domingo, 21 de agosto de 2011

A última Coca-Cola do deserto





Ela sempre sonhou em conhecer as pirâmides do Egito e, depois de meses de planejamento, decidiu que já era hora de transformar esse sonho em realidade. Comprou um pacote, devidamente parcelado em 10x sem juros, e uma semana depois embarcava rumo às pirâmides.



Embora tivesse ido sozinha, lá não ficaria sozinha, pois seu pacote era um de excursão, isso quer dizer que a turma toda andaria em comboio para todos os lados. Um alívio para ela que sofria de um raro distúrbio psicopatologicomotor* que a fazia se perder onde quer que estivesse. Ela lidava bem com isso, mas sabia que uma coisa era se perder numa cidade como Curitiba, por exemplo, que bastava perguntar para qualquer um onde ficava seu hotel e pronto; outra coisa, porém, era se perder no Egito onde se fala árabe e até mesmo o inglês é difícil entender. Arriscar pra quê?! Foi feliz da vida na tal excursão... nem se importava que era um grupo da 3ª (praticamente 4ª) idade.



No primeiro dia, a turma toda saiu para conhecer o comércio local para fazer comprinhas. No segundo... no terceiro... no quarto... bom, finalmente no quinto, o grupo ia conhecer as pirâmides! Ela estava empolgadíssima! Não dormiu na noite anterior, checou 700 vezes se a bateria da câmera estava carregada, pensou em mil roupas, enfim... parecia criança que ia conhecer o Mickey no dia seguinte!



Às 7h da manhã, horário local, senhorinhas, senhorinhos e mocinha, todos a postos no saguão do hotel. O guia deu algumas instruções e repetiu, 17 vezes, a que considerava a mais importante: 'Não se afastem do grupo'.



Adivinha! Claro que ela se perdeu! Embora as chances fossem mínimas, dado que o grupo era composto por 45 integrantes de cabelos brancos e camisetas amarelas, além dela, mesmo assim, contrarianto as improváveis possibilidades, ela se perdeu! E não foi numa curvinha aqui e em outra ali... ela se perdeu completamente... a ponto de perder as gigantescas pirâmides de vista! Estava sozinha no meio do deserto!



Ao invés de ficar paradinha no lugar, nãããããão, ela continuou andando, andando, andando... e se perdendo, se perdendo, se perdendo cada vez mais. O horizonte tremulava, o sol castigava, seu protetor solar já não fazia mais efeito, seu cantil... bom, ela não levou o cantil porque não gosta de carregar coisas desnecessárias. Péssima decisão, não?! Apenas mais uma dentre as várias que tomara ao longo do dia.



Depois de horas caminhando na areia fofa do deserto, ela estava exausta, faminta, desidratada e desesperada.



Não havia o menor sinal de vida para qualquer lado que olhava: nenhum posto de gasolina, nenhum Mc Donalds, nenhuma farmácia... nenhum estabelecimento onde se pudesse comprar um refrigerante geladinho. Claro que esse pensamento já indicava sinais de delírio por conta da insolação.



Mais a frente, no trêmulo horizonte, porém... o que é aquilo? Um ponto vermelho. O que poderia ser? Ela rastejou o mais rápido que conseguiu, mas aquilo parecia uma miragem. Não desistiu. O ponto vermelho ia ganhando forma, era... parecia... não podia ser... mas era! Uma geladeira da Coca-Cola! Ela tinha certeza de que era uma miragem. Porém, para espanto da lógica, não era! Tratava-se de uma genuína geladeira da Coca-Cola... detalhe: ligada! Ao que tudo indica, a fonte de energia eram os painéis solares no topo da geladeira (essa Coca-Cola... não perde uma oportunidade, heim?!). Ao perceber que era real, ela reuniu as poucas forças que lhe restavam e correu para a geladeira. Ao abri-la, porém... seus olhos não podiam acreditar no que via... não podia ser: só havia uma lata de Coca-Cola... uma... mas não era Zero! A última Coca-Cola do deserto não era uma Coca Zero. Desmaiou.



Dois dias depois ela foi encontrada por um grupo de Tuaregues que deram a ela um GPS, uma bússola e um camelo que sabia o caminho pro hotel.
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* acho que sofro do mesmo distúrbio...


A Fada da Cozinha



Ela estava morando sozinha havia 3 meses. O novo emprego ficou longe demais da casa dos pais, então achou que finalmente era hora de cortar o cardão umbilical, romper as amarras paternas, decretar sua liberdade!



Alugou um pequeno apartamento a menos de duas quadras do escritório. Ia trabalhar a pé todos os dias. Grande vantagem, comparando com as 3h e meia que perdia no trânsito para ir e mais 3 e meia para voltar. Estava feliz com sua decisão, porém... passada a euforia de desfazer as caixas e colocar tudo em seu lugar, os pequenos 'porenzinhos' começaram aparecer.



Filha única, sobrinha única, neta única, a única coisa que aprendeu a fazer na cozinha foi sentar-se à mesa e comer a comidinha da mamãe, que, aliás, era um primor! Em parte, tal problema era culpa da mãe super-hiper-mega-master-blaster protetora: não deixava a filha fazer nada que pudesse colocar a vida do seu bebê em risco, ainda que as estatísticas não demonstrem grandes taxas de homicídio por ovo frito ou miojo de micro-ondas!



Nem precisa dizer que a saída da filha de casa foi quase um velório, né?! Mas a mocinha foi forte e resistiu a todos os apelos da mãe e do pai para que ela ficasse em casa... e financiasse um helicóptero para levá-la ao trabalho do outro lado da cidade.



Ela tentava manter a pose de independente, mas fato foi que, depois de 3 semanas, ela começou a emagrecer a olhos vistos. A mãe, claro, percebeu desde o primeiro grama, entretanto, magoadíssima que estava, resolveu não se oferecer para ajudá-la, ainda que aquilo partisse seu pobre coração em pedacinhos. Sentia-se afrontada e queria que a filha implorasse por ajuda.



