domingo, 4 de abril de 2010

Páscoa?! Oi?! Onde?! O que?! Já?! Por quê?!


Impressão minha ou é Páscoa de novo? Papai Noel mal dobrou a esquina com seu trenozinho e eis que lá vem o Coelho em desabalada carreira distribuindo ovos! Muito rápido, minha gente! Ainda nem consegui me recuperar da comilança de fim de ano e já estou abraçada num mega ovo de chocolate pra me consolar.

Do jeito que as coisas vão, chegará o tempo em que teremos um feriado só. O que seria pééééééssimo, não?! Já imaginaram?! Numa única ceia saborearmos panetones, ovos de Páscoa, peru, bacalhoada, pé-de-moleque, colomba, lentilha, quentão... isso pra ficar em apenas sete itens, afinal, se fosse listar todas iguarias típicas de cada feriado, teríamos um verdadeiro caos gastronômico.


Facilitaria um bocado a vida de heróis (oi?!) como Papai Noel e Coelho da Páscoa. Ah, coitadinhos! Pensem bem... os pobrezinhos (modo de dizer, claro... afinal, quem hoje em dia tem condições de sair distribuindo presentes assim, literalmente, para todo mundo? Todo mundo também modo de dizer, claro... afinal, só ganha quem tem dinheiro pra comprar... um pequeno contraponto sócio-cultural-econômico que não vem ao caso... fiquemos com a fantasia por hoje, ok?!)... como eu ia dizendo... os pobrezinhos nunca conseguem passar esses feriados com suas famílias!

Mamãe Noel já não sabe o que dizer aos filhos, netos, bisnetos, tetra-netos (e por aí vai, afinal o casal é velho, heim?!). Cadê o pai, o vô, o bisa?! A última que a velha disse foi que o bom velhinho foi comprar cigarros... a notícia caiu feito uma bomba na família. Não pra menos... com aquela idade o velho deu pra começar a fumar?! E o exemplo, onde fica?! Xiiii, azedou a ceia de todo mundo. No dia seguinte, depois de ter trabalhado a noite toda entregando presentes, Papi Noel ainda teve que ouvir um discurso mais longo do que a soma de um do Hugo Chaves com um do Fidel Castro. Ninguém merce, mesmo!

E o Coelho?! Veja bem, o caso desse ser fofíssimo é tristíssimo e muito pior do que o do bom velhinho. Primeiro porque o número de filhos é incontestavelmente maior: cresce em progressão geométrica. Segundo, seu prazo de entrega não se limita a uma madrugadica de nada... o bichinho peludo tem um dia inteiro de trabalho duro. Mais! Tem que ser criativo, afinal, não tem uma árvore para colocar os 'presentes' embaixo... ainda querem que ele esconda os ovos!! Uma judiaria! Ele nunca consegue almoçar com a família. Depois de um dia inteiro de trabalho, o máximo que consegue é comer um prato feito que a sua coelhinha deixou dentro do micro-ondas pra ele esquentar quando chegar.

Triste, né?! Então, já que os natais e as páscoas estão assim tão grudadinhos, poderíamos sugerir que os dois fizessem um rodízio. Num ano Papai Noel encarregar-se-ia (!) de entregar os presentes de Natal e os ovos de páscoa e no ano seguinte quem faria as duas tarefas seria o Coelho. Dessa forma, ano sim, ano não, essas figuras poderiam desfrutar da ceia de Natal e do almoço de Páscoa com suas famílias, que, aliás, é a melhor parte dessas datas, né não?!

Alucinações à parte, espero que todos tenham uma linda Páscoa e que hoje seja o marco do renascimento de bons pensamentos e atitudes! Chocolatemos para celebrar!


domingo, 28 de março de 2010

Um pedido de ajuda


- Hoje temos uma nova amiga conosco. Você quer se apresentar e contar sua história?

- Oi, meu nome é Fabiane e estou aqui pela primeira vez...

- Oi, Fabiane, seja bem vinda! (em coro)

- Eu estou um pouco nervosa. Bom, vou começar minha história pelo começo. Sempre tive muitos amigos, de todos os tipos. Procuro não julgar as pessoas pelo o que elas pensam, compram, usam ou deixam de usar. (suspiro) Há algum tempo um desses meus ‘amigos’ me ofereceu pela primeira vez. Recusei porque estava vivendo uma fase muito saudável. Estava feliz e não precisava de nada para estimular essa felicidade. O tempo passou e algumas coisas aconteceram na minha vida. Foi quando esse suposto amigo me ofereceu novamente. Aceitei. Consumi, mas sem pensar muito nas consequências. Foi tão rápido... (pausa dramática) No dia seguinte, não esperei que me oferecessem, comprei, pela primeira vez. Sempre depois do almoço. Até então, era um momento de relax. Um pequeno bálsamo no meu dia. Pouco depois, precisava depois do jantar também. Os motivos não faltavam: um dia difícil, um dia fácil, uma alegria, uma tristeza. Minha sobremesa já não era mais o chocolate. Na verdade eu já dependia daquilo para completar meu dia. Alguns amigos, os verdadeiros, começaram a notar mudanças no meu comportamento. Alguns tentaram me alertar, mas, para cada um que vinha com esse discurso, eu tinha a resposta pronta: eu tenho o controle! Eu achava que tinha... (voz embargada). Ou tinha, mas fui perdendo. Fui me perdendo (explosão de choro). Em pouco tempo, as doses diárias foram aumentando em proporções descontroladas. Eu já estava no ponto de substituir refeições. Mas eu não percebia, não via... eu preferia não ver (aos soluços).


- Calma, aqui você está entre amigos. Entendemos o que você está dizendo. Temos histórias parecidas com a sua. Continua quando se sentir melhor.


- (respirando fundo) Eu recusava qualquer tipo de ajuda porque não achava que tinha um problema. Mas, semana passada, um amigo viajou para Minas, quando voltou, disse que provou um tipo diferente, puro... e me trouxe uma porção enorme, porque sabia que eu estava nessa onda. Aceitei. Em casa, me descontrolei completamente. Tive uma overdose. (choro, choro, muito choro) Quando me recuperei, foi como se a vida quisesse me dar uma nova chance. Pela primeira vez em meses, percebi que tinha um problema e que precisava de ajuda. Por isso estou aqui: eu preciso de ajuda. Eu estou há 24 horas sem comer doce de leite.


- Parabéns, Fabiane. (em coro)

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É isso mesmo, amigos, estou aqui, de cara limpa, admitindo que estou viciada em doce de leite! 'Garrei' um amor nesse trem que não consigo me livrar! De todos os tipos: em barra, cremoso, pastoso, semi-cremoso, os gostosos, os ruins, os caros, os baratos, os comprados, os ganhados!! O da overdose foi o Doce de Leite em pasta Viçosa, importado de Minas Gerais! De-li-ci-o-so!!

domingo, 21 de março de 2010

Detalhes



E por falar em detalhes... sim, são eles que também fazem toda a diferença quando o assunto é comida!


Alguns podem chamar de frescura, mas aquele cuidado, aquela atençãozinha a mais num pormenor transforma qualquer prato sem graça numa comidinha especial, qualquer refeiçãozinha num momento inesquecível. Ou... claro, vice-versa.


Tudo corria muito bem, obrigada, quando o passarinho da atenção voou pra longe e você coloca sal duas vezes na receita. Sal a mais, sabemos, é uma viagem sem volta. Qualquer tentativa de remendo piora a situação. O jeito é dobrar a quantidade de suco a ser servido!


