domingo, 12 de setembro de 2010
domingo, 5 de setembro de 2010
O molho da discórdia
domingo, 29 de agosto de 2010
Invasão
Chegando tarde da faculdade, depois de um dia exaustivo de trabalho, ela passou pela cozinha, mas só porque era caminho, e foi para o quarto. O sono, certamente, era maior do que a fome, que até achou apetitoso o bolo com cobertura de granulado que a mãe deixara sobre a mesa, mas se ela tivesse dado bola, muito provavelmente, acordaria com a cara enfiada no prato de bolo. Seguiu para o seu quarto, tomou um banho sonambulando e nem se lembra de como foi parar na cama.
Antes de o sol nascer, lá estava ela, em pé, de novo. Enquanto escova os dentes, seu estômago a lembrou do bolo que não comera ontem. Já pensou num bom naco, acompanhado de uma caneca de café fresquinho. Arrumou-se rapidamente e foi pra cozinha. Lá chegando, qual não foi sua surpresa ao encontrar o prato completamente vazio, limpo. Não havia nem uma única migalha de bolo para contar-lhe quem tinha sido o esganado que devorara aquele bolo inteiro. Tomou apenas a caneca de café, intrigadíssima.
Passou o dia todo pensando no fato. Seu pai não podia ter sido, afinal era um diabético pra lá de consciente. Sua mãe, numa disciplina militar, vivia de dieta, jamais trairia sua tabela de calorias por um bolo inteiro no meio da noite... a menos que... Bom, há um tempo atrás ouviu uma história de que a amiga da prima da vizinha da cunhada da nora da sogra da tia da avó da irmã da mãe de uma amiga sua virou assaltante de geladeiras* e, pior, a coisa começou assim, na calada da noite, as coisas simplesmente sumiam da cozinha. Será? Achou melhor nem perguntar pra mãe se ela havia comido o bolo todo, mas iria ficar atenta aos pneuzinhos dela.
À noite, voltando pra casa, a mesma cena se repetiu. Lá estava o bolão, lindo, apetitosamente lotado de chocolate granulado. Não comeu. Resolveu pagar pra ver. Bebeu um copo de leite e foi pra cama. Na manhã seguinte... nada, no caso, nada do bolo! Novamente o prato estava vazio. Durante o dia não se conteve, ligou pra mãe:
- Mãe, está tudo bem?
- Está sim filhinha, por quê?
- Não, nada... na verdade liguei pra agradecer pelos bolos que você tem deixado pra mim... – jogou verde.
- De nada, meu amor! Você, pelo visto, tem chegado faminta em casa, né? Não sabia que você gostava tanto de bolo de fubá!!
- ... sim, sim... mãe, preciso desligar... nos falamos depois, beijo!
- Beijo.
Ficou pasma: não era sua mãe a comilona! O pai não poderia ser, afinal, se tivesse comido tanto açúcar e tanto carboidrato, a essas horas estaria internado! Será que algum vizinho estava assaltando sua casa de noite?! Que loucura... deixa de paranoia. Procurou não ficar penando no assunto. Até que, no meio da aula, na faculdade, um clic! Bolo de fubá?Lembrava-se nitidamente de sua mãe ter mencionado 'bol-lo de fu-bá'. Mas com granulado? Eca! Não combina, sua mãe sabe disso.
Resolveu pôr fim naquela loucura. Chegando em casa, lá estava o bolo. Não comeu. Escondeu uma pequena filmadora apontando para o prato de bolo. Foi dormir. De manhã, mais uma vez, apenas o prato. Pegou a filmadora e foi trabalhar.
Já no escritório, descarregou as imagens no computador e quando deu o play, simplesmente não podia acreditar no que via: um bolo inteiro andando pelo armário e saindo pela janela!! Coisa que faria qualquer ateu fazer o sinal da cruz de joelhos segurando um terço. No entanto, antes de chamar um exorcista, ela aproximou a imagem ao máximo e... o que era aquilo? Ou melhor: o que eram aquilos?! Sim, quilos de... formigas tomando conta do bolo!! Um esquadrão, uma tropa, um exército inteiro. Não era chocolate granulado, afinal, eram formigas.
Estava solucionado o mistério. No mesmo minuto, contratou uma empresa de dedetização para não correr o risco de um dia ser ela e sua família carregadas para um formigueiro qualquer em troca de pagamento de resgate. Sim, as bichinhas estão se aprimorando e não se contentam mais com migalhas. Atenção: ao primeiro sinal de uma invasão dessas, chamem a dedetização, ou a polícia, sei lá, depende do caso, da urgência e do que está sendo levado, né?!
domingo, 22 de agosto de 2010
Top 5 - Você tem cara de quê?!