Tudo corria na medida do possível até que coisas estranhas, magicamente estranhas, começaram acontecer. Certo dia, ela chegou em seu apartamento e... choque: a mesa esatava posta! Havia sopinha quente, torradinhas e suco de laranja!



A princípio, não pareceu tão estranho assim. Era óbvio que sua mãe havia passado por lá. Após falar com ela, porém, descobriu que a senhorinha não saíra de casa o dia todo, fato que seu pai confirmava jurando de pés juntos. Acreditou. Foi dormir intrigada, embora de barriguinha cheia.



Na noite seguinte... de novo! Lá estava a mesa posta. E mais: havia frutas frescas, pão quentinho, queijos e... uma cafeteira com timer programaoa para fazer o café meia hora antes de sair de casa pela manhã. Era perfeito! Ligou de novo para sua mãe que, mais uma vez confirmou que passara a tarde toda com amigas.



Estranho, muito estranho. E assim foram as noites nas duas semanas que se seguiram. Sua mãe continuava negando que era ela quem estava fazendo aquilo e ainda fez a filha parecer meio maluca dizendo que uma coisa dessas não podia estar de fato acontecendo.



Naquela noite, entretanto, algo mudou. Além de todos o mimos culinários, havia um bilhetinho na geladeira:



- Bom apetite, querida. Beijos da Fada da Cozinha! PS: acreditar em coisas mágicas, faz coisas mágicas acotecerem, mas se duvidar delas... terá de aprender a cozinhar!



Desde então, parou de querer saber quem ou o que preparava seu jantar, abastecia sua geladeira e lavava a louça suja! Qual o problema de acreditar em magia? Ainda mais numa desse tipo: tão útil!




sábado, 13 de agosto de 2011

Top 5 - Gostinho estranho



1º Gosto de geladeira - Não existe Sazon sabor geladeira, nem tampouco Ruffles com esse sabor inusitado, maaas, isso não quer dizer que você não o conheça! Quem nunca foi comer aquele pedaço de bolo de aniversário abandonado, sem tampa, há 3 dias na geladeira e sentiu um gostinho invasor... quase indescritível, um gosto de... bom, na falta de melhor referência, resta classificar tal gosto com sendo de geladeira!



2º Gosto de armário - Esse é um sabor que apenas os mais sensíveis são capazes de perceber, aqueles que têm realmente um paladar apurado. Esse gosto geralmente pode ser percebido em bolachas. Ah-rá! Já comeu bolacha com gosto de armário?! Não? Faça o teste (ou não!): deixe um pacote semiaberto no armário por uma semana. Após esse prazo, prove um dos biscoitos... além de meio murchos, olhaí o gosto de armário!



3º Gosto de pote - não, não, não... ao contrário do que possa parecer, não é preciso arrancar uma lasquinha de algum pote e comê-la para saber que gosto é esse, mas aposto que muita gente sabe qual é esse. Sabe quando a gente insiste em colocar no micro-ondas aquele potinho plástico madeinChina que não nasceu para isso? Pois então, esses potinhos em questão acabam transferindo para o alimento parte do seu gosto, que inclusive deve ser tóxico (!), além de acrescentar um tempero indesejado. Eca!

4º Gosto de Bom Bril - esse é de lascar! Trata-se de um gostinho que costuma grudar principalmente em copos. Sim, sim, sim... há pessoas que simplesmente adooooooram lavar copos com Bom Bril alegando que eles ficam mais limpinhos e não embaçam. Até concordo, o problema é que se não forem extremamente bem enxaguados, assim que a bebida entra em contato com a superfície bombrienta ela assume esse gosto predominante. Dia desses tomei um chopp com esse gosto... e como explicar pro garçom que eu queria trocar a bebida porque estava com gosto de Bom Bril?! Situação, viu?!



5º Gosto de sabão - embora toda gordura tenha gosto de sabão (sou só eu que acha que a gordura do bife de contrafilé tem gosto de sabão???), não é do sabor que se parece com sabão que me refiro aqui. Esse gosto anda de mãos dadas com o gosto de Bom Bril, depende apenas da predominância de um ou de outro. Mais uma vez, esse sabor depende da displicência do enxaguador que apenas mostrou a louça pra água e deixou ali resquícios daquilo que, na verdade, era para limpar a tal louça. Eca, eca, eca! Esse sabor é capaz de estragar o melhor dos paladares.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

A semana e a cozinha



Segunda-feira - sim, aquele dia difícil. A noite passou rápido e não foi suficiente para acabar com o sono. O café da manhã tem de começar com um bom balde de café para fazer o dia pegar no tranco! O almoço, levando em conta os possíveis (prováveis) exageros do fim de semana, é algo bem leve, bem leve mesmo: um prato de salada, basicamente! Jantar? Banho e cama!




Terça-feira - é só comigo ou a terça-feira de vocês também tem 72 horas? Pra mim, o pior dia da semana porque o descanso do fim de semana já passou da validade e o próximo fim de semana ainda está muito distante. Aproveitando que o tempo rende às terças, o café da manhã pode ser a coisa mais demorada do mundo. Há ainda tempo para uma colação no meio da manhã! Almoço: ainda pensando nos estragos do fim de semana, saladinha, mas com as verduras que você mesmo plantou pela manhã e pela morosidade do dia, estarão em ponto de colher na hora da sua refeição. O jantar... bom, depois de um dia desses... banho, leitinho morno e cama.



Quarta-feira - enfim, o meio da semana útil! Sair da cama já tem um motivo: o café fresquinho. Nesse ponto, mal é possível lembrar das barbaridades alimentares cometidas no fim de semana, por isso, aquela feijoadinha cheirosa praticamente pula no prato. Embora, no jantar, a consciência faz questão de lembrar que é melhor pegar leve, então, adivinha: banho, frutinha e cama!



Quinta-feira - o melhor dia da semana! Por quê? Porque só falta amanhã! Além do café fresquinho, pra comemorar, um pão francês quentinho, fresquinho, recém saído do forno - isso se a preguiça deixar o corpinho se arrastar até a padaria logo cedo! É tudo por uma boa causa: é quinta! O dia flui tão bem que, na hora do almoço, o prato de salada no almoço já ganha uma lambadinha de churrasco! O jantar... olha! Alguém preparou o jantar!



