segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Último de 2010


Um domingo seguidinho do Natal. Último domingo do ano. Problemas para o almoço?

- O que teremos para o almoço?

- Pensei em aproveitar o per...

- Epa, opa, epa, ê! Nem complete a palavra!

Todos fartos de peru, pois não?! Não só, mas também pernil, farofa, arroz com passas e tudo aquilo que ficou lotando as mesas durante a ceia e o almoço de Natal.

Isso sem contar que aqueles que prepararam todas aquelas delícias, não querem nem ouvir falar de cozinha.

O que fazer, então? Fácil: ir filar o almoço na casa de alguém.

- Já sei! Arrumem-se todos, vamos almoçar na casa da vó!

A vó, no entanto, vivida que só ela, não quis nem saber de cozinha e se pirulitou para casa do filho mais velho.

O filho mais velho, lembrando que tudo sempre sobra para ele, saiu de casa antes que alguém chegasse. Foram todos almoçar na casa da irmã mais nova.

A irmã mais nova, recém casadinha, tinha tanta habilidade na cozinha que ainda nem tirara o fogão da embalagem. Tomou café numa padaria e, junto com o maridinho, foram para a casa do irmão do meio.

Irmão do meio, sabem como é: aguenta tudo de um lado e de outro. Não dessa vez. Sabendo disso, mais do que depressa, enfiou a família no carro e correram todos para a casa da mãe dela.

A mãe até ensaiou preparar um macarronada, mas o dia não estava com cara de domingo. Então decidiu que nem entraria na cozinha. Saiu, junto com o marido, para almoçar na casa da irmã.

A irmã, que era solteira, não tinha filhos nem gatos, sentindo-se deprimida, optou por passar as festas num retiro espiritual.

Resultado? Bateram todos com seus narizes nas portas. Acabaram, coincidentemente, encontrando-se no Mc Donalds. No mesmo Mc Donalds! E pronto... família reunida de novo, um domingo com cara de domingo... ou quase isso!

*

Espero que o Natal de todos tenha sido fantástico!

*

Esse é o último post de 2010. Não sei quanto a vocês, mas para mim foi um ano incrível, de grandes emoções (no melhor estilo montanha russa sem cinto de segurança!!!). Muito obrigada a todos que passaram, ainda que silenciosamente, por aqui ao longo desse ano. Um agradecimento especial àqueles que deixaram seus comentários aqui ou mandaram e-mails super carinhosos: vocês são demais!

Sei que aquilo que escrevo aqui não irá mudar o mundo. São apenas pequenas bobagens, mas o que seria da vida não fossem os momentos que paramos para reparar nessas bobagenzinhas que deixam a vida mais leve, mais simples, mais colorida?

Taí, esses são meus votos: que a vida de todos, não apenas em 2011, seja leve, simples e colorida!

Nos vemos em 2011!

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Ideias de verão


- Buff...

- Que foi?

- Esse calor!

- Que que tem?!

- Tá quente demais!

- Fazer o quê?!

- Sei lá, só sei que eu tô derrentendo...

- Sorvetinho agora, heim?!

- Pensei numa cervejinha trincando...

- Humm... boa! Um sorvete de cerveja!

- E existe?

- Não, mas deveria!

- Por que ninguém pensou nisso?

- Como assim ninguém?! Eu acabei de pensar!

- Eeeeeeeeeeeee...

- E que eu não tenho fábrica de sorvete, nem de cerveja!

- Ow... então liga pra uma das duas e dá essa ideia!

- Boa!

(algum tempo e ligações depois)

- E aí?!

- Ah, anotaram minha sugestão...

- Eeeeeeeeeeeee...

- E agora é só esperar!

- Quanto tempo?!

- Sei lá, cara!

- Aaaaah... tô precisando pra agora!

- Pra agora, agora, agora... a gente pode descer lá na padoca e misturar uma cerveja no sorvete...

- Afff... qualquer coisa que faça esse calor passar!

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Por uma vida de migalhas

- As coisas estão muito mudadas! – disse balançando a pequena cabeça inconformadamente.

- Sim! Sim! Dá só uma olhada nisso – fazendo um gesto amplo, tentando mostrar quão diversa era a paisagem atual.

- Não é querendo ser saudosista, mas a vida antigamente não era assim, não.

- Meu pai conta que na época dele de jovenzinho, ele vivia de barriguinha cheia... e com comida de primeira, viu?! Migalhas de boa origem!

- Então, rapaz, é disso que eu estou falando! Antigamente, o pessoal trazia migalhas especialmente para nos oferecer. Havia fartura! Hoje em dia é só o que cai da mão de alguém eolha lá!

- Pois é! O que aconteceu com os aposentados generosos?! Aliás, eles mal aparecem nas praças!

- É a violência! Sentar em banco de praça se tornou atividade de risco.

- Sim, sim! E os poucos que aparecem oferecem cada coisa. Quem foi que disse que a gente gosta de salgadinho moído?! Aquilo é pura gordura trans, amigo. Sinto minhas artérias entupirem na hora.

- Não se oferta mais migalhas de pão?

- E pior, quando uma mão generosa resolve lançar as migalhas ao chão, temos que sair na asa com os outros pra conseguir dar umas bicadinhas.

- É muito bico pra pouca migalha, meu velho!

- Pior, quando cai todo mundo em cima das migalhas, ainda vem um doido espantando a rapaziada dizendo que a gente é tudo sujo que transmite doenças. E eles são muito limpos, por acaso?! A gente é que deveria ter nojo de comer as migalhas do chão por onde passam tantos sapatos sujos!

- É verdade. Mas você está pensando em fazer o quê?!

- Olha, estou querendo largar isso, rapaz! Estou querendo me mudar para o interior. Essa vida de pombo urbano já me cansou.

- Ah, sei lá, viu?! Cidade do interior tem pouco pombo, mas tem muito pardal, sabiá, tico-tico, não sei se tenho paciência para todos esses sotaques esquisitos.

- Que nada! Você se acostuma, sem contar que lá, além de ainda haver praças com fartura de aposentados com o velho hábito de levar sacos de migalhas pra distribuir, ainda tem as frutas nas árvores para sobremesa! Lá ainda se leva vida de rei!

- Ainda assim...

- Que que é isso, cara?! Pensa no saborzinho das migalhas de pão caseiro, nas de biscoito de polvilho e nas frutinhas... pensa nas frutinhas frescas!

- Tem jabuticaba?

