domingo, 8 de julho de 2012

A invenção do brownie

Ela era do tipo exageraaaaado! Era sagitariana*. Nada para ela era de pouquinho, de pitada, de isquinha. Para ela sempre um era muito pouco, dois poderia ser mais e três era quando começava a melhorar.

Aos que a criticavam, a resposta era: "o que é de gosto, regalo da vida!". E para ela, tudo era de gosto e tudo era regalo da vida.

Evidentemente, a cozinha de sua casa era território onde ela precisava de supervisão. Do contrário, uma única refeição para a pequena família de 4 pessoas seria suficiente para alimentá-los por 4 semanas! Por isso, o marido, depois de fartar-se (em ambos os sentidos!) contratou uma cozinheira que teria por missão controlar os exageros da patroa:

- Hoje para o jantar prepare um peru, arroz à grega, arroz com passas, arroz com nozes, sopa de lentilhas, também grão de bico, creme de milho, salada de batatas... e aquele leitãozinho.

Natal? Que nada! Dia ordinário.

À coitada da cozinheira cabia fazer ouvidos surdos às ordens da patroa e preparar uma refeição que acabasse no mesmo dia. Sempre ouvia broncas, claro! Mas ao marido cabiam os argumentos de que a cozinheira estava certa.

Pouco a pouco ela foi se desanimando de ir pra cozinha, nunca a deixavam fazer nada. Aquilo ali virou território da cozinheira. Até que um dia, a cozinheira, logo depois de preparar o almoço, sentiu-se mal e foi recuperar-se em casa. A cozinha estava livre!

Claro que ela não perdeu a oportunidade. O que fazer? O que fazer? Tanto tempo sem poder mexer em suas próprias panelas que nem sabia o que queria preparar primeiro. Pensou então em algo para o chá da tarde... um bolo! Isso! Um bolo de... chocolate!

Como não queria ouvir desaprovações do marido e dos filhos, resolveu seguir uma receita. Qualquer coisa, poderia dizer que a empregada deixou pronto antes de sair. Contudo, o que são as receitas para aquele que sofre de exagero? Mera inspiração.

Ao invés de 1 colher de manteiga, foi lá e lascou 6 na vasilha. Pra quê usar achocolatado se podia usar chocolate  e cacau em pó... também? Farinha de trigo, açúcar, ovo. Não, ovoS: 4! E já que era para ser de chocolate, por que não colocar uns tabletes também?? Picou em cubinhos e colocou na vasilha. E mexeu tuuudo. Massa densa, pesada, escura! Enquanto mexia, seus olhos percorriam as prateleiras procurando mais gostosices para acrescentar à """"receita"""": nozes! Martelou uma dúzia de nozes, deu uma picadinha e mandou para a vasilha.

À medida que misturava tudo, com toda a alegria do universo, ia imaginando o bolo gigantesco e fofinho que aquela massa ia se transformar. Capaz: pesada como estava, aquela massa teria de ter a força do Thor para crescer, além de uma pitada de milagre, já que ela se esqueceu de colocar o fermento!

Massa devidamente misturada, despejou-a numa forma enorme - uma vez que seu [exagerado] otimismo a fazia crer que a massa tomaria conta daquilo tudo! Em seguida, forno. Ficou olhando, olhando, olhando... e nada... a massa não se mexia! A manteiga ia fritando, o chocolate derretendo e nada de crescer. Lá se foram 30 minutos de forno, o cheirinho já tomava conta da casa, mas a massa não dava a menor pinta de que fosse expandir.

Preocupada, tirou a assadeira do forno. Ainda teve a audácia de se perguntar: o que será que eu fiz de errado? segui a receita tão direitinho!

Exagerada, sim; desperdiçadeira, jamais! Esperou esfriar um pouco e cortou um quadradinho para saber se, além de embatumada, também ficou intragável sua receita. Supresa: estava uma delícia. Molhadinho, saboroso. Seu bolo, embatumadinho, super marronzinho tinha ficado uma delícia... maaaas... o que dizer ao marido e filhos? Jogar nas costas da cozinheira? Não, não era de seu feitio. Seria sincera: teimou, foi para a cozinha, exagerou na dose e errou a receita. Que nada:

- Querem provar minha nova receita? Eu chamo de... de... maronz... brown... BROWNIE! Invenção minha.

Todos provaram e adoraram!! Nem se perguntaram em que momento ela se curou do exagero e foi capaz de inventar uma única receita daquela delícia. E assim foi inventado o brownie**, muito apreciado até os dias de hoje.

* como sagitariana que sou, digo como conhecimento de causa que somos sim exagerados! mas claro que no caso da personagem, exagerei no exagero!!
** é tudo mentira, mas poderia ter sido verdade!

domingo, 1 de julho de 2012

5 anos de Clara em Neve!

Sim, há 5 anos, todas as semanas (ou quase isso) venho escrevendo sobre as pequenas bobagens da vida sob a ótica da cozinha: crônicas, causos, algumas receitinhas, dicas... sempre tentando deixar a vida mais doce e mais boba!! E por mais esse ano de carinho e atenção de todos que reservam um tempinho para ler o que escrevo... MUITO OBRIGADA!!!

domingo, 10 de junho de 2012

A mais básica massa para fazer salgadinhos!

Eu tenho um ponto fraco: as coxinhas! Não as minhas... a propósito! Ou melhor, as minhas... mas não as miiiinhas... Enfim... me refiro àqueles salgadinhos com massa macia por dentro, crocante por fora e recheados com franguinho desfiado, bem temperadinho, repleto de azeitonas!!!

Quando falta tempo e sobra vontade, o jeito é sair à caça de coxinhas decentes (!) para comprar. Mas, se a vontade dá sorte de me pegar com tempo... não tenho dúvidas: vou para cozinha!

Embora dê um certo trabalho (eufemismo: dá um trabalho do cão!), as vantagens de fazer coxinhas em casa são várias, dentre elas: 1) você sabe que lavou suas mãos antes de preparar! 2) você sabe a procedência dos ingredientes! 3) o óleo onde serão fritas as referidas é mais jovem que você! e, por último, mas não menos importante 4) é garantido que você não se deparará com uma pele tremulante no recheio (afff.. ecati... humpf... blahfg...).

Como há milênios não narro uma receitinha por essas bandas, hoje resolvi apresentar-lhes a mais básica de todas as massas para salgadinhos. Isso porque com essa mesma massa você faz, além das coxinhas, também risoles, bolinhos de queijo, de carne etc. Ideal para quem vai fazer uma festchinha e resolveu bancar a prendada: a massa é única, só variam os recheios. Vamos a receita, pois então:

Ingredientes:
3 xícaras de chá de leite;
1 colher de sopa de margarina (ou manteiga);
1 tablete de caldo de galinha (ou legumes);
2 e 1/2 xícaras ed chá de farinha de trigo;
1 clara de ovo;
farinha de rosca para empanar.

Preparo:
Em uma panela (grande o suficiente para que os ingredientes não voem por todos os lados), ferva o leite, juntamente com a margarina e o caldo de galinha. Fique de olho, afinal, leite é um bicho danadinho que carece de atenção! Quando levantar fervura, abaixe o fogo e, de uma vez só, sem medo de ser feliz, despeje toda a farinha: VAI! Com uma colher de pau (ou de silicone, se você não é antiga como eu!!!), misture rapidamente. Tal procedimento requer agilidade e alguma força (aproveite para queimar algumas calorias antes de comer as coxinhas!!). Vai virar uma bolota!! Não tema. Aos poucos, à media que você vai mexendo, a farinha e o leite virarão uma coisa só... uma massa linda! Assim que isso acontecer, ou seja, que os ingredientes virarem uma bolota única, apague o fogo. Coloque a bolota sobre a pia (ou sobre sua chiquérrima bancada de inox ou mármore...), espere esfriar um pouco (o suficiente para você não queimar a mão e perder a receita porque foi parar no hospital) e sove-a até que se tenha uma textura lisinha. Milagrosamente, essa é uma massa que não gruda nas mãos e não leva um grão a mais de farinha no processo de sova. Prontinho! Você já tem sua massa básica para rechear como quiser.

Duas dicas fundamentais, coisa de mãe: 1) na hora de besuntar o salgadinho para então empanar na farinha de rosca, use apenas a clara... isso fará com que seu salgadinho fique muuuuuito crocante e não chupe todo o óleo da frigideira! 2) se você não tem frescurinhas, ao invés de jogar o coitado do bolinho na clara e resgatá-lo com um garfo, para então novamente jogá-lo na farinha de rosca, mergulhe sua mão, extremamente limpa, na clara e passe-a no bolinho... assim, a camada fica mais fininha e a farinha aderirá muito melhor!!!

Dica gourmet: já que você, prendadamente, se propôs a ir para a cozinha, não caia na armadilha da farinha de rosca pronta! Torre aquele pãozinho que sobrou de ontem, bata no liquidificador e passe por uma peneira! Quer melhorar ainda mais essa história? Que tal fazer farinha de rosca com pão italiano???? Acreditem: faz toda a diferença!!!

Assim que fizerem, por favor, me convidem para provar!!!

domingo, 3 de junho de 2012

A tentativa de suicídio

- Se ele não voltar, eu juro que me mato!