1º Cara de limão azedo – não é exatamente com a cara do limão, mas sim a cara de quem chupou limão. Não qualquer um, mas um bem, bem azedo. Essa careta geralmente aparece quando a pessoa não está vivendo o melhor de seus dias. Demonstra uma rabugice que não dá pra disfarçar. É bem comum que as pessoas acordem com essa cara. Sabe aquela cara de segunda-feira de frio e chuva que você precisa levantar às 6h pra ir trabalhar? Corra pro espelho e espia sua cara... é exatamente a cara de limão azedo!
2º Cara de quem comeu e não gostou – essa é quase irmã gêmea da anterior, mas há sutis diferenças. A primeira é uma cara mais passageira, sua permanência tem tempo limitado. Se dura muito, daí passa a ser a cara de quem comeu e não gostou. Trata-se de uma carranca daquelas que assusta criancinha. Como quando se toma óleo de fígado de bacalhau. Se você foi criança nos anos 80 sabe bem do que estou falando. É aquela cara de total insatisfação com as pessoas, com o mundo, com o mosquitinho que voa lá na China. É a própria cara do mau-humor-galopante. Cuidado com essa, afinal, se não tratada pode se tornar permanente!!
3º Cara de pamonha – sabe aquela pessoa inexpressiva? Aquela que tem exatamente a mesma feição para momentos de alegria, tristeza, medo, felicidade, pavor, euforia? Essa é a cara de pamonha. Incapaz de manifestar emoções por meio de suas feições, o sujeito cara de pamonha possui a habilidade de tirar qualquer cristão do sério quando, no auge de uma briga, enquanto o outro ralha e espuma, ele fica ali, parado, como se nada estivesse acontecendo. Não se trata da famosa ‘cara de paisagem’, essa é mais cínica. A cara de pamonha é, na verdade, a manifestação de um abobalhamento crônico.
4º Cara de pastel – não, não, não... não se trata de um sujeito com cara dominada por espinhas, esse é um cara de chokito. O cara de pastel é aquele meio sem graça, meio metido a esperto, que vive fazendo uma malandragenzinha aqui, outra ali, que quer sempre levar vantagem em tudo, mas, no fim das contas, só se dá mal e acaba ficando com... cara de pastel! Bem feito!!
5º Cara de maracujá de gaveta – essa cara não se limita a um único sentimento ou comportamento, mas se trata de uma junção de vários. Se você é do tipo que acorda com cara de limão azedo, passa o dia com cara de quem comeu e não gostou, só muda de expressão pra ficar sem expressão alguma, ou seja, com cara de pamonha e suas investidas só o deixam com cara de pastel: cuidado, muito cuidado, você pode acabar ficando com cara de maracujá de gaveta! Pior, além da cara todinha enrugada e amassada, o interior é ácido. Xiii, difícil de aturar. Contra a ranhetice, apenas um remédio: boas gargalhadas! Levar a vida com bom humor deixa qualquer um com cara de docinho de coco e pele de pêssego! Vale a pena.
domingo, 15 de agosto de 2010
Almas Gêmeas, Quadrigêmeas, Óctuplas...
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
Afinal de contas, todo mundo um dia já foi criança!
domingo, 18 de julho de 2010
Carta Aberta ACMB
Ninguém manda no meu chopp!
Top 5 – atração fatal
1° molho de tomate e roupa branca – sabe aquela camisa branca, branquíssima, que você quase nunca usa justamente porque só de olhar a bonitinha já suja?! Pois é justamente com ela que você estará vestido no dia que todo mundo propõe almoçar no italiano. Você, democraticamente, aceita, mas já sente as pernas formigarem. Lá, não importa muito o que você peça, pode até ser qualquer coisa com molho branco, o fato é que, do nada, surge um respingo gigante de molho vermelho! Não adianta colocar o guardanapo na gola ou mesmo usar babador, o molho de tomate procura o branco assim como a bússola procura o norte. Inevitável.
2° faca afiada e ponta de dedo – num dia qualquer, como todos os outros, você está na cozinha preparando uma comidinha gostosa. Saca da gaveta uma faca, aleatoriamente. Passa uma, duas, três. Percebe que a coitada está mais cega do que uma toupeira. Então, põe-se a afiá-la com a dedicação de um monje até deixá-la afiada como a mais preciosa faca de um sushiman. De volta ao corte, na primeira passada da afiadíssima faca, adivinha o que você irá acertar em cheio?! Sim, o dedo! Isso explica porquê açougueiros usam aquelas luvas de malha de aço, pois não?!
