quarta-feira, 23 de junho de 2010

3º Aniversário!!

Hoje tem bolo aqui no .::Clara.em.Neve::.
Pelo menos aí na foto.
Sim!
Hoje é o 3º aniversário desse humilde bloguinho.
Trêêêêêêês anos. Bastante, né?! E sabe por que tem durado tanto?!
Porque pessoas como você (é, você mesmo!) leem as pequenas bobagens que escrevo!
Muuuuuuuuuuuuuuito obrigada a todos:
os fiéis leitores, que não perdem um post;
aos que entram aqui sóóóóóó de vez em quando, pra ver o que anda rolando;
aos que estão passando aqui pela primeira vez (e que vão voltar sempre!);
aos que estão passando pela primeira vez (e não voltarão nunca mais... desculpaê!)
aos que um dia passaram por aqui.
Vamos lá, pessoal, peguem uma fatia de bolo, puxem uma cadeira, vamos nos sentar e bater um papo sobre comidinhas!!
Esse é só o 3º dos próximos 300 aniversários!



PS: juro que vou mudar a foto e texto do layout, assim que tiver um tempiiiinho!


domingo, 20 de junho de 2010

Papo de alto nível

Dia desses, parada, esperando o bonde passar, fui praticamente obrigada a escutar o seguinte papo:


- Foram aonde no fim de semana?


- A gente foi naquela lanchonete pra lá do fim do mundo – infelizmente não pude memorizar o endereço da biboca pra poder indicar pra vocês... poxa vida!


- Legal lá? – Adivinhemos!!!


- Nooooooooooooooooooossa, muito legal!!!! - com muita ênfase no 'nooooossa' - Meu, tem música (?) ao vivo até de madrugada... os caras tocam muito (mal?!)... só música legal... Vitor e Leo, Luan Santana, Bruno e Marrone, Calypso, Calcinha Preta... a noite inteira – a tortura não tinha sido abolida no Brasil?!


- É caro lá?! – Só de couver artístico deve ter sido uma nota preta!


- Homem 3 real (!) e mulher de graça – Ó que oportunidade, gentê!


- E bebida?! - Medo!


- Como estava frio ninguém quis beber cerveja, daí a gente pediu vinho – vai vendo...


- Ã...


- Meu, um delícia! Vinho gostoso, beeem docinho, sabe? - ênfase no 'beeeem' – 6 (!) real (!) a garrafa – Maravilha! Me veja 2 garrafas, s’il vous paît! É hoje que eu começo minha adega - A gente estava em 4, cada um bebeu uma garrafa - Ã... - Daí, ontem eu quase morri de tanta dor de cabeça – Aaaah, por que será?! – Mas o vinho era bom, sabe?! Não era desses vinhos porcaria – Ah, mas eu aposto que o vinho era realmente de primeira, afinal, quase ter um AVC no dia seguinte à bebedeira é um forte indicativo da alta qualidade do vinho, né não?! Claro! – Muito chique lá, alto nível! – Alguém duvida?! – E os petiscos?! Mortandela (!) e queijo cortadinhos, sabe?! Tudo temperadinho... nossa a gente comeu demais! – Um banquete dos deu-ses!


Se pudesse não teria escutado, mas é como dizem: melhor escutar isso do que ser surda!!!



domingo, 13 de junho de 2010

Arquibancada


- Vai almoçar onde?

- No de LED, claro!

- No de 32 ou de 42 ?

- Ah, no de 32 porque tem mais, embora sejam menores.

- Vou com você!

- Saímos que horas?!

- Já!

- Mas são 10h30!

- Ah, meu amigo, se não formos agora perderemos o melhor lugar, bem na frente da TV!

Além de garantir o melhor lugar na arquibancada, digo, no restaurante, claro que também será preciso contar com a compreensão dos chefes, afinal, os almoços ficarão um pouquiiiiiiinho mais longos, basicamente, dois tempos de 45 minutos, mais intervalo! Sim, começou a Copa do Mundo dos restaurantes! A qualidade da comida, ao longo dos 30 dias do torneio, ficará em segundo plano, será eleito O preferido, aquele restaurante que investiu em mais aparelhos de TV, mais modernos, maiores, mais bem localizados. No meio daquele contra-ataque aos 45 do segundo tempo, nas oitavas de final, tanto fez como tanto faz se carne está bem passada, está esguichando sangue, se está macia ou uma borracha... importante é não perder o lance.


E os jogos que acontecerão às 8h30?! Isso é horário de jogo de futebol?! Que desculpa dar para uma ‘fugidinha’ do trabalho passados apenas 30 minutos do início do expediente, minha gente?! Sugestão? Culpe o café da manhã:


- Hummmm, o café da manhã não caiu bem... vou dar uma passadinha no médico, ok?! Volto daqui dois tempos de 45 minutos mais intervalo.


(Escolha o hospital ou consultório que tenha uma sala de espera digna de sua empenhada torcida!)

Os jogos de 15h30 ficam um pouquinho mais complicados: nem café da manhã, nem almoço, 15h30 é horário de quê?! Horário de ser sincero e abrir o coração para o(a) chefe:


- Podemos conversar?

- Claro, entra! – chefe receptivo (a)

- (trêmulo) Eu... bom... estou aqui há quantos anos? Três? Quase quatro. O senhor sabe que sou pontual, não falto, faço meu trabalho da melhor maneira possível, tenho responsabilidades que vão além das minhas obrigações... não, não, não estou reclamando! E o senhor bem sabe que não tenho o hábito de pedir nada, mas acho que estamos num momento que eu posso, ou melhor, eu preciso tomar a liberdade de fazer um pedido...

- Calma rapaz, não precisa ficar tão nervoso. Já tenho reparado no seu bom trabalho há algum tempo e acho que é mesmo hora de conversarmos sobre um aumento. Pensei em 20%.

- Nãããããão, não...

- Opa! Quer ganhar mais do que eu rapazinho?

