segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Feliz Ano Novo!!!

Amigos,
que 2013 seja lindo para todos nós!!
(Compromisso: voltar à frequência!)

domingo, 25 de novembro de 2012

Já lhes apresentaram um pirogue?????

Repito a pergunta do título: já lhes apresentaram um pirogue???? Mas, antes que deletem o link do Clara em Neve de seus índices de favoritos, lembro a todos que esse é um blog de família!

Estive em Curitiba no último feriado. Fui recebida por pessoas simplesmente incríveis cuja hospitalidade deixou qualquer hotelzinho 6 estrelas no chinelo! Comi como uma rainha (obesa!) e todos os dias pude provar delícias que apresentarei aqui ao longo das próximas semanas.

Começo justamente com o pirogue, um prato cuja origem pertence a poloneses e ucranianos, cada povo acrescentando suas peculiaridades ao prato. Trata-se de um tipo de pastelzinho recheado com batata (ou batata e ricota ou batata e bacon...) que deve ser cozido (como capeletes) e cobertos com molho de tomate ou cebolas refogadas (por que fariam isso????). Curitiba, para quem não sabe, recebeu muitos imigrantes vindos da Polônia e Ucrânia durante a Segunda Guerra Mundial. Junto, trouxeram sua cultura e, obviamente, sua culinária. Por isso esse prato é tão pop por lá e por aqui (SP), até semana passada, não conhecia.

Aliás, nunca vi, nem comi, nem nunca havia ouvido falar, então, quando nossa anfitriã disse que faria pirogues para o jantar, um friozinho perpassou minha espinha e a pergunta óbvia instalou-se em minha mente "Que diacho é isso, meu Deus????". Vendo minha cara de ponto de interrogação e meu sorrisinho nervoso... ela então apressou-se em descrever a iguaria. Ouvindo as palavras: massa, batata, molho...  senti-me em casa! Não penso em qualquer chance de essa combinação de ingredientes resultar em algo ruim! Ela completou dizendo que faria um molho de vina para acompanhar os piroguinhos... Oi?! Medo, de novo! Todavia, mais uma vez, tranquilizei-me em saber que vinas são como os curitibanos chamam as salsichas. Mas olha só quantas coisas aprendi num único dia!!!

Teoria muito bem, obrigada. Passemos à degustação. Depois de preparar uma mesa linda (como se comprova pela foto), hora de provar o tal pirogue! Ah, e como não poderia deixar de ser, tinha toque de chef! Sobre os pirogues quentinhos, derramamos uma conchinha de creme de leite e, então, o molho. O creme de leite suaviza o molho de tomates e vinas (!), além de sofisticar o sabor. Recomendo, heim?! Imagino que fique bom sobre outras massas como capelete, por exemplo, e molhos de tomate como sugo e bolonhesa... hummm... e por que não um pesto????? No entanto, o assunto é pirogue e, logo à primeira garfada, nhanhanham!!! Uma delícia! A princípio, pode parecer que massa recheada de batata não funciona. Nada disso! Funciona e funciona muuuito! Simplesmente adorei. Se não for à Curitiba, há várias receitinhas na internet para as prendadas (ou nem tanto) que quiserem arriscar.

E a comilança só estava começando!

Na semana que vem... o melhor hambúrguer do mundo. Acreditem: não é modo de dizer!

PS: o nome de batismo do Pirogue é PIEROG! Aportuguesei!

domingo, 4 de novembro de 2012

Memória do Paladar

Dia desses participei de um evento chamado "Memória do Paladar". O mote era filosófico... pretendia-se puxar lá do fundinho da memória aqueles sabores que nos remeteria a tempos e situações passadas. Proposta bacana.

Logo na entrada, pediam para fosse escrito em um papelzinho o nome de um prato que nos trouxesse alguma lembrança e o porquê da escolha. Engraçado é que pensei que seria super fácil... tanto que pedi três! Mas qual não foi minha surpresa quando me vi matutando longamente para lembrar de alguma coisa. Por que será??? Simples: paladar é sabor, não imagem! Um registro imagético de um prato não seria capaz de me transportar a tempos e situações! Ok... talvez sim... mas não com tanta facilidade e completude se esse estímulo fosse através de um cheirinho de bolo recém saído do forno... de um tempero. Acabei escrevendo: bolinho de chuva, bolo frapê e pão caseiro. Mas, confesso, foram escolhas racionais, não emocionais!
Outra etapa do evento era passar por um tal "túnel de sensações". A proposta consistia em vendar os olhos do passante, tirar-lhes os sapatos (juro: não entendi porquê dessa última!) e passar sentindo temperos e especiarias para tentar reconhecê-los. Nesse dia estáva desanimadinha (além não estar a fim de estragar a super maquiagem dos meus olhos!!! chatinha e perua...) e preferi não passar por essa. Enquanto aguardava uma amiga que se propôs a inalar potinhos... fiquei sentada em frente à mesa de quitutes que eram ofertados aos convidados.

Ainda encucada por não ter conseguido me comover com minhas escolhas (as escritas nos tais papeizinhos), cogitei a possibilidade de ter deixado meu coração cair por aí, sem que tivesse notado! Enquanto meu pensamento voava, meus olhos passevam pelo ambiente quando de repente avisto algo que fez meu coração disparar!!!! Seria um bolo? Uma torta? Um pão? Um brigadeiro??? Nããããããoooo... nada disso! O que fez meu coração disparar e minha mente ir pra longe foi algo que (em tese) não tem (ou pelo menos não deveria ter) cor, sabor e odor: água! Mais precisamente, uma garrafa d'água!!! Não qualquer uma: uma legítima garrafa de água da marca XXXXXXX*!

"Uai!", dirão alguns, "por que diacho uma garrafa d'água dispertaria a memória do paladar de alguém?????"

Explico: nos idos de 1998... há um bilhão de anos atrás... o Fantástico tinha um quadro que consistia em apresentar testes do Inmetro para determinados (os mais variados) produtos e certa vez foi a vez da água mineral de garrafa!!! Após inúmeros testes, eis que apresentaram os resultados e dentre as marcas reprovadas, a primeira, a (des)campeã foi qual, qual, qual?????? XXXXXXX!!! À época foi detectada presença de níveis de colifórmios fecais (vulgo cocô!), nas amostras analisadas, acima do tolerável. Que nô-jô!!!

Entretanto, lembro bem, que a história não parou por aí... levei beeeeem a sério esse resultado... além da conta, confesso!!! Nessa época eu ia a muitos shows (de rock, enfatizo!) e depois de horas pulando, gritando, rodando (!)... claro que qualquer cacto desidrataria... o que dirá um ser humano que sua em bicas, como eu. Numa situação dessas, deparar-se com um vendedor de água é como encontrar a última coca-cola do deserto! Porém, vejam como funciona a tal lei da atração, minha gente: não é que todas as vezes, sistematicamente, após o tal teste, só aparecia garrafas d'água XXXXXXX????? Eu, fofamente, além de me recusar peremptoriamente a tomar suco de cocô... ainda discursava longamente para os pobres vendedores (que, pra minha sorte, ouviam pacientemente sem me dar uma bifa no meio da cara!) acerca dos resultados obtidos pelos testes do Inmetro!

Lembrando desses episódios, ri a valer! E pra provar que deixei de ser uma pessoa tão chatinha, levantei e bebi um bom copo d'água XXXXXXX!!! Informo que até o momento não sofri nenhum desarranjo... o que demosntra que, provavelmente, depois de 14 anos, limparam a fonte!

Vejam só, que surpreendente, em um evento de paladar... minha memória foi trazer uma lembrança justamente sobre algo que não tem gosto!

*considerando que o teste foi há tanto tempo atrás e acreditando piamente que limparam a fonte... decidi não divulgar a marca... Além disso, esse não é um causo de denúncia!!!!! rs