Isso quando não acontece um acidente que inutiliza a receita. Comigo aconteceu com um picadinho de carne com batata. A receita estava quaaaaase pronta, então, decidi colocar uma poeirinha a mais de pimenta do reino. O pimenteiro não era desses chiques e modernos que moem os grãos na hora, era um vidrinho com uma tampinha furadinha. No que eu virei o fulaninho em cima da panela... o conteúdo veio abaixo, de uma vez! A tampinha não estava firme e acinzentou a receita toda. Lixo, né?!


Tem também aquele detalhe que mata você de vergonha ou de nojo... depende da sua posição: cozinheira (o) ou convidada (o). Sim, estou falando da mais indesejada das aparições num prato: um cabelo! Urgh1 É uma coisinha tão mínima, tão fina, mas que todos (ou pelo menos 99,99% da humanidade) torcem para não se deparar com um no prato. O detalhe que pode salvar o chef de matar um convidado de nojo é cozinhar de toquinha! Parece ridículo e, de fato, é, mas pior é sempre ser lembrada (o) por esse incidente.


Num restaurante são exatamente os detalhes que fazem daquele um lugar especial ou um show de horrores. Guardanapos de pano, por exemplo, são um detalhe que demonstra sofisticação. Já aqueles ‘guardanapinho’ de papel de seda, socados os quilos num suporte sobre a mesa e que não absorveriam nada, nem que fossem jogados no oceano, demonstram total falta de noção por parte dos donos! Nem tanto ao mar, nem tanto à terra: guardanapinhos de papel desses que gente como a gente usa em casa... são baratinhos e honestos!


Os restaurantes, aliás, são quem mais devem ter atenção aos detalhes, sob risco de falência! São os cuidados com talheres, pratos e copos - que devem sempre estar impecavelmente limpos; mesas, toalhas, cadeiras; isso pra não falar da cozinha que deve ser vigiada do chão ao teto, além de cada panela, cada receita, para que, além de tudo, a comida tenha sempre um saborzinho, um temperinho, um detalhe que faz os clientes voltarem.


Em casa, naquela comida tão trivial, são os detalhes que fazem um sabor, um momento, ficar gravado pra sempre na memória, seja pelo tempero, seja pelo jeito de servir. Às vezes, nem era intencional, mas justamente o detalhe é que acabou virando o motivo de uma coisa simples se tornar tão especial!


Pensem nos detalhes, sempre!

domingo, 14 de março de 2010

Chopp sem colarinho, sem gravata e sem paletó!


Gosto cada um tem o seu e não se discute. Quando o assunto é chopp, porém, até existe uma certa unanimidade quanto à melhor marca nacional, pois não?! Difícil quem não prefira um chopp Brahma a qualquer outro. A polêmica maior, nesse caso, refere-se não ao conteúdo do copo, mas de que maneira ele chegou lá!


Há quem verse sobre a arte de tirar um belo chopp: inclinação do copo, distância entre o bico da máquina e a borda do copo, temperatura do copo, temperatura da mão que segura o copo, o tipo de copo! Xiiii, detalhes não faltam!


Acho curioso como se confere tantas minúcias a uma bebida que se toma de maneira informal, em momentos tão descontraídos. Não, não, não... não estou censurando quem atente aos pormenores, de modo algum... até mesmo porque, claro, também tenho minhas preferências!


Minha, digamos, implicância centra-se no colarinho. Sim, aqueles quatro palmos de espuma quente que insistem em dizer que é parte do chopp!


Imagine a cena: depois do expediente, numa tarde quente, daquelas de fazer o horizonte tremular, com asfalto em labaredas, nenhum sopro de vento para apaziguar a fornalha, nenhuma nuvem sequer para amortecer os raios de sol atirados à Terra como lanças de fogo, ou seja, uma dessas lindas tardes do nosso lindo verão tropical! Você está caminhando há algum tempo, vestindo a roupa errada (sabe aqueles dias que você jura que não vai esquentar tanto e sai com a ‘blusa do pijama’* por baixo do blazer e fica com vergonha de tirá-lo?!) e com o sapato de pele de urso (imitação de pele de urso, por favor!), de repente você avista aquele bar que tem o chopp mais geladinho do mundo. Sua boca já se enche de esperança de poder se refrescar. Você entra, se senta e pede um choppinho trincando ao garçom. Infinitos segundos depois, eis que surge a sua frente: o copo! De olhos fechados, para sentir o momento, sua boca toca a borda do copo que se inclina ligeiramente. O primeiro gole.


O primeiro gole? De quê? De chopp? Nããããão... o primeiro gole de chopp só aparece depois de uns três goles daquele creme quente e amargo que faz você sentir ainda mais sede! Como se não bastasse o instante de frustração vivido pelas papilas gustativas, você ainda ganha, de brinde, um farto bigodão branco!


Tem garçom que me olha torto, tem garçom que finge que não ouviu, tem garçom que pergunta ‘por que?’, tem garçom que se irrita e tem aquele que resolve explicar que o chopp é constituído de duas partes inseparáveis: o líquido geladinho e refrescante mais a espuma quente e insossa. Às favas as explicações, meu pedido sempre vai acompanhado da ressalva: sem colarinho, por favor! Pra mim, chopp bom é chopp sem colarinho! Bem informal! Como deve ser. Mas se você prefere tomar o seu com colarinho, gravata e paletó... fique à vontade! Só não deixe de aproveitar o último domingo do verão**!




*chamo de ‘blusa do pijama’ aquela blusinha, camisetinha ou coisa do gênero que é super, mega, blaster confortável, que já está meio encardidinha, com um furico embaixo do braço, mas que você morre de dó de jogar fora porque ainda rola um sentimento, sabe qual? É essa aí! E nem adianta falar que não tem porque é próprio do ser humano ter uma dessas!!


** já estou sentindo saudades!

domingo, 7 de março de 2010

Paixão arrebatadora!

(no supermercado)

- Ai, que bom que te encontrei aqui, menina! Estou morta de curiosidade...

- E eu não via a hora de te encontrar pra poder contar...

- Então me conta tuuuuudo! Você teve coragem mesmo? Alguém percebeu? Como ele é? Anda, fala já!!

- Calma, calma... vamos por partes! Primeiro: coragem é uma coisa que a gente descobre que tem e nem sabia. Quando esbarrei com ele a primeira vez, você se lembra, me senti atraída, mas nem me passava pela cabeça arriscar uma relação de anos, né?!

- Mas uma relação bem desgastada, né? Você vivia reclamando da qualidade...

- Sim, sim... mas sabe como é, a gente acaba se acostumando até com o que é ruim e também tem o lance da família... você conhece minha mãe, sabe como ela é com essas coisas... super tradicionalista.


- Sei bem, a minha não é muito diferente da sua...

- Mas, voltando... daí os encontros casuais foram ficando mais frequentes. Lembra-se daquele dia super frio que o encontrei numa loja de conveniência a caminho de casa? Aquele foi um dia que tremi, amiga!

- Mas você não teve coragem... ou teve?

- Naquele dia não, maaaas...

- Conta!

- Há duas semanas, não resisti! Meu marido viajou a trabalho, minha mãe tinha uma viagem com algumas amigas... eu sabia que tinha dois ou três dias para fazer o que quisesse... e fiz!!

- Fez?

- Fiz... e muito!

- Muito?! Ele é tudo isso mesmo?! Como ele é? Me conta!

- Incrível! Cheiroso como nenhum outro... forte, mas ao mesmo tempo suave... delicado, mas ao mesmo tempo marcante... meu coração dispara só de lembrar!

- E depois?! Você está apaixonada?!

- Não consegui mais largar, minha amiga! Estou completamente apaixonada.

