segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Organizando um casamento em 5 atos



1° Ato - O sonho


- Quantos?!

- 600. E você?!

- 850!

- Então serão 1450 convidados. Uau, teremos de alugar o Maracanã para a festa. Será que a Basílica de Aparecida está disponível?



2° Ato - O pesadelo


- Deixa ver se eu entendi: você está me dizendo que cada um dos nossos convidados custará R$ 120?!

- Na verdade custaria R$ 125, mas pelo tamanho da lista de vocês, eu conversei com meu gerente que me autorizou esse super abatimento!

- Tá, deixa ver se eu entendi: você está me dizendo que a refeição de cada um dos nossos convidados nos custará R$ 120 por cabeça????

- Veja bem, esse é o Buffet mais requintado, disputado e glamouroso da cidade. Esse valor está sendo uma pechincha!

- Éééé, deixa ver se eu entendi: alimentar nossos convidados custará R$ 174mil???

- Alimentá-los sim, mas não se esqueçam da taxinha de aluguel do espaço mais a decoração... que ficam em torno de R$ 50mil...

- (...)

- Senhor... senhora...



3° Ato - A estratégia


- Não é possível que tenhamos 1450 pessoas íntimas para testemunhar nossa união.

- De quem foi a ideia estúpida de festejarmos naquele Buffet?

- Sua!

- Ah, é! Mas eu não tinha ideia de que custava tão caro...

- Amor, você viu essa Buffet no programa do Amaury Jr!

- Que, inclusive, deve ter cobrado para aparecer na festa! Que loucura! Esquece aquele lugar.

- Já esqueci, mas, sejamos francos: temos 1450 amigos e familiares?

- Hummm... não, né?! Vamos refazer nossas listas?

- Sim, mas vamos adotar alguns critérios: apenas amigos que conhecemos há pelo menos 5 anos, porque é o tempo que namoramos; apenas seus familiares que me conhecem e meus familiares que te conhecem e colegas de trabalho que frequentam nossa casa.



4° Ato - O resultado


- Quantos?

- Quatro: minha mãe, a tia Cotinha, a Fer e o seu Jarbas.

- Seu Jarbas?! Quem é esse?

- É o motorista da empresa que vem me trazer em casa de vez em quando. Segundo nossos critérios, do trabalho, só ele 'frequenta' nossa casa. E você?

- Três: minha mãe, meu pai e o Cabeça.

- Uau, ficou bem curta agora, né?!

- Não gostei.

- Nem eu.



5° Ato - A solução


- Então é isso: nosso casamento será no Buffet Master Blaster para 1450 pessoas! Que máximo!

- É, é sim... só não tenho certeza se todo esse povo vai aparecer.

- Por quê?!

- Ah, sei lá, amor... não é meio estranho cobrar ingresso pra participarem da nossa festa de casamento?

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Batatando


- Batatinha quando nasce, se esparrama pelo chão...
- Se esparrama ou espalha a rama?

Tanto faz! Afinal, importante mesmo é que a batata está presente em nossas vidas das mais variadas formas: de musiquinha à refeição, de apelido à interjeição.

Assim, de pronto, não consigo imaginar um ingrediente mais versátil do que a batata. Seja da maneira mais simples ou da mais elaborada, acompanhando um ovinho frito ou um belo bacalhau, lá está ela.

Batata qualquer um, por mais juca que seja, consegue preparar. Quem não é capaz de fazer um purê?! Cozinha a bichinha, amassa, acrescenta sal e azeite/manteiga e tã-nam: uma comidinha rapidinha para matar aquela fome que pintou num dia de despensa desprevenida.

A partir daí, o céu é o limite! As possibilidades são infinitas: frita, dourada, assada, flambada, cozida, marinada. Há também opções mais violentas: aos murros, às pancadas, aos tapas aos beliscões. Sempre ao gosto (ou ao talento) de quem come (e/ou prepara).

Isso tudo pensando nela purinha. Quando se torna parte de uma receita, ninguém a segura! Minha versão favorita?! Nhoque de batata -digno de ser prato único, prato principal, estrela de qualquer almoço ou jantar. Mas também é ela que, em meio a um prato esquisitíssimo, salva a refeição de um pobre desavisado. Não tem certeza se o ensopadinho é de frango ou de rinoceronte?! Coma apenas a batata.

A batata é tão presente em nossas vidas que sou capaz de apostar que todos têm, tiveram ou um dia terão ao menos um amigo ou amiga com o apelido de Batata. Os (as) Batatas são pessoas bonachonas, de bem com a vida, o tipo gente finíssima - embora, quase sempre, tenham formas mais arredondadas!

Claro que se trata de uma generalização, mas acho difícil imaginar um bandido cuja alcunha seja Batata: "Preso, nessa madrugada, o temido serial killer Batata"; "O traficante Batata foi morto numa operação da polícia"; "Batata, após roubar os doces de uma criancinha, chutou a canela de uma velhinha e fugiu em desabalada carreira".

Sei lá, não combina! Deve ser porque a batata é um tuberculo bom por natureza e está fadada a ser sempre associada a comidas gostosas, pessoas bacanas e coisas legais. Não é à toa que quando se acerta alguma coisa na mosca se diz, o quê?! O quê?! O quê?! Batata!

- Que tal: "Batatinha quando nasce, espalha a rama se esparramando pelo chão..."
- Bacana, bem democrático!

Assim como a batata!

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Perdendo as estribeiras


- Calma!

- Não me manda ficar calma, você sabe que isso me deixa mais furiosa!

- Então larga essa faca... vamos conversar...

- Olha pra mim - sacudindo histericamente a mão que empunhava a faca - tô com cara de quem quer conversar?

- Certo, então não vamos conversar... vamos ficar em silêncio, mas, por favor, me dá essa faca!

- Ah, você quer a faca?! Quer?! Vem aqui pegar se você tem coragem...

- Olha, na verdade eu sou bem covarde e por isso não vou até aí tirar a faca da sua mão... o que você acha de colocá-la no chão, bem lentamente, e chutá-la na minha direção?

- É pra rir?! Você tá contando uma piada?! É pra ter graça?! Eu tô rindo?! Tô?!

- Calma, pelamordeDeus!

- Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaah, eu já mandei não me mandar ficar calma!

- Desculpa! Desculpa! Desculpa! Vamos negociar... o que você quer que eu faça?! Seja lá o que for, eu faço!

- Fecha a boca e me deixa fazer o que tenho de fazer...

- Não posso! Você sabe que eu não posso! - disse, enquanto as primeiras lágrimas começavam a rolar no canto dos olhos.

- Eu preciso...

- Não precisa... você é mais forte do que isso. Já passou por coisas piores... seja forte... por favor!

- Até quando vou ter que aguentar?! Até quando? Eu não suporto mais...

- Suporta sim! Você sabe que, assim como tudo na vida, essa fase vai passar!!!

