domingo, 30 de agosto de 2009
1° coentro: você está no Alasca, neve, frio, quilômetros e mais quilômetros separam seu nariz de um prato que levou um certo ingrediente na receita. Mesmo assim, é possível senti-lo. Qual é o ingrediente?! Coentro, claro! Esse matinho não deveria estar na categoria de tempero, afinal, por mais temperança que se tenha ao usá-lo é impossível não contaminar toda a comida. Uma folhinha basta e lá se foi a receita todinha. E nem adianta negar, coentro é indisfarçável! Pra mim, esse é o campeão na categoria produto tóxico utilizado na cozinha;
2° cominho: praticamente um empate técnico com o anterior! Seu cheiro, também chamado de fedor ou simplesmente futum, pode ser sentido até mesmo por pessoas que perderam o olfato. Trata-se de uma poeirinha química extraída de sai lá onde... muito provavelmente era utilizado como agrotóxico para matar as piores pragas na lavoura, mas o Ministério da Agricultura, a Embrapa e o Papa perceberam que isso poderia contaminar para todo o sempre o solo do planeta e por isso proibiram seu uso como defensivo... daí, alguém, em alguma fazenda por esse mundão-de-meu-Deus, encontrou um frasco com 'cominho xypzq 800mg master power' e resolveu usá-lo na comida. Pior é que teve gente que gostou e por isso esse veneno é utilizado até hoje. Sabe essas anomalias que se vê por aí?! Essas mutações e doenças inexplicáveis?! Cominho!
3° cebola: sei que aqui se plantará a semente da discórdia, afinal esse ser tem declarados fãs por aí... e não são poucos. Urgh! Particularmente, o-de-i-o. Minha única dúvida é se a cebola é pior crua ou cozida. Crua é crocante, fedida, ácida e deixa um bafão de lascar (...bafo esse que nem cloro puro é capaz de amenizar... sei de namoros que terminaram por conta de hálito de cebola, heim!!). Cozida tem aparência intragável, mais parece um bigato albino listradinho de verde. O fato é que, crua ou cozida, esse trem contamina a comida por onde passa. Para ajudar, tenho uma sorte danada: se existe um único pedaço de cebola numa panela inteira... esse pedaço irá parar no meu prato, sempre, invariavelmente. Perseguição! A única ressalva que faço é quanto ao aroma de um bife acebolado... ainda que eu nunca, nunquinha, nunquíssima vá comê-lo, dado o nível irreversível de contaminação, acho o aroma produzido bastante agradável. E essa é a máxima declaração positiva que posso dar em relação à odiosa cebola;
4° pimentão: somente o Sarney seria capaz de negar que numa comida com pimentão não há pimentão... e é lógico que ninguém irá acreditar. Por dois motivos: o primeiro porque é impossível! Se alguém mostrar o pimentão para uma comida... automaticamente ela estará contaminada. Segundo porque... ninguém mais acredita no Sarney, né gente?! Só o Lula, seus amiguinhos e a base aliada, claro! Mas voltemos ao pimentão. Taí mais um ingrediente que não tem como disfarçar. Não adianta colocar pouco ou muito, quem está passando pelo entorno (vizinhança e arredores) de uma cozinha onde se prepara uma comida com essa coisa, sabe que ele, o pimentão, está lá. Também é possível descobrir, três semanas depois, que alguém comeu pimentão, afinal é esse o período da azia que ele provoca. Eca, né?!
5° azeitona: rá-rá! Quem foi que disse que sou uma pessoa tendenciosa?! Amo azeitonas... de todos os tipos, em todos os pratos, mas é inegável que ela tem um sabor que toma conta. Invade cada garfada, colherada ou fatia do que se está comendo. Sou do time que adora, mas conheço três ou quatro que não suportam essa bandidinha, justamente por esta propriedade invasora de sabores. Há inclusive quem culpe justamente a azeitona da empada pela azia, má digestão, efeito giboia que se sente depois de um dia daqueles num rodízio de iguarias colesterentas. Pode?! Sei lá, mas se tem azeitona, não adianta negar... todos sabem que tem dela ali.
domingo, 23 de agosto de 2009
Antes de comer, certifique-se de que a coisa é comestível...
Tenho um amigo que é responsável por algumas das histórias alimentares mais engraçadas que conheço. Ele é sagitariano como eu, mas, ao contrário de mim, consegue ser o 8 e o 800 numa mesma fase. Explico: já tive a minha fase alimentar mega-junkie, mas numa guinada, quando descobri que não tinha mais 15 anos (snif!), passei para a fase mega-saudável... nela estou e pretendo continuar. Meu amigo, no entanto, é mega-junkie e mega-saudável tudo ao mesmo tempo agora. Come de tudo e adora tudo.
Ele é super bem humorado, mas se tem uma coisa que o deixa ranzinza é fome. Por isso, sempre carrega em sua mochila de utilidades uma verdadeira lancheira com mil coisinhas para beliscar ao longo do dia. Acontece que num certo dia, já quase no fim do expediente de trabalho, ele, que havia saído para fazer serviços externos e demorou mais que o previsto na rua, retornou verde de fome e azedo de humor.
Passou por todos como um foguete. Ninguém se atreveu a falar com ele, era o mais seguro a fazer, afinal era nítido que ele não havia comido nada e todos sabem que, em casos assim, o melhor é se manter o mais distante possível. Foi direto para a cozinha para revirar sua mochila, pegou a sacola onde deveria haver frutas, barrinhas de cereal e afins.
Ao abrir a tal sacola... qual não foi sua surpresa ao descobrir que trouxe a sacolinha do lixo da pia da casa dele!! Antes de se dar conta do próprio engano saiu intimando quem tinha sido o responsável pela brincadeira de péssimo gosto (...nesse caso, incontestavelmente, literalmente de péssimo gosto!!). Todos o convenceram de que ali, não havia ninguém louco o suficiente para mexer com a comida dele, então, ligou a com b e descobriu que se atrapalhara um tiquinho ao pegar a sacola de comidinhas antes de sair de casa!
Como já era tarde e o assunto era de extrema urgência, ele se virou como pôde na cozinha: comeu aveia com água! Não interessa se era bom ou ruim... o mais importante é que, de barriguinha cheia, ganhamos nosso amigo bem humorado de volta e pudemos rir a valer dessa confusãozinha que ele havia feito.
Ah... são tantas histórias hilárias... tem a do bombom de sabonete, a do pernil com maionese e suas consequências, a da coxinha de cabelo que saiu rolando... uma mais divertida do que a outra. Mas esses são causos para outros posts...
Importante mesmo é a lição que aprendemos hoje: antes de comer, certifique-se de que a coisa é comestível!
domingo, 16 de agosto de 2009
Por acaso ou por destino, como queiram...
Todos os dias, na hora do almoço, era aquele restaurante que ele escolhia. Não era o mais sofisticado, nem o mais aconchegante, nem mesmo era acolhedor, o preço não era bom e a comida era ruim, mas, religiosamente, todo santo dia, lá estava ele.
Entrou ali pela primeira vez por acaso, ou por destino, como queiram. Estava em mais uma das tentativas de parar de fumar e numa crise incontrolável de abstinência entrou na primeira porta que viu para comprar cigarros. Foi quando se deparou com ela.
Uma garçonete de rosto comum, corpo comum, gestos comuns que, naquele momento, não se sabe se por conta da abstinência de nicotina, era a mais linda das criaturas que ele já tinha visto. Amor à primeira vista.
Ao invés do cigarro, sentou-se numa mesa e pediu que ela lhe trouxesse uma água:
- com ou sem gás?!
Seu coração quase saltou pela boca. Era tímido de doer:
- s...s...sem.
Uau! Nunca, num primeiro encontro, uma conversa havia fluído tão rápido, tão bem! Só podia ser um sinal! Decidido a conquistá-la, ia voltar lá todos os dias... mesmo ficando esse restaurante a cinco quadras de seu escritório, mesmo sendo caro, feio e tendo cadeiras tão, tão desconfortáveis, afinal, Ela estava ali... e era tão delicada, gentil, atenciosa.