- Não, não é isso! Eu queria pedir para assistir ao jogo de hoje! Fomos dispensando apenas para assistir aos jogos do Brasil, mas sou louco por futebol, chefe! E Copa do Mundo pra mim é tudo... é um espetáculo! São os melhores jogadores do mundo defendendo a camisa da sua pátria... são nações inteiras que se unem em torno de um objetivo... os jogadores sabem disso e fazem de cada jogo uma verdadeira batalha, mas uma batalha totalmente pacífica (menos os argentinos, porque eles entram solando mesmo... uma baixaria!!). É esporte, é superação, é técnica, é sorte! Num jogo, um país pobre, subdesenvolvido, subjugado pode mostrar supremacia, não pela força ou violência, mas pela garra de 11 homens que representam ali cada uma das pessoas de seu país...

- (com olhos marejados) Rapaz, pode parar... já me convenceu! Isso que você disse é lindo demais (deixando rolar uma lágrima discreta no canto do olho). Vai, vai, pode ir, pode ir! Volta só no dia 12 de julho...

- Poxa, chefe! Obrigado, obrigado mesmo! O senhor não vai se arrepender. Daqui 4 anos, prometo que programo minhas férias para o mês da Copa! ... mas... a propósito, o senhor pensou em 20%????????

- Vai, vai, rapaz... agora estou emocionalmente abalado... conversamos sobre isso depois da Copa...

Bom, caso seu chefe não seja tão compreensivo ou você não seja tão convincente, o jeito é apelar pro cafezinho... de quando em quando você dá uma escapadinha falando que vai tomar um golinho de café e espia os últimos lances na TV do celular ou naquela de 8 polegadas da recepção... E dá-lhe jeitinho brasileiro!

Aaaaah, não sei vocês, mas adooooro Copa do Mundo, os jogos, a maioria deles, são ótimos, dão gosto de ver! Claro que os problemas do Brasil e do mundo continuam, sabemos e somos conscientes disso, npois não?! Mas desfrutemos esse alento futebolístico.

Escolham suas arquibancadas... apenas tomem cuidado com os petiscos e bebidas, principalmente nos jogos das 8h30! Afinal, vai ser difícil explicar o bafão de cerveja voltando do hospital!

Apostam em quem? Não sei quem vai ganhar, mas Brasil e Espanha na final seria genial, heim?!

domingo, 6 de junho de 2010

Cooooooooooof-cof-cof

Tosse: ô coisinha chata! Depois da gripe, lá vem ela, a tosse, esta manifestação pulmonar involuntária e irritante. Simplesmente não há como evitá-la. Você respira fundo, se concentra, finge que aquela coceirinha na garganta não é com você, mas não tem jeito. Antes mesmo que se tente outra estratégia a vontade de colocar os pulmões pra fora já tomou conta do corpo, da mente e, claro, do ambiente!

Ao contrário da dor de garganta, da dor de barriga, da dor de cabeça, da câimbra, da unha encravada e tantos outros desconfortos solitários, a tosse é um mal-estar coletivo. A tosse não irrita apenas a garganta do pobre coitado que a possui, irrita os ouvidos e os nervos daqueles que são condenados a conviver com o ser tossinte.

A princípio, todos tentam ser compreensivos, afinal, quem está livre de passar por isso? Aos poucos, à proporção que crescem os cof-cofs, é possível perceber que as pessoas ao redor vão se incomodando mais e mais, ao ponto de não aguentarem mais ouvir o coitado tossir. Como perceber a sutil transição entre a piedade e a perda da paciência?! Quando começa o festival de receitinhas:

- Tenho uma receitinha ótima pra acabar com essa tosse: mel com limão! Coloca o mel numa colher quente, espreme meio limão e joga direto na garganta. É ótimo!

- Abacaxi! Coma umas três ou quatro fatias durante o dia. É ótimo!

- Já tentou chá de gengibre? É ótimo!

- Melado de açúcar mascavo com gengibre. Corta a tosse na hora! É ótimo!

Se nenhuma dessas (ótimas) receitas acabarem com sua tosse, nada, nada você ganha um belo nó no estômago de tanto ingerir coisas tão absurdamente doces.

Ah, mas não para por aí. Para quem prefere, há também o cardápio salgado:

- Vinagre de arroz e sal! Faz um gargarejo antes de dormir. No dia seguinte, nada de tosse. - E nada de esmalte nos seus dentes!

- Chá de alho: corta gripe e tosse. Infalível! - Corta vampiros também, né não?!

E as receitinhas que você juuuuura que estão fazendo super bem, até que...

- Tá tomando alguma coisa pra essa tosse?!

- Leitinho quente com canela, antes de dormir...

- PeeeeeeeeeeeeeeeelamordeDeus! Para com isso já! Leite é um veneno pra tosse! – Oi?! Desculpaê!

À medida que cresce o número de oferecimentos, cresce também aquela sensação de que a convivência com aquele que tosse beira o insuportável. Aumenta também o constrangimento por estar incomodando, aumenta a irritação de não conseguir se controlar, a dor de cabeça (parece que o cérebro balança dentro do crânio a cada crise), a dor nas costas e no abdômen... sem contar a dor moral, afinal, nada pior do que botar os bofes pra fora no meio das reuniões de trabalho e em ambientes coletivos – aqui, todo mundo acha que você está com gripe suína e começa abrir janelas e bisuntar álcool gel no corpo todo! Além de tudo, o mico.

Inversamente proporcional ao aumento da tosse ocorre a gradativa redução das noites de sono. Aliás, diga adeus a elas! Dormir bem se torna uma lembrança distante. Entre um cochilo e outro, lá vêm as sessões, involuntárias, de abdominais noturnos (ou seria: entre uma crise de tosse e outra, lá vem o cochilo involuntário, fruto de puro cansaço e esgotamento?).

No dia seguinte, mau humor, na certa! Mas é bom manter o sorrisinho no rosto pra agradecer delicada e educadamente a todas receitinhas de xaropes caseiros, xaropes de farmácia*, pastilhas, balinhas, tapinhas nas costas e aos votos por melhoras.

Ai, ai, a tosse... trazendo à tona a solidariedade dos seres humanos (mas só até começar a irritá-los! Daí é cada um por si e tampões de ouvidos para todos.)

Alguém tem uma receitinha aí?! Estou, há dias, com uma tosse dos diabos...

*os quais nenhum será aceito, afinal, medicamento, só com orientação médica, heim?! Não pioremos a situação!







domingo, 30 de maio de 2010

Café com leite ou leite com café?