Sexta-feira - é quando a coisa começa a degringolar! Dia de ir trabalhar de carro - pra quem não vai todos os dias - então, é possível comer um pãozinho a mais, caprichar na geleia, pingar o leite no café, comer um pedacinho daquele bolo que não se sabe bem de onde surgiu e, ainda, já que se está de carro, dá pra levar aquele pacote de bolachinhas pra ir beliscando enquanto enfrenta o tráfego monstro da sexta! No almoço a coisa piora... consideravelmente. Sexta é dia de almoçar com o pessoal! Comendo salada?! Que isso! 'Vamos comer pizza, gentê!'. E, claro, nunca fica nos dois pedaços, ou três, ou quatro... Jantar? Antes aquela passadinha no bar - enquanto o trânsito melhora - para relaxar com o pessoal. Daí, já viu: uma cervejinha leva à outra e a outra leva aos petiscos e acepipes. Depois, um jantar de verdade, enquanto espera o efeito do álcool passar para poder dirigir com segurança!



Sábado - começou ontem! E, depois de uma noitada, o café da manhã só acontece lá pelo meio dia. Mas, quem se importa: hoje é sábado! Melhor pular o café e ir direto pro almoço. Qualquer coisinha, melhor guardar espaço para aquela festa de aniversário do sobrinho, naquele buffet fantááááástico! Lá, bom, lá é que a coisa toda acontece: coxinha, quibinho, esfirrinha, hot doguinhos, hamburguinho (!), bolo, cajuzinho, beijinho, brigadeiro... e, para os adulto, cerveja, caiprinha, batidinha... E garçons que se multiplicam... mal se engoliu o último pedaço e já tem uma bandeja pela frente! É tudo tão lindo, tão cheiroso, tão apetitoso... e é sábado e foi salada a semana inteira... relax!

Domingo - depois de um sádado com festa infantil... melhor passar a fruta e água! Que nada! Mamãe está esperando a semana toda para preparar o prato favorito! E nem adianta ir pra lá sem apetite! Ela fará aqueeeeele prato e vai ficar olhando até sumir a última garfada! Barriguinha cheia? Espero que não, por que ainda tem aquele pudim de leite condensado esperando para ser devorado! Algumas horinhas depois, hora do café da tarde com pão caseiro, bolo fresquinho, café, geleia caseira, bolachinhas caseiras...



E assim termina mais uma semana que vai começar de novo e vai passar... e a culpa... bom, essa, a saladinha cura! hehehehe

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Confissão difícil






- Cheguei!


- Você não ia chegar mais tarde?


- A reunião foi cancelada, daí quis fazer surpresa... fiz mal?



- Nã-nã-não... claro que não...


- Iiiih, tô te achando estranho, que que foi, heim?


- Nada!


- Hummm... não acreditei, mas vou fingir que acredito... vamos jantar?


- Estou sem fome...


- Já comeu?


- NÃO! Só não estou com fome, não quero jantar, não quero comer nada...


- Calma! Perguntei só pra saber, mas agora fiquei com a pulga atrás da orelha...


- Vai querer controlar minha fome?


- Não, não, longe de mim querer controlar sua fome, mas confesso que não estou entendendo bem essa sua reação. Você já jantou? Saiu com alguém pra jantar e não quer me dizer?


- Não saí pra jantar com ninguém...


- Então porque você está sem fome? Aliás, por que você está tão estranho?


- Eu não estou estranho, você é que tirou a hora pra implicar comigo...


- Não sei... estou com a sensação de que você está me escondendo alguma coisa...


- (...)


- Olha, seja lá o que for, meu amor, pode me contar... eu sei que pareço irracional de vez em quando, mas, acima de tudo, eu te amo e coloco esse amor acima de tudo...


- (...)


- Anda, pode falar... você teve uma aventura, não teve?


- (...)


- Fala, meu amor, você sabe que a pior verdade sempre dói menos do que a melhor mentira...


- Eu não queria...


- Eu sei... me conta... é aquela ninfetinha do escritório, não é? Eu sabia... ela nunca me enganou...


- Não, não é nada disso...


- Não? Quem é então? Alguma da academia?


- Não, não é nenhuma mulher...


- NÃO????? É homem? Você descobriu que é gay?


- NÃO! Não pira!


- Desculpa... mas se não é mulher, não é homem... bom, daí fico sem ideia...


- Eu queria ter te contado antes, mas eu sei que você não vai me entender...


- Entender o quê?


- Desde quando a gente se casou eu já gostava, sempre gostei...


- (Ai, meu Deus, não sei se quero saber...)


- ...mas sabia que você não gostava e sempre deixou isso muito claro... então eu achei melhor esconder...


- Drogas?


- Me deixa terminar, por favor...


- Desculpa! Continua...


- Então, sempre que podia, sempre que você viajava, ou ficava até mais tarde no trabalho, ou saia com as amigas... bom, daí eu aproveitava... (longo suspiro) Mas eu quero que você saiba que nunca foi fácil pra mim, porque eu não gosto de mentir pra você...


- Fala logo, pelamordeDeus!


- EU GOSTO DE MIOJO E COMO SEMPRE QUE POSSO!


- (catatônica)


- Eu escondo os pacotes numa gaveta no meu escritório e trago pra casa quando sei que você não vai estar... eu faço, como, lavo tudo e gaurdo antes que você chegue...


- Há quanto tempo?


- Desde quando nos casamos...


- Você gosta?


- Adoro.


- Como eu vou contar uma coisa dessas pra minha família? A nona... a nona vai morrer do coração...


- Mas é macarrão, também, amor...


- Não, por favor, não fala mais nada, eu preciso ficar sozinha...




sexta-feira, 8 de julho de 2011

Uma banana para o jantar!



- Par!

- Ímpar!

- 8! Ganhei!