Na hora do almoço, no dia seguinte, fez seu prato no buffet e sentou-se na mesma mesa do dia anterior. Queria cultivar a memória visual de sua amada. Depois de duas garfadas, sem sentir o gosto da comida, não se sabe se pelo nervosismo, pelo amor ou pela falta de gosto da própria comida, levantou o braço trêmulo para chamar sua amada. Estava decidido a puxar conversa:
- pois não?!
- s...s...sal!
Sal! Foi a palavra mais curta que achou naquele momento. Naquele e em todos os próximos. Todos os dias ele a chamava e pedia sal. E foi assim por meses e meses e meses.
A dona do restaurante, que observava a cena todos os dias, sacou que o caso não era exatamente de sal, chamou sua funcionária e deu a dica:
- você ainda não notou?! Esse cliente vem aqui todos os dias e pede sal pra você! Ele fica tão nervoso que só pode estar afim de você, sua boba!
- ele não faz meu tipo.
- ah, mas até que ele é bonitinho, apesar de ser tímido de dar dó...
- sim, sim, mas não é isso que me incomoda nele...
- é o quê, então?
- prefiro caras doces...
Gosto não se discute!
Depois de dez meses, de uma hora para outra, ele não apareceu mais no restaurante. Soube-se depois que estava tratando de problemas renais e da pressão alta: excesso de sal na alimentação. Quem contou foi a enfermeira do hospital vizinho ao restaurante. Enfermeira que por acaso, ou por destino, como queiram, estava saindo com ele.
domingo, 9 de agosto de 2009
Sadia!
Amo pão de queijo! Quando estou com preguiça de fazê-lo, compro pronto, congelado, para assar em casa. Quando é esse o caso, a marca escolhida, depois de provar diversas outras, é Sadia.
Até então, o motivo limitava-se ao produto: o tamanho dele é ótimo, nem coquetel, nem lanche; assa rapidinho e depois de assado, fica com aquela crostinha crocante por fora e maciozinho por dentro, mas não aquela coisa molenga que vem inteira na boca na primeira mordida; muito saboroso, gostinho de queijo suave; salgado na medida, nada excessivo.
Sexta-feira, fim de tarde. Semana difícil. Tudo o que eu queria era um balde de café e alguns pães de queijo, quentinhos, fresquinhos. O café, lógico, eu tinha em casa, pão de queijo, não. A caminho de casa, passei no mercado e peguei um pacote de Pão de Queijo congelado da Sadia. E fui rapidíssimo pra casa.
Galerinha no forno, café na cafeteira e fome de leão tomando conta de mim. Mas, conforme os minutos iam passando, minha alegria foi se demilinguindo... juntamente com os pães de queijo. Meus pãezinhos tiveram uma crise de identidade e viraram mingau na assadeira. Depois de assado, virou um biscoitão de polvilho. Aaaaaaaaaaaaaaaaaah!
Num misto de tristeza, frustração, revolta e fome, muita fome, liguei para o Serviço de Atendimento ao Consumidor da Sadia pra perguntar 'por quê? por quê? por quê?'. Como já passava das 18h, fui atendida por uma secretária eletrônica que me pediu nome e telefone. Snif.
Sábado. Domingo. Segunda-feira, nem me lembrava mais do episódio ocorrido na sexta, quando meu celular tocou! Era a Sadia! Ó, que bonitinha! Uma atendente muito simpática e atenciosa* estava retornando minha ligação. Relatei o que aconteceu, então ela explicou que provavelmente houve mudança de temperatura: ele descongelou e congelou novamente (...sabe aquelas situações que uma pessoa pega a mercadoria do freezer, desiste no caixa e não devolve ao freezer?! Acontece isso! ). Daí, surpresa, a Sadia me daria outro pacote de pão de queijo com dia de entrega agendado! Demorou um pouqinho: oito dias, mas é por que moro em Far-Far-Way!!
No dia marcado, às 8:30h da matina, meu novo pacote de pão de queijo foi entregue! Final feliz!
Então, oito dias depois, finalmente pude comer meu pão de queijo quentinho acompanhado de um baldinho de café... Mellita, claro! hehehehe
Como diria o jornalista José Paulo de Andrade no programa Pulo do Gato da Rádio Bandeirantes**, 'Empresa séria não discute, resolve!'. E não é que é isso mesmo?! Agora, escolho e recomendo o Pão de Queijo Congelado Sadia pela qualidade do produto e pela garantia do pós-venda! Satisfação garantida.
*...aaah, infelizmente não anotei o nome dela!
**Programa 'O Pulo do Gato', diariamente das 5:30h às 7h, na rádio Bandeirantes de São Paulo, 90.9 Fm, 840 AM.
domingo, 2 de agosto de 2009
Chocolate com 90% (...eu disse 90%) menos calorias
Quando bati os olhos nessas palavras achei que fosse pegadinha, mas não, não era! Deu no Estadão do dia 21 de julho*, um jornal sério e responsável, a seguinte manchete : Chocolate perto de revolução na Suíça - empresa promete produto com 90% menos calorias.
Pena que é na Suiça e ainda está em fase de testes. A Barry Callebaut, empresa suíça que produz "1,1 mi de toneladas de artigos de cacau (...) desenvolveu um tipo de chocolate com propriedades inteiramente novas. De acordo com o principal pesquisador da empresa, Hans Vriens, o chocolate apresenta 90% menos calorias do que o produto comum." Uaaaaaaaaaau!
Mas, de acordo com a notícia, sabe qual é o maior interesse desta empresa?! Produzir um chocolate que seja capaz de suportar altas temperaturas sem derreter para atender as demandas de países quentes como China e Índia, uma vez que este produto desenvolvido por eles só começa a derreter a partir de 55°C, enquanto que os outros viram calda a partir de 30°C, ou seja, é possível comer esse novo chocolate me pleno verão baiano subindo as ladeiras do Pelourinho sem que suas mãos fiquem lambuzadas e sem perder um único grama de chocolate. Dessa propriedade veio a inspiração para o nome do chocolate: Vulcano. Embora acho difícil que sua barrinha não derreta se você resolver comê-la sentado à beira de um vulcão incandescente!
A princípio, a Barry Callebaut visa ao mercado norte americano, já que o pessoal por lá parece ser obcecado por dietas e regimes e o mercado de chocolates lá 'praquelas bandas' anda estagnado. No entanto, esta empresa será muito tolinha se não se der conta do óbvio: o Brasil além de ser um país tropical, cujas temperaturas, no verão, fazem derreter o chocolate dentro da geladeira, é também um país que tem crescente preocupação com a estética... é só repararem no número de cirurgias plásticas que são feitas, os lucros e crescimento do ramo de produtos cosméticos e os preocupantes números relacionados à venda de remédios de emagrecimento. Resumindo: chocolate com 90% menos calorias, por aqui, venderia mais do que cerveja em micareta! Hey, Callebaut, olha a gente aqui!
Embora ache bem bacana a ideia de comer chocolate durinho até o fim , já que adoro quando ele faz aquele 'crow-crow-crow' na boca, me interessa muito mais saber que mesmo que eu coma 1Kg de chocolate, estarei consumindo as calorias dos 100g habituais. Uia! Precisa de mais o quê para ser feliz?! É a realização do mais delirante dos meus sonhos!!
Chocolatras do Brasil, uni-vos em uma corrente de fé para que esse chocolate dos sonhos chegue o mais breve possível às terras tupiniquins... e, de preferência, com preços ascessíveis, né?!!
*O Estado de São Paulo, ano 130 - n° 42280, terça-feira, 21 de julho de 2009 - Caderno B16 - Negócios
sábado, 25 de julho de 2009
Eu só penso em você (...bebendo um café conforto)
Sou só eu?! Ou parece que esses dias de temperaturas mais baixas deixam todos mais sensíveis?!
Ainda bem que há alguns artifícios para apaziguar essas saudades. Bebidas quentinhas, por exemplo!! Daí, a gente segura a caneca quentinha com as duas mãos enquanto bebe devagarinho e vai se lembrando de bons momentos e querendo outros melhores ainda.