3° porcelana de estimação e chão – almoço na casa da sogra. Para impressionar (ah, tá!!) ela põe à mesa seu jogo de porcelana inglesa, que ela ganhou de presente de casamento da prima da sobrinha da filha da tia da avó da cunhada da irmã da nora da mãe da sobrinha-neta de uma quase-integrante da nobreza inglesa do século XVIII. Pra ela, as próprias joias da coroa! Claro que, toda vez que as põe à mesa, faz questão de lembrar isso e, evidentemente, de fazer 785 recomendações. Ai, ai, infelizmente, não há recomendação que surta efeito quando, ao tentar ajudar a tirar as louças da mesa para levar à pia, a lei da gravidade mostra-se superior e soberana. Nem as ventosas de um polvo seriam capazes de impedir que uma das peças espatife-se em 8976543 pedacinhos no chão. É a vida!
4° taça de cristal e mão boba – taça de cristal, coisa fina! Em todos os sentidos. Quanto mais fino, mais caro é o cristal. E maiores o risco que se corre ao usá-las e, consequentemente, a probabilidade de que o jogo ficará desfalcado. Mas nada, nada, nada se compara ao tim-tim do cristal, bem como o seu delicado toque nos lábios, por isso, as pessoas ainda insistem
5° panela no fogo e momentos de contemplação – não sei bem qual é a ligação, mas basta colocar uma panela no fogo, parar de mexer, aguardando o cozimento de seja lá o que for, para, sem qualquer explicação, o pensamento voar para longe. De repente, uma simples formiguinha andando pela parede é motivo de contemplação da beleza e grandiosidade da criação divina! Ainda que o contemplador seja ateu, aquele se transforma num momento para, darwinisticamente falando, imaginar de que tipo de criatura a formiga evoluiu. Os pensamentos voam pra longe, longe... e só são chamados de volta quando os bombeiros, acionados pelos vizinhos, arrombam a porta para dar fim ao incêndio iniciado na sua panela!
domingo, 11 de julho de 2010
Um dia de cada vez
Para ele, essa final de Copa do Mundo teve um sabor diferente: o sabor amargo do medo.
Ele era um esperto e habilidoso croupier num grande cassino nas profundezas de um badalado oceano. Embora tivesse certos talentos, era só mais um dentre tantos funcionários. Há cerca de 2 meses sua vida mudou completamente. Um certo dia, um mergulhador chegou àquela profundidade e, sem mais nem menos, capturou o pobre funcionário que, sem chances de defesa, nem teve tempo de se despedir da turma.
Aquele não era seu fim. Depois de tanto tempo trabalhando num cassino ele viu e aprendeu muitas coisas, sabia que tinha uma habilidade especial, tinha intuição aguçada, percebia de longe um espertalhão que tentava levar vantagem na sua roleta. Ele era esperto e usaria isso a seu favor.
O sequestrador era um homem recém-falido que realizava seu último mergulho antes de vender todo seu equipamento para saldar uma ridícula parte de sua imensa dívida junto a to-dos os bancos da Inglaterra.
Em terra firme, o resultado da pescaria seria a panela, mas, enquanto amolava a faca, aquele homem, sem explicação, apiedou-se da pobre criatura e decidiu não jantá-la.
A quase-janta não ignorava uma oportunidade! Decidiu cativar o mergulhador. Olhando ao redor do minúsculo aquário, percebeu que seu sequestrador estava em apuros financeiros então, percebeu que poderia comprar sua permanência no mundo dos vivos. Fez de tudo para chamar a atenção do homem: saltos, piruetas, acrobacias. Finalmente o homem notou algo diferente acontecendo no aquário e passou a observar atentamente o que seu novo amigo fazia. O que era aquilo? Parece que são... sim, são números! 78, 25, 36, 12, 48. Correu, pegou papel e caneta. Entendeu na hora o que estava acontecendo e correu para a casa de apostas mais próxima. No dia seguinte o falido mergulhador era dono de uma das maiores fortunas da Inglaterra.
Mas, quando a pessoa tem talento para o fracasso, ninguém a segura, pois não?! Pois é! Deslumbrado e abestalhado, o homem não se deu conta de que sortudo era seu amiguinho, não ele! Achou que estava numa maré de sorte e resolveu apostar tuuuuuudo que tinha (tudo, tudo mesmo, incluindo a nova casa com tudo dentro, incluindo o aquário e seu conteúdo!) numa daquelas apostas de ‘o dobro ou nada’. Resultado?! Ele ficou com o ‘ou nada’ enquanto o outro apostador ficou com ‘tudo’!