Esse foi o grito que se ouviu vindo daquela casa de muros baixos no tranquilo bairro de uma pacata cidade do interior.

Não demorou e metade da cidade estava em frente à casa. A outra metade estava cuidando da própria vida.

Algum tempo depois, chegou polícia, bombeiros e a imprensa - o jornal local; um repórter da rádio regional e uma equipe da emissora de TV, afiliada de uma grande emissora da capital (que garatiria a história e, dependendo do final, poderia ganhar espaço no telejornal da emissora mãe... uma grande oportunidade... e por isso a equipe torcia pelo melhor... na concepção deles!).

De quando em quando ela repetia: "Se ele não voltar, eu juro que me mato!". Então, todos lá fora reagiam com eufóricos pedidos de "Calma! Vai dar tudo certo!" - todos, menos o pessoal da TV.

Quando chegaram ali, a confusão já estava instalada, então, o que de fato acontecera era quase um mistério. Isso porque cada um contava uma versão. O que dificultava muito o trabalho da imprensa que se empenhava em montar a linha do tempo dos fatos. Até que uma senhorinha, vizinha de muro, disse que foi ela quem chamou a polícia. Ela, portanto, sabia como tudo começara:

- Eu estava estendendo umas roupas quando ouvi ela muito nervosa discutindo com o marido. Pelo que pude entender, ele se apaixonou por outra e a talzinha pegou barriga e por isso ele estava deixando ela, a oficial, para ficar com a filial. Enquanto ele arrumava as malas, ela dizia que ele não podia fazer isso com ela, que ela amava ele, que ela não podia viver sem ele, que ela ia morrer se ele fosse, então disse que ia se matar se ele fosse. E ele foi. Daí vi que ela foi pra cozinha... daí me preocupei de verdade porque a cozinha é lugar muito perigoso para quem está com planos de dar cabo da própria vida, sabe?! Então, de casa mesmo eu gritei para ela não fazer nenhuma besteira. Ela então disse que ele ia voltar de qualquer maneira! Então eu disse que ela era muito linda, muito nova, que ia encontrar outro marido. Mas ela não queria saber de conselho, não! Queria era aquele marido mesmo. Então a vi abrir a geladeira... pegou... ai, meu Deus, nem posso me lembrar - disse trêmula - daí eu corri pra dentro de casa e liguei pra polícia. Não ia esperar o pior acontecer...

Ouviu-se um barulho. Era o liquidificador funcionando. Todos prestaram atenção.

A senhorinha se deseperou:

- Ela vai fazer...

O pessoal da imprensa tentava descobrir mais alguma coisa com a senhorinha: o que ela viu a moça pegar? Será que ela prepararia um coquetel com desinfetante, sabão em pó e soda cáustica?! Mas era inútil, a senhorinha estava descomposta.

Mais um anúncio:

- Se ele não voltar, eu juro que me mato! Eu vou beber isso... - disse a moça colocando meio corpo para fora pela janela da cozinha e empunhando um copo cujo conteúdo tinha um aspecto leitoso, meio amarelado.

Todos especulavam sobre o conteúdo, mas de fato ninguém imaginava o que havia lá dentro. E não havia mais tempo para especulação. A polícia, que até então tentava, sem sucesso, encontrar o marido fujão, não podia mais esperar: "Vamos invadir!" - diga-se de passagem, dizer essa frase era o sonho de infância do capitão que conduzia as negociações... sempre assistia àqueles filmes americanos de negociação e desde que entrou para a polícia, há 27 anos, sonhava com o dia que iria viver seu dia de John McClane (o Bruce Willis) de "Duro de Matar", seu herói!

Rapidamente, o capitão confabulou com sua equipe, ou melhor, o único soldado que o acompanhara na empreitada - o outro ficou cuidando do único preso na cadeia. O plano estava feito: um a distrairia, conversando mais de perto, enquanto o outro entraria pela porta da sala. E assim se fez. Ação rápida e eficiente - morram de inveja Swat! - enquanto o soldado conversava com ela, o capitão a tamava de assalto, tirando-lhe, certeiramente, o copo com a substância assassina desconhecida de suas mãos.

Aplausos, choros e tudo que uma ação bem sucessida tem direito. Incluindo as declarações à imprensa. Antes de entrar na ambulância que levaria a moça, em choque, para o posto de saúde da cidade, a jornalista da TV foi direta na pergunta:

- O que tinha no copo?

A moça, então, ainda desacorsoada com seu insucesso, aos prantos respondeu:

- Leite com manga.

Isso mata? A senhorinha garantia que sim.

domingo, 27 de maio de 2012

Um rodízio de pizza que servia... até pizza!

Em Foz do Iguaçu, depois de um dia inteiro de andanças, nada melhor do que uma comidinha gostosa para repor as calorias gastas, pois não?!

Uma opção é ir até Puerto Iguazu, na Argentina. No entanto, se a ideia é comer em língua portuguesa, em um ambiente bem familiar, com atendimento muito simpático e a custo beeem módico, não recomendaria outro lugar que não fosse o restaurante "Mega Pizza" - Rua Mal Floriano Peixoto, 1044, Centro, (45) 3574-1060 - um rodízio de pizza bem peculiar.

Nada de sofisticação, mas tudo bem limpinho e arrumadinho! Azeite Andorinha na mesa e garçons muito, muito, muito simpáticos (incluindo o argetino... ou seria paraguaio?! Enfim... o jovem garçom que falava um portunhol muito do sem vergonha que necessitava repetir ao menos duas vezes o sabor da pizza que oferecia!!!).

O que então teria de peculiar uma pizzaria tão normalzinha assim, então?! Justamente o rodízio, ou melhor, a composição do rodízio. Logo na chegada, o garçom chefe deixa claro que ali são oferecidas uma enorme gama de opções... de pizza? Inclusive! Além dos diversos sabores de pizza, o rodízio da Mega P-I-Z-Z-A também contava com: batata frita, polenta frita, franguinho frito! E não é só isso!!! Também: espaguete à bolonhesa e espaguete ao óleo e óleo, digo, alho e óleo (embora o segundo ingrediente sobressaísse aos demais!). E não para por aí!!!! Além das opções de pizza doce para a sobremesa... o comensais ainda dispõem de farta oferta de... SORVETE!!!! Impossível não agradar a gregos, troianos, ingleses, coreanos etc etc etc!

As opções salgadas são bem gostosas: massa fina (embora eu prefira as mais grossinhas, essa era bem gostosa), cobertura farta. A de escarola com bacon estava deliciosa! A polentinha também estava crocante e quentinha. Mas o que destaco mesmo são as opções doces!!! Minham-minham-minham! A melhor de todas: sedução - chocolae branco, morango e coco... tudo farto e quentinho! A sensação - choclate e morango - também estava divina.

O preço de tanta fartura?! Pasmem: R$ 16,99 R$ 15,99 por pessoa!!!!!!

Em Foz do Iguaçu, querendo comer bem por muito pouco? Mega Pizza, um rodízio tão variado que serve ATÉ pizza!!!





domingo, 13 de maio de 2012

O ladrão "Quebra-Coco"*

A aparente tranquila madrugada quente ia alta. Na rua só se ouvia um latido solitário de algum cachorro insone. A lua estava cheia, azulava as casas, que dormiam sossegadas o sono da segunda-feira que começou sem ninguém perceber.

Naquela casa, porém, algo estava prestes a quebrar o sossego. Até certo momento, todos dormiam, embalados pelo silêncio, mas, num instante, a filha foi arrandada dos braços de Morfeu: acordou num pulo, na mesma velocidade que seu coração disparava.

A menina ouviu um barulho. Dali a pouco, novamente. De maneira ritimada, em intervalos médios, uma pancada seca quebrava o silêncio. A adrenalina do susto fez a menina concluir de pronto: é ladrão!
Nesses momento, é bobagem apelar para a racionalidade - que sempre é a primeira a sair correndo, deixando para trás apenas o abestalhamento, a tontice e afins! A menina então correu para o quarto dos pais; foi reunir o exército para enfrentar o bandido:

- Mãe-mãe-mãe - repetia enquanto sacolejava a coitada da mãe - acorda!

Não surtindo efeito, apelou:

- MÃE! ACORDA! TEM LADRÃO EM CASA... INVADIRAM NOSSA CASA!

A mãe então, num pulo, desvencilhou-se dos lençóis e meio acordada, meio dormindo, meio calma, meio infartada tentava entender o que havia ouvido, ao passo que planejava uma estratégia de defesa.
Nesse momento, a menina se deu conta de que o pai não estava na cama?

- Já pegaram o pai! Meu Deus... vão matar a família toda!

A viúva percebeu os estrondos:

- Que barulho é esse???? Estão batendo no seu pai!
- Parece que estão batendo a cabeça dele contra a parede!
- Será que ele ainda está vivo? Precisamos ajudar... - disse enquanto, no escuro do quarto, iluminado pelas frestas de lua que entravam pela janela, procurava qualquer coisa que pudesse usar como arma - Toma, pega aqui minha sombrinha, vou levar o guarda-chuva do seu pai... 

