiça. Solução: a) decide que é hora de começar uma dieta, bebe um copo d'água e vai dormir (... depois de um banho, claro!); b) decide que é hora de comprar uma geladeira nova porque a sua virou um mero armário com iluminação interna; c) decide que é hora de conhecer sua vizinha da frente e vai fazer uma visitinha surpresa, embora haja o evidente risco de ser vítima das soluções 'a', 'b' ou 'c' do 1° problema!

domingo, 8 de fevereiro de 2009

O menino, o sorvete... e o cahorro!

Dias quentíssimos de verão esses últimos. Lufadas quentes vêm de todas as direções. Andar na rua é penoso... e penas são tão quentes! As roupas são poucas, algumas praticamente nada. Os cachorros, para amenizar o calor, lançam suas línguas para fora da boca e quase arrastam-nas no chão. As pessoas até que gostariam de fazer o mesmo, mas como o chão é sujo e tal e tal, optam por arrastar suas línguas em geladinhos e refrescantes sorvetes!

Como a poesia também acontece em temperaturas elevadas, dia desses, sob o sol do meio dia, enquanto desejava um condicionador de ar diante de mim, percebi a batalha hercúlea de um menininho contra um sovete. Diante dele, sua mãe desesperada.

Percebendo que o sorvete, que insistia em derreter muito rapidamente, antes que a ágil linguinha de seu filhote pudesse alcançá-lo, a mãe sentou seu pequeno herói no degrau de uma lanchonete e com delicadeza e gentileza comparáveis às de Capitão Nascimento, instruía o rapazinho de modo a minimizar os danos... que, devo dizer, já eram irreversíveis!

O pequeno rosto já estava todo tomado pelo sorvete. Como é que o sorvete foi parar nas sobrancelhas do molequinho, meu Deus?! As mãos pareciam vestir luvas brancas, mas, sim, era sorvete também! Das mãos, o caldinho açucarado escorria pelos braços formando uma goteira que criava uma pocinha no chão.

Toda luta envolve força. Era uma luta. A urgência, a pressa, (o medo do Capitão Nascimento!), fizeram com que menininho se esquecesse de que as casquinhas de sorvete não são feitas de titânio! Pleft! Além do líquido, pedaços da casquinha grudaram nas mãos. Além de lamber, era preciso mastigar e engolir! Uf!

Longos foram os minutos até que a batalha chegasse ao fim. Como sabemos, numa guerra não há vencedores e aquela não foi diferente: de um lado uma casquinha extinta, de outro, um garotinho lambuzado dos pés à cabeça... e uma mãe furiosa por ter de segurar na mão grudenta seu herdeirinho, além de ter de fugir das abelhas que ficariam rondando aquele algodão doce ambulante!

Segui meu caminho pensando nas grandes lições que aprendemos na infância. Como é difícil chupar sorvete quando se é criança, né?! E passamos por isso. E chegamos à vida adulta chupando sorvetes, na maioria das vezes, como verdadeiras damas e cavalheiros... embora haja dias em que nossa criança interior resolve brincar aqui fora e sempre saímos melecados dessa brincadeira! Talvez seja um doce lembrete de que é preciso se lambuzar na vida!!


...em tempo: assim que o molequinho e o Capitão saíram andando, um cachorro foi lamber a pocinha de sorvete deixada no chão! Entenderam por que os cachorros andam com suas línguas pra fora em dias quentes?! Entenderam?!



domingo, 1 de fevereiro de 2009

Cia Oriental


Comida japonesa: há quem faça caretas só de ouvir falar, sem nunquinha ter provado, mas também há aqueles que se renderam aos deliciosos sabores dessa comida tão fresquinha, perfeita para nosso verão. Mas, o que fazer quando esses dois tipos de pessoas estão numa mesma turma de amigos ou num casal?! Alguém sempre terá de sacrificar seu gosto?! Nada! Tenho a solução: o restaurante Cia Oriental (no shopping Sogo: Rua Galvão Bueno, 40/44 - 3° e 4° andares - Liberdade - tel: 3277- 6971). Preparado para agradar a todos os gostos, esse restaurante, especializado em comida oriental, também serve excelentes opções de comida brasileira!

No 3° andar fica o buffet self-service. Saladas: verduras, legumes e frutas com carinha de frescos e bem lavados! Destaque para o brócolis verdíssimo (aviso: se forem comer de hashi, preparem-se para uma luta inglória já que os talos são enormes). Comida brasileira: opções bem familiares como o arroz e feijão, carnes (o lagarto é de dar água na boca!), bacalhoada, lasanha, nhoque, aos sábados tem feijoada... com direito à couve e caipirinha! Comida oriental: arroz japonês, harussami, gobo, lula, tofu, sashimis de atum e peixe branco, niguiris de salmão (perfeitos!) e inúmeros tipos de sushi, um mais deliciosos que o outro (feitos ali na sua frente), sempre pequenos e delicados... como devem ser. Há também yakissoba, guioza (frita como se fosse pastelzinho... não é feita no vapor... mas ainda assim vale provar, o recheio suíno é delicioso), espetinho chinês, salmão grelhado (pra quem tem nojinho de comê-lo cru!), rolinho primavera, tempurá, dentre muitas outras delícias. Não deixem de provar, por nada nesse mundo, o bolinho de atum ao molho de laranja: é divino... é de comer de joelhos agradecendo a Deus e/ou Buda pela oportunidade!! Sobremesas: banana caramelizada, mousses e brigadeiro de copinho. Para beber: sucos naturais de laranja, limão com gengibre (de subir pelas paredes!) e refrigerantes (né?!). Cortesias da casa: missoshiro (quem nunca provou deve provar esse caldinho, pra quem conhece, provem: é o melhor missoshiro que existe no mundo!), uma fatia de melancia e a caipirinha (no sábado!). O salão é grande, embora fique apertado e difícil de se locomover devido ao grande número de mesas e cadeiras espremidinhas. Sem dramas!