O outro apostador, um velho dono de restaurante de frutos do mar na Alemanha, tomou posse dos novos bens, vendeu tudo, pegou o dinheiro e voltou para casa. Na bagagem, além de muito dinheirinho inglês, levou o aquário e seu morador... achou que daria um bom prato! Mais uma vez o coitado do sequestrado temeu pela sua vida, mas, mais uma vez decidiu que daria seu jeito.
Já na Alemanha, no (macabro) restaurante, num aquário maior, pôs-se a pensar o que faria para preservar sua vida.
Era quase meados de junho e o tal alemão preparava seu restaurante para receber os torcedores da seleção alemã de futebol durante as partidas na Copa do Mundo da África. Sim! Ele percebeu que seu novo dono era fanático por futebol! O futebol salvaria sua vida!
O aquário estava todo enfeitado com bandeiras de todos os países participantes do mundial. Pouco antes do primeiro jogo, usando sua espantosa intuição, começou a apontar a bandeira do país que venceria aquela partida. Demorou um pouco, mas a certa altura, um dos torcedores que assistiam a partida percebeu uma certa histeria no aquário e entendeu o recado! Achou engraçado e chamou os amigos para observar o morador do aquário.
E assim foi, jogo a jogo, placar a placar, acerto a acerto que Paul, o polvo, tornou-se um fenômeno mundial! O grande oráculo da Copa do Mundo. Contrariando especialistas, jornalistas,videntes, gurus e pais de santo, Paul passou a ser 'o' anunciador de resultados. Sim, sim, o medo da morte aguçou sua intuição!
Antes de todos os jogos o alemão, demovido da ideia de papar Paul, colocava o par de bandeiras de cada partida e o polvo dava seu veredicto.
Alguns resultados causaram polêmica e alguns apostavam no fim de Paul – principalmente quando ele anunciou que a Alemanha perderia para a Espanha! Mas após os 90 minutos, bingo! Ele estava certo, mais uma vez.
Hoje, porém, passaram-se os 90 minutos, Paul já sentia o cheirinho da manteiga fritando na panela que receberia as rodelinhas de seus tentáculos. Era seu fim?! Será que o polvo iria errar justamente o último e mais importante jogo do mundial?! Nos 15 minutos do primeiro tempo da prorrogação, Paul já planejava uma fuga espetacular. Quanto tempo sobreviveria fora da água?! Mais 15 minutos, o pobre polvinho já não sentia metade de seus tentáculos, estava tendo um AVC de tanto medo! Já via a luz quando, de repente, um grito de gol. Abriu um de seus olhinhos e mirou a TV: gol da Espanha!! Ainda faltavam 3 minutos para o fim, o alemão ainda mantinha a frigideira no fogo, Paul uniu os 8 tentáculos e rezou fervorosamente pelo fim daquela torturante partida. Fim! Acabou! Espanha campeã.
Mas, mais uma vez, Paul escapou da morte, da panela e da paella. O que será do polvo a partir de amanhã?! O que será de sua história?! Por via das dúvidas, todos os pratos à base de polvo saíram do cardápio do restaurante do alemão.
E assim, Paul, o polvo, vai vivendo... um dia de cada vez. Só não está mais feliz porque sabe que muitos de seus parentes virarão paella. Um minuto de silêncio, por favor...
.....................
Aaaaaah, fiquei feliz pela Espanha! Sempre bom ver a Fúria jogar... melhor ainda vê-la ganhar, né não?!
domingo, 4 de julho de 2010
E a culpa é de quem?!
Sexta-feira, 02 de julho de 2010, 6h30.
Blim-blom, blim-blom, blim-blom-blim-blom,blim-blom!
-Heim? Onde? O que? Por quê? Juro que não fui eu! Oi?! Já tô indo! – saltando da cama, tropeçando no lençol, calçando os pés trocados dos chinelos, vestindo a blusa do pijama.
(na porta)
- Booooooooooooooom dia, vizinho!
- Quem é você?! - esfregando os olhos, achando que aquilo diante dele era uma ramela gigante.
- Ah, brincalhão logo cedo! Maravilha! Posso entrar?! – entrando.
- (...)