- Buffff...

- E então, o que teremos para o jantar?!

- Vamos pedir pizza?

- De novo?

- É... também não aguento mais!

- Vamos jantar na casa de alguém?!


- Com esse frio?!

- Um macarrãozinho alho e óleo...

- Uma panela, uma frigideira, o escorredor, dois garfos, um prato... muita coisa pra lavar! Com esse frio, não tenho coragem nem de olhar para a torneira!

- Por que a gente não tem torneira de água quente?!

- Porque a gente não é rico!

- E se a gente lavar a louça no chuveiro?!

- Poxa, que ideia boa! A gente podia aproveitar a espuma que escorre do corpo, né?! QUE NOJO!

- Foi só uma ideia... tem uma melhor?!

- Miojo só suja uma panela... nem precisa de prato... comemos na panela mesmo!

- Mas ainda suja a panela e dois talheres... e um copo...

- Pra que o copo?!

- Pra beber litros de água depois... com esse sódio todo, não tem como não ficar com sede!

- Ok, bem lembrado. Mas eu estou com fome...

- Vamos pensar: o que podemos comer sem sujar nenhuma panela, nenhum talher, nenhum prato, nenhum copo? (não vale sugerir descartáveis porque somos ecologicamente corretos!).

- Só tem uma coisa...

- O quê?!

- Uma banana!

- Hummm... não é nenhum manjar dos deuses, mas só de pensar que não terei de colocar minha mão nessa água petrificante, fica parecendo a melhor comidinha do mundo!

- Vou lá buscar...

- Coloca ela no forno com um pouco de açúcar, canela e um fiozinho de mel...

- Claro, amor! Você lava a louça depois?!

- Ah, é! Nesse caso, traga na casca mesmo... não quero sujar nem as pontas dos dedos!


*


Pois é... frio faz isso com as pessoas!

terça-feira, 28 de junho de 2011

Cupcakes!






Sim, temos um novo hit nas paradas. Não, não se trata de mais um hit musical de melodia grudenta, mas sim de um hit culinário: cupckes!


Uma padoquinha que se preze, das de bairro às super badaladas casas de pães, por mais que algumas resistam ao modismo, uma hora ou outra, lá estarão os bolinhos que mais parecem um enfeite de tão bonitinhos que são.


Há também outro lugar onde os cupcakes podem ser encontrados com facilidade: festas infantis! Já que estas sempre contam com rica decoração, os bolinhos acabam sendo um atrativo a mais, com a vantagem de que, além de enfeitar, também podem ser devorados com gosto!!


Os cupcakes dividem-se em 3 tipos básicos: 1) os bonitos; 2) os gostosos e 3) os bonitos E gostosos! Tudo depende da função, da quantidade e dos valor que se pretende gastar/investir. Se a ideia é basicamente dar um up na decoração, bastam que sejam bonitinhos, engraçadinhos e gostosinhos. Se o que se espera é uma experiência gastronômica, única, indescritível... invista em ingredientes diferenciados e requintados. Mas se além de fazer vista na decoração você pretende fazer gosto ao paladar: prepare-se para confeitar uma linda joia!


A receita do bolinho em si, não tem muito segredo e, na dúvida, faça aquela receita de bolo de costume e coloque para assar nas forminhas de papel. Um detalhe importante é usar forminhas de metal (daquelas que se assa pão de mel) para dar suporte às formas de papel - do contrário, seus cupcakes parecerão pequenos Aliens desformes!!


Outra dica fundamental para quem pretende se aventurar pelo maravilhoso mundo dos cupcakes é: nunca encha a forminha até a borda, senão, periga você ter de enfeitar sua festa com pequenos vulcõezinhos em erupção! Aconselho fazer um teste de crescimento: encha uma forminha pela metade e outra faltando um dedinho pra encher, leve ao forno e veja qual fica mais bonito, afinal, nesse caso, beleza se põe à mesa!! Lembre-se de que o bolinho não deve ficar muuuuito alto, senão, depois de decorados, eles chegarão ao teto!


Recheios e coberturas! Se a prioridade for a fina estampa dos bolinhos, o recheio pode ser o mesmo usado na cobertura: chantilly, butter cream, glacê real, ganache, doce de leite, brigadeiro. Alerto apenas para o fato de que os dois primeiros não resistem ao calor (periga dar piriri no pessoal!), o glacê real já resiste melhor e dá mais ou menos o mesmo efeito do chantilly, com a vantagem de que é (bem) mais light! O ganache e o doce de leite são firmes e fortes, ideiais para dias mais quentes, mas, porém, todavia, no entanto, são mais caros, então, se a ideia é fazer uma grande quantidade a baixo custo, esses dois não são opção. Contudo, se a opção for belezura e gostosura, acertar-se-á na mosca com esses dois (inclusive combinandos!). Já o brigadeiro, bom, não permite grandes viagens no confeitar, mas brigadeiro é tão bom que chega a ser bonito! Além disso, todas essas opções de cobertura aderem muito bem aqueles confeitos coloridinhos que dão um charme a mais no resultado final.


Ficou entusiasmada/o? Quer fazer e não sabe como? Eu dou uma forcinha. Segue uma receitinha báááásica do bolinho e de glacê real (esse, simplesmente não tem como errar!):



Bolo


2 ovos;


1 xícara + 1 colher de sopa de açúcar peneirada;


4 colheres de sopa de margarina sem sal;


5 colheres de sopa de leite;


½ colher de chá de essência de sua preferência (não quer arriscar? use a de baunilha!);


1 xícara e ½ de farinha de trigo peneirada;


1 colher de chá de fermento em pó.



Bata as gemas, o açúcar e a margarina até formar um creminho claro e homogêneo. Acrescente o leite e a essência. Aos poucos, vá incorporando a farinha de trigo. Na última leva de farinha de trigo, acrescente também o fermento em pó e misture delicadamente (lembrando que o fermento em pó não é dado a grandes surras... seja gentil!). Por último, e com ainda mais delicadeza, incorpore as claras em neve (é essa maravilha que irá conferir fofura a seus bolinhos). Coloque nas forminhas, seguindo as dicas dadas lá em cima. Leve para assar em forno médio por aproximadamente 15 minutos 9varia muito de forno pra forno... aconselho espetar um palitinho de dente quando o bolinho estiver douradinho). Rende aproximadamente 20 bolinhos (depende do tamanho da forminha que você irá usar).