domingo, 14 de outubro de 2012

Quem conta um conto, melhora um bolo*

Naquela tarde de sábado, ela receberia visitas em casa. Caprichosa como ela só, além de deixar a casa "um brinco", pensou, para o lache da tarde, em preparar um bolo. Um bolo gigante, fofo, macio, coradinho. Entretanto... sabe como é: entre o pensar e fazer, há mil obstáculos a serem vencidos.
O dia já começou meio atrapalhado porque precisava ir ao centro da cidade fazer umas compras, passar em 785 lugares e resolver 8759 pendengas. Antes disso, como um dia complicado que se preze, o pedreiro, que havia prometido passar por lá para fazer um orçamento de uma reforma havia dias, resolveu aparecer! Que fofo! E conversa vai, conversa vem, medição vai, medição vem, explicação vai, explicação vem... o tempo voou! Resolveu então, fazer o bolo antes de sair porque a volta coincidira com a chegada das visitas.
Já disse que pressa e cozinha são coisas que não combinam, certo?! Pois então, lá foi ela comprovar essa máxima: ovos, açúcar, farinha, leite, fermento. Separa claras de gemas, faz o ritual como Deus manda. Na hora do açúcar, claro, para ajudar, não havia o suficente na lata, então corre até a despensa para pegar um novo pacote. Quando volta, pensa: "...mais três ou mais duas?" Colocou mais quatro xícaras! E vai e vem. Finalmente, despejou a massa borbulhante, linda, nas formas... sim, no plural, porque eram duas.
Enquanto assava, foi se aprontar para sair. Quando saiu do chuveiro, sentiu o cheiririnho do bolo assando... e queimando!!!! Correu para a cozinha a tempo de assistir ao desastre: a massa, por razões desconhecidas no momento, mas apuradas posteriormente, resolveu se rebelar e crescer além dos limtes. Crescia e derramava, num lindo espetáculo vesuviano, sobre a assadeira debaixo (que inexplicavelmente, mantinha-se dentro da forma!). No afã de salvar ao menos uma vítima daquele desastre, abriu o forno (tsc-tsc-tsc!). Assim, o vesúvio parou de se derramar sobre Pompeia ( o bolo debaixo), todavia, este, tal qual um boneco de posto sem ar, foi ao chão, ou, no caso, ao fundo da assadeira. O de cima, bom... era possível escolher: havia a massa crua do meio e o torrão de fora. Tempo para repetir a receita não havia. O jeito foi tentar salvar o que era possível do bolo debaixo. Fez um pratinho.
Mais tarde, quando as visitas chegaram, enquanto ela preparava a mesa para o lanche, pensou bem e concluiu que a história real era tão bizarra que ninguém acreditaria, então resolveu dar uma melhorada nela:
- Eu fui assar o bolo na vizinha porque meu gás estava acabando, quando eu voltava, lá de cima da rua, um caminhão desgovernado bateu numa caçamba que rolou a rua, bateu num poste, que caiu sobre um muro, qua esbarrou numa moto que passava, que se assustou e esbarrou numa bicicleta que passava, que acabou batendo na traseira de um carro, que freeou bruscamente e assustou uma criança que brincava num velotrol que olhando para trás para ver o que acontecia, perdeu o controlo do brinquedo e me acertou em cheio na canela! Com o susto, o pote onde eu trazia o bolo, maravilhoso, assado e cortado, voou da minha mão, deu três loopings no ar e caiu na minha mão de volta. Tudo acabou bem, mas vejam que o bolo foi a maior vítima desse atropelamento.
Todos ficaram tão abismados com a história que nem repararam que o bolo estava meio soladinho... até porque, bonito não estava, mas tinha o delicioso sabor de sempre! Afinal, quem conta um conto, melhora um bolo!!!

*baseado em fatos inacreditavelmente reais!

sábado, 29 de setembro de 2012

A Hebe vem para o jantar???!!!! (pequena homenagem)

Amigos, esse texto foi orinalmente publicado nesse bloguinho em 25 de janeiro de 2009. Hoje reedito essa historinha com muita tristeza porque infelizmente a eterna gracinha se foi. A Hebe foi e sempre será a maior de todas!

"Coisa natural no século XXI: naquela casa, ela, jornalista, passava quase o dia todo fora e ele, dono-de-casa, assumido e com orgulho, passava o dia às voltas com os 2345987 afazeres do lar. Por que não?!

Tarde de sexta-feira, o telefone toca. Não deu tempo de atender, estava dando banho no filho de 4 anos que insistia em brincar de acquaman-hiperativo-virando-uva-passa. A secretária eletrônica atendeu:

- Amor, estou levando a Hebe pra jantar em casa!

Quando ouviu o recado quase infartou: O quê?! Quem?! A Hebe?! A gracinha do sofá?! A da tv?! Por que ela só avisou agora?! Eu não tenho nada na geladeira! O que eu vou servir pra essa mulher?! Como assim a Hebe vem pro jantar?! Será que ela come canja?! Eu estava fazendo canja! Será?! Quando minha mulher virou amiga da Hebe, meu Deus?! A Hebe vem jantar em casa... isso é coisa que se diga, assim, num fim de tarde?! O que ela está pensando que eu sou?! Uma máquina?! Um mágico que vai tirar um jantar de gala da cartola?! Será que a Hebe come pizza?! Não tenho nenhum vinho decente em casa. Será que a Hebe gosta de caipirinha... de 51?! Será?!
Em meio a esse turbilhão de perguntas, teve uma ideia genial: a mãe!

- Mãe, socorro! A Hebe vem jantar em casa e eu não sei se ofereço pizza ou canja!

- O quê?! A Hebe vai jantar na sua casa e você me fala isso assim, meu filho?! Você sabe que eu e suas tias amamos a Hebe... a gente acompanha a carreira dela desde menina!

- Mãe, pelamordeDeus, deixa o sermão pra depois e me dá uma luz!

- Não se mexe, meu filho! Eu e suas tias vamos dar um jeito! Em meia hora chegamos aí com tudo pronto pro maior jantar que esse seu apartamento já viu!

Dito e feito: em meia hora a sala de 4 metros quadrados do apartamento tinha virado o salão de gala do Copacabana Palace. A mãe e as quatro tias, que trouxeram seus respectivos maridos para ajudar no que fosse preciso, formaram um exército para preparar um jantar digno de Hebe Camargo. A emoção de conhecer a grande dama da tv brasileira motivava aquelas senhoras, senhores e marido em pânico.

Tudo pronto. Elevador chegando. Todos de sorrisos no rosto e câmeras a postos. A porta se abre:

- (...) Amor?! O que está acontecendo?! Quanta gente em casa! O que aconteceu com a nossa sala?!

- Ficou à altura da Hebe, amor?! Onde ela está?!

- Está aqui! A Hebe, minha estagiária na redação. Você não acha que exagerou um pouquinho?! - entre dentes.
- Oi, muito prazer, Hebe! – sem graaaça - Puxa, gente, uma festa, nem me arrumei! A chefinha não falou que seria um jantar em minha homenagem!

- Hebe????!!!! Você que é a Hebe?! Amor, cadê a Hebe Camargo?!

- Que Hebe Camargo?!

- A que você ia trazer pro jantar!!!

- Quem falou Hebe Camargo?!

- Você!

- Eu não! Eu disse que a Hebe vinha pro jantar... A Hebe, minha estagiária... a estagiária de quem estou falando há dias... você não me escutou?! Nenhuma das vezes?! Nenhuma das 750 vezes?! Você nunca me escuta mesmo, né?!
- (...)

Tem coisas que nem o século XXI é capaz de mudar!!"

domingo, 16 de setembro de 2012

Que presente mais lindo: um fogão!!!!*

-...mas então veja você seu eu posso com uma coisa dessas... ele me dá um fogão de presente de aniversário de casamento e essa porcaria nem pra funcionar direito! Já vieram ver o que era e nada! Isso é presente ou castigo?????? Não sei se jogo o marido ou o fogão pela janela... 
(interfone)... amiga, deixa eu desligar porque o interfone está tocando... (...) Oi!
- O técnico do fogão que a senhora chamou está aqui embaixo...
- Pede para ele subir, por favor?! [Eita... chega no auge da minha faxina... de calça de moletom, chinelo de dedo e meia e camiseta de candidato!]
(campainha)
- Já vai!
- Sem problemas, eu espero...
- [Uia... não é a voz do tiozinho que veio outro dia tentar resolver o problema do fogão... será que é golpe?!]. Você tem crachá?!
- Tenho sim senhora... vou passar por debaixo da porta...
- Desculpa, viu?! Mas sabe como é nos dias de hoje, né?! É que você não é o mesmo técnico que veio semana passada, né?!
- Não, não. Ele está de férias... estou cobrindo ele - zipt! - taí meu crachá!
- Tá bo... [Gente, mas que olhos são esses???? Esse nariz??? Se na foto 3x4 já é esse deus... gente... me mandaram o Gianecchini pra arrumar meu fogão! Mas que bele...]
- Senhora! Está tudo bem?! Posso entrar?!
- Opa! Claro... por fav... [e eu com essa cara de lerê-lerê!] - enquanto soltava os cabelos... tirava as meias e tentava manter a dignidade e a autoestima por debaixo da calça de moletom e da camiseta de candidato.
- Bom dia! Vamos ver se dessa vez eu vejo o que está acontecendo com seu fogão?!
- Por favor... você fica à vontade... mesmo, viu?! Quer uma água, um suco [uma cerveja... champagne...]?
- Se a senhora tiver um copo d'água eu aceito... está quente, né?!
- Noooooooooooooooossaaaaaaa... e como! Mas olha... você fica à vontade mesmo [querendo tirar a camisa...] (...) tá aqui sua água!
- Obrigado... (glumpt! glumpt! glump!)
- [...gente... mas que que é isso?????]
- ...mas, então, qual é o problema?
- (suspiro) ne-nhum...
- Arrumou, foi?!
- (...) Nã-não! O fogão, né?! Então... não consigo ligar o forno...
- Ok... deixa ver aqui atrás...
- [isso... se estica mais!]
- Humm... não... a conexão com o gás está certa... deixa eu ver se é o duto do forno... (...) Opa! Taqui!
- Deixa eu ver!
- Vê aqui, ó... tá vendo esse duto?
- Ã-hãããããã...
- Ele está desconectado... já arrumo já!
- Aaaaaahhhhhh... mas é rápido?
- Rapidíssimo! Cinco minutos...
- Mas que pena... digo... mas que beleza! Mas eu vou pedir para você aguardar para eu fazer um teste!
- Ah, claro... eu ia fazer um teste mesmo!
- Nã-nã-não! eu faço o teste... porque... porque...porque... porque eu que vou usar o forno depois... então eu tenho que ver se funciona comigo!
- A senhora é quem sabe! (...) Tá pronto! Quer acender?!
- Vamos lá... (triiiiic... flamb!) Aaaah... acendeu... [droga!]
- Tudo certo, então?!
- [pensa! pensa!] Não!
- Não?????
- Sabe o que é?! E se ele apagar de novo e eu não conseguir acender de novo... ou apagar no meio da receita...
- Humm... não costumam relatar esse tipo de problema, senhora!
- ...po-pois então! Não quero ser eu a primeira...
- Vamos esperar uns cinco minutinhos, então...
- Vou fazer melhor ainda! Vou preparar uma coisinha pra gente comer... já está quase na hora do almoço mesmo...
- ...éééééé... bomm... não sei...
- Ah! Não diga isso... você veio aqui para colocar meu forno em funcionamento e não vai esperar para ver se seu trabalho ficou bom?!
- Talvez se a senhora colocar um bandeja com água...
- Pensei e algo melhor... UM PERNIL!

