quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Super/Hiper (des)necessidades





Aaaaah, foram-se os tempos quando se ia ao empório secos e molhados* para comprar uma caixa de fósforos e voltava-se de lá apenas com a necessária caixinha. Talvez porque um balcão separava os clientes das mercadorias.


O tempo foi passando e alguém teve a brilhante ideia de tirar o balcão, permitindo que os próprios clientes escolhessem aquilo de que necessitavam. Eis aí a chave de tudo: necessidade!


Estava dona Mariquinha na venda para comprar a caixa de palitos de fósforo, mas, circulando pelas prateleiras, lembrou-se de que também precisava de açúcar, mais adiante... vejam só: batatas! Ela também precisava de batatas! Assim, uma caixa de fósforos ganha companhias.


Mais algumas décadas adiante, as ideias brilhantes foram ganhando ainda mais brilho. E assim surgiram os supermercados. Super! Amplos, diversos, esses estabelecimentos concentravam praticamente tudo que era necessário para manter uma casa: alimentos, produtos de limpeza e higiene pessoal. Claro que, com a diversidade de opções, a ida mensal ao super nunca mais se limitaria à caixa de fósforos (que, inclusive, nesse meio tempo, praticamente caiu em desuso!).


Ao longo dos anos, os superes (!) multiplicaram-se e já não ficavam mais tão longe de casa. Isso passou a viabilizar passadinhas mais frequentes que não apenas aquela mensal. Embora ainda houvesse a limitação financeira da esmagadora maioria (lá pelos anos 80, com inflação de 2000% ao ano!!**), quem resistiria àquele pacote de biscoito ou àquela lata de leite condensado (um luxo para época!) que não estavam na lista?


Fato é que os donos de super*** foram percebendo que o passeio pelas prateleiras suscitava ideias e desejos inconscientes. Assim, colocar as latas de massa de tomate ao lado das embalagens de macarrão era uma questão não apenas de praticidade, mas talvez houvesse a intenção de despertar na pessoa a vontade de comer macarronada, ainda que o intento original fosse apenas comprar um pacotinho de macarrão para deixar na despensa. Daí... já que vai fazer, faz direito: leva também o queijo ralado, a azeitona, o orégano e a carne moída pro bolonhesa! Assim, a compra de um item vira a de pelo menos seis!


Uma ideia boa dessas (para os donos de super, claro!) poderia ser aprimorada, pois não?! E foi. E como foi! O super cresceu e virou hiper! Versão master-blaster dos supermercados que contemplam tudo, tudo, absolutamente tudo que uma pessoa pode precisar (ou não) e imaginar! Além dos prosaicos alimentos, produtos de limpeza e higiene pessoal, num hiper você também encontra toda sorte de eletrodomésticos (incluindo itens de informática), além de livros, Cds, DVDs, móveis (incluindo os para jardim!), também todos os itens do vestuário, das roupas de baixo aos acessórios. Precisando de pneus novos para seu carro! Aproveite que vai comprar pão e compre também os pneus! Se quiser, também pode levar o óleo lubrificante (e o de cozinha!), o aromatizador e aquela chave de roda que anda precisando há tempos!


Um hiper torna praticamente impossível a compra de um único item! Se a passagem por lá for num momento de fome... piorou! Já reparam no corredor polonês de consumo na fila do caixa?! Você nem estava pensando nisso, mas de repente, quando vai ver, já está abraçando um pacote de salgadinho, um tablete de chocolate, um de chiclete e ainda espia a manchete da revista de fofoca. Pra completar, pega uma escova de dente, um creme hidratante e pilhas palito. Um perigo para o bolso de qualquer um!



- Amor, o sal acabou, corre lá no mercado rapidinho pra miiiiiiim?!


- Só pra isso?!


- (olhos do Gato de Botas do Shrek)


- Tá bom...


(uma hora depois)


- Que demora, amor!


- Pois é, a fila do crediário estava enorme!


- Você comprou um pacote de sal em quantas vezes?


- 24!


- VOCÊ PARCELOU NO CREDIÁRIO UM PACOTE DE SAL????


- Isso! Aproveitei que parcelei o home theater e incluí o sal!




Isso já aconteceu com vocês?! Comigo já!



*juro por Deus que não sou desse tempo

**parece piada, mas não é!

***leia-se: gigantescas equipes de marketing!

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Enchendo Linguística (muito além da sopa de letrinhas!)




Querem ver como a Linguística foi parar na cozinha?


Há muito tempo atrás (nem tanto quanto estão pensando), ainda na graduação, em uma palestra, a professora Elisa Guimarães, uma fofura de senhora, falava sobre a importância da adequação na comunicação. Para exemplificar, lembrou de um episódio quando, na casa de uma amiga, a empregada dela, da amiga, serviu um café num bule de prata, em xícaras lindíssimas... serviço muito sofisticado... tanto que não pôde deixar de comentar: ‘Nossa! Que café mais requintado!’. Um elogio, certo?! Não para a empregada que respondeu prontamente e meio embravecida: ‘Não é requentando, não senhora! O café está fresquinho!’. Ah-rá!


De quem foi o erro?! Da professora! Erro, aliás, assumido pela própria professora que entendeu que não pôs em uso o princípio da adequação. Muito humilde, a empregada provavelmente nunca havia ouvido a palavra ‘requintado’ e imediatamente associou a uma que era de seu conhecimento ‘requentado’, que, por sinal, casa-se mais facilmente com café, pois não?!


Não sei quanto a vocês, mas questões desse tipo me fascinam!!


Nessa mesma linha lembro-me de uma história que ouço desde criança – e não sei, sinceramente, se trata-se de causo do tipo verdadeiro ou do tipo causo mesmo. Era assim: um rapaz, daqueles que comem sardinha, mas arrotam caviar, em visita a uma casa muito... requintada... fazia grande esforço para parecer sofisticado. Saiu-se muito bem durante toda a tarde concordando com tudo para evitar ter de emitir opiniões contrárias sobre assuntos que não tinha a mais vaga ideia do que se tratavam. A visita já caminhava para o fim quando a anfitriã educadamente disse: ‘Já vai?! Fique mais um pouco. Toma um cafezinho conosco?’; ele, no único momento de naturalidade da tarde, considerando poder fazer descer sua máscara de rapaz da elite, não titubeou: ‘O café eu vou recusar, mas se a senhora puder embrulhar uns conosquinhos pra viagem, eu agradeço!’. Nesse caso, a coitada da anfitriã não poderia supor que estava sendo inadequada, posto que seu convidado pareceu, o tempo todo, partilhar do mesmo universo linguístico.


A boa comunicação é uma arte, não é?!


Conflitos de entendimento, geralmente, acontecem quando círculos diferentes, que não partilham do mesmo universo linguístico, se misturam. Caso infalível?! Bar-clientes-garçons. Eis um ambiente interessantíssimo para analisar a adequação. Isso porque prevalece o interesse maior do cliente em se fazer entender:


- Ô, Grande!