Glacê Real


150 gramas de açúcar peneirado;


110 ml de água gelada;


1 colher de sopa de emulsificante (usado para fabricar sorvete e encontrado em lojas de sorveteiros e materiais para festas);


1 colher de sobremesa de essência da sua preferência;


1 colher de chá de corante alimentício (de preferência que combine com o sabor... pra não virar o sambadocrioulodoido).


Junte os 3 primeiros ingredientes e bata na batedeira em velocidade máxima até pelo menos quadruplicar de volume (sim! rende muuuito). Acrescente os 2 últimos e bata por mais 1 minuto aproximadamente. Tã-nam! Não tem como errar. Confeite com a ajuda de uma manga para confeitar.



Dica master-blaster: tendo em vista que esse glacê rende muito, sugiro, ao final da primeira etapa, dividir o conteúdo da batedeira em 2 ou 3 tigelas diferentes e acrescentar sabores e essências diferentes. Em festinhas infantis, quanto mais diversidade de cor e sabor, melhor!


Para colocar o recheio escolhido, com a ajuda de uma faquinha de ponta, retire um conezinho do bolinho. Recheie (fica mais fácil com uma manga para confeitar também!). Corte metade do conezinho de bolo (no sentido da altura) e recoloque a tampinha para fechar o recheio.



Sem ideias para enfeitar?! Google imagens, minha gente! Dúvidas? Angústias? Me mande um e-mail, na medida do possível, posso ajudar.





quinta-feira, 23 de junho de 2011

Aniversário de 4 anos do Clara em Neve!



Que gracinha: 4º aniversário do Clara em Neve!!
Quantas deliciosas bobagens foram ditas por aqui, não?!

Muitíssimo obrigada a todos que gastam uns minutinhos de sua semana

com a leitura desse jovem senhor blog!

Especial agradecimento àqueles que comentam e mandam e-mails

(assim sei que sempre tem alguém passando por aqui! Ufa!).

Conto com todos vocês para chegar ao 40º aniversário!!

Feliz Aniversário!













segunda-feira, 13 de junho de 2011

A divisão meninas e meninos




Quando eu era criança (há pouquíssimo tempo atrás) as semanas que antecediam as férias do meio do ano, coincidindo com as festas juninas, eram uma época de festa! Além de merenda temática, com muita canjica, arroz doce e curau, aconteciam também as festinhas particulares, reservadas às turmas da sala e é disso que eu quero falar.


Não sei como as coisas funcionam hoje, não tive a oportunidade de me interar com as mamães de plantão, mas antigamente... digo, digo, há pouco tempo atrás, no meu tempo de criança no primário (não é mais primário, né?! Leia-se: no meu tempo de ensino fundamental I), a professora dividia a sala da seguinte forma: as meninas trazem um pratinho e os meninos um refrigerante.


Divisão muito prática, mas pouco justa. Vejamos porquê.


Desde aquele tempo essa organização me deixava meio encafifada. O raciocínio era 9e continua sendo) o seguinte: crianças não podem cozinhar, logo, bolos, brigadeiros, beijinhos, tortas, coxinhas, quibinhos e afins deveriam ser preparados por um adulto e não, nunca, jamais pelas criancinhas. Seguindo por esse caminho, fica fácil concluir que quem prepararia os quitutes que forrariam os pratinhos que seriam levados às badaladas festinhas de sala era quem? Quem? Quem? As respectivas mamães das menininhas! Assim sendo, a pergunta que sempre me intrigou é: meninos não têm mamães?!


Por que raios as mamães de meninos eram poupadas do forno e/ou fogão às vésperas das festinhas?! Não que ir para a cozinha seja um sacrifício... embora para algumas pessoas seja, mas creio que, de maneira equânime, há mamães de meninas e mamães de meninos que gostam de cozinhar, assim como há aquelas que não tem a mínima alegria e frequentar a morada do fogão e geladeira!


Naquela época não tinha o escopo necessário para formular hipóteses. Hoje, no entanto, arrisco três:


1) meninos, arteiros que só vendo, a caminho da escola, equilibrando os quitutes sobre os pratinhos, sentiriam incontroláveis impulsos para fazer ‘GUERRAAAA DE COMIIIIIDA’, entendendo a comidinha como munição, a festa correria sérios riscos de fracasso por falta de belisquetes. Sabendo disso, as professoras optavam por não alimentar a natureza bélica dos anjinhos;


2) meninos, arteiros que só vendo, consumiriam todo o tempo disponível das mamães que passariam suas tardes a ralhar com os diabinhos, não lhes restando tempo hábil para encarar o fogão. Sabendo disso, as professoras, compadecidas das mamães davam-lhes um desconto, poupando-as do fogão;


3) meninos, arteiros que só vendo, comilões que só vendo, engraçadinhos que só vendo não segurariam suas mãozinhas e beliscariam os quitutes por todos o caminho até a escola, chegando lá apenas os pratinhos vazios e a gracinha: 'a senhora mandou a gente trazer um pratinho... eu trouxe!'. Sabendo disso, as professoras, que poderiam não estar de tãããão bom humor assim, preferiam se poupar da fadiga desnecessária.


Deixei escapar alguma coisa?! O que mais explicaria o fato de mamães de meninos não poderem exibir seus dotes culinários para os amiguinhos de seus filhotes? Sim, porque, se por um lado as mamães de meninas precisam cozinhar (ou não, no caso daquelas que se abastecem numa padoca próxima de casa), as de meninos são privadas dessa atividade!


Durante anos essa prática abusiva vem cerceando o direito de mães de meninos provar que são sim boas de forno e fogão, ficando limitadas às impessoais e insossas garrafas de refrigerante!