- Você deve estar se perguntando o que seu vizinho está fazendo logo cedo na sua casa, não é?! Eu respondo: sorte! Não, não, não precisa pensar... eu explico: hoje tem jogo do Brasil, certo?! Certo. Tá lembrado que assistimos juntos ao último jogo?! Eu, você e mais umas 30 pessoas?
- Lembro, lembro sim, inclusive lembro que convidei as 30 pessoas, também lembro que não convidei você, mas você apareceu mesmo assim!
- Ah, adoooro esse seu senso de humor! Mas, então, como eu ia dizendo, assistimos àquele show de bola da nossa seleção contra o Chile juntos, aqui no seu apartamento. Churrasquinho rolando na varanda, cervejinha gelada, aquela maionese deliciosa que sua namorada fez, depois aquele sorvetinho italiano de sobremesa. Tudo uma delícia!
- Ah, que bom que você gostou! – irônico, claro! – Mas será que você pode encurtar a conversa, ainda gostaria de completar meu ciclo de sono que foi brutalmente interrompido por seu ataque histérico na campainha.
- Ok, serei breve, afinal, temos pouco tempo!
- Temos?!
- Sim! E se você não me interromper mais poderemos terminar logo com isso...
- Bufff...
- É o seguinte, estou aqui pra avisar que você deu sorte à seleção brasileira!! Ganhamos o jogo anterior e temos que repetir a dose pra manter a boa fase até dia 11! Passei aqui logo cedo pra você ter tempo para preparar tudo. Mas, veja bem, tem que ser tudo igualzinho, não pode faltar nada: galera, churrasquinho, cerveja, maionese, sorvetinho italiano... tudo!
- Você só pode estar brincando!
- Não, não estou! Pensa que aqueles caras que estão lá na África, vestindo aquela camisa, defendendo a nossa bandeira, estão dependendo de você, da boa sorte que você proporcionou a eles! Pense nos milhões de brasileiros que você fará feliz permitindo que a seleção canarinho ganhe a Copa do Mundo! O hexa depende de você... - bradando a plenos pulmões, com a mão direita sobre o coração, fazeno do sofá o seu palanque.
- Ma...ma...mas... são tantas coisas, não estava preparado pra isso, não tem nada em casa... eu ia assistir num restaurante! – note-se que o tal vizinho tocou o coração desse pobre inocente que já está zonzo pensando nos preparativos do dia da marmota!
- Por isso que eu vim tão cedo!! Meu querido, eu teria o maior prazer do mundo em ajudá-lo, afinal, também sou brasileiro, honro a minha pátria e daria minha vida por ela, maaaaaaaaaaaas, infelizmente, no último jogo, não toquei em nada, não movi uma palha, nem sequer abanei a brasa da churrasqueira, portanto, não posso alterar a energia daquele dia! Mas, estarei em casa, torcendo pra que você consiga preparar tudo a tempo – saindo - Volto aqui às 11h em ponto, como da última vez. Não decepcione todos aqueles que creem na seleção...
As horas seguintes foram de pânico total. Nunca se organizou uma reunião de amigos tão rápido! E não era qualquer reunião, era, praticamente, uma fiel reprodução do que acontecera na sexta-feira anterior. Exceto...
- Gol da Holanda?! Outro?! Puuuuuuuuuuutz... já era!
- Não, não, não pode ser! Eu fiz tudo igualzinho! Olha, gente, tá tudo aqui: churrasco, cerveja, sorvete italiano... Tudo igual, perfeito!
- Nem tudo – disse o vizinho, fria e condenadoramente - Cadê a maionese da sua namorada?!
- A maionese?! É que... que...
- Que, que, o quê?! Anda, fala, responde!
- É que a gente terminou no fim de semana e por isso ela não veio e não trouxe a maionese... – em prantos, não se sabe se pelo fim do namoro, pela ausência da maionese ou pela eliminação da seleção brasileira.
- EGOÍSTA! Você colocou sua vida pessoal na frente de milhões de brasileiros?! Vamos embora, pessoal, vamos pra algum bar, beber pra esquecer que existe gente tão mesquinha no mundo... alguém paga pra mim? Tô durão.
E até agora estamos sem saber se aquele gol contra do Felipe Melo, aquele que causou o apagão na seleção canarinho, foi mesmo culpa da ausência da maionese ou se foi juquice mesmo. O fato é que a Copa da África, pro Brasil, acabou. O lado bom (e hilário!) é que pra Argentina também kkkkkkk! E agora: Espanha ou Alemanha?!
domingo, 27 de junho de 2010
Cada um tem seus motivos para torcer pela seleção brasileira
- O quê? Eu tô é em pânico!