Receitinha?! Claro que eu tenho!
Café Conforto
50 g de chocolate ao leite ou meio margo
75 ml de leite desnatado
75 ml de café coado bem forte
2 colheres de sopa de licor de chocolate
3 colheres de sopa de espuma de leite vaporizado (leite integral)
canela em pó para polvilhar
Coe o café. Num refratário (de preferência aqueles medidores com biquinho... isso vai facilitar sua vida!), derreta o chocolate no micorondas por 1 minuto. Com uma colher, mexa para uniformizar o derretimento. Em outro recipiente, aqueça o leite. Assim que ele estiver bem quente, vá incorporando ao chocolate aos poucos. Adicione o licor e o café e misture até que tudo esteja incorporado. Se isso levar muito tempo, com esse frio que anda fazendo, provavelmente a bebida já estará gelada... então, se necessário, volte a mistura ao microondas e aqueça por mais 30 ou 40 segundos. Prove um tiquinho para decidir se é necessário adoçar. Aqueça e vaporize o leite integral com o auxílio de um mixer*. Na xícara, caneca ou cumbuca de sua preferência, coloque duas colheres da espuma do leite vaporizado e, delicadamente, vá despejando o leite com chocolate, café e licor em fio no centro da espuma. Por último, coloque mais uma colher de espuma, polvilhe um pouco de canela em pó e proooooonto! É só correr para as cobertas de volta e beber seu café conforto!!
Essa bebidinha é quase um abraço de tão aconchegante que é! Ela quase me faz esquecer da saudade, só não me esqueço porque a falta que você me faz é maior... infinitamente maior. É inevitável, no inverno só consigo pensar em uma coisa: eu só penso em você, Verão! Saudades, querido, volta logo... estou quase morrendo congelada!
domingo, 19 de julho de 2009
Top 5: provérbios (...da cozinha para a vida)
2° 'se a vida lhe der limões, faça uma limonada' - quem foi que disse que a vida seria um mar de rosas?! Mas não é por isso que todo mundo deve se descabelar! Este lindo provérbio é uma boa maneira de dizer que se deve sempre ver o lado positivo das coisas. Otimismo puro! Ao invés de ficar se lamentando diante dos reveses da vida, já que a maioria deles são inevitáveis, que tal tentar reverter a situação ao seu favor?! Ou fazer uma refrescante limonada para beber enquanto o espera a poeira baixar!
3° 'enquanto você ia com o milho, eu já voltava com o fubá' - alguém resolve bancar o espertinho com você, mas você é mais espertinho ainda. Taí, nessas horas esse provérbio cai como uma luva! Em situações mais extremas, é possível elevar o grau do ditado dizendo 'enquanto você ia com o milho, eu já voltava com o prato só com as migalhas do bolo que eu fiz com o fubá'! Vai encarar?
4° 'pimenta nos olhos dos outros é refresco' - ui! A Tropa de Choque deve pensar nisso quando faz aquela chuva de spray de pimenta para dispersar multidões, né?! Na verdade ela está distribuindo refresco! Gracinhas. Fica então uma pergunta: se nos olhos dos outros é refresco, pimenta no próprio olho é o quê?! Farofa???
5° 'quer moleza?! senta num pudim' - sabe aquele povinho folgado, que quer tudo de bandeja, nunca quer meter a mão na massa, quer colher os frutos sem plantar a árvore?! Esse provérbio é perfeito! Embora já tenha dado esse conselho a várias pessoas, não tenho relatos de alguém que tenha feito... mas deve ser uma situação bem... mole, né?!
domingo, 12 de julho de 2009
Spa na cozinha
Não, o tema do blog não mudou, continua sendo comidinhas... mas quem disse que o que você tem na cozinha serve apenas para preparar comida?! Abrindo armários e geladeira, vé possível encontrar um verdadeiro spa para se cuidar em casa mesmo.
É incrível como alguns ingredientes que fazem bem para a parte de dentro do nosso corpo também podem fazer muito bem para a parte de fora.
As receitinhas são todas muito simples. As opções são inúmeras, mas vou citar apenas aquelas que costumo fazer para mim mesma.
Para organizar as coisas, prepare um chá de camomila e coloque-o para gelar. Faça o mesmo com chá verde. Aproveitando o fogão, faça um chá de alecrim bem forte, mas mantenha-o quentinho... você vai fazer um escalda-pés!!
Partindo para a prática, comece pelos cabelos: misture 100 gramas de iogurte natural (em temperatura ambiente) a uma colher de sopa de azeite de oliva. Passe no comprimento e nas pontas dos cabelos... evite o contato com as raízes... isso pode deixar seu couro cabeludo oleoso. Deixe agir por 30 minutos. Se preferir coloque uma touca plástica.
Enquanto isso, pegue o chá de alecrim, coloque numa bacia que caiba seus pés, complete com mais água quente (o suficiente para que seus pezinhos fiquem submersos) e coloque um bom punhado de sal grosso. É basicamente o mesmo tempero de um pernil assado, né?!! hehehehe Para deixar a coisa mais relax ainda, assalte os brinquedos do seus filhos e coloque algumas bolinhas de gude (fubecas) no fundo da bacia, elas irão massagear a sola dos pés. Depois de um dia de salto alto (no caso das meninas) ou de chuteira apertada (no caso do meninos), isso é tudo que se pode querer! Lembrando que o alecrim é um excelente antisséptico, ajudando a limpar e cicatrizar possíveis pequenos cortes e bolhas.
Confortavelmente sentado(a) num sofá, de pés mergulhados na água quente, aproveite para tirar as olheiras! Mergulhe duas bolas de algodão no chá de camomila gelado e coloque-as sobre os olhos. Relaxe! Acenda velas aromáticas, coloque uma musiquinha agradável de fundo e esqueça da vida!
Quando a água da bacia começar a esfriar, hora de fazer uma esfoliação. Use uma mistura de meia xícara de chá de fubá, a mesma medida de açúcar cristal, uma colher de sopa de iogurte natural e duas colheres de óleo de amêndoa (...esse você não encontra na cozinha, ok?!). Vá pegando um pouco dessa mistura e faça movimentos circulares nos pés. Dedique mais tempo aos calcanhares e use mais delicadeza no peito e na planta. Use dois ou três minutos para cada pé. Dê uma enxaguadinha na água do escalda pé... só para não sair sujando a casa!
Hora de ir para o banheiro. Para esfoliar o corpo, misture meia xícara de chá de fubá, meia xícara de chá de açúcar refinado e três ou quatro colheres de sopa de óleo de amêndoas. Entre no box... para não emporcalhar o banheiro. Aplique a mistura no corpo todo fazendo movimentos circulares. Nas partes mais delicadas como a parte de dentro das coxas, braços e colo, aplique com menos força e por menos tempo, mais ou menos dois minutos. Já nas partes mais grossas como joelhos e cotovelos, aplique um pouco mais de força. Só depois de aplicar o esfoliante e massagear o corpo todo, ligue o chuveiro. Tire o excesso da msitura do corpo, então, lave o cabelo normalmente, com os produtos de hábito.
Saindo do chuveiro, hora de aproveitar que a água quente abriu seus poros e esfoliar o rosto. Para isso, use uma colher de sopa de mel misturada a mesma medida de fubá fino. Aplique nos rosto fazendo movimentos circulares com suavidade. Lave o rosto com água fria. Para aclamar os poros, aplique compressa com o chá verde gelado e se estiver num dia de coragem, passe uma pedrinha de gelo rapidamente pelo rosto (... não se demore, pois o gelo aplicado diretamente à pele pode queimar, heim?!).
Para finalizar, adicione uma colher de café de vinagre de maçã a um litro e meio de água fria. Despeje essa mistura nos cabelos já lavados, condicionados e enxaguados. Essa mistura vai dar um brilho incrível aos fios. Para não judiar, não precisa mirar o couro cabeludo! Pode privilegiar o comprimento e as pontas.