Para quem quer mais conforto, num ambiente espaçoso, agradavelmente decorado e servido por garçons, o 4ª andar oferece opções à la carte. É nesse andar que ficam a cafeteria e a gelateria... a que tem o melhor sorvete de limão do univero* (não se atrevam a sair de lá sem provar esse sorvete... ou irão se arrepender!). Devo confessar que ainda não conheço o serviço à la carte... o 3° andar me satisfaz completamente, além dos preços serem mais em conta, sabe?! Ah, e por falar em preço, não deixem de pegar o cupom de desconto (10%) logo na entrada do shopping, vale a pena!

Em São paulo, com vontade de passear pela Liberdade e comer comida japa de qualidade?! A dica está dada: Cia Oriental! Ah! Nos fins de semana tem uma feirinha incrível na praça da Liberdade: flores, artesanato (bolsas liiiiindas!!) e várias outras belezinhas. Além das lojinhas na redondeza. É passeio para o dia todo e de barriguinha cheia!

domingo, 25 de janeiro de 2009

A Hebe vem para o Jantar???!!!!!

Coisa natural no século XXI: naquela casa, ela, jornalista, passava quase o dia todo fora e ele, dono-de-casa, assumido e com orgulho, passava o dia às voltas com os 2345987 afazeres do lar. Por que não?!
Tarde de sexta-feira, o telefone toca. Não deu tempo de atender, estava dando banho no filho de 4 anos que insistia em brincar de acquaman-hiperativo-virando-uva-passa. A Secretária eletrônica atendeu:

- Amor, estou levando a Hebe pra jantar em casa!


Quando ouviu o recado quase infartou: O quê?! Quem?! A Hebe?! A gracinha do sofá?! A da tv?! Por que ela só avisou agora?! Eu não tenho nada na geladeira! O que eu vou servir pra essa mulher?! Como assim a Hebe vem pro jantar?! Será que ela come canja?! Eu estava fazendo canja! Será?! Quando minha mulher virou amiga da Hebe, meu Deus?! A Hebe vem jantar em casa... isso é coisa que se diga, assim, num fim de tarde?! O que ela está pensando que eu sou?! Uma máquina?! Um mágico que vai tirar um jantar de gala da cartola?! Será que a Hebe come pizza?! Não tenho nenhum vinho decente em casa. Será que a Hebe gosta de caipirinha... de 51?! Será?!
Em meio a esse turbilhão de perguntas, teve uma idéia genial: a mãe!


- Mãe, socorro! A Hebe vem jantar em casa e eu não sei se ofereço pizza ou canja!
- O quê?! A Hebe vai jantar na sua casa e você me fala isso assim, meu filho?! Você sabe que eu e suas tias amamos a Hebe... a gente acompanha a carreira dela desde menina!
- Mãe, pelamordeDeus, deixa o sermão pra depois e me dá uma luz!
- Não se mexe, meu filho! Eu e suas tias vamos dar um jeito! Em meia hora chegamos aí com tudo pronto pro maior jantar que esse seu apartamento já viu!
Dito e feito: em meia hora a sala de 4 metros quadrados do apartamento tinha virado o salão de gala do Copacabana Palace. A mãe e as quatro tias, que trouxeram seus respectivos maridos para ajudar no que fosse preciso, formaram um exército para preparar um jantar digno de Hebe Camargo. A emoção de conhecer a grande dama da tv brasileira motivava aquelas senhoras, senhores e marido em pânico.
Tudo pronto. Elevador chegando. Todos de sorrisos no rosto e câmeras a postos. A porta se abre:


- (...) Amor?! O que está acontecendo?! Quanta gente em casa! O que aconteceu com a nossa sala?!
- Ficou à altura da Hebe, amor?! Onde ela está?!
- Está aqui! A Hebe, minha estagiária na redação. Você não acha que exagerou um pouquinho?! - entre dentes.
- Oi, muito prazer, Hebe! – sem graaaça - Puxa, gente, uma festa, nem me arrumei! A chefinha não falou que seria um jantar em minha homenagem!
- Hebe????!!!! Você que é a Hebe?! Amor, cadê a Hebe Camargo?!
- Que Hebe Camargo?!
- A que você ia trazer pro jantar!!!
- Quem falou Hebe Camargo?!
- Você!
- Eu não! Eu disse que a Hebe vinha pro jantar... A Hebe, minha estagiária... a estagiária de quem estou falando há dias... você não me escutou?! Nenhuma das vezes?! Nenhuma das 750 vezes?! Você nunca me escuta mesmo, né?!
- (...)

Tem coisas que nem o século XXI é capaz de mudar!!
(...tem outro texto aí embaixo, ó!)

455 anos da São Paulo de Piratininga

(não poderia deixar passar sem um registro:)
Hoje, 25 de janeiro, aniversário de São Paulo. Amo. Com todas as contradições, defeitos, qualidades, encantos.A cidade do 8 e do 80... do 8 e do 800... do 8 e do 8 000 000 000... De todos os opostos que se pode imaginar e dos que ela mesma ainda irá inventar. A cidade do caos e da própria ordem. A cidade dos grandes restaurantes dos grandes chefs premiados e das barraquinhas de cachorro-quente e churrasquinho grego. Típicos de São Paulo!
Aliás, qual é afinal a comida típica de São Paulo?! Viradinho à paulista?! Sim! Cuscuz paulista?! Sim! Pizza?! Macarronada? Hambúrguer? Sushi?! Também, também, também! O cardápio típico dessa cidade é o reflexo de sua essência cosmopolita. Se existe no mundo, existe em São Paulo. O que se come no mundo, come-se em São Paulo! Assim.
E lá se vão 455 anos dessa São Paulo de Piratininga. Feliz Aniversário!

domingo, 18 de janeiro de 2009

Já que o verão chegou...

