terça-feira, 19 de abril de 2011
quarta-feira, 6 de abril de 2011
Revendo conceitos
terça-feira, 29 de março de 2011
Cena de noticiário policial
segunda-feira, 21 de março de 2011
O resultado da espera
Ela acordou sozinha. Despertou quando o sono acabou, por isso, acordou feliz. Não apenas por isso, mas também e, principalmente, porque era o seu aniversário. Diferente de muita gente, aniversário, para ela era data esperada.
Todos os anos ela preparava uma super festa, ficava disponível para receber todos os amigos, todos os presentes, todos os votos de felicidades. Naquele ano, porém, decidiu fazer diferente: ficaria caladinha, quietinha, ia esperar pela lembrança de todos, até porque ela estava, assim, meio que adivinhando que a turma estava preparando uma festa surpresa, coisa que, por conta das suas festas, ninguém conseguia surpreendê-la, ela sempre marcava sua festa de aniversário com um mês de antecedência.
Seu marido saiu cedinho, levando as crianças para a escola. Ela ouviu tudinho, mas fingiu que estava dormindo... não queria forçá-los a não dar os parabéns pela manhã.
Não foi trabalhar. Não queria forçar o pessoal a dar os parabéns antes da festa.
Foi ao salão, queria ficar linda para sua festa surpresa. Mas foi a um salão diferente... não queria forçar o cabeleireiro a dar os parabéns antes da festa.
Passou o dia em casa:
- Engraçado ninguém ter ligado até agora.
Num instante desfez essa nuvenzinha de preocupação, afinal, era óbvio que todos estavam fingindo que esqueceram seu aniversário.
E assim passou o dia, preparada para a surpresa. E assim o dia passou. E nada.
Buscou os filhos na escola. Como seus filhos mentiam bem... qualquer um diria que eles nem tinham ideia de que era aniversário da mãe deles.
Já era noitinha quando o marido ligou pedindo desculpas: (Ufa! Já era hora!)
- Reunião de última hora... terei de substituir o chefe que está viajando. Melhor nem me esperar acordada. Nos vemos amanhã – como assim?
Ela começou a achar tudo muito, muito, muito estranho quando os monteiros marcaram 23h30! Será possível uma festa de aniversário em 30 minutos?
Adormeceu no sofá. Era fato: ninguém se lembrou do seu aniversário.
Acordou na cama. O marido a pusera lá. Achou que o dia anterior tinha sido um pesadelo. Olhou no calendário do celular e, infelizmente, era verdade, seu aniversário foi ontem. Chorou.
Depois de muito rolar na cama, rolou para fora dela e rastejou até o banheiro. Estava um bagaço. Olheiras chegando na bochecha, o penteado do dia anterior virou um pavor e, para completar, um torcicolo de matar.
Já passava das 10h, então, concluiu que o marido levara as crianças à escola.
Passou uma água no rosto, escovou os dentes e desceu vagarosamente as escadas. Zonza de tristeza e frustração, pensava em fazer as malas e sumir de casa. Mal teve tempo de completar o pensamento fujão quando, ao entrar na cozinha, deu de cara com uma multidão eufórica:
- SURPREEEEEEEEESA!
No ano seguinte e em todos os outros que sucederam, ela, dois meses antes do dia, anunciava a super festa que faria.
Não curtiu muito esse lance de festa surpresa. As surpresas podem ser surpreendentes demais.
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Desculpem-me pela demora na publicação... Está acontecendo tudo ao mesmo tempo agora na minha vida!!
quarta-feira, 16 de março de 2011
segunda-feira, 7 de março de 2011
Top 5: como dizer, sem dizer, que seu interlocutor está com o hálito vencido
5º Faça seu corpo falar - a linguagem corporal pode, em certas ocasiões, ser bem mais enfática do que qualquer discurso, pois não?! Pois então, se o seu interlocutor não aceitou o brinde de Listerine, não curte balinhas, insiste que não comeu cebola (ah, vá!), tem certeza que está com cara, e não hálito, de quem acabou de acordar e insiste em conversar, assim, beeeem de pertinho, quase te contando um segredo, parta para ação física: afaste-o com um leve empurrão, caso ele não entenda, saia correndo... não há mensagem mais clara do que essa!