- Opa! Tem um primo meu morando num pé de jabuticaba.

- Cara, adoro jabuticaba! Estou convencido, vou com você.

- Maravilha! Tem um ônibus saindo daqui 20 minutos da Rodoviária do Tietê.

- Pensei que a gente ia voando...

- E desde quando pombo urbano voa para longe?!

- Ah, é! Isso é coisa do tempo do meu avô.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Top 5 - Eê... mandingas na cozinha

1ª ovo – desde criancinha ouço dizer que para que não chova é preciso jogar claras de ovo em cima do telhado. Confesso que nunca tentei, mas muitas noivas por aí devem ter feito essa mandinguinha simples que não requer prática, tampouco habilidade. Dia desses aprendi uma ‘simpatia’ nova, que utiliza o mesmo princípio ativo e visa o mesmo resultado: para que não chova, basta colocar um ovo em cima do muro. Acho que São Pedro fica tão maravilhado com um ovo equilibrando-se sobre um muro que se esquece de mandar água de lá de cima. Só pode!

2ª sal – Caso esteja muito complicado equilibrar um ovo ou não se queira fazer uma meleca no telhado, mas, ainda assim, você queira que não chova, recentemente aprendi uma nova mandinga em prol da estiagem: basta fazer um círculo no quintal utilizando sal! Além desse fim, não é de hoje que reparo que muita gente tem o hábito de, ao sentar-se à mesa, salpicar um punhadinho de sal na mão direita e, sobre o ombro esquerdo, lançar o tal punhadinho para trás. Pra quê? Dizem que é para afastar a inveja. Se afasta não sei, mas, no mínimo, ela fica mais temperadinha!

3ª pimenta – e por falar em inveja, caso o sal não tenha resolvido, o jeito é apelar para algo, literalmente, mais forte. Tenho pra mim que a pimenta nasceu para mandinga e acabou sendo desviada para tempero! Inclusive tem gente que leva isso muita sério: uma amiga contou que, certa vez, usando o molho de pimenta que tinha na geladeira, ela reparou num elemento estranho dentro do frasco. Quando abriu, puxou de lá de dentro um pequeno pedaço de papel com um nome escrito nele. Eê! Espantada, chamou a empregada que, na maior naturalidade disse que era o nome de uma vizinha que andava botando olho grande na vida dela. Na falta de um frasco de pimenta na própria casa, achou que não haveria mal algum em usar a pimenta da patroa!


4ª pipoca – falando em reaproveitamento... uma outra amiga contou que numa ida ao cinema viveu uma experiência interessante. Lá pelo meio do filme, que era muito ruim, a plateia, numa manifestação coletiva, rebelou-se e começou uma guerra de pipoca. Foi chuva de pipoca pra todo lado. Ao invés de se revoltar, essa amiga encarou o lado positivo do fato: assistiu a meio filme e ainda tomou um passe! Gente otimista é outra coisa. Dizem que o efeito da pipoca é fartura, só não sei se, ao invés de jogar pelo corpo em forma de banho, a pessoa que as come obtém o mesmo resultado. Será?

5ª galinha – ao contrário das anteriores que são todas mandinguinhas leves, as que levam galinha em sua lista de ingredientes são barra pesada. Geralmente, mandinga com galinha (galinha preta!) envolve despacho e encruzilhada. Afff, coisa braba. Fico com dó das pobres galinhazinhas que, sabendo de seu invariável trágico fim, torcem pelo menos pior: ‘Tomara que eu vire ensopado e não despacho!’. Nesse caso, a panela é melhor destino do que a cumbuca de barro, né não?!

domingo, 28 de novembro de 2010

O último pedaço

- Simplesmente delicioso! - eis a ideia que domina o pensamento de todos na festa.

Isso porque, de fato, o bolo, generosamente, distribuído entre os convidados, materializava a perfeição. A combinação de sabores, as texturas, o aroma, a leveza, tudo estava em perfeito equilíbrio.

Um bolo que ninguém ali poderia esquecer. Um bolo memorável. Um bolo que fez valer a quebra da dieta. Um bolo para contar para os amigos. Um bolo para... repetir!

- Preciso de mais um pedaço! - eis a ideia imediatamente posterior à conclusão de que aquele era o bolo mais perfeito que já fora provado.

Ninguém mais conversa. Todos na festa estão absortos. Na verdade, um único pensamento está na mente de todos, uma ideia fixa: comer mais um pedaço daquela delícia.

Ao fundo, a música toca solitária. Embora a mesa do bolo esteja um pouco distante, ninguém se mexe. Ninguém caminha em sua direção. Todos estão paralisados. Se o pensamento de cada um fosse verbalizado ao mesmo tempo, em uníssino, ouvir-se-ia: 'Preciso de mais um pedaço!'.

Numa fração de segundo, porém, todos se dão conta de que o pedaço que receberam havia sido enorme, portanto, depois de servir toda aquela gente, não restaria muito mais para uma repetição. Se (se) houver algum pedaço ainda.

Num sincronismo perfeito, todos os olhares voltaram-se para a mesa do bolo. Lá estava ele, solitário, sentindo-se, até então, despresado, largado, abandonado: o último pedaço de bolo. Mal poderia imaginar que passou a ser, naquele preciso momento, o mais cobiçado de todos.

A boa educação, todavia, ainda se fazia presente e, por mais que quisessem avançar naquele inocente pedaço de bolo tal qual animais famintos e vorazes, todos permaneciam imóveis. Sabiam, no fundo, que o mínimo movimento de um desencaderiaria a imediata reação de todos os outros.

Por alguns instantes podia-se ouvir os acelerados corações, o brotar da saliva, a adrenalina. Mas era só, pois ninguém se movia. Ninguém nem ao menos se entreolhava. Havia uma única direção para todos os olhares: o último pedaço de bolo.

De repente, vinda de onde ninguém viu, a mais veloz mão de que se tem notícia, num movimento único, rápido, preciso lança uma tupperware sobre a fatia de bolo e, antes mesmo que qualquer um pudesse processar o que estava acontecendo, percebendo o olhar de todos, a senhorinha diz:

- Vou levar esse restinho pra minha cachorrinha que adora um docinho!

Ninguém acreditou. Era óbvio que aquela velha comeria, escondida de todos, o último pedaço de bolo da festa.