Desceram as escadas, seguindo o barulho da cabeça do pai que era lançada, ritimidamente, contra a parede... ou seria a quina da pia? Enfim... de ponta de pé, pretendendo pegar o bandido safado, desgraçado, assassino... de surpresa.

Mimicamente contaram... 1, 2... 3:  AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHH! gritaram as duas, enquanto pulavam de sombinhada e guarda-chuvada em cim a do larápio.

Por baixo de pancadas o bandido suplicava para que parassem, mas elas, no afã da fúria, com a força da raiva, embuídas pelo espírito de vingança pela morte de pai-marido... nem cogitavam a possibilidade de parar! Entre um grito e outro, no entanto, foram percebendo algo familiar na voz do assassino. A mãe, então, desferiu uma guarda-chuvada certeira no interruptor que fez acender a luz da cozinha:

- PAI???????????????????????? - gritou a menina.
- Cadê? Cadê o bandido? Pra onde ele foi? - perguntava a mãe enquanto procurava, de guarda-chuva em punho...
- Que bandido? Que que tá acontecendo???? Por que vocês estão me batendo???? Que que foi que eu fiiiiiz??????? - perguntava o pai, todo avariado pelas pancadas.
- O bandido, pai? Eu ouvi umas pancadas, fui no seu quarto e só encontrei a mãe na cama... e o pam-pam-pam... que não parava...
- Daí a gente desceu pra te salvar... ou o que restava de você...
- Salvar? Que salvar? Eu acordei com sede e desci pra beber alguma coisa... vi o coco verde e me deu vontade de beber água de coco! Eu que tava tentando abrir o coco... não tem bandido nenhum tentando quebrar meu coco!!!! 
- Ma...mas... é agora que eu mesma vou quebrar seu coco!!! Quase matou nós duas de susto!!!! Que que leva uma pessoa a quebrar um coco no meio da madrugada?????????????
- Sede, oras!

*Causo baseado em fatos reais... acreditem...

domingo, 6 de maio de 2012

Virada Cultural 2012

Este ano, pela primeira vez, falarei da Virada Cultural sem precisar forçar a barra para adaptar o evento ao tema do blog que, como é possível notar, trata de comidinhas. Isso porque a edição 2012 trouxe uma novidade (que parece ter sido encomendada pelo Clara em Neve [hehehe eis o cúmulo da pretensão elevado à máxima potência!]); além das milhares de atrações cultural espalhadas pela cidade, a Virada Cultural 2012 contou com uma Virada Gastronômica! Ge-ni-al!
Ao longo do Elevado Costa e Silva, fofamente conhecido como Minhocão, foram dispostas barraquinhas, como as de feira livre (que, no domingo, acontecia normalmente na rua paralela, sem se abalar com a baladaça ao ar livre que acontecia ao lado dela!). O detalhe charmosíssimo da história é que cada barraca era comandada por um chef renomado.

Quens? Alex Atala, abrindo os trabalhos à meia noite com sua galinhada Dalva e Dito (não estava lá, mas meus correspondentes [hihihi] disseram que estava um caos comprar a galinhadinha!); Janaína Ruenda, com seu 'Puchero à Love Story' (sentiram o trocadilho???); Renato Carioni, com seu exótico e mega-master-blaster-ultra-super-advanced procurado e comentado por todos 'Hambúrguer de pato com maionese trufada' (a fila estava de fazer esses! provei... não achei nada demais... fiquei com dó dos patinhos, confesso!); além de Erick Jacquin, sopa de cebola (affff); Dagoberto Torres, arepas e ceviches; Danilo Rolim, montaditos e tapas; Henrique Fogaça, sanduíche de copa lombo; Benny Novac, baby back ribs e sweet corn; Luiz Emanuel, steak tartare e batatas fritas; Lenadro Freitas e Henry Miguel Caceres, sushis e sashimi; Márcio Silva, arroz de carreteiro com pipoca; (isso aqui está parecendo aquele capítulo de Saramago que passou 5 páginas elencando nomes... vou atalhar, ok?!); Raphael Despirite, Daniela França Pinto, Vitor Sobral e Hugo Nascimento, Checho Gonzáles, Lourdes Hernández, Carlos Ribeiro, Rodrigo Oliveira, Paula Labaki e Heloísa Bacellar, com seus prosaicos e necessários: pão de queijo e bolo!

Por motivo de força maior, esse ano não virei a virada, mas às 8h em ponto, de uma manhã gelaaaaada, lá estava eu, na fila da barraca comandada por Marcos Sorares para degustar um delicioso, embora inadequado para o horário, espetinho de almôndegas picantes!! E quando digo picante, entendam algo de fazer você soltar labaredas pela boca... do jeitinho que eu gosto, ainda que eu tenha deixado meu estômago com ódio de mim, afinal, o coitadinho esperava ansiosamente pelo pão de queijo com bolo e café... que infelizmente não viu nem a cor porque a barraca estava inoperante devido à falta de energia elétrica (que aliááááás... estava transtornando a vida daquelas barracas que precisavam ligar fornos elétricos, cafeteiras e coisas do tipo para operarem... mancadita da organização, heim?! encaremos como falha de estreia... mas que não se repita, heim?!).

Enquanto degustava minhas almôndegas calientes, um morador de rua revoltado, mas lotado de razão, bradava às pessoas que já lotavam o Minhocão: "Voceis tão tudo cheio do dinhero pra dá 10 real num espetinho de carne!". Quem lhe tira a razão?! Isso porque ele nivelou pelo valor mais módico, porque o espeto de carneiro estava saindo por R$ 12, o hambúrguer de pato por R$ 15, o café (que não tinha) com bolo OU pão de queijo por R$ 10 (nó!) e por aí vai. Pagava-se pelo toque gourmet das comedidinhas, mas respeitando o tom deveras democrático da Virada... espalhadas pela cidade, lá estavam as barraquinhas de yakissoba, tempurá (tempuróleo!) e o legítimo pastel de feira... tudo por R$ 5, oras!!! Questão de escolha, né?!

Bom, para pedir perdão ao meu estômago, fechei a paragem por aquelas bandas com o trio de guloseimas de Carol Brandão: monkey brownie (brownie de banana), quindim com nozes e arroz doce com doce de leite. Eu chamaria de "Trio feito especialmente para Fabi Catarse!" (percebam que autoestima vai muito bem, obrigada, pois não?! Efeito da satisfação pós-Virada de sempre!). Três coisinhas que adoro... com destaque para o brownie: o melhor que já comi em toda minha vida até hoje!!!! Embora não seja absolutamente fã de banana assada (porque ela domina todo o sabor e ainda fica com uma textura nada apetitosa), devo confessar que ali houve uma (chic) harmonização perfeita e muito delicada dos sabores. Coisa de chef, né?! Valeu pagar R$ 10 pelas mini-micro-nano porçõezinhas (os bonitinhos ali da foto!). Meu estômago até me perdoou!

Para não dizer que não falei de música... deixo aqui o breve registro de que o show dos Titãs foi simplesmente arrasador. A apresentação que seria apenas do álbum Cabeça Dinossauro, de 1986, (um marco no rock brasileiro... fantástico de cabo a rabo), ainda contou com músicas do (na minha humilde opinião) mais fantástico e absoluto álbum dos Titãs: Titanomaquia (pra mim, a obra definitiva da banda!), além de canções de outros álbuns, como Flores e Televisão. Detalhe: todas no mais alto nível de rock'n roll... sem aquelas baladitas enfadonhas que tanto me irritavam nos shows do Titãs (aaaah, pronto... falei!!!!). Foi a catarse consagratória da Virada Cultural 2012! Já estou esperando pela de 2013...

domingo, 22 de abril de 2012

Noivos, cuidado com a chuva: de arroz!!!

Fui madrinha de casamento de um casal de amigos muito queridos e quando recebi o convite, minha primeira pergunta foi:

- Quantos quilos de arroz você quer que eu providencie?!

De pronto minha amiga, a noiva, respondeu:

- Nenhum! É proibido!!

Ela então explicou que quando foram marcar a data das bodas a pessoa responsável pelas instruções deixou claro que é proibido jogar arroz nos noivos.

Segundo aprofundadas pesquisas que realizei (ã-rã!), descobri que jogar arroz nos noivos é uma tradição muito antiga, iniciada há cerca de 4 mil anos (caramba... as pessoas já se casavam nessa época?!), na China (claro!). O arroz é símbolo de prosperidade, fertilidade, saúde, riqueza e felicidade. Assim, jogar arroz sobre os recém-casados atrairia essas bênçãos e toda sorte de energias positivas para a nova fase do casal. Além de ser um charme ver aquela chuvinha de grãozinhos ao final de cerimônia!

Entretanto... depois de 4 mil anos, decidiram proibir a prática. A explicação é que os pobres arrozinhos foram motivo de milhares de acidentes. Vejam só que injustiça! Até concordo que aqueles grãzinhos crus, em contato com o piso liso, somando-se isso aos sapatos de saltos das madrinhas e convidadas, é uma combinação perfeita para os mais variados tipos de estabacos: dos escorregõezinhos aos duplo-twist-carpados. Nem falo aqui de incidentes como grão de arroz ir parar no olho da noiva ou do noivo, ficando o álbum do casamento bem parecido com o do casamento do Conde Drácula. Ou, ainda, de penteados arrasados depois de a noiva sacolejar a cabeça tal qual uma metaleira enlouquecida na tentativa de tirar 5 quilos de camil da cabeça. Creio que o que motivou a proibição foram acidentes que fizeram com que ao invés de buzinaço, o barulho do carro que levaria os noivos seria o da sirene do SAMU! Será?!