Passadas 2 horas e meia, o pernil finalmente ficou pronto e, então, constatou-se que o forno estava em perfeita ordem e ela... bom... a ponto de pedir divórcio e fugir com o técnico. Pena que tão logo o timer soou, ela acordou para a realidade e o técnico se foi. Nem quis provar o pernil. Mas deixou um formulário de avaliação do atendimento. Claro que ganhou nota dez em tudo... ou quase tudo: "Rapidez na prestação do serviço: 2. Justifique: rápido demais!".

À noite, quando o marido chegou em casa:
- Amorzinho... contei pro pessoal no trablho que te dei um fogão de presente de aniversário de casamento e as meninas quase me lincharam! Pisei na bola, né???
- Nãããããã... que que é isso, amor! Olha... em princípio eu não gostei, sabe?! Mas... tenho que dizer... que presente, viu?!
- Ah, jura, amor?! Fiquei tão chateado que até comprei esse anel pra você...
- Ah... mas olha que gracinha que você é! Vem cá... vem jantar, vem! Assei pernil...

Maridos, maridos... alo-ooow! Entenderam porquê não devem dar um fogão de presente para suas esposas?! Além de ser o cúmulo do século XIX... pode acontecer isso!

*Baseado em causo real! Me garantiram que o técnico era de tirar o fôlego!

domingo, 9 de setembro de 2012

De volta no próximo domingo!

Caríssimos... alguns pequenos imprevistos conturbaram minha vida nas últimas semanas. Mas prometo que no próximo domingo (16) retorno à normalidade!
Obrigada!

domingo, 19 de agosto de 2012

Micro-ondas com sério defeito de fabricação!


Após 45 minutos, entre espera, tecle assim para isso, tecle assado para aquilo, ele finalmente conseguiu ser atendido:
- Boa noite, obrigada por aguardar, em que posso ajudar?
- Oi, boa noite! Eu comprei um forno de micro-ondas...
- Qual modelo, senhor?
- Hãnnn... um momento, por favor!
- Pois não...
- Aqui! XL 350...
- Simple ou Luxor, senhor?
- Hãnnn... deixa ver... Luxor!
- Chef ou Gourmand?
- Gourmand...
- Certo. Em que posso ajudar?
- Ok... eu comprei um forno de micro-ondas XL 350 Luxor Gourmand e ele não está funcionando como deveria.
- A voltagem na sua casa é 110 ou 220 V?
- 110...
- Já verificou se a chave de voltagem está corretamente posicionada?
- Um minuto, por favor...
- Pois não!
- Sim, está em 110V!
- Verificou se o aparelho está conectado a uma tomada, senhor?
- Dãr... claro que sim! Espera... (...)... dãr... claro que sim!
- A luz interna acende quando o senhor abre a porta do aparelho?
- Sim, acende.
- O senhor está perto do aparelho, senhor?
- Sim...
- Vamos realizar um teste, senhor.
- Ok...
- Pegue um copo de vidro transparente e coloque água dentro...
- Um minuto...
- Pois não!
- Pronto.
- Coloque o copo dentro do aparelho e aperte a sequência 1,0,0 e, em seguida, aperte ''ligar''...
- 1,0,0, ligar... pronto!
- O cronômetro digital está em contagem regressiva, senhor?
- Está!
- Assim que zerar, o aparelho deverá emitir um aviso sonoro...
- ...ok... 16,15,14,13,12,11,10,9,8,7,6,5,4,3,2,1... (pii-pii-piii)... ouviu isso?
- Sim, ouvi, senhor. Agora abra o aparelho e com bastante cuidado, verifique se a água está aquecida.
- Espera... (...) AAAAAuuuuuu... SIM! Está, p****!
- Aparentemente, o aparelho está funcionando da maneira adequada, senhor.
- Não, não está! Ele está com defeito...
- Que tipo problema o aparelho apresenta, senhor?
- Certo... ontem cheguei tarde em casa e não tinha muita coisa na geladeira; estava com fome, então, resolvi preparar qualquer coisa rápida. Olhando as opções do menu gourmand rápido do meu micro-ondas novo reparei que tinha a opção "risoto". Gosto muito de risoto. Então, peguei um tigela, coloquei arroz, água, sal, coloquei no micro-ondas, apertei "risoto", esperei, ele apitou, abri... e nada...
- O arroz estava cru, senhor?
- Não! O micro-ondas preparou arroz comum!!! Não preparou risoto! Está com defeito!!!
- (...)
- Alô! Alô!
- (hihihihihi) É... senhor, vamos realizar uma outra operação simples...
- Certo. Diga.
- O senhor está perto de um computador com acesso à internet?
- Sim!
- Certo. Abra seu navegador e digite: www.google.com.br e "enter"...
- (...) ...ponto b-r, enter... pronto...
- Ok... agora digite "como preparar risotos" e, em seguida, clique em "pesquisar"...
- Certo... apareceu 1 trilhão de resultados...
- Ok, senhor. Agora basta escolher a receita de sua preferência e seguir o passo a passo.
- Tá me tirando?
- Não, senhor! Mais alguma coisa que eu possa ajudar?
- Amanhã vou ao Procon, ta me ouvindo????
- Estou sim, senhor. Espero ter ajudado. Volte a ligar, senhor, faço questão de acompanhar seu caso....................

Pois é, minha gente, nem sempre a culpa é do aparelho... ou da atendente!!!!

domingo, 5 de agosto de 2012

A partilha do bolo: um estudo sociopsicológico

Desde os tempos da Bíblia, a partilha do alimento revela traços sociais, psicológicos e culturais de um indivíduo ou grupo de indivíduos. No caso da Bíblia, Jesus quando repartiu o pão revelou ser um milagreiro!

Contudo, deixando o milagre da multiplicação dos pães um pouco de lado e trazendo o tema para a esfera mais cotidiana, toda festa que tenha bolo, depois dos parabéns e da famosa primeira fatia, há sempre alguém que fica incumbido da partilha do bolo para distribuição aos convidados. É desse indivíduo que quero tratar.

Nas festinhas em buffets infantis, via de regra, há sempre um bolo na mesa que, depois dos parabéns, é retirado pelos funcionários do buffet que o levam para os bastidores e seundos depois passa a ser distribuído aos convidados em fatias praticamente de mesmo tamanho (enormes) e, geralmente, acompanhado de uma bola de sorvete (última moda!). O que isso revela? Não há interesse, por parte daquele que fatia o bolo, de privilegiar quem quer que seja. Trata-se de uma partilha imparcial, cuja única finalidade é fazer com que os convidados ingiram ainda mais açúcar!

Tal comportamento também pode ser observado em festas de casamento. A diferença faz-se no fato de que, normalmente, o bolo cortado pelos noivos é falso e o verdadeiro está na cozinha, sendo devidamente fatiado para distribuição.

Entretanto, interessante mesmo, são as festas familiares caseiras!!! Essas, sim, são um prato cheio para observação de certos comportamentos.

Vamos aos tipos:

O aniversariante - não é comum, mas pode acontecer de o próprio aniversariante, após cortar a primeira fatia (e fazer o pedido), permanecer de faca em punho cortando e distribuindo o bolo. Isso revela um certo cuidado por parte dele ou, dependendo do caso, um certo grau de controle sobre a situação. Pedaços grandes? Pequenos? Depende. Ele conhece cada um dos convidados e sabe do gosto de cada um.

A mãe - mãe é pau pra toda obra e num momento de comemoração familiar não poderia ser diferente. Lá está a matriarca chamando para si a responsabilidade pela divisão do bolo. Aqui existe uma subdivisão: a) aquela que já corta um tolete de bolo pra encher a barriga de todo mundo; b) aquela que corta uma isca para cada um, de modo que se assegure que todos terão um pedaço e ainda poderão repetir. No entanto, o objetivo de ambos os tipos é o mesmo: fazer com que todos sintam-se satisfeitos.

A amiga habilidaosa* - esse tipo é aquele prestativo. Tão logo a primeira fatia seja cortada, lá está ela tirando a faca da mão do aniversariante e dizendo "pode deixar que eu assumo, vai se divertir!". Transforma a partilha do bolo em uma linha de produção: separa os pratos, coloca três brigadeiros e dois beijinhos em cada, corta o bolo todo, coloca as fatias nos pratos, cutuca um garfinho em cada e pronto. Aos convidados, cabe pegar cada o pedaço que mais lhes agrada. Desprendimento? Talvez. Mas tanta prontidão pode esconder o interesse no melhor pedaço do bolo!!!