* Dica de utilidade pública: tenha sempre um Trident consigo!
terça-feira, 1 de março de 2011
O que você comeu ontem?
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
Em tratamento
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
Cena pitoresca no congestionamento
Aaaah, o trânsito nos proporciona tantas histórias, não?! Inclusive pitorescas...
Dia desses, indo ao trabalho, em meio a um congestionamento 5km/h, logo a minha frente avisto um táxi. Normal, não fossem as atitudes que se seguiriam.
Estávamos na faixa da esquerda, numa avenida marginal. De repente, os carros da frente avançaram a ponto de ser possível mudar a marcha da primeira para segunda! A glória! O táxi, no entanto, ao invés de seguir reto, foi virando o carro para a esquerda em direção ao guard-rail. Fiquei aflita: ‘Será que o motorista dormiu, desmaiou, morreu?’. Quando faltava um milímetro para a lanterna dianteira esquerda dizer adeus ao mundo das lanternas inteiras, o motorista esboçou reação! Alinhou o carro, mas ainda continuou rente à grade, e parou. Tive quase certeza de que havia algo errado com o motorista, afinal, os carros/tartarugas da frente continuavam andandado/tartarugando, enquanto o táxi continuava parado.
Antes que pudesse confirmar minha suspeita, porém, o motorista abaixou totalmente seu vidro e colocou meio corpo para fora: ‘bom, vivo ele está, mas será que vai tentar se jogar no rio?’. Nada disso. Com meio corpo para fora e o braço esquerdo totalmente esticado, num movimento totalmente ninja, ele, num único golpe, arrancou uma goiaba - sim uma goiaba - de uma das árvores que tentam dar um toque verde à marginal.
De posse da goiaba, o motorista retomou o movimento. De trás, eu observava tudo. Meio pasma, afinal, o que leva uma pessoa a quase bater o carro por uma goiaba? E nem era uma goiabona daquelas que enchem a mão, era uma pobre goiabinha, filha de uma árvore que resiste bravamente à poluição, à chuva ácida, ao barulho, ao solo contaminado.
Analisando tais aspectos ambientais, foi inevitável pensar: ‘Que diabos esse homem fará com essa goiaba suja, contaminada, quiçá, radioativa?!’. Será que ele pretende comê-la??? Sem lavar??? Que tipo de fome leva uma pessoa a isso????
Não tive que esperar muito pelas respostas. Logo em seguida, na próxima paradinha, do festival do anda-e-para-anda-e-para-para-para, eis que o motorista ninja saca uma faquinha e passa a descascar a tal da goiabinha. Shelep, shelep, shelep... em três ou quatro passadas de faca, lá estava uma goiaba pronta para consumo - pronta, mas não necessariamente própria!
Ééééé, cada um faz o que pode para matar o tempo no congestionamento.
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
Ideias de verão 2: kit básico de verão
- Roupa limpa: confere.
- Higiene pessoal: confere.
- Garrafa de água mineral: confere x10.
- Barra de cereal: confere x20.
- Maçã: confere.
- Chocolate: confere.
- Salgadinho: confere.
- Bolacha: confere.
- Palavras cruzadas: confere.
- Dominó: confere.
- TV portátil: confere.
- MP3 player: confere.
- Lanterna: confere.
- Pilhas: confere.
- Corda: confere.
- Boia: confere.
- Bote: confere.
- Remo: confere...
Meias e sapatos: confere, confere.
- Vai acampar?
- Não, não. Estou indo pra casa.
- E essa tralha toda?