Pensei em bancar a super rebelde e traficar uns saquinhos de arroz no dia da cerimônia, mas logo pensei no Murphy... já pensou se meus amigos recém-casados tivessem que passar a noite de núpcias na fila do raio-X?? Aff... desisti da ideia, mas... com uma dorzinha no coração! Afinal, a chuva de arroz é um clássico dos clássicos!!! Até estão tentando substituir o agulhinha por pétalas de flores, papel picado e até bolinhas de sabão (essa sim perigosa... imaginem uma porção de bolhas de sabão estourando na maquiagem da noiva e borrocando tudo!!!! de-sas-tre!), entretanto... nada, na minha opinião, ocuparia à altura a chuva de arroz! Aliás... será que ninguém pensou e chuva de sal grosso?? Sei lá, me ocorreu isso agora, afinal, mais do que prosperidade, fertilidade, saúde, riqueza e felicidade, um novo casal também precisa espantar os olhos gorduchos, heim?! Taí uma ideia!!!!

No casamento desses meus amigos o que houve foi uma chuva de aplausos no corredor polonês formados pelos padrinhos, pais e avós dos noivos. Em termos de energia positiva, equiparado, mas ainda me pergunto se não devia ter moquiado um quilinho de arroz para jogar nem que fosse dentro do carro dos noivos!!! hehehehehe Claro que não é isso que fará a felicidade do casal lindo e fofo que eu adoro, mas... estou com isso na cabeça e assim que eles voltarem da lua de mel... vou recebê-los no aeroporto com uma chuva de arroz... porém, só depois de entregar-lhes capacetes, joelheiras e cotoveleiras!!

Credo gente, esse mundo anda muito perigoso!

domingo, 15 de abril de 2012

Festa no Apê!



Não, não, senhoras e senhores... não estou a tentar resgatar aquele antigo (!) sucesso (?) do cantor (?!) Latino. O que será narrado a seguir se trata de causo baseado em fatos reais:



Era sábado à tarde quando o casal, feliz da vida simplesmente por ser um sábado à tarde, resolveu abrir uma garrafa de vinho para acompanhar uns queijinhos que estavam na geladeira e comemorar as coisas simples da vida.



Lá pela metade da garrafa, já se preparando para abrir a próxima, ela teve a ideia de chamar o casal de vizinhos do andar de baixo para acaompanhá-los no queijo (só tinha gouda!) e vinho (só merlot!). No elevador, ela encontrou o vizinho da frente:



- Vai lá em casa, estamos tomando um vinhozinho e comendo queijo!

- Eba! Vou sim, vou levar um vinho que tenho lá em casa e vejo se tenho alguma coisa para acompanhar!



Chegando no apartamento de baixo, blim-blom:



- Oi, vim chamar vocês para tomar um vinho lá em casa e comer um queijinho!

- Maravilha! Mas estamos esperando um amigo... vocês se importam se levarmos ele?

- Claro que não! Vão lá!

- Tá! Vou levar uns vinhos que estão na adega e vejo se tenho algum queijo para acompanhar!



Na volta para o apartamento, nas escadas, encontrou o vizinho de cima que descia:



- Oi! Faz tempo que não via você! Como vão as coisas?!

- Nossa... muitas coisas! Muitas novidades!

- Sério?! Faz assim: faz o que você tem que fazer e depois vai lá em casa... estamos tomando um vinho e beliscando um queijinho... Chama sua namorada. Estamos esperando!

- Beleza... só vou até o mercado comprar umas coisinhas e aproveito para comprar uns vinhos e uns queijos... na volta a gente passa lá!



De volta ao apartamento, o vizinho de baixo já havia chegado e trouxe outro amigo, que chegou de surpresa. Nesse caso, o marido resolveu ir até o mercado pegar mais uns vinhos. Na frente do prédio, encontrou o irmão, que chegava de surpresa com a cunhada e os dois filhos:



- Nossa, acertaram em cheio! Estamos tomando uns vinhos com uns amigos! Subam lá que eu já volto!



No mercado, encontrou o vizinho de cima:



- Ô, rapaz... tô comprando uns vinhos pra levar lá na sua casa... sua esposa acabou de chamar a gente pra colar lá!

- A gente?

- Eu e minha namorada... e... a irmã dela... que chegou sem avisar... algum problema se a gente levar ela?!

- Beleza, rapaz, mas não é nada demais... só um bate papo entre amigos... vim pegar mais uns vinhos e já volto lá!



Na fila do caixa, claro, não podia ser noutro dia: encontrou os caras da faculdade que não via há anos! Adivinha:



- Pô... cola lá em casa... a gente toma um vinho e coloca o papo em dia!



Eram 6!



Quando chegou em casa, encontrou a esposa tentando administrar o caos. O apartamento, de 35 metros quadrados, estava lotado. Já tinha gente com taça de vinho no banheiro, trocando altas ideias, sentado na pia, com o outro, sentado na beira do box! Na mesa da cozinha, mais garrafas de vinho do que muita adega por aí! Queijos de todas as qualidades. Na pequena sala, já não se via mais o sofá. Parecia a estação da Sé, às 6h da tarde. Do quarto, vinha o som: um dos vizinhos trouxe o violão... o que motivou o outro a pegar sua flauta... e quando se viu, havia uma roda de choro instaurada, mal acomodada, mas muito empolgada!



Interfone:


- Alô!

- Boa noite... é que tem um pessoal reclamando do barulho!

- Faz assim, o próximo que reclamar... manda pra cá pra comemor com a gente!

- Vou deixar o recado... tô largando do posto agora...

- Então sobe aqui, poxa!!! Comemora com a gente!



Pouco tempo depois, já era necessário organizar um rodízio para entrar no apartamento:



- Oi, que bom que vocês vieram... Mas deixa eu pedir uma coisinha... dá pra esperar um pouco?! Vocês estão no grupo 4, tá?!



A noite já ia alta quando resolveram pedir pizzas. Quando chegou:



- Ué! o dono da pizzaria entregando pizza?!

- É a última da noite... resolvi fazer eu mesmo, mas já tô indo pra casa!

- Fica aí, então, rapaz... estamos tomando um vinho... bom, na verdade a gente tá dando uma festa de arromba!!! Aproveita!

- Posso chamar minha namorada?!

- E não?! Claro que pode!

E assim, meio sem querer... acabaram dando uma mega festa para o prédio todo (e agregados!). Quem disse que em apartamento pequeno não é possível oferecer uma "recepçãozinha" vez ou outra?! É tudo uma questão de organização, oras! Apartamento de gente boa é assim: sempre cabe mais um (monte de gente boa!).



domingo, 8 de abril de 2012

Petit déjeuner très difficile



Em Paris, ao chegar no hotel (depois de vencer uma épica batalha logística com o senhor Charles De Gaule*), o mounsieur da recepção, antes de nos entregar a chave de nosso quarto, fez suas continhas e, para fechá-las, perguntou se gostaríamos de incluir o café da manhã nas diárias, sendo acrescido 6 euros por dia (cerca de R$ 18). A amiga que não come (!) foi rápida na resposta: "não!"; eu e a outra amiga, pensamos um pouquinho e, consultadas nossas ilusões mais românticas sobre Paris, imaginamos nosso petit déjeuner (café da manhã) num buffet francês, à moda (leia-se, à fartura) brasileira: "non, merci!".



Já passava das 22h quando conseguimos "ajeitar" (bem entre aspas, viu?!) nossas coisas no quarto para, então, sairmos para comer alguma coisa. Não ficamos exatamente em Paris, mas em Ille de France, bairro residencial. Lá fora, frio de freezer (não digo de congelador porque não estava nevando! mas podíamos ver a fumacinha branca rolando pelos ares... tal qual um freezer!). Andamos um, dois, três, quatro... um bilhão de quarteirões e... nada... nenhum restaurante aberto. Quando tudo parecia perdido, justamente a amiga que não come encontrou uma... adivinha... pizzaria aberta!! Nosso primeiro dia na França, depois de 7 na Itália, seria brindado com uma pizza preparada por um napolitano legítimo... todo simpatia! Pizza divina e maravilhosa.



No dia seguinte, acordamos cheias de disposição (ou quase isso) e nos pirulitamos para rua. Antes de qualquer coisa: café da manhã. E, juro, não sei porque cargas d'água, os caminhos resolveram brincar conosco!! Não sei o que acontece com aquele bairro, mas simplesmente não conseguíamos acertar um único caminho sequer!!!