Tão popular no Brasil quanto arroz com feijão, o pingado também tem lugar garantido no café da manhã de muitos brasileiros por aí. Tem aroma de casa de mãe, misturado com sabor de lembranças. Aposto que todos são capazes de associá-lo a alguma emoção.


A primeira pessoa que me vem à lembrança quando penso nessa bebida é minha vó. Ela era totalmente viciada no leite com café. Sim, leite com um pingo de café, bem clarinho, com muito, muito, muito açúcar e à 200ºC!! Uma coisinha tão simples, mas era uma dose instantânea de felicidade pra minha vovó. Assim como, o contrário, a ausência de uma boa xícara dessa bebida na horinha certa, era capaz de fazê-la esmorecer, beirando a depressão ou... dependendo de quanto tempo tivesse passado da hora... ela ficava num mau-humor galopante!


O vício foi devidamente repassado para todos os filhos. Quatro herdaram a preferência por leite com café e toneladas de açúcar, minha mãe, porém, contrariando a tradição da mãe dela, sempre preferiu o café com leite, com pouco açúcar, mas tão fumegante quanto vovó apreciava.

Os primos, todos, perpetuam a tradição. Já na minha casa... mamis não conseguiu cultivar esse gosto nas 2 filhas. Tanto eu quanto minha irmã fomos criadas à base do leite com Toddy (nenhum outro achocolatado... apenas Toddy, sempre Toddy!). Não tenho certeza do porquê: se por pura teimosia de criança que não gostava do sabor do pingado e se negava a tomá-lo ou se porque minha mãe não achava certo (como ainda não acha!) criança beber café, ainda que misturado ao leite.


Fato é que, até hoje, café com leite/leite com café não é minha bebida favorita. Pra mim, café é bebida nobre que merece ser saboreada pura, simples, foooorte (se fosse whisky seria cowboy!), morninho, acariciando cada uma das papilas gustativas. Mas, sabe como é, de vez em quando a genética fala mais alto e, para variar um pouquinho, preparo um café com leite (saudades da vó...). Entretanto, a influência materna dita a dose: mais café do que leite, sinalizando que mamãe não fracassou completamente na transmissão do valor!


Na última quinta-feira, 27, o Estadão (n° 245) dedicou seu caderno Paladar a essa bebida. Traz regrinhas para fazer um bom pingado, dentre as quais, a de que deve ser servido num copo americano (bem padoca, né?!) e que o melhor parceiro no café da manhã é um quentinho e cheiroso pão na chapa. Mas o que me chamou mais a atenção foram dois depoimentos: o de Patrícia Ferraz e o de Janaína Fidalgo. Ambas, de maneiras diferentes, associam o inocente pingadinho a trauma de infância porque as mães obrigavam-nas a tomar uma xícara toda manhã!! Eu e minha irmã não tivemos esse problema! Mas achei engraçado, porque café com leite, pra mim, é sinônimo de bebida de mãe e, pelo jeito, não só pra mim. Essa parece ser, então, a bebida oficial das mães... a preferência deve brotar junto com o instinto materno ou coisa assim.

Me pergunto se um dia, se mãe, virei a suspirar por uma xícara de café com leite. Será?! Continuo achando que café com leite ou leite com café está mais associado à emoção do que ao paladar.



domingo, 23 de maio de 2010

Virada Cultural 2010 - parte III de III

(...continuando)

A intensidade do sol piorava cada vez mais. Já a pino, algumas pessoas foram desistindo: bom porque assim cheguei à grade, mau porque ali nada me protegia do sol. Sorte que, mesmo o tempo tendo estado péssimo durante toda a semana, meu otimismo sagitariano me fez passar protetor solar 60 antes de sair de casa e, mais, me fez levar o potinho na bolsa para repassá-lo ao longo do dia.


O pastel, aquele singelo pastelzinho pingando óleo, já fora digerido e meu pobre estômago nem tinha esperanças de que fosse ver comida tão cedo. Além disso, por motivo já mencionado, não bebi nada de líquido desde a hora que saí de casa, às 7h... e o líquido, no caso, foi café! No entanto, mesmo que eu me dispusesse a beber água, cerveja, chimboquinha ou vinho Chapinha... não seria possível: os adegueiros ambulantes não chegavam à grade! A solução tanto pra fome quanto pra sede? Trident! Com um chicletinho aqui, outro ali, fui aguentando o dia todo.


O próximo show? Arnaldo Antunes com seu álbum Iê-iê-iê. Confesso que senti medo da reação da Avenida São João, afinal, o show anterior teve direito àquelas rodas de porrada (gigantesca!!), totalmente rock’n roll... daí chega o poeta e sua banda, toda de figurino, para derramar sobre o público canções totalmente conceituais. Mas, gênio é gênio! Além disso, nada supera a experiência! O senhor Antunes está há décadas na estrada e soube dominar não apenas o palco, mas principalmente o público que, mesmo não conhecendo todas as músicas, vibrou com todas elas. Eu, fãzaça, fiquei feliz por mim e por ele!! Ainda mais porque tocou uma das minhas músicas favoritas: ‘judiaria’. Uma versão hard core para o rei da dor de cotovelo, Lupicínio Rodrigues. Vale também mencionar que a presença do Edgard Scandurra, o dito virtuoso ex-guitarrista do Ira!, causou uma certa comoção nos saudosos fãs da banda que subiu no telhado. Como diria meu estimado Paulo Leminski: ‘O que vai embora não embolora’!


Findo o show... mais uma Era até o próximo. Nesse meio tempo algumas coisas. A primeira e mais importante: o baterista dos Raimundos* ficou para curtir os shows depois do dele e estava dando sopa na plateia VIP, o pessoalzinho que estava atrás de mim, chamou e o cara atendeu muito simpaticamente. Enquanto todos pediam fotos e autógrafos... a mim só interessava uma coisa ‘Posso te pedir uma coisa?’ ‘Claro, linda!’ ‘Me dá um gole da sua cerveja, pelo amor de Deus!’. Foi a cerveja mais gostosa que já bebi na minha vida. A sede estava me dominando! Vendo meu olhar de uva passa ele ofereceu a cerveja toda... lógico que não recusei!! Ah, que simpatia! Salvou minha vida! Também deram o ar da graça o Rafael Cortez do CQC, o Walace Lara (ou seria o César Trali?!) da Globo e a Cristiane Alcalá da TV Cultura, para quem concedi uma entrevistinha... mas só porque era para essa emissora e porque ela foi minha professora e orientadora na pós-graduação... hehehehe!!!


