quarta-feira, 18 de maio de 2011

Como nasceu a torrada



Ele, um jovem português, aprendiz de padeiro, na pacata Lisboa do início do século XX.



Sua rotina diária era exaustiva. Começava bem antes do Sol se levantar, até mesmo o galo do vilarejo se espantava com o horário aquele rapazinho franzino se punha de pé todos os dias - ele mesmo, o galo, depois que o rapaz se levantava, ainda dormia mais uma ou duas horas de um soninho gostoso. Já dormia com a roupa do dia seguinte para desfrutar de mais 1 ou 2 minutos de sono, lavava os olhos com as pontas dos dedos, gargarejava rapidamente e já se colocava a caminho da loja de pães.



Lá chegando, de lampião em punho, dada a escuridão que ainda dominava o ar, o padeiro já estava enfarinhado dos pés à cabeça e gritava animadamente:



- Anda, gajo, que o dia já tardia!



O gajinho então se arrastava até a bancada e, não havendo alternativa, punha-se a trabalhar.



- Com alegria, com alegria, que a gente toda espera pelo pão do dia!



Sim, o padeiro, além de bom com os pães era bom com as rimas, ou pelo menos pensava que era! E o gajinho, depois de umas 3 ou 4 sovas, já estava esperto.



Tudo funcionava como uma harmoniosa orquestra... de apenas dois músicos... mas com muitos instrumentos, ou, melhor, ingredientes!



Mal o sol começava a despontar lá longe, o aroma dos pães já tomava conta da pequena Lisboa. Aos poucos, as casas iam acordando, as ruelas ganhando movimento e a claridade do sol ia avisando que mais um dia começava. Como todos os outros, aquele dia só começava, de fato, depois do almoço, ou melhor, depois do pequeno-almoço, como chamam lá o café da manhã.



Não tardava e a loja de pães estava lotada. O padeiro então virava atendente e o aprendiz ganhava a honra de comandar as fornadas. Essa era a hora boa para todos: os clientes famintos saíam satisfeitos; o padeiro, vendendo pão como água, mais satisfeito ainda e o gajinho... esse não queria nem saber de pães!



Aprendiz ele era, mas não apenas da arte de fazer pães. Ao invés de fazer brotar o gosto pelos pães, o padeiro-rimador acabou fazendo o rapazinho afeiçoar-se com as palavras. Mal o padeiro ia ao salão atender os clientes, o menino tirava do bolso de seu avental uma pequena caderneta e, com um pedacinho de carvão do forno que assava os pães, ia riscando palavras que lhe vinham às avalanches em seu pensamento. Eram tantas as palavras que brotavam em sua mente que nem pareciam vir de uma mente só! Entre uma fornada e outra, lá estava ele de papel e carvão em punho, deixando ganhar corpo os sons de sua imaginação.



Caso é que um certo dia, as vozes eram tantas, as ideias eram tantas que o gajinho entregou-se às palvras e esqueceu-se da vida... pior... esqueceu-se da fornada!



O nariz do padeiro, treinado de anos, sentindo que algo passava do ponto, largou os clientes e correu para os fundos, onde ficavam os fornos:



- Menino de Deus, olha o que fizeste!



Os pães não queimaram, não, não! O nariz do padeiro não deixaria a coisa chegar a tal ponto, mas passaram do ponto... os pães não estavam mais macios... estavam crocantemente assados. O menino, com o coração aos pulos, só teve tempo de esconder a caderneta e, praticando sua criatividade, fi logo tentando se explicar:



- É uma novidade! Acabo de inventar, chamam-se fatias torradas! Corta um para provar...



O padeiro, desconfiadíssimo, passou a faca de serra em um dos pães e croc-croc-mente tirou uma fatia. Levou à boca e, logo na primeira mordida, o velho padeiro se rendeu!



- Mais que delícia essa sua torrada!



Logo as fatias torradas ganharam o salão e cada um dos clientes. Virou sucesso instantâneo! E assim nasceram as torradas.



O aprendiz? Bom, esse, como se viu, era bom padeiro apenas no acaso. Bom mesmo ele era com as palavras, tanto que acabou virando poeta. Poeta de relatiiiiivo... sucesso... o nome dele era um tal de Fernando Pessoa!



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É tudo mentira, mas a mentira é minha e eu conto como eu quiser!! hehehehehe










3 comentários:

Silvestre Gavinha disse...

Que mentira deliciosa Fabi.
Beijo

Cris Ventura disse...

Oi, Fabi! Adoooreeeei a mentira! Seus textos são maravilhosos! bjos!

Miguel Rebouço disse...

FDP ENGANASTEME FIZESTEME LER ESTE TEXTO TODO PARA NADA SEU MENTIROSO FILHO DA **** cabrao de merda bai tomar no cu vou te prossesar e chamar a policia