Depois de rodar um bucado (no último dia nos demos conta de que tudo estava ao lado do hotel, mas por ironia de alguém, não se sabe quem, sempre andávamos quilômetros para encontrar um mercadinho que fosse!), encontramos um café que justificou toda aquela andança. O café da Bárbara e do Alexandre, onde tomamos o melhor café de todos, acompanhado de um pão divino! Ele todo encantado com o Brasil... conhece Trancoso (que custo dizer esse nome!) e está louco para voltar aos trópicos (aliás, diga-se de passagem: a cada 10 parisienses para quem dizíamos que éramos brasileiras, 5 dizia que quer conehcer e 5 dizia que quer morar aqui! très chic ser brasileiro na França, viu?!). Peninha que esse lugar fofo ficava no fim do arco-íris e, portanto, nos demais dias, não conseguimos tomar café por lá... sempre estava fechado... coisa muito estranha!



Estranhas, estranhas mesmo... são as padarias. Vejam só que coisa mais curiosa: nas padarias, vendem-se apenas, tão somente, não mais do que... pães! Então, de pão em punho, fomos à cata do café... encontrado... ah-rá... na tabacaria!



Uma verdadeira batalha que se tratava todas as manhãs em busca do petit déjeuner du matin. O mais bizarro nessa busca é o fato de que, talvez abestalhadas pela fome lancinante que já paralisava nossos vigorosos e engenhosos cérebros, não recorremos à mais óbvia e trivial das soluções: o café da manhã do hotel, poxa!!! Só no último dia, depois de quase perdermos o gosto pela vida, eu e a amiga, que também acorda tal qual um leão faminto, optamos pela mais racional das alternativas: o bom, pertinho, confortável, gostosinho e muito bem pago (senão quase de graça, tendo em vista que não há dinheiro que pague a Paz!) café da manhã do hotel.



Claro que teve toda a parte maravilhosa, indescritível, inacreditável, glamourosa e fantástica de Paris... mas abordar esse aspecto da Cidade Luz seria tão clichê... então, resolvi, para fechar essa minimicrotemporadinha na Europa falando da maior dificuldade enfrentada: a fome!!!!!!!!



Ah, sim... uma dica preciosa para quem vai à França e, assim como eu, é cheio de frescurinhas para comer: PAUL! Uma rede de lanchonetes (???) espalhadas por toda a Paris e que tem os lanches mais incríveis, saborosos, gigantescos e maravilhosos para encher a barriguinha durante suas andanças! Mais uma coisa: pelo amor de Deus Todo Poderoso... não arrede pé de Paris sem provar (apreciar, devorar) os macarrons... nuvens de amêndoa que derretem na boca!! E os chocolates... Lindt por todos os lados, chega a ser ordinário (e muito barato, importante dizer)! Hummm... olha eu aqui, falando de maravilhas... mas acho que Paris é isso, acho que todos que saem de lá já o fazem pensando na volta, como se fosse ali!

*o aeroporto cujos caminhos para sair deixam São Longuinho precisando de GPS!

domingo, 18 de março de 2012

A relatividade das atitudes ecológicas



(prometo que semana que vem conto o causo dos cafés da manhã em Paris, mas preciso contar um fato ocorrido nessa semana, ok?!)





É sabido por todos, ou pela grande maioria, que o óleo de cozinha utilizado em frituras, além de fazer mal para o organismo, também é um agente altamente poluente das águas e do solo, pois não?!



Foi pensando nisso que, tomada por um sentimento ecológico, embuída de toda boa vontade do mundo, em prol das futuras gerações, que disse à minha mamãe o seguinte:



- Mãe, no Carrefour, do lado do trabalho tem coleta de óleo de cozinha, então, vai juntando e quando tiver uma certa quantidade você me avisa que eu levo e deposito no local apropriado!



Olha que fofa que eu sou. Pois é! Passados alguns meses (mamis usa super pouco óleo, fofa!), num certo dia ela me diz que, se eu pudesse levar, já tinha uma embalagem cheia de óleo velho para descartar. Ela tomou o cuidado de colocar em 4 sacolinhas plásticas (minhas questões começam aqui: o óleo vai para reciclagem... e as sacolinhas e a embalagem???) e me entregou. Coloquei no meu carro, no assoalho do lado do passageiro e fui trabalhar. Era segunda-feira.



O caso é que minha vida está, como vou dizer, o verdadeiro sambadocrioulodoido... não tenho tempo nem para espirrar, sem contar que a quantidade de informações com as quais tenho tido que lidar faz com que o básico seja deixado de lado... resumindo: ando meio retardada! Por isso, não tive tempo de ir até o Carrefour levar a tal gordura para reciclagem... e quando fui... claro que esqueci de passar no carro para pegar o pote!


E assim foi: segunda, terça, quarta... até que na quinta-feira, ao chegar em casa (estressada tal qual o demônio da Tazmânia), notei que a fofura da embalagem da gracinha da gordura fedorenta tombou, fez a gentileza de passar pelas 4 camadas de sacolas plásticas e fazer uma imensa poça no tapete do meu carro.



Já estava estressadinha, daí, isso foi a gota d'água... não, não... de óleo... para um pequeno ataque de pelancas! Vendo meu estado, minha mãe se prontificou a lavar o tapete, enquanto eu gritava:



- Tira essa p**** de gordura fedida de perto de miiiiiiiiiiiiim...



Depois de contar até um milhão, entoando o mantra da paciência, paz e tranquilidade... fui ver no que tinha dado:



- Teve jeito?! Saiu tudo?



- Ah, nem precisou muita coisa... só tinha uma manchinha na parte plástica...



- COMO ASSIM??? TINHA UMA POÇA NO CARPETE!!!



Feliz e contente (ã-rã!) peguei o tapete que já estava no varal e fui lavar novamente.



Pena que sou uma pessoa que não pode fazer as coisas quando está nervosinha... porque faço com raivinha... daí... bom... lá fui eu... joguei o tapete na sacada, peguei o OMO líquido concentrado (isso... aquele que só precisa de meia tampinha para lavar 10Kg de roupa numa máquina cheia!) e joguei, com certa fúria (confesso), meia embalagem de OMO (meia embalagem, não meia tampinha!) sobre o tapete, sapequei uma vassoura para limpar bem limpinho e abri a mangueira para enxaguar.



Rá-rá-rá! Claro que passei a próxima meia hora tentando vencer o mar de espuma que tomou conta da sacada e escondeu meu tapete e quase me afogou!



Resumindo: por conta de não jogar cerca de 500 ml de óleo no lixo, gastei 5 bilhões de litros de água! Muito ecológica essa minha atitude, não?!!!!



Juro, juro, juro... minha intenção inicial era a mais ecológia possível, mas, ao que tudo indica... não deu muito certo.



Moral da história: Capitão Planeta sentiria vergonha de mim!



Conselho valioso: não tente ser ecológico durante períodos de turbulência emocional! O planeta agradece!!!!

domingo, 11 de março de 2012

Saudade do meu pretinho...



A temporada fora foi curta, apenas 12 dias, mas foi suficiente para sentir na pele o que considerava que não iria sentir: saudade! Saudade da caminha, da casa, do Brasil?? Nada disso! Doze dias é muito pouco tempo para tanto, mas são o suficiente para sentir saudade de comida... mais especificamente de uma bebida em particular.



Confesso que sempre considerei um pouco exagerados os relatos de amigos que passaram temporadas (curtas ou longas) fora do país que diziam que sentiram muuuuita de falta de x, y ou z. Sendo que o que imperava dentre essas listas era o feijão! Minha conclusão: me dei bem! Nunca vou sentir falta de feijão porque não como esse trem, logo, posso passar o tempo que for longe do Brasil que nem vou sentir! Bobinha!



De feijão, realmente não senti falta (era só o que faltava: não pode nem com o cheiro disso no Brasil daí, cruza o oceano e já fica sonhando com o carioquinha... toc-toc-toc!), especialmente na Itália, onde posso encontrar a cada passo um lugar que sirva minha comida favorita: a italiana! No entanto, já no segundo dia comecei a sentir aquele apertinho no coração a cada vez que me lembrava do meu pretinho... meu café... meu Melittinha coado, morninho, docinho...



O café da manhã, no sentido de primeira refeição do dia, era tomado num café lindinho ao lado do hotel (já mencionei que a melhor coisa no café da manhã era o italiano maravilhoso que tirava o café?? acho que já, mas vale repetir para fixar!!). Como não falo italiano (exceto palavrões... o que não seria muito útil, nem fino de minha parte, para fazer um pedido no balcão!), não tinha muito o que ficar perguntando sobre as opções, então, no primeiro dia pedi um "uno capucciiiiiino", com meu melhor sotaque "das Mooca". Eu, que há anos só bebo leite desnatado, me vi diante de uma xícara enooooorme de algo que classifico como leite "com obesidade mórbida", com um pouco de café e uma poerinha de chocolate e sem canela (muito curioso!!), mas um croissant gigantesco.



No segundo dia, gastando meu vasto italiano, pedi "uno cafe macciaaaaato". Uma xicrinha de 50ml com café e a tal mancha de leite (que mais parecia chantily, já que era feito com o tal leite gorducho!). No terceiro dia, claro que já estava tendo tremores de abstinência de litros de café, então pedi "uno expreeeeesso". Foi quando vi que havia ali, naquele país, uma conspiração contra a minha pessoa: havia a clara intenção de ver como a Fabizinha aqui ficava sem uma dose decente de cafeína. Paranoia? Que nada! Acreditariam em mim se tivessem visto o que era a porção de expresso servida: um borrãozinho no fundo da xícara. Um rico eurinho para 3 ml de café. Por que a porção de café era tão pequena e a de leite de imensa? Minha teoria é que o café vai, de navio, da América do Sul para lá (encarecendo sobremaneira a bebidinha), enquanto que o leite... bom, esse era tirado da mimosa que eles deviam criar no fundo do café!