Uma vida e meia depois, os Titãs, os 4 que restaram (de uma banda que já foi de 8!), entraram no palco já com o céu escuro. A expectativa para esse show era a pior possível. Depois do CD Acústico, a banda, na minha pobre opinião, perdeu o rumo da prosa e descambou para um popzinho sem graça. Os shows não lembravam nem de longe os tempos de Titanomaquia e Domingo. Mas, porém, no entanto, todavia, qual não foi minha surpresa ao perceber que a banda acordou pra realidade (identidade) e estava mais rock’n roll do que nunca!! Uma sequencia inacreditável de músicas dos bons tempos: AA UU, Bichos Escrotos, Diversão, Pulso (com a histórica participação de Arnaldo Antunes!!), Cabeça Dinossauro (não acreditei!), 32 dentes (achei que a cerveja que bebi tinha alguma coisa que estava me provocando alucinações), Porrada (idem anterior, vezes 10 ao quadrado), Polícia, Vossa Excelência (essa mais recente, mas de conteúdo recheado de impropérios e chingamentos), Lugar nenhum, Televisão (numa versão 2010 totalmente roqueira, sem o ôôôôô!), Flores, Go back, Sonífera ilha (essas três bem mais tranquilas, momentos para respirar!) e mais algumas do novo CD, duas bem pesadas e duas mais baladinhas (cicatrizes! Perdoáveis em vista de todo o resto!). O show foi como há muito, muito, muito tempo não via. Valeu o sol na moringa, a fome, a desidratação, as 8 horas em pé! Saí de lá no bis (‘É preciso saber viver’) antes que o efeito rock passasse!


O percurso da grade ao fim da plateia parecia não ter fim! A Estação da Luz parecia que ficava em Changrilá! Andei, ande, andei, andei (pedi 39764789650475082374023984903490384093750748707603985093674039768930478407509457897304957980234394738567385t46587239 informações, afinal, me perco até na palma da minha mão!!), passei pelo caminho inverso da Estação Pinacoteca (onde comecei meu dia!) e finalmente cheguei na estação. Cansada, dolorida, desidratada, faminta, rouca, mas feliz por ter aproveitado pelo menos metade da Virada Cultural 2010.


Qual será a programação em 2011, heim?! Já estou contando os dias!


*Devo confessar que depois da 17859409893977ª formação dos Raimundos, parei de tentar guardar o nome dos integrantes, então só me lembro o de quem era da primeira formação. Desculpa, batera!!


PS1: a foto é da rua em frente à Estação Pinacoteca, de manhã tomada pela criançada e à noite, momento da foto, com apenas poucas pessoas, indo embora, marcando o final do evento... quase melancólico, não?!

PS2: passei quase toda a semana sem voz! efeito colateral!

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Virada Cultural 2010 - parte II de III

(continuando!)

Já na China (sim, andei feito burro velho!) lá estava: o Palco Rock! O show da Pitty tinha acabado de acabar. Uns diziam que tinha sido um show animal, outros diziam coisas que não se diz nem a um animal (trocadilho ótemo!). Mesmo milhares de pessoas indo na direção oposta, ainda assim, a plateia desse palco estava absurdamente lotada. Dá um passinho aqui, outro ali, mais uma corridinha acolá e eu já estava há umas 20 fileiras de cabeças a partir da grade.
O próximo show era Ramones. Aaaaah, me deixem viver essa ilusão, por favor! Na verdade, segundo a programação, o show era ‘CPM22 ( Ramones)’. Cri nisso. Músicos no palco, ‘one-two-three-four’ no gogó e dá-lhe ‘Hey Ho, Let’s go!’. Infelizmente, 20 minutos depois eles já tinham tocado as 20 músicas do repertório previsto (Ramones, né?!), foi então que bateu o desespero. Badauí anuncia: ‘agora a gente vai tocar umas músicas nossas’. Nããããããão. Propaganda enganosa... quero meu dinheiro de volta! (?) O problema é que não tinha pra onde correr, literalmente. Pior: o povo que me cercava estava adoraaaaaaando. Medo, né?! Fui forte e aguentei. Quando acabou (ufa!), um longo intervalo para desmontagem/montagem dos equipamentos.
Enquanto isso, vendedores, com a força de 10 mamutes, circulavam irritantemente pra lá e pra cá com verdadeiras ‘adegas’ sobre a cabeça. Dentro daquelas caixas de isopor, havia uma diversidade de bebidas capaz de fazer inveja a muitas cartas de bebidas de muitos restaurantes (ah, tá!): vinho Chapinha (que os vinhos de verdade não me ouçam/leiam), Chimboquinha (oi?!), Ceveja (Brahma e Skol! ó!), Coca-Cola (zero e normal! uia!), Guaraná Antártica e água!! Ignorei todos, afinal, sigo a lei da ‘ação e reação’: cada ml de líquido ingerido se transforma, invariavelmente, em pipi, o qual precisa, necessariamente, urgentemente, sair de dentro de você uma hora ou outra... para isso, a única alternativa oferecida num evento desses é... banheiro-químico-depois-de-quase-24h-de-milhões-de-pessoas-passando-por-lá! Por esse prisma, uma possível desidratação no final do dia parece ser bem mais agradável, pois não?!
Algumas pessoas foram desistindo, outras chegando... e eu, andando, andando. Já estava a duas cabeças da grade. Sendo que uma dessas cabeças pertencia a uma menina totalmente chapada que queria, insistentemente, ver o oco.
Sim, o próximo show: Raimundos. Mais massacrantemente pesado do que nunca. Bacana, bacana. Era evidente que todos eles, os Raimundos, estavam muito felizes por estar ali, tocando para uma multidão que tomou conta de toda a e extensão da Avenida São João. E o Sol, lá no céu, quase a pino, tão animado quanto o povo lá embaixo. Já era possível sentir o cheiro de miolos bem-passados. (continua...)

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Virada Cultural 2010 - Entre mamadeiras e cervejas – parte I de III


Minha Virada Cultural começou gastronômica (ou quase isso) ganhei um bolo do meu amigo, infelizmente o bolo não era do tipo que se come, mas do tipo que se lamenta. Aaaaaaaaah... Perdeu, amigo! O dia foi sensacional!!