É sempre bom ter uma boa desculpa pra tudo nessa vida, não é mesmo?! Para aquela cervejinha na sexta-feira, a desculpa é que a semana foi muito estressante... ou foi muito boa... e por isso merecemos uma happy hour de leve! Para comermos aquele chocolate imenso a desculpa é uma ansiedade galopante que resolveu aparecer e só muito chocolate pode dar um jeito! Para sair da dieta, desculpas não faltam: estamos felizes demais, ou tristes demais, estamos com amigos, estamos sozinhos... e por aí vai! Bom mesmo é quando podemos usar uma desculpa para nos fazermos boas ações.
O verão chegou há algum tempinho, mas, pelo menos aqui em São Paulo, só resolveu agir como a estação mais quente do ano nos últimos dias. Seja como for, os dias mais quentes são o motivo perfeito para algumas atitudes bem saudáveis, como se exercitar mais, afinal, os dias mais claros jogam a gente da cama mais cedo e uma boa caminhada logo pela manhã ativa corpo e mente. Além disso, nesses dias acabamos sentindo mais sede e, consequentemente, ingerimos mais líquidos (lógico que nessa categoria, estamos falando de água, sucos, água de coco... cerveja é outro departamento, certo?!) e nos hidratarmos mais é ótimo para o bom funcionamento do organismo.
Dias quentes também pedem uma alimentação mais leve, fresquinha. Saladas são a pedida da estação. Porém, ainda que não faltem desculpas para comermos salada todos os dias, aquele prato de alface não parece ser um convite apetitoso para um banquete.
A mais clássica das saladas, a de alface, pode ser também a mais sem graça se não dermos uma caprichada no sabor. Para isso, nada melhor do que os molhospara salada. Porém, se a idéia é usar a saladinha como desculpa para uma dieta, é preciso tomar cuidado, pois alguns molhos prontos podem deixar sua inocente verdura bem gordinha.
Então, que tal uma receitinha caseira de molho para salada, que, além de light é saudável, saboroso, prático e versátil?! São desculpas suficientes para fazê-lo, não?! Lá vai:

1 colher de sobremesa de iogurte desnatado
1/2 colher de sobremesa de azeite de oliva extra virgem
1 colher de café de mostarda
1 colher de café de molho de pimenta
1 colher de café de wasabi (... é aquela pastinha verde, mais conhecida como raiz forte)
1 colher de sobremesa de salsinha bem picadinha
1 pitada de sal
(se fizer muita, muita, muita questão: 1/3 de colher de sobremesa de maionese zero ou light)

O modo de preparo é complicadíssimo e por isso, requer extremas habilidade e atenção: mis-tu-re to-dos os in-gre-di-en-tes num po-ti-nho. Em se-gui-da, dis-tri-bu-a so-bre a al-fa-ce já la-va-da. Pron-to, é só ser-vir! Uf! Entenderam?! Siiiiiiiiim! Então não tem desculpa!

Essa receita é só uma desculpa, digo, uma sugestão que pode, perfeitamente, sofrer todo tipo de variação de acordo com o gosto de cada um ou conforme as opções da geladeira! A salada também pode e deve levar mais ingredientes como tomate, cenoura ralada, outras folhas como rúcula e agrião. São tantas opções que vai ser difícil arrumar desculpa para não variar todos os dias e passar o verão todinho fazendo refeições mais leves e saudáveis!
Aproveitem o verão e todas as desculpas que ele oferece!

domingo, 11 de janeiro de 2009

Bem-casados, muito bem casados... muitos bem-casados!


Os bem-casados, além da noiva e do noivo, são de extrema importância num casamento! Eles, os bem-casados, representam duas partes que se unem, seladas pelo amor, respeito e cumplicidade. A lenda diz que todo aquele que saborear um bem-casado será agraciado com muita sorte e felicidade, basta fazer um pedido antes da primeira mordida.
Além dos bons votos, esses docinhos também dão um toque de charme e romantismo à decoração do salão. Resumindo: lindos, sortudos, gostosos... fundamentais!
Quando a irmã de uma amiga estava planejando o casamento, me ofereci para fazer os bem-casados. Ela topou e eu... tremi na base: eram 240 bem-casados!! Nunca havia feito, mas como gosto de um bom desafio, encarei!
Faltando alguns dias para o grande dia, me enfurnei na cozinha e me pus a assar fôrmas e mais fôrmas de pão-de-ló... sempre pedindo à fada-dos-bolos-fofos que deixasse todos os meus bolos fofinhos. Fui atendida. Ufa! Depois de assados, os bolos foram cortados em quadradinhos iguais (...ou quase!), recheados com doce de leite (muito doce de leite!) e cobertos com açúcar de confeiteiro. Crendo que os doces em si seriam a parte mais trabalhosa, fiquei aliviada de pensar que só faltava embalar e decorar. Ai, ai, esse meu otimismo...
No dia seguinte, já embrulhados em celofane e crepom vezes 240, hora de decorar vezes 240. E dá-lhe fita e laço, fita e laço, fita e laço, fita e laço, fita e laço, fita e laço... vezes 240! Um picotezinho nas pernas dos laços vezes 240. Mini-micro-florzinha-seca em cima de cada laço vezes 240. Cartõezinhos desejando felicidades ao casal vezes 240. A certa altura, achei que meus bem-casados estavam se multiplicando em progressão geométrica só pra me sacanear... eu não terminava nunca!!!! Mas foi só impressão... às 4 horas da manhã da sexta para o sábado, lá estavam eles: 240 bem-casados prontos!
Quando entreguei as duas caixas para a noiva, me senti a pessoa mais feliz do mundo pela missão cumprida e também a mais cansada... pela noite não dormida!
Se a lenda diz que os bem-casados dão sorte, acho que esses darão sorte e felicidade em dobro já que foram feitos com extremos carinho e dedicação!
Felicidades ao casal e às 240 pessoas que degustaram meus bem-casadinhos!! Eeeeeeeeba!

domingo, 4 de janeiro de 2009

Receitas antiqüíssimas feitas com lingüiça no liqüidificador!


Este 1° de janeiro marcou, além da estreia de 2009, o início do novo acordo ortográfico da língua portuguesa.