- E agora?! Você vai contar pra sua família?! Sua mãe! Seu marido!! E seus filhos, já sabem?!

- meus filhos nem sonham... ainda não têm idade pra isso. Mas já contei pro meu marido.

- Não acrediiiito! Você contou pro seu marido?! Como ele reagiu?!

- No começo ele estranhou muito. Brigamos muito. Achou, inclusive, que você estava me influenciando, mas aos poucos fomos conversando... e agora até ele está gostando. Estou disposta a enfrentar tudo e todos por essa paixão arrebatadora...

- Vale tanto a pena assim?!

- Vale! Vale! Vaaaale!

- Ouvindo você falar até eu me encho de coragem, sabia?!

- Você não vai se arrepender, esteja certa!

- Então, tá! Confio em você... vou experimentá-lo hoje mesmo!

- Já leva duas caixas, amiga! Melitta rende, mas você acaba bebendo mais... esse café é divino!

- Amiga, nem acredito que você finalmente conseguiu trocar a marca de café na sua casa! Sua mãe sempre usou aquela outra baratinha e, depois, seu marido que só gostava daquele outro café tão ruim...

- Foi difícil, mas depois que meu marido provou o que é realmente bom... adorou! Sabe, ele ficou até mais romântico comigo!

(...)

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Confessem... vocês acharam que eu estava falando de outra coisa, né não?! Mentes poluídas!!! hehehehe

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Duplo-twist-cafeinado




Engraçado como desperdiçamos nossos talentos, não?! Dia desses, no auge da temporada de chuvas caudalosas que umedeceram São Paulo, estava na zona Norte, nas proximidades do Campo de Marte. Fim de tarde, depois de uma dia inteiro de trabalho. Tudo o que mais queria (e precisava) era um bom balde de café.


Ainda não chovia quando entrei no Mc Donalds (parênteses: taí uma surpresa! O café do Mc, da lanchonete mesmo, além de baratinho, é coado, tem as versões 200 e 300ml e, geralmente, é passado na hora... vale a pena! Fecha parênteses) e pedi o tamanho mega-master-power-gigante:



- 7 minutos, senhora. Aguarda?



- Estarei cronometrando!! – ameacei simpaticamente.



Como o café é aquecido nas lavas de um vulcão (só isso explica o fato de o coitado sair em chamas da cafeteira!), sempre peço para viagem, dessa forma, até chegar no meu destino, a temperatura já está suportável à boca humana. Então, acrescente-se aos 7 minutos do preparo mais 2 para a mocinha entender que é para viagem, mais 3 para achar o suporte de papelão (a mão humana não suporta segurar um copo cuja temperatura ultrapassa a de carvão em brasa!), mais 5 para ela trocar o açúcar por a-do-çan-te, ‘adoçante, adoçante, querida!’.



Quando finalmente saí da loja, o estrago lá fora já estava feito. O mundo havia desabado em água. Para piorar um boucadinho, a região é uma baixada e, portanto, qualquer garoa inunda as ruas... se o caso for de dilúvio, daí a coisa piora significativamente.



Como já estava em cima da hora para meu compromisso, não poderia me dar ao luxo de esperar a chuva acalmar e as correntezas não estarem tão propícias ao rafting, enchi-me de coragem, abri minha sombrinha e fui me esgueirando pelos cantinhos. Quem me conhece sabe: morro afogada, mas não me atraso.



Estava super fácil: éramos eu, uma bolsinha básica de mulher pesando 7 kg no ombro, numa mão a sombrinha (que insistia em se transformar numa antena parabólica) e na outra um suporte de papelão com um copo de café em labaredas. Desvia de uma cachoeira aqui, dribla um bueiro aberto ali e vamos que vamos!



Tudo corria (nadava) bem até eu precisar atravessar a rua. Na sarjeta havia uma correnteza imensa que ia até o meio da rua. Eu precisava atravessar. Foi nesse momento que descobri meu talento: dei uns 3 passinhos para trás, enchi os pulmões de ar, corri e saltei... como se não houvesse amanhã! Pena que não foi suficiente, afinal as pernas são curtas e a poça era gigantesca, faltou pouco (infelizmente, afundei meu All Star branquinho na água suja), mas foi um lindo salto! Lindo! Senti vontade de fazer ‘tã-nam’, levantando os braços, tal qual Daiane dos Santos depois de seu duplo-twist-carpado.



Daiane é boa?! Sim, sim, mas aposto que ela nunca fez um salto com um copo de café sem derramar uma gota sequer. Estou esperando o contato da Confederação Brasileira de Ginástica Olímpica para registrar meu salto: um duplo-twist-cafeinado!



Cheguei ao meu destino congelada, pés encharcados, mas tinha um consolo de 300 ml! Estava grata ao café e ele grato a mim, por tê-lo salvado. Final feliz, afinal!



domingo, 21 de fevereiro de 2010

RSVP versus CPM



Além do suflet, do fuet, do abajour, do pão francês e do trauma em Copas do Mundo... a França também é responsável por aquela sigla que aparece em alguns convites: RSVP - Réspondez, S’il Vouz Plaît! Um gentil pedido para que o convidado em questão confirme sua presença e não coloque o organizador em pânico.


Infelizmente, aqui pelos trópicos, essa coisa de confirmar presença não cola muito não, viu?! A tropicalidade, juntamente com a informalidade e a brasilidade, caetanamente falando, fazem com que essas quatro letrinhas sejam sumariamente ignoradas.


Organizar um evento no Brasil é praticamente um desafio matemático. Já explico por que.


Alguns raciocínios levam os convidados a ignorar a confirmação:


1. Pra quê confirmar? É óbvio que eu vou!


2. Não vou confirmar porque se aparecer coisa melhor no dia, não fica chato se eu não aprecer!


3. Confirmar? Eu? A gente cresceu junto, ele sabe que eu não perderia por nada!


4. Não vou confirmar porque só resolvo as coisas na última hora, sou brasileiro, pô!


5. RSVP? Que que é isso? Melhor não mexer com essas coisas!


E por aí vai, as possibilidades são infinitas!


Funciona mais ou menos assim: de 200, 20 ligam confirmando presença. Desses 20, 10 perguntam se podem levar dois amigos super-fofos-queridos que a-do-ra-ri-am ir a essa festa. Fazer o quê?! Os 10 viram 30! Os outros 10 confirmam, mas dizem que não é certeza. Dos 180 restantes, 90 estão pensando seriamente em ir, mas depende da Lua. Dos outros 90, 20 terminaram o namoro, mas estão de flerte novo, que fazem questão de levar à festa e fazer ciúme à ex-companhia. Logo, os 20 viram 40 ou 80, afinal, as novas companhias acham que não vão conhecer ninguém na festa e, para não se sentirem sós, levam um (a) amigo (a) ou dois, porque é difícil escolher. Dos 70, daqueles 90, 15 não vão porque têm outro evento no dia, mas nem se atrevem a dizer, senão nunca mais serão convidados pra nada se forem sinceros assim; outros 15 também não vão, mas ligam confirmando, pra não ficar chato, mas não aparecem no dia e, depois, 10 inventam uma desculpa óóóóóótima para justificar a ausência e 5 preferem acreditar que sua ausência nem será notada porque têm o rosto tão comunzinho! Dos 40, 15 aparecem, mas só para dar um oizinho rápido e saem, sem comer ou beber nada, 5 minutos depois, à francesa; 10 não vão de jeito nenhum porque acham um absurdo terem convidado apenas eles e não o restante da família; 15 pensam da mesma maneira, mas vão e levam o restante da família, transformando isso em 60 ou 120, depende do grau de apego aos familiares.