- Sério?! Você realmente acha que a seleção do Chile apresenta perigo real?! Ou você acha que a seleção brasileira tá tão fraquinha que tem ter medo de qualquer um?
- ...bom, já que você tocou no assunto, se a seleção continuar jogando essa bolinha, vai ficar difícil avançar... esse é meu pânico.
- Não chegar à final?! Acontece, né?! Aliás, com o Brasil, com certa frequência.
- (toc-toc-toc) Vira essa boca pra lá, rapaz! A seleção não pode fazer isso comigo!
- Ora, ora... Nunca soube que você era tão fanático por futebol!
- Fanático? Eu? Por futebol? Mas não gosto mesmo... na verdade nem ligo! Mas é que essa Copa...
- Vejam só o que uma Copa do mundo faz com uma pessoa! Acho bacana ver o patriotismo brotar num brasileiro... ainda que seja de 4 em 4 anos!
- Que patriotismo o quê!
- Ué, então você tá torcendo pro Brasil ganhar nas oitavas pra perder nas quartas?!
- Jamais! Quero ver o Brasil na final! Já acionei todas minhas tias pra começarem uma novena daquelas! Em pagamento, já garanti a viagem delas pra Aparecida esse ano!!
- Ah, mas agora que eu tô entendendo! Você quer que o Brasil chegue à final e perca?! Você é argentino, cara?
- Brasileiro de pai, mãe e avós, graças a Deus!!
- Ah, bom, então você quer ver o Brasil campeão?!
- Na verdade tanto faz...
- Isso tá parecendo papo de maluco! Por que diabos você organizou a novena?!
- Pro Brasil chegar à final!
- Pra que se pra você tanto faz se a canarinho ganhar ou perder?!
- Cara, eu comprei uns 3 bois, 6 porcos em forma de linguiça, 1/2 cervejaria e 2 TVs de plasma. Se o Brasil não avançar, meu boteco vai à falência!! Ninguém vai aparecer aqui às 3 da tarde pra comer churrasco, beber cerveja e assistir Vale a Pena Ver de Novo!! Como é que eu vou pagar minhas dívidas?! Eu investi alto nessa Copa! Só de palito de dente pra cutucar o churrasquinho, foi 1/2 Amazônia, dá pra construir uma casa!
- Aaaaaaaaaaaah, tá certo! Agora eu entendi! Mas não esquenta, meu amigo, se o Brasil voltar mais cedo pra casa, manda os bois restantes pra Argentina... do jeito que as coisas vão, acho que eles vão precisar... mais do que você!
Toc-toc-toc! Argentina, não!! Tô apostando na eficiência da novena das tias!
quarta-feira, 23 de junho de 2010
3º Aniversário!!
domingo, 20 de junho de 2010
Papo de alto nível
Dia desses, parada, esperando o bonde passar, fui praticamente obrigada a escutar o seguinte papo:
- Foram aonde no fim de semana?
- A gente foi naquela lanchonete pra lá do fim do mundo – infelizmente não pude memorizar o endereço da biboca pra poder indicar pra vocês... poxa vida!
- Legal lá? – Adivinhemos!!!
- Nooooooooooooooooooossa, muito legal!!!! - com muita ênfase no 'nooooossa' - Meu, tem música (?) ao vivo até de madrugada... os caras tocam muito (mal?!)... só música legal... Vitor e Leo, Luan Santana, Bruno e Marrone, Calypso, Calcinha Preta... a noite inteira – a tortura não tinha sido abolida no Brasil?!
- É caro lá?! – Só de couver artístico deve ter sido uma nota preta!
- Homem 3 real (!) e mulher de graça – Ó que oportunidade, gentê!
- E bebida?! - Medo!
- Como estava frio ninguém quis beber cerveja, daí a gente pediu vinho – vai vendo...
- Ã...
- Meu, um delícia! Vinho gostoso, beeem docinho, sabe? - ênfase no 'beeeem' – 6 (!) real (!) a garrafa – Maravilha! Me veja 2 garrafas, s’il vous paît! É hoje que eu começo minha adega - A gente estava em 4, cada um bebeu uma garrafa - Ã... - Daí, ontem eu quase morri de tanta dor de cabeça – Aaaah, por que será?! – Mas o vinho era bom, sabe?! Não era desses vinhos porcaria – Ah, mas eu aposto que o vinho era realmente de primeira, afinal, quase ter um AVC no dia seguinte à bebedeira é um forte indicativo da alta qualidade do vinho, né não?! Claro! – Muito chique lá, alto nível! – Alguém duvida?! – E os petiscos?! Mortandela (!) e queijo cortadinhos, sabe?! Tudo temperadinho... nossa a gente comeu demais! – Um banquete dos deu-ses!