Use os hidratantes de costume no cropo e rosto. Pronto, você está um espetáculo!
Receitinhas simples e baratíssimas! Que tal experimentar, heim, heim?!
PS:... quer um programa completo de spa caseiro com direito a comidinhas leves e tudo mais?! Baixe o e-livro SPA EM CASA (http://panelinha.ig.com.br/site_novo/e_livros/spa_casa.php) no site Panelinha (www.panelinha.com.br) ... é de graça e é divino!
domingo, 28 de junho de 2009
Use apenas em casos de emergência
Já é noite avançada, depois de um dia de estivador no trabalho. Ainda que o cansaço tente, quem impera de fato é a fome. A última refeição foi o almoço há quase 12 horas atrás.
A caminho de casa, a memória vai tenantda lembrar o que há na geladeira, no armário, naquele pote de biscoito. Mais uma vez a fome fala mais alto, então, o desejo de que haja uma lasanha para aquecer, acaba se confundindo com a realidade: mas não, não há uma lasanha na geladeira pronta para ir ao forno.
O supermercado 24 horas fica muito longe. Que tal a padaria?! Já fechou. Assim como o mercadinho, o empório, o armazém, a vendinha, a biboca e o moquifo. O jeito é torcer para que a fada-da-despensa tenha passada e deixado algo prático e gostoso depois de um 'tlim' de sua varinha.
Em casa, depois de quase arrombar a própria porta (fome!), o destino é a cozinha. Na geladeira... hummm... água, uma lata de cerveja, um pote de margarina, um naco de gorgonzola (... que na verdade já foi queijo fresco... melhor não comer!) e só. Na fruteira: a fruteira. A última maçã foi comida no café da manhã. No pote de biscoito, farelo.
A última esperança é a despensa. Esperando um lindo milagre de fim de noite, a porta é aberta. Passando por mil pacotinhos de coisas pela metade, escondido lá no fundo, um milagre: um pacote de miojo!! É a glória!
Por mais que digam que miojo é um horror, 'miojo, que nojo', que é ruim, que detestam, tenho certeza absoluta que na hora daquela fome de doer, um prato de miojo quentinho transforma-se num manjar dos deuses. Aquele cheirinho subindo pela fumaça, aquele amarelinho sem graça... tão apetitoso. E o sabor?! hummm... antes da primeira garfada, a boca se enche de saliva.
Quem nunca viveu uma cena como essa?
O miojo, aquele pacotinho colocado com desprezo e indiferença no carrinho durante as compras no supermercado sabe que será bem quisto, desejado, amado e adorado num dia de fome, e assim, ele espera. Vê todos os outros alimentos saírem, serem preparados com requinte, cuidado, dedicação, paciência, cercados de 'hummmns'... enquanto isso, ele, o pobre miojinho, ali, aguarda pacientemente a sua vez. Ele sabe que será o último da despensa, mas também sabe que no fundo, no fundo não é apenas um macarrãozinho sem graça, lotado de sódio e gordura, sabe que será um alento num momento de fome. Acima de tudo, ele sabe que seu grande tempero não está naquele sachezinho à parte, seu tempero, na verdade, é a fome alucinante. Esperto!
Há quem resista, mas é quase inevitável não apelar para o miojo numa emergência. Existem, inclusive, umas receitinhas para dar uma melhorada nesse macarrãozinho sem vergonha... mas isso é assunto para outro dia. Um amigo meu diz que as palavras miojo e delícia não cabem na mesma frase, mas, aguardem, em breve, dicas para transformar seu miojo numa delícia! hehehe O ingredientes básicos?! Miojo e fome (muita fome!)... o resto são firulas.
Será que me esqueci de alguma coisa?!
Pensei que estava desmemoriando. Depois descobri que o caso era de distração aguda. A cabeça está em cima do pescoço, mas os pensamentos... ah, sabe Deus onde estão.
As últimas semanas têm sido um desfile de brancos e lapsos. Alguns são apenas bobagens, mas outros me fizeram ruborizar.
Exemplos?! Darei dois: me esqueci completamente do aniversário desse bloguinho!! Foi dia 23, mas só fui me lembrar no dia 25. Para remediar o lapso, decidi fazer um bolinho de aniversário pequenininho bem lindo e delicioso para fotografar (e posteriormente comer, claro!) e fazer um post comemorativo.
Lá fui eu pra cozinha. Pensei em fazer um bolinho bem prático, daqueles de liquidificador, daqueles que a gente mistura tudo e põe pra assar.
Coloquei (quase) tudo no liquidificador. Liguei. Desliguei. Abri a tampa... a textura estava meio diferente e o cheiro também. Ignorei. Ando distraída e sem paciência. Despejei a mistura na assadeira previamente untada. Levei ao forno previamente aquecido.
Quando me virei para colocar o liquidificador na pia... ali no cantinho, avistei o motivo da textura e cheiro diferentes da minha massa. Notei que havia me esquecido de um ingredientezinho bááááááááásico. Querem adivinhar?! ... errou quem disse fermento! Seria muito clichê! Todo mundo quando se esquece de um ingrediente, elege o fermento. Fui além, muito além: me esqueci de colocar o ovo!! O o-v-o. Lá estava ele, branquinho, encostadinho no canto da pia, quase saltitando para chamar minha atenção: 'ei, ei! olha eu aqui!'. Que puxa.
O mal já estava feito, mas não me fiz de rogada, tirei a assadeira do forninho elétrico, depejei a massa no liquidificador novamente, coloquei o ovinho e dei aquela mexida, como se nada tivesse acontecido!
O resultado?! Vergonhoso, lógico. O bolo ficou da espessura de um dedo mindinho bem magrinho. Praticamente um biscoito: baixinho, seco e crocante. Mas querer que o coitado do bolo crescesse, seria demais. Então, resignada, decidi encerrar as atividades naquele pequeno desastre culinário e não tive a cara de pau de querer confeitar aquele projeto de bolo.
No dia seguinte, peguei a foto de um bolo de verdade no site da Martha Stewart e fiz o tal post, atrasadíssimo, comemorativo de aniversário. Fiquei pensando: será que ela, A Martha Stewart, já se esqueceu de colocar o ovo num bolo?! Ah, acho que não, ela só se esquece de pagar impostos, né?! hehehehe
Só para constar: meu bolo seria de chocolate com recheio e cobertura de brigadeiro... fica para o ano que vem, combinado?!
*melhor não arriscar pedindo que atirem pedras, vai que tem alguém super-mega concentrado por aí!!
sexta-feira, 26 de junho de 2009
2 anos e 3 dias de Clara.em.Neve!!
Dia 23 de junho, terça-feira, foi aniversário desse singelo bloguinho. 2 anos escrevendo bobagens e pensando em comida! Hoje, 2 anos e 3 dias!! Uma festa!Meu muitíssimo obrigada aos amigos queridos que sempre dão uma passadinha por aqui, aos que estão próximos, aos distantes, aos que conheço pessoalmente, aos que conheço só pela net, aos declarados e aos anônimos. Muito obrigada a quem deixa comentários aqui ou me manda e-mail fofos. Adoro!
A primeira fatia desse bolo divino* vai para todos vocês!
Muitos anos de vida ao Clara.emNeve!!!!!
Continuem por aqui e chamem os amigos... hehehehe
*a foto do bolo divino em questão foi tirada do site da divina Martha Stewart (http://www.marthastewart.com/) ... no post de domingo explico o porquê.
domingo, 21 de junho de 2009
O que foi que eu disse?!
Quando escrevi o post "A genialidade por trás da comida de avião*", terminei dizendo as seguintes palavras: "(...) Ouçam todos, é melhor parar de reclamar da raçãozinha atualmente distribuída, temo que chegará o tempo em que a cozinha dos aviões se resumirá a um forno de microondas onde as quentinhas, trazidas pelos próprios passageiros, evidentemente, serão rapidamente aquecidas! Escrevam o que estou dizendo... ".Acharam graça?!