É provável que a maioria não tenha percebido, mas à meia-noite, concomitantemente ao espocar dos fogos de artifício, ocorreram pequenas explosões. Enquanto os fogos produziam luzes brilhantes, coloridas e alegres, das explosõezinhas resultavam pobres potinhos tristes que começavam opacos e iam se apagando melancolicamente até sua extinção total e completa. Ninguém, talvez um ou outro, tenha percebido que se tratavam de todos os tremas da língua portuguesa deixando de existir.

Embora seu fim não cause grandes catásfrofes, é inevitável pensar que nunca mais compraremos lingüiça na liqüidação, nunca mais tomaremos líqüido, o liqüidificador* será aposentado de vez, nunca mais adicionaremos na seqüência de nenhum preparo cinqüenta gramas de absolutamente nada! As receitas nunca mais serão as mesmas! Os livros e cadernos de receitas escritos até 31 de dezembro de 2008 tornaram-se antigos!

Vendo os cadernos de receitas da minha mãe, sempre achei engraçadinho ler dôce, assim, com o circunflexo, achava que isso dava um ar de receita antiga, tradicional. Agora, até as receitas que vão aos modernos microondas ganharam esse arzinho antigo. Conseqüentemente (ou consequentemente...ainda estou me adaptando), tornamo-nos antigos também! Ó, que afronta!

Alguns dirão: já vai tarde! Particularmente sentirei saudades do trema. Era como uma gravata borboleta em cima do u: chatinho de colocar, mas, assim como a gravatinha, dava um charme incomparável!

C'est la vie: vão-se os tremas, ficam as receitas! Adaptemo-nos com tranquilidade!


PS: Estou achando chatíssimo ter de deixar de ser uma LINGÜISTA para ser uma reles linguista... aaaaaaaaaaah, perde todo o charme. Por isso, ali no meu perfil, MEU perfil, não mudarei a grafia da palavra... que me chamem de antiga... de antiqüíssima!


*praticamente uma chuva de confete: são inacreditáveis SEIS pinguinhos em cima de uma única palavra!!

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Feliz Ano Novo!! Feliz Sorte Nova!

Ela nunca foi muito de superstições: acha gatos pretos o supra-sumo da elegância, acredita que o maior risco de passar sob uma escada é que uma ferramenta pode cair na sua cabeça, 13 é só um número depois do 12 e antes do 14 e por aí vai. Sempre viveu bem assim, ainda que os amigos fizessem toc-toc-toc na madeira todas as vezes que sua mão bobíssima deixava um espelho cair no chão! Azar, zica, má-sorte... bobagens, só isso!
No Reveillon de 2007 para 2008, porém, de tanto encherem-lhe os pacovás, rendeu-se a uma mandinguinha de passagem de ano. Como dinheiro aos montes é sempre bom, resolveu comer as sortudinhas lentilhas que, segundo disseram, traz fortuna, fartura, prosperidade... uau! Às doze badaladas, lá estava ela, empoleirada numa cadeira, porque é assim que tem que ser, mandando ver num prato enorme de lentilhas cozidas e temperadas com folhas de louro, ainda que estivesse se sentindo ridícula. Descrente como ela só. Dia 02 de janeiro nem se lembrava mais da tal simpatia. Foi levando a vida como sempre, até que coisas estranhíssimas começaram acontecer.

Certo dia, ao examinar seu extrato, percebeu que um valor diferente aparecera... eram R$ 5mil. Noooooossa! Levou um susto e pensou nas lindinhas lentilhas. Quase infartou quando viu que aquele valor havia sido debitado de sua conta. Correu chorando pro gerente para ouvi-lo dizer que seu cartão, muito provavelmente, havia sido clonado e que o processo de estorno levaria duas vidas e meia para ser concluído. Ficou arrasada, mas, otimista, pensou na velha máxima: depois da tempestade vem a bonança. No caso dela, esse primeiro episódio foi só uma garoinha.
Onde era possível perder dinheiro ela perdeu. Pegou nota falsa no troco, uma nota de R$100 ficou enroscada, para todo o sempre, no caixa eletrônico, o flanelinha não tinha troco pra R$20, mas não se importou em ficar com a nota toda, a revista de R$10 saiu por R$20, graças a uma nota gêmea-siamesa-imperceptível, bateu na traseira de um carro e não teve como fugir da despesa, bateram na traseira dela e fugiram cantando pneu. Até então, "pequenos" prejuízos.

Lá pelo meio do ano, os EUA começaram a ter calafrios na economia e a bolsa de valores do Brasil começou a sinalizar que as lentilhas também atuariam por ali, mas nosso presidente disse que a tal crise, temida nos 4 cantos (?) do mundo, seria apenas uma "marolinha" e ela acreditou. Na semana seguinte, as ações da Petrobrás (onde investiu quase todo seu FGTS) despencaram. Em pânico, temendo as malditas lentilhas, vendeu tudo, antes que seu dinheirinho virasse pó. Quatro dias depois, anunciaram a descoberta do pré-sal. Prejuízo para ela, claro! Isso sem falar nas ações da Vale, da Perdigão, do Citibank. Para completar, descobriu que era mais um tijolinho na pirâmide de Bernard Madoff. Nesse ritmo, já devia os rins (os dois).

Resolveu fazer um investimento seguro, algo concreto: um carro zero. Para não correr riscos, pesquisou, pesquisou e pesquisou. Achou um carro perfeito: excelente custo-benefício, seguro barato e de quebra, ganharia um descontinhinhinhinho pagando à vista! Raspou a poupança. Negócio fechado! No dia seguinte, o governo anunciou o corte do IPI... seu carro de um dia para o outro ficou R$2500 mais barato! E não foi só isso, semana passada, seu carrinho zerinho foi convocado para um recall... parece que esqueceram de colocar o motor no carro... ou qualquer coisinha assim.

Graças a Deus, o ano tem apenas 12 meses e 2008 acabou! Na virada para 2009, os amigos, os mesmos das lentilhas amaldiçoadas, chegaram com uma romã... ela, mais do que depressa, abriu a bolsa e sacou (calma!) um caranguejo...manco de lá de dentro!

- Que horror, menina... isso dá azar... caranguejo anda pra trás... isso vai fazer sua vida andar pra trás...