Fui levando do jeito que dava, tomando 20 porções de capuccino por dia para manter o nível de cafeína num índice seguro à minha sobrevivência. O melhor, e mais bonito, deles foi tomado em Nápole (é o da foto) que, embora não tivesse sido feito pelo gatíssimo de Roma, era o que tinha a combinação de ingredientes mais equilibrada e... claro... com canela!



Em Paris, bom... as histórias de Paris vão ficar para outro dia, especialmente as que tratam do café da manhã! Apenas menciono que, quando finalmente encontrei um lugar que servia café duplo (meu coração até disparou quando li isso na placa!), no café da Torre Eiffel, quis me jogar de lá de cima depois do primeiro gole: era café americano! Descrevendo em poucas palavras: uma água de batata fumegante! Nojento.



Quando foi que percebi que estava com saudade?! Quando, na Fontana Di Trevi (fonte [lindíssima] que tem a fama de realizar os desejos de quem joga moedas), em Roma, joguei 1 euro pedindo uma boa caneca de café Melitta, coado, morninho, docinho*!






*Se a Fontana realizou meu pedido? Sim, sim, mas só em casa, no Brasil!

domingo, 4 de março de 2012

A menina e o macarrão encantado



Se eu não tivesse presenciado, juro, não teria acreditado! Mas peço, em nome dos anos desse blog, que acreditem no que vou lhes contar.



Há cerca de duas semanas estive em Roma. Nos primeiros dias, quando o ocorrido se deu, estava acompanhada de apenas uma amiga (a outra só chegou dias depois). Essa amiga, a que estava comigo, possui hábitos alimentares devaras particular... ela basicamente... não sente fome. Perto dela me sinto a própria faminta-esganada-de-fome. Confesso que demorei um pouco até perceber esse fato curioso. Só fui me dar conta quando percebia que, enquanto meu estômago roncava, ela andava lépida e faceira, sem nem pensar em parar para comer. E, vejam bem, estávamos em ROMA... a terra-mãe da pasta, da pizza e do sorvete!



Enquanto meus olhos brilhavam (e o estômago roncava) a cada restaurante que avistava, ela... nem tchum... não se abalava! Percebendo que as propostas para parar e comer nunca partiriam dela, comecei eu a me manifestar: "Vamos comer alguma coisa?" e a resposta... "Eu vou lá com você, mas não vou comer nada, estou sem fome!". Espantoso!



Não sei se o contraste me fez mais esfomeada ou se o frio intenso (não tão intenso quanto noticiou nossa querida Ilze Scamparini dias antes!) fazia meu metabolismo transformar em minutos as calorias consumidas em calorzinho para meu corpo, o fato é que eu sentia muita fome e o tempo todo. Talvez fosse meu subconsciente gritando: "Lindinha, coma mais, coma muito, porque você não sabe quando sua amiga vai querer parar de novo para comer". Assim sendo, me garantia!



Enquanto eu me derretia degustando cada pedacinho das deliciosas pizzas, dos deliciosos sorvetes, ela, quando, com alguma insistência minha, comia alguma coisa, o fazia com uma neutralidade que beirava a indiferença. Era um ato mecânico.

E assim foi... até aquele dia.



Andamos o dia todo. Andamos muito, muito mesmo. Saímos cedo do hotel e passamos o dia a gastar a sola do sapato. Em Roma, andar de metrô é quase um desperdício, isso porque a cada passo há uma ruína, um monumento, uma paisagem para admirar. Mas, sabe como é, chega um momento que o corpo pede socorro e é preciso parar. Foi o que aconteceu. Estávamos beirando a exaustão quando ela perguntou "vamos voltar pro hotel?" "Não! Eu não consigo mudar o passo, eu preciso sentar a-go-ra, co-mer um bom prato e descansar por pelo menos duas horas".



Estávamos no Pantheon, onde há uma praça com diversos restaurantes charmosos com mesas fora... escolhemos o que tinha o maior aquecedor. Pedi uma lazanha e minha amiga, que estava mais para acompanhar, olhou para a mesa ao lado e resolveu pedir um prato igual ao que via. Um espaguete com polpetinhas. Estava meio contrariada, considerando que a iguaria lhe custaria 13 euros (uma pequena fortuna para quem não é, assim, muito chegado em comida, pois não?!).

Minutos depois, porém, algo aconteceu. Ao provar a primeira garfada, vi, diante de mim algo mágico acontecer. Os olhos da minha amiga brilharam. Imediatamente sua energia mudou. Seu corpo todo sorria. Depois de engolir: "É a comida mais maravilhosa que já provei em toda minha vida!". A cada nova garfada, minha amiga ia se maravilhando e se deliciando ainda mais. Ju-ro que vi seus olhos marejarem.



Depois desse prato de espaguete, algo dentro dela, na alma dela, mudou. Daquele dia em diante, foi como se suas papilas gustativas, sua boca, seu estômago tivessem descoberto sua razão de existir. Comer, depois daquela pasta, nunca mais seria um simples ato mecânico. Vi, a olho nu, a vida de alguém mudar. E tudo por conta de um prato de macarrão encantado, degustado em Roma, na praça do Pantheón que, vamos combinar, é um cenário bem mágico para uma coisa dessa magnitude acontecer!!!

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Fome! Fome! Fome!

- Vamos almoçar juntas?


- ...hummm... não sei... tô sem fome...

- Ah, sim, depois de comer um pãozinho, dois pacotes de bolacha, um toddynho e uma maçã... eu também estaria sem fome...

- Ficou contando, é?! Na verdade eu tô... assim... na verdade eu tô com fome sim... eu vou com você!

- Vamos ao vegetariano? Acho que você tá precisando de alguma coisinha leve...

- Pensei no rodízio...

- De saladas?

- Dã! Não, né?! O de carnes!

- Afff... que que é isso? TPM da draga*?

- ...19, 18, 17... xi... pior que não!

- Tá grávida??????????!

- toc-toc-toc... não! Gravidez dá enjoo, não fome!

- ok...

- Vamos logo almoçar? Essa perguntação toda está me dando fome...

- Me dá cinco minutos pra eu ligar pra churrascaria pra eles irem matando uns três bois extras...

- (roendo as unhas)

- Caramba, vamos logo porque você começou a comer os próprios dedos!

O nome disso é ansiedade! Para alguns, vira o estômago, dá nó na garganta... para outras (incluindo eu!) a ansiedade abre mais o apetite do que Biotônico Fontoura!!!


*Período da TPM quando nem toda a comida do mundo é suficiente para sair uma fome descomunal!

domingo, 5 de fevereiro de 2012

O diabo veste Prada, mas come o quê?!




Religiosos, Cristãos, ateus, satanistas e afins, não é do demo que falarei, mas sim do filme 'O diabo veste Prada'... sinto muito se decepcionei alguém!!


Entretanto, não é do roteiro, da iluminção, da direção, da divina interpretação de Meryl Streep ou do figurino acachapante que falarei... sinto muito se decepcionei mais alguém!


Além dos temas supracitados, uma cena em especial me chamou a atenção desde a primeira vez que assisti a esse filme. Quem já assistiu, por favor, ajudem o amiguinho do lado a se lembrar também: lembram-se quando o namorado da Andy a recebe com um lanche inacreditavelmente dourado na manteiga????? Pois me veio água na boca só de lembrar!


Obviamente o gatinho não deu a receita, mas teceu alguns comentários sobre o sanduba (devidamente recusado por Andy, tendo em vista que a moça precisava diminuir seu manequim... ã-rã!) enquanto o dourava. A cena não me saiu da cabeça (já que os Pradas, Chanels, Guccis etc estão um tantinho longe da minha realidade... cada um se prende ao que pode, pois não?!), então, resolvi fazer algumas experiências.


Após alguns testes, a minha releitura foi a seguinte: 2 fatias de pão de forma integral light 7 grãos; dentro, uma fatia de mussarela, uma de queijo branco e uma colher de sobremesa de requeijão light (os ingredientes light não são hipocrisia, não... são a compensação pela manteiga que será usada mais adiante!). Em cada uma das fatias de pão passei metade do requeijão, coloquei os queijos e fechei. Numa frigideira antiaderente, coloquei uma colher de chá (ou uma pontinha de faca) de manteiga (Aviação) para derreter ao centro, deixando-a se espalhar até mais ou menos o tamanho do lanche. Assim que a manteiga derreteu (não esperem muito senão ela queima e desaparece!), coloquei meu sanduba sobre a 'mancha' e, com uma espátula, pressionei levemente durante alguns minutos até que estivesse douradinho. Repeti a operação (!) com o outro lado e depois de uns minutinhos minutos... voilá a minha versão do lanche d'O diabo veste Prada!