- Fala, Chefia!


- A gente vai de tequila.


- Opa! Quantas?!


- Uma pra cada, pra começar... então... 8!


- Ó, posso falar?! Por que vocês não fecham uma garrafa?!


- Boa! Fechado!


- Saindo!


Chamando o garçom de ‘Grande’ já se estabelece uma relação de proximidade, muito importante num bar lotado. Adiantaria dizer ‘A nossa opção de degustação alcoólica para tão aprazível noite primaveril é a típica bebida mexicana’? Na metade da frase o ‘Grande’ já teria ido atender outra mesa cujos clientes pretendiam fazer o pedido de maneira mais direta, sem enigmas! Nessa informação, o que interessa é ‘tequila’. Dito e entendido, outra informação relevante seria a quantidade: 8. Ouvindo isso, o garçom, já amigão da mesa, faz uma proposta mais vantajosa ‘fechar a garrafa’. Oras, se num bar o garçom sugere fechar uma garrafa... quem seria o tolinho de achar que ele está propondo que todos parem de beber fechando a garrafa aberta?! Tanto cliente quanto garçom sabem que ‘fechar’ significa ‘comprar a garrafa fechada para aquele grupo’. De acordo com a proposta, o cliente logo diz ‘fechado!’, nesse caso, o negócio. O garçom fecha a negociação com um ‘saindo’... o garçom?! Não! O pedido!


Estão vendo como comunicar-se de maneira clara e adequada facilita a vida da gente até mesmo num boteco por aí?! Língua é isso: a gente usa e nem percebe!


domingo, 18 de setembro de 2011

História de um provérbio





Tão típico quanto seu nome, Rex era o típico cachorro de apartamento. Ganhado ainda filhotinho nunca conheceu outra vida que não aquela.



Seus primeiros passos foram dados no laminado de madeira, seu primeiro pipi foi feito na lateral da poltrona do seu dono, sua primeira bronca - por causa do pipi - foi um borrifo de água no focinho. Tudo ali, naquele apartamento.



O casal, seus donos, tratavam o pequeno Golden Retriever como um filho. Paparicado com todos os paparicos possíveis e alimentado com as melhores rações. Ah, sim, sua alimentação era à base de ração, como deve ser, a única exceção era seu petisco favorito no mundo: linguiça!



Os donos sabiam bem que aquilo não era o mais correto a fazer, mas como resistir àqueles olhos pidões e àquele rabicó alucinado quando via um pacote de linguiça?! Eles faziam de tudo, mas quando aparecia um comercial na TV, pronto... o pequeno Rex... que já não era mais tão pequeno assim... ficava doido! Latia desesperado, babava de fazer poça, corria, pulava, rolava, batia palmas e cantava o hino nacional... tudo para chamar a atenção dos donos para seu deleite, seu sonho de consumo, seu manjar dos deuses caninos. E eles, claro, cedicam sempre.



O tempo foi passando e o filhote foi virando um baita cachorrão que dava gosto de ver. Fofo e carinhoso como todo Golden, quase não dava para notar que o coitado mal podia esticar seu esqueleto grandalhão dentro daquele pequeno apartamentinho, mas nem o próprio Rex se dava conta do incômodo que vivia.



Certo dia, porém, o veterinário da família (!) chamou atenção para o fato de que o pobre cachorro estava ficando atrofiado e receitou longos passeios para que ele, o cachorro, pudesse se esticar à vontade. E foi o que fizeram. Todas as tardes, chegando do trabalho, o casal pegava o cachorrão e iam dar uma voltas pelo quarteirão até o pequeno parque ali pertinho.



Rex era só felicidade. Descobriu que a vida podia ser melhor do que já era: a terra fofinha, a graminha cheirosa, o vento fresco no focinho... as árvores... e as árvores? Por que nunca ninguém falou para ele que fazer pipi no pé da árvore era a coisa mais gostosa da vida canina???? Essa vida, mais as porções de linguiça, era tudo o que poderia desejar.



Percebendo a felicidade da peluda criatura, o casal teve uma brilhante ideia: levar o fofo cachorrão para uma temporada natureba num sítio de uns parentes. E lá foram eles nas férias seguintes. Ele, Rex, não sabia muito bem o que estava para contecer, mas se sentia tão vivo que podia vir o que viesse, ele estava pronto!



Já em terras interioranas, tudo corria na mais plena felicidade até que... Bom, Rex passava os dias solto pelo sítio correndo loucamente para lá e para cá. Passava horas e horas descobrindo, desbravando, batizando todas as árvores do lugar com seu pipi. Lá pela segunda ou terceira semana, porém, Rex começou a sentir que, embora estivesse felizão da vida, algo lhe faltava: a linguiça!




Dando-se conta disso, na tarde seguinte, resolveu ficar estirado na grama, lembrando do sabor do seu petisco quando de repente... o que era aquilo? Uma linguiça? Andando? Achou que estava ficando doidão, mas, por via das dúvidas, foi averiguar - sempre soube que a curiosidade matou o gato, não o cachorro. Mal teve tempo de dar a primeira fungada e 'nhoct'... mordeu a linguiça? Nada! A linguiça mordeu ele! Na verdade, claro, não se tratava de uma linguiça, mas sim de uma cobra. Medo!



Foram dias terríveis os que se seguiram. Rex quase fez a passagem, mas bravo como um guerreiro, resisitiu, todavia, não sem um trauma: pegou fobia de linguiça!



E é por isso que até hoje dizem por aí: cachorro picado de cobra tem medo de linguiça.

*


Bom, a história é mentira, mas o provérbio é verdadeiríssimo!!



domingo, 11 de setembro de 2011

Top 5 - Gostinho Estranho 2*




1º gosto de garrafa - vivemos em uma época da valorização de atitudes ecologicamente corretas, pois não?! Por isso, diante daquela inocente garrafinha d'água feita de plástico que levará 252 anos para se descompor no ambiente, você opta por reutilizá-la, enchendo-a no bebedouro ao invés de comprar outra novinha, certo?! Muito certo, muito ecológico, no entanto, essa atitude repetida 3 a 4 vezes, sem que a pobre garrafinha seja devidamente higienizada, faz com que se conheça o tal gosto de garrafa;



2º gosto de bambu - esse gosto conheci quando era criança e fui a um aniversário que servia, dentre outras comidinhas, um curioso espetinho de carne moída. Nunca havia visto nada parecido, mas, mais inusitada do que a habilidade de fazer a carne moída parar num espeto, foi o gosto que senti: bambu! Não sei se por conta das restrições orçamentárias, resolveram filetar o bambu do varal para economizar, fato é que o gosto do espeto transferiu-se totalmente para a carne e nunca mais me esqueci dessa combinação pouco harmoniosa;