*

Não sei quanto a vocês, mas na minha opinião, o último pedaço é sempre o mais gostoso de todos!


domingo, 21 de novembro de 2010

O primeiro pedaço


Convenhamos, o primeiro pedaço de qualquer coisa que seja dividida entre várias pessoas gera uma certa ansiedade tanto naqueles que esperam recebê-lo, quanto àqueles que irão ofertá-lo, ou vocês nunca botaram reparo nisso antes?!

Vejam bem, num aniverário, por exemplo, depois dos calorosos 'ra-tim-buns' e do sopro para apagar a vela, é chegada a hora de cortar o bolo. Logo após os 'flash-flash-flashs', cabe ao aniversariante ofertar o primeiro pedaço de bolo. Eis a dúvida: quem é a pessoa mais especial dentre os convidados?!

Se há apenas uma criança, fica mais fácil: 'O primeiro pedaço vai pro menininho porque ele é criança!'. Mas e se existe uma pequena tropinha de olhos grandes a almejar o primeiro pedaço?!

Da mesma forma, se a vó está na festa, a desculpa é ótima também: 'O primeiro pedaço vai pra vó... em respeito aos mais idosos!'. Mas e se o vô está na desta também?! Mais complicado ainda, as duas vós e os dois vôs! Sorteio?!

Se escolher o namorado (a), marido (esposa), o pai e/ou a mãe vai (vão) ficar com ciúme. Se é a mãe a aniversariante, sorte terá se for mãe de filho único, do contrário, um episódio desses pode ressuscitar velhas mágoas sobre pedrileções e tal e tal. Se der para o filho, periga da nora já começar a praguejar. Se der para a nora, periga do restante da festa achar a aniversariante faaaaalsa. Pura maldade, né não?!

O fato da festa não ser comemorada em família não torna a oferta do primeiro pedaço mais fácil. Dentre amigos, como escolher o mais especial. Aquele que é o mais digno de tamanha honraria?!

E no trabalho, então?! Se você é o subordinado, ficará na dúvida cruel se entrega o primeiro pedoço ao chefe e passa por puxa-saco ou não dá o primeiro pedaço a ele e fica sem critério algum para escolher dentre os colegas. Se for o chefe, corre-se o risco de provocar uma ciumeira geral, quiçá uma greve! Vai arriscar?!

Boa solução encontrou uma amiga minha que, diante do marido, dos filhos, genros, noras, netos e amigos escolheu a pessoa mais importante da sua vida para entregar o primeiro pedaço de seu bolo de aniversário: ela mesma!

- Se eu não me amar primeiro, como as outras pessoas irão me amar?!

Sábia decisão!

domingo, 14 de novembro de 2010

À moda do chef (sempre!)


Recentemente assisti ao filme Sem Reserva. A história é meio bobinha, mas tem uma cena ótima. Catherine Zeta-Jones, a personagem principal, é uma conceituada e geniosa chef, Kate e acontece uma porção de coisas (uau, que boa sinopse, heim?! deviam me contratar!!! kkkk).

Na verdade, o que interessa é a tal ótima cena quando, depois de receber duas queixas de um cliente que insistia em dizer que o filé (sangrento) não estava mal-passado, ela, após enviar filés cada vez mais sanguinolentos, com a fúria nos olhos, adentra o salão com um filé completamente cru espetado num garfão e o finca na mesa do tal cliente enquanto ironicamente pergunta: 'Está bom agora?'. Yeeees!

Esse tipo de situação, clientes dando pitaco na receita do chef, deve acontecer com frequência e também com frequência a maioria deles deve se irritar deveras com o 'desaforo'. O cliente, provavelmente, pagando caro, sente-se no direito de querer a comida ao seu gosto. Por outro lado, o chef que, naturalmente, não chegou ao posto gratuitamente, sente-se no dever de seguir sua receita.

Nada de anormal quando estamos falando de grandes restaurantes e de grandes chefs, pois não?! Pois é. Estranho mesmo foi o que aconteceu com um amigo de de uma amiga minha. Vejam que curioso:

Certo dia, o amigo, ainda adolescente, por questões orçamentárias, decidiu almoçar no Habib's. Diante de tão sucolentas opções, escolheu esfirras de carne. Pediu. Pouco temo depois, lá estavam elas, prontas para serem degustadas. À primeira mordida, porém, o amigo notou que o recheio estava demasiado rubro: 'Essa essa p**** tá crua' pensou consigo mesmo.

Decidiu queixar-se com a chef - no caso, a atendente no balcão. Ela, entretanto, diante de tão indignada reclamação enfureceu-se, arrancou a esfirra mordida da mão do amigo, lançou-a no forno e deixou a bichinha a um segundo de ficar completamente carbonizada. Então, pegou a tal esfirra - repito... mordida - e, com a mesma fúria nos olhos usada por senhora Zeta-Jones, voltou ao balcão, enfiou a esfirra - enfatizo... mordida - no nariz do amigo e perguntou 'Está boa agora?'.

Notaram a semelhança?
Resumindo: a tal moçoila sentiu-se a própria chef 3 estrelas com direito a ficar ofendidíssima pelo fato do cliente não estar satisfeito com a esfirra à moda carne crua! Depois disso, traumatizado e humilhado, ele, o amigo da minha amiga, nunca mais reclamou de naaaaaada. Se a salada vier com um bigatinho, ele afasta o bichinho pro lado e continua comendo... vai saber se não faz parte da receita do chef!!

À que conclusão se pode chegar?! Chef é chef, ainda que apenas pensem que sejam, logo, a comida sai sempre à sua moda... sempre, sempre mesmo... ou quase isso.

domingo, 7 de novembro de 2010

Cuidado com essa bolacha: ela pode viciar!