Qual não foi meu espanto quando li no Estadão** a notícia intitulada "Nos aviões, lanche pago e taxa de banheiro***". A prática de cobrança de taxas extras já é adotada em algumas companhias aéreas estrangeiras e agora passa a ser utilizada pela brasileiríssima e espertíssima Gol.
É o seguinte, desde o início do mês, os passageiros que embarcam em Guarulhos com destino a Belém, Fortaleza, Natal, Porto Alegre e Salvador, além do kit-recreio (amendoim, refri e barrinha de cereal), terão a opção de pedir um combo (lanche, bebida não alcoólica e um chocolate), desde que paguem por ele, claro!
Há três opções de sanduíche: saudável (!), gourmet, caprese e kids. Cada um por R$10. Caro, heim?! O tal combo, para não morrer engasgado e poder tirar o gosto ruim da boca, sai por R$ 15.
Não, não, não é piada! Agora, na Gol é assim: "quer encher a barriginha no avião?! Peça pelo número!!". E sabe qual a justificativa?! Segundo eles: "a companhia decidiu começar o serviço depois de realizar pesquisas com os clientes". Oi?! Daria um tequinho da unha do meu dedo mindinho da mão esquerda para ver um desses formulários de pesquisa. O que será que perguntaram para chegar à brilhante conclusão de que os passageiros estariam sedentos por viajar numa lanchonete voadora?!
Se pensarmos na criatividade dos brasileiros, não demora nada para surgir um novo segmento nesse mercado. Vai chegar a hora que, em pleno ar, lá do fundo da aeronave, surgirá alguém, de isopor em punho, gritando: "Refrigerante, cerveja e água é dois real, é geladinho, aqui na minha mão". Duvida?! Mais um pouco e a própria Gol (ou outra companhia aérea, empolgada com o sucesso do novo ramo) irá lotear e alugar pequenos espaços dentro do avião para instalação de, digamos, quiosques onde o pequeno empreendedor poderá colocar uma máquina de churrasquinho grego, um carrinho de cachorro quente e muito mais... as possibilidades são inúmeras e, com perdão do trocadilho horrendo, o céu é o limite, ou melhor, nem o céu é limite!!
Nesse ritmo, a possibilidade de colocarem o microondas no avião para aquecer as quentinhas fica cada vez mais próxima e real. Depois dessa, não duvido de mais nada nessa vida. Geeeeente... estou me sentindo uma quase Mãe Diná.
Tomara que o dinheiro que as companhias economizarem seja investido na segurança dos voos para que cheguemos de estômago forrado e, principalmente, vivos ao destino.
Tomara que o dinheiro que as companhias economizarem seja investido na segurança dos voos para que cheguemos de estômago forrado e, principalmente, vivos ao destino.
* não leu?! Como não?! Então, vejam texto completo aqui:
** O Estado de São Paulo, terça-feira, 09 de junho de 2009, anos 130, n° 42238, Caderno Viagem & Aventura***E os constipados nunca imaginaram que um dia levariam alguma vantagem na vida!! Taí, gente de sorte!
domingo, 14 de junho de 2009
Jura que já é junho?! Jesus!
O tempo: esse molequinho sapeca que sai correndo por aí, em desabalada carreira, e a gente nem percebe, quando vai ver, já passou. E não é que junho já está praticamente na metade?!
São tantas as tarefinhas a serem cumpridas que a gente só acaba vendo os dias no calendário e mal repara no mês. Esse fim de semana levei um susto quando vi repostagens em todos os lugares sobre as mandinguinhas para Santo Antônio*.
Sim, são as Festas Juninas colorindo as paróquias com suas bandeirinhas e perfumando as quermesses com seu cheirinho de gengibre e canela! E dá-lhe quentão para aquecer esse outono que não se manca que não é inverno!!
Minha mãe se empolga nessa época. Acho que esses ares interioranos que as festas de junho trazem mexem com o dna caipira dela. Ela é uma legítima descendente de caipiras: filha de pai e mãe caipiras, nascida em Jambeiro e criada até mocinha em Caçapava (...ou seria o contrário?!), Vale do Paraíba, interior de São Paulo.
A ancestralidade caipira de mamãe, como ela mesma diz, vem à tona, a cozinha funciona a plenos vapores e, como se fôssemos todos morrer amanhã e precisássemos comer tudo num único dia, ela consegue preparar, numa mesma tarde, canjica com leite de coco, arroz doce com canela e leite condensado, bolo de milho com queijo e coco e, para completar, amendoim torrado para beliscar entre um doce e outro! E lá vou eu para o sacrifício de provar muito de tudo. Quantas delícias!
E assim, todos os anos, minha mãe faz questão de honrar a tradição caipira e deixar a família um pouquinho mais gordinha nesses gélidos dias de junho! E viva as guloseimas juninas! Viva!
Só ficou faltando o chá do padre**... me esqueci de comprar a Paçoquita e fiquei sem coragem de sair nesse frio polar só pra isso... mas ainda tenho duas semaninhas para resolver essa falha!
*...a mandinga que mais me chocou foi a que colocam o poverelo do santo, sem o menino Jesus, virado de ponta cabeça dentro de um copo de cahaça num armário escuro!! Gente, estão pegando pesado com o Santo! Isso é tortura das brabas. Será que não periga de acontecer o efeito contrário?! Eu, heim?!
**receitinha aqui, ó: http://claraemneve.blogspot.com/search/label/ch%C3%A1%20do%20padre
domingo, 7 de junho de 2009
Será que vai chover?!
Sabe aqueles dias de boa preguiça? Dias de friozinho (ou de friozão como os dessa última semana em São Paulo), dias de garoa, dias de chuva. Sabe aqueles dias de saudade de seja lá o que for?! Saudade de outros dias, de outros lugares, tempos passados ou que ainda nem aconteceram. Sabe aqueles dias de lembranças?! Lembranças de pessoas queridas, de quem está pertinho ou muito longe ou muito, muito longe.
Numa dessas tardes, de um desses dias, bate aquela vontade de comer alguma coisinha aconchegante. Alguma besteirinha que não apenas satisfaça o estômago, mas que também provoque a memória, que remexa seu baú de lembranças. Sabe o que acompanha esses dias?! Bolinho de chuva!
Não, não, não é a coisa mais saudável do mundo, afinal, é um bolinho frito, mas e daí de vez em quando?!
Esse é um bolinho que me faz lembrar de coisas boas, de tempos bons, de pessoas queridas. É um bolinho que, pra mim, poderia se chamar bolinho de saudade. E que também é uma delícia para comer junto de pessoas queridas, acompanhando um bom papo, em dias que a gente talvez nem se dê conta de como é feliz por ter as pessoas que amamos por perto, ainda que estejam longe.
Esse bolinho faz tudo isso!
Quer uma receita bacana e que fica bem sequinha e crocante?! Taí, ó:
1 ovo
1/2 copo de leite
3 ou 4 colheres de sopa de açúcar (depende de como você prefere, mais docinho ou mais neutro... pra recehear com doce de leite ou geleia!!)
2 colheres de sopa rasas de amido de milho (pra deixar seu bolinho mega fofíssimo)
2 colheres de sopa de aveia (pra dar uma forcinha nas fibras, né?!)
1 e 1/2 xícara de chá de farinha de trigo ( se preferir, fracione com farinha integral)
1/2 colher de sopa de fermento em pó
açúcar e canela em pó para polvilhar
(Dica importantíssima: nunca, jamais, nem sob tortura, coloque margarina ou manteiga na massa... esses ingredientes é que fazem o bolinho chupar a panela inteira de óleo. Quer bolinhos sequinhos?! Esqueça a margarina e a manteiga!)