3º gosto de pano sujo - deveria ser lei federal, não, não... universal: pano de prato, visando a saúde dos seres humanos, deve ser sempre impecavelmente limpo. Infelizmente, isso é lei apenas para pessoas implicantes como eu, mas há quem goste de conservar o tal pano de prato (pano de louça, guardanpo ou seja qual o nome que se dê) em uso por dias e mais dias. O problema é que depois de usar o pano para secar a louça ele, o pano, adivinha... fica molhado. No entanto, é comum que se esqueça o pobrezinho secando meio amontoadinho num canto qualquer, por isso, ele vai ficando com um cherinho esquisito de cachorro molhado e, consequentemente, tudo o que esse mesmo pano tocar dali para frente, irá ganhar seu aroma de pano sujo... eca;


4º gosto de passado - há quem seja capaz de comer comida velha sem se dar conta de que aquela plumagem esverdeada não é salsinha, mas sim mofo. Há, todavia, aqueles que, devido a uma espécie de mutação que alia super paladar, hiper visão e master olfato, são capazes de identificar o gosto de passado antes mesmo de engolir o alimento. Trata-se de uma quase vidência, que faz com que essas pessoas consigam identificar a mais sutil evidência de que um certo alimento já não goza mais de total frescura, identificam o gosto de passado que só irá se manifestar para a grande maioria num futuro distante... ou nem tanto;



5º gosto de banheiro - fechando com chave de ouro essa segunda rodada de gostos estranhos, o gosto de banheiro é, na minha opinião, um dos piores. Explico. Banheiro e cozinha são ambientes opostos, quase como céu e inferno. Não devem ficar perto um do outro. O que se faz em um, não se deve fazer no outro. Entretanto, por uma distração, uma inocente medida, vejam que ironia, uma medida de higiene faz com que tudo numa cozinha fique com gosto de banheiro. Adivinharam o quê?! Limpar a cozinha com desinfetante! Pior ainda se for aqueles desinfetantes de pinho (Pinho Sol, Pinho Bril e afins) cujo cheiro remete imediatamente a um banheiro - limpo, mas ainda assim, um banheiro! O cheiro costuma ser tão forte que acaba contaminando tudo no ambiente, assim, a maçã fica com gosto de pinho, o pão fica com gosto de pinho, os copos ficam com gosto de pinho... ou seja, tudo fica com gosto de banheiro!





* atendendo a pedidos, acrescento gostos estranhos que ficaram faltando na primeira parte. Agradecimentos especiais às queridas amigas que contribuíram com as dicas de gostinhos estranhos: obrigada! Querem saber quais são os outros? Leiam aqui: http://claraemneve.blogspot.com/2011/08/top-5-gostinho-estranho.html

domingo, 4 de setembro de 2011

Frangaria do Ex-Goleiro




Desde menininho ele sonhava com os campos. Na verdade, embarcou no sonho do pai que a partir do instante que soube que seria pai de um menino decretou: 'vou ser pai de um craque!'. Assim que começou a entender minimamente a vida ele, o menino, percebeu que o fato de todo Natal e aniversário ser presenteado com uma bola de futebol significava alguma coisa.




Mal começou a dar os primeiros passos, o menino foi matriculado numa escolinha de futebol. Lá, passou alguns anos como gandula, até que conseguisse chutar a bola e não ser chutado por ela. A pedido do pai, sempre se oferecia para compor o ataque, muito embora aquela não parecia ser sua posição de maior talento.




Dois ou três meses tentando encontrar o caminho do gol e nada. Nenhum golzinho. O menino não era, definitivamente, um finalizador. O técnico, muito amigo do pai, resolveu recuar o garoto colocando-o como centro-avante, quem sabe seu talento fosse a criação! Hummm... também não. Criar, criar mesmo o menino só criava confusão ao passar todas as bolas para os jogadores do outro time. O técnico então o posicionou na lateral direita... depois esquerda... mas o caso é que todas as bolas fugiam dos pés do menino e passavam reto pela lateral. Quem sabe se recuá-lo mais um pouquinho? Lá foi o menino ocupar a zaga. Em vão, nem para chutar as canelas dos amiguinhos o menino servia! Tinha a bola roubada até pelos companheiros de time. Já que o guri era tão ruim com os pés, quem sabe com as mãos fosse melhorzinho. Virou goleiro.




O restante do time adorou a ideia. Não porque o menino fosse bom goleiro, muito pelo contrário, parecia até que o rapazinho (nesse tempo já era um rapazinho) untava as luvas com manteiga antes dos jogos, mas lá parecia que ele atrapalhava menos os outros 10 jogadores. Funcionava como um incentivo pra bola não sair do ataque porque se passasse pelo meio- campo, pela zaga... xiiiii, certeza que era gol feito. Assim, se havia um contra-ataque, imediatamente todos os 10 jogadores viravam zagueiros para tentar defender seu gol.




Os anos foram passando e, graças às boas relações do pai, o menino conseguiu uma vaga no 'Furiosos Futebol Clube', time de várzea do bairro. Goleiro titular, graças à saída do outro goleiro que arrumou emprego fixo em outra cidade. Para o pai, um sinal dos céus de que aquela era a chance para seu filho mostrar que era craque!




Não houve muito tempo para treinos, afinal, sabe como é time de várzea, né?! Todo mundo tem que ter um emprego por fora para se manter. O próximo fim de semana já era de jogo decisivo. O FFC estava na final do disputadíssimo campenato entre bairros. Até ali havia ganhado 79 das 80 partidas (quem disse que o Brasileirão é o campenato mais longo do país?!), a única partida que não ganhou, empatou em 0 x 0, ou seja, não tomou nenhum gol! O outro goleiro era uma muralha! Pena que além de bom goleiro, era ótimo pedreiro e acabou indo erguer paredes numa obra gigantesca.




Finalmente, dia do jogo. As arquibancadas do campinho de terra estavam abarrotadas. Além dos torcedores do FFC, torcidas dos outros times foram assistir ao jogo daquele que prometia ser o primeiro time de várzea a disputar, em alguns anos, uma Libertadores!




O rapaz, que já era um mocinho, era pura adrenalina! Seu primeiro jogo em um time de verdade... ou quase isso. O pai não cabia em si. Cegueta para a realidade, parecia que seu filho era o próprio Casillas, goleiro craque de verdade da Fúria, seleção espanhola.




Apiiiiiiita seu Luizinho, farmacéutico do bairro E juiz de várzea. Início de jogo. Bom, o que se seguiu foi um show... de horrores, para o FFC, porque o outro time... esse foi à forra! Não que o outro time fosse tão bom, mas é que, infelizmente, apenas naquele momento descobriu-se que o único jogador bom do time era o goleiro, o que saiu do time! O pai parou de contar no 27º gol que o filho tomou. Cada um pior do que o outro. Cada frango...