E hoje em dia com mamães que trabalham fora? Todo mundo leva refrigerante?! Ou, ainda assim, meninas compram pratinhos e meninos compram refrigerante? A coisa vai ficando cada vez mais complicada, gentê!

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Sim, chegou a vez dos vegetais na rodada das epidemias



Depois das pobres vaquinhas terem ficado loucas, das galinhas e porcos terem gripado, o mote da histeria da vez, na ausência de outros animais de consumo humano, são os pobres vegetais!



Vacas, galinhas e porcos comemoram:


- Dessa vez pelo menos não sobrou pra gente - declarou Mimosa à imprensa.

- Se bem que, de um jeito ou de outro, a gente acaba morrendo, né?! - completou, sabiamente, Penosa.

- Antes morrer tendo alguma utilidade, né não? Porque a rejeição é que mata de verdade e mata de tristeza - acrescentou, filosoficamente Robusto, o porco, na coletiva dada pelos representantes das três espécies animais que já foram tidas como inimigas da saúde humana.



Andam dizendo por aí que a bactéria, nunca antes vista (!), denominada E. coli, uma variante da Escherichia coli, hospeda-se em vegetais, principalmente pepinos e tomates. Nos seres humanos os efeitos são devastadores e muito graves. Até o momento, 23 pessoas foram vítimas dessa bactéria na Europa.



Inúmeros testes estão sendo feitos para identificar a origem da epidemia e, das amostras de vegetais coletadas e analisadas, supostamente contaminadas, os resultados foram negativos. Mas as autoridades sanitárias européias continuam desaconselhando o consumo desses vegetais.



O que será da Itália sem poder consumir tomates, meu Deus?!



Ainda que não se possa garantir que a proliferação das bactérias tenham partido da dupla de vegetais, é inegável que o estrago já está feito. Lembram-se da gripe suína? Embora jurassem de pés juntos que o consumo da carne não causava danos à saúde humana, inúmeros criadores desse animal viram suas criações multiplicarem-se nos criadouros sem ter quem as comprassem. Além dos prejuízos sanitários, há os incalculáveis prejuízos financieros e econômicos dos produtores dessas espécies que viram vilões de uma hora para outra.



Até que se descubra a origem, todos os supostos culpados são automaticamente condenados. Claro e evidente que não se pode esconder do conhecimento público qualquer que seja a suspeita para que o máximo de pessoas evite determinado alimento, mas nesse momento, uma luzinha amarela acende na minha cabeça. Não se trata de uma lampadazinha de boa ideia, mas de um sinalzinho de alerta: muito estranho esse rodízio de surtos entre as espécies, não?! Muito 'teoria da conspiração' para o gosto de vocês?! Não sei, não sei, pelo sim ou pelo não, o melhor remédio contra o surto de boatos é boa informação e senso crítico.



Pobres pepinos e tomates... e vocês legumes que achavam que estariam livres. O que dirão agora os vegetarianos, heim?



Pelas minhas contas, passado o pepino com os pepinos (aaaaaah, trocadilho inevitável, por favor, me perdoem!) e tomates, pelas minhas contas, só restará o surto de pedras contaminadas... ainda bem que o consumo de pedras por humanos é bem baixo, né?!



De qualquer forma, ainda que o surto não tenha chegado ao Brasil, vale a dica: lavem e cozinhem muito bem todos os alimentos. Esse cuidado nunca é demais!

segunda-feira, 30 de maio de 2011

El Bulli

Esse post é especial... um pouco adiantado (embora atrasado!), mas o motivo explica. O dia 30 de junho de 2011 marca um fim. Do Clara em Neve?! Claro que não! Toc-toc-toc. Marca o fim de algo muito importante (e não é o Clara em Neve?!), o fim de uma Era de burburinho, de borbulhas, de espumas, de esferas. Já divinharam a qual fim me refiro?

Daqui um mês o El Bulli, de Ferran Adrià, fecha suas portas como restaurante para se tornar um centro de pesquisas gastronômicas.





Nunca fui ao El Bulli (e, pelo frigir dos ovos, creio que nunca irei!), mas o que me faz escrever sobre esse restaurante não é o restaurante em si, mas o que as invenções de seu chef provocaram na gastronomia mundial.

De repente, conforme El Bulli foi ganhando mais e mais manchetes pelo mundo, a gastronomia moderna tornou-se aquela cuja missão não era mais contruir, agregar ingredinetes, mas sim descontruir a comida. Seria uma tentativa de dissociar sabor de textura de aparência? Mas a comida não é tudo isso junto?



É inegável que Ferran Adrià sacudiu cozinhas e cabeças pelo mundo afora, mas fico me perguntando... será que a multidão que lotou seu restaurante, que chegou a esperar 1 ano por uma reserva, saía de lá de barriguinha feliz? Tenho pra mim que uma refeição no El Bulli não era exatamente uma refeição, era uma experiência gastronômica, uma experiência de sensações. Assim sendo, na minha humilde - e quase constrangida - opinião, acho que, tornando-se um Centro de Pesquisa, o El Bulli será para aquilo que nasceu, irá atender um chamado de sua própria natureza.

Vale também registrar que é admirável a coragem de Ferran Adrià de 'sair de cena' no auge de sua fama. Entre aspas porque ele não sai exatamente de cena, seu nome sempre será lembrado, além disso, permanece no ramo das invencionices gastronômicas, mas não mais num restaurante. Como diria meu querido gênio, Paulo Leminski: 'Quem vai embora, não embolora'.



Quando gosto muito, muito, muito de algum prato que provo num restaurante, não titubeio e jogo todo meu charme para conseguir a receita ou, nada, nada, o ingrediente especial que deu aquele toque no prato. Porque tão gostoso quanto provar um prato que me agrada é poder prepará-lo eu mesma. Então pergunto: como ficarão os admiradores da cozinha do senhor Adrià que seguem a mesma filosofia que a minha? Como se prepara em casa aquele espuminha de não sei o que com esferas de não sei o que lá?!