Comecei os trabalhos no domingo. Aliás, um lindo domingo de Sol e céu azul. Primeira parada: Praça Júlio Prestes para ver/ouvir Palavra Cantada. Quem não conhece, pelo amor de Deus, não percam mais tempo e ouçam as lindas músicas desse grupo. Se você não é mais criança, um dia, certamente, já foi.
Liderado pelos simpáticos, graciosos e talentosos Sandra Perez e Paulo Tatit, esse grupo faz música para crianças (de todas as idades!) respeitando seu universo lúdico e inocente, mas também sua infinita inteligência em pleno desenvolvimento. Os arranjos são ótimos (impossível ouvir sem querer sair pulando e dançando!) e as letras são inteligentíssimas, fofas e engraçadinhas. Fiquem curiosos, coloquem ‘Palavra Cantada’ no youtube e comprovem o que estou dizendo*! Além do show que acontece no palco, outro acontece na platéia. Pais, mães, filhos, avôs, avós, netos e avulsos (eu!) cantam, pulam, dançam... todos com a mesma idade de criança. Uma viagem à aurora querida de todas as vidas. O cardápio?! Mamadeiras daqui, papinhas dali, pacotes de bolacha divididos por todos ao redor (afinal, criança, quando vê, fica com vontade, né?!), algodão doce melando eternamente mãozinhas e cabelos.

Findo esse espetáculo, saí sem rumo. Passei em frente minha casa (também conhecida como Pinacoteca do Estado de São Paulo) onde a apresentação da Banda Sinfônica do Estado estava no clímax. Coisa linda de se ouvir (e ver, dada a grandiosidade do grupeto). Ali parei por alguns minutos e, enquanto mascava um dos 1245789563 Trident do dia, pensei em como é linda a cidade de São Paulo e como esse evento casa-se perfeitamente com a diversidade de absolutamente tudo que há por lá.
Parte do público dormia, parte acordava. Esses porque levantaram cedinho pra curtir o dia e aqueles porque curtiram desde de ontem e não resistiram à boa música (canção de ninar, ainda que fosse heavy metal!!) e às convidativas cadeiras para puxar um ronquinho e recarregar as baterias para mais uma rodada de shows (e, muito provavelmente, de vinho barato... desse falarei mais adiante!). Eu, fazendo parte do grupo que acordava mais a cada minuto, resolvi botar as perninhas para trabalhar.

Atravessei a Estação da Luz: pessoas indo trabalhar, chegando do trabalho, voltando da Virada, chegando na Virada, todos juntos, cada um pro seu lado. No lindo (lindo mesmo) hall da estação, pianistas amadores dedilhavam notas a duas, quatro, seis (!) mãos! Era música?! Claro que sim!
Na rua oposta à minha casa (seria a Cásper Líbero?!), estava o Palco dos Independentes... de lá vinha um som que me parecia familiar: ‘...mas como pode ser isso?! Ouço pandeiros e cavaquinhos e, ainda assim, isso parece com alguma coisa que conheço?! Estou eu virando pagodeira?!’ ...passados os segundos de surto, constatei: ouvia 'Another Brick in the Wall' numa versão pagode... pa-go-de! A quadrilha que tocava isso era o Sambô. Ui! Continuei andando, antes que a coisa piorasse.

No meio do caminho tinha... uma feira! A vida cotidiana acontecendo em pleno fim de semana de Virada Cultural. Naquela rua, senhorinhos e senhorinhas arrastavam seus carrinhos com suas frescas provisões, na calma tranquilidade das manhãs de domingo. Uma ilha de cotidiano em pleno caos cultural. Tudo normal, não fosse... a barraca de pastel! Sim, o pastel de feira, capaz de unir gregos e troianos, patrões e empregados e, durante aquele dia, também roqueiros, pagodeiros, baladeiros, bêbados, mendigos. Ao redor da barraca, todo esse pessoal gritava pedindo o pastel escolhido: ‘Bauru! Pizza! Carne! Queijo! Camarão! Frango com catupiry!’ ‘Come aqui ou pra viagem?!’... tudo numa sintonia digna de um antigo pregão da Bovespa. Todos se entendiam, todos saiam satisfeitos. Inclusive eu, oras! Garanti meu almoço às 10h30, afinal, não sabia quando poderia comer novamente. De pastel no estômago, continuei andando.

Já nos arredores da Galeria do Rock, o público era o extremo oposto daquele da Palavra Cantada. Uma roda de capoeira acontecia ante uma plateia atenta e/ou sonolenta, sóbria e/ou bêbada. Mais a frente, legítimos índios da tribo ’25 de março’ faziam seu sonzinho em troca de uns trocados. Tanto a roda quanto a tribo nunca devem ter tido plateia tão volumosa!
(continua...)

*...ou não, gosto não se discute, né?!

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Virada (de sono) Cultural 2010


Esse foi o fim de semana da Virada Cultural em São Paulo. Cheguei tarde em casa totalmente esgotada, sem a menor condição de digitar uma frase se quer, maaaaaaaas prometo que durante essa semana postarei relato detalhadíssimo de minhas aventuras nesse evento inacreditável!!
Aguardem!! hehehe

domingo, 9 de maio de 2010

Fast food?!

- Bom dia! Vai pagar em dinheiro ou cartão?

- Bom dia!!! Ainda não sei... Acho que em dinheiro. Não, cartão! Dinheiro! Cartão, cartão!

- CPF na nota, senhora?

- Será?! Não sei. Quero! Quero sim!

- Pode falar.

- 29...34...78... não... 29...24...48...98736

- CPF inválido, senhora.

- De novo: 2924489...9 ou 8? Espera, deu branco! Vou pegar o CPF na bolsa... um segundinho!

- (...)

- Mas onde foi que eu coloquei aquele danadinho? Estava aqui até ontem! (...) Ah, troquei de bolsa e acho que deixei na outra. Que pena! Faz sem CPF mesmo.

- (respira fundo) Pode fazer o pedido.

- Sabe, ainda não me decidi! O que você me recomenda?!

- (conta até 10) Big Mc, batata grande, refrigerante grande?

- Não, não, tudo muito grande... estou com pouca fome...

- Cheese burger, batata pequena, refrigerante pequeno?