O modo de fazer é aquele para mestre cuca: numa tigela, misture o ovo, o açúcar e o leite. Assim que a mistura estiver homogênea, acrescente a aveia, o amido de milho e vá acrescentando aos poucos a farinha de trigo. O ponto é uma massa cremosa e consistente, nem muito líquida, nem muito seca. Por último adicione o fermento em pó com mais um pouquinho (uma colher rasa) de farinha e mexa bem. Deixe a massa descansar por mais ou menos 10 minutos. Enquanto ela repousa, coloque óleo (novo, heim?!) numa frigideira, panelinha, tacho ou recipiente de fritura de sua preferência e deixe aquecer em fogo brando. Forre uma tigela com gardanapos de papel. Quando o óleo estiver quente, mas não pegando fogo, nem soltando labaredas e fumaça verde, modele os bolinhos com a ajuda de duas colheres, diretamente no óleo. Deixe fritar dos dois lados (...eles se viram sozinhos na panela! Uau! Assim que um lado está frito, ele vira a bundinha pra cima pra fritar o outro lado!!!) e coloque na tigela forrada. Quando todos estiverem fritos (...Ah! importante: dizem as vovós que se você comer um bolinho antes de terminar de fritar todos, os outros irão ficar encharcados, crus e horripilantes!! Pelo sim ou pelo não, melhor fritar tudo antes de provar!), polvilhe açúcar e canela sobre eles. Se estiver inspirado, recheie com doce de leite ou alguma geleia que está dando sopa na geladeira. Agora é só passar aquele balde de café fresquinho (...ou chá mate quentinho!) e se entregar às memórias, a um bom papo, às cobertas, à preguiça ou ao que mais lhe agrade!
O bolinho é de chuva, mas nem precisa se preguntar se vai chover! Seja subversivo: coma bolinho de chuva em tardes de sol! Mais importante é ter do que ou de quem se lembrar com carinho.
domingo, 31 de maio de 2009
Você não sai daqui sem tomar um cafezinho!
Se a resposta foi sim para as três perguntas anteriores, você muitíssimo provavelmente já passou por grandes apuros diante de uma xícara de café. Lógico que nem sempre o que o aguarda é um veneno, mas corre-se um grande risco!
Conheço pessoas que, depois de algumas experiências ruins, sentem um friozinho na espinha quando escutam 'Você não sai daqui sem tomar um cafezinho... eu sei que você adooooora!'. O problema do café alheio é que quem o faz segue seu gosto pessoal. Não é que o café de fulano ou beltrano seja ruim... pra eles não, pra você sim. Questão de gosto... e de vez em quando de mão ou de pó ou de água ou de coador ou de açúcar... são tantas hipóteses!
A minha experiência mais traumática foi há muitos e muitos anos atrás, na casa da amiga de uma amiga de uma amiga. Estávamos quase indo embora quando ela diz a tal frase... 'vocês não saem daqui...', mal sabia eu que isso era praticamente uma ameaça!!! Ela mesma foi fazer o café. Preparou uma mesa farta com bolo, pães, bolachas, geléias... e café. Como era uma inocente criança, ingênua que só vendo, acreditava que todo café se parecia com o café de casa. Rá! Girei a tampa da garrafa e distraidamente quase enchi a xícara grande. Só quando o estrago já estava feito fui notar que de dentro da garrafa saía não café, mas uma água sujinha, quase transparente. Levei um susto... tinha quase certeza de que ela havia se confundido e acabou engarrafando a água na qual lavara o coador do café! O coitado era tão fraco, tão fraco que se tivesse uma formiga no fundo da xícara seria capaz de vê-la dando um tchauzinho pra mim. Mas o mal estava feito e só me restava mandar aquele balde de água quente levemente aromatizada pra dentro! Foi nesse dia que aprendi que há coisa bem pior do que chá de boldo.
De vez em quando você até dá sorte e acaba esbarrando com pessoas de muito bom gosto e uma mão divina para preparar essa bebida sagrada. Tenho um tio super fofo que sempre que o visito, ele faz questão de passar um cafezinho Melitta beeeem forte para tomarmos juntos! E é sempre uma delícia... ele tem talento!
Há, também, aquelas pessoas que admitem logo de cara que não têm o mínimo jeito nem mesmo para ligar o botão da cafeteira e tomar esse café ou não é uma decisão que fica por sua conta e risco! Um amigo meu contou que certa vez, na casa de um conhecido, a esposa do tal conhecido ofereceu café, mas adiantou que ela era ruim até para ferver a água, mas ia fazer um café para ele. Uia! Diante de uma ameaça desse porte, eu teria dito que minha úlcera estava latejando e por isso não poderia aceitar a oferta, mas ele, tão educado, aceitou. Dali a poquinho, a mulher vem com uma xícara dizendo que só consegue fazer café solúvel! Quer saber?! Ele bebeu o café! Sim! E quer saber mais?! Ele ainda disse que estava gostoso, para ser gentil! Oras, mentira por mentira teria contado a história da úlcera! hehehehe
É cada uma! Tantas saias-justas diante de uma xícara! Algumas, inclusive, são secretíssimas! Às vezes, o melhor mesmo é fechar o nariz com os dedos, jogar o café na garganta e não magoar ou arrajar briga com alguém!
E antes que digam que nós, apreciadores de café, somos todos chatos, faço uma comparação com os amantes de cerveja. Dizer que café é tudo igual, seria o mesmo que dizer que Bohemia e Bavaria são a mesma coisa... Brahma e Antártica... Original e Sol. São a mesma coisa?! Talvez seja uma chaturinha, sim, mas é que quando se conhece o sabor divinal, fica difícil aturar qualquer coisa!
Gosta de café?! Ama café?! Melhor dizer: depende! Pra evitar a fadiga.
domingo, 24 de maio de 2009
Trabalhadores do mundo, uni-vos!
Ela caiu como uma bomba atômica sobre a cabeça do mundo. Ela, no caso, é a Criiiiiiiiise. Embora alguns acreditassem que não passasse de uma marolinha*, o fato é que de uma maneira ou de outra a tal crise mundial acabou pegando todo mundo de um jeito ou de outro.
Quem não foi afetado diretamente, acabou usando a falta de crédito e o sobe e desce da bolsa como desculpa perfeita para fazer alguns, digamos, ajustes no quadro de funcionários. Naquela empresa não foi diferente.
As coisas iam muito bem, mas sem saber exatamente o que vinha pela frente, o chefe achou melhor enxugar os setores antes que o pior acontecesse. A notícia de demissões correu toda a empresa em menos de 2horas. A atmosfera de pânico tomou conta do lugar.
Antes do final do expediente, o pessoal do sindicato já estava na porta do prédio convocando os trabalhadores para uma manifestaçãos sem hora para acabar. Um representante foi escolhido para negociar.
Longas horas depois, um acordo finalmente foi firmado entre as partes. O sindicato sugeriu um programa de demissões voluntárias que oferesse algumas vantagens para quem saísse; para os que ficassem, haveria uma redução na jornada de trabalho e, lógico, uma redução no salário. Se tudo corresse bem, seria necessário demitir apenas 10% da lista inicial. Ainda era ruim, mas naquele momento era o melhor que se podia fazer . Isso tudo numa sexta-feira.
Na segunda-feira, os funcionários que toparam entrar no pdv já ficaram em casa, os outros chegaram para trabalhar sabendo que sairiam mais cedo e que no fim do mês receberiam menos. O clima ainda era de incerteza, afinal, apesar de todos os esforços, ainda havia o risco de integrar a lista dos 10% que seriam demitidos.
Logo no início do expediente, o próprio chefe foi ao quadro de avisos afixar a lista dos demitidos. Todos largaram o que estavam fazendo e, com o coração na mão, foram até o quadro. Ninguém queria ver seu nome ali. Suspense. A lista era curta, apenas uma vítima. Cada um que olhava aquele papel e não se achava ali sentia um alívio imediato. E assim foi até que a dona do nome se reconheceu.
Ela foi firme, corajosa, não derramou uma lágrima, mas todos notaram que ela tinha sido a escolhida para o sacrifício. Ela teria de sair para que a empresa continuasse viva. Ela.
- ... mas quem é ela?! Não consegui ver direito daqui.
- Não sei, tô tão feliz que não sou eu que nem prestei atenção.