Por isso, vai aí minha dica, Ferran: lance um compêndio de suas receitas com modo de preparo detalhado, ok?! Comprando o livro, mais uma epátula de silicone, grátis um Thermomix! Que tal?

Piadinhas à parte, está para findar mais um importante capítulo da história da gastronomia. O que será que vem por aí?


Caso queira, ainda tem um mês para conseguir, com cambista, uma vaguinha na lista de espera antes que o El Bulli feche!



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Enquanto isso, em alguma cozinha comum...
- Vó, o El Bulli fechou - disse a neta lendo uma notícia na internet à sua vó que preparava uma vigorosa polenta.
- Fechou, é?! Hoje cedo mesmo eu usei esse bule e estava funcionando direitinho! Cutuca o bico que desentope...
- Não, vó... não o BU-LE... o El Bulli, restaurante 'famosézimo' daquele chef que fazia essas comidas aqui - e mostrou uma foto de uma das criações de Ferran Adrià.
- Cadê a comida, menina?! E isso aí enche a barriga de alguém? Deve ter fechado porque todo mundo saía de lá com fome... manda esse povo todo vir comer minha polenta que tem muito mais sustância!






quarta-feira, 18 de maio de 2011

Como nasceu a torrada



Ele, um jovem português, aprendiz de padeiro, na pacata Lisboa do início do século XX.



Sua rotina diária era exaustiva. Começava bem antes do Sol se levantar, até mesmo o galo do vilarejo se espantava com o horário aquele rapazinho franzino se punha de pé todos os dias - ele mesmo, o galo, depois que o rapaz se levantava, ainda dormia mais uma ou duas horas de um soninho gostoso. Já dormia com a roupa do dia seguinte para desfrutar de mais 1 ou 2 minutos de sono, lavava os olhos com as pontas dos dedos, gargarejava rapidamente e já se colocava a caminho da loja de pães.



Lá chegando, de lampião em punho, dada a escuridão que ainda dominava o ar, o padeiro já estava enfarinhado dos pés à cabeça e gritava animadamente:



- Anda, gajo, que o dia já tardia!



O gajinho então se arrastava até a bancada e, não havendo alternativa, punha-se a trabalhar.



- Com alegria, com alegria, que a gente toda espera pelo pão do dia!



Sim, o padeiro, além de bom com os pães era bom com as rimas, ou pelo menos pensava que era! E o gajinho, depois de umas 3 ou 4 sovas, já estava esperto.



Tudo funcionava como uma harmoniosa orquestra... de apenas dois músicos... mas com muitos instrumentos, ou, melhor, ingredientes!



Mal o sol começava a despontar lá longe, o aroma dos pães já tomava conta da pequena Lisboa. Aos poucos, as casas iam acordando, as ruelas ganhando movimento e a claridade do sol ia avisando que mais um dia começava. Como todos os outros, aquele dia só começava, de fato, depois do almoço, ou melhor, depois do pequeno-almoço, como chamam lá o café da manhã.



Não tardava e a loja de pães estava lotada. O padeiro então virava atendente e o aprendiz ganhava a honra de comandar as fornadas. Essa era a hora boa para todos: os clientes famintos saíam satisfeitos; o padeiro, vendendo pão como água, mais satisfeito ainda e o gajinho... esse não queria nem saber de pães!



Aprendiz ele era, mas não apenas da arte de fazer pães. Ao invés de fazer brotar o gosto pelos pães, o padeiro-rimador acabou fazendo o rapazinho afeiçoar-se com as palavras. Mal o padeiro ia ao salão atender os clientes, o menino tirava do bolso de seu avental uma pequena caderneta e, com um pedacinho de carvão do forno que assava os pães, ia riscando palavras que lhe vinham às avalanches em seu pensamento. Eram tantas as palavras que brotavam em sua mente que nem pareciam vir de uma mente só! Entre uma fornada e outra, lá estava ele de papel e carvão em punho, deixando ganhar corpo os sons de sua imaginação.



Caso é que um certo dia, as vozes eram tantas, as ideias eram tantas que o gajinho entregou-se às palvras e esqueceu-se da vida... pior... esqueceu-se da fornada!



O nariz do padeiro, treinado de anos, sentindo que algo passava do ponto, largou os clientes e correu para os fundos, onde ficavam os fornos:



- Menino de Deus, olha o que fizeste!



Os pães não queimaram, não, não! O nariz do padeiro não deixaria a coisa chegar a tal ponto, mas passaram do ponto... os pães não estavam mais macios... estavam crocantemente assados. O menino, com o coração aos pulos, só teve tempo de esconder a caderneta e, praticando sua criatividade, fi logo tentando se explicar:



- É uma novidade! Acabo de inventar, chamam-se fatias torradas! Corta um para provar...



O padeiro, desconfiadíssimo, passou a faca de serra em um dos pães e croc-croc-mente tirou uma fatia. Levou à boca e, logo na primeira mordida, o velho padeiro se rendeu!



- Mais que delícia essa sua torrada!



Logo as fatias torradas ganharam o salão e cada um dos clientes. Virou sucesso instantâneo! E assim nasceram as torradas.



O aprendiz? Bom, esse, como se viu, era bom padeiro apenas no acaso. Bom mesmo ele era com as palavras, tanto que acabou virando poeta. Poeta de relatiiiiivo... sucesso... o nome dele era um tal de Fernando Pessoa!



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É tudo mentira, mas a mentira é minha e eu conto como eu quiser!! hehehehehe










quarta-feira, 11 de maio de 2011

Temporada Porto Seguro - Sorveteria Coelhinho



De barriguinha cheia, hora de completar o dia com um docinho, pois não?!




Na Passarela do Álcool, a maior oferta de doces fica por conta das cocadas (que, aliás, são deliciosas... mas comento sobre elas outro dia!), mas já que o jantar não foi nada tipicamente baiano, por que a sobremesa haveria de ser?