- Hummm, talvez... como é o cheeseburger?

- Basicamente hamburguer e queijo (dã!)

- Ah, é mesmo! Cheeeeeeese e burger!! Entendi! Mas não, muito simplesinho. Quero algo um pouco menos vulgar...

- Quer olhar nosso cardápio, senhora?

- Não, não! Confio em você! Além disso, estou sem meus óculos, não estou enxergando nada! Aquele ali da foto, bonitão, qual é?

- Cheddar Mc Melt, senhora.

- Hummm, parece bom. O cheddar que você diz é queijo cheddar?

- Exatamente, senhora. Batata e refrigerante?

- Queijo cheddar e o que mais?

- Hamburguer, picles, catchup, mostarda, cebola dourada no shoyo e pão. Batata e refrigerante?

- Hummm, parece bom! Acho que vou querer esse.

- (bufando) Batata e refrigerante?

- Não, não, só o lanche, querida! Estou com pouca fome.

- CHEDDAR AQUI (gritando para colocarem logo na bandeja)

- Já está pronto? É aquele ali? Não, não... pede pra fazer o meu sem cebola, por gentileza! Detesto cebola!

- CHEDDAR ESPECIAL SEM CEBOLA! (quase histérica)

- E sem mostarda, tá? Destesto mostarda!

-CHEDARESPECIALSEMCEBOLAESEMMOSTARDA... MAIS ALGUMA COISA, SENHORA? (gritando como se a senhora estivesse a 1 km de distância)

- Deixa ver... hummm... não, não... é só isso, mesmo!

- R$ 5.

- Eu tinha falado dinheiro ou cartão?

- Cartão.

- Aqui.

- Débito ou crédito?

- Dédito. Não, crédito. Débito, débito!

- Débito, senhora?

- Isso mesmo. Foi o que eu disse!

- Pode colocar a senha.

- (129877? Não... 127798... 981277? 978721?) Xi, esqueci minha senha! Bloqueei meu cartão! Poxa vida! Tá aqui, ó, vou pagar em dinheiro.

- (grrrrrr) Não tem mais trocado, senhora?

- Não!

- PRECISO DE TROCO PRA 100! (gritando bem mais do que o necessário, já que a gerente estava ali do ladinho)

- (...)

- Seu troco, seu lanche (graças a Deus!).

- Ah, vou querer pra viagem!

- (jogando o lanche no saco de papel)

- Obrigada, querida! Deixa ver seu nominho... adorei você, sempre que vier aqui, faço questão de ser atendida por você! Tchau-tchau!

*

No dia seguinte a atendente pediu demissão.


domingo, 2 de maio de 2010

Origami na ponta do garfo


Uma das regrinhas de etiqueta à mesa que parece ser a coisa mais simples do mundo, mas que pode complicar a vida dos menos habilidosos é aquela que se refere às folhas de verdura. Diz-se que nunca, jamais, de maneira nenhuma, de forma alguma você deve cortar folhas de verduras no prato para levá-las à boca. Ou seja, ainda que você esteja diante de uma folha do tamanho de uma orelha de elefante, você terá de se lascar para enfiá-la inteira na boca, de uma vez, sob pena de ser execrado publicamente por algum fiscal da moral e dos bons costumes à mesa (geralmente quem exerce esse simpático papel é aquela tia chata que acha que é rica, aquele primo metido à besta, ou aquele cunhado que não perderia, por nada nessa vida, a oportunidade de fazer você passar um ridículo).


Se não se pode/deve cortar, o jeito então é dobrar. Taí, talvez o mérito do feito fique por conta da habilidade de conseguir fazer tantas dobras quantas forem necessárias para fazer com que uma folha inteira caiba numa única bocada. Não parece coisa muito complicada, pois não?! Mais ou menos.


Quando a salada é sua, você até consegue ter o domínio da situação. No preparo, tira os talos aqui, rasga as folhas grandes ali e pronto, com apenas algumas viradinhas no garfo, já é possível comer a salada sem que se pareça um cavalo comendo capim: metade pra dentro, metade pra fora.


O problema é quando se encontra algum sádico por aí que resolve colocar todas as folhas inteiras na saladeira: rúculas com talos de 2 metros, agriões com 45 ramificações de talos, alface americana que mais parece uma tigela, alface crespa com 3 metros de comprimento por 17,5 de envergadura. Uma complicação que só vendo... comendo.


A rúcula é minha cruz pessoal. Adoro, mas só Deus sabe a briga que travo com seu talo cada vez que ela vai parar no meu prato. A parte da folha é facilmente manipulável, mas o talo é de uma teimosia irritante. Eu dobro, ele volta, dobro de novo, ele volta de novo, quando acho que o venci e estou levando a ruculíssima à boca, pimba!, o talo desenrola e fica pra fora da boca! Situação de pânico. O que fazer?! Tirar a folha toda? Enfiar o talo com a mão? Seja lá qual for a escolha, a cena certamente será ridícula.


O agrião não fica muito atrás no nível de dificuldade, afinal, se perde no comprimento, ganha na quantidade de talos. Dobrar tudo aquilo requer paciência de monge!


Alface americana: somente o imperialismo norte-americano explicaria a presença dessa alface sem gosto e sem graça em praticamente todos os buffets de salada da Terra!! Para começar, ela é praticamente 100% talo. Isso aumenta enormemente a dificuldade de dobrar suas folhas. Quando o sádico em questão resolve colocá-la inteira na saladeira, instala-se o caos. Ela é quase uma folha de repolho!! Quem faria uma salada com folhas inteiras de repolho?!


A alface crespa parece inofensiva, mas quando não é previamente rasgada, torna-se um desafio hercúleo dobrá-la no prato. Seu tamanho costuma variar muito, então há casos em que se pode estar diante da tal orelha de elefante mencionada anteriormente. Dobra aqui, puxa ali, prende esse ladinho, segura aquele ali... quando vai ver, tem-se um lindo origami de alface na ponta do garfo... dá até dó de comer!!


Longe de ser um comportamento selvagem, como palitar os dentes em público* (hehehehe), não cortar ou cortar a verdura não irá torná-lo um ser humano melhor ou pior, mas é um primeiro passo rumo à aristocracia, às altas rodas da sociedade, à realeza (ah, tá!). Ok, não aumenta os valores da sua conta bancária, mas também não custa nada fazer bonitinho à mesa, né não?!