- É o que eu espero... espero que ela ande pra trás... pro Reveillon de 2007 pra 2008 pra eu poder jogar aquele prato de lentilhas na cabeça de quem me ofereceu!

Até agora, ela fez a quina da mega e achou uma raspadinha premiada no fundo da bolsa... e é só 1° de janeiro!

Moral da história: mais vale um caranguejo-manco na bolsa do que um prato de lentilhas voando... ou algo assim!


Lógico que é só uma brincadeirinha, na verdade, sorte é a gente que faz, né?! Né?! O ano está só começando, coisas lindas nos aguardam e a maioria delas só depende de nossa vontade e empenho para acontecerem. A todos, muita Saúde, Amor, Paz, Equilíbrio, Alegrias, Sucesso e Sorte! Feliz Ano Novo! Feliz Vida nova! Feliz 2009!!


PS:... pelo sim ou pelo não, comi doze uvas e guardei as sementinhas na carteira... tomara que a bolsa de valores não exploda!! hehehehehehe



domingo, 28 de dezembro de 2008

Não deixe para 2009 o que se pode fazer ainda em 2008!!

Último fim de semana de 2008. Não há muito mais o que fazer. Evidentemente, aquela lista enorme de metas feita no início do ano já foi todinha cumprida (né?!), então, só nos resta relaxar e desfrutar dos últimos dias desse ano. Enquanto o Ano-Novo não chega, nada melhor do que um belisquete gostosinho para distrair o estômago durante a espera, afinal, a fase de comilança ainda não acabou!
Imaginando que a maioria das pessoas enfiou os dois pés na jaca e caiu de boca no panetone na semana do Natal, que tal uma receitinha tradicional dessa época?! Rabanadas! Porém, numa versão mais saudável e light (mas não menos saborosa e deliciosa) para começar ainda no ano velho a promessa da dieta equilibrada do ano novo!

As receitas tradicionais de rabanada "recomendam" fritura em imersão, ou seja, pega-se um pedaço de pão, embebido em leite e ovo, e joga-o num balde óleo... o resultado?! Uma esponja que sugou todo o óleo da frigideira e irá destruir o pobre fígado que estiver pela frente! Ui! Em casa, seguindo a tradição de nunca seguir uma receita à risca, há uma versão "grelhada" de rabanada! Para deixá-la mais personalizada, dei um toque especial! Vejam:

1 pão francês amanhecido cortado em fatias de 1,5 cm de espessura (aproximadamente)
3/4 de xícara de chá de leite (desnatado)
1 colher de sopa de leite condensado (desnatado)
2 colheres de sopa de coco ralado (desengordurado e sem açúcar)
1 ovo
1 colher de sobremesa de açúcar (ou adoçante culinário)
essência de amêndoa (ou qualquer outra, embora a de amêndoa deixe um sabor incrível!)
canela em pó
açúcar cristal (bem pouqinho... para polvilhar no final!)

Em um prato, misture o leite, o leite condensado, o coco e duas ou três gotas da essência de amêndoas (é pouquinho mesmo... a essência de amêndoas é perigosamente forte e aromática, por isso, deve ser usada com parcimônia!). Reserve. Em outro prato, quebre o ovo(...como se sabe, é a gema a parte mais calórica do ovo, por isso, caso queira, com a ajuda de uma colher, retire metade dela e despache em água corrente!), polvilhe uma nuvem de canela em pó (traduzindo para medidas convencionais: aproximadamente 1/2 colher de café!) e acrescente o açúcar ou adoçante culinário, bata bem com um garfo e reserve. Pegue uma fatia do pão e umedeça-o, dos dois lados, na mistura de leite, tomando o cuidado de não se esquecer da vida e deixar o pão sugar a mistura toda! Coloque num prato à parte. Repita o processo com as demais fatias. Caso o coco não tenha grudado nas fatias, vá colocando uma porçãozinha em cada uma delas com o auxílio de uma colher. Em seguida, passe, uma a uma, as fatias pela mistura de ovo. Essa passada deve ser rápida, para deixar uma camada fina, não deixa o pão descansar no ovo, lembrando que a receita é de rabanada, não de omelete de pão! Feito isso com todas as fatias, hora de "grelhar"! Para tal, apenas unte, com um tiquinho de óleo (tiquinho=uma colher de café), uma frigideira antiaderente (que ainda seja antiaderente!) e leve ao fogo. Quando a frigideira estiver quente, acomode as rabanadas e doure-as em fogo baixo por mais ou menos 2 minutos. Levante a beirinha de uma delas para ver se está da cor de seu agrado, se estiver, vá virando, uma a uma e espere dourar do outro lado pelo mesmo tempo. Quando estiverem prontas, coloque num prato e polvilhe com canela e açúcar cristal. Pronto! Parece que dá trabalho, mas não dá, além disso, ficam deliciosas! A essência de amêndoa deixa um perfume divino e o coco dá um toque diferente. Ficam crocantes por fora e molhadinhas e macias por dentro (...além de lindíssimas: olha a foto delas ali em cima!). Acompanhamento perfeito para aquele café fresquinho, cheiroso e gostoso!

Fim de ano é sempre um bom momento para fazer um balanço do ano que está quase subindo no telhado e para pensar em tuuuuudo que se pretende fazer no que está chegando logo ali. Mordiscando uma rabanada tão leve e gostosa, os planos, assim como o balanço, têm grandes chances de serem todos doces!! Tchau, 2008!

domingo, 21 de dezembro de 2008

Feliz Gula Sazonal!

E lá vem o Natal! Nessa época, há tanto o que pensar, fazer, visitar, comprar e comer que o motivo da festa, se vacilar, acaba virando mero pano de fundo. O fim de ano é uma desculpa perfeita para alguns exageros, mas consumismo, hipocrisia e amnésia à parte, falemos da gula, o pecado capital oficial das festas dezembrinas.

Difícil não se render às tentações, o cardápio é alucinante. Há uma infinidade de deliciosas e irresistíveis opções e uma característica comum a grande maioria delas: a sazonalidade. Alguém come peru em março, chester em abril, tender em maio, panetone em junho, rabanada em agosto, bolo de natal (!) em setembro? Não, né?!