Pergunta daqui, pergunta dali, até que um dos funcionários, ainda em estado de choque, conseguiu pronunciar algumas palavras para revelar a identidade da demitida:
- ..eee..eela é a... a... aaa... ti...tia do...do... do... café!
- A TIA DO CAFÉ?!
- a tia do café?!
- a tia do café?!
A empresa toda, em uníssono, gritou um profundo e dolorido 'nãããããããããããããããããããããããão'.
Em menos de 5 minutos os pessoal do sindicato estava na porta do prédio, desta vez com três carros de som, dois trios elétricos, bandeirolas, faixas e aos berros mandavam o recado ao chefe:
- NÓS ACEITAMOS DEMISSÕES VOLUNTÁRIAS!
- Ééééééé!
- NÓS ACEITAMOS REDUÇÃO DA JORNADA!
- Ééééééé!
- NÓS ACEITAMOS ATÉ UMA REDUÇÃO DO SALÁRIO.
- Uuuuuuuuh!
-...MAS NÃO PODEMOS SER CONIVENTES COM ESSE ABSURDO, COM TAMANHA DESUMANIDADE PARA COM NOSSOS TRABALHADORES! DEMITIR A TIA DO CAFÉ CONFIGURA UM ABUSO DESMEDIDO. NÓS NÃO ACEITAMOS! NÃO!
- Não! não! não!
Os trabalhadores das empresas vizinhas, ouvindo o motivo da manifestação, se solidarizaram à causa. Logo a ruas vizinhas já estavam tomadas por manifestantes. Outras centrais sindicais dirigiram-se para o local. A imprensa. Ongs. Cidadãos comuns. Líderes de todas as religiões... até o Dalai Lama apareceu por lá!
A tropa de choque, chamada para apaziguar os ânimos, limitava-se a observar de longe. No fundo no fundo, eram também solidários à manifestação.
Ao chefe, acoado e se pelando de medo, restava apenas rever sua posição, admitir a meleca que havia feito e voltar atrás:
- Senhoras e senhores, estou profundamente envergonhado comigo mesmo. Peço perdão a todos vocês por meu erro. No momento, só me resta declarar, diante de todos vocês, que a tia do café fica, ela é peça fundamental nessa engrenagem... saio eu no seu lugar!!
- EEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEh!
E assim foi. Na terça-feira, tudo voltou ao normal. Sem chefe, as coisas funcionaram muito bem, talvez porque o cheirinho de café, que tomava conta de toda a empresa, tranquilizasse todos e dissesse, silenciosamente:
- Vai ficar tudo bem! Vai ficar tuuuuuudo bem!
.
Moral da história?! Seja qual for o tamanho da crise, haja o que houver, nunca mexa com a tia do café!
.
*adivinha quem! adivinha quem!
domingo, 17 de maio de 2009
Top 5: tipos de bêbado*
1° o cantor - o mundo é um palco e ele tem o microfone (no caso, o vidro de pimenta). Ele sempre esteve ali, dentro dele, escondido num cantinho, reprimido pela algoz e carrasca sociedade, julgadora de talentos natos não compreendidos. Mas bastam algumas doses a mais para esse tipo vir à tona. Se o boteco oferece karaoquê, esqueça! O microfone é dele e todo o resto é sua plateia. Ele solta o gogó, cantarola em palavras molengas, cambaleantes. Batuca na mesa, interpreta, vive a letra, se entrega às melodias. Cada palavra que lhe vem à memória ou aos ouvidos lembra uma bela canção (!). O repertório, invariavelmente inclue Roberto Carlos e Raul Seixas**, um fenômeno a ser estudado. É um tipo inofensivo, embora um tiquinho irritante;
2° o fanfarrão - o mundo é um parque e ele tem os ingressos. O meninão, ele tem a absoluta certeza de que é a pessoa mais engraçada do mundo, dono das mais cômicas piadas. Diverte-se com as coisas mais inusitadas: da espuma do chopp ao vaso sanitário. Ri antes, durante e depois da piada e não se importa nem um pouquinho com os que não riem com ele. Aliás, esse tipo ri de tudo, tudo, absolutamente tudo. O mundo vira uma grande piadona e ele está feliiiiiiiiz. Quer brincar, pular, dançar, é a plateia ideal para o tipo anterior;
3° o deprimido - o mundo é um abismo e ele quer se jogar. O bar é um consultório, a mesa um divã e o garçom, coitado, o terapeuta. A vida é um grande poço e ele quer se afogar. Sóbrio, esse tipo até segura a onda, mas depois de algumas doses ele emerge das profundezas do vale das tristezas e, pior, ele quer desabafar! Começa amuadinho, mas de repente resolve que sua vida é uma porcaria, que é infeliz, fracassado, pobre, feio, ninguém o ama, ninguém o quer... duvida até do amor de seu cachorro. Ele está triste e precisa contar para quem quiser ouvir e para os que não querem também. Ele está carente e quer abraçar. Esse tipo é o terror dos graçons, geralmente o escolhido para receber seu abraço;
4° o filósofo - o mundo é uma grande pergunta e ele tem as respostas. Ah, a vida... a morte... o conhecimento... a espuma do chopp como a metáfora definitiva para o tempo, esse creme que escorre pelas bordas da vida. São tantos porquês, tantas dúvidas, tantos copos a serem virados... Se está sozinho torna-se casmurro, contemplativo, observa e pensa, pensa, pensa. Se esse tipo encontra companhia... aaaah, daquela mesa sairão as mais complexas e belas teorias aplicadas às coisas mais bestas da vida. O girar da água depois da descarga, a crosta crocante que envolve o bolinho de bacalhau. Hajam respostas para tantas perguntas, haja voz para tantas ideias, haja fígado para tanto álcool! É o tipo inteligente, arrebatador de plateias, uma mistura de Baco e Platão;
5° o multipolar - o mundo é o mundo e ele é todo mudo. Esse tipo consegue ser todos os tipos anteriores num único dia de bebedeira. Oscila entre alegria contagiante e tristeza profunda. Ri chorando, chora rindo. Faz discurso, canta, dança. Ensaia uma briga com o vizinho de mesa, dá uns socorros no ar, mas termina abraçando o cara e dizendo que o ama, que a vida é bonita e blá-blá-blá. Nunca ninguém sabe como esse tipo vai se comportar. É o tipo que vira teoria para o filósofo, é motivo para o choro do deprimido, a grande inspiração de mil piadas para o fanfarrão e é para quem o cantor dedica 'metamorfose ambulante'. É o tipo instável, o mais temido pelos garçons, eles nunca sabem se levam um lenço ou um microfone à mesa.
*entenda-se bêbados e bêbadas, só para economizar parênteses, ok?!
**sempre atendendo aos pedidos de outros bêbados que gritam 'toca Raul'!
domingo, 10 de maio de 2009
O Monstro do Lago Ness
Era uma noite gelada e úmida do mais tenebroso dos invernos. A neblina descia do céu como uma densa cortina branca. Mal era possível mudar o passo sem temer o que vinha pela frente. No céu, uma lua cheia, tímida, opaca lutava em vão contra a massa de nuvens que insistia em encobri-la.
Era uma noite escura. Quase não havia movimento nas ruas. Aqui e ali, dois ou três cachorros, donos de si, embolavam-se sobre maços de velhos jornais numa inútil tentativa de se aquecerem.
Era apenas o início da noite, mas as casas, quase todas, já estavam dormindo. Uma daquelas noites cujo único conforto se encontra sob mil cobertas. Janelas e mais janelas, ao longo dos caminhos, todas escuras, exceto aquela no fim da estreita rua.
Era uma noite silenciosa. Apenas o sussurro dos gélidos ventos conversavam por ali. O tempo passava sem pressa, vascilante, calmo.
Naquela noite, um grito ecoou. Agudo. Apavorado. Grito do mais puro dos medos. Rompeu a neblina. Assustou os cachorros. Acordou as casas.
Frestas de janelas espiavam a rua na tentativa de descobrir a origem daquele som de pavor.
Vinha daquela única casa acordada.
Lá dentro, a mãe corre apavorada para acudir o filho que gritara.