Uma goleada histórica de 36x0! O rapaz, que foi demitido ainda no vestiário (na verdade, o quintal da casa da dona Zefa), entendeu que, talvez, futebol não fosse seu talento. Os sinais ficaram meio que claros naquele momento. Decidiu que, mesmo fazendo seu pai infeliz, daria outro rumo a sua vida. Aquilo devia significar alguma coisa, afinal.




Um ano depois, o rapaz inaugurava seu próprio negócio: a FRANGARIA DO EX-GOLEIRO. Aproveitou a fama que ganhara naquele fatídigo jogo (e que perdura até hoje) em seu favor! Montou um pequeno restaurante cuja especialidade era frango. Eram nada menos do que 36 tipos de frango! Um sucesso. Seu talento, afinal, era a cozinha! Ali, podia jogar em todas as posições, sem chances de fazer feio em qualquer uma delas: um craque! Na semana que vem inaugura a 8ª filial e faz planos para transformar a FEG em franquia.




O pai, bom, embora tenha levado um tempo para se recuperar, hoje está mais conformadinho e sente-se muito orgulhoso por ter ajudado o filho a encontrar seu verdadeiro talento. De uma maneira meio torta, isso tem lá seu fundo de verdade!

domingo, 21 de agosto de 2011

A última Coca-Cola do deserto





Ela sempre sonhou em conhecer as pirâmides do Egito e, depois de meses de planejamento, decidiu que já era hora de transformar esse sonho em realidade. Comprou um pacote, devidamente parcelado em 10x sem juros, e uma semana depois embarcava rumo às pirâmides.



Embora tivesse ido sozinha, lá não ficaria sozinha, pois seu pacote era um de excursão, isso quer dizer que a turma toda andaria em comboio para todos os lados. Um alívio para ela que sofria de um raro distúrbio psicopatologicomotor* que a fazia se perder onde quer que estivesse. Ela lidava bem com isso, mas sabia que uma coisa era se perder numa cidade como Curitiba, por exemplo, que bastava perguntar para qualquer um onde ficava seu hotel e pronto; outra coisa, porém, era se perder no Egito onde se fala árabe e até mesmo o inglês é difícil entender. Arriscar pra quê?! Foi feliz da vida na tal excursão... nem se importava que era um grupo da 3ª (praticamente 4ª) idade.



No primeiro dia, a turma toda saiu para conhecer o comércio local para fazer comprinhas. No segundo... no terceiro... no quarto... bom, finalmente no quinto, o grupo ia conhecer as pirâmides! Ela estava empolgadíssima! Não dormiu na noite anterior, checou 700 vezes se a bateria da câmera estava carregada, pensou em mil roupas, enfim... parecia criança que ia conhecer o Mickey no dia seguinte!



Às 7h da manhã, horário local, senhorinhas, senhorinhos e mocinha, todos a postos no saguão do hotel. O guia deu algumas instruções e repetiu, 17 vezes, a que considerava a mais importante: 'Não se afastem do grupo'.



Adivinha! Claro que ela se perdeu! Embora as chances fossem mínimas, dado que o grupo era composto por 45 integrantes de cabelos brancos e camisetas amarelas, além dela, mesmo assim, contrarianto as improváveis possibilidades, ela se perdeu! E não foi numa curvinha aqui e em outra ali... ela se perdeu completamente... a ponto de perder as gigantescas pirâmides de vista! Estava sozinha no meio do deserto!



Ao invés de ficar paradinha no lugar, nãããããão, ela continuou andando, andando, andando... e se perdendo, se perdendo, se perdendo cada vez mais. O horizonte tremulava, o sol castigava, seu protetor solar já não fazia mais efeito, seu cantil... bom, ela não levou o cantil porque não gosta de carregar coisas desnecessárias. Péssima decisão, não?! Apenas mais uma dentre as várias que tomara ao longo do dia.



Depois de horas caminhando na areia fofa do deserto, ela estava exausta, faminta, desidratada e desesperada.



Não havia o menor sinal de vida para qualquer lado que olhava: nenhum posto de gasolina, nenhum Mc Donalds, nenhuma farmácia... nenhum estabelecimento onde se pudesse comprar um refrigerante geladinho. Claro que esse pensamento já indicava sinais de delírio por conta da insolação.



Mais a frente, no trêmulo horizonte, porém... o que é aquilo? Um ponto vermelho. O que poderia ser? Ela rastejou o mais rápido que conseguiu, mas aquilo parecia uma miragem. Não desistiu. O ponto vermelho ia ganhando forma, era... parecia... não podia ser... mas era! Uma geladeira da Coca-Cola! Ela tinha certeza de que era uma miragem. Porém, para espanto da lógica, não era! Tratava-se de uma genuína geladeira da Coca-Cola... detalhe: ligada! Ao que tudo indica, a fonte de energia eram os painéis solares no topo da geladeira (essa Coca-Cola... não perde uma oportunidade, heim?!). Ao perceber que era real, ela reuniu as poucas forças que lhe restavam e correu para a geladeira. Ao abri-la, porém... seus olhos não podiam acreditar no que via... não podia ser: só havia uma lata de Coca-Cola... uma... mas não era Zero! A última Coca-Cola do deserto não era uma Coca Zero. Desmaiou.



Dois dias depois ela foi encontrada por um grupo de Tuaregues que deram a ela um GPS, uma bússola e um camelo que sabia o caminho pro hotel.
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* acho que sofro do mesmo distúrbio...


A Fada da Cozinha



Ela estava morando sozinha havia 3 meses. O novo emprego ficou longe demais da casa dos pais, então achou que finalmente era hora de cortar o cardão umbilical, romper as amarras paternas, decretar sua liberdade!



Alugou um pequeno apartamento a menos de duas quadras do escritório. Ia trabalhar a pé todos os dias. Grande vantagem, comparando com as 3h e meia que perdia no trânsito para ir e mais 3 e meia para voltar. Estava feliz com sua decisão, porém... passada a euforia de desfazer as caixas e colocar tudo em seu lugar, os pequenos 'porenzinhos' começaram aparecer.



Filha única, sobrinha única, neta única, a única coisa que aprendeu a fazer na cozinha foi sentar-se à mesa e comer a comidinha da mamãe, que, aliás, era um primor! Em parte, tal problema era culpa da mãe super-hiper-mega-master-blaster protetora: não deixava a filha fazer nada que pudesse colocar a vida do seu bebê em risco, ainda que as estatísticas não demonstrem grandes taxas de homicídio por ovo frito ou miojo de micro-ondas!



Nem precisa dizer que a saída da filha de casa foi quase um velório, né?! Mas a mocinha foi forte e resistiu a todos os apelos da mãe e do pai para que ela ficasse em casa... e financiasse um helicóptero para levá-la ao trabalho do outro lado da cidade.



Ela tentava manter a pose de independente, mas fato foi que, depois de 3 semanas, ela começou a emagrecer a olhos vistos. A mãe, claro, percebeu desde o primeiro grama, entretanto, magoadíssima que estava, resolveu não se oferecer para ajudá-la, ainda que aquilo partisse seu pobre coração em pedacinhos. Sentia-se afrontada e queria que a filha implorasse por ajuda.