- Vai passar?! Vai passar?! Como é que você tem coragem de me falar isso? Você nunca passou por isso...

- Meu amor... eu estou do seu lado... você sabe que pode contar comigo, sempre! Fazer isso só vai piorar as coisas...

- Não vai piorar, vai pôr fim a essa angústia...

- Mas você lutou tanto... vai deixar tudo terminar assim?

- Vou! Estou decidida...

- Você tem certeza?

- Nunca estive tão certa!

- Não há nada que eu possa fazer?

- Nada!

- Então eu vou junto! Corta uma fatia desse bolo de chocolate pra mim também... e das grandes!

- TPM na dieta? Quem aguenta isso?

- Não fale, amorzinho, apenas coma!

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Top 5: declarações infelizes durante uma refeição


1° se encontrar, devolva! - o almoço acaba de ser servido. Parece sucolento. Parece que tem tudo o que você gosta. Você, de mãos dadas com a gula, coloca muito de tudo no prato. Coisa digna de pedreiro. Lá pela quinta ou sexta garfada, porém, a prendada anfitriã chama atenção de todos: 'Gente do céu, comam com cuidado. Perdi meu brinco, com tarraxa e tudo, na comida!' e não para por aí: 'Pior, não faço ideia de em qual prato perdi... então, muita atenção, quem achar, guarda, eu quero de volta! Trata-se de uma bijou caríssima!!'. O apetite foi embora?

2º só um pouquinho - domingão. Churrasco na casa de sei lá quem - na verdade não interessa porque você é um carnívoro assumido e topa qualquer convite pra um churras, certo?! Você chega na casa e percebe que asseio não é exatamente um hábito na família. No entanto, ignora, afinal, a carne fica assando na braaaaasa. Chegando à churrasqueira, porém, você nota que há apenas meia dúzia de magros espetinhos esturricando sobre a grelha. Entendendo que não é com carne que irá prencher seu estômago 'XL', faz um bom prato com a única outra coisa servida: salada de batatas com maionese. Quando já está quase no ponto de forrar o buraco do dente com a lasquinha de boi assado, uma voz alerta: 'Gentê, ó, não come muito dessa maionese que tá fora da geladeira desde ontem e não sei se está boa ainda... por via das dúvidas, comam só um pouqinho'. Está sentindo um helicóptero na barriga?

3º culpa do governo - almoço em família, com direito a noras, genros, cunhados, sobrinhos, cachorro, gato, galinha. Lá pelas tantas, já utilizadas todas as conversas para boi dormir - a saber, conversas sobre o tempo, a posse a Dilma, o cabelo da mulher do Michel Temer, o último capítulo da novela Ronaldinho Gaúcho - alguém tem a brilhante ideia de falar sobre coisas mais profundas. Eis que: 'E essa chuvarada, heim?! Viram as enchentes? O tanto de bueiro entupido? Esgoto a céu aberto correndo na porta das casas?! E os ratos? Cada um que parece mais uma capivara. E lama pra todo lado. Aquela água podre rolando por tudo... e tem gente que anda naquilo, viu?! Tanta sujeira... tudo culpa do governo'. A mousse de chocolate ficou indigesta?

4º engorda, viu? - depois de um inverno de dietas e academia, você está se sentindo um arraso depois de perder 2kg e 275g. Coloca aquele jeans que ainda fecha com dificuldade - mas porque encolheu, claro - e vai para o almoço na casa da sogritcha. A autoestima, acredita você, está inabalável. Você se sente linda e poderosa. Chegando lá, percebe que a única coisa verde no almoço é a toalha da mesa. Para não dizerem que você só emagreceu porque virou anorexa, faz um pratinho com um pouquinho de tudo, mesmo assim, a preciosa senhora não perdoa: 'Lindinha, vai comer tudo isso? Se continuar comendo assim, não vai emagrecer nunca. Aliás, você deu uma engordadinha desde a última vez, não?'. Ódio engorda?

5º gatinho traquina - sim, os gatos são as criaturas mais lindas, fofas e adoráveis da face da Terra. Todavia, gato e cozinha são mais opostos do que gato e cachorro. Ou pelo menos deveriam ser. Você adooooora gatos - tanto quanto eu - mas ao chegar para um almoço na casa da mãe da tia da vizinha do primo de um amigo, percebe que há mais gatos na casa do que estrelas no céu - no céu de uma cidade do interior. Brinca com um e com outro, mas fica torcendo para que a cozinha seja território proibido para tão peludas criaturinhas. Já à mesa, de prato feito diante do garfo, a gentil cuidadora dos bichanos solta: 'Ô, benzinho, dá aqui seu prato que o Félix dormiu a manhã toda nele. Vou passar sua comidinha pra outro pratinho, tá?'. Sentiu que vai passar dessa para melhor em breve?


segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Ano Novo!


- Credo! Que geladeira vazia! Vamos ao super?
- Ah, amorzinho... pode deixar que eu vou... fica aí assistindo a sua TV.
- Que novidade é essa?
- Resolução de ano novo.
- O quê?! Resolveu que vai me pregar uma peça nova todos os dias?
- Tá vendo como você é chato?! Vê má intenção em tudo...
- Aaaaah, não fica brava, é que você sempre diz que nosso casamento é na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, na alegria e na chatice, até que a morte nos separe... Daí quando finalmente me ofereço para compartilhar a chatice você abre mão da minha preciosa companhia!
- Taí, me pegou de surpresa! É resolução de ano novo?
- Hummm... é... mais ou menos... pode se dizer que... OOOWWW... não muda de assunto! Eu que perguntei isso primeiro. Se a resolução não é me pregar uma peça por dia o que é essa novidade então?!
- Então... é que eu resolvi começar uma dieta saudável.
- E o que eu tenho a ver com isso?
- Tudo!
- Desenvolva...
- Veja bem...
- Xiiii... conversa que começa com 'veja bem' não termina bem...
- Nada disso! É que se você for ao super comigo não consigo fazer dieta.
- Oi?!
- Você se alimenta muito mal... come muita besteira... bebe muita cerveja...
- E o que isso tem a ver com a SUA dieta?
- Eu vejo você comendo e bebendo e fico com vontade.
- Amorzinho da minha vida... você acha mesmo que não me levando ao super hoje vai me impedir de comprar meus 'porcaritos'? Além disso.... nós dois sabemos que, diferentemente de mim, que leva tudo a sério, suas resoluções de ano novo não chegam a fevereiro, né?!
- Rá-rá! É por isso que eu incluí você na minha resolução...
- Hummm... que gracinha! Resolveu que eu vou me alimentar de forma saudável em 2011? Rá-rá-rá... mas se você não cumpre suas promessas e eu faço parte de uma delas... isso significa que eu também não irei cumpri-la... e por culpa sua!
- Aaaaaah... não tinha pensado nisso...
- Pois é, mas eu pensei... Vamos logo, vamos! Na volta podemos pedir uma pizza para acompanhar as cervejas...
- Ma-ma-mas... e se você resolver que em 2011 vai se alimentar de maneira mais saudável?
- Hummmm... não!
- Ah, vai... o que que custa?!
- Melhor: e se você resolver que em 2011 vai cumprir suas próprias promessas?
- E como eu vou fazer isso se eu não consigo cumprir nenhuma promessa?
- Então faz assim: vamos indo antes que o supermercado feche e na volta, comendo uma pizza, você faz uma nova lista de resoluções que não vai cumprir, o que acha?
- Sem graça! ...Hei... e qual é a sua resolução, heim?
- Não deixar faltar guloseimas e cerveja em casa...
*
Minha resolução para 2011: nada de resoluções!
Que 2011 flua como quiser - bem anarquista!
Feliz AnoNovo, que 2011 traga lindas supresas à vida de todos.


segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Último de 2010


Um domingo seguidinho do Natal. Último domingo do ano. Problemas para o almoço?

- O que teremos para o almoço?

- Pensei em aproveitar o per...

- Epa, opa, epa, ê! Nem complete a palavra!

Todos fartos de peru, pois não?! Não só, mas também pernil, farofa, arroz com passas e tudo aquilo que ficou lotando as mesas durante a ceia e o almoço de Natal.

Isso sem contar que aqueles que prepararam todas aquelas delícias, não querem nem ouvir falar de cozinha.

O que fazer, então? Fácil: ir filar o almoço na casa de alguém.

- Já sei! Arrumem-se todos, vamos almoçar na casa da vó!

A vó, no entanto, vivida que só ela, não quis nem saber de cozinha e se pirulitou para casa do filho mais velho.

O filho mais velho, lembrando que tudo sempre sobra para ele, saiu de casa antes que alguém chegasse. Foram todos almoçar na casa da irmã mais nova.

A irmã mais nova, recém casadinha, tinha tanta habilidade na cozinha que ainda nem tirara o fogão da embalagem. Tomou café numa padaria e, junto com o maridinho, foram para a casa do irmão do meio.

Irmão do meio, sabem como é: aguenta tudo de um lado e de outro. Não dessa vez. Sabendo disso, mais do que depressa, enfiou a família no carro e correram todos para a casa da mãe dela.

A mãe até ensaiou preparar um macarronada, mas o dia não estava com cara de domingo. Então decidiu que nem entraria na cozinha. Saiu, junto com o marido, para almoçar na casa da irmã.

A irmã, que era solteira, não tinha filhos nem gatos, sentindo-se deprimida, optou por passar as festas num retiro espiritual.

Resultado? Bateram todos com seus narizes nas portas. Acabaram, coincidentemente, encontrando-se no Mc Donalds. No mesmo Mc Donalds! E pronto... família reunida de novo, um domingo com cara de domingo... ou quase isso!

*

Espero que o Natal de todos tenha sido fantástico!

*

Esse é o último post de 2010. Não sei quanto a vocês, mas para mim foi um ano incrível, de grandes emoções (no melhor estilo montanha russa sem cinto de segurança!!!). Muito obrigada a todos que passaram, ainda que silenciosamente, por aqui ao longo desse ano. Um agradecimento especial àqueles que deixaram seus comentários aqui ou mandaram e-mails super carinhosos: vocês são demais!

Sei que aquilo que escrevo aqui não irá mudar o mundo. São apenas pequenas bobagens, mas o que seria da vida não fossem os momentos que paramos para reparar nessas bobagenzinhas que deixam a vida mais leve, mais simples, mais colorida?

Taí, esses são meus votos: que a vida de todos, não apenas em 2011, seja leve, simples e colorida!

Nos vemos em 2011!

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Ideias de verão


- Buff...

- Que foi?

- Esse calor!

- Que que tem?!

- Tá quente demais!

- Fazer o quê?!

- Sei lá, só sei que eu tô derrentendo...

- Sorvetinho agora, heim?!

- Pensei numa cervejinha trincando...

- Humm... boa! Um sorvete de cerveja!

- E existe?

- Não, mas deveria!

- Por que ninguém pensou nisso?

- Como assim ninguém?! Eu acabei de pensar!

- Eeeeeeeeeeeee...

- E que eu não tenho fábrica de sorvete, nem de cerveja!

- Ow... então liga pra uma das duas e dá essa ideia!

- Boa!

(algum tempo e ligações depois)

- E aí?!

- Ah, anotaram minha sugestão...

- Eeeeeeeeeeeee...

- E agora é só esperar!

- Quanto tempo?!

- Sei lá, cara!

- Aaaaah... tô precisando pra agora!

- Pra agora, agora, agora... a gente pode descer lá na padoca e misturar uma cerveja no sorvete...

- Afff... qualquer coisa que faça esse calor passar!

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Por uma vida de migalhas

- As coisas estão muito mudadas! – disse balançando a pequena cabeça inconformadamente.

- Sim! Sim! Dá só uma olhada nisso – fazendo um gesto amplo, tentando mostrar quão diversa era a paisagem atual.

- Não é querendo ser saudosista, mas a vida antigamente não era assim, não.

- Meu pai conta que na época dele de jovenzinho, ele vivia de barriguinha cheia... e com comida de primeira, viu?! Migalhas de boa origem!

- Então, rapaz, é disso que eu estou falando! Antigamente, o pessoal trazia migalhas especialmente para nos oferecer. Havia fartura! Hoje em dia é só o que cai da mão de alguém eolha lá!

- Pois é! O que aconteceu com os aposentados generosos?! Aliás, eles mal aparecem nas praças!

- É a violência! Sentar em banco de praça se tornou atividade de risco.

- Sim, sim! E os poucos que aparecem oferecem cada coisa. Quem foi que disse que a gente gosta de salgadinho moído?! Aquilo é pura gordura trans, amigo. Sinto minhas artérias entupirem na hora.

- Não se oferta mais migalhas de pão?

- E pior, quando uma mão generosa resolve lançar as migalhas ao chão, temos que sair na asa com os outros pra conseguir dar umas bicadinhas.

- É muito bico pra pouca migalha, meu velho!

- Pior, quando cai todo mundo em cima das migalhas, ainda vem um doido espantando a rapaziada dizendo que a gente é tudo sujo que transmite doenças. E eles são muito limpos, por acaso?! A gente é que deveria ter nojo de comer as migalhas do chão por onde passam tantos sapatos sujos!

- É verdade. Mas você está pensando em fazer o quê?!

- Olha, estou querendo largar isso, rapaz! Estou querendo me mudar para o interior. Essa vida de pombo urbano já me cansou.

- Ah, sei lá, viu?! Cidade do interior tem pouco pombo, mas tem muito pardal, sabiá, tico-tico, não sei se tenho paciência para todos esses sotaques esquisitos.