Em seu quarto, gripado, sobre a cama, sob cobertas, o filho, aos prantos, diante de um prato de sopa, dizia aos soluços:
- O Monstro, mamãe! O Monstro do Lago Ness está na minha sopa!
Era uma tira enorme de cebola. Molenga. Transparente. Intimidadora, fazia voltas no prato de sopa do pobre menininho que se protegia como podia, tampando os olhos com as trêmulas mãozinhas. Sim, era o Monstro do Lago Ness! Ou pior: era a monstra cebola da sopa.
A mãe, de arpão em punho, também usado como faquinha de mesa, arrancou aquele ser tenebroso que caíra acidentalmente justamente no prato do filho que mais detesta cebola.
Pronto. O monstro está longe.
O filho, orgulhoso de sua heroína, terminou seu prato de sopa quentinha, virou para o lado e dormiu um sono de quem sabe que está seguro.
E a noite seguiu como ia.
***
Só mãe mesmo!! Feliz Dia das Mães a todas as mamães heroínas de nossos mundos!
domingo, 3 de maio de 2009
Virada Cultural 2009
Dias 02 e 03 de maio, fim de semana da Virada Cultural em São Paulo! Em 2009, cá entre nós, a dona Crise deu o tom da festa. Não pelo público, a mesma multidão das edições passadas, mas a lista de atrações, além de menor, não contou com tantos destaques como antigamente. Ainda que nomes como Tom Zé, Novos Baianos, Arrigo Barnabé e (tá bom, vai...) Maria Rita (que estão dizendo por aí, é a graaande atração da edição 2009) estivessem na lista, a ala roqueira, a que mais me interessa, ficou muitíssimo a desejar.
Será que os organizadores imaginaram que CPM22 seria o grande representante da categoria?! Ui, que medo! Para salvar a honra do bom e velho, os bons e velhos, Tutti-Frutti (?), Camisa de Vênus, Velhas Virgens e Joelho de Porco. Além da nem tão velha assim, Nação Zumbi (rock?!). Tinha também o 'Palco 20 anos sem Raul'... imaginem quantos 'Toca Raul!' ecoaram por ali! Medo.
Onde foram parar nomes consagrados e respeitados do rock nacional vistos às enxurradas em 2008? Na edição passada, o 'Palco Canja' fez ,durante as 24 horas do evento, um rodízio alucinante de grandes nomes como Clemente (Plebe Rude e Inocentes), Redson (Cólera), Andreas Kisser (Sepultura) e tantos e tantos outros em jam sessions inesquecíveis, além do 'Palco Independentes' que deu espaço e oportunidade para bandas independentes mostrarem seu trabalho. Em 2007, foi covardia... rolou até Plebe Rude (...ah, minha banda favorita do coração!).
Em 2009, até a sinalização ao longo do percurso estava minguada. E banheiros químicos?! Juro que não vi. Deve ser por isso que às 19h o cheiro de pipi já tomava conta do ar. Urgh.
Ontem, saí de casa com toda a boa vontade de que uma pessoa convalescente é capaz, depois de uma semana de repouso forçado. A atração escolhida para iniciar os trabalhos foi Arrigo Barnabé no Teatro Municipal... ou melhor dizendo, teria sido. A fila, identicamente às edições passadas, era uma verdadeira 'roubada cultural'. Simplesmente não tinha fim, dobrava a esquina depois de um caracol à moda Playcenter. Mas, como boa sagitariana, otimista e tudo mais, ainda tive esperanças em conseguir um ingresso. Depois de uma hora, numa 'cilada cultural', decidi que não quereria transformar minha Virada numa 'filada cultural', saí andando e fui para o 'Palco República' para ver Tutti-Frutti (!). Ah, bacaninha, vai!
Logo que o show acabou, infelizmente, minha 'virada estomacal' ( a que medeixou de molho)começou a se manisfestar, assim como a 'baixada da pressão arterial'. Revirada por dentro e zonza, percebi que não conseguiria virar a Virada e fui para minha casinha, virar uma xícara de chá quente goela abaixo e me virar embaixo do edredon, afinal, estava um frio de rachar os ossos ontem à noite. Nem deu tempo de passar fome na rua... aaaaaaah... também não tomei café da manhã no Mercadão... aaaaaaaah. Até tinha levado uma barrinha de granola na bolsa!
Uma pena não ter podido desfrutar de mais atrações! Espero, sinceramente, que quem estava mais no pique do que eu tenha conseguido aproveitar esse evento maravilhoso, afinal, embora minhas bandas favoritas não tenham marcado presença, mais do que grandes nomes ou atrações, a Virada Cultural é uma festa de dimensões imensas, que proporciona uma vivência cultural indescritível. São tantas pessoas diferentes, tantos lugares, cores, sons que a simples caminhada pela cidade já é a festa. Sou fã! Não participou esse ano?! Ano que vem tem mais: Virada Cultural 2010, me aguarde, já estou me preparando para ficar 24horas me divertindo a valer!
domingo, 26 de abril de 2009
Apetite
Quer coisinha mais temperamental do que o apetite?! Varia não apenas de pessoa para pessoa, mas também numa mesma pessoa dependendo da situação. Intimamente ligado às emoções, o apetite oscila ao sabor dos sentimentos.
Durante a infância, uma das grandes brigas das mamães é abrir o apetite de seus rebentos. Nessa fase, no entanto, o apetite dos pimpolhos é pelas brincadeiras, pelas descobertas, não por comida... comer é apenas um detalhe e só há apetência por salgadinhos, bolachas, refrigerantes. Apetite de criança é bem espertinho! Diante de um prato de arroz e feijão ele faz bico, diz que não quer, chora e vai embora, mas a coitada da criança, que não pode simplesmente sair andando, acaba tendo que mandar aquele pratão para dentro, mesmo sem o tempero do apetite.
Apetite é assim: se abre ou se fecha e nunca se sabe qual é a chave que usa.
Na vida adulta, quando as mamães não mais obrigam seus bebês a comer (ou quase isso!), são os probleminhas que passam a ser a chave dessa porta. Num momento de grande ansiedade, o tal do apetite pode fazer uma pessoa sentir engulhos ao ver o mais sucolento dos pratos ou pode fazê-la querer comer não só o prato, como também os talheres, guardanapo e tudo mais. Junta-se à ansiedade, a irritação, o estresse, o nervosismo, a depressão e por aí vai.
As meninas, que maravilha, têm um item a mais nessa listinha: a tpm! Nesse período, há a fase do enjoo, perda total do apetite - nela, nem uma lasanha quentinha e cheirosa, na hora do almoço, parece apetitosa. E a fase 'draga', apetite com força total vezes 10 ao cubo - nessa o apetite faz tudo, tudo, absolutamente tudo parecer o manjar dos deuses.
Mas, não são só as emoções desagradáveis que fazem o apetite variar. A amor, por exemplo, faz o apetite dos pombinhos apaixonados oscilar mais do que o índice Down Jones em tempos de crise, inclusive o sabor dos alimentos fica mais agradável, embora nem sempre se esteja com apetite para devorar a pizza do encontro do sábado à noite, por haver coisas mais interessantes para fazer.
E por falar em sabor, o apetite geralmente vai embora quando não se pode sentir exatamente o gosto do que se come. Isso acontece quando se está doente. Aquela gripona não leva apenas o ânimo pra longe, ela faz tudo ganhar sabor de isopor e não anima o apetite, por isso ele vai dar uma voltinha e só retorna quando os lenços de papel são aposentados. Por outro lado, a fato de ter de ficar de molho, se recuperando, pode abrir o apetite do pobre enfermo.
Apetite oscilando muito?! Bom parar e pensar nos motivos. Comer com prazer, não por obrigação, com o apetite convidando você aos melhores pratos, com moderação, não para satisfazer a gula, faz o organismo receber melhor tudo aquilo que está entando nele. Os nutrientes são absorvidos com mais eficiência e as refeições tornam-se muito mais satisfatórias... embora não estejamos completamente livres das vontades inexplicáveis, né?!
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