Minha sugestão, mais do que recomendada, é a Sorveteria Italiana Coelhinho. Também na Passarela do Álcool, a poucos passos da
Pizzaria do Noé. Impossível não achar, tendo em vista que tem um coelhinho gigante pedalando, incansavelmente, uma bicicletinha entre as duas janelas (eis aí ao lado a foto que não me deixa mentir!). Embora um tiquinho bizarro, é uma excelente referência, não tem como não achar o lugar!




O ambiente é pra lá de agradável. Decoração de bom gosto, iluminação aconchegante, cadeiras confortáveis, resumindo: um convite para desfrutar seu sorvetinho!




Sorvetinho? Apenas modo de falar. Na verdade, são apetitosas opções de sorvete elaborados pelo chef italiano Bruno Maremmani que, além de lindas, são também deliciosas. Destaque para três:




1) morango - pode parecer bobagem o que direi, mas acreditem, o sorvete de morango tem gosto de... mo-ran-go! Diferentemente dos outros que já provei por aí, que acabam tendo gosto de Quick (digam que sabem o que é isso, por favor!) ou Danoninho, esse tem o sabor da fruta natural, com direito àquele final azedinho do morango;




2) maçã verde - olha que coisa mais inusitada! Não me lembro de ter visto, nem provado, sorvete de maçã verde na minha vida, apostei no sabor, pela curiosidade, e me dei muito bem, o sorvete é incrível;




3) por último, meu querido, meu amor, minha paixão eterna... limão - em outra ocasião classifiquei o sorvete de limão do Vacanze Romane Coffee and Ice Cream* como sendo 'o melhor sorvete de limão do universo'... perrrrrdeu, playboy! o mais novo melhor sorvete de limão do universo é o da Sorveteria Coelhinho! Trata-se da combinação entre o doce e o cítrico, sem sobreposição de nenhum dos dois, resultando no equilíbrio perfeito. Vale uma viagem à Porto Seguro só pra isso, acreditem.




Me apaixonei tão loucamente pelos sabores limão e maçã verde que repeti essa combinação todos os dias, exceto no último, quando não tinha o de limão (aposto que fizeram de propósito... só pra eu ter de voltar à cidade por causa dessa delícia!), então optei pelo morango. No entanto, tenho certeza que os demais sabores são tão deliciosos quanto os que pude provar. Fiquem curiosos e passem por lá quando forem à Porto Seguro! Recomendo.




Aaaaah, importante, diferentemente da maioria dos outros estabelecimentos da Passarela do Álcool que só abrem à noite (principalmente os restaurantes), a Sorveteria Coelhinho abre à tarde, então, se estiver voltando de passeios à Arrarial D'Ajuda, Trancoso e afins, você pode parar para adocar o bico com um delicioso sorvete italiano!





*Ainda não leu esse? Leia aqui: http://claraemneve.blogspot.com/2008/02/o-melhor-sorvete-de-limo-do-universo.html

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Temporada Porto Seguro - Pizzaria do Noé



Meu leve desespero em viagens sempre é alimentação. Sim, sim, sim, tenho paladar chatíssimo não muito dado a extravagâncias.


Chegando em Porto Seguro, Bahia, a primeira pergunta na recepção do hotel foi: ‘Onde fica o Mc Donalds e o Subway?’. Ufa! Ficavam ali pertinho e tinha os dois! Eba! Na pior das hipóteses, variaria entre um e outro durante os 8 dias que se seguiriam. Felizmente não foi necessário.


Na primeira noite, andando pela Passarela do Álcool – que, aliás, estão tentando mudar o nome para Passarela do Descobrimento - depois de passar por 4 ou 5 barraquinhas de acarajé – não, não comi acarajé, como disse, não sou dada a extravagâncias gastronômicas – quase chegando no final do passeio, deparei-me com um folder anunciando que ali vendia-se pizza no cone.


Há pelo menos 3 anos caço essa tal pizza no cone, sem sucesso. Uma amiga comeu na Festa do Chocolate de Ribeirão Pires e cantou maravilhas sobre a iguaria, fiquei cheia de vontade, mas nos anos seguintes, quando fui em busca da bendita, cadê?! Desde então, procuro pela pizza no cone que fui encontrar a léguas e léguas de distância de minha província!


Entusiasmada, sugeri a minha amiga, companheira de viagem, que nos aboletássemos por ali. Assim, na sorte!


Deveria ter apostado na loteria porque teria acertado! O Restaurante ‘Pizzaria do Noé’ é um estabelecimento pequenininho, cujas mesas ficam todas no calçadão – assim como a maioria dos restaurantes na Passarela do Álcool – algumas sob um toldo e outras sob as árvores – um charme!


O serviço... aaaah, o serviço... de zero a dez? Onze, com louvor! Além de extremamente atenciosos, todos dominam o cardápio, dão sugestões e dicas, esclarecem dúvidas e fazem você se sentir a pessoa mais importante e bem vinda do universo. São incríveis.


E foi justamente o atendimento que contou pontos para que voltássemos nos dias que se seguiram, afinal, nem só de pizza no cone – que, a propósito, é deliciosa: massa saborosa, macia por dentro, crocante por fora e fartamente recheada - se faz um restaurante.


Nas noites posteriores, ficamos entre massas e pizza. Lasanha bolonhesa: deliciosa! Pene ao sugo: porção pra lá de farta! Pizza: ao gosto do freguês, no nosso caso, massa espessa, sem cebola, com muito tomate e azeitonas. Ah! E tudo leva manjericão fresquinho, que delícia. Será que eles têm um pé na cozinha?


Uma dica que dou: não vá pra lá com muita fome porque os pratos demoram de 25 a 30 minutos para ficarem prontos – tempo que quase nos fez comer a toalha da mesa, todas as noites! Demora perfeitamente explicada, tendo em vista que tudo é preparado na hora. Vale a espera.


Preços? Muito acessíveis. Não gastei mais do que R$ 15 por jantar (por pessoa).


Então, se você é como eu, que adora viajar, mas o estômago prefere a comidinha de casa, fica a dica: PIZZARIA DO NOÉ, na Passarela do Álcool, em Porto Seguro, Bahia.