- Que nada! Você se acostuma, sem contar que lá, além de ainda haver praças com fartura de aposentados com o velho hábito de levar sacos de migalhas pra distribuir, ainda tem as frutas nas árvores para sobremesa! Lá ainda se leva vida de rei!

- Ainda assim...

- Que que é isso, cara?! Pensa no saborzinho das migalhas de pão caseiro, nas de biscoito de polvilho e nas frutinhas... pensa nas frutinhas frescas!

- Tem jabuticaba?

- Opa! Tem um primo meu morando num pé de jabuticaba.

- Cara, adoro jabuticaba! Estou convencido, vou com você.

- Maravilha! Tem um ônibus saindo daqui 20 minutos da Rodoviária do Tietê.

- Pensei que a gente ia voando...

- E desde quando pombo urbano voa para longe?!

- Ah, é! Isso é coisa do tempo do meu avô.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Top 5 - Eê... mandingas na cozinha

1ª ovo – desde criancinha ouço dizer que para que não chova é preciso jogar claras de ovo em cima do telhado. Confesso que nunca tentei, mas muitas noivas por aí devem ter feito essa mandinguinha simples que não requer prática, tampouco habilidade. Dia desses aprendi uma ‘simpatia’ nova, que utiliza o mesmo princípio ativo e visa o mesmo resultado: para que não chova, basta colocar um ovo em cima do muro. Acho que São Pedro fica tão maravilhado com um ovo equilibrando-se sobre um muro que se esquece de mandar água de lá de cima. Só pode!

2ª sal – Caso esteja muito complicado equilibrar um ovo ou não se queira fazer uma meleca no telhado, mas, ainda assim, você queira que não chova, recentemente aprendi uma nova mandinga em prol da estiagem: basta fazer um círculo no quintal utilizando sal! Além desse fim, não é de hoje que reparo que muita gente tem o hábito de, ao sentar-se à mesa, salpicar um punhadinho de sal na mão direita e, sobre o ombro esquerdo, lançar o tal punhadinho para trás. Pra quê? Dizem que é para afastar a inveja. Se afasta não sei, mas, no mínimo, ela fica mais temperadinha!

3ª pimenta – e por falar em inveja, caso o sal não tenha resolvido, o jeito é apelar para algo, literalmente, mais forte. Tenho pra mim que a pimenta nasceu para mandinga e acabou sendo desviada para tempero! Inclusive tem gente que leva isso muita sério: uma amiga contou que, certa vez, usando o molho de pimenta que tinha na geladeira, ela reparou num elemento estranho dentro do frasco. Quando abriu, puxou de lá de dentro um pequeno pedaço de papel com um nome escrito nele. Eê! Espantada, chamou a empregada que, na maior naturalidade disse que era o nome de uma vizinha que andava botando olho grande na vida dela. Na falta de um frasco de pimenta na própria casa, achou que não haveria mal algum em usar a pimenta da patroa!


4ª pipoca – falando em reaproveitamento... uma outra amiga contou que numa ida ao cinema viveu uma experiência interessante. Lá pelo meio do filme, que era muito ruim, a plateia, numa manifestação coletiva, rebelou-se e começou uma guerra de pipoca. Foi chuva de pipoca pra todo lado. Ao invés de se revoltar, essa amiga encarou o lado positivo do fato: assistiu a meio filme e ainda tomou um passe! Gente otimista é outra coisa. Dizem que o efeito da pipoca é fartura, só não sei se, ao invés de jogar pelo corpo em forma de banho, a pessoa que as come obtém o mesmo resultado. Será?

5ª galinha – ao contrário das anteriores que são todas mandinguinhas leves, as que levam galinha em sua lista de ingredientes são barra pesada. Geralmente, mandinga com galinha (galinha preta!) envolve despacho e encruzilhada. Afff, coisa braba. Fico com dó das pobres galinhazinhas que, sabendo de seu invariável trágico fim, torcem pelo menos pior: ‘Tomara que eu vire ensopado e não despacho!’. Nesse caso, a panela é melhor destino do que a cumbuca de barro, né não?!

domingo, 28 de novembro de 2010

O último pedaço

- Simplesmente delicioso! - eis a ideia que domina o pensamento de todos na festa.

Isso porque, de fato, o bolo, generosamente, distribuído entre os convidados, materializava a perfeição. A combinação de sabores, as texturas, o aroma, a leveza, tudo estava em perfeito equilíbrio.

Um bolo que ninguém ali poderia esquecer. Um bolo memorável. Um bolo que fez valer a quebra da dieta. Um bolo para contar para os amigos. Um bolo para... repetir!

- Preciso de mais um pedaço! - eis a ideia imediatamente posterior à conclusão de que aquele era o bolo mais perfeito que já fora provado.

Ninguém mais conversa. Todos na festa estão absortos. Na verdade, um único pensamento está na mente de todos, uma ideia fixa: comer mais um pedaço daquela delícia.

Ao fundo, a música toca solitária. Embora a mesa do bolo esteja um pouco distante, ninguém se mexe. Ninguém caminha em sua direção. Todos estão paralisados. Se o pensamento de cada um fosse verbalizado ao mesmo tempo, em uníssino, ouvir-se-ia: 'Preciso de mais um pedaço!'.

Numa fração de segundo, porém, todos se dão conta de que o pedaço que receberam havia sido enorme, portanto, depois de servir toda aquela gente, não restaria muito mais para uma repetição. Se (se) houver algum pedaço ainda.

Num sincronismo perfeito, todos os olhares voltaram-se para a mesa do bolo. Lá estava ele, solitário, sentindo-se, até então, despresado, largado, abandonado: o último pedaço de bolo. Mal poderia imaginar que passou a ser, naquele preciso momento, o mais cobiçado de todos.

A boa educação, todavia, ainda se fazia presente e, por mais que quisessem avançar naquele inocente pedaço de bolo tal qual animais famintos e vorazes, todos permaneciam imóveis. Sabiam, no fundo, que o mínimo movimento de um desencaderiaria a imediata reação de todos os outros.

Por alguns instantes podia-se ouvir os acelerados corações, o brotar da saliva, a adrenalina. Mas era só, pois ninguém se movia. Ninguém nem ao menos se entreolhava. Havia uma única direção para todos os olhares: o último pedaço de bolo.

De repente, vinda de onde ninguém viu, a mais veloz mão de que se tem notícia, num movimento único, rápido, preciso lança uma tupperware sobre a fatia de bolo e, antes mesmo que qualquer um pudesse processar o que estava acontecendo, percebendo o olhar de todos, a senhorinha diz:

- Vou levar esse restinho pra minha cachorrinha que adora um docinho!

Ninguém acreditou. Era óbvio que aquela velha comeria, escondida de todos, o último pedaço de bolo da festa.