- Ah, rapaz, é meu kit básico de verão. Da última vez que fui pra casa pela Marginal, com o dilúvio que caiu, fiquei ilhado por 8 horas. Depois da primeira hora, meu estômago grudou nas costas. Na segunda hora, a fome era tanta que meu sapato parecia estar muito apetitoso. Na terceira, depois de abocanhar meu sapato, a boca ficou seca a ponto de eu colocar a língua pra fora para beber um pouco da chuva (inclusive acho que a minha gastrite atacou por causa dos poluentes, viu?!). Na quarta hora, comecei a jogar jogo da velha no teto do carro comigo mesmo. Ganhei todas. Não tinha mais rádio porque, com o carro desligado, a bateria arriou na quinta hora. Na sexta, no completo breu, percebi que a água barrenta já estava no meu tornozelo e continuava subindo. Na sétima, boaindo no alagamento, me pelando de medo de morrer afogado, tendo em vista que não sei nadar, tentei usar o anúncio de lançamento de imóvel como remo... o que não deu muito certo. Na oitava hora, enquanto pedia perdão pelos meus pecados e autoencomendava minha alma a Deus, percebi que uma luz me chamava. Não, não era Deus, era o helicóptero dos bombeiros vindo me resgatar pela cestinha, molhado e fedido feito um gambá que tomou banho no Tietê. Depois desse dia, trânsito no verão, só com esse kit! Será que está faltando alguma coisa?
*
Outra ideia de verão? Aqui ó: http://claraemneve.blogspot.com/2010/12/ideias-de-verao.html
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
Organizando um casamento em 5 atos
1° Ato - O sonho
- Quantos?!
- 600. E você?!
- 850!
- Então serão 1450 convidados. Uau, teremos de alugar o Maracanã para a festa. Será que a Basílica de Aparecida está disponível?
2° Ato - O pesadelo
- Deixa ver se eu entendi: você está me dizendo que cada um dos nossos convidados custará R$ 120?!
- Na verdade custaria R$ 125, mas pelo tamanho da lista de vocês, eu conversei com meu gerente que me autorizou esse super abatimento!
- Tá, deixa ver se eu entendi: você está me dizendo que a refeição de cada um dos nossos convidados nos custará R$ 120 por cabeça????
- Veja bem, esse é o Buffet mais requintado, disputado e glamouroso da cidade. Esse valor está sendo uma pechincha!
- Éééé, deixa ver se eu entendi: alimentar nossos convidados custará R$ 174mil???
- Alimentá-los sim, mas não se esqueçam da taxinha de aluguel do espaço mais a decoração... que ficam em torno de R$ 50mil...
- (...)
- Senhor... senhora...
3° Ato - A estratégia
- Não é possível que tenhamos 1450 pessoas íntimas para testemunhar nossa união.
- De quem foi a ideia estúpida de festejarmos naquele Buffet?
- Sua!
- Ah, é! Mas eu não tinha ideia de que custava tão caro...
- Amor, você viu essa Buffet no programa do Amaury Jr!
- Que, inclusive, deve ter cobrado para aparecer na festa! Que loucura! Esquece aquele lugar.
- Já esqueci, mas, sejamos francos: temos 1450 amigos e familiares?
- Hummm... não, né?! Vamos refazer nossas listas?
- Sim, mas vamos adotar alguns critérios: apenas amigos que conhecemos há pelo menos 5 anos, porque é o tempo que namoramos; apenas seus familiares que me conhecem e meus familiares que te conhecem e colegas de trabalho que frequentam nossa casa.
4° Ato - O resultado
- Quantos?
- Quatro: minha mãe, a tia Cotinha, a Fer e o seu Jarbas.
- Seu Jarbas?! Quem é esse?
- É o motorista da empresa que vem me trazer em casa de vez em quando. Segundo nossos critérios, do trabalho, só ele 'frequenta' nossa casa. E você?
- Três: minha mãe, meu pai e o Cabeça.
- Uau, ficou bem curta agora, né?!
- Não gostei.
- Nem eu.
5° Ato - A solução
- Então é isso: nosso casamento será no Buffet Master Blaster para 1450 pessoas! Que máximo!
- É, é sim... só não tenho certeza se todo esse povo vai aparecer.
- Por quê?!