Se pudesse não teria escutado, mas é como dizem: melhor escutar isso do que ser surda!!!
domingo, 13 de junho de 2010
Arquibancada
- Vai almoçar onde?
- No de LED, claro!
- No de 32 ou de 42 ?
- Ah, no de 32 porque tem mais, embora sejam menores.
- Vou com você!
- Saímos que horas?!
- Já!
- Mas são 10h30!
- Ah, meu amigo, se não formos agora perderemos o melhor lugar, bem na frente da TV!
Além de garantir o melhor lugar na arquibancada, digo, no restaurante, claro que também será preciso contar com a compreensão dos chefes, afinal, os almoços ficarão um pouquiiiiiiinho mais longos, basicamente, dois tempos de 45 minutos, mais intervalo! Sim, começou a Copa do Mundo dos restaurantes! A qualidade da comida, ao longo dos 30 dias do torneio, ficará em segundo plano, será eleito O preferido, aquele restaurante que investiu em mais aparelhos de TV, mais modernos, maiores, mais bem localizados. No meio daquele contra-ataque aos 45 do segundo tempo, nas oitavas de final, tanto fez como tanto faz se carne está bem passada, está esguichando sangue, se está macia ou uma borracha... importante é não perder o lance.
E os jogos que acontecerão às 8h30?! Isso é horário de jogo de futebol?! Que desculpa dar para uma ‘fugidinha’ do trabalho passados apenas 30 minutos do início do expediente, minha gente?! Sugestão? Culpe o café da manhã:
(Escolha o hospital ou consultório que tenha uma sala de espera digna de sua empenhada torcida!)
- Claro, entra! – chefe receptivo (a)
- (trêmulo) Eu... bom... estou aqui há quantos anos? Três? Quase quatro. O senhor sabe que sou pontual, não falto, faço meu trabalho da melhor maneira possível, tenho responsabilidades que vão além das minhas obrigações... não, não, não estou reclamando! E o senhor bem sabe que não tenho o hábito de pedir nada, mas acho que estamos num momento que eu posso, ou melhor, eu preciso tomar a liberdade de fazer um pedido...
- Calma rapaz, não precisa ficar tão nervoso. Já tenho reparado no seu bom trabalho há algum tempo e acho que é mesmo hora de conversarmos sobre um aumento. Pensei em 20%.
- Nãããããão, não...
- Opa! Quer ganhar mais do que eu rapazinho?
- Não, não é isso! Eu queria pedir para assistir ao jogo de hoje! Fomos dispensando apenas para assistir aos jogos do Brasil, mas sou louco por futebol, chefe! E Copa do Mundo pra mim é tudo... é um espetáculo! São os melhores jogadores do mundo defendendo a camisa da sua pátria... são nações inteiras que se unem em torno de um objetivo... os jogadores sabem disso e fazem de cada jogo uma verdadeira batalha, mas uma batalha totalmente pacífica (menos os argentinos, porque eles entram solando mesmo... uma baixaria!!). É esporte, é superação, é técnica, é sorte! Num jogo, um país pobre, subdesenvolvido, subjugado pode mostrar supremacia, não pela força ou violência, mas pela garra de 11 homens que representam ali cada uma das pessoas de seu país...
- (com olhos marejados) Rapaz, pode parar... já me convenceu! Isso que você disse é lindo demais (deixando rolar uma lágrima discreta no canto do olho). Vai, vai, pode ir, pode ir! Volta só no dia 12 de julho...
- Poxa, chefe! Obrigado, obrigado mesmo! O senhor não vai se arrepender. Daqui 4 anos, prometo que programo minhas férias para o mês da Copa! ... mas... a propósito, o senhor pensou em 20%????????
- Vai, vai, rapaz... agora estou emocionalmente abalado... conversamos sobre isso depois da Copa...
Bom, caso seu chefe não seja tão compreensivo ou você não seja tão convincente, o jeito é apelar pro cafezinho... de quando em quando você dá uma escapadinha falando que vai tomar um golinho de café e espia os últimos lances na TV do celular ou naquela de
Aaaaah, não sei vocês, mas adooooro Copa do Mundo, os jogos, a maioria deles, são ótimos, dão gosto de ver! Claro que os problemas do Brasil e do mundo continuam, sabemos e somos conscientes disso, npois não?! Mas desfrutemos esse alento futebolístico.