Veem esse inocente pacotinho aí da foto?! Trata-se da melhor bolacha que existe: Piraquê de leite maltado.
Há algumas peculiaridades que a tornam espacial. A primeira delas é uma certa dificuldade para encontrá-la. Geralmente, o pacote amarelo fica escondidinho entre as 58968748950945634736 opções de bolacha nos supermercados, quase engolido pelas grandes marcas como Nestlé e Tostines (que na verdade, com perdão do trocadilho, ambas as marcas são farinha do mesmo saco). Além disso, essa bolachinha não é o 'modelo' mais conhecido da marca ( a Piraquê cream cracker com gergelim é mais comum), então, quando se encontra, é melhor garantir uns 2 ou 3 pacotes de uma vez!
Já de posse do pacote (que, aliás, diga-se de passagem é uma graça com aquelas vaquinhas circundando-o, heim?! Foge um pouco do padrão de outras embalagens), ao abri-lo, sobe um aroma delicioso de baunilha, mas numa fragância diferente, que instiga o paladar.
À primeira mordida já é possível perceber que se trata de algo diferente. Uma crocância-macia (!), algo que derrete na boca, mas ao mesmo tempo faz croc-croc. Sensação curiosa.
Numa descrição muito sofisticada, poder-se-ia dizer que seu final revela um adocicado aveludado, embora sutilmente ácido. Numa descrição mais ojetiva, eu diria que depois de mastigar e engolir, você vai querer colocar, imediatamente, mais uma bolacha na boca, uma a uma, até ver o pacote vazio.
Acompanha muito bem aquele café quentinho, mas, também vai muito bem pura, assim, pra matar aquela fominha besta entre refeições. Querendo abusar da gostosura, recomendo fazer um sanduichinho colocando doce de leite no meio. Noooooooossa, um verdadeiro acinte!
A única contra-indicação ao produto é o vício que ele pode causar. Sim, depois de provar, 9 entre 10 amigos para quem ofereci, estão completamente viciados nessa bolachinha! Mas, querem saber?! Vale a pena: é uma delícia!!!!!

domingo, 31 de outubro de 2010

Preguiça



- O que você está pensando para o almoço?

- Na verdade ainda não estou pensando porque ainda nem acordei direito.

- É que eu sonhei que estava comendo uma lazanha incrível, daquelas com 20 camadas, com queijo borbulhando, molho escorrendo... uma indecência!

- Hummm... parece que seu sonho foi bem quente essa noite, heim?!

- Nossa, nem me fale, acho até que engordei uns 2 quilos. Foi realmente um sonho sucolento. Acordei com vontade.

- Acho uma boa pedida para o almoço!

- Maravilha! Quando estiver pronta me avise.

- Pronta para irmos ao super comprar os ingredientes?

- Não! Quando minha lazanha estiver pronta me avise!!

- Hummm, que bonitinho! E já que você tocou no assunto e fez tanta questão de enfatizar que se trata da suuuuuua lazanha... que tal você mesmo colocar a mão na massa? Adoooooooooooooro sua comida!

- Seria um prazer, mas a lazanha do meu sonho tinha sido preparada por você, então...

- Então era um sonho mesmo!

- Ah, vai... não seja ranzinza... você adora cozinhar...

- Adoro cozinhar ao lado de um ajudante tipo... você!

- Ai, mas lazanha dá tanto trabalho... são tantas etapas, tantos ingredinetes, tanta louça suja...

- Você tem razão! Você tem toda razão: realmente lazanha é um prato muito trabalhoso... esquece a lazanha. Vamos almoçar miojo, que suja só uma panela!!

- Ah, mas e meu sonho?!

- Vira para o lado, dorme de novo e sonha de novo.

- Ou...

- Ou o quê?!

- Tomamos café, nos arrumamos e vamos almoçar na minha mãe!

- Aiiiii, ótima ideia. Isso sim é um sonho, amor! Fechado.

- Vou ligar avisando que vamos almoçar lá... Mããããe, sonhei com a sua lazanha essa noite...

- Hey, a lazanha não era minha?!

- xiiiiiiiiu, tá a fim de cozinhar?! ...ééééé mãe, aquela sua maravilhooooosa...

*

Domingo dá uma preguiiiiiiiça na gente, né?!

domingo, 24 de outubro de 2010

Sonho



Sonho é fonte inesgotável de histórias. Estou, evidentemente, referindo-me às manifestações psíquicas do subconsciente e não ao pãozinho doce com creme dentro (...embora fosse mais óbvio falar do segundo tipo aqui no blog, não?!).

Ainda que haja aqueles que digam que têm uma mandinguinha infalível para sonhar com aquilo que deseja, o mais provável é que, quando se fecham os olhos e embarca-se no mundo de Morfeu, o subconsciente assume o comando e vê-se livre para manifestar os mais inacreditáveis roteiros.

Qual o motivo desse preâmbulo todo?! Falar de um tipo específico de sonho: os sonhos com comida! Atire o primeiro travesseiro aquele que nunca sonhou que estava se refestelando num banquete de guloseimas.

Curioso é que não costuma ser padrão a ligação do subconsciente com a memória do paladar. Às vezes, mesmo devorando um lindo e apetitoso bolo, o sonhador não sente gosto de absolutamente nada: isopor total! Por outro lado, o sonhador pode estar comendo algo que, digamos, não costuma fazer parte do seu cardápio, mas ali, naquele momento, a iguaria é a mais deliciosa que pode existir. Pode-se, ainda, sonhar com algum prato delicioso e o sonhador acordar salivando de vontade de comer o mesmo na vida real. Ou, pior, sonhar que está comendo uma coisa que detesta, com direito a sentir sabor ruim e acordar sentindo enjoos. Argh! Já tive desse último tipo com feijão... um pesadelo!

O bom de tudo é que, quando se sonha que está comendo uma montanha de brigadeiro, por exemplo, o sonhador acorda sem estar pesando um graminha a mais se quer. Um sonho, mesmo, não?!!

Quanto aos significados, só Freud para chegar a uma conclusão. Os dicionários de sonho tentam, mas não creio que sejam capazes de explicar toooodos os sonhos, afinal, sonhar com feijão pode ter um significado pra mim (que detesto) diferente do que pode ter para outro alguém (que adora). Independentemente das explicações acadêmicas ou místicas, é sempre interessante tentar descobrir o motivo daquele prato, iguaria, guloseima... aparecer no sonho.

Hoje, após minha sonequinha dominical depois do almoço, lembrei que sonhei com uma mesa coberta com os mais variados tipos de pão... inclusive tinha uma espécie de rocambole, mas com massa de pão, recheado com doce de leite... hummm... esse me deu água na boca! Por que eu não devorei ele todo??! O dicionário de sonhos diz que pão é sinal de fartura. Oba! Mas acho mais provável que tenha sido uma bronquinha do meu subconsciente já que faz tempo que não faço pão caseiro. Aquele recheado meu deu uma boa ideia.

Taí, uma boa função para os sonhos e estimular o sonhador a transformar os bons sonhos em realidade. Começar pela cozinha é mais fácil, mas, para um bom sonhador, nem a realidade é um limite!

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Como nasceu a omelete



Era uma vez, num tempo que só existiam os suflês, uma prestimosa rainha dona de palácio fazia questão de cuidar pessoalmente do preparo de todas as refeições de sua família.