- Ah, sei lá, amor... não é meio estranho cobrar ingresso pra participarem da nossa festa de casamento?
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
Batatando
- Se esparrama ou espalha a rama?
Assim, de pronto, não consigo imaginar um ingrediente mais versátil do que a batata. Seja da maneira mais simples ou da mais elaborada, acompanhando um ovinho frito ou um belo bacalhau, lá está ela.
Batata qualquer um, por mais juca que seja, consegue preparar. Quem não é capaz de fazer um purê?! Cozinha a bichinha, amassa, acrescenta sal e azeite/manteiga e tã-nam: uma comidinha rapidinha para matar aquela fome que pintou num dia de despensa desprevenida.
A partir daí, o céu é o limite! As possibilidades são infinitas: frita, dourada, assada, flambada, cozida, marinada. Há também opções mais violentas: aos murros, às pancadas, aos tapas aos beliscões. Sempre ao gosto (ou ao talento) de quem come (e/ou prepara).
Isso tudo pensando nela purinha. Quando se torna parte de uma receita, ninguém a segura! Minha versão favorita?! Nhoque de batata -digno de ser prato único, prato principal, estrela de qualquer almoço ou jantar. Mas também é ela que, em meio a um prato esquisitíssimo, salva a refeição de um pobre desavisado. Não tem certeza se o ensopadinho é de frango ou de rinoceronte?! Coma apenas a batata.
A batata é tão presente em nossas vidas que sou capaz de apostar que todos têm, tiveram ou um dia terão ao menos um amigo ou amiga com o apelido de Batata. Os (as) Batatas são pessoas bonachonas, de bem com a vida, o tipo gente finíssima - embora, quase sempre, tenham formas mais arredondadas!
Claro que se trata de uma generalização, mas acho difícil imaginar um bandido cuja alcunha seja Batata: "Preso, nessa madrugada, o temido serial killer Batata"; "O traficante Batata foi morto numa operação da polícia"; "Batata, após roubar os doces de uma criancinha, chutou a canela de uma velhinha e fugiu em desabalada carreira".
Sei lá, não combina! Deve ser porque a batata é um tuberculo bom por natureza e está fadada a ser sempre associada a comidas gostosas, pessoas bacanas e coisas legais. Não é à toa que quando se acerta alguma coisa na mosca se diz, o quê?! O quê?! O quê?! Batata!
- Que tal: "Batatinha quando nasce, espalha a rama se esparramando pelo chão..."
- Bacana, bem democrático!
Assim como a batata!
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
Perdendo as estribeiras
- Não me manda ficar calma, você sabe que isso me deixa mais furiosa!
- Então larga essa faca... vamos conversar...
- Olha pra mim - sacudindo histericamente a mão que empunhava a faca - tô com cara de quem quer conversar?
- Certo, então não vamos conversar... vamos ficar em silêncio, mas, por favor, me dá essa faca!
- Ah, você quer a faca?! Quer?! Vem aqui pegar se você tem coragem...
- Olha, na verdade eu sou bem covarde e por isso não vou até aí tirar a faca da sua mão... o que você acha de colocá-la no chão, bem lentamente, e chutá-la na minha direção?
- É pra rir?! Você tá contando uma piada?! É pra ter graça?! Eu tô rindo?! Tô?!
- Calma, pelamordeDeus!
- Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaah, eu já mandei não me mandar ficar calma!
- Desculpa! Desculpa! Desculpa! Vamos negociar... o que você quer que eu faça?! Seja lá o que for, eu faço!
- Fecha a boca e me deixa fazer o que tenho de fazer...
- Não posso! Você sabe que eu não posso! - disse, enquanto as primeiras lágrimas começavam a rolar no canto dos olhos.
- Eu preciso...
- Não precisa... você é mais forte do que isso. Já passou por coisas piores... seja forte... por favor!
- Até quando vou ter que aguentar?! Até quando? Eu não suporto mais...
- Suporta sim! Você sabe que, assim como tudo na vida, essa fase vai passar!!!