Fizeram as contas? Nem Oswald Souza seria capaz de chegar a um resultado preciso. Nem o primeiro colocado no Enem conseguiria marcar uma alternativa correta. Nem mãe Diná arriscaria toooooda sua credibilidade chutando um palpite. No Brasil, uma lista de 200 convidados pode variar entre zero e 850 convidados! Daí o porquê de lista de festa ser um verdadeiro desafio matemático!!


Talvez se RSVP fosse adaptada às circunstâncias brasileiras, pode ser que as pessoas se entusiasmassem mais a confirmar presença. Algumas sugestões: SNCNE (se não confirmar, não entra); SCNANCNM (se confirmar e não aparecer não convido nunca mais); CPM (confirme por misericórdia)... nessa linha, nessa linha!


Mas a verdade é que se o jeitinho brasileiro atrapalha na organização, ele também dá uma forcinha para que no final as coisas se ajeitem e acabe dando tuuuuudo certo! É como dizem: onde comem 2, comem 200!



domingo, 14 de fevereiro de 2010

Era uma vez... (explicando o século XXI)

- Era uma vez, num reino muito rico e populoso, uma princesinha que adorava bolinho de chuva. Era uma paixão alucinada, uma fascinação inexplicável. Sempre que lhe perguntavam qual era seu prato favorito ela logo dizia, sem pestanejar ‘um prato cheio de bolinhos de chuva’. Em vão, as pessoas, fossem outros reis, rainhas, conselheiros, ministros ou rudes plebeus, tentavam explicar à pequenina que bolinho de chuva não era comida, que era apenas um belisquetezinho, um lanchinho. Aos argumentos desse tipo ela tinha a resposta na pontinha da língua real: ‘se eu como é porque é comida!’... o que não deixa de ter lá sua razão!! Engraçadinho ou não o fato é que a garotinha só queria saber dos tais bolinhos... todos os dias, fosse no café da manhã, almoço, lanche da tarde ou jantar. Bolinhos de chuva tornaram-se seu néctar dos deuses, seu elixir da alegria. E a pobrezinha (modo de falar) rainha mãe já beirava o desespero, afinal, como pode uma pessoa viver só de bolinhos de chuva? A fixação começou numa tarde chuvosa no reino, quando, pela primeira vez, a mãe resolveu encomendar da cozinheira do palácio a tal iguaria para servir a sua filhinha. Foi amor à primeira mordia. Dali em diante, todos os dias, a garotinha suplicava com lágrimas nos olhos para que os bolinhos fossem feitos. A dona rainha tentava resistir ao máximo, mas acabava cedendo com o coração apertado. Algumas semanas se passaram, então a mãe teve a brilhante ideia de pedir uma ideia à anciã do reino, uma velha senhora que tinha fama de curandeira, meio bruxa, cheia de sabedoria e autora dos melhores conselhos de que se tinha notícia. Escondida de todos, foi à vila mais distante do reino, onde a velha morava, e consultou-se com ela. No dia seguinte, ao raiar do dia, a menininha, ao despertar, gritou para que as criadas trouxessem seus bolinhos, mas, ao invés deles, entrou, nos braços da rainha mãe, um prato de frutas. Depois que a princesinha da mamãe gritou, esbravejou, rosnou e chorou, a mãe lhe disse que não serviria mais os tais bolinhos. Aos gritos a menina perguntava o porquê de tamanho castigo, então ela repetiu o conselho da velha senhora: “porque só se pode comer bolinhos de chuva em dias de chuva” e saiu do quarto, deixando a bandeja de frutas. A menininha enfureceu-se. Não tocou nas frutas, nem mesmo quando seu pequeno estômago real grudara nas costinhas reais, então, quieta, encolhida na cama, desejou com todas suas forças que daquele dia em diante chovesse todos os dias. Desejou com tanta paixão que assim aconteceu. Daquele dia em diante, chuvas torrenciais desabaram sobre o reino e também desabou o tal argumento da mãe que teve de continuar servindo os tais bolinhos à filha...


- Então quer dizer que essa é sua explicação para tanta chuva em São Paulo, mãe?!


- Você tem uma melhor?!


-Não! ...mas... então me diz: por que parou de chover nesses últimos dias?!


- A princesinha empapuçou! Não aguenta mais ver bolinhos de chuva na frente! Agora vai dormir menino, porque amanhã você tem aula cedo!


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Minha sugestão para tentar explicar para crianças esse fenômeno climático inexplicável que se sucedeu nos últimos dias em alguns estados do Brasil!! Um toque de doçura ao aquecimento global!


domingo, 7 de fevereiro de 2010

Miojo Gourmet (...oi?!)


Um amigo meu disse certa vez que as palavras miojo e delícia não cabem na mesma frase. De barriguinha e geladeira cheias, pode até ser que essa combinação soe deveras estranha, maaaaas... pensando naquele dia de fome-de-leão-selvagem-sem-zebra-dando-sopa (traduzindo: fome animal, combinada com geladeira e despensa fazendo eco de tão vazias)... aquele miojinho esquecido e desprezado não só cabe na mesma frase como ainda combina com divino, magnífico, gourmet!

Os fiéis leitores desse blog devem estar notando uma certa semelhança nessas palavras, pois não?! Sim, sim... já falei do miojo e de sua aparente incompatibilidade com a palavra delícia, mas é que no post Use apenas em casos de emergência* havia dito que 'em breve'** daria dicas sobre como dar uma melhorada nesse salvador da pátria... e esse dia chegou***!!

Miojo suave e cremoso - em um prato fundo, coloque cerca de 150ml de água filtrada e leve ao micro-ondas por 1min. Abra, coloque o miojo e deixe mais 30seg. Abra, vire o bloco de miojo, dê uma desmanchadinha com o garfo e deixe mais 30seg. Termine de desmanchar os fios que insistem em ficar unidos aos parceiros e deixe mais 1min. Prove. Está al dente?! (kkkkk!!) Digo, está a seu gosto?! Se estiver, retire do micro, escorra cuidadosamente o excesso de água (se ainda restar) e... hora de do toque gourmet (hehehehe): ao macarrão, misture duas colheres de sopa de requeijão (uso o Danúbio zero), 1/4 do pacotinho do tempero que vem junto com o macarrão e (se não for pedir demais pra geladeira...) 1 colher de sobremesa de queijo parmesão ralado. Prontinho!

Miojo carbonara - (não é piada!) antes de qualquer coisa, corte alguns pedacinhos de bacon e leve para fritar (no micro-ondas) embrulhado em vááááááárias folhas de papel toalha. Ficou crocante?! Ótimo, reserve! Repita o passo a passo da receita anterior, mas antes do último minuto, quebre um ovo sobre a pasta (pasta não no sentido nona, no sentido meleca, mesmo!), dê uma bela misturada, adicione o bacon e volte ao micro por mais 1min. Adicione queijo parmesão a gosto. Prontíssimo! Quase um milagre! (Ah, pode descartar o pacotinho de sódio... digo, de tempero que vem junto!)

Miojo colorido - repita o modo de preparo básico do miojo como na primeira receita. Ao final, adicione 1colh. de sopa de milho, 1 de ervilha, algumas azeitoninhas picadas e salsinha picadinha a gosto. Se achar necessário adicione os problemas renais... digo, o pacotinho de tempero, mas acreditem, já há sabor suficiente nesses ingredientes adicionais.