A tia espertinha - esse tipo é o máximo! Se o tipo anterior ambicionava tão somente um pedaço privilegiado de bolo, a tia espertinha ambiciona muito mais!! Podem reparar. Quando é a tia quem está no comando da faca, as fatias de bolo são verdadeiras nano-fatias, todavia, diferente daquele tipo de mãe que faz isso visando a possibilidade de que todos possam repetir o pedaço, essa sujeita quer mais é que sobre muito, muito bolo. Qual objetivo disso? É só ouvir o discurso dela antes de ir embora: "Nossa, que dó, sobrou tanto bolo... vou levar um pedaço pra casa"... pra filha que nunca vai às festas! E pensa que esse será um pedaço como os servidos? Que nada! Lá se vai o bolo todo, restando apenas o tabuleiro.

Aqui apresento apenas quatro, mas são inumeráveis os tipos, como o personal fatiador, que faz o corte ao gosto do freguês (grande, pequeno, com cereja, sem cereja); o atrapalhado, aquele que até tem boa vontade, mas esculhamba todas as fatias, que se transformam em massaroquinhas nos pratos; o tipo arrependido demais, que começa com fatias enormes e, lá pela metade, percebe que há mais convidados que bolo, se arrepende e passa a servir fatias minúsculas; o tipo primeira rodada, que só serve a primeira rodada e se nega a cortar a segunda! E por aí vai.

Observar a partilha do bolo pode revelar traços interessantíssimos das pessoas que circundam a mesa. Pode reparar!!

*Meu caso, confesso!!! hehehehe

domingo, 22 de julho de 2012

Leitinho, chazinho e Diazepam... que soninho*!!

- ...tá dormindo?
- ... não, e você?
- (...) não, né?!
- Que horas são?
- 1h30...
- Será que essa p%$#@ de festa não vai acabar?
- Acho que não, viu?! Estão desde às 16h nessa barulheira...
- Vou chamar a polícia...
- Chama não! O bairro inteiro está lá... seremos os chatos se chamarmos...
- Amor... já somos os chatos: fomos os únicos que não foram convidados!
- E se chamarmos a polícia, daí que não seremos mesmo!
- Tá, e o que você sugere?
- (olhar convidativo)
- ...iiiiiiihhhh, nem vem... tô sem paciência pra isso...
- ...nieeehhh... eu também... mas foi o que me ocorreu... Que acha de vermos um filme?
- Quero dormir... só isso...
- É... eu também... amanhã trabalhamos... domingo não é dia de virar a noite vendo filme, né?!
- NEM FAZER FESTA ATÉ ESSA HORA!
- Ok... vamos ver o que podemos fazer... não tem aquele leite milagroso que sua mãe fazia e que te derrubava de sono?!
- Bem lembrado amor, vamos lá na cozinha... vou preparar um litro!
(1 litro depois)
-...tá dormindo?
-... não, e você?
- Argh! Não adiantou nada! 2h30 da manhã e a gente com esse olho estalado!
- E se a gente tomar chá de cidreira com camomila?
- Ah, será que não periga termos uma overdose?
- Nada! Vamos lá na cozinha comigo... vai que você dorme enquanto eu preparo nosso chá!
(1 balde de chá depois)
- ...tá dormindo?
- ... não, e você?
- Humpf! Que que tá acontecendo?
- Será que é a comida que está pesando no estômago?!
- Agora vai culpar minha comida?! O bailão da roça rolando lá fora e a culpa é da minha comida????
- Não foi isso, amor. Mas se você quiser a gente briga amanhã... tô sentindo meu corpo moído... tô sem forças pra brigar... além disso, se ficarmos agitados, o metabolismo vai ficar ainda mais acelerado, daí que a gente não dorme mesmo!
- Tem razão amorzinho...
- (tenho que lembrar de anotar esses argumentos para usar outras vezes!!) ... bom, nem leite derruba leão, nem chá duplo calmante... o que nos resta?!
- hummm... lembra quando minha vó passou uns tempos aqui em casa?
- Boa amor, me lembra dessa história chata que vai me dar sono...
- (tapa)... não é nada disso... presta atenção: lembra quando minha vó passou uns tempos aqui em casa?!
- Opa! Se lembro! Como iria me esquecer?
- Lembra que ela tomava uns remédios?
- ...leeeeembro...
-... então... sobraram alguns...
- Amor, só me lembra uma coisa... sua avó não estava meio tantam das ideias?
- Sim!
- E os remédios não eram pra quem está tantam das ideias????
- Também... mas lembra que quando ela tomava, caía pro lado e dormia???
- LEMBRO! Bora caçar esse aí!
(diante da caixa de remédios)
- Só tem um!
- Qual é?
- Diazepam... 50mg**...
- Vamos dividir?
- Acho melhor... vai que a gente dorme umas 15 horas seguidas, né?!
- (treck! schuiiim.. tricl!)
- Pra onde foi?!
- Sei lá... uma metade tá aqui...
- Acho que foi parar atrás da geladeira... me ajuda aqui... vamos arrastar...
- (arraaaasta!) Achei!
- E quem vai tomar a metade encardida?
- Você! Você que fez a metadinha voar!
- Se você não ficasse secando tudo que faço...
- Tenho uma ideia: vamos dividir em quatro e cada um toma um quarto limpo e um quarto sujo...
(2/4 depois...)
- ...tá dormindo?
- ... não, e você?
- Puuutz... será possível que nem Diazepam fez a gente dormir?!
- Que horas são?
- 5h30!!!! Tenho que levantar daqui 2 horas!!!!
- ...ó... ó... acho que tá fazendo efeito... tá sentindo os olhos pesarem?
- ...zZz...tô...
(dormiram, mas acordaram 1h depois...)
- ...tá dormindo?
- ... não, e você?
- Então é isso? Diazepam é isso??? Uma hora de sono e só? Por que sua vó dormia tanto????
- Não sei, amor... só sei que vou tomar banho, me arrumar e chegar uma hora mais cedo no trabalho.
- Boa ideia.

Claro que a história não termina assim! Foi os dois pisarem no escritório que um sono avassalador, galopante, alucinante tomou conta de seus seres. O leite derruba leão, o chá duplo calmante e o bandidinho do Diazepam resolveram fazer efeito um pouco fora de hora. Resultado: ele, no meio de uma reunião, presidida por ele, começou a falar mole, enrolar as palavras, virar os olhos, trançar as pernas... acharam que ele tinha recebido um santo e o mandaram pra casa; ela, no meio de uma dinâmica de grupo, tendo os mesmos sintomas que ele, ganhou um cartão do AA e o apoio de toooodos para que ela começasse os 12 passos! Pelo menos puderam ir pra casa dormir!!!


*Baseada em fatos reais... putz... parece mentira!
**Bom, nem precisa o Ministério da Saúde dizer que nenhum juquinha deve se automedicar, né?! Muito menos com medicamento tarja preta!

domingo, 8 de julho de 2012

A invenção do brownie

Ela era do tipo exageraaaaado! Era sagitariana*. Nada para ela era de pouquinho, de pitada, de isquinha. Para ela sempre um era muito pouco, dois poderia ser mais e três era quando começava a melhorar.

Aos que a criticavam, a resposta era: "o que é de gosto, regalo da vida!". E para ela, tudo era de gosto e tudo era regalo da vida.

Evidentemente, a cozinha de sua casa era território onde ela precisava de supervisão. Do contrário, uma única refeição para a pequena família de 4 pessoas seria suficiente para alimentá-los por 4 semanas! Por isso, o marido, depois de fartar-se (em ambos os sentidos!) contratou uma cozinheira que teria por missão controlar os exageros da patroa:

- Hoje para o jantar prepare um peru, arroz à grega, arroz com passas, arroz com nozes, sopa de lentilhas, também grão de bico, creme de milho, salada de batatas... e aquele leitãozinho.

Natal? Que nada! Dia ordinário.

À coitada da cozinheira cabia fazer ouvidos surdos às ordens da patroa e preparar uma refeição que acabasse no mesmo dia. Sempre ouvia broncas, claro! Mas ao marido cabiam os argumentos de que a cozinheira estava certa.

Pouco a pouco ela foi se desanimando de ir pra cozinha, nunca a deixavam fazer nada. Aquilo ali virou território da cozinheira. Até que um dia, a cozinheira, logo depois de preparar o almoço, sentiu-se mal e foi recuperar-se em casa. A cozinha estava livre!

Claro que ela não perdeu a oportunidade. O que fazer? O que fazer? Tanto tempo sem poder mexer em suas próprias panelas que nem sabia o que queria preparar primeiro. Pensou então em algo para o chá da tarde... um bolo! Isso! Um bolo de... chocolate!

Como não queria ouvir desaprovações do marido e dos filhos, resolveu seguir uma receita. Qualquer coisa, poderia dizer que a empregada deixou pronto antes de sair. Contudo, o que são as receitas para aquele que sofre de exagero? Mera inspiração.