- Vai passar?! Vai passar?! Como é que você tem coragem de me falar isso? Você nunca passou por isso...
- Meu amor... eu estou do seu lado... você sabe que pode contar comigo, sempre! Fazer isso só vai piorar as coisas...
- Não vai piorar, vai pôr fim a essa angústia...
- Mas você lutou tanto... vai deixar tudo terminar assim?
- Vou! Estou decidida...
- Você tem certeza?
- Nunca estive tão certa!
- Não há nada que eu possa fazer?
- Nada!
- Então eu vou junto! Corta uma fatia desse bolo de chocolate pra mim também... e das grandes!
- TPM na dieta? Quem aguenta isso?
- Não fale, amorzinho, apenas coma!
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
Top 5: declarações infelizes durante uma refeição
2º só um pouquinho - domingão. Churrasco na casa de sei lá quem - na verdade não interessa porque você é um carnívoro assumido e topa qualquer convite pra um churras, certo?! Você chega na casa e percebe que asseio não é exatamente um hábito na família. No entanto, ignora, afinal, a carne fica assando na braaaaasa. Chegando à churrasqueira, porém, você nota que há apenas meia dúzia de magros espetinhos esturricando sobre a grelha. Entendendo que não é com carne que irá prencher seu estômago 'XL', faz um bom prato com a única outra coisa servida: salada de batatas com maionese. Quando já está quase no ponto de forrar o buraco do dente com a lasquinha de boi assado, uma voz alerta: 'Gentê, ó, não come muito dessa maionese que tá fora da geladeira desde ontem e não sei se está boa ainda... por via das dúvidas, comam só um pouqinho'. Está sentindo um helicóptero na barriga?
3º culpa do governo - almoço em família, com direito a noras, genros, cunhados, sobrinhos, cachorro, gato, galinha. Lá pelas tantas, já utilizadas todas as conversas para boi dormir - a saber, conversas sobre o tempo, a posse a Dilma, o cabelo da mulher do Michel Temer, o último capítulo da novela Ronaldinho Gaúcho - alguém tem a brilhante ideia de falar sobre coisas mais profundas. Eis que: 'E essa chuvarada, heim?! Viram as enchentes? O tanto de bueiro entupido? Esgoto a céu aberto correndo na porta das casas?! E os ratos? Cada um que parece mais uma capivara. E lama pra todo lado. Aquela água podre rolando por tudo... e tem gente que anda naquilo, viu?! Tanta sujeira... tudo culpa do governo'. A mousse de chocolate ficou indigesta?
4º engorda, viu? - depois de um inverno de dietas e academia, você está se sentindo um arraso depois de perder 2kg e 275g. Coloca aquele jeans que ainda fecha com dificuldade - mas porque encolheu, claro - e vai para o almoço na casa da sogritcha. A autoestima, acredita você, está inabalável. Você se sente linda e poderosa. Chegando lá, percebe que a única coisa verde no almoço é a toalha da mesa. Para não dizerem que você só emagreceu porque virou anorexa, faz um pratinho com um pouquinho de tudo, mesmo assim, a preciosa senhora não perdoa: 'Lindinha, vai comer tudo isso? Se continuar comendo assim, não vai emagrecer nunca. Aliás, você deu uma engordadinha desde a última vez, não?'. Ódio engorda?
5º gatinho traquina - sim, os gatos são as criaturas mais lindas, fofas e adoráveis da face da Terra. Todavia, gato e cozinha são mais opostos do que gato e cachorro. Ou pelo menos deveriam ser. Você adooooora gatos - tanto quanto eu - mas ao chegar para um almoço na casa da mãe da tia da vizinha do primo de um amigo, percebe que há mais gatos na casa do que estrelas no céu - no céu de uma cidade do interior. Brinca com um e com outro, mas fica torcendo para que a cozinha seja território proibido para tão peludas criaturinhas. Já à mesa, de prato feito diante do garfo, a gentil cuidadora dos bichanos solta: 'Ô, benzinho, dá aqui seu prato que o Félix dormiu a manhã toda nele. Vou passar sua comidinha pra outro pratinho, tá?'. Sentiu que vai passar dessa para melhor em breve?