Todos os dias, separava e preparava com todo zelo e amor cada um dos 25 pratos que forravam a imensa mesa da imensa sala de refeições do imenso palácio. Fazia isso com prazer, afinal, era o que seu marido, seus 4 filhos, as damas de companhia, os ministros, os conselheiros, o mago-feiticeiro e os 2 bobos da corte comeriam.


A iguaria que mais gostava de preparar era suflê. Mesmo naqueles longínquos tempos quando a batedeira elétrica ainda não havia sido inventada (nem mesmo a energia elétrica, diga-se de passagem). Ela passava horas fazendo claras em neve com seu fuet real (corpo de ouro e cabo cravejado de pedras preciosas... um luxo!). Tinha o braço direito de um lutador de vale tudo.


Quando colocava o suflê para assar, num forno à lenha desenvolvido pelo mais famoso engenheiro de fornos à lenha de todo o reino, ninguém podia se aproximar, afinal, não é de hoje que os suflês são criaturinhas sensíveis capazes de desmilinguir com um simples olhar. Naquele dia, porém...


Lá estava ela, à beira de uma cãimbra, depois de bater 20 claras em neve, quando o rei entre na cozinha, com a cara real mais deslavada do reino, dizendo que trouxe uns amigos reais para o jantar. Ela, que estava na TPM (sim, esse demônio existe desde os mais remotos tempos), ficou enfurecida, afinal, não havia se preparado para receber visitas, não sabia se haveria comida para todos.


Às pressas, resolveu fazer mais uns 4 ou 5 suflês. Mas, assim, na correria, lógico que não ficariam bons, pois não?! Ela, no entanto, acreditava que sim. Mandou as mucamas trazer mais 40 ovos, nem que tivessem que tirá-los de dentro das galinhas. Separando os demais ingredientes, teve uma ideia genial.


Já de posse dos 40 ovos, decidiu radicalizar: não separou as claras das gemas, colocou todos os ingredientes junto, bateu tudo vigorosamente, jogou numa forma e colocou no forno. Alguns minutos depois, sua esperança de que aquilo, magicamente, tivesse virado um fofo suflê, foi-se embora. Ao abrir o forno, percebeu que tinha diante de seus olhos uma coisa murcha e amarelada. Quase chorou, mas sabia que, como rainha, não podia esmorecer, além disso, não havia tempo para refazer tudo. Mandou servir aquilo mesmo.


Qual não foi sua surpresa ao perceber que todos amaram aquele novo prato! Foi, inclusive, o primeiro a acabar. No final, todos queriam saber o que era aquela coisa maravilhosa, então, ela, em meio à pressão, inventou um nome qualquer: ‘ovo em leite’ que, pela ação do uso e dos metaplasmos**, acabou virando ‘omelete’.


E foi assim que nasceu a omelete, fruto de um suflê que não deu certo.



* puuuuura ficção, tirada da minha mente insana, não acreditem em nada disso, certo?!


**rá-rá, só sabe o que são metaplasmos quem estudou Filologia Românica!!


domingo, 10 de outubro de 2010

Dia das Crianças


Dia desses algumas amigas conversavam e ouviram espantadas quando uma delas disse que seu sobrinho de apenas 1 ano e meio bebia animadamente um copo de Schweppes e fez cara feia quando lhe deram água.

Eu fui uma das que ficaram espantadas. Mas, depois, pensando no assunto, vamos combinar uma coisa: refrigerante sempre foi mais gostoso do que água, pois não?! A questão nem é o que é mais saudável, mas sim aquilo que é mais gostoso, saboroso, divertido... tudo que criança gosta!!


Lembro que quando era criança, refrigerante só entrava na minha casa uma vez por semana, apenas aos domingos. Era dia especial, de família reunida, de comida caprichada e ela, a garrafa de refrigerante, no meio da mesa.


Era tão saboroso. Não sei se porque sabia que só o tomaria refri de novo na semana seguinte, porque não havia preocupação alguma com excesso de açúcar, ou simplesmente porque era gostoso mesmo. Fato é que tomar aquele copão de refrigerante depois do almoço era o maior estímulo para limpar o prato, afinal, como toda mãe, a minha também era adepta da chantagem ‘se-não-comer-tudo-não-tem-refrigerante’. Funcionava!


E hoje? Outros tempos. Há centenas de opções de marcas, sabores, tamanhos e preços de refrigerante. Acessível a qualquer pessoa que tenha pelo menos R$ 1 no bolso. Dependendo da escolha, é mais barata uma garrafa de refrigerante do que uma de água! Além disso, e, em consequência disso, há também a preocupação com o excesso de açúcar, de sódio, de corante... e com basicamente tudo que compõe o refrigerante.


Parece que de uma hora pra outra tudo que era bom virou veneno!! Claro que são outros tempos... mais sedentários, tempos de menos atividades físicas e maiores confortos, mas fico sempre chocada quando percebo que hoje existe um controle tão grande em torno da alimentação que tudo aquilo que não é integral ou light ou saudável é, necessariamente, um veneno que deve ser mantido longe do alcance das crianças.


Pobres crianças essas do século XXI! Será que nunca vão comer açúcar no pote (!) ou tomar leite condensado por um furinho na lata sem que os pais passem por criminosos?!


Nãããoooo, não, não... não estou aqui incentivando maus hábitos alimentares, longe disso, sou uma entusiasta e praticante convicta da alimentação saudável, mas estou tentando chamar atenção para o equilíbrio... incluindo, inclusive, alimentos não tão saudáveis assim nos cardápios. Do contrário, chegará o tempo que as crianças vão passar sua infância sem saber o que é batata frita, suspiro, pão branco e... refrigerante!


Com papai e mamãe por perto, controlando as quantidades e ensinando o que é bom, no final, acaba dando tudo certo!! Estou eu aqui para provar, afinal, fui uma dessas que preferia refrigerante à água, batata frita à cozida, salgadinho à comida, brigadeiro às frutas, mas esse tempo passou e eu sobrevivi. Mais importante do que proibir as bobagens é os pais estarem sempre por perto para controlar os excessos e equilibrar com o que é saudável. Ensinar o equilíbrio evita que os extremos venham à tona.


Feliz dia das crianças... com direito a bala, refrigerante e salgadinho... só hoje, vai!!

domingo, 3 de outubro de 2010

Uma lição que deve ser aprendida


- O que você está comendo?