Tudo corria na medida do possível até que coisas estranhas, magicamente estranhas, começaram acontecer. Certo dia, ela chegou em seu apartamento e... choque: a mesa esatava posta! Havia sopinha quente, torradinhas e suco de laranja!



A princípio, não pareceu tão estranho assim. Era óbvio que sua mãe havia passado por lá. Após falar com ela, porém, descobriu que a senhorinha não saíra de casa o dia todo, fato que seu pai confirmava jurando de pés juntos. Acreditou. Foi dormir intrigada, embora de barriguinha cheia.



Na noite seguinte... de novo! Lá estava a mesa posta. E mais: havia frutas frescas, pão quentinho, queijos e... uma cafeteira com timer programaoa para fazer o café meia hora antes de sair de casa pela manhã. Era perfeito! Ligou de novo para sua mãe que, mais uma vez confirmou que passara a tarde toda com amigas.



Estranho, muito estranho. E assim foram as noites nas duas semanas que se seguiram. Sua mãe continuava negando que era ela quem estava fazendo aquilo e ainda fez a filha parecer meio maluca dizendo que uma coisa dessas não podia estar de fato acontecendo.



Naquela noite, entretanto, algo mudou. Além de todos o mimos culinários, havia um bilhetinho na geladeira:



- Bom apetite, querida. Beijos da Fada da Cozinha! PS: acreditar em coisas mágicas, faz coisas mágicas acotecerem, mas se duvidar delas... terá de aprender a cozinhar!



Desde então, parou de querer saber quem ou o que preparava seu jantar, abastecia sua geladeira e lavava a louça suja! Qual o problema de acreditar em magia? Ainda mais numa desse tipo: tão útil!




sábado, 13 de agosto de 2011

Top 5 - Gostinho estranho



1º Gosto de geladeira - Não existe Sazon sabor geladeira, nem tampouco Ruffles com esse sabor inusitado, maaas, isso não quer dizer que você não o conheça! Quem nunca foi comer aquele pedaço de bolo de aniversário abandonado, sem tampa, há 3 dias na geladeira e sentiu um gostinho invasor... quase indescritível, um gosto de... bom, na falta de melhor referência, resta classificar tal gosto com sendo de geladeira!



2º Gosto de armário - Esse é um sabor que apenas os mais sensíveis são capazes de perceber, aqueles que têm realmente um paladar apurado. Esse gosto geralmente pode ser percebido em bolachas. Ah-rá! Já comeu bolacha com gosto de armário?! Não? Faça o teste (ou não!): deixe um pacote semiaberto no armário por uma semana. Após esse prazo, prove um dos biscoitos... além de meio murchos, olhaí o gosto de armário!



Gosto de pote - não, não, não... ao contrário do que possa parecer, não é preciso arrancar uma lasquinha de algum pote e comê-la para saber que gosto é esse, mas aposto que muita gente sabe qual é esse. Sabe quando a gente insiste em colocar no micro-ondas aquele potinho plástico madeinChina que não nasceu para isso? Pois então, esses potinhos em questão acabam transferindo para o alimento parte do seu gosto, que inclusive deve ser tóxico (!), além de acrescentar um tempero indesejado. Eca!

4º Gosto de Bom Bril - esse é de lascar! Trata-se de um gostinho que costuma grudar principalmente em copos. Sim, sim, sim... há pessoas que simplesmente adooooooram lavar copos com Bom Bril alegando que eles ficam mais limpinhos e não embaçam. Até concordo, o problema é que se não forem extremamente bem enxaguados, assim que a bebida entra em contato com a superfície bombrienta ela assume esse gosto predominante. Dia desses tomei um chopp com esse gosto... e como explicar pro garçom que eu queria trocar a bebida porque estava com gosto de Bom Bril?! Situação, viu?!



5º Gosto de sabão - embora toda gordura tenha gosto de sabão (sou só eu que acha que a gordura do bife de contrafilé tem gosto de sabão???), não é do sabor que se parece com sabão que me refiro aqui. Esse gosto anda de mãos dadas com o gosto de Bom Bril, depende apenas da predominância de um ou de outro. Mais uma vez, esse sabor depende da displicência do enxaguador que apenas mostrou a louça pra água e deixou ali resquícios daquilo que, na verdade, era para limpar a tal louça. Eca, eca, eca! Esse sabor é capaz de estragar o melhor dos paladares.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

A semana e a cozinha



Segunda-feira - sim, aquele dia difícil. A noite passou rápido e não foi suficiente para acabar com o sono. O café da manhã tem de começar com um bom balde de café para fazer o dia pegar no tranco! O almoço, levando em conta os possíveis (prováveis) exageros do fim de semana, é algo bem leve, bem leve mesmo: um prato de salada, basicamente! Jantar? Banho e cama!




Terça-feira - é só comigo ou a terça-feira de vocês também tem 72 horas? Pra mim, o pior dia da semana porque o descanso do fim de semana já passou da validade e o próximo fim de semana ainda está muito distante. Aproveitando que o tempo rende às terças, o café da manhã pode ser a coisa mais demorada do mundo. Há ainda tempo para uma colação no meio da manhã! Almoço: ainda pensando nos estragos do fim de semana, saladinha, mas com as verduras que você mesmo plantou pela manhã e pela morosidade do dia, estarão em ponto de colher na hora da sua refeição. O jantar... bom, depois de um dia desses... banho, leitinho morno e cama.



Quarta-feira - enfim, o meio da semana útil! Sair da cama já tem um motivo: o café fresquinho. Nesse ponto, mal é possível lembrar das barbaridades alimentares cometidas no fim de semana, por isso, aquela feijoadinha cheirosa praticamente pula no prato. Embora, no jantar, a consciência faz questão de lembrar que é melhor pegar leve, então, adivinha: banho, frutinha e cama!



Quinta-feira - o melhor dia da semana! Por quê? Porque só falta amanhã! Além do café fresquinho, pra comemorar, um pão francês quentinho, fresquinho, recém saído do forno - isso se a preguiça deixar o corpinho se arrastar até a padaria logo cedo! É tudo por uma boa causa: é quinta! O dia flui tão bem que, na hora do almoço, o prato de salada no almoço já ganha uma lambadinha de churrasco! O jantar... olha! Alguém preparou o jantar!