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
Ano Novo!
- Ah, amorzinho... pode deixar que eu vou... fica aí assistindo a sua TV.
- Que novidade é essa?
- Resolução de ano novo.
- O quê?! Resolveu que vai me pregar uma peça nova todos os dias?
- Tá vendo como você é chato?! Vê má intenção em tudo...
- Aaaaah, não fica brava, é que você sempre diz que nosso casamento é na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, na alegria e na chatice, até que a morte nos separe... Daí quando finalmente me ofereço para compartilhar a chatice você abre mão da minha preciosa companhia!
- Taí, me pegou de surpresa! É resolução de ano novo?
- Hummm... é... mais ou menos... pode se dizer que... OOOWWW... não muda de assunto! Eu que perguntei isso primeiro. Se a resolução não é me pregar uma peça por dia o que é essa novidade então?!
- Então... é que eu resolvi começar uma dieta saudável.
- E o que eu tenho a ver com isso?
- Tudo!
- Desenvolva...
- Veja bem...
- Xiiii... conversa que começa com 'veja bem' não termina bem...
- Nada disso! É que se você for ao super comigo não consigo fazer dieta.
- Oi?!
- Você se alimenta muito mal... come muita besteira... bebe muita cerveja...
- E o que isso tem a ver com a SUA dieta?
- Eu vejo você comendo e bebendo e fico com vontade.
- Amorzinho da minha vida... você acha mesmo que não me levando ao super hoje vai me impedir de comprar meus 'porcaritos'? Além disso.... nós dois sabemos que, diferentemente de mim, que leva tudo a sério, suas resoluções de ano novo não chegam a fevereiro, né?!
- Rá-rá! É por isso que eu incluí você na minha resolução...
- Hummm... que gracinha! Resolveu que eu vou me alimentar de forma saudável em 2011? Rá-rá-rá... mas se você não cumpre suas promessas e eu faço parte de uma delas... isso significa que eu também não irei cumpri-la... e por culpa sua!
- Aaaaaah... não tinha pensado nisso...
- Pois é, mas eu pensei... Vamos logo, vamos! Na volta podemos pedir uma pizza para acompanhar as cervejas...
- Ma-ma-mas... e se você resolver que em 2011 vai se alimentar de maneira mais saudável?
- Hummmm... não!
- Ah, vai... o que que custa?!
- Melhor: e se você resolver que em 2011 vai cumprir suas próprias promessas?
- E como eu vou fazer isso se eu não consigo cumprir nenhuma promessa?
- Então faz assim: vamos indo antes que o supermercado feche e na volta, comendo uma pizza, você faz uma nova lista de resoluções que não vai cumprir, o que acha?
- Sem graça! ...Hei... e qual é a sua resolução, heim?
- Não deixar faltar guloseimas e cerveja em casa...
*
Minha resolução para 2011: nada de resoluções!
Que 2011 flua como quiser - bem anarquista!
Feliz AnoNovo, que 2011 traga lindas supresas à vida de todos.
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
Último de 2010
Um domingo seguidinho do Natal. Último domingo do ano. Problemas para o almoço?
- O que teremos para o almoço?
- Pensei em aproveitar o per...
- Epa, opa, epa, ê! Nem complete a palavra!
Todos fartos de peru, pois não?! Não só, mas também pernil, farofa, arroz com passas e tudo aquilo que ficou lotando as mesas durante a ceia e o almoço de Natal.
Isso sem contar que aqueles que prepararam todas aquelas delícias, não querem nem ouvir falar de cozinha.
O que fazer, então? Fácil: ir filar o almoço na casa de alguém.
- Já sei! Arrumem-se todos, vamos almoçar na casa da vó!
A vó, no entanto, vivida que só ela, não quis nem saber de cozinha e se pirulitou para casa do filho mais velho.
O filho mais velho, lembrando que tudo sempre sobra para ele, saiu de casa antes que alguém chegasse. Foram todos almoçar na casa da irmã mais nova.