A vontade pode até existir, mas nos supermercados, peru e chester, por exemplo, só são encontrados em dezembro (...sem contar as promoções-fim-de-festas em janeiro!); nos últimos anos, o panetone tem sido vendido durante outros meses em algumas padarias, mas é certo que não fazem o mesmo sucesso que no último mês do ano; já a rabanada, que não depende de ingredientes sazonais, só é lembrada, feita e degustada quando os primeiros sinos natalinos começam a soar. Ainda que fosse possível preparar as igruarias natalinas fora de época, faltaria um ingrediente fundamental: a tradição! Tempero indispensável.

Algumas guloseimas nem combinam com o verão-tropical-brasileiro*, mas com algum sacrifício e perigando ter um piriri, come-se e bebe-se com prazer, com o coração, com os olhos! É tudo tão bonito, cheiroso e gostoso que nem dá tempo de pensar na dieta ou na moderação, a dona Gula acaba falando mais alto e as porções, conseqüentemente, acabam ficando maiores, mais pesadas, beeem mais gordinhas**. Mas são sabores especiais, comidinhas com cheiro de festa, com gosto de fim de ano, merecem ser degustadas sem constrangimentos.

Além disso, ao contrário de outras, a Gula de dezembro é diferente, é sazonal, vem trazida pelo clima de alegria, nem se percebe sua chegada, é quase uma querida da família, quando vai ver, lá está ela, fazendo seu prato em todas as confraternizações e ceia! O jeito é se render aos apelos do estômago, dos olhos e da tia Gula! E se a culpa resolver assombrar, aí vai uma frase dita pelo nutrólogo João Curvo, um consolo aos deslizes e um incentivo à dieta de janeiro:"O que engorda é o que você come do Ano-Novo ao Natal, não o que você come do Natal ao Ano-Novo".
Feliz Natal, feliz ceia, feliz rabanada*** a todos!
PS: a foto desse post peguei no site: http://www.marthastewart.com/ ...confesso que não achei exatamente bonita... fica parecendo guirlanda de porta de centro de umbanda, mas achei inusitada, além disso, combina com o tema Natal-Comida do texto! Não colocaria na minha casa nem a pau! Seria a festa dos pombos de plantão... eca!

*que começa hoje... embora eu esteja batendo o queixo de frio em SP...
** a dona Culpa tirou férias e só volta lá pra janeiro!
*** a melhor coisa do Natal, dividindo posição com o panetone, claro!

domingo, 14 de dezembro de 2008

Nova idade, velhos hábitos!

Perceberam que hoje o dia amanheceu mais bonito, o Sol mais brilhante, o ar está mais puro, que as energias estão todas em harmonia, os gatinhos ronronando, os passarinhos cantando com mais alegria?! Notaram?! Eu tenho uma explicação: hoje é meu aniversário!!! Eu adoro, comemoro mesmo!
Ontem, enquanto fazia meu bolo, aproveitei para fazer aquela revisão-básica-pré-aniversário. Em meio a fôrmas, espátulas, farinha, ovos, leite, doces, chocolates, fui percebendo que alguns hábitos específicos, na cozinha, não mudaram nada ou mudaram muito pouco ao longo dos meus poucos (pouquíssimos) anos de vida.

O bolo de aniversário feito em casa é lei, desde o primeiro ano! Aniversário tem de ter bolo, velas e pedido. A diferença é que nos últimos anos quem faz meu bolo sou eu mesma, com todo amor, carinho, chocolate e doce de leite que uma pessoa é capaz.

Quando era criança, enquanto minha mãe preparava o bolo, eu e minha irmã ficávamos penduradas nela esperando para lamber a tigela e a espátula da batedeira. Havia uma regra: a aniversariante do dia tinha a preferência pela tigela, a espátula sobrava para a outra. O mesmo valia para a panela e colher do recheio e cobertura. Depois de crescidas, com mais idade, é óbvio que isso mudou: a aniversariante tem preferência total em tudo e não divide nada com ninguém!! O mais incrível nisso é que a massa crua, raspadinha até a última manchinha, continua deliciosa.

A lata de leite condensado: o sonho de consumo, a cobiça maior, a delícia das delícias! Para não dar briga, minha mãe dava a lata para a aniversariante e uma colherinha para a não-aniversariante. Mas, ainda que a colher pudesse ter mais do doce, a lata sempre era a mais saborosa porque havia a aventura de enfiar o dedo naquela lata cheia de rebarbas cortantes, o acúmulo nos cantinhos, a lambida na tampa e a mãe com o coração na boca, dando bronca e morrendo de medo de que cortássemos um dedo fora ou perdêssemos a língua por causa de um restinho! Ontem, não era uma, eram duas latas de leite condensado para me lambusar, mas como a mãe não estava perto para me alertar... acabei arrancando um naco do meu dedo numa rebarba-assassina! Ri de mim mesma pela traquinagem e terminei o bolo de band-aid no dedo!

Os anos passam e ainda acho maravilhoso poder comemorar, celebrar a vida, rever a própria história, me reconhecer nos hábitos... poder escolher o sabor do meu bolo e poder lamber tudo, sem broncas, embora com um pouquinho de culpa, afinal, até o bolo ser cortado, já consumi umas 250mil calorias extras, além de ter corrido o risco consciente de pegar uma intoxicação por salmonela pelo ovo cru da massa! Feliz da vida, feliz pela vida, mais um ano. Os hábitos são velhos, mas a idade, ah, essa é novinha em folha! Feliz aniversário pra miiiiiiiiiiiim!
PS:... o bolo da foto é o de hooooje! Massa de chocolate com recheio de doce-de-leite, coco e amêndoas e cobertura de brigadeiro... ui... delícia!!

sábado, 6 de dezembro de 2008

Lichia...lichia...li-chi-a...lichiiiiia!