Sexta-feira - é quando a coisa começa a degringolar! Dia de ir trabalhar de carro - pra quem não vai todos os dias - então, é possível comer um pãozinho a mais, caprichar na geleia, pingar o leite no café, comer um pedacinho daquele bolo que não se sabe bem de onde surgiu e, ainda, já que se está de carro, dá pra levar aquele pacote de bolachinhas pra ir beliscando enquanto enfrenta o tráfego monstro da sexta! No almoço a coisa piora... consideravelmente. Sexta é dia de almoçar com o pessoal! Comendo salada?! Que isso! 'Vamos comer pizza, gentê!'. E, claro, nunca fica nos dois pedaços, ou três, ou quatro... Jantar? Antes aquela passadinha no bar - enquanto o trânsito melhora - para relaxar com o pessoal. Daí, já viu: uma cervejinha leva à outra e a outra leva aos petiscos e acepipes. Depois, um jantar de verdade, enquanto espera o efeito do álcool passar para poder dirigir com segurança!



Sábado - começou ontem! E, depois de uma noitada, o café da manhã só acontece lá pelo meio dia. Mas, quem se importa: hoje é sábado! Melhor pular o café e ir direto pro almoço. Qualquer coisinha, melhor guardar espaço para aquela festa de aniversário do sobrinho, naquele buffet fantááááástico! Lá, bom, lá é que a coisa toda acontece: coxinha, quibinho, esfirrinha, hot doguinhos, hamburguinho (!), bolo, cajuzinho, beijinho, brigadeiro... e, para os adulto, cerveja, caiprinha, batidinha... E garçons que se multiplicam... mal se engoliu o último pedaço e já tem uma bandeja pela frente! É tudo tão lindo, tão cheiroso, tão apetitoso... e é sábado e foi salada a semana inteira... relax!

Domingo - depois de um sádado com festa infantil... melhor passar a fruta e água! Que nada! Mamãe está esperando a semana toda para preparar o prato favorito! E nem adianta ir pra lá sem apetite! Ela fará aqueeeeele prato e vai ficar olhando até sumir a última garfada! Barriguinha cheia? Espero que não, por que ainda tem aquele pudim de leite condensado esperando para ser devorado! Algumas horinhas depois, hora do café da tarde com pão caseiro, bolo fresquinho, café, geleia caseira, bolachinhas caseiras...



E assim termina mais uma semana que vai começar de novo e vai passar... e a culpa... bom, essa, a saladinha cura! hehehehe

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Confissão difícil






- Cheguei!


- Você não ia chegar mais tarde?


- A reunião foi cancelada, daí quis fazer surpresa... fiz mal?



- Nã-nã-não... claro que não...


- Iiiih, tô te achando estranho, que que foi, heim?


- Nada!


- Hummm... não acreditei, mas vou fingir que acredito... vamos jantar?


- Estou sem fome...


- Já comeu?


- NÃO! Só não estou com fome, não quero jantar, não quero comer nada...


- Calma! Perguntei só pra saber, mas agora fiquei com a pulga atrás da orelha...


- Vai querer controlar minha fome?


- Não, não, longe de mim querer controlar sua fome, mas confesso que não estou entendendo bem essa sua reação. Você já jantou? Saiu com alguém pra jantar e não quer me dizer?


- Não saí pra jantar com ninguém...


- Então porque você está sem fome? Aliás, por que você está tão estranho?


- Eu não estou estranho, você é que tirou a hora pra implicar comigo...


- Não sei... estou com a sensação de que você está me escondendo alguma coisa...


- (...)


- Olha, seja lá o que for, meu amor, pode me contar... eu sei que pareço irracional de vez em quando, mas, acima de tudo, eu te amo e coloco esse amor acima de tudo...


- (...)


- Anda, pode falar... você teve uma aventura, não teve?


- (...)


- Fala, meu amor, você sabe que a pior verdade sempre dói menos do que a melhor mentira...


- Eu não queria...


- Eu sei... me conta... é aquela ninfetinha do escritório, não é? Eu sabia... ela nunca me enganou...


- Não, não é nada disso...


- Não? Quem é então? Alguma da academia?


- Não, não é nenhuma mulher...


- NÃO????? É homem? Você descobriu que é gay?


- NÃO! Não pira!


- Desculpa... mas se não é mulher, não é homem... bom, daí fico sem ideia...


- Eu queria ter te contado antes, mas eu sei que você não vai me entender...


- Entender o quê?


- Desde quando a gente se casou eu já gostava, sempre gostei...


- (Ai, meu Deus, não sei se quero saber...)


- ...mas sabia que você não gostava e sempre deixou isso muito claro... então eu achei melhor esconder...


- Drogas?


- Me deixa terminar, por favor...


- Desculpa! Continua...


- Então, sempre que podia, sempre que você viajava, ou ficava até mais tarde no trabalho, ou saia com as amigas... bom, daí eu aproveitava... (longo suspiro) Mas eu quero que você saiba que nunca foi fácil pra mim, porque eu não gosto de mentir pra você...


- Fala logo, pelamordeDeus!


- EU GOSTO DE MIOJO E COMO SEMPRE QUE POSSO!


- (catatônica)


- Eu escondo os pacotes numa gaveta no meu escritório e trago pra casa quando sei que você não vai estar... eu faço, como, lavo tudo e gaurdo antes que você chegue...


- Há quanto tempo?


- Desde quando nos casamos...


- Você gosta?


- Adoro.


- Como eu vou contar uma coisa dessas pra minha família? A nona... a nona vai morrer do coração...


- Mas é macarrão, também, amor...


- Não, por favor, não fala mais nada, eu preciso ficar sozinha...




sexta-feira, 8 de julho de 2011

Uma banana para o jantar!



- Par!

- Ímpar!

- 8! Ganhei!

- Buffff...

- E então, o que teremos para o jantar?!

- Vamos pedir pizza?

- De novo?

- É... também não aguento mais!

- Vamos jantar na casa de alguém?!


- Com esse frio?!

- Um macarrãozinho alho e óleo...

- Uma panela, uma frigideira, o escorredor, dois garfos, um prato... muita coisa pra lavar! Com esse frio, não tenho coragem nem de olhar para a torneira!

- Por que a gente não tem torneira de água quente?!

- Porque a gente não é rico!

- E se a gente lavar a louça no chuveiro?!

- Poxa, que ideia boa! A gente podia aproveitar a espuma que escorre do corpo, né?! QUE NOJO!

- Foi só uma ideia... tem uma melhor?!

- Miojo só suja uma panela... nem precisa de prato... comemos na panela mesmo!

- Mas ainda suja a panela e dois talheres... e um copo...

- Pra que o copo?!

- Pra beber litros de água depois... com esse sódio todo, não tem como não ficar com sede!

- Ok, bem lembrado. Mas eu estou com fome...

- Vamos pensar: o que podemos comer sem sujar nenhuma panela, nenhum talher, nenhum prato, nenhum copo? (não vale sugerir descartáveis porque somos ecologicamente corretos!).

- Só tem uma coisa...

- O quê?!

- Uma banana!

- Hummm... não é nenhum manjar dos deuses, mas só de pensar que não terei de colocar minha mão nessa água petrificante, fica parecendo a melhor comidinha do mundo!

- Vou lá buscar...

- Coloca ela no forno com um pouco de açúcar, canela e um fiozinho de mel...