A irmã mais nova, recém casadinha, tinha tanta habilidade na cozinha que ainda nem tirara o fogão da embalagem. Tomou café numa padaria e, junto com o maridinho, foram para a casa do irmão do meio.
Irmão do meio, sabem como é: aguenta tudo de um lado e de outro. Não dessa vez. Sabendo disso, mais do que depressa, enfiou a família no carro e correram todos para a casa da mãe dela.
A mãe até ensaiou preparar um macarronada, mas o dia não estava com cara de domingo. Então decidiu que nem entraria na cozinha. Saiu, junto com o marido, para almoçar na casa da irmã.
A irmã, que era solteira, não tinha filhos nem gatos, sentindo-se deprimida, optou por passar as festas num retiro espiritual.
Resultado? Bateram todos com seus narizes nas portas. Acabaram, coincidentemente, encontrando-se no Mc Donalds. No mesmo Mc Donalds! E pronto... família reunida de novo, um domingo com cara de domingo... ou quase isso!
*
Espero que o Natal de todos tenha sido fantástico!
*
Esse é o último post de 2010. Não sei quanto a vocês, mas para mim foi um ano incrível, de grandes emoções (no melhor estilo montanha russa sem cinto de segurança!!!). Muito obrigada a todos que passaram, ainda que silenciosamente, por aqui ao longo desse ano. Um agradecimento especial àqueles que deixaram seus comentários aqui ou mandaram e-mails super carinhosos: vocês são demais!
Sei que aquilo que escrevo aqui não irá mudar o mundo. São apenas pequenas bobagens, mas o que seria da vida não fossem os momentos que paramos para reparar nessas bobagenzinhas que deixam a vida mais leve, mais simples, mais colorida?
Taí, esses são meus votos: que a vida de todos, não apenas em 2011, seja leve, simples e colorida!
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
Ideias de verão
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
Por uma vida de migalhas
- As coisas estão muito mudadas! – disse balançando a pequena cabeça inconformadamente.
- Sim! Sim! Dá só uma olhada nisso – fazendo um gesto amplo, tentando mostrar quão diversa era a paisagem atual.
- Não é querendo ser saudosista, mas a vida antigamente não era assim, não.
- Meu pai conta que na época dele de jovenzinho, ele vivia de barriguinha cheia... e com comida de primeira, viu?! Migalhas de boa origem!
- Então, rapaz, é disso que eu estou falando! Antigamente, o pessoal trazia migalhas especialmente para nos oferecer. Havia fartura! Hoje em dia é só o que cai da mão de alguém eolha lá!
- Pois é! O que aconteceu com os aposentados generosos?! Aliás, eles mal aparecem nas praças!
- É a violência! Sentar em banco de praça se tornou atividade de risco.
- Sim, sim! E os poucos que aparecem oferecem cada coisa. Quem foi que disse que a gente gosta de salgadinho moído?! Aquilo é pura gordura trans, amigo. Sinto minhas artérias entupirem na hora.
- Não se oferta mais migalhas de pão?
- E pior, quando uma mão generosa resolve lançar as migalhas ao chão, temos que sair na asa com os outros pra conseguir dar umas bicadinhas.
- É muito bico pra pouca migalha, meu velho!
- Pior, quando cai todo mundo em cima das migalhas, ainda vem um doido espantando a rapaziada dizendo que a gente é tudo sujo que transmite doenças. E eles são muito limpos, por acaso?! A gente é que deveria ter nojo de comer as migalhas do chão por onde passam tantos sapatos sujos!
- É verdade. Mas você está pensando em fazer o quê?!
- Olha, estou querendo largar isso, rapaz! Estou querendo me mudar para o interior. Essa vida de pombo urbano já me cansou.
- Ah, sei lá, viu?! Cidade do interior tem pouco pombo, mas tem muito pardal, sabiá, tico-tico, não sei se tenho paciência para todos esses sotaques esquisitos.