Ao invés de 1 colher de manteiga, foi lá e lascou 6 na vasilha. Pra quê usar achocolatado se podia usar chocolate  e cacau em pó... também? Farinha de trigo, açúcar, ovo. Não, ovoS: 4! E já que era para ser de chocolate, por que não colocar uns tabletes também?? Picou em cubinhos e colocou na vasilha. E mexeu tuuudo. Massa densa, pesada, escura! Enquanto mexia, seus olhos percorriam as prateleiras procurando mais gostosices para acrescentar à """"receita"""": nozes! Martelou uma dúzia de nozes, deu uma picadinha e mandou para a vasilha.

À medida que misturava tudo, com toda a alegria do universo, ia imaginando o bolo gigantesco e fofinho que aquela massa ia se transformar. Capaz: pesada como estava, aquela massa teria de ter a força do Thor para crescer, além de uma pitada de milagre, já que ela se esqueceu de colocar o fermento!

Massa devidamente misturada, despejou-a numa forma enorme - uma vez que seu [exagerado] otimismo a fazia crer que a massa tomaria conta daquilo tudo! Em seguida, forno. Ficou olhando, olhando, olhando... e nada... a massa não se mexia! A manteiga ia fritando, o chocolate derretendo e nada de crescer. Lá se foram 30 minutos de forno, o cheirinho já tomava conta da casa, mas a massa não dava a menor pinta de que fosse expandir.

Preocupada, tirou a assadeira do forno. Ainda teve a audácia de se perguntar: o que será que eu fiz de errado? segui a receita tão direitinho!

Exagerada, sim; desperdiçadeira, jamais! Esperou esfriar um pouco e cortou um quadradinho para saber se, além de embatumada, também ficou intragável sua receita. Supresa: estava uma delícia. Molhadinho, saboroso. Seu bolo, embatumadinho, super marronzinho tinha ficado uma delícia... maaaas... o que dizer ao marido e filhos? Jogar nas costas da cozinheira? Não, não era de seu feitio. Seria sincera: teimou, foi para a cozinha, exagerou na dose e errou a receita. Que nada:

- Querem provar minha nova receita? Eu chamo de... de... maronz... brown... BROWNIE! Invenção minha.

Todos provaram e adoraram!! Nem se perguntaram em que momento ela se curou do exagero e foi capaz de inventar uma única receita daquela delícia. E assim foi inventado o brownie**, muito apreciado até os dias de hoje.

* como sagitariana que sou, digo como conhecimento de causa que somos sim exagerados! mas claro que no caso da personagem, exagerei no exagero!!
** é tudo mentira, mas poderia ter sido verdade!

domingo, 1 de julho de 2012

5 anos de Clara em Neve!

Sim, há 5 anos, todas as semanas (ou quase isso) venho escrevendo sobre as pequenas bobagens da vida sob a ótica da cozinha: crônicas, causos, algumas receitinhas, dicas... sempre tentando deixar a vida mais doce e mais boba!! E por mais esse ano de carinho e atenção de todos que reservam um tempinho para ler o que escrevo... MUITO OBRIGADA!!!

domingo, 10 de junho de 2012

A mais básica massa para fazer salgadinhos!

Eu tenho um ponto fraco: as coxinhas! Não as minhas... a propósito! Ou melhor, as minhas... mas não as miiiinhas... Enfim... me refiro àqueles salgadinhos com massa macia por dentro, crocante por fora e recheados com franguinho desfiado, bem temperadinho, repleto de azeitonas!!!

Quando falta tempo e sobra vontade, o jeito é sair à caça de coxinhas decentes (!) para comprar. Mas, se a vontade dá sorte de me pegar com tempo... não tenho dúvidas: vou para cozinha!

Embora dê um certo trabalho (eufemismo: dá um trabalho do cão!), as vantagens de fazer coxinhas em casa são várias, dentre elas: 1) você sabe que lavou suas mãos antes de preparar! 2) você sabe a procedência dos ingredientes! 3) o óleo onde serão fritas as referidas é mais jovem que você! e, por último, mas não menos importante 4) é garantido que você não se deparará com uma pele tremulante no recheio (afff.. ecati... humpf... blahfg...).

Como há milênios não narro uma receitinha por essas bandas, hoje resolvi apresentar-lhes a mais básica de todas as massas para salgadinhos. Isso porque com essa mesma massa você faz, além das coxinhas, também risoles, bolinhos de queijo, de carne etc. Ideal para quem vai fazer uma festchinha e resolveu bancar a prendada: a massa é única, só variam os recheios. Vamos a receita, pois então:

Ingredientes:
3 xícaras de chá de leite;
1 colher de sopa de margarina (ou manteiga);
1 tablete de caldo de galinha (ou legumes);
2 e 1/2 xícaras ed chá de farinha de trigo;
1 clara de ovo;
farinha de rosca para empanar.

Preparo:
Em uma panela (grande o suficiente para que os ingredientes não voem por todos os lados), ferva o leite, juntamente com a margarina e o caldo de galinha. Fique de olho, afinal, leite é um bicho danadinho que carece de atenção! Quando levantar fervura, abaixe o fogo e, de uma vez só, sem medo de ser feliz, despeje toda a farinha: VAI! Com uma colher de pau (ou de silicone, se você não é antiga como eu!!!), misture rapidamente. Tal procedimento requer agilidade e alguma força (aproveite para queimar algumas calorias antes de comer as coxinhas!!). Vai virar uma bolota!! Não tema. Aos poucos, à media que você vai mexendo, a farinha e o leite virarão uma coisa só... uma massa linda! Assim que isso acontecer, ou seja, que os ingredientes virarem uma bolota única, apague o fogo. Coloque a bolota sobre a pia (ou sobre sua chiquérrima bancada de inox ou mármore...), espere esfriar um pouco (o suficiente para você não queimar a mão e perder a receita porque foi parar no hospital) e sove-a até que se tenha uma textura lisinha. Milagrosamente, essa é uma massa que não gruda nas mãos e não leva um grão a mais de farinha no processo de sova. Prontinho! Você já tem sua massa básica para rechear como quiser.

Duas dicas fundamentais, coisa de mãe: 1) na hora de besuntar o salgadinho para então empanar na farinha de rosca, use apenas a clara... isso fará com que seu salgadinho fique muuuuuito crocante e não chupe todo o óleo da frigideira! 2) se você não tem frescurinhas, ao invés de jogar o coitado do bolinho na clara e resgatá-lo com um garfo, para então novamente jogá-lo na farinha de rosca, mergulhe sua mão, extremamente limpa, na clara e passe-a no bolinho... assim, a camada fica mais fininha e a farinha aderirá muito melhor!!!

Dica gourmet: já que você, prendadamente, se propôs a ir para a cozinha, não caia na armadilha da farinha de rosca pronta! Torre aquele pãozinho que sobrou de ontem, bata no liquidificador e passe por uma peneira! Quer melhorar ainda mais essa história? Que tal fazer farinha de rosca com pão italiano???? Acreditem: faz toda a diferença!!!

Assim que fizerem, por favor, me convidem para provar!!!

domingo, 3 de junho de 2012

A tentativa de suicídio

- Se ele não voltar, eu juro que me mato!

Esse foi o grito que se ouviu vindo daquela casa de muros baixos no tranquilo bairro de uma pacata cidade do interior.

Não demorou e metade da cidade estava em frente à casa. A outra metade estava cuidando da própria vida.

Algum tempo depois, chegou polícia, bombeiros e a imprensa - o jornal local; um repórter da rádio regional e uma equipe da emissora de TV, afiliada de uma grande emissora da capital (que garatiria a história e, dependendo do final, poderia ganhar espaço no telejornal da emissora mãe... uma grande oportunidade... e por isso a equipe torcia pelo melhor... na concepção deles!).

De quando em quando ela repetia: "Se ele não voltar, eu juro que me mato!". Então, todos lá fora reagiam com eufóricos pedidos de "Calma! Vai dar tudo certo!" - todos, menos o pessoal da TV.

Quando chegaram ali, a confusão já estava instalada, então, o que de fato acontecera era quase um mistério. Isso porque cada um contava uma versão. O que dificultava muito o trabalho da imprensa que se empenhava em montar a linha do tempo dos fatos. Até que uma senhorinha, vizinha de muro, disse que foi ela quem chamou a polícia. Ela, portanto, sabia como tudo começara:

- Eu estava estendendo umas roupas quando ouvi ela muito nervosa discutindo com o marido. Pelo que pude entender, ele se apaixonou por outra e a talzinha pegou barriga e por isso ele estava deixando ela, a oficial, para ficar com a filial. Enquanto ele arrumava as malas, ela dizia que ele não podia fazer isso com ela, que ela amava ele, que ela não podia viver sem ele, que ela ia morrer se ele fosse, então disse que ia se matar se ele fosse. E ele foi. Daí vi que ela foi pra cozinha... daí me preocupei de verdade porque a cozinha é lugar muito perigoso para quem está com planos de dar cabo da própria vida, sabe?! Então, de casa mesmo eu gritei para ela não fazer nenhuma besteira. Ela então disse que ele ia voltar de qualquer maneira! Então eu disse que ela era muito linda, muito nova, que ia encontrar outro marido. Mas ela não queria saber de conselho, não! Queria era aquele marido mesmo. Então a vi abrir a geladeira... pegou... ai, meu Deus, nem posso me lembrar - disse trêmula - daí eu corri pra dentro de casa e liguei pra polícia. Não ia esperar o pior acontecer...