Evidentemente, as versões de recheio ficam ao gosto do freguês. As possibilidades são infinitas. O grande lance é a camada externa que fica absurdamente crocante e muito, muito, muito saborosa. Sanduíche digno de se comer com garfo e faca, viu?! Até porque a camadinha de manteiga deixará sua mão gordurosa... e vai que, por um lapso, você a encoste no seu vestido Chanel ou no seu terno Armani, né?! hehehehe


Não sei se o diabo comeria, mas que ficou dos deuses... ah, isso ficou!

domingo, 29 de janeiro de 2012

Sintomas



- Heeeeeeeeeeeeeeei, você... você aí!


- (...)


- ...você mesmo! Vai ficar fingindo que não me escuta?! Sai logo da frente, ô lesma, deixa quem tá com pressa passaaaaar...


- ...eu não devia, mas vou responder: não adianta nada eu sair da frente "senhor", porque o elevador vai continuar descendo na mesma velocidade...


- Humpf!



Que cara maluco, não?! Mas, ao contrário do que possa parecer, o "senhor" do diálogo acima não sofre de transtorno bipolar, não está tendo um surto psicótico, nem tampouco passa por uma crise de stress agudo... o mau dele tem 4 letras: F-O-M-E!


Esse problema, que acomete 10 entre 10 seres humanos, apresenta sintomas comuns como roncos e ruídos oriundos do estômago, salivação excessiva e alucinações com pratos apetitosos.



Não raro, lá pelas doze badaladas da manhã, é possível esbarrar com indivíduos com olhos injetados, apressados, absortos nos próprios pensamentos, ao mesmo tempo, dispersos para qualquer outra coisa atividade que não seja: ir almoçar!
No entanto, cada indivíduo pode apresentar particularidades na manifestação da f-o-m-e. Por razões as quais a ciência ainda não foi capaz desvendar, tais particularides vão desde o prosaico mau humor, dos graus mais moderados - limitados às breves bufadas - aos mais grotescos pitis - como no exemplo supracitado - até sintomas totalmente inusitados como...surdez!



- Si, vamos comigo à biblioteca?


- (...)


- Siiiiiiii....


- (...)


- Siiii-iiii-iiiii-iiiiiii


-(...)


- SIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII


-Ã? Falou comigo? Tô com fome!



Sim, por mais incrível (no sentido de não-crível!) que pareça, o diálogo acima é verídico! Essa minha amiga ia perdendo a audição ao passo que a fome ia aumentando. Se a chamasse mais de duas vezes sem ter resposta, batata! Era fome!!! Curioso, não?! E você, qual é o seu sintoma de fome?! O meu é o bom e velho mau-humor.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Pão acordado!




Que maravilha acordar pela manhã sentindo o cheirinho do café fresco e do pãozinho quente, recém saído da primeira fornada, entregue pessoalmente pelo padeiro na porta de casa!!


Bom, a menos que você ainda esteja dormindo (e sonhando) ou que seja parente chegado do próprio padeiro, uma cena como essa é estatiticamente impossível de acontecer, pois não?!


Ainda mais hoje em dia, quando as padarias de bairro vão ficando cada vez mais raras, sendo substituídas pelas seções de pães nos super-hiper-mega-master-blaster-mercados.


Comum mesmo é encontrar aquele pãozinho dormido, parecendo uma sapato velho, meio murcho, sem graça nenhuma, largado em cima do armário! Mas se você, como eu, acorda com uma fome de leão... o jeito é encarar o pãozinho (juntamente com váááárias outras coisas, claro!). No entanto, quem disse que seu pãozinho precisa ser consumido "dormido"? Vamos acordar esse rapaz!


Em casa, desde sempre tivemos o hábito de dar uma acordada no pão pela manhã. Quando era criança, tínhamos equipamento específico para esse fim: uma frigideira de alumínio, sem cabo, toda amassada, a quem chamávamos respeitosa e carinhosamente de "torradeira"!! Já com a torradeira (chamemos assim) no fogo, cortávamos o pãozinho ao meio, passávamos uma generosa quantidade de manteiga Aviação (naquele tempo não existia essa bobagem de colesterol!!), então, levávamos à torradeira e lá o pãozinho ganhava vida nova! Ficávamos apertando o pão com um garfo para que a manteiga dourasse. Depois de alguns minutos...tãnam.. um pãozinho totalmente renovado! (hoje em dia, continuo usando essa técnica, mas a "torradeira" foi substituída por uma frigideira antiaderente reservada para isso).

Essa não era aúnica técnica para renovação de pão. Minha mãe fazia um tal de "pão de carinha lavada". Funciona muito bem com aqueles pães que acabaram ficando meio duros... acontece mais no outono (quando o tempo fica muito seco), com pães guardados em sacos de papel. A técnica consistia em umedecer toda a superfície do pão com água filtrada, como se estivesse lavando a carinha dele (e o corpinho todo, para bem dizer!) . Então, acomodava-se o(s) bonitinho(o) em uma panela de pressão. O passo seguinte era fechá-la e levá-la ao fogo por cerca de 3 minutos (a panela nem chega a pegar pressão direito). Quando se abre a panela o que se vê é um pãozinho completamente rejuvenecido! Miolo macio, fofinho e quentinho por dentro e casquinha crocante por fora. Anos depois, aprimoramos a técnica tornando-a mais prática: ao invés da panela de pressão, passamos a colocar o pão de carinha lavada no forninho elétrico. Mas já adianto que não fica a mesma coisa!


Talvez, a mais clássica das alternativas para tornar aquele pão amanhecido numa coisinha mais apetitosa seja a torrada! Fatia-se o pãozinho, coloca-as numa assadeira e leva-as ao forno por alguns minutinhos (claro que, tão comum quanto fazer torradas é esquecer da vida e acabar fazendo "carbonizadas") e pronto: torradinhas, quentinhas, com uma manteguinha derretendo por cima!


E se estão pensando que renovar o pão dormido é coisa de gente sem refino... estão enganadíssimos! Recentemente, o Caderno Paladar d'O Estado de São Paulo dedicou suas páginas à causa. A versão on-line da matéria está aqui: http://www.estadao.com.br/noticias/suplementos%20paladar,pao-dormido-(e-renovado),4789,0.htm. Vale a pena conferir. Aposto que vocês nunca mais vão olhar aquele pão dormido do mesmo jeito, vão tratar de querer acordá-lo com os mais variados sabores e técnicas, seja para o café da manhã de amanhã*, seja para a entradinha do jantar.




*Duvido e faço pouco que alguém tenha coragem de levantar mais cedo em plena segunda só para ir até a padaria buscar pão fresquinho!!!!!

domingo, 15 de janeiro de 2012

Temporada Ouro Preto: O Sótão (pra não dizer que não avisei!)



Viagem não é viagem de verdade se não tiver aquele episódio que, depois que passa, faz a gente rir copiosamente da mega roubada que se meteu, certo?! Pois em Ouro Preto não poderia ser diferente. Aliás, a diferença é que a gente identificou a roubada já nos primeiros minutos e já choramos de rir lá mesmo!

O motivo foi O Sótão, um aparentemente inofensivo restaurante localizado na Rua Direita, 124. Era noite e entramos lá porque o grupo era imenso e não cabia n'O Passo sem que fosse feita reserva. Na estreita portinha d'O Sótão, um hotness (um ser estranhíssimo que lembrava o Raul Seixas) angariava pretensos comensais que subiam ou desciam a ladeira. Como começava a chover, a fome do pessoal começava a apertar e a preguiça depois de um dia cheio falava mais alto, resolvemos entrar.

Passando a porta, um salão vazio e ao fundo uma escada caracol que nos levaria ao sótão propriamente dito. O primeiro constrasenso do local, considerando que o tal sótão era apertado e tinha teto baixo, ou seja: por que diabos, então, não ocupavam a parte de baixo do local???? É a fidelidade ao conceito da casa em detrimento do conforto dos frequentadores, pois não?!

No salão, diversas mesas espremem-se numa arrumação aleatória. Como a turma recém-chegada era composta por cerca de 30 pessoas, a solução foi fazer um arrranjo esquisitíssimo em "L" nas mesas. Layout torcicolo! Aliás, o dono da casa que nos atendia não media esforços para que não desistíssemos de permanecer no local. Elencava num entusiasmo de fazer inveja a qualquer recreador infantil, todas as atraões da casa. Dentre as vantagens incomparáveis que a casa oferecia, o Biafra (sim, o rapaz era a cópia perfeita do Biafra!!!) nos apresentou, orgulhosamente, o launge com vista para a cidade: na verdade uma varandica bem da sem vergonha, com algumas cadeiras quebradas encostadas e com vista para o varal de calcinhas da casa vizinha!! Preferimos nos referir ao espaço como "longe"!!!

Outra atração da casa? Sim, claro que havia! Música ao vivo. Oh, Gosh! Não demos sorte. Na nossa noite, um senhorzinho (em estágio avançado de depressão) dedilhava tristemente seu violão e arranhava as mais enfadonhas letras da MPB... foi o set mais triste que já ouvi na minha vida! Mas, se a trilha sonora era tristonha, a animação do Biafra cantando o cardápio fazia o contraste necessário para manter o nível de gargalhadas da noite.