*

Não sei quanto a vocês, mas na minha opinião, o último pedaço é sempre o mais gostoso de todos!


domingo, 21 de novembro de 2010

O primeiro pedaço


Convenhamos, o primeiro pedaço de qualquer coisa que seja dividida entre várias pessoas gera uma certa ansiedade tanto naqueles que esperam recebê-lo, quanto àqueles que irão ofertá-lo, ou vocês nunca botaram reparo nisso antes?!

Vejam bem, num aniverário, por exemplo, depois dos calorosos 'ra-tim-buns' e do sopro para apagar a vela, é chegada a hora de cortar o bolo. Logo após os 'flash-flash-flashs', cabe ao aniversariante ofertar o primeiro pedaço de bolo. Eis a dúvida: quem é a pessoa mais especial dentre os convidados?!

Se há apenas uma criança, fica mais fácil: 'O primeiro pedaço vai pro menininho porque ele é criança!'. Mas e se existe uma pequena tropinha de olhos grandes a almejar o primeiro pedaço?!

Da mesma forma, se a vó está na festa, a desculpa é ótima também: 'O primeiro pedaço vai pra vó... em respeito aos mais idosos!'. Mas e se o vô está na desta também?! Mais complicado ainda, as duas vós e os dois vôs! Sorteio?!

Se escolher o namorado (a), marido (esposa), o pai e/ou a mãe vai (vão) ficar com ciúme. Se é a mãe a aniversariante, sorte terá se for mãe de filho único, do contrário, um episódio desses pode ressuscitar velhas mágoas sobre pedrileções e tal e tal. Se der para o filho, periga da nora já começar a praguejar. Se der para a nora, periga do restante da festa achar a aniversariante faaaaalsa. Pura maldade, né não?!

O fato da festa não ser comemorada em família não torna a oferta do primeiro pedaço mais fácil. Dentre amigos, como escolher o mais especial. Aquele que é o mais digno de tamanha honraria?!

E no trabalho, então?! Se você é o subordinado, ficará na dúvida cruel se entrega o primeiro pedoço ao chefe e passa por puxa-saco ou não dá o primeiro pedaço a ele e fica sem critério algum para escolher dentre os colegas. Se for o chefe, corre-se o risco de provocar uma ciumeira geral, quiçá uma greve! Vai arriscar?!

Boa solução encontrou uma amiga minha que, diante do marido, dos filhos, genros, noras, netos e amigos escolheu a pessoa mais importante da sua vida para entregar o primeiro pedaço de seu bolo de aniversário: ela mesma!

- Se eu não me amar primeiro, como as outras pessoas irão me amar?!

Sábia decisão!

domingo, 14 de novembro de 2010

À moda do chef (sempre!)


Recentemente assisti ao filme Sem Reserva. A história é meio bobinha, mas tem uma cena ótima. Catherine Zeta-Jones, a personagem principal, é uma conceituada e geniosa chef, Kate e acontece uma porção de coisas (uau, que boa sinopse, heim?! deviam me contratar!!! kkkk).

Na verdade, o que interessa é a tal ótima cena quando, depois de receber duas queixas de um cliente que insistia em dizer que o filé (sangrento) não estava mal-passado, ela, após enviar filés cada vez mais sanguinolentos, com a fúria nos olhos, adentra o salão com um filé completamente cru espetado num garfão e o finca na mesa do tal cliente enquanto ironicamente pergunta: 'Está bom agora?'. Yeeees!

Esse tipo de situação, clientes dando pitaco na receita do chef, deve acontecer com frequência e também com frequência a maioria deles deve se irritar deveras com o 'desaforo'. O cliente, provavelmente, pagando caro, sente-se no direito de querer a comida ao seu gosto. Por outro lado, o chef que, naturalmente, não chegou ao posto gratuitamente, sente-se no dever de seguir sua receita.

Nada de anormal quando estamos falando de grandes restaurantes e de grandes chefs, pois não?! Pois é. Estranho mesmo foi o que aconteceu com um amigo de de uma amiga minha. Vejam que curioso:

Certo dia, o amigo, ainda adolescente, por questões orçamentárias, decidiu almoçar no Habib's. Diante de tão sucolentas opções, escolheu esfirras de carne. Pediu. Pouco temo depois, lá estavam elas, prontas para serem degustadas. À primeira mordida, porém, o amigo notou que o recheio estava demasiado rubro: 'Essa essa p**** tá crua' pensou consigo mesmo.

Decidiu queixar-se com a chef - no caso, a atendente no balcão. Ela, entretanto, diante de tão indignada reclamação enfureceu-se, arrancou a esfirra mordida da mão do amigo, lançou-a no forno e deixou a bichinha a um segundo de ficar completamente carbonizada. Então, pegou a tal esfirra - repito... mordida - e, com a mesma fúria nos olhos usada por senhora Zeta-Jones, voltou ao balcão, enfiou a esfirra - enfatizo... mordida - no nariz do amigo e perguntou 'Está boa agora?'.

Notaram a semelhança?
Resumindo: a tal moçoila sentiu-se a própria chef 3 estrelas com direito a ficar ofendidíssima pelo fato do cliente não estar satisfeito com a esfirra à moda carne crua! Depois disso, traumatizado e humilhado, ele, o amigo da minha amiga, nunca mais reclamou de naaaaaada. Se a salada vier com um bigatinho, ele afasta o bichinho pro lado e continua comendo... vai saber se não faz parte da receita do chef!!

À que conclusão se pode chegar?! Chef é chef, ainda que apenas pensem que sejam, logo, a comida sai sempre à sua moda... sempre, sempre mesmo... ou quase isso.

domingo, 7 de novembro de 2010

Cuidado com essa bolacha: ela pode viciar!



Veem esse inocente pacotinho aí da foto?! Trata-se da melhor bolacha que existe: Piraquê de leite maltado.
Há algumas peculiaridades que a tornam espacial. A primeira delas é uma certa dificuldade para encontrá-la. Geralmente, o pacote amarelo fica escondidinho entre as 58968748950945634736 opções de bolacha nos supermercados, quase engolido pelas grandes marcas como Nestlé e Tostines (que na verdade, com perdão do trocadilho, ambas as marcas são farinha do mesmo saco). Além disso, essa bolachinha não é o 'modelo' mais conhecido da marca ( a Piraquê cream cracker com gergelim é mais comum), então, quando se encontra, é melhor garantir uns 2 ou 3 pacotes de uma vez!
Já de posse do pacote (que, aliás, diga-se de passagem é uma graça com aquelas vaquinhas circundando-o, heim?! Foge um pouco do padrão de outras embalagens), ao abri-lo, sobe um aroma delicioso de baunilha, mas numa fragância diferente, que instiga o paladar.
À primeira mordida já é possível perceber que se trata de algo diferente. Uma crocância-macia (!), algo que derrete na boca, mas ao mesmo tempo faz croc-croc. Sensação curiosa.
Numa descrição muito sofisticada, poder-se-ia dizer que seu final revela um adocicado aveludado, embora sutilmente ácido. Numa descrição mais ojetiva, eu diria que depois de mastigar e engolir, você vai querer colocar, imediatamente, mais uma bolacha na boca, uma a uma, até ver o pacote vazio.
Acompanha muito bem aquele café quentinho, mas, também vai muito bem pura, assim, pra matar aquela fominha besta entre refeições. Querendo abusar da gostosura, recomendo fazer um sanduichinho colocando doce de leite no meio. Noooooooossa, um verdadeiro acinte!
A única contra-indicação ao produto é o vício que ele pode causar. Sim, depois de provar, 9 entre 10 amigos para quem ofereci, estão completamente viciados nessa bolachinha! Mas, querem saber?! Vale a pena: é uma delícia!!!!!

domingo, 31 de outubro de 2010

Preguiça



- O que você está pensando para o almoço?