Ouviu-se um barulho. Era o liquidificador funcionando. Todos prestaram atenção.

A senhorinha se deseperou:

- Ela vai fazer...

O pessoal da imprensa tentava descobrir mais alguma coisa com a senhorinha: o que ela viu a moça pegar? Será que ela prepararia um coquetel com desinfetante, sabão em pó e soda cáustica?! Mas era inútil, a senhorinha estava descomposta.

Mais um anúncio:

- Se ele não voltar, eu juro que me mato! Eu vou beber isso... - disse a moça colocando meio corpo para fora pela janela da cozinha e empunhando um copo cujo conteúdo tinha um aspecto leitoso, meio amarelado.

Todos especulavam sobre o conteúdo, mas de fato ninguém imaginava o que havia lá dentro. E não havia mais tempo para especulação. A polícia, que até então tentava, sem sucesso, encontrar o marido fujão, não podia mais esperar: "Vamos invadir!" - diga-se de passagem, dizer essa frase era o sonho de infância do capitão que conduzia as negociações... sempre assistia àqueles filmes americanos de negociação e desde que entrou para a polícia, há 27 anos, sonhava com o dia que iria viver seu dia de John McClane (o Bruce Willis) de "Duro de Matar", seu herói!

Rapidamente, o capitão confabulou com sua equipe, ou melhor, o único soldado que o acompanhara na empreitada - o outro ficou cuidando do único preso na cadeia. O plano estava feito: um a distrairia, conversando mais de perto, enquanto o outro entraria pela porta da sala. E assim se fez. Ação rápida e eficiente - morram de inveja Swat! - enquanto o soldado conversava com ela, o capitão a tamava de assalto, tirando-lhe, certeiramente, o copo com a substância assassina desconhecida de suas mãos.

Aplausos, choros e tudo que uma ação bem sucessida tem direito. Incluindo as declarações à imprensa. Antes de entrar na ambulância que levaria a moça, em choque, para o posto de saúde da cidade, a jornalista da TV foi direta na pergunta:

- O que tinha no copo?

A moça, então, ainda desacorsoada com seu insucesso, aos prantos respondeu:

- Leite com manga.

Isso mata? A senhorinha garantia que sim.

domingo, 27 de maio de 2012

Um rodízio de pizza que servia... até pizza!

Em Foz do Iguaçu, depois de um dia inteiro de andanças, nada melhor do que uma comidinha gostosa para repor as calorias gastas, pois não?!

Uma opção é ir até Puerto Iguazu, na Argentina. No entanto, se a ideia é comer em língua portuguesa, em um ambiente bem familiar, com atendimento muito simpático e a custo beeem módico, não recomendaria outro lugar que não fosse o restaurante "Mega Pizza" - Rua Mal Floriano Peixoto, 1044, Centro, (45) 3574-1060 - um rodízio de pizza bem peculiar.

Nada de sofisticação, mas tudo bem limpinho e arrumadinho! Azeite Andorinha na mesa e garçons muito, muito, muito simpáticos (incluindo o argetino... ou seria paraguaio?! Enfim... o jovem garçom que falava um portunhol muito do sem vergonha que necessitava repetir ao menos duas vezes o sabor da pizza que oferecia!!!).

O que então teria de peculiar uma pizzaria tão normalzinha assim, então?! Justamente o rodízio, ou melhor, a composição do rodízio. Logo na chegada, o garçom chefe deixa claro que ali são oferecidas uma enorme gama de opções... de pizza? Inclusive! Além dos diversos sabores de pizza, o rodízio da Mega P-I-Z-Z-A também contava com: batata frita, polenta frita, franguinho frito! E não é só isso!!! Também: espaguete à bolonhesa e espaguete ao óleo e óleo, digo, alho e óleo (embora o segundo ingrediente sobressaísse aos demais!). E não para por aí!!!! Além das opções de pizza doce para a sobremesa... o comensais ainda dispõem de farta oferta de... SORVETE!!!! Impossível não agradar a gregos, troianos, ingleses, coreanos etc etc etc!

As opções salgadas são bem gostosas: massa fina (embora eu prefira as mais grossinhas, essa era bem gostosa), cobertura farta. A de escarola com bacon estava deliciosa! A polentinha também estava crocante e quentinha. Mas o que destaco mesmo são as opções doces!!! Minham-minham-minham! A melhor de todas: sedução - chocolae branco, morango e coco... tudo farto e quentinho! A sensação - choclate e morango - também estava divina.

O preço de tanta fartura?! Pasmem: R$ 16,99 R$ 15,99 por pessoa!!!!!!

Em Foz do Iguaçu, querendo comer bem por muito pouco? Mega Pizza, um rodízio tão variado que serve ATÉ pizza!!!





domingo, 13 de maio de 2012

O ladrão "Quebra-Coco"*

A aparente tranquila madrugada quente ia alta. Na rua só se ouvia um latido solitário de algum cachorro insone. A lua estava cheia, azulava as casas, que dormiam sossegadas o sono da segunda-feira que começou sem ninguém perceber.

Naquela casa, porém, algo estava prestes a quebrar o sossego. Até certo momento, todos dormiam, embalados pelo silêncio, mas, num instante, a filha foi arrandada dos braços de Morfeu: acordou num pulo, na mesma velocidade que seu coração disparava.

A menina ouviu um barulho. Dali a pouco, novamente. De maneira ritimada, em intervalos médios, uma pancada seca quebrava o silêncio. A adrenalina do susto fez a menina concluir de pronto: é ladrão!
Nesses momento, é bobagem apelar para a racionalidade - que sempre é a primeira a sair correndo, deixando para trás apenas o abestalhamento, a tontice e afins! A menina então correu para o quarto dos pais; foi reunir o exército para enfrentar o bandido:

- Mãe-mãe-mãe - repetia enquanto sacolejava a coitada da mãe - acorda!

Não surtindo efeito, apelou:

- MÃE! ACORDA! TEM LADRÃO EM CASA... INVADIRAM NOSSA CASA!

A mãe então, num pulo, desvencilhou-se dos lençóis e meio acordada, meio dormindo, meio calma, meio infartada tentava entender o que havia ouvido, ao passo que planejava uma estratégia de defesa.
Nesse momento, a menina se deu conta de que o pai não estava na cama?

- Já pegaram o pai! Meu Deus... vão matar a família toda!

A viúva percebeu os estrondos:

- Que barulho é esse???? Estão batendo no seu pai!
- Parece que estão batendo a cabeça dele contra a parede!
- Será que ele ainda está vivo? Precisamos ajudar... - disse enquanto, no escuro do quarto, iluminado pelas frestas de lua que entravam pela janela, procurava qualquer coisa que pudesse usar como arma - Toma, pega aqui minha sombrinha, vou levar o guarda-chuva do seu pai... 

Desceram as escadas, seguindo o barulho da cabeça do pai que era lançada, ritimidamente, contra a parede... ou seria a quina da pia? Enfim... de ponta de pé, pretendendo pegar o bandido safado, desgraçado, assassino... de surpresa.

Mimicamente contaram... 1, 2... 3:  AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHH! gritaram as duas, enquanto pulavam de sombinhada e guarda-chuvada em cim a do larápio.

Por baixo de pancadas o bandido suplicava para que parassem, mas elas, no afã da fúria, com a força da raiva, embuídas pelo espírito de vingança pela morte de pai-marido... nem cogitavam a possibilidade de parar! Entre um grito e outro, no entanto, foram percebendo algo familiar na voz do assassino. A mãe, então, desferiu uma guarda-chuvada certeira no interruptor que fez acender a luz da cozinha:

- PAI???????????????????????? - gritou a menina.
- Cadê? Cadê o bandido? Pra onde ele foi? - perguntava a mãe enquanto procurava, de guarda-chuva em punho...
- Que bandido? Que que tá acontecendo???? Por que vocês estão me batendo???? Que que foi que eu fiiiiiz??????? - perguntava o pai, todo avariado pelas pancadas.
- O bandido, pai? Eu ouvi umas pancadas, fui no seu quarto e só encontrei a mãe na cama... e o pam-pam-pam... que não parava...
- Daí a gente desceu pra te salvar... ou o que restava de você...
- Salvar? Que salvar? Eu acordei com sede e desci pra beber alguma coisa... vi o coco verde e me deu vontade de beber água de coco! Eu que tava tentando abrir o coco... não tem bandido nenhum tentando quebrar meu coco!!!! 
- Ma...mas... é agora que eu mesma vou quebrar seu coco!!! Quase matou nós duas de susto!!!! Que que leva uma pessoa a quebrar um coco no meio da madrugada?????????????
- Sede, oras!

*Causo baseado em fatos reais... acreditem...

domingo, 6 de maio de 2012

Virada Cultural 2012

Este ano, pela primeira vez, falarei da Virada Cultural sem precisar forçar a barra para adaptar o evento ao tema do blog que, como é possível notar, trata de comidinhas. Isso porque a edição 2012 trouxe uma novidade (que parece ter sido encomendada pelo Clara em Neve [hehehe eis o cúmulo da pretensão elevado à máxima potência!]); além das milhares de atrações cultural espalhadas pela cidade, a Virada Cultural 2012 contou com uma Virada Gastronômica! Ge-ni-al!
Ao longo do Elevado Costa e Silva, fofamente conhecido como Minhocão, foram dispostas barraquinhas, como as de feira livre (que, no domingo, acontecia normalmente na rua paralela, sem se abalar com a baladaça ao ar livre que acontecia ao lado dela!). O detalhe charmosíssimo da história é que cada barraca era comandada por um chef renomado.