Para que a vida das pessoas fique um pouquinho mais fácil, não custa nada deixar aqui um singelo apelo: oh grandes e pequenos saladeiros do mundo, ao preparar uma salada, por misericórdia, rasguem as folhas e tirem os talos das verduras para não fazer da refeição uma aula de origami!!



*aquele artifício de colocar a mãozinha na frente da boca na tentativa ineficaz de disfarçar o que acontece ali atrás só chama ainda mais atenção. Melhor mesmo é, de boca fechada, ir ao banheiro, trancar-se lá e só voltar quando puder sorrir novamente!


domingo, 25 de abril de 2010

Um amor desses não acaba assim – parte 2, o lado de lá!

- Oi, minha amiga, me desculpa, só hoje consegui uma folguinha pra vir te ver.


- Sem problemas, não se preocupe...

- Como você está?

- Eu diria que bem, muito bem.

- Entendo... mas você ficou mal?

- Nada! As coisas acabaram acontecendo da maneira como tinham que acontecer.

- Mas, olha, não precisa se sentir constrangida em me contar, viu? Somos praticamente irmãs, nos conhecemos há 20 anos, querida, você sabe que não precisa me esconder nada...

- Eu sei, eu sei... mas, acredite, não estou sofrendo...

- Mas sofreu!

- Sofrimento, sofrimento, assim, de dormir chorando abraçada ao travesseiro, de chorar olhando no espelho, de perder o apetite: não! Não sofri.

- Ah, você vai me desculpar, mas não posso acreditar! Você precisa colocar pra fora, não pode ficar reprimindo um sentimento desses.

- Estou falando, menina! Saí dessa melhor do que entrei.

- Sério mesmo? Me conta tuuuuudo! Perdi o processo.

- Ah, você lembra que nos últimos meses o casamento já não tinha a menor possibilidade de continuar, né?

- Lembro. Se bem que eu achava que o divórcio não partiria de você... sempre percebia que você tentava manter a relação... engraçado que ele também...

- É verdade, mas tinha um motivo!

- Ah, o amor! Ainda havia amor!

- Nada! Eu estava me preparando para a divisão de bens... e ele evitando, claro!

- Que bruxa má e maquiavélica!

- Ah, não seja hipócrita, amiga! No meu lugar você teria feito o mesmo!

- Me conta: você ficou a casa de Angra, o Porshe e as ações da Google?!

- Nã-nã-não! Nada disso.

- Cê tá brincando?! Era o filé dos bens de vocês. Sobrou o quê?!

- O melhor...

- As jóias!

- Não: A jóia!

- A?! No singular?! Me diz que é a coroa da rainha da Inglaterra!

- É européia, mas não é inglesa... é italiana!

- A chave do cofre do Vaticano!

- Deixa de ser boba! Fiquei com A cafeteira!

- Heim?! Isso é algum código que eu não conheço?! Linguagem cifrada pra despistar ladrão?!

- Lembra aquela cafeteira que trouxemos da viagem à Itália?! Aquele que ele me deu de presente?! Aquele verdadeiro tesouro?! Ela!

- (...) – totalmente bege

- Você acredita que o pilantra queria ficar com ela?! Acontece que eu nasci ontem e tratei de providenciar o contra golpe. Quando mostrei o cartão que ele deu junto com a cafeteira pra provar que ele havia me dado de presente, ele e o advogado quase desmaiaram!

- Eu é que tô quase desmaiando! Você sabe quanto vale os brinquedinhos que ficaram com ele?!


- Minha querida, bem menos do que essa cafeteira vale pra mim ( e pra ele)! Só de saber que todos os dias, ao acordar pela manhã, terei uma xícara de café fresquinho feito por ela... já me sinto forte o bastante para lutar e conquistar o que eu quiser! O céu é o limite depois de uma xícara de café feito nessa cafeteira! Me sinto forte, poderosa, invencível!

- Não estou acreditando...

- Não acreditando você vai ficar quando eu te contar isso: essa semana ele me ligou. Disse que queria tentar de novo, que ainda podíamos dar certo juntos.

- Que maravilha!

- Eu que o diga!

- Ai, amiga, que bom que você está caindo na real! Você está disposta a voltar?!

- Claro! Mas só até eu recuperar uma coisinha: ele ficou com um jogo de porcelana chinesa. Coisa rara, finíssima! O café feito no meu tesouro e tomado naquelas xícaras... menina, acho que sou capaz de dominar o mundo!



E depois ainda dizem que mulher é materialista! Perceberam a humildade nas declarações?! O café transforma as pessoas... hehehehe




domingo, 18 de abril de 2010

Um amor desses não pode acabar assim

- Você precisa reagir, cara!

- Eu sei... eu sei, mas não estou conseguindo ser racional...

- Que que eu posso fazer por você?

- Me traz ela de volta...

- Ô, meu amigo, você sabe que se eu pudesse, ela estaria aqui na sua frente, mas não depende de mim...

- Eu não sei o que vai ser da minha vida sem ela...

- Arruma outra! Substitui, rapaz!

- Impossível! Ela é insubstituível, ela é única...

- Deixa disso, meu amigo. Iguais a ela, você encontra milhares por aí...

- Não, não, não! Você não entende. Ela é rara, especial...

- Conversa! Você, cheio da grana, pode escolher o tipo que quiser, na hora que quiser.

- Não é questão de grana. Ela foi uma conquista especial, coisa do destino, não vai acontecer de novo.

- Tenta esquecer!

- Já disse: não dá! Todos os dias quando acordo e percebo que ela não está ali, é como se nada mais tivesse importância, a vida perdeu o sentido pra mim...

- Vira essa boca pra lá! A vida continua, segue em frente, meu amigo! Mulher nenhuma merece que você sofra tanto!

- Mulher? Que mulher?

- A sua ex, oras! Não é por causa dela que você está nessa depressão de dar dó?!

- Naaaaada, rapaz... tô assim por causa da cafeteira que tive que deixar pra ela na divisão dos bens.

- Ah, cê tá de brincadeira!

- Pior que não. É a melhor cafeteira que já usei na vida. Comprei na Itália, edição limitada de colecionador, saca?! Era a última peça da loja (só fabricaram 20 pro mundo todo), tive que arrancar da mão de uma senhorinha e passar correndo no caixa. Foi mágico! E o café que ela faz?! Meu Deus do céu...