Miojo-pura-ousadia-tipo-mata-nona-do-coração - sabe aquele molho divino que você fez num momento de súbita inspiração e congelou a sobra para um momento de extrema necessidade?! Chegou o momento dele! Descongele-o no micro-ondas. Ah! Você vai precisar de pelo menos 1xíc. e 1/2 desse molho, ok?! Adicione mais 1/2xíc. de água filtrada. A essa mistura, adicione o miojo. Sim, você irá cozê-lo (!) diretamente no molho! Faça aquele passo a passo de 1min., 30seg., 30seg. e 1min. Cubra o prato enquanto cozinha... do contrário, você terá um trabalho do cão para limpar a sujeirada de molho por todo lado! Terminado o tempo, prove. Está kkkkkk al dente?! Está comestível?! Adicione umas folhinhas de manjericão, o queijinho ralado e tã-nam! Está pronto!


Lembrando a todos que as 4 receitinhas foram testadas e, acreditem, ficaram boas!! Mas claro... à todas elas foi adicionada uma dose extra de fome!! hehehe

Se alguém se aventurar a provar com a própria fome, me digam o que acharam!

Bom, dadas as dicas... só resta uma dúvida: se há todos esses ingredientes disponíveis... por que diabos não fazê-las com macarrão de verdade?! Resposta: ...sabe Deus!



* interessou-se por tão rico tema?! leia o que falei anteriormente sobre o miojo: http://claraemneve.blogspot.com/2009/06/use-apenas-em-casos-de-emergencia.html

** não trataremos aqui sobre a relatividade do tempo, ok?!

*** reparem que hoje não é dia 1° de abril!

domingo, 31 de janeiro de 2010

Notícia difíííícil...


- Esse tipo de notícia nunca é bom de dar...

- Oquefoioqueaconteceu?! falafalafala!

- Bom, a senhora sabe que o tempo é implacável para todos... e que tudo e todos têm uma missão a cumprir...

- ...sim, sim... diz!

- Quando a missão termina, é preciso abrir espaço para que um novo ciclo se inicie... eis a beleza da vida!

- Faaaaaaaaaaala!

- Sabe, não cabe a nós, meros mortais, contestar os desígnios do Destino... as coisas acontecem quando têm que acontecer. Às vezes, não somos capazes de entender algumas coisas no momento que elas acontecem, mas depois de algum tempo, quando a dor vira uma doce saudade, é como se uma leve mão pousasse sobre nossos pensamentos e nos fizesse entender o curso natural das coisas...

- PelamordeDeus, me fala logo o que foi que aconteceu! quem morreu?!

- Não gostaria de usar esse termo ‘morrer’... prefiro dizer que sua missão terminou.

- Então alguém morreu, mesmo?! Morte morrida ou matada?!

- Ah, não senhora, ninguém encurtou sua missão, ela se foi naturalmente.

- Ela?! Quem?! Minha mãe?! Meu Deus!!!

- Não, por favor, senhora, acalme-se, sua mãe está ótima, inclusive ligou cobrando uma visitinha sua... chamou a senhora de ‘filha ingrata’... a coitadinha está com saudades!!

- Tá! Tá! Tá! Não muda de assunto! Para de me enrolar!

- Senhora, não se dá uma notícia como essa assim, a seco, sem que se faça uma preparação...

- Ok, entendi! Agradeço a preocupação, mas essa demora sim está me fazendo mal...

- A senhora está passando mal?! Sabia que não ia dar em boa coisa! Vou pegar seu remédio...

- O único remédio que vai me tirar de estado é saber: QUEM MORREU?!

- tsci-tsci-tsci... já pedi pra senhora não falar em morte... isso chama coisa ruim...

- QUEM PARTIU DESSA PRA MELHOR?!

- Humm, melhor assim! Bom ver que a senhora está aceitando melhor esse fatídico ocorrido...

- (bufando!)

- ... (começando a sentir medo)...Então acho que posso falar: senhora... sua cafeteira parou de funcionar...

- O QUÊ?!

- Ninguém esperava por isso, mas... sua cafeteira, senhora, subiu no telhado. Partiu como um passarinho... de uma hora para outra, se foi.

- (...pausa dramática...) NÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃOOOOOOOOOOOOOOO!! (em prantos) Minha cafeteira?! Minha pobre cafeteira?! Por quê?! Por quê?! ...como você me conta isso assim, sua desalmada????!! Tão nova... como vai ser agora?!

- Nem tão nova, né, patroa... a bichinha já tinha 15 anos! Além disso, esse problema é fácil de resolver... é só comprar outra!

- Sua frieza me assusta! Me deixa sozinha... me deixa sofrer minha dor sozinha, por favor...

- Sim, sim... a senhora quer que eu traga um cafézinho?!

- (explosão de choro)


...................

Caso quase verídico: minha cafeteira também subiu no telhado, estou arrasada.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Medo!


Sou uma pessoa corajosa. Faço coisas que outras mocinhas não costumam fazer sem soltar gritinhos e pedir socorrinho... por exemplo: mato barata à base de chineladas e ainda tenho os culhões de virar a bichinha de patas pra cima pra não correr o risco dela se recuperar!



No entanto, há coisas que realmente me dão medo nessa vida. Coisas que me arrepiam só de pensar. A principal delas: feijão carioca!Não se trata de simplesmente não gostar da iguaria, não, não, não! É medo, mesmo! Pavor! Fobia! Acompanhados de enjoos, arrepios e trimiliques.



Não sei precisar a origem dessa repulsa, mas tem a ver com alguns traumas. Um deles aconteceu há muitos anos, quando ainda era uma criancinha e já sabia que não gostava da tal gororoba, mas convivíamos em paz: ele, o feijão, lá e eu acolá, bem longe! Acontece que numa certa manhã, ao raiar do sol, ainda cambaleando de sono, fui à cozinha para meu desjejum e dou de cara com minha mãe, vasculhando a geladeira, já pensando no almoço (coisa irritante, heim?! Nem tomou café e já está pensando no almoço!!!). Antes mesmo que eu pudesse dizer ‘bom dia!’ ela, numa fração de segundos indefensável, enfiou uma panela embaixo do meu pobre narizinho ao mesmo tempo que me perguntava: ‘será que esse feijão já está azedo?!’.



Deus, Deus, Deus! Quase morri de nojo! Só a pergunta já seria o suficiente para me assustar, não bastasse isso ainda teve a visão do inferno (fala sério: a aparência desse trem é repulsiva!) e pra completar o pesadelo ainda tinha o cheio gelado e, sim, azedo! Medo, medo, medo!



Anos e anos se passaram, com incidentes tão nojentos quanto, mas em menor proporção, apenas o suficiente para reforçar o trauma, até que um dia, quando minha mãe viajou e me deixou a incumbência de não deixar meu pai morrer de fome. Coisa simples, afinal ela passaria pouco tempo fora e deixaria comida pronta, bastava esquentar e preparar uma misturinha básica. Fácil, não fosse o feijão! Sabendo de meu problema, ela já deixou a coisa numa panela, então, bastava colocá-la no fogo e quando o futum começasse a exalar, bastava desligar e sair correndo!



Fácil, nos primeiros dias. Afinal, chega uma hora que, mesmo indo à geladeira, o alimento vence a validade, né?! Era verãozão e não sei por que diabos meu pai não colocou a panela na geladeira com o restante da garoroba e também não sei precisar porque passei alguns dias sem entrar na cozinha. Certo dia, porém, ao entrar, tive a certeza de que alguém havia matado uma pessoa e ocultado o corpo na cozinha de casa. O fedor era insuportável. Procurei, procurei, procurei: sem sucesso, pois não encontrei o corpo, nem qualquer coisa que pudesse exalar tanto mau cheiro.