- Na verdade ainda não estou pensando porque ainda nem acordei direito.

- É que eu sonhei que estava comendo uma lazanha incrível, daquelas com 20 camadas, com queijo borbulhando, molho escorrendo... uma indecência!

- Hummm... parece que seu sonho foi bem quente essa noite, heim?!

- Nossa, nem me fale, acho até que engordei uns 2 quilos. Foi realmente um sonho sucolento. Acordei com vontade.

- Acho uma boa pedida para o almoço!

- Maravilha! Quando estiver pronta me avise.

- Pronta para irmos ao super comprar os ingredientes?

- Não! Quando minha lazanha estiver pronta me avise!!

- Hummm, que bonitinho! E já que você tocou no assunto e fez tanta questão de enfatizar que se trata da suuuuuua lazanha... que tal você mesmo colocar a mão na massa? Adoooooooooooooro sua comida!

- Seria um prazer, mas a lazanha do meu sonho tinha sido preparada por você, então...

- Então era um sonho mesmo!

- Ah, vai... não seja ranzinza... você adora cozinhar...

- Adoro cozinhar ao lado de um ajudante tipo... você!

- Ai, mas lazanha dá tanto trabalho... são tantas etapas, tantos ingredinetes, tanta louça suja...

- Você tem razão! Você tem toda razão: realmente lazanha é um prato muito trabalhoso... esquece a lazanha. Vamos almoçar miojo, que suja só uma panela!!

- Ah, mas e meu sonho?!

- Vira para o lado, dorme de novo e sonha de novo.

- Ou...

- Ou o quê?!

- Tomamos café, nos arrumamos e vamos almoçar na minha mãe!

- Aiiiii, ótima ideia. Isso sim é um sonho, amor! Fechado.

- Vou ligar avisando que vamos almoçar lá... Mããããe, sonhei com a sua lazanha essa noite...

- Hey, a lazanha não era minha?!

- xiiiiiiiiu, tá a fim de cozinhar?! ...ééééé mãe, aquela sua maravilhooooosa...

*

Domingo dá uma preguiiiiiiiça na gente, né?!

domingo, 24 de outubro de 2010

Sonho



Sonho é fonte inesgotável de histórias. Estou, evidentemente, referindo-me às manifestações psíquicas do subconsciente e não ao pãozinho doce com creme dentro (...embora fosse mais óbvio falar do segundo tipo aqui no blog, não?!).

Ainda que haja aqueles que digam que têm uma mandinguinha infalível para sonhar com aquilo que deseja, o mais provável é que, quando se fecham os olhos e embarca-se no mundo de Morfeu, o subconsciente assume o comando e vê-se livre para manifestar os mais inacreditáveis roteiros.

Qual o motivo desse preâmbulo todo?! Falar de um tipo específico de sonho: os sonhos com comida! Atire o primeiro travesseiro aquele que nunca sonhou que estava se refestelando num banquete de guloseimas.

Curioso é que não costuma ser padrão a ligação do subconsciente com a memória do paladar. Às vezes, mesmo devorando um lindo e apetitoso bolo, o sonhador não sente gosto de absolutamente nada: isopor total! Por outro lado, o sonhador pode estar comendo algo que, digamos, não costuma fazer parte do seu cardápio, mas ali, naquele momento, a iguaria é a mais deliciosa que pode existir. Pode-se, ainda, sonhar com algum prato delicioso e o sonhador acordar salivando de vontade de comer o mesmo na vida real. Ou, pior, sonhar que está comendo uma coisa que detesta, com direito a sentir sabor ruim e acordar sentindo enjoos. Argh! Já tive desse último tipo com feijão... um pesadelo!

O bom de tudo é que, quando se sonha que está comendo uma montanha de brigadeiro, por exemplo, o sonhador acorda sem estar pesando um graminha a mais se quer. Um sonho, mesmo, não?!!

Quanto aos significados, só Freud para chegar a uma conclusão. Os dicionários de sonho tentam, mas não creio que sejam capazes de explicar toooodos os sonhos, afinal, sonhar com feijão pode ter um significado pra mim (que detesto) diferente do que pode ter para outro alguém (que adora). Independentemente das explicações acadêmicas ou místicas, é sempre interessante tentar descobrir o motivo daquele prato, iguaria, guloseima... aparecer no sonho.

Hoje, após minha sonequinha dominical depois do almoço, lembrei que sonhei com uma mesa coberta com os mais variados tipos de pão... inclusive tinha uma espécie de rocambole, mas com massa de pão, recheado com doce de leite... hummm... esse me deu água na boca! Por que eu não devorei ele todo??! O dicionário de sonhos diz que pão é sinal de fartura. Oba! Mas acho mais provável que tenha sido uma bronquinha do meu subconsciente já que faz tempo que não faço pão caseiro. Aquele recheado meu deu uma boa ideia.

Taí, uma boa função para os sonhos e estimular o sonhador a transformar os bons sonhos em realidade. Começar pela cozinha é mais fácil, mas, para um bom sonhador, nem a realidade é um limite!

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Como nasceu a omelete



Era uma vez, num tempo que só existiam os suflês, uma prestimosa rainha dona de palácio fazia questão de cuidar pessoalmente do preparo de todas as refeições de sua família.


Todos os dias, separava e preparava com todo zelo e amor cada um dos 25 pratos que forravam a imensa mesa da imensa sala de refeições do imenso palácio. Fazia isso com prazer, afinal, era o que seu marido, seus 4 filhos, as damas de companhia, os ministros, os conselheiros, o mago-feiticeiro e os 2 bobos da corte comeriam.


A iguaria que mais gostava de preparar era suflê. Mesmo naqueles longínquos tempos quando a batedeira elétrica ainda não havia sido inventada (nem mesmo a energia elétrica, diga-se de passagem). Ela passava horas fazendo claras em neve com seu fuet real (corpo de ouro e cabo cravejado de pedras preciosas... um luxo!). Tinha o braço direito de um lutador de vale tudo.