Escolham suas arquibancadas... apenas tomem cuidado com os petiscos e bebidas, principalmente nos jogos das 8h30! Afinal, vai ser difícil explicar o bafão de cerveja voltando do hospital!
domingo, 6 de junho de 2010
Cooooooooooof-cof-cof
Tosse: ô coisinha chata! Depois da gripe, lá vem ela, a tosse, esta manifestação pulmonar involuntária e irritante. Simplesmente não há como evitá-la. Você respira fundo, se concentra, finge que aquela coceirinha na garganta não é com você, mas não tem jeito. Antes mesmo que se tente outra estratégia a vontade de colocar os pulmões pra fora já tomou conta do corpo, da mente e, claro, do ambiente!Ao contrário da dor de garganta, da dor de barriga, da dor de cabeça, da câimbra, da unha encravada e tantos outros desconfortos solitários, a tosse é um mal-estar coletivo. A tosse não irrita apenas a garganta do pobre coitado que a possui, irrita os ouvidos e os nervos daqueles que são condenados a conviver com o ser tossinte.
A princípio, todos tentam ser compreensivos, afinal, quem está livre de passar por isso? Aos poucos, à proporção que crescem os cof-cofs, é possível perceber que as pessoas ao redor vão se incomodando mais e mais, ao ponto de não aguentarem mais ouvir o coitado tossir. Como perceber a sutil transição entre a piedade e a perda da paciência?! Quando começa o festival de receitinhas:
- Tenho uma receitinha ótima pra acabar com essa tosse: mel com limão! Coloca o mel numa colher quente, espreme meio limão e joga direto na garganta. É ótimo!
- Abacaxi! Coma umas três ou quatro fatias durante o dia. É ótimo!
- Já tentou chá de gengibre? É ótimo!
- Melado de açúcar mascavo com gengibre. Corta a tosse na hora! É ótimo!
Se nenhuma dessas (ótimas) receitas acabarem com sua tosse, nada, nada você ganha um belo nó no estômago de tanto ingerir coisas tão absurdamente doces.
Ah, mas não para por aí. Para quem prefere, há também o cardápio salgado:
- Vinagre de arroz e sal! Faz um gargarejo antes de dormir. No dia seguinte, nada de tosse. - E nada de esmalte nos seus dentes!
- Chá de alho: corta gripe e tosse. Infalível! - Corta vampiros também, né não?!
E as receitinhas que você juuuuura que estão fazendo super bem, até que...
- Tá tomando alguma coisa pra essa tosse?!
- Leitinho quente com canela, antes de dormir...
- PeeeeeeeeeeeeeeeelamordeDeus! Para com isso já! Leite é um veneno pra tosse! – Oi?! Desculpaê!
À medida que cresce o número de oferecimentos, cresce também aquela sensação de que a convivência com aquele que tosse beira o insuportável. Aumenta também o constrangimento por estar incomodando, aumenta a irritação de não conseguir se controlar, a dor de cabeça (parece que o cérebro balança dentro do crânio a cada crise), a dor nas costas e no abdômen... sem contar a dor moral, afinal, nada pior do que botar os bofes pra fora no meio das reuniões de trabalho e em ambientes coletivos – aqui, todo mundo acha que você está com gripe suína e começa abrir janelas e bisuntar álcool gel no corpo todo! Além de tudo, o mico.
Inversamente proporcional ao aumento da tosse ocorre a gradativa redução das noites de sono. Aliás, diga adeus a elas! Dormir bem se torna uma lembrança distante. Entre um cochilo e outro, lá vêm as sessões, involuntárias, de abdominais noturnos (ou seria: entre uma crise de tosse e outra, lá vem o cochilo involuntário, fruto de puro cansaço e esgotamento?).
No dia seguinte, mau humor, na certa! Mas é bom manter o sorrisinho no rosto pra agradecer delicada e educadamente a todas receitinhas de xaropes caseiros, xaropes de farmácia*, pastilhas, balinhas, tapinhas nas costas e aos votos por melhoras.
Ai, ai, a tosse... trazendo à tona a solidariedade dos seres humanos (mas só até começar a irritá-los! Daí é cada um por si e tampões de ouvidos para todos.)
Alguém tem uma receitinha aí?! Estou, há dias, com uma tosse dos diabos...
*os quais nenhum será aceito, afinal, medicamento, só com orientação médica, heim?! Não pioremos a situação!