- Claro, amor! Você lava a louça depois?!

- Ah, é! Nesse caso, traga na casca mesmo... não quero sujar nem as pontas dos dedos!


*


Pois é... frio faz isso com as pessoas!

terça-feira, 28 de junho de 2011

Cupcakes!






Sim, temos um novo hit nas paradas. Não, não se trata de mais um hit musical de melodia grudenta, mas sim de um hit culinário: cupckes!


Uma padoquinha que se preze, das de bairro às super badaladas casas de pães, por mais que algumas resistam ao modismo, uma hora ou outra, lá estarão os bolinhos que mais parecem um enfeite de tão bonitinhos que são.


Há também outro lugar onde os cupcakes podem ser encontrados com facilidade: festas infantis! Já que estas sempre contam com rica decoração, os bolinhos acabam sendo um atrativo a mais, com a vantagem de que, além de enfeitar, também podem ser devorados com gosto!!


Os cupcakes dividem-se em 3 tipos básicos: 1) os bonitos; 2) os gostosos e 3) os bonitos E gostosos! Tudo depende da função, da quantidade e dos valor que se pretende gastar/investir. Se a ideia é basicamente dar um up na decoração, bastam que sejam bonitinhos, engraçadinhos e gostosinhos. Se o que se espera é uma experiência gastronômica, única, indescritível... invista em ingredientes diferenciados e requintados. Mas se além de fazer vista na decoração você pretende fazer gosto ao paladar: prepare-se para confeitar uma linda joia!


A receita do bolinho em si, não tem muito segredo e, na dúvida, faça aquela receita de bolo de costume e coloque para assar nas forminhas de papel. Um detalhe importante é usar forminhas de metal (daquelas que se assa pão de mel) para dar suporte às formas de papel - do contrário, seus cupcakes parecerão pequenos Aliens desformes!!


Outra dica fundamental para quem pretende se aventurar pelo maravilhoso mundo dos cupcakes é: nunca encha a forminha até a borda, senão, periga você ter de enfeitar sua festa com pequenos vulcõezinhos em erupção! Aconselho fazer um teste de crescimento: encha uma forminha pela metade e outra faltando um dedinho pra encher, leve ao forno e veja qual fica mais bonito, afinal, nesse caso, beleza se põe à mesa!! Lembre-se de que o bolinho não deve ficar muuuuito alto, senão, depois de decorados, eles chegarão ao teto!


Recheios e coberturas! Se a prioridade for a fina estampa dos bolinhos, o recheio pode ser o mesmo usado na cobertura: chantilly, butter cream, glacê real, ganache, doce de leite, brigadeiro. Alerto apenas para o fato de que os dois primeiros não resistem ao calor (periga dar piriri no pessoal!), o glacê real já resiste melhor e dá mais ou menos o mesmo efeito do chantilly, com a vantagem de que é (bem) mais light! O ganache e o doce de leite são firmes e fortes, ideiais para dias mais quentes, mas, porém, todavia, no entanto, são mais caros, então, se a ideia é fazer uma grande quantidade a baixo custo, esses dois não são opção. Contudo, se a opção for belezura e gostosura, acertar-se-á na mosca com esses dois (inclusive combinandos!). Já o brigadeiro, bom, não permite grandes viagens no confeitar, mas brigadeiro é tão bom que chega a ser bonito! Além disso, todas essas opções de cobertura aderem muito bem aqueles confeitos coloridinhos que dão um charme a mais no resultado final.


Ficou entusiasmada/o? Quer fazer e não sabe como? Eu dou uma forcinha. Segue uma receitinha báááásica do bolinho e de glacê real (esse, simplesmente não tem como errar!):



Bolo


2 ovos;


1 xícara + 1 colher de sopa de açúcar peneirada;


4 colheres de sopa de margarina sem sal;


5 colheres de sopa de leite;


½ colher de chá de essência de sua preferência (não quer arriscar? use a de baunilha!);


1 xícara e ½ de farinha de trigo peneirada;


1 colher de chá de fermento em pó.



Bata as gemas, o açúcar e a margarina até formar um creminho claro e homogêneo. Acrescente o leite e a essência. Aos poucos, vá incorporando a farinha de trigo. Na última leva de farinha de trigo, acrescente também o fermento em pó e misture delicadamente (lembrando que o fermento em pó não é dado a grandes surras... seja gentil!). Por último, e com ainda mais delicadeza, incorpore as claras em neve (é essa maravilha que irá conferir fofura a seus bolinhos). Coloque nas forminhas, seguindo as dicas dadas lá em cima. Leve para assar em forno médio por aproximadamente 15 minutos 9varia muito de forno pra forno... aconselho espetar um palitinho de dente quando o bolinho estiver douradinho). Rende aproximadamente 20 bolinhos (depende do tamanho da forminha que você irá usar).




Glacê Real


150 gramas de açúcar peneirado;


110 ml de água gelada;


1 colher de sopa de emulsificante (usado para fabricar sorvete e encontrado em lojas de sorveteiros e materiais para festas);


1 colher de sobremesa de essência da sua preferência;


1 colher de chá de corante alimentício (de preferência que combine com o sabor... pra não virar o sambadocrioulodoido).


Junte os 3 primeiros ingredientes e bata na batedeira em velocidade máxima até pelo menos quadruplicar de volume (sim! rende muuuito). Acrescente os 2 últimos e bata por mais 1 minuto aproximadamente. Tã-nam! Não tem como errar. Confeite com a ajuda de uma manga para confeitar.



Dica master-blaster: tendo em vista que esse glacê rende muito, sugiro, ao final da primeira etapa, dividir o conteúdo da batedeira em 2 ou 3 tigelas diferentes e acrescentar sabores e essências diferentes. Em festinhas infantis, quanto mais diversidade de cor e sabor, melhor!


Para colocar o recheio escolhido, com a ajuda de uma faquinha de ponta, retire um conezinho do bolinho. Recheie (fica mais fácil com uma manga para confeitar também!). Corte metade do conezinho de bolo (no sentido da altura) e recoloque a tampinha para fechar o recheio.



Sem ideias para enfeitar?! Google imagens, minha gente! Dúvidas? Angústias? Me mande um e-mail, na medida do possível, posso ajudar.





quinta-feira, 23 de junho de 2011

Aniversário de 4 anos do Clara em Neve!



Que gracinha: 4º aniversário do Clara em Neve!!
Quantas deliciosas bobagens foram ditas por aqui, não?!

Muitíssimo obrigada a todos que gastam uns minutinhos de sua semana

com a leitura desse jovem senhor blog!

Especial agradecimento àqueles que comentam e mandam e-mails

(assim sei que sempre tem alguém passando por aqui! Ufa!).

Conto com todos vocês para chegar ao 40º aniversário!!