Quando colocava o suflê para assar, num forno à lenha desenvolvido pelo mais famoso engenheiro de fornos à lenha de todo o reino, ninguém podia se aproximar, afinal, não é de hoje que os suflês são criaturinhas sensíveis capazes de desmilinguir com um simples olhar. Naquele dia, porém...


Lá estava ela, à beira de uma cãimbra, depois de bater 20 claras em neve, quando o rei entre na cozinha, com a cara real mais deslavada do reino, dizendo que trouxe uns amigos reais para o jantar. Ela, que estava na TPM (sim, esse demônio existe desde os mais remotos tempos), ficou enfurecida, afinal, não havia se preparado para receber visitas, não sabia se haveria comida para todos.


Às pressas, resolveu fazer mais uns 4 ou 5 suflês. Mas, assim, na correria, lógico que não ficariam bons, pois não?! Ela, no entanto, acreditava que sim. Mandou as mucamas trazer mais 40 ovos, nem que tivessem que tirá-los de dentro das galinhas. Separando os demais ingredientes, teve uma ideia genial.


Já de posse dos 40 ovos, decidiu radicalizar: não separou as claras das gemas, colocou todos os ingredientes junto, bateu tudo vigorosamente, jogou numa forma e colocou no forno. Alguns minutos depois, sua esperança de que aquilo, magicamente, tivesse virado um fofo suflê, foi-se embora. Ao abrir o forno, percebeu que tinha diante de seus olhos uma coisa murcha e amarelada. Quase chorou, mas sabia que, como rainha, não podia esmorecer, além disso, não havia tempo para refazer tudo. Mandou servir aquilo mesmo.


Qual não foi sua surpresa ao perceber que todos amaram aquele novo prato! Foi, inclusive, o primeiro a acabar. No final, todos queriam saber o que era aquela coisa maravilhosa, então, ela, em meio à pressão, inventou um nome qualquer: ‘ovo em leite’ que, pela ação do uso e dos metaplasmos**, acabou virando ‘omelete’.


E foi assim que nasceu a omelete, fruto de um suflê que não deu certo.



* puuuuura ficção, tirada da minha mente insana, não acreditem em nada disso, certo?!


**rá-rá, só sabe o que são metaplasmos quem estudou Filologia Românica!!


domingo, 10 de outubro de 2010

Dia das Crianças


Dia desses algumas amigas conversavam e ouviram espantadas quando uma delas disse que seu sobrinho de apenas 1 ano e meio bebia animadamente um copo de Schweppes e fez cara feia quando lhe deram água.

Eu fui uma das que ficaram espantadas. Mas, depois, pensando no assunto, vamos combinar uma coisa: refrigerante sempre foi mais gostoso do que água, pois não?! A questão nem é o que é mais saudável, mas sim aquilo que é mais gostoso, saboroso, divertido... tudo que criança gosta!!


Lembro que quando era criança, refrigerante só entrava na minha casa uma vez por semana, apenas aos domingos. Era dia especial, de família reunida, de comida caprichada e ela, a garrafa de refrigerante, no meio da mesa.


Era tão saboroso. Não sei se porque sabia que só o tomaria refri de novo na semana seguinte, porque não havia preocupação alguma com excesso de açúcar, ou simplesmente porque era gostoso mesmo. Fato é que tomar aquele copão de refrigerante depois do almoço era o maior estímulo para limpar o prato, afinal, como toda mãe, a minha também era adepta da chantagem ‘se-não-comer-tudo-não-tem-refrigerante’. Funcionava!


E hoje? Outros tempos. Há centenas de opções de marcas, sabores, tamanhos e preços de refrigerante. Acessível a qualquer pessoa que tenha pelo menos R$ 1 no bolso. Dependendo da escolha, é mais barata uma garrafa de refrigerante do que uma de água! Além disso, e, em consequência disso, há também a preocupação com o excesso de açúcar, de sódio, de corante... e com basicamente tudo que compõe o refrigerante.


Parece que de uma hora pra outra tudo que era bom virou veneno!! Claro que são outros tempos... mais sedentários, tempos de menos atividades físicas e maiores confortos, mas fico sempre chocada quando percebo que hoje existe um controle tão grande em torno da alimentação que tudo aquilo que não é integral ou light ou saudável é, necessariamente, um veneno que deve ser mantido longe do alcance das crianças.


Pobres crianças essas do século XXI! Será que nunca vão comer açúcar no pote (!) ou tomar leite condensado por um furinho na lata sem que os pais passem por criminosos?!


Nãããoooo, não, não... não estou aqui incentivando maus hábitos alimentares, longe disso, sou uma entusiasta e praticante convicta da alimentação saudável, mas estou tentando chamar atenção para o equilíbrio... incluindo, inclusive, alimentos não tão saudáveis assim nos cardápios. Do contrário, chegará o tempo que as crianças vão passar sua infância sem saber o que é batata frita, suspiro, pão branco e... refrigerante!


Com papai e mamãe por perto, controlando as quantidades e ensinando o que é bom, no final, acaba dando tudo certo!! Estou eu aqui para provar, afinal, fui uma dessas que preferia refrigerante à água, batata frita à cozida, salgadinho à comida, brigadeiro às frutas, mas esse tempo passou e eu sobrevivi. Mais importante do que proibir as bobagens é os pais estarem sempre por perto para controlar os excessos e equilibrar com o que é saudável. Ensinar o equilíbrio evita que os extremos venham à tona.


Feliz dia das crianças... com direito a bala, refrigerante e salgadinho... só hoje, vai!!

domingo, 3 de outubro de 2010

Uma lição que deve ser aprendida


- O que você está comendo?

- Chocolate!

- Hummm... me dá um pedaço?!

- Não.

- O que?!

- Nããããããão.

- Por quê?!

- Eu é que pergunto 'por quê?'

- Por que o quê?

- Por que você está me pedindo um pedaço do meu chocolate?

- Porque eu fiquei com vontade, oras!

- Então vai comprar um pra você!

- Ah! Mas eu não quero um inteiro, eu quero só um pedacinho...

- Então compra um inteiro, tira seu 'pedacinho' e me dá o resto!

- Deixa de ser egoísta e me dá uma lasca desse chocolate...

- Escuta aqui... você me ouviu oferecer meu chocolate?

- Não, por isso eu pedi.

- Vê se aprende de uma vez por todas: não se ofecere chocolate. Se, por um grande acaso da diplomacia, algum dia, uma pessoa, por mero protocolo, oferecer seu chocolate, seja mais diplomático ainda e não aceite! Simplesmente porque o oferecimento não foi de coração, entende?! Mais: se você vir alguém comendo chocolate, se toca e não peça! Chocolate não se divide.

- Você sabe que eu não me conformo com essa sua visão egoísta, né?! Cadê seu espírito cristão?