Depois de mil quinhentos e vinte e cinco milhões de negociações e rearranjos... finalmente combinou-se que o grupo seria servido pelo rodízio de panquecas, ganharia caipirinhas e seria servido de tudo o mais que se pedisse. Devo confessar: não comi as panquecas, mas pessoas de minha confiança comeram e disseram que eram deliciosas!! Primeiro (e único) ponto positivo.

O próprio Biafra estava servindo nossa mesa e a cada nova panqueca, uma nova rodada de falatório. Numa dessas, ele aproveitou para revelar que além de tudo, ainda fazia balas de coco caseiras (sabem aquela que tem que ficar puxando, puxando, batendo, puxando e batendo e puxando? então, essas mesmas!) e, claro, aproveitou a deixa para vendê-las, sob ameaças de que só as fazia uma vez por semana e aquele era nosso dia de sorte!!! Ah, vá!

Tudo ia (na medida da boa vontade) bem, até que a chuva apertou lá fora e, quando pensa que não, ping-ping-ping... uma goteira bem no meu copo de cerveja!!!!!!!! probleminha prontamente solucionado pelo Biafra, que colocou uma cumbuca na mira da goteira!! Que graça.

Quando achávamos que não falava mais naaaaada acontecer... eis que começam as rodadas de idas ao banheiro! Cada um que de lá voltava, vinha com a cara mais de espanto do que a outra. Fui até lá conferir. Para começar, o tal banheiro ficava exatamente ao lado da cozinha que na verdade não tinha paredes, funcionando como uma cozinha americana com balcão. Opa! Cadê a Vigilância Sanitária de Ouro Preto, gentê?! Ao entrar, o segundo choque: o vaso sanitário ficava embaixo de uma escada, para mirá-lo, era preciso, no caso das meninas, um duplo malabarismo, afinal, além de esforçar-se para não sentar no suspeitíssimo vaso, ainda era preciso fazê-lo num ângulo agudo (negativo), contrariando a Lei da Gravidade. O papel higiênico? Sim, sim... vários rolos, váááários deles... todos numa graaaaande bacia em frente ao vaso, todos começados... sendo, de sua livre opção, a escolha de qual deles usar! Bi-zar-ro!

No fim, depois que todos estavam satisfeitos: a conta. Estraaaaanha. Os bons de conta do grupo encarregaram das complexas operações, mas, dias depois ainda falava-se da tal conta que deixou todos muito intrigados quanto às operações que resultaram num total que ficou meio suspeito, viu?! Estão avisados.

Enfim, o Sótão foi, sem dúvida, a experiência mais bizarra da temporada em Ouro Preto. De acordo com relatos, a comida é boa, mas, em contrapartida, tem todo o resto. Assim, visitando Ouro Preto, é de sua livre escolha a entrada nesse mundo esquisito... depois não digam que não avisei!

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Bom, termina aqui a temporada Ouro Preto, a partir do próximo domingo, volto às bobagens variadas das cozinhas da vida!

domingo, 1 de janeiro de 2012

Temporada Ouro Preto: onde comer e beber

O Passo




O Passo foi a melhor esperiência de Ouro Preto! Trata-se do restaurante (que fica na rua dos bancos, fácil de achar!) com ambiente mais sofisticado (mas não inimidador!) em relação aos demais da cidade (que sempre tem um ar mais caseiro, mais fazendinha). Há três opções de salão para permancer: mesas com quatro ou seis cadeiras (vermelhas! lindas!) num salão claro e bem arejado, mesas maiores para grandes grupos e a varanda, ao ar livre, com vista para o jardim botânico e (com um pouco de sorte) para um Ipê roxo absurdamente florido! O menu é italiano. Para quem já se cansou dos tutus ou, como eu, não é muito afeto às aventuras gastronômicas, preferindo sempre agradar ao estômago com a boa e garantida pasta, O Passo é o lugar! Se procura preços popularíssimos... hummm... melhor andar mais um pouco, mas, garanto, não se trata de pratos caríssimos, não (o penne ao sugo saía por R$ 30). Essa maravilha da foto é a brusqueta pomodori, que juntamente com a de funghi compôs meu almoço, ao lado de uma deliciosa e muito bem preparada capirinha de limão (com limão espremido e sem bagaço... um luxo!). Estando em Ouro Preto, permita-se O Passo pelo menos um dia!



Garapinha!


Ignore a palavra 'restaurante' na placa da foto... não é isso o que você vai fazer lá! A Garapinha (que também fica na rua dos bancos, ao lado do cinema) é o local da perdição master-blaster-plus-mega-power... é lá que se compram os melhor doces de leite de toda a galáxia!!!!!! Logo que se entra, uma vitrine pecaminosa exibe (sem o menor pudor!) quilos de doce de leite pastoso, misturado com maravilhas como morango, coco, abacaxi, maracujá (ok, essa não é minha perdição... mas tem quem considere!), ameixa, figo e mais e mais e mais! Fico zonza só de lembrar. Quem é frequentador deste blog sabe que tenho sérios problemas com doce de leite, pois não?! Pois eu quase tive uma síncope nervosa quando entrei na Garapinha (também quase tive uma 'diabetes-instantânea'). Desses doces que ficam expostos, você pode comprar por quilo ou levar potinhos (R$ 2,50 - mais ou menos 150 ml). Para quem pretende levar de presente ou fazer estoque até a próxima ida a Ouro Preto, os mesmos doces que são vendidos à granel, podem ser comprados em potes de vidro devidamente lacrados que garantem o doce por cerca de 1 ano!!!! Como se a gama de opções não fossem a melhor coisa do lugar... ainda tem o melhor preço da cidade!!! Enquanto em outros lugares o pote de 1Kg saía por até R$ 12, lá custava R$ 9! Enlouquecedor, não?! QUERO UMA FILIAL DA GARAPINHA EM SP, JÁ!

Café Chopp Real


Se O Passo foi o melhor almoço, o Café Chopp Real é, sem sombra de dúvida (isso dito por uma pessoa mega-cri-cri), o melhor jantar e happy hour de Ouro Preto!!!! Fica na praça Tiradentes, à esquerda da entrada do Museu de Mineralogia e abre por volta de 16h. Dentro, um ambiente muito agradável e com (boa) música ao vivo a partir das 18h. O atendimento é muito gentil... embora fique um pouco atrapalhado quando uma multidão inesperada surge - aconteceu quando o garçom perguntou se seríamos apenas três e dissemos que chegariam mais umas três ou quatro pessoas, que acabaram virando trinta e cinco, quarenta... resultado: nossa mesa ficou tão longa que já estava chegando em Mariana e os garçons estavam ficando desesperados com o animadíssimo mega-grupo que só foi embora às 2h!! O cardápio oferece comida típica mineira(parece estranho, mas, acreditem: comida típica é meio difícil de encontrar em Ouro Preto!) em porções extremamente generosas (servem até três pessoas tranquilamente!), mas o que me encantou não foi o tutu (claro!)... foi a batata assada! quando pedi, imaginei algo como a tradicional 'baked potato', mas diante de mim surgiu essa maravilha da foto abaixo:

é uma espécie de escondidinho de batata, mas muuuuuito bem recheado e com uma crosta de queijo derretido que me fez ir elogiar a iguaria ao gerente da casa! Nada melhor para companhar aquela super-caipitequila que pode ser vista ali ao fundo! Para não dizer que a casa é o cúmulo da perfeição... há um probleminha: o banheiro. Sujo? Sem papel higiênico? Sem sabonete? Nada disso! É limpíssimo, tem papel fofinho e sabonete cheirosinho... entretanto... a luz com sensor de presença apaga-se depois de 10 segundos. Pergunta: que bêbeado nessa vida faz um pipi em 10 segundos????? Resultado, no meio da função, a luz se apaga (breu total) e você é obrigado a dar uma sacolejada no braço para avisar ao sensor que você ainda está ali e tem sérios planos de terminar seu pipi sob luz intensa e brilhante!!!! O gerente disse que tomaria providências para aumentar o tempo de luz acesa! Mas, diante de boa comida, boa bebida e ótima companhia... esse é um detalhe tão bobo que acaba virando mais um motivo para boas risadas! Café Chopp Real: RECOMENDADÍÍÍÍÍÍSSIMO!





Sanduich Brasil

Para fechar a série 'onde comer e beber', dou a dica do Sanduich Brasil (assim mesmo!). Fica em frente ao prédio da FIEMG. Trata-se de uma versão brasileira do Subway! Eles usam o mesmo princípio de oferecer diversos ingredientes e o cliente monta o lanche da maneira que lhe convém! A diferença é que você assinala suas escolhas numa comanda e quando seu sanduba está pronto, te chamam pelo nome! Outra diferença? Os ingrediente são frescos e saborosos (pronto, falei!!). Vejam a maravilha de recheio que montei na foto acima que tirei do meu lanche! O ambiente é simples, mas bem agradável! Os preços são bem acessíveis (o lanche custa em torno de R$ 12) e a porção vale um super almoço. É uma excelente opção para quem quer uma refeição prática, saudável e muito saborosa!

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No próximo domingo, para fechar a Temporada Ouro Preto, a experiência mais bizarra!!! Imperdível!

Feliz Ano Novo!!