- Chocolate!

- Hummm... me dá um pedaço?!

- Não.

- O que?!

- Nããããããão.

- Por quê?!

- Eu é que pergunto 'por quê?'

- Por que o quê?

- Por que você está me pedindo um pedaço do meu chocolate?

- Porque eu fiquei com vontade, oras!

- Então vai comprar um pra você!

- Ah! Mas eu não quero um inteiro, eu quero só um pedacinho...

- Então compra um inteiro, tira seu 'pedacinho' e me dá o resto!

- Deixa de ser egoísta e me dá uma lasca desse chocolate...

- Escuta aqui... você me ouviu oferecer meu chocolate?

- Não, por isso eu pedi.

- Vê se aprende de uma vez por todas: não se ofecere chocolate. Se, por um grande acaso da diplomacia, algum dia, uma pessoa, por mero protocolo, oferecer seu chocolate, seja mais diplomático ainda e não aceite! Simplesmente porque o oferecimento não foi de coração, entende?! Mais: se você vir alguém comendo chocolate, se toca e não peça! Chocolate não se divide.

- Você sabe que eu não me conformo com essa sua visão egoísta, né?! Cadê seu espírito cristão?

- Ah, não! Não coloca Cristo nessa história. Mas já que você tocou no assunto, por um acaso, a Bíblia diz que Cristo dividiu chocolate com os doooooze Apóstolos?! Nããããão! Ele dividiu pão! Pão. E sabe o porquê?! PORQUE CHOCOLATE NÃO SE DIVIDE! Até Cristo sabia disso. Embora, devo confessar que consideraria muito mais milagrosa a multiplicação do chocolate, ao invés do pão... Enfim... sabemos que não foi isso que aconteceu...

- Affff... já vai apelar?!

- Apelando está você me fazendo esse pedido estapafúrdio... e sai logo daqui, você está roubando o prazer do momento...

- Eu não acredito que você está me trocando por um chocolate!

- (...)

- Um chocolate vale mais do que minha companhia?! - com lágrimas nos olhos

- ...ai, desculpa, exagerei, né?! Vem cá, fica aqui comigo... quer um pedaço?!

- (sniiiff)... quero!

- AAAAAH, VOCÊ NÃO APRENDE NUNCA?! O QUE FOI QUE EU ACABEI DE FALAR?!


Moral da história: se alguém , por educação, oferecer seu chocolate, seja mais educado ainda e não aceite!

PS: se o dono do chocolate em questão for uma mulher na TPM, além de não aceitar, dê-lhe mais um!

domingo, 26 de setembro de 2010

Top 5 - 'Foi alguma coisa que eu comi'

1º a desculpa coringa – segunda-feira chuvosa, frio de rachar os ossos. Junte-se a isso um final de semana exaustivo de festas e diversão. Quando o despertador toca, o sono não dá a menor pinta de que vai embora tão cedo. Você luta contra Morfeu, até que um lapso de lucidez o domina e vem a mente uma ideia genial ‘Vou ligar para o chefe e dizer que não estou bem’, plano perfeito! Mas... e se ele perguntar o que você tem?! ‘Não estou me sentindo bem... acho que foi alguma coisa que eu comi’;

2º boa desculpa, mas não dura muito – de repente, uma mulher começa a ficar meio verde, sente uma tontura e corre para o banheiro... sim, o sistema digestivo resolveu fazer seu trabalho de maneira inversa. Meio constrangida, tentando se recompor, ela avisa a todos que está melhor, foi um enjoo passageiro e, para que as dúvidas/fofocas sejam mantidas bem longe, pelo menos por um tempo: ‘Foi alguma coisa que eu comi... já vai passar’. Hummm... em nove meses passa;

3º assim... do nada – no provador de uma loja de roupas, de repente a vendedora abre a cortina e pega você no flagra tentando fechar, a todo custo, o zíper daquela calça 36. Depois de ela oferecer a 40, você, com um sorriso meio amarelo diz que deu ‘uma inchadinha, assim, do nada... foi alguma coisa que eu comi’... ah tá, a gente acredita!

4º assim... um milagre – ai, ai... a inveja! Depois de malhar por meses, durante 2 horas, 5 dias por semana, você está com aquele corpinho que sempre desejou. Então, as amigas ficam todas doidas, enlouquecidas querendo saber qual a dieta que você fez, qual o cirurgião que a esculpiu e você, com seu melhor ar blasé, diz: ‘ah, você acham? Na verdade não fiz nada... deve ter sido alguma coisa que eu comi...’ Ah, tá, a gente acredita!

5º só pode ter sido você – no elevador, só você e outra pessoa, de repente, um odor desagradável. Você sabe que não foi o outro, ou seja, só pode ter sido você. O silêncio ajuda nesses momentos, mas, às vezes, dizer algo é quase uma obrigação, então, só resta: ‘desculpe-me, acho que foi alguma coisa que eu comi... ’.

domingo, 19 de setembro de 2010

Convite para o almoço na casa de estranhos?! Corra.


Ah, os riscos que um inocente convite para o almoço pode esconder! Quem nunca se viu numa tremenda roubada depois de, delicadamente, aceitar a oferta de uma refeição na casa de um 'desconhecido'?


Se o anfitrião for conhecido/ íntimo é possível, sendo o caso, ter uma noção do que o aguarda. Portanto, ainda que não se possa ter certeza absoluta de que o que o aguarda nas panelas seja de seu estrito agrado, você poderá, valendo-se da boa amizade e do bom eufemismo, dizer que ‘Poxa vida! Fica pra uma próxima’.


No entanto, quando aquele que faz o convite não pertence ao seu círculo de íntimo convívio e, mais, sua relação com o referido sujeito precisa, necessariamente, ser regida pela política-da-boa-vizinhança, daí, meu caro... lascou!


Receber um convite desses significa risco total. É como se jogar no vazio sem para-quedas, descer a serra num fusca sem freio, aceitar conhecer aquela pessoa blaster-linda da foto do Orkut, ou seja, não dá para prever o que irá acontecer. Pode ser que depois da queda livre um colchão fofo o aguarde, air-bags pulem (milagrosamente) do painel no momento da batida ou a pessoa que o espera logo ali seja, de fato, a cara do Brad Pitt/Angelina Jolie (conforme o caso), resumindo: pode ser que a refeição seja uma bela surpresa.