Quens? Alex Atala, abrindo os trabalhos à meia noite com sua galinhada Dalva e Dito (não estava lá, mas meus correspondentes [hihihi] disseram que estava um caos comprar a galinhadinha!); Janaína Ruenda, com seu 'Puchero à Love Story' (sentiram o trocadilho???); Renato Carioni, com seu exótico e mega-master-blaster-ultra-super-advanced procurado e comentado por todos 'Hambúrguer de pato com maionese trufada' (a fila estava de fazer esses! provei... não achei nada demais... fiquei com dó dos patinhos, confesso!); além de Erick Jacquin, sopa de cebola (affff); Dagoberto Torres, arepas e ceviches; Danilo Rolim, montaditos e tapas; Henrique Fogaça, sanduíche de copa lombo; Benny Novac, baby back ribs e sweet corn; Luiz Emanuel, steak tartare e batatas fritas; Lenadro Freitas e Henry Miguel Caceres, sushis e sashimi; Márcio Silva, arroz de carreteiro com pipoca; (isso aqui está parecendo aquele capítulo de Saramago que passou 5 páginas elencando nomes... vou atalhar, ok?!); Raphael Despirite, Daniela França Pinto, Vitor Sobral e Hugo Nascimento, Checho Gonzáles, Lourdes Hernández, Carlos Ribeiro, Rodrigo Oliveira, Paula Labaki e Heloísa Bacellar, com seus prosaicos e necessários: pão de queijo e bolo!

Por motivo de força maior, esse ano não virei a virada, mas às 8h em ponto, de uma manhã gelaaaaada, lá estava eu, na fila da barraca comandada por Marcos Sorares para degustar um delicioso, embora inadequado para o horário, espetinho de almôndegas picantes!! E quando digo picante, entendam algo de fazer você soltar labaredas pela boca... do jeitinho que eu gosto, ainda que eu tenha deixado meu estômago com ódio de mim, afinal, o coitadinho esperava ansiosamente pelo pão de queijo com bolo e café... que infelizmente não viu nem a cor porque a barraca estava inoperante devido à falta de energia elétrica (que aliááááás... estava transtornando a vida daquelas barracas que precisavam ligar fornos elétricos, cafeteiras e coisas do tipo para operarem... mancadita da organização, heim?! encaremos como falha de estreia... mas que não se repita, heim?!).

Enquanto degustava minhas almôndegas calientes, um morador de rua revoltado, mas lotado de razão, bradava às pessoas que já lotavam o Minhocão: "Voceis tão tudo cheio do dinhero pra dá 10 real num espetinho de carne!". Quem lhe tira a razão?! Isso porque ele nivelou pelo valor mais módico, porque o espeto de carneiro estava saindo por R$ 12, o hambúrguer de pato por R$ 15, o café (que não tinha) com bolo OU pão de queijo por R$ 10 (nó!) e por aí vai. Pagava-se pelo toque gourmet das comedidinhas, mas respeitando o tom deveras democrático da Virada... espalhadas pela cidade, lá estavam as barraquinhas de yakissoba, tempurá (tempuróleo!) e o legítimo pastel de feira... tudo por R$ 5, oras!!! Questão de escolha, né?!

Bom, para pedir perdão ao meu estômago, fechei a paragem por aquelas bandas com o trio de guloseimas de Carol Brandão: monkey brownie (brownie de banana), quindim com nozes e arroz doce com doce de leite. Eu chamaria de "Trio feito especialmente para Fabi Catarse!" (percebam que autoestima vai muito bem, obrigada, pois não?! Efeito da satisfação pós-Virada de sempre!). Três coisinhas que adoro... com destaque para o brownie: o melhor que já comi em toda minha vida até hoje!!!! Embora não seja absolutamente fã de banana assada (porque ela domina todo o sabor e ainda fica com uma textura nada apetitosa), devo confessar que ali houve uma (chic) harmonização perfeita e muito delicada dos sabores. Coisa de chef, né?! Valeu pagar R$ 10 pelas mini-micro-nano porçõezinhas (os bonitinhos ali da foto!). Meu estômago até me perdoou!

Para não dizer que não falei de música... deixo aqui o breve registro de que o show dos Titãs foi simplesmente arrasador. A apresentação que seria apenas do álbum Cabeça Dinossauro, de 1986, (um marco no rock brasileiro... fantástico de cabo a rabo), ainda contou com músicas do (na minha humilde opinião) mais fantástico e absoluto álbum dos Titãs: Titanomaquia (pra mim, a obra definitiva da banda!), além de canções de outros álbuns, como Flores e Televisão. Detalhe: todas no mais alto nível de rock'n roll... sem aquelas baladitas enfadonhas que tanto me irritavam nos shows do Titãs (aaaah, pronto... falei!!!!). Foi a catarse consagratória da Virada Cultural 2012! Já estou esperando pela de 2013...

domingo, 22 de abril de 2012

Noivos, cuidado com a chuva: de arroz!!!

Fui madrinha de casamento de um casal de amigos muito queridos e quando recebi o convite, minha primeira pergunta foi:

- Quantos quilos de arroz você quer que eu providencie?!

De pronto minha amiga, a noiva, respondeu:

- Nenhum! É proibido!!

Ela então explicou que quando foram marcar a data das bodas a pessoa responsável pelas instruções deixou claro que é proibido jogar arroz nos noivos.

Segundo aprofundadas pesquisas que realizei (ã-rã!), descobri que jogar arroz nos noivos é uma tradição muito antiga, iniciada há cerca de 4 mil anos (caramba... as pessoas já se casavam nessa época?!), na China (claro!). O arroz é símbolo de prosperidade, fertilidade, saúde, riqueza e felicidade. Assim, jogar arroz sobre os recém-casados atrairia essas bênçãos e toda sorte de energias positivas para a nova fase do casal. Além de ser um charme ver aquela chuvinha de grãozinhos ao final de cerimônia!

Entretanto... depois de 4 mil anos, decidiram proibir a prática. A explicação é que os pobres arrozinhos foram motivo de milhares de acidentes. Vejam só que injustiça! Até concordo que aqueles grãzinhos crus, em contato com o piso liso, somando-se isso aos sapatos de saltos das madrinhas e convidadas, é uma combinação perfeita para os mais variados tipos de estabacos: dos escorregõezinhos aos duplo-twist-carpados. Nem falo aqui de incidentes como grão de arroz ir parar no olho da noiva ou do noivo, ficando o álbum do casamento bem parecido com o do casamento do Conde Drácula. Ou, ainda, de penteados arrasados depois de a noiva sacolejar a cabeça tal qual uma metaleira enlouquecida na tentativa de tirar 5 quilos de camil da cabeça. Creio que o que motivou a proibição foram acidentes que fizeram com que ao invés de buzinaço, o barulho do carro que levaria os noivos seria o da sirene do SAMU! Será?!

Pensei em bancar a super rebelde e traficar uns saquinhos de arroz no dia da cerimônia, mas logo pensei no Murphy... já pensou se meus amigos recém-casados tivessem que passar a noite de núpcias na fila do raio-X?? Aff... desisti da ideia, mas... com uma dorzinha no coração! Afinal, a chuva de arroz é um clássico dos clássicos!!! Até estão tentando substituir o agulhinha por pétalas de flores, papel picado e até bolinhas de sabão (essa sim perigosa... imaginem uma porção de bolhas de sabão estourando na maquiagem da noiva e borrocando tudo!!!! de-sas-tre!), entretanto... nada, na minha opinião, ocuparia à altura a chuva de arroz! Aliás... será que ninguém pensou e chuva de sal grosso?? Sei lá, me ocorreu isso agora, afinal, mais do que prosperidade, fertilidade, saúde, riqueza e felicidade, um novo casal também precisa espantar os olhos gorduchos, heim?! Taí uma ideia!!!!

No casamento desses meus amigos o que houve foi uma chuva de aplausos no corredor polonês formados pelos padrinhos, pais e avós dos noivos. Em termos de energia positiva, equiparado, mas ainda me pergunto se não devia ter moquiado um quilinho de arroz para jogar nem que fosse dentro do carro dos noivos!!! hehehehehe Claro que não é isso que fará a felicidade do casal lindo e fofo que eu adoro, mas... estou com isso na cabeça e assim que eles voltarem da lua de mel... vou recebê-los no aeroporto com uma chuva de arroz... porém, só depois de entregar-lhes capacetes, joelheiras e cotoveleiras!!

Credo gente, esse mundo anda muito perigoso!

domingo, 15 de abril de 2012

Festa no Apê!



Não, não, senhoras e senhores... não estou a tentar resgatar aquele antigo (!) sucesso (?) do cantor (?!) Latino. O que será narrado a seguir se trata de causo baseado em fatos reais:



Era sábado à tarde quando o casal, feliz da vida simplesmente por ser um sábado à tarde, resolveu abrir uma garrafa de vinho para acompanhar uns queijinhos que estavam na geladeira e comemorar as coisas simples da vida.