- Que nada! Você se acostuma, sem contar que lá, além de ainda haver praças com fartura de aposentados com o velho hábito de levar sacos de migalhas pra distribuir, ainda tem as frutas nas árvores para sobremesa! Lá ainda se leva vida de rei!
- Ainda assim...
- Que que é isso, cara?! Pensa no saborzinho das migalhas de pão caseiro, nas de biscoito de polvilho e nas frutinhas... pensa nas frutinhas frescas!
- Tem jabuticaba?
- Opa! Tem um primo meu morando num pé de jabuticaba.
- Cara, adoro jabuticaba! Estou convencido, vou com você.
- Maravilha! Tem um ônibus saindo daqui 20 minutos da Rodoviária do Tietê.
- Pensei que a gente ia voando...
- E desde quando pombo urbano voa para longe?!
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
Top 5 - Eê... mandingas na cozinha
1ª ovo – desde criancinha ouço dizer que para que não chova é preciso jogar claras de ovo em cima do telhado. Confesso que nunca tentei, mas muitas noivas por aí devem ter feito essa mandinguinha simples que não requer prática, tampouco habilidade. Dia desses aprendi uma ‘simpatia’ nova, que utiliza o mesmo princípio ativo e visa o mesmo resultado: para que não chova, basta colocar um ovo em cima do muro. Acho que São Pedro fica tão maravilhado com um ovo equilibrando-se sobre um muro que se esquece de mandar água de lá de cima. Só pode!2ª sal – Caso esteja muito complicado equilibrar um ovo ou não se queira fazer uma meleca no telhado, mas, ainda assim, você queira que não chova, recentemente aprendi uma nova mandinga em prol da estiagem: basta fazer um círculo no quintal utilizando sal! Além desse fim, não é de hoje que reparo que muita gente tem o hábito de, ao sentar-se à mesa, salpicar um punhadinho de sal na mão direita e, sobre o ombro esquerdo, lançar o tal punhadinho para trás. Pra quê? Dizem que é para afastar a inveja. Se afasta não sei, mas, no mínimo, ela fica mais temperadinha!
3ª pimenta – e por falar em inveja, caso o sal não tenha resolvido, o jeito é apelar para algo, literalmente, mais forte. Tenho pra mim que a pimenta nasceu para mandinga e acabou sendo desviada para tempero! Inclusive tem gente que leva isso muita sério: uma amiga contou que, certa vez, usando o molho de pimenta que tinha na geladeira, ela reparou num elemento estranho dentro do frasco. Quando abriu, puxou de lá de dentro um pequeno pedaço de papel com um nome escrito nele. Eê! Espantada, chamou a empregada que, na maior naturalidade disse que era o nome de uma vizinha que andava botando olho grande na vida dela. Na falta de um frasco de pimenta na própria casa, achou que não haveria mal algum em usar a pimenta da patroa!
4ª pipoca – falando em reaproveitamento... uma outra amiga contou que numa ida ao cinema viveu uma experiência interessante. Lá pelo meio do filme, que era muito ruim, a plateia, numa manifestação coletiva, rebelou-se e começou uma guerra de pipoca. Foi chuva de pipoca pra todo lado. Ao invés de se revoltar, essa amiga encarou o lado positivo do fato: assistiu a meio filme e ainda tomou um passe! Gente otimista é outra coisa. Dizem que o efeito da pipoca é fartura, só não sei se, ao invés de jogar pelo corpo em forma de banho, a pessoa que as come obtém o mesmo resultado. Será?
5ª galinha – ao contrário das anteriores que são todas mandinguinhas leves, as que levam galinha em sua lista de ingredientes são barra pesada. Geralmente, mandinga com galinha (galinha preta!) envolve despacho e encruzilhada. Afff, coisa braba. Fico com dó das pobres galinhazinhas que, sabendo de seu invariável trágico fim, torcem pelo menos pior: ‘Tomara que eu vire ensopado e não despacho!’. Nesse caso, a panela é melhor destino do que a cumbuca de barro, né não?!

