Lichia! A sonoridade do nome anuncia algo exótico, algo leve e delicado. Olhando essa fruta por fora, fica difícil acreditar que, por dentro de uma casca tão rude, haja uma polpa tão suave. Ai, ai, a Natureza e seus caprichos!
Provar essa frutinha pela primeira vez é uma aventura para os sentidos. Não é exatamente bonita, é diferente. A aparência é rústica, mas o vermelho da casca é um convite irresistível (...por que será que frutas de casca ou polpa vermelha atraem tanto?!).
Assim como o kiwi, com sua embalagem tão áspera, a lichia reserva aos que não se limitam às aparências, um sabor adocicado, delicado. O primeiro toque dá impressão de que se trata de uma fruta durinha, algo como um coquinho ou até mesmo uma castanha, difícil de descasacar... ledo engano: com a ponta de uma faca, levanta-se um pedacinho da pele rugosa, parte-se o restante, e então, a polpa se desgruda totalmente, intacta, como se a casca fosse uma caixinha guardando a polpa gelatinosa, esbranquiçada e brilhante. Mais fácil que isso, só banana!
A primeira mordida comprova a delicadeza da polpa. O paladar começa a trabalhar. As papilas gustativas buscam na memória algo que se assemelhe com aquela novidade. Difícil! O começo lembra a textura e o gosto da uva-itália, mas essa impressão logo se dissipa e o final é de algo novo, diferente, um sabor inédito, exclusivo, sabor de lichia: registrado! Não é ácida, o sabor é suave e delicado, não chega a amarrar a boca, mas deixa um, digamos, lacinho frouxo na língua, não é muito doce, é apenas adocicada. Em uma palavra: suave.
A lichia é uma fruta para os curiosos, para quem quer ir além da aparência, para quem acredita em combinação de opostos. A Natureza é cheia de graça! As embalagens são de uma criatividade inigualável e guardam surpresas. Nesse sentido, a lichia é emblemática, porém é mais instigante do que propriamente saborosa. Para o paladar brasileiro, acostumado com tanta diverdade de sabores das frutas tropicais, o maior atrativo dessa frutinha de origem chinesa é a brincadeira de contrastes e o frescor da novidade. Vale a descoberta.

domingo, 30 de novembro de 2008

Cenário


Um bom cenário melhora muito qualquer coisa! Passo longas horas dos meus dias gastando a imaginação, idealizando lugares para determinadas situações: um cantinho confortável dentro de casa, um lugar perfeito para um fim de semana, uma paisagem linda para ver da janela. Sou cenógrafa e diretora de fotografia dos meus sonhos e devaneios.

Comer tem tudo a ver com cenário. Pra mim tem. Gastronomicamente falando, acredito que um lugar bonito deixa a comida mais gostosa, mais apetitosa, assim como uma comida gostosa fica meia boca num lugar feio, desconfortável, desagradável. Visão e paladar complementam-se. Os sentidos trabalham unidos para compor uma experiência de sabores. Sinestesia pura! Há, sim, exceções, por exemplo, em companhia de pessoas queridas, uma comida ruim, num lugar horroroso transforma-se num verdadeiro manjar dos deuses em pleno paraíso! Mas sejamos um tantinho superficiais por um instante e pensemos apenas no cenário.

Hoje, acordei querendo tudo lindo! Enquanto tomava café da manhã, fiquei querendo estar numa casa na montanha. Casa ampla (muito espaço, pé direito duplo), bem arejada, janelas grandes por onde o Sol da manhã entraria sem cerimônia para dizer "Bom Dia!". Tudo muito claro. Uma varanda florida com a mesa posta, o perfume do café e do bolo recém saído do forno se misturando ao cheirinho da terra. Frutas frescas colhidas no pomar. Gatos se espreguiçando (ou dormindo!) no quentinho do sol. O som de passarinhos ao fundo e uma paisagem verde infinita para conforto e deleite dos olhos. Seria uma boa maneira de começar os dias, não?! Meu cenário dos sonhos do momento.

Adoro café da manhã, em qualquer circunstância, mas creio que num lugar assim, nem mesmo aquele mau-humorzinho tipicamente matutino seria capaz de resistir a tantos apelos da beleza.

Depois do último gole de café, respirei fundo e voltei para minha realidade... que, por enquanto, não tem nada a ver com o cenário descrito (nem o Sol deu as caras... o dia nasceu tão encoberto...), mas não deixo de imaginar, nem de querer tudo mais bonito a minha volta... sou sagitariana e não desisto! hehehe


PS: pensando em querer tudo mais bonito a volta, antes que pudesse sentir uma pontinha de pena de mim mesma por não estar vivendo na minha imaginação, lembrei da realidade em Santa Catarina, depois da inacreditável tragédia, e pensei que tentar melhorar os cenários e a vida de quem está precisando tanto, faz a gente ver tudo mais bonito e valorizar tudo que tem. Fazer e querer o bem deixa até a mais cinza das paisagens um pouqinho mais ensolarada. Sem hipocrisia, querendo ajudar, aqui vão alguns meios:

Fundo Estadual da Defesa Civil, CNPJ, 04.426.883/0001-57,
BANCO DO BRASIL AGÊNCIA 3582-3 CONTA 80.000-7

Para quem quer ajudar os bichinhos desabrigados e que também estão precisando:
Associação Viva Bicho, CNPJ 06 156 776 / 0001 - 81
Banco do Brasil Ag. 1489-3 cc 20793-4

domingo, 23 de novembro de 2008

Pão Caseiro: eu faço, faço sim!

Sexta-feira à noite é o dia da yoga. No finzinho da última aula, a professora decidiu encerrar com uma auto-massagem nos pés: uma maravilha! (Não, não, caros amigos, a temática do blog não mudou... já chego lá!) Para exemplificar o que deveríamos fazer a professora disse que deveríamos massagear o pé como se estivéssemos amassando massa de pão. Em seguida um comentário baixinho: "...ninguém mais faz pão caseiro!" "Opa! Eu faço", bradei suavemente, afinal, era uma aula de yoga! Ela então "...pão caseiro?! Amassado na mão?", "Sim!Sim! Tal qual as vovós faziam!". Ora, ora!