Lavei a cozinha com cloro do piso ao teto, mas a fetidez continuava intacta! Já pensava em vender a casa quando meus olhos foram atraídos por algo que havia ignorado: a panela de feijão! Caberia ali o corpo de uma pessoa?! A curiosidade superou o medo e, prendendo a respiração, abri um cantinho da panela. Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!!!! Era o feijão que estava fedendo aquilo tudo!!!!! Estava ali havia dias, no alto verão. A visão foi perturbadora: havia um palmo de lã-de-mofo sobre a gosma marrom. Quase morri, se não isso, quase desmaiei. Mas, de posse da mais pura frieza, coloquei a panela inteira, com tampa e tudo, no lixo e botei o lixo pra correr imediatamente!



Depois de episódios como esses, dá para entender por que tenho medo de feijão carioca*?! Urgh! Alguém leu 1984 do George Orwel?! Lembram-se da parte final da tortura?! Eu falaria que 2+2 são 5 à primeira imagem de uma panela de feijão!



*engraçado, não entra nessa lista o feijão preto, que aliás tem sabor muito bom e aroma melhor ainda!



Top 5: dificuldades para cumprir resoluções de ano novo


1 – começar uma dieta: todo ser humano é um procrastinador em potencial! Pode ser a pessoa mais decidida do mundo, mas basta falar em dieta para que venha à tona as mais variadas desculpas para deixar para a próxima segunda-feira o início daquela dieta. 2010, por exemplo, começou numa sexta-feira! Não se começa uma coisa tão importante como essa numa sexta, portanto, automaticamente, o início da dieta ficou para a próxima segunda, que foi dia 04. No entanto, segundo a tradição oriental (cultura muito próxima à nossa, por sinal) esse é um número relacionado à morte... ui, já pensou começar uma dieta com esse mal-agouro?! Melhor adiar! Sentiram?! E assim chega-se a 31 de dezembro, de novo!




2 – fazer refeições em horários certos: tudo culpa da vida moderna! A ideia está lá, bem no topo da lista de resoluções de ano novo de muita gente, aposto, mas pô-la em prática não depende apenas de determinação. Muitas vezes depende de um pedido de demissão! A pessoa pode até estar bastante determinada a tomar café, almoçar e jantar todos os dias nos mesmos horários, mas, sejamos justos: há trabalhos que simplesmente não permitem essa prática! Para cumprir essa resolução, algumas pessoas precisam antes cumprir outra: arrumar um novo emprego. Daí já viu, né?!




3 – apenas comer alimentos saudáveis: dificílima essa resolução! Para cumpri-la seria preciso romper relações com metade dos amigos e dizer adeus à família. Exagero?! Que nada! Naquela reuniãozinha com os amigos (com a metade que não está em sintonia com sua fase saudável!) adianta você propor uma noite de tofu e chá verde?! Não, né?! Eles querem uma noite de queijos amarelamente gordos e vinhos alcoolicamente calóricos. Alguma família, por um acaso, se reúne para um almoço repleto das mais lindas de saladas e regado aos mais coloridos suco de frutas?! Nããããããão (a minha, pelo menso, não) ... é sempre churrasco, feijoada e por aí vai! Ou seja.




4 – não comer carboidratos depois das 18h: a boa vontade existe?! Sim, senhor. O problema de tudo reside nas circunstâncias. Em casa, com muita boa vontade até é possível cumprir essa resolução, basta não comprar nenhum pacote de bolacha, nenhum pacotinho de miojo para horas de emergência; pela manhã, após o café, jogar fora até a última migalha de pão, bolo, torrada e afins, comumente usados para matar aquela fominha alucinante de fim de noite. No entanto, quando essa tal fome resolve pintar na rua... será que é possível encontrar uma barraquinha de saladas em alguma esquina da cidade?! Um pivete vendendo maçãs no farol?! Não, né?! Taí!



5 - dizer não às tentações: adianta cair de joelhos e clamar a Deus ‘Senhor, livrai-me das tentações!’?! Pouco provável, afinal, nessas horas o tal do livre arbítrio exime o Todo Poderoso de qualquer responsabilidade por nossas boquinhas nervosas. Vencidas muitas etapas, a dieta até que anda bem, mas eis que surge na sua frente uma cascata de chocolate, exalando seu perfume inebriante, privando você do último vestígio de razão. E dá-lhe chocolate! Mas esse é só um dos males que assombram uma dieta... cada um tem sua tentação predileta! E assim, as tentações são as grandes dificultadoras do cumprimento de resoluções de ano novo. Aliás, não apenas das alimentares, né não?!

domingo, 10 de janeiro de 2010

Visite nosso banheiro!



Num restaurante, lanchonete, bar, boteco, biboca ou afim, tão importante quanto a cozinha é o banheiro!
Tenho uma teoria: se o banheiro, que teoricamente pode ser sujo, for limpo... a cozinha, que teoricamente deve ser limpa, seguindo a lógica, é limpíssima!
O banheiro é parte fundamental em qualquer lugar que se coma ou, principalmente, beba-se! Já imaginaram que pesadelo seria sentar para beber umas(ssss) cervejinhas(ssss) e jogar conversa fora num lugar que não tem banheiro... ou pior: o banheiro é inpipisável?!
Nisso os meninos levam uma vantagem incontestável, na hora do desespero... qualquer lugar vira banheiro (hábito aboninável, que fique claro... mas desespero é desespero, né não?!).
Já nós meninas... que sufoco, heim?! É preciso termos a habilidade de um equilibrista, a elasticidade de um contorcionista e a técnica de um mágico, afinal, quando a natureza chama, temos que fazer um pipizinho, o mais rápido possível, sem encostar em absolutamente nada, mantendo em zero o risco de acidentes e, o mais difícil, fazer tudo isso depois de umas duas ou três cervejas, quando o equilíbrio já não é mais assiiiiim uma... uma Brastemp! Detalhe: ainda precisamos de papel higiênico... que coincidentemente, sempre acaba e esquecem de repor (é nessa hora que temos de mostrar quão mágicas e precavidas nós somos).
Um banheiro diz muito sobre o estabelecimento a que pertence. Ele fica perto da cozinha?! Péssimo sinal. Lembram-se daquela reportagem que encontrou o caranguejo vivíssimo dando um rolê pelo banheiro, tirando um cochilo atrás do vaso sanitário?! Sem contar os odores se frequentando, heim?! Urgh! O banheiro tem fácil acesso, é limpo, tem ventilação, protetor descartável de acento*, papel higiênico macio, branquinho, previamente picotado, tem descarga eficiente, pia (limpa) com sabonete, torneira funcionando e toalhas de papel para secar as mãos, cheirinho de jasmim no ar?! Parabéns! Você encontrou o banheiro dos sonhos de qualquer estabelecimento!
Aliás, é preciso uma nota especial sobre descargas: alguém consegue imaginar pesadelo pior do que uma descarga chocha ou que, pior, não funcione?! Pédepatomangalôtrêsvezes!! Por melhor que seja o banheiro, acidentes acontecem e descargas param de funcionar... só pra sacanear, então, só para evitar a fadiga desnecessária, aceitem um conselho de amiga: deem uma testadinha antes!!!!!
Alguns restaurantes, lanchonetes, bares, botecos, bibocas e afins podem até tentar disfarçar uma cozinha porca, nojenta, maltrapilha, xexelenta, mas se o lugar não é, exatamente, um amigo de bons hábitos de higiene, o banheiro é primeiro que grita isso para todos! Então, para conhecer, de fato, um estabelcimento onde se pretende desfrutar de comidas ou bebidas... visite o banheiro!