- Ah, não! Não coloca Cristo nessa história. Mas já que você tocou no assunto, por um acaso, a Bíblia diz que Cristo dividiu chocolate com os doooooze Apóstolos?! Nããããão! Ele dividiu pão! Pão. E sabe o porquê?! PORQUE CHOCOLATE NÃO SE DIVIDE! Até Cristo sabia disso. Embora, devo confessar que consideraria muito mais milagrosa a multiplicação do chocolate, ao invés do pão... Enfim... sabemos que não foi isso que aconteceu...

- Affff... já vai apelar?!

- Apelando está você me fazendo esse pedido estapafúrdio... e sai logo daqui, você está roubando o prazer do momento...

- Eu não acredito que você está me trocando por um chocolate!

- (...)

- Um chocolate vale mais do que minha companhia?! - com lágrimas nos olhos

- ...ai, desculpa, exagerei, né?! Vem cá, fica aqui comigo... quer um pedaço?!

- (sniiiff)... quero!

- AAAAAH, VOCÊ NÃO APRENDE NUNCA?! O QUE FOI QUE EU ACABEI DE FALAR?!


Moral da história: se alguém , por educação, oferecer seu chocolate, seja mais educado ainda e não aceite!

PS: se o dono do chocolate em questão for uma mulher na TPM, além de não aceitar, dê-lhe mais um!

domingo, 26 de setembro de 2010

Top 5 - 'Foi alguma coisa que eu comi'

1º a desculpa coringa – segunda-feira chuvosa, frio de rachar os ossos. Junte-se a isso um final de semana exaustivo de festas e diversão. Quando o despertador toca, o sono não dá a menor pinta de que vai embora tão cedo. Você luta contra Morfeu, até que um lapso de lucidez o domina e vem a mente uma ideia genial ‘Vou ligar para o chefe e dizer que não estou bem’, plano perfeito! Mas... e se ele perguntar o que você tem?! ‘Não estou me sentindo bem... acho que foi alguma coisa que eu comi’;

2º boa desculpa, mas não dura muito – de repente, uma mulher começa a ficar meio verde, sente uma tontura e corre para o banheiro... sim, o sistema digestivo resolveu fazer seu trabalho de maneira inversa. Meio constrangida, tentando se recompor, ela avisa a todos que está melhor, foi um enjoo passageiro e, para que as dúvidas/fofocas sejam mantidas bem longe, pelo menos por um tempo: ‘Foi alguma coisa que eu comi... já vai passar’. Hummm... em nove meses passa;

3º assim... do nada – no provador de uma loja de roupas, de repente a vendedora abre a cortina e pega você no flagra tentando fechar, a todo custo, o zíper daquela calça 36. Depois de ela oferecer a 40, você, com um sorriso meio amarelo diz que deu ‘uma inchadinha, assim, do nada... foi alguma coisa que eu comi’... ah tá, a gente acredita!

4º assim... um milagre – ai, ai... a inveja! Depois de malhar por meses, durante 2 horas, 5 dias por semana, você está com aquele corpinho que sempre desejou. Então, as amigas ficam todas doidas, enlouquecidas querendo saber qual a dieta que você fez, qual o cirurgião que a esculpiu e você, com seu melhor ar blasé, diz: ‘ah, você acham? Na verdade não fiz nada... deve ter sido alguma coisa que eu comi...’ Ah, tá, a gente acredita!

5º só pode ter sido você – no elevador, só você e outra pessoa, de repente, um odor desagradável. Você sabe que não foi o outro, ou seja, só pode ter sido você. O silêncio ajuda nesses momentos, mas, às vezes, dizer algo é quase uma obrigação, então, só resta: ‘desculpe-me, acho que foi alguma coisa que eu comi... ’.

domingo, 19 de setembro de 2010

Convite para o almoço na casa de estranhos?! Corra.


Ah, os riscos que um inocente convite para o almoço pode esconder! Quem nunca se viu numa tremenda roubada depois de, delicadamente, aceitar a oferta de uma refeição na casa de um 'desconhecido'?


Se o anfitrião for conhecido/ íntimo é possível, sendo o caso, ter uma noção do que o aguarda. Portanto, ainda que não se possa ter certeza absoluta de que o que o aguarda nas panelas seja de seu estrito agrado, você poderá, valendo-se da boa amizade e do bom eufemismo, dizer que ‘Poxa vida! Fica pra uma próxima’.


No entanto, quando aquele que faz o convite não pertence ao seu círculo de íntimo convívio e, mais, sua relação com o referido sujeito precisa, necessariamente, ser regida pela política-da-boa-vizinhança, daí, meu caro... lascou!


Receber um convite desses significa risco total. É como se jogar no vazio sem para-quedas, descer a serra num fusca sem freio, aceitar conhecer aquela pessoa blaster-linda da foto do Orkut, ou seja, não dá para prever o que irá acontecer. Pode ser que depois da queda livre um colchão fofo o aguarde, air-bags pulem (milagrosamente) do painel no momento da batida ou a pessoa que o espera logo ali seja, de fato, a cara do Brad Pitt/Angelina Jolie (conforme o caso), resumindo: pode ser que a refeição seja uma bela surpresa.


Certo mesmo é que não há como adivinhar, mas há como fugir! Anote aí algumas desculpas-esfarrapadas de grande utilidade:


1) ‘Sou vegetariano desde criancinha’ – isso pode livrá-lo de comer aquela carne ensopada esquisitíssima que parece estar viva na panela.


2) ‘Sou ovo-lacto-vegetariano desde criancinha’ ­– pensando no fato de que você possa estar verde de fome, dizer isso reserva-lhe o direito de pedir um ovo cozido (nunca frito, ok?! Lembre-se você não conhece a idade do óleo!!) e, ainda, sendo seu dia de sorte, ainda pode garantir um docinho de leite de sobremesa!!


3) ‘Sou vegetariano macrobiótico’ – não sendo possível o ovinho salvador, coloque o mínimo das outras opções de comida possível no prato (arrozinho, saladinha...) e coma muito, muito, muito lentamente, diga que precisa mastigar 40 vezes antes de engolir e, por isso, sente-se saciado com porções inacreditavelmente pequenas.


4) ‘Alimento-me de luz’ – se tudo que houver na mesa parecer-lhe um tanto estranho, apele! Diga que não come, nem bebe nada. Se alimento é a luz. Levante-se da mesa vá para a janela abra os braços e olhe com cara de doido para o sol (de olhos fechados, ok?!). Caso esbarre com o anfitrião num rodízio qualquer, faça um ar de alívio e diga que largou daquela vida maluca e descobriu o prazer nos alimentos de verdade!


Por mais que sempre existam aqueles que topam qualquer parada, que têm estômago de avestruz, uma hora ou outra eles hão de deparar-se com um convite para uma refeição estranhíssima a qual não poderão recusar. Usem as dicas! Usem as dicas! Ou, simplesmente, corram.