As moderníssimas máquinas de pão podem ser muito práticas, as padarias e supermercados podem ser 24 horas, mas nada, nada, absolutamente nada é capaz de se igualar ao efeito mágico provocado pelo pão caseiro feito com suas próprias mãozinhas! A seleção dos ingredientes, a combinação, o contato com a massa, a sova, a espera, o cresimento, a espiadinha no forno, o perfume se espalhando pela casa... pelo bairro, a faca serrando a casquinha crocante, a fumacinha subindo, a primeira mordida... o golinho de café! Nenhum outro pão é capaz!

À parte o encantamento, há também o argumento prático para se fazer seu próprio pão. Para começar, é um pão muitíssimo mais saudável pois não leva nenhum tipo de conservante químico, coloração artificial, nem goooordura trans, além disso, é possível torná-lo integral - utilizando farinha de trigo integral e sementes variadas (linhaça, gergelim, girassol) - e light - optando por leite desnatado, açúcar e margarina light. Em termos financeiros, nem é preciso fazer muitas contas para chegar à conclusão de que o pão caseiro sai por muuuuito menos! Já viram quanto está valendo um pão integral light no mercado?! Pelo mesmo valor, é possível fazer três em casa.

O tempo, ah, o tempo, irão dizer: não temos tempo para isso! Direi: a gente seeeeempre arranja um tempinho para fazer aquilo que dá prazer... é ou não é?! E não estou falando de dias de preparação. É preciso umas duas horas, duas horas e meia, sim, mas isso contando com tempo de crescimento e forno... e nada impede que se faça outras tarefas enquanto a massa cresce ou assa! Sem contar que é perfeitamente possível congelar esse pão por até um mês! Não precisa fazer todos os dias. Resumindo: é saudável, barato e prático, sim!

Só está faltando a receita, pois não?!

Esta é uma receita básica e pode ser variada conforme o gosto do padeiro de ocasião (vou colocar minhas variações entre parênteses). Ela é muito prática e pula algumas etapas (a tal da biga!)que fariam o Olivier Anquier dar um gritinho de "uh la la", mas dá super certo... é a minha receita (adaptada da receita da minha mamãe):
2 ovos
5 colheres de sopa de açúcar (coloco 2 de mascavo e 2 de light)
2 colheres de sopa de margarina (coloco 1 bem cheia de light ou 2 de azeite... dá um perfume incrível!)
1 pitada de sal
250 ml de leite morninho (uso o desnatado)
1 envelope de fermento biológico seco (dos que há no mercado, na minha opinião, o que dá o melhor resultado é o Fermix Dona Benta, mas o Fleischmann também faz direitinho)
5 a 6 xícaras de farinha de trigo (uso metade branca e metade integral)
(opcional: 3 colh. de sopa de semente de linhaça seca, trituradas no liquidificador; 3 colh. de sopa de semente de linhaça germinada - deixe de um dia para o outro em 100ml de água mineral em recipiente fechado; 1 colh. de sopa de semente de gergelim; 2 colh. de sopa de farelo e/ou gérmen de trigo)

Numa tigela bem grande (acredite, a massa cresce!), misture os ovos, o açúcar, a margarina e o sal (se for fazer integral, adicione as sementes... agora!). Vá acrescentando o leite morno (a temperatura ideal é a mesma da mamadeira do bebê... se não tiver filhos... não precisa desistir ou ter um só pra fazer o pão... teste a temperatura colocando o dedo e sentindo que não queima!). À parte, misture o fermento em uma xícara de farinha e reserve (o fermento não pode ir diretamente no líquido, ok?!). Adicione, uma a uma, três xícaras de farinha no líquido (se tiver frescurinha, pode utilizar uma colher para misturar). Só então, acrescente a mistura de farinha e fermento na massa. Vá, aos poucos, adicionando a farinha restante. A quantidade irá variar de acordo com o tamanho dos ovos* e a temperatura ambiente. O ponto será quando a massa estiver elástica e começando a soltar da mão (ou da colher, no caso de frescurinha!). Não se desespere colocando muita farinha, pois é preciso que a massa esteja úmida para que cresça com mais facilidade. Cubra a tigela com um plástico (deixe espaço entre a massa e o plástico) e alguns panos de prato (uso uns 5 e se o tempo estiver frio, enrolo num cobertor! Sério!) e proteja seu bebê de todo e qualquer trisco de corrente de ar. Deixe crescer por uma hora, mais ou menos (o tempo varia conforme a temperatura ambiente, quanto mais frio, mais tempo). Após o crescimento, numa bancada enfarinhada, sove a massa (sovar não é surrar! Amasse com energia e delicadeza), polvilhando mais farinha, se necessário, para facilitar a tarefa! Se gostar, polvilhe canela em pó para dar ainda mais sabor. Modele os pães (as tranças ficam lindas, mas se for pedir demais, as bolinhas ou o filão já bastam!), coloque numa assadeira untada (pra evitar a fadiga) e deixe descansar por mais 30 minutos (protegido de correntes de ar... recomendo que coloque no forno ainda desligado, lá ele estará seguro!). Após esse tempo, ligue o forno em temperatura média e deixe assar por aproximadamente 25 minutos, a cor do seu pão é você quem decide! Rende três tranças grandes. Enquanto espera, já sabe: coe aquele cafézinho espertíssimo! Depois é só se deliciar! Ah! se for congelar, deixe o pão esfriar sobre uma grade, fatie (se for uma trança ou filão, caso contrário irá precisar de uma moto-serra para fatiá-lo congelado!), coloque num saco plástico limpo e coloque no freezer. Para descongelar, retire as fatias que for consumir e coloque diretamente na torradeira ou no forno ou no prosaico tostex!

Não é por nada, não, mas fica divino, viu?! Não tenham medo da massa! Lembrem-se: é fazendo que se aprende!

*a saga dos ovos: http://claraemneve.blogspot.com/2008/02/uma-receita-da-minha-me.html

PS: essa beleza da foto é de minha autoria! rã-rã!