*mesmo que tenha, meninas, não se sentem!! Lembrem-se das histórias que nossas mães e avós contavam, melhor não arriscar!!! hehehehe

domingo, 3 de janeiro de 2010

Feliz Ano Todo!


É inevitável: bastam que o pipocar dos fogos sejam ouvidos para que os corações se inundem de otimismo. Sim, o Ano Novo traz consigo toda esperança do mundo! Aqueles problemas que existiam até alguns minutos atrás e que pareciam insolúveis dão ares de que tudo irá se resolver.

Não deixa de existir certa razão nesses pensamentos de Reveillon, afinal, nesse momento de transição, tão sutil, bastando uma tic de ponteiro, as pessoas se enchem de força, coragem, determinação e pensamentos positivos para o novo. E se não forem esses os combustíveis necessários às mudanças e solução de problemas, então não sei mais o que pode ser.

A cada uma das sete uvas que se come esperando por fartura e prosperidade, uma sementinha positiva é plantada no pensamento e essa sim, se cultivada, trará os frutos desejados. Assim como as lentilhas comidas, as sementes de romã e os brindes erguidos ao ano que começa. Seja qual for o ritual, todos eles servem para marcar o momento que mais se desejou aquele pedido. Não é o alimento em si, mas aquilo que ele representa naquele momento.

Aliás, Reveillon e comida têm uma ligação íntima. As mesas, por mais humildes que sejam, são preparadas esperando por fartura. Os pratos são escolhidos com minúcia para que tragam sorte e prosperidade*. E que tal pensar assim o ano todo?!

Escolher aqueles alimentos que fazem bem, que façam sua máquina funcionar bem, dando-se ao luxo de certos pecadinhos, mas sempre lembrando que um corpo saudável tem mais pique para enfrentar qualquer desafio!

Seja lá quais tenham sido os rituais na virada, os alimentos escolhidos, os pedidos feitos, as resoluões tomadas, desejo que todos tenham um Feliz 2010, o ano tooooooodo! Mesas fartas, saúde, alegrias e amores. Feliz Ano Todo!

.

*Repararam que esse ano/ano passado a Sadia estava fazendo propaganda o 'Peru de Ano Novo Sadia'?! Gente, como pode isso?! Bicho cisquento na passagem ou no primeiro almoço do ano faz a vida de quem come ficar ciscando os 365 dias (ou 366... com um dia a mis de zica!)... A Sadia apelou!! O que foi?! Não venderam bem no Natal e quiseram desovar o estoque no Ano Novo?! E a tradição, como fica?! E a mandinguinha, como fica?! Daí o país cai numa crise daquelas e ninguém sabe explicar o porquê! Fica brincando com essas coisas, fica!

domingo, 27 de dezembro de 2009

Dúvida


Último domingo de 2009! Domingo esquisitíssimo... bem no meio, entre o Natal e o Ano Novo. Além daquela boa revisão do ano que finda... uma outra coisa deve perturbar as mentes daqueles que cozinham: o que fazer para o almoço?! Ui.

Difícil, né?! O restos mortais do peru da ceia já devem ter sido reciclados no almoço do dia 26 (se ainda sobrou... jogue fora, por favor! o bichinho já venceu!). Aquele pernilzão divino que está no freezer será a estrela do Reveillon.

Se você não recebeu nenhum convite para um churrasco ou não tiver tido a ideia de organizar um, não se sinta largado, abandonado, excluído, nem faminto! Vá para cozinha de peito e geladeira abertos!

Sim, sim... a preguiça de fazer algo muito elaborado toma conta... embora o domingo seja o dia de dar aquela caprichada no cardápio. Resta partir para o tal meio termo, já que é domingo demais para um arroz com feijão e domingo de menos para um super almoço.

A solução?! Esse é o último domingo do ano, pra que sujar panelas?! Vá àquele restaurante gostosinho ou àquele que você só vai uma vez por ano porque a conta quase causa indigestão. Melhor ainda: vá ao Mc Donalds e chute o balde!!

Antes que gritem 'Dieta!'... ora, ora, ora... sejamos sinceros, pra quem andou na linha o ano inteiro, um diazinho de farra não mata... já quem andou com os dois pés enfiados na jaca, não é nesses últimos dias que se vai fazer um milagre na balança, certo?! Na dúvida, escolha sempre o mais gostoso, mas só hoje... nos outros dias, escolha o mais light!!!!
Seja qual for o cardápio, uma coisa é indispensável: boa companhia, bom papo e bons pensamentos. Assim, até um hambúrguer pingando gordura ganha ares de almoção!

*

Aproveitando o post... quero agradecer a todos os amigos que acompanharam esse humilde bloguinho ao longo de 2009. Muito obrigada também pelos comentários e e-mails carinhosos (adoro!!). Nos vemos em 2010, sem falta! Espero que todos tenham tido um ano lindo e que o próximo seja melhor ainda: mais saboroso, suculento, apetitoso, perfumado... delicioso!

domingo, 20 de dezembro de 2009

Milagre de Natal


Por razões que ultrapassam os limites do explicável, mais uma vez, ela deixou as compras da ceia de Natal para os 45 do segundo tempo. Sim, em pleno 24 de dezembro, lá ia ela, rumo ao supermercado. Dessa vez, tinha certeza de que seria a única. Que bobagem!

A um quarteirão já sabia que seu pensamento positivo não surtiu efeito: a fila de carros para entrar no estacionamento era a prova cabal. Desesperada (claro!), largou o carro na rua mesmo e correu para as gôndolas. O segundo desafio foi encontrar um carrinho... em vão. Nada de perder tempo, então: prioridades, prioridades, ela tinha prioridades!

Peru! O peru! Ela tinha que garantir o peru. Correu para o freezer: chester, chester, pernil, pernil, chester. Não tem peru?!

- Moço, eu preciso de um peru! - disse ao funcionário do supermercado... que, em outra data, entenderia como uma cantada chula, mas num 24 de dezembro... ela só poderia estar se referindo a ave, mesmo!

- No estoque não tem mais nada... é só que tem aí, senhora.

Apelou para São Longuinho:

- São Longuinho, São Longuinho, se eu achar um peru dou... trezentos pulinhos*.

São Longuinho não desampara... e lá estava um belo peruzão! Mas é como dizem: é preciso saber pedir. Ela achou o peru, mas nos braços de outro. Foi tudo tão rápido, nem deu tempo de refazer o pedido e o peruzinho já ia longe. Ela ficou tão desolada que nem teve forças para implorar por ele. Deixou que ele se fosse, era seu direito... alguém o escolheu antes dela. Era o destino.

Ainda percorreu mais quatro supermercados, mas não adiantava... esse seria um Natal sem peru. Família toda reunida... menos o peru.

Não havia, porém, mais nada o que fazer. Restava preparar a ceia sem a personagem principal. Levou um dublê de peru, um chester, mas sabendo que o coitado seria mais um motivo para zombaria.

O dia passou na mais profunda tristeza e a meia-noite se aproximava... e sua orelha já queimava. Resolveram então fazer o amigo-secreto para tentar animar o ambiente.

Sai um presnte aqui, outro ali, outro acolá... até que chega a vez da sogra:

- Minha amiga secreta é uma pessoa muito teimosa... haja o que houver, ela sempre deixa tudo para última hora... não aprende nunca! - todos já sabiam quem era a amiga-secreta, claro! - por isso, comprei pra ela uma coisa que tenho certeza será perfeita - todos pensaram que era uma agenda.... mas a caixa era enorme e o Jucão (cachorrão da família!) não tirava o focinho de perto dela - espero que ela e todos gostem. Minha amiga-secreta é minha norinha querida!