Lá pela metade da garrafa, já se preparando para abrir a próxima, ela teve a ideia de chamar o casal de vizinhos do andar de baixo para acaompanhá-los no queijo (só tinha gouda!) e vinho (só merlot!). No elevador, ela encontrou o vizinho da frente:



- Vai lá em casa, estamos tomando um vinhozinho e comendo queijo!

- Eba! Vou sim, vou levar um vinho que tenho lá em casa e vejo se tenho alguma coisa para acompanhar!



Chegando no apartamento de baixo, blim-blom:



- Oi, vim chamar vocês para tomar um vinho lá em casa e comer um queijinho!

- Maravilha! Mas estamos esperando um amigo... vocês se importam se levarmos ele?

- Claro que não! Vão lá!

- Tá! Vou levar uns vinhos que estão na adega e vejo se tenho algum queijo para acompanhar!



Na volta para o apartamento, nas escadas, encontrou o vizinho de cima que descia:



- Oi! Faz tempo que não via você! Como vão as coisas?!

- Nossa... muitas coisas! Muitas novidades!

- Sério?! Faz assim: faz o que você tem que fazer e depois vai lá em casa... estamos tomando um vinho e beliscando um queijinho... Chama sua namorada. Estamos esperando!

- Beleza... só vou até o mercado comprar umas coisinhas e aproveito para comprar uns vinhos e uns queijos... na volta a gente passa lá!



De volta ao apartamento, o vizinho de baixo já havia chegado e trouxe outro amigo, que chegou de surpresa. Nesse caso, o marido resolveu ir até o mercado pegar mais uns vinhos. Na frente do prédio, encontrou o irmão, que chegava de surpresa com a cunhada e os dois filhos:



- Nossa, acertaram em cheio! Estamos tomando uns vinhos com uns amigos! Subam lá que eu já volto!



No mercado, encontrou o vizinho de cima:



- Ô, rapaz... tô comprando uns vinhos pra levar lá na sua casa... sua esposa acabou de chamar a gente pra colar lá!

- A gente?

- Eu e minha namorada... e... a irmã dela... que chegou sem avisar... algum problema se a gente levar ela?!

- Beleza, rapaz, mas não é nada demais... só um bate papo entre amigos... vim pegar mais uns vinhos e já volto lá!



Na fila do caixa, claro, não podia ser noutro dia: encontrou os caras da faculdade que não via há anos! Adivinha:



- Pô... cola lá em casa... a gente toma um vinho e coloca o papo em dia!



Eram 6!



Quando chegou em casa, encontrou a esposa tentando administrar o caos. O apartamento, de 35 metros quadrados, estava lotado. Já tinha gente com taça de vinho no banheiro, trocando altas ideias, sentado na pia, com o outro, sentado na beira do box! Na mesa da cozinha, mais garrafas de vinho do que muita adega por aí! Queijos de todas as qualidades. Na pequena sala, já não se via mais o sofá. Parecia a estação da Sé, às 6h da tarde. Do quarto, vinha o som: um dos vizinhos trouxe o violão... o que motivou o outro a pegar sua flauta... e quando se viu, havia uma roda de choro instaurada, mal acomodada, mas muito empolgada!



Interfone:


- Alô!

- Boa noite... é que tem um pessoal reclamando do barulho!

- Faz assim, o próximo que reclamar... manda pra cá pra comemor com a gente!

- Vou deixar o recado... tô largando do posto agora...

- Então sobe aqui, poxa!!! Comemora com a gente!



Pouco tempo depois, já era necessário organizar um rodízio para entrar no apartamento:



- Oi, que bom que vocês vieram... Mas deixa eu pedir uma coisinha... dá pra esperar um pouco?! Vocês estão no grupo 4, tá?!



A noite já ia alta quando resolveram pedir pizzas. Quando chegou:



- Ué! o dono da pizzaria entregando pizza?!

- É a última da noite... resolvi fazer eu mesmo, mas já tô indo pra casa!

- Fica aí, então, rapaz... estamos tomando um vinho... bom, na verdade a gente tá dando uma festa de arromba!!! Aproveita!

- Posso chamar minha namorada?!

- E não?! Claro que pode!

E assim, meio sem querer... acabaram dando uma mega festa para o prédio todo (e agregados!). Quem disse que em apartamento pequeno não é possível oferecer uma "recepçãozinha" vez ou outra?! É tudo uma questão de organização, oras! Apartamento de gente boa é assim: sempre cabe mais um (monte de gente boa!).



domingo, 8 de abril de 2012

Petit déjeuner très difficile



Em Paris, ao chegar no hotel (depois de vencer uma épica batalha logística com o senhor Charles De Gaule*), o mounsieur da recepção, antes de nos entregar a chave de nosso quarto, fez suas continhas e, para fechá-las, perguntou se gostaríamos de incluir o café da manhã nas diárias, sendo acrescido 6 euros por dia (cerca de R$ 18). A amiga que não come (!) foi rápida na resposta: "não!"; eu e a outra amiga, pensamos um pouquinho e, consultadas nossas ilusões mais românticas sobre Paris, imaginamos nosso petit déjeuner (café da manhã) num buffet francês, à moda (leia-se, à fartura) brasileira: "non, merci!".



Já passava das 22h quando conseguimos "ajeitar" (bem entre aspas, viu?!) nossas coisas no quarto para, então, sairmos para comer alguma coisa. Não ficamos exatamente em Paris, mas em Ille de France, bairro residencial. Lá fora, frio de freezer (não digo de congelador porque não estava nevando! mas podíamos ver a fumacinha branca rolando pelos ares... tal qual um freezer!). Andamos um, dois, três, quatro... um bilhão de quarteirões e... nada... nenhum restaurante aberto. Quando tudo parecia perdido, justamente a amiga que não come encontrou uma... adivinha... pizzaria aberta!! Nosso primeiro dia na França, depois de 7 na Itália, seria brindado com uma pizza preparada por um napolitano legítimo... todo simpatia! Pizza divina e maravilhosa.



No dia seguinte, acordamos cheias de disposição (ou quase isso) e nos pirulitamos para rua. Antes de qualquer coisa: café da manhã. E, juro, não sei porque cargas d'água, os caminhos resolveram brincar conosco!! Não sei o que acontece com aquele bairro, mas simplesmente não conseguíamos acertar um único caminho sequer!!!



Depois de rodar um bucado (no último dia nos demos conta de que tudo estava ao lado do hotel, mas por ironia de alguém, não se sabe quem, sempre andávamos quilômetros para encontrar um mercadinho que fosse!), encontramos um café que justificou toda aquela andança. O café da Bárbara e do Alexandre, onde tomamos o melhor café de todos, acompanhado de um pão divino! Ele todo encantado com o Brasil... conhece Trancoso (que custo dizer esse nome!) e está louco para voltar aos trópicos (aliás, diga-se de passagem: a cada 10 parisienses para quem dizíamos que éramos brasileiras, 5 dizia que quer conehcer e 5 dizia que quer morar aqui! très chic ser brasileiro na França, viu?!). Peninha que esse lugar fofo ficava no fim do arco-íris e, portanto, nos demais dias, não conseguimos tomar café por lá... sempre estava fechado... coisa muito estranha!



Estranhas, estranhas mesmo... são as padarias. Vejam só que coisa mais curiosa: nas padarias, vendem-se apenas, tão somente, não mais do que... pães! Então, de pão em punho, fomos à cata do café... encontrado... ah-rá... na tabacaria!



Uma verdadeira batalha que se tratava todas as manhãs em busca do petit déjeuner du matin. O mais bizarro nessa busca é o fato de que, talvez abestalhadas pela fome lancinante que já paralisava nossos vigorosos e engenhosos cérebros, não recorremos à mais óbvia e trivial das soluções: o café da manhã do hotel, poxa!!! Só no último dia, depois de quase perdermos o gosto pela vida, eu e a amiga, que também acorda tal qual um leão faminto, optamos pela mais racional das alternativas: o bom, pertinho, confortável, gostosinho e muito bem pago (senão quase de graça, tendo em vista que não há dinheiro que pague a Paz!) café da manhã do hotel.



Claro que teve toda a parte maravilhosa, indescritível, inacreditável, glamourosa e fantástica de Paris... mas abordar esse aspecto da Cidade Luz seria tão clichê... então, resolvi, para fechar essa minimicrotemporadinha na Europa falando da maior dificuldade enfrentada: a fome!!!!!!!!



Ah, sim... uma dica preciosa para quem vai à França e, assim como eu, é cheio de frescurinhas para comer: PAUL! Uma rede de lanchonetes (???) espalhadas por toda a Paris e que tem os lanches mais incríveis, saborosos, gigantescos e maravilhosos para encher a barriguinha durante suas andanças! Mais uma coisa: pelo amor de Deus Todo Poderoso... não arrede pé de Paris sem provar (apreciar, devorar) os macarrons... nuvens de amêndoa que derretem na boca!! E os chocolates... Lindt por todos os lados, chega a ser ordinário (e muito barato, importante dizer)! Hummm... olha eu aqui, falando de maravilhas... mas acho que Paris é isso, acho que todos que saem de lá já o fazem pensando na volta, como se fosse ali!

*o aeroporto cujos caminhos para sair deixam São Longuinho precisando de GPS!