Certo mesmo é que não há como adivinhar, mas há como fugir! Anote aí algumas desculpas-esfarrapadas de grande utilidade:


1) ‘Sou vegetariano desde criancinha’ – isso pode livrá-lo de comer aquela carne ensopada esquisitíssima que parece estar viva na panela.


2) ‘Sou ovo-lacto-vegetariano desde criancinha’ ­– pensando no fato de que você possa estar verde de fome, dizer isso reserva-lhe o direito de pedir um ovo cozido (nunca frito, ok?! Lembre-se você não conhece a idade do óleo!!) e, ainda, sendo seu dia de sorte, ainda pode garantir um docinho de leite de sobremesa!!


3) ‘Sou vegetariano macrobiótico’ – não sendo possível o ovinho salvador, coloque o mínimo das outras opções de comida possível no prato (arrozinho, saladinha...) e coma muito, muito, muito lentamente, diga que precisa mastigar 40 vezes antes de engolir e, por isso, sente-se saciado com porções inacreditavelmente pequenas.


4) ‘Alimento-me de luz’ – se tudo que houver na mesa parecer-lhe um tanto estranho, apele! Diga que não come, nem bebe nada. Se alimento é a luz. Levante-se da mesa vá para a janela abra os braços e olhe com cara de doido para o sol (de olhos fechados, ok?!). Caso esbarre com o anfitrião num rodízio qualquer, faça um ar de alívio e diga que largou daquela vida maluca e descobriu o prazer nos alimentos de verdade!


Por mais que sempre existam aqueles que topam qualquer parada, que têm estômago de avestruz, uma hora ou outra eles hão de deparar-se com um convite para uma refeição estranhíssima a qual não poderão recusar. Usem as dicas! Usem as dicas! Ou, simplesmente, corram.

domingo, 12 de setembro de 2010

Vontade estranha


Sabe aquela vontade de comer alguma coisa a qual você não sabe ao certo o que é? Uma vontade genuína, embora não deixe clara o que a satisfaria. Uma vontade estranha.

Não é como desejo de grávida. Essa é uma vontade clara que, diferentemente da estranha, não é a vontade que é estranha, mas sim o que a satisfaz. Explico: a vontade de gravidez brota nítida, por exemplo, vontade de comer feijão gelado com cobertura de caramelo, decorado com jujubas azuis (Jesus!).

Embora seja de absurdo mau gosto (e que somente uma pobre mulher com os hormônios sacaneando seu paladar fosse capaz de comer tal iguaria), eis uma vontade com todos os ingredientes.

Já a vontade estranha é abstrata. Sinestesicamente, misturam-se os sabores, aromas, imagens e texturas. Trata-se de uma vontade que beira o etéreo, o sublime, não revela sua identidade. Parece que a comunicação entre os sentidos não está funcionando perfeitamente.

Em certo momento, sabe-se o gosto, mas não se sabe de quê. Em outros, sabe-se o quê, mas não se lembra do gosto exato. Piração, né?! Mas aposto que todos já tiveram essa vontade de comer alguma coisa comprada não-sei-onde, pagada não-sei-quanto, pesando não-sei-quanto.

O pior é que essa é uma vontade do tipo insistente. Enquanto não se descobre o que a satisfaz ela não sai de perto. Resta, então, quando ela aparece, partir para o ataque, ir desvendando aos pouquinhos o mistério até chegar ao cerne.

Dia desses fui acometida por essa vontade perturbadora. Chegava a salivar de vontade (e quase de loucura por não saber o que eu queria comer!!), mas fui, com vagar, tentando perceber do que se tratava.

Depois de passar dias me empanturrando de guloseimas, hoje descobri que estava com vontade de comer bombom Opereta da Garoto. É um chocolate branco com castanha de caju, mas diferentemente dos outros, esse não traz pedaços da castanha, mas apenas seu sabor fundido ao chocolate branco, que aliás, nem sou tão fã, mas, quem explica uma vontade estranha?!

domingo, 5 de setembro de 2010

O molho da discórdia


Quando um relacionamento de anos está prestes a subir no telhado, qualquer coisa pode virar o mote de uma discussão. Para eles, a causa do fim foi o molho da discórdia.

Eles estavam morando juntos havia 5 anos. Montaram um simpático apartamento, dividiam todas as contas e tarefas. A parte financeira era fácil de dividir, nada que uma calculadora não deixasse tudo muito claro. No entanto, a divisão dos afazeres era um pouco mais complexa.

Decidiram que uma vez por semana, uma diarista daria um trato na limpeza do apê. Nos outros dias fariam um rodízio. Certo! Ah, o amor... capaz de produzir acordos para as missões mais ingratas.

Roupas limpas e passadas: ok. Tudo no seu devido lugar: ok. Lixo recolhido: ok. Gato ainda vivo: ok. Tudo corria muito bem, obrigada, e aquele relacionamento tinha pinta de que duraria para todo o sempre. Isso teria sido possível, se e somente se ambos fossem alimentados por sonda, o que infelizmente não acontecia.

A máxima de que os opostos se atraem mostrava-se um fracasso a cada refeição naquela morada. Ela era aquele tipo preciosista, detalhista, neta de nona legítima. Ele fazia o tipo prático. Suas idas ao supermercado se resumiam a duas paradas: a primeira era no freezer para reabastecer seu estoque de congelados e segunda no corredor de enlatados, para reabastecer o estoque de... enlatados.

No começo, quando a paixão ainda estava amortecendo os paladares, tudo corria bem. Mas, aos poucos, a tal da rotina, foi apurando o paladar. Ele reclamava que a comida dela era sempre muito demorada. Achava simplesmente absurda a ideia de marinar uma carne por 3 horas! Ela, por outro lado, sentia uma pontada no coração cada vez que ele abria o freezer e 15 minutos depois a refeição estava pronta. Ela era praticanente de slow food, ele, de fast food.

Durante um tempo, cada um guardou para si mesmo as opiniões gastronômicas um do outro. Mas, à medida que as primeiras briguinhas foram aparecendo, aquelas pequenas mágoas foram emergindo das profundezas. Tudo era motivo: o tempero artificial que causara uma azia monstruosa, a semente do tomate fresco que ferira a gengiva, o excesso de sódio que prejudicara o bom funcionamento dos rins, a verdura orgânica que prejudicara as finanças da casa. No entanto, iam levando a vida, afinal, havia amor.

Certo dia, porém, a gota d'água da relação veio em forma de molho. O relacionamento estava prejudicado por um sem número de motivos, os quais ultrapassavam os limites da cozinha, mas era justamente ali, entre o fogão e geladeira, que eram encontrados os motivos para o início da peleja.