- E por que você não trouxe com você?

- Caí na besteira de dar de presente pra, até então, minha mulher, com cartão e tudo. Pior é que ela também se apaixonou pela cafeteira e mostrou o cartão pro advogado alegando que a cafeteira não entraria na divisão. Pilantra!

- Por que você não tentou negociar?

- Eu tentei, eu tentei. Entrei com recurso alegando que aquele cartão não era da cafeteira...

- E aí?

- E aí que não adiantou: o advogado dela ofereceu a casa de Angra, o Porsche e as ações da Google em troca da cafeteira...

- Que loucura!

- Loucura mesmo... como se esse monte de quinquilharia valesse aquela cafeteira preciosa!

- Cara, cê tá maluco! Se continuar assim você vai pirar de vez. Para já! Toma uma atitude sensata!

- (...) Boa! Você tem razão! Me passa o telefone aqui...

- Vai fazer o quê?!

- Ligar pra ex!

- Isso! Conversa com ela, explica direitinho. Ela vai acabar entregando a cafeteira pra você!

- Que explicar o que, rapaz! Eu vou é tentar reatar o casamento! É o jeito. Depois vejo o que faço... Posso até fugir com ela, a cafeteira, pra Espanha! Eu tenho dupla cidadania... ningué vai poder me extraditar! Isso, isso! Não vou mais ficar longe daquela cafeteira!!!!!! (...) Alô! Oi, será que a gente pode sair hoje pra conversar? Andei pensando e acho que a gente pode tentar de novo...

Ai, ai, bonito ver que alguns ainda lutam pelo seu amor, né?!

domingo, 11 de abril de 2010

Top 5: não sei, não quero aprender e peço pra quem sabe fazer por mim!



1º desossar peito de frango – sejamos sinceros: por que diabos alguém ainda compra peito de frango com osso sendo que nenhum ser humano, até onde se tem notícias, é capaz de comer ossos, sendo que qualquer biboca vende peito desossado? Por que, então, uma pessoa compra peito de frango com osso? Pra quê pagar por uma coisa que vai pro lixo?! Questões à parte, o fato é que se vejo um desses na minha frente, nem tento, já digo que não sei desossar! Ofereço a faca ao primeiro bom cristão que se candidatar à tarefa e saio de fininho. Sim, sim, posso muito bem passar por essa vida sem aprender tarefinha tão desagradável!


2º limpar frango inteiro – Nada contra frango, mas, se só como filé de peito de frango, não existe explicação plausível para que eu aprenda a limpar um frango inteiro, pois não?! Entenda-se por limpar, aquela série de puxões e cortes nas gordurinhas, peles, vísceras e toda sorte de resíduos inomináveis que devem ser jogados fora antes que o franguitcho seja preparado. Nõa como, mas,se porventura, algum dia nessa vida eu tiver um súbito desejo de comer um frango inteiro: padariapraquetequero! Comprarei o bichinho limpinho e assadinho!


3º limpar peixe – curiosa essa mania que as pessoas têm de comer coisas que precisam passar por processos severos de limpeza antes de serem ingeridas, não? Enfim! Peixinho, super saudável. Alimento riquíssimo em vitaminas e proteínas e milionário em espinhas*, escamas, vísceras... Dia desses um amigo se gabava de saber limpar peixe melhor do que a esposa. Ah, tá! Quanta inocência a do meu amigo, heim?! A mim, fica evidente que a esposa ‘perdeu’ de propósito essa ‘competição’. Eu faria exatamente o mesmo!! Quer coisa mais desagradável do que derramar suor limpando peixe?! É escama voando pra todo lado, tripas que insistem em ficar grudadas dentro do peixe, aquele cheiro pútrido tomando conta de tudo e, pra completar: aquele, literalmente, olhar de peixe morto fixo em cima de você! Nunca precisei limpar peixe (o atum já vem lindinho na lata!! hehehe), mas se algum dia alguém precisar... não conte comigo: não sei e não quero aprender! Obrigada!


4º feijão – Sim, sim, nutro uma aversão inexplicável por essa iguaria. Coincidentemente, o feijão que preparo é, sem sombra de dúvida, o pior feijão da face da Terra, quiçá de suas profundezas, das mais altas montanhas, de todo o céu, do Sistema Solar, da Galáxia, do Universo. Já deu pra entender, pois não?! Já fui condenada a fazer feijão e o resultado foi simplesmente lastimável: um agrupado de bolotinhas boiando num caldo opaco, viscoso e ralo. Claro que o fato de eu ter feito com extrema má vontade contribuiu para o resultado final! Quando minha mamãe viu o tal resultado, ofereceu-se prontamente para me ensinar a preparar um feijão delicioso. Primeiro: impossível existir ‘feijão delicioso’. Segundo: por que raios quereria eu aprender a fazer uma receita que não posso nem com o cheiro?! Obrigada pelo convite, mas se alguém quiser comer feijão, terá de fazê-lo. De preferência bem longe de mim!


5º lavar louça sem escafandro – saindo da categoria comestível, mas permanecendo na cozinha, depois de qualquer refeição ou de uma simples passadinha pela cozinha... lá está ela... a louça suja! Parece até uma maldição: tão logo se termine de lavar a última peça de louça suja, catabimba! Surgem, como mágica, mais louça na pia! A maldição de Sisifo é fichinha, pelo menos empurrar u pedregulho morra acima por toda eternidade não envolve água, detergente e restos de comida! Particularmente, lavar louça é uma das coisas que mais detesto fazer na vida, por isso, sempre faço de mau gosto. Ok, eu sei, isso não contribui para minha evolução enquanto espírito de luz, mas é inevitável! Daí já viu, né?! Pareço um pato lavando louça! Saio praticamente de banho tomado: água pra todo lado e espuma até no teto! Uma graça! Àquelas boas almas que já se oferecem para ajudar tão desajeitada criatura a se organizar na pia, respondi de pronto: ao invés de falar, você não quer fazer pra eu ver como é?! hehehehe Maldade?! Nada! Instinto de sobrevivência, não sei nadar e não é sempre que estou com meu escafandro na bolsa, por isso peço pra quem sabe fazer por mim!!