Ela se levantou para receber o presente... tooooda tristonha. Quando abriu a caixa, no entanto, seu sorriso abriu-se de orelha a orelha. Ganhou o que mais poderia querer naquela linda e triste noite de Natal: um peru assadinho!! Que curioso!

E assim, a ceia ficou completa! E foram felizes para sempre durante aquela noite... e todos passaram a acreditar no tal milagre de Natal... afinal, só isso explicaria o fato do Jucão não ter destruído aquela caixa para comer o peru, né não?! Mais: alguém finalmente acertou na mosca um presente de amigo-secreto!! É milagre ou não é?!
*essa é das minhas!
.
Aproveitem o Natal!

domingo, 13 de dezembro de 2009

Exagero


Como boa sagitariana, prestes a fazer aniversário*, é com toda propriedade do universo que posso falar sobre Exagero.

A cozinha é um lugar perigosíssimo para exercitar o Exagero. Aliás, é um lugar onde esse atributo nem deveria entrar, tendo em vista que a cozinha é morada da Temperança. Não é por um mero acaso que temperos se chamam assim. Eles nasceram para saborizar, aromatizar os alimentos e, por isso, devem ser usados com moderação, com temperança.


Exagerar nos temperos pode resultar em pequenos desastres culinários. Só Deus sabe as dificuldades que um exagerado passa numa cozinha. Ainda que siga uma receita, é praticamente irresistível transformar uma pitada em uma colher, uma xícara em um balde, uma panela em um caldeirão! Ou vice-versa, afinal de contas, o Exagero é uma via de mão dupla: se o ingrediente é favorito, exagera-se para um 'tiquinho' a mais, se for preterido, exagera-se para um 'bocadinho' a menos.

O Exagero é um diabinho que fica soprando suas tentações aos nossos ouvidos. Nossos que digo é todos nós seres humanos, não apenas os sagitarianos. Atire o primeiro medidor quem nunca 'pesou a mão' na execução de uma receita! Sou capaz de apostar que até mesmo o mais metódico dos capricornianos, virginianos e taurinos já mandaram a dose certa às favas e deixaram o coração falar mais alto e a quantidade mais ainda!!

Aliás, justiça seja feita: não são apenas os cozinheiros que estão sujeitos ao exagero, não! Aqueles que ficam sentadinhos à mesa só esperando para encher o prato, comumente, também podem ser acometidos por ataques de Exagero. Gula e Exagero são parentes próximos e se frequentam. Rodízios, de maneira geral são seu habitat natural. A justificativa não poderia ser mais obvia: já que estou pagando vou comer tudo que tenho direito e mais um pouco. Depois, lá vem ela...

Já que estamos falando de parentes, a Culpa é aquela chata que sempre aparece, mesmo sem ter sido convidada. Depois de uma refeição regada a exageros, lá vem ela trazendo seu filhinhos: o Pesonaconsciência, os Pneuzinhos, os Quilinhosextras e, de vez em quando, conforme o caso, a Dordebarrigadaquelas.

Em caso de receitas visitadas pelo Exagero, a Culpa traz consigo os invevitáveis 'Porquês'... 'Por que fui colocar auela colherada extra? Ficou meio salgadinho'... 'Por que não coloquei as duas xícaras de açúcar ao invés de uma colher de chá? Acho que ficou meio sem gosto esse bolo!' e por aí vai. Mas receita é receita e geralmente não tem como voltar atrás. O jeito é (tentar) aprender a lição e guardar a boa história para dividir às gargalhadas com os amigos! Quem não tem uma boa história de exagero para contar?! No melhor estilo: 'eu perco a receita, mas não perco a piada!!'.

Uma das histórias preferidas de exagero não é minha (uia!) é de uma tia, escorpiana, cujo braço direito, companheirão, parceiro de fogão é, sempre foi e sempre será... o Exagero! Receita pra ela é mera inspiração. Ela só diz o que colocar, porque a quantidade, quem manda é o Exagero.

Aconteceu quando eu ainda era uma pirralha. De férias na casa dela, fui apresentada ao Exagero nos mais diversos sabores. O mais traumático deles: à ocasião, disseram para essa minha tia que temparar o bife com orégano ficava uma delícia! No caso, ela só escutou bife e orégano, o detalhe de TEMPERAR, passou batido. Bife se faz como?! À milanesa, oras! O que ela fez, então?! Sapecou o bife no orégano (dos dois lados, claro!) e colocou para fritar! A casa ficou empestada e o coitado do bife, nem precisa dizer, não?! Levei anos pra voltar a provar orégano.

Mas nem só de traumas e receitas perdidas vive o Exagero... quer coisa melhor do que exagerar no brigadeiro, no chocolate, na lazanha, na pizza, na salada (?)... é tudo uma questão de temperar o Exagero, né não?!
*MEU ANIVERSÁRIO É AMANHÃ (14.dez.)! Eeeeeba!

domingo, 6 de dezembro de 2009

Um caso (psicótico) de amor


Vejam só se é ou não perseguição:

Estava eu subindo as escadas no trabalho, feliz e saltitante, quando de repente meu olhos foram atraídos por uma figura familiar.


- ...não, não pode ser... aqui não! pensei enquanto ia para o alto e avante.


Mas, sabem como é a sistemática da ideia fixa, pois não?! A danada gruda no pensamento e não quer mais sair de lá. Então, ainda que a lógica me dissesse o contrário, que meu amor simplesmente não poderia estar naquele lugar, naquele momento, voltei alguns lances de escada até o andar onde o tinha visto (ou achava que tinha visto) para investigar. Já de longe tive a certeza: era ele!


Meu coração disparou na hora. A felicidade tomou conta de mim no mesmo instante, mas logo o sentimento de culpa foi mais forte, me dominou e as perguntas vinham às enxurradas:


- ...como pude não o ter visto antes?! Quantas e quantas vezes eu devo ter passado por ele sem tê-lo reconhecido?! Será que o amor não é mais o mesmo?! Será que eu não sou mais a mesma?!


Por mais que eu tentasse trabalhar, aquela imagem não saía da minha cabeça. Eu tinha que resolver aquela história. Procurei por quem poderia me ajudar naquele momento: as meinas da copa!


- Oi! Com licença! Deixa eu fazer uma pergunta pra vocês.


- Pois não, está faltando alguma coisa lá em cima?!


- Não, nada, obrigada! É que eu preciso saber de uma coisa, ante sque eu fique maluca: qual a marca de café que vocês usam aqui?!


- Brasileiro!


Fiquei trsite e feliz ao memso tempo. Já explico.


- Ah, bom. Sabem o que é?! Hoje quando estava subindo as escadas vi uma caixinha de café Melitta toda dobrada servindo de calço de uma porta e fiquei me perguntando como é que ela veio parar aqui!


- É que antes eles compravam café Melitta... nessa época era uma bênção, moça, ninguém reclamava do café. Até ligavam para elogiar, imagina só! Agora, a senhora não faz ideia de quanto café sobra nas garrafas pra jogar fora!


Taí! Não estava ficando doida, não! Eu vi mesmo uma caixinha de café Melitta. Mas como disse, se fiquei triste por saber que o café usado não era mais meu amorzinho, por outro fiquei feliz... isso porque maldigo o café todos os dias... seria o fim da picada saber que se tratava de um Melitta legítimo... por alguns instantes achei que o amor tinha cabado... ou pior: meu bom padalar para cafés!!


No fim ficou tudo esclarecido... mas digam, digam: é perseguição, não é?!