Feliz Aniversário!













segunda-feira, 13 de junho de 2011

A divisão meninas e meninos




Quando eu era criança (há pouquíssimo tempo atrás) as semanas que antecediam as férias do meio do ano, coincidindo com as festas juninas, eram uma época de festa! Além de merenda temática, com muita canjica, arroz doce e curau, aconteciam também as festinhas particulares, reservadas às turmas da sala e é disso que eu quero falar.


Não sei como as coisas funcionam hoje, não tive a oportunidade de me interar com as mamães de plantão, mas antigamente... digo, digo, há pouco tempo atrás, no meu tempo de criança no primário (não é mais primário, né?! Leia-se: no meu tempo de ensino fundamental I), a professora dividia a sala da seguinte forma: as meninas trazem um pratinho e os meninos um refrigerante.


Divisão muito prática, mas pouco justa. Vejamos porquê.


Desde aquele tempo essa organização me deixava meio encafifada. O raciocínio era 9e continua sendo) o seguinte: crianças não podem cozinhar, logo, bolos, brigadeiros, beijinhos, tortas, coxinhas, quibinhos e afins deveriam ser preparados por um adulto e não, nunca, jamais pelas criancinhas. Seguindo por esse caminho, fica fácil concluir que quem prepararia os quitutes que forrariam os pratinhos que seriam levados às badaladas festinhas de sala era quem? Quem? Quem? As respectivas mamães das menininhas! Assim sendo, a pergunta que sempre me intrigou é: meninos não têm mamães?!


Por que raios as mamães de meninos eram poupadas do forno e/ou fogão às vésperas das festinhas?! Não que ir para a cozinha seja um sacrifício... embora para algumas pessoas seja, mas creio que, de maneira equânime, há mamães de meninas e mamães de meninos que gostam de cozinhar, assim como há aquelas que não tem a mínima alegria e frequentar a morada do fogão e geladeira!


Naquela época não tinha o escopo necessário para formular hipóteses. Hoje, no entanto, arrisco três:


1) meninos, arteiros que só vendo, a caminho da escola, equilibrando os quitutes sobre os pratinhos, sentiriam incontroláveis impulsos para fazer ‘GUERRAAAA DE COMIIIIIDA’, entendendo a comidinha como munição, a festa correria sérios riscos de fracasso por falta de belisquetes. Sabendo disso, as professoras optavam por não alimentar a natureza bélica dos anjinhos;


2) meninos, arteiros que só vendo, consumiriam todo o tempo disponível das mamães que passariam suas tardes a ralhar com os diabinhos, não lhes restando tempo hábil para encarar o fogão. Sabendo disso, as professoras, compadecidas das mamães davam-lhes um desconto, poupando-as do fogão;


3) meninos, arteiros que só vendo, comilões que só vendo, engraçadinhos que só vendo não segurariam suas mãozinhas e beliscariam os quitutes por todos o caminho até a escola, chegando lá apenas os pratinhos vazios e a gracinha: 'a senhora mandou a gente trazer um pratinho... eu trouxe!'. Sabendo disso, as professoras, que poderiam não estar de tãããão bom humor assim, preferiam se poupar da fadiga desnecessária.


Deixei escapar alguma coisa?! O que mais explicaria o fato de mamães de meninos não poderem exibir seus dotes culinários para os amiguinhos de seus filhotes? Sim, porque, se por um lado as mamães de meninas precisam cozinhar (ou não, no caso daquelas que se abastecem numa padoca próxima de casa), as de meninos são privadas dessa atividade!


Durante anos essa prática abusiva vem cerceando o direito de mães de meninos provar que são sim boas de forno e fogão, ficando limitadas às impessoais e insossas garrafas de refrigerante!


E hoje em dia com mamães que trabalham fora? Todo mundo leva refrigerante?! Ou, ainda assim, meninas compram pratinhos e meninos compram refrigerante? A coisa vai ficando cada vez mais complicada, gentê!

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Sim, chegou a vez dos vegetais na rodada das epidemias



Depois das pobres vaquinhas terem ficado loucas, das galinhas e porcos terem gripado, o mote da histeria da vez, na ausência de outros animais de consumo humano, são os pobres vegetais!



Vacas, galinhas e porcos comemoram:


- Dessa vez pelo menos não sobrou pra gente - declarou Mimosa à imprensa.

- Se bem que, de um jeito ou de outro, a gente acaba morrendo, né?! - completou, sabiamente, Penosa.

- Antes morrer tendo alguma utilidade, né não? Porque a rejeição é que mata de verdade e mata de tristeza - acrescentou, filosoficamente Robusto, o porco, na coletiva dada pelos representantes das três espécies animais que já foram tidas como inimigas da saúde humana.



Andam dizendo por aí que a bactéria, nunca antes vista (!), denominada E. coli, uma variante da Escherichia coli, hospeda-se em vegetais, principalmente pepinos e tomates. Nos seres humanos os efeitos são devastadores e muito graves. Até o momento, 23 pessoas foram vítimas dessa bactéria na Europa.



Inúmeros testes estão sendo feitos para identificar a origem da epidemia e, das amostras de vegetais coletadas e analisadas, supostamente contaminadas, os resultados foram negativos. Mas as autoridades sanitárias européias continuam desaconselhando o consumo desses vegetais.



O que será da Itália sem poder consumir tomates, meu Deus?!



Ainda que não se possa garantir que a proliferação das bactérias tenham partido da dupla de vegetais, é inegável que o estrago já está feito. Lembram-se da gripe suína? Embora jurassem de pés juntos que o consumo da carne não causava danos à saúde humana, inúmeros criadores desse animal viram suas criações multiplicarem-se nos criadouros sem ter quem as comprassem. Além dos prejuízos sanitários, há os incalculáveis prejuízos financieros e econômicos dos produtores dessas espécies que viram vilões de uma hora para outra.



Até que se descubra a origem, todos os supostos culpados são automaticamente condenados. Claro e evidente que não se pode esconder do conhecimento público qualquer que seja a suspeita para que o máximo de pessoas evite determinado alimento, mas nesse momento, uma luzinha amarela acende na minha cabeça. Não se trata de uma lampadazinha de boa ideia, mas de um sinalzinho de alerta: muito estranho esse rodízio de surtos entre as espécies, não?! Muito 'teoria da conspiração' para o gosto de vocês?! Não sei, não sei, pelo sim ou pelo não, o melhor remédio contra o surto de boatos é boa informação e senso crítico.



Pobres pepinos e tomates... e vocês legumes que achavam que estariam livres. O que dirão agora os vegetarianos, heim?



Pelas minhas contas, passado o pepino com os pepinos (aaaaaah, trocadilho inevitável, por favor, me perdoem!) e tomates, pelas minhas contas, só restará o surto de pedras contaminadas... ainda bem que o consumo de pedras por humanos é bem baixo, né?!



De qualquer forma, ainda que o surto não tenha chegado ao Brasil, vale a dica: lavem e cozinhem muito bem todos os alimentos. Esse cuidado nunca é demais!