Naquele dia, o último, ela estava preparando o molho que iria ser derrramado sobre uma divina massa fresca que ela mesma prepara. Cortava com minúscia os tomates que seriam apurados com vagar. Ele, que estava esganado de fome, perguntava a cada 5 minutos se ainda ia demorar muito. Ela respondia que a comida tem seu próprio tempo. Ele então dizia que ia esquentar um lanche pronto enquanto esperava. Ela, delicadamente, pedia que não fizesse isso, para não estragar o apetite. Ele então suspirava e voltava ao modo de espera.

É sabido por todos que fome altera o humor, pois não?! E também provoca disparos de declarações infelizes. Foi o que aconteceu. Lá pela quinta vez que ela respondeu que ainda não estava pronto, ele proferiu o seguinte xingamento:

- Por que você simplesmente não esquenta uma lata de massa de tomate e joga em cima do macarrão?!

O coração dela parou por alguns segundos. Ele ainda acrescentou:

- Melhor: esquenta a massa de tomate e joga em cima do miojo!

Quanta brutalidade! Aquilo era intolerável. Ela então teve um rompante de fúria e dali pra frente o que se viu e ouviu não pode ser descrito nesse blogue de família. Apenas digo que foram desenterradas mágoas guardadas por 5 longos anos e milhares de refeições. Resumidamente, um dizia ao outro que a maneira como cada um preparava seu molho refletia sua postura diante da vida e tal e tal... Freud faria a festa!

Separaram-se, claro. Tudo teria sido diferente se cada um preparesse sua própria refeição, mas nãããããããão... eles resolveram fazer diferente, taí, cada um pro seu lado. É o que eu sempre digo: molho não se discute; se não gosta do meu, prepare o seu!

domingo, 29 de agosto de 2010

Invasão


Chegando tarde da faculdade, depois de um dia exaustivo de trabalho, ela passou pela cozinha, mas só porque era caminho, e foi para o quarto. O sono, certamente, era maior do que a fome, que até achou apetitoso o bolo com cobertura de granulado que a mãe deixara sobre a mesa, mas se ela tivesse dado bola, muito provavelmente, acordaria com a cara enfiada no prato de bolo. Seguiu para o seu quarto, tomou um banho sonambulando e nem se lembra de como foi parar na cama.


Antes de o sol nascer, lá estava ela, em pé, de novo. Enquanto escova os dentes, seu estômago a lembrou do bolo que não comera ontem. Já pensou num bom naco, acompanhado de uma caneca de café fresquinho. Arrumou-se rapidamente e foi pra cozinha. Lá chegando, qual não foi sua surpresa ao encontrar o prato completamente vazio, limpo. Não havia nem uma única migalha de bolo para contar-lhe quem tinha sido o esganado que devorara aquele bolo inteiro. Tomou apenas a caneca de café, intrigadíssima.


Passou o dia todo pensando no fato. Seu pai não podia ter sido, afinal era um diabético pra lá de consciente. Sua mãe, numa disciplina militar, vivia de dieta, jamais trairia sua tabela de calorias por um bolo inteiro no meio da noite... a menos que... Bom, há um tempo atrás ouviu uma história de que a amiga da prima da vizinha da cunhada da nora da sogra da tia da avó da irmã da mãe de uma amiga sua virou assaltante de geladeiras* e, pior, a coisa começou assim, na calada da noite, as coisas simplesmente sumiam da cozinha. Será? Achou melhor nem perguntar pra mãe se ela havia comido o bolo todo, mas iria ficar atenta aos pneuzinhos dela.


À noite, voltando pra casa, a mesma cena se repetiu. Lá estava o bolão, lindo, apetitosamente lotado de chocolate granulado. Não comeu. Resolveu pagar pra ver. Bebeu um copo de leite e foi pra cama. Na manhã seguinte... nada, no caso, nada do bolo! Novamente o prato estava vazio. Durante o dia não se conteve, ligou pra mãe:


- Mãe, está tudo bem?


- Está sim filhinha, por quê?


- Não, nada... na verdade liguei pra agradecer pelos bolos que você tem deixado pra mim... – jogou verde.


- De nada, meu amor! Você, pelo visto, tem chegado faminta em casa, né? Não sabia que você gostava tanto de bolo de fubá!!


- ... sim, sim... mãe, preciso desligar... nos falamos depois, beijo!


- Beijo.


Ficou pasma: não era sua mãe a comilona! O pai não poderia ser, afinal, se tivesse comido tanto açúcar e tanto carboidrato, a essas horas estaria internado! Será que algum vizinho estava assaltando sua casa de noite?! Que loucura... deixa de paranoia. Procurou não ficar penando no assunto. Até que, no meio da aula, na faculdade, um clic! Bolo de fubá?Lembrava-se nitidamente de sua mãe ter mencionado 'bol-lo de fu-bá'. Mas com granulado? Eca! Não combina, sua mãe sabe disso.


Resolveu pôr fim naquela loucura. Chegando em casa, lá estava o bolo. Não comeu. Escondeu uma pequena filmadora apontando para o prato de bolo. Foi dormir. De manhã, mais uma vez, apenas o prato. Pegou a filmadora e foi trabalhar.


Já no escritório, descarregou as imagens no computador e quando deu o play, simplesmente não podia acreditar no que via: um bolo inteiro andando pelo armário e saindo pela janela!! Coisa que faria qualquer ateu fazer o sinal da cruz de joelhos segurando um terço. No entanto, antes de chamar um exorcista, ela aproximou a imagem ao máximo e... o que era aquilo? Ou melhor: o que eram aquilos?! Sim, quilos de... formigas tomando conta do bolo!! Um esquadrão, uma tropa, um exército inteiro. Não era chocolate granulado, afinal, eram formigas.


Estava solucionado o mistério. No mesmo minuto, contratou uma empresa de dedetização para não correr o risco de um dia ser ela e sua família carregadas para um formigueiro qualquer em troca de pagamento de resgate. Sim, as bichinhas estão se aprimorando e não se contentam mais com migalhas. Atenção: ao primeiro sinal de uma invasão dessas, chamem a dedetização, ou a polícia, sei lá, depende do caso, da urgência e do que está sendo levado, né?!


*sobre esse causo: http://claraemneve.blogspot.com/2009/10/bandida.html

domingo, 22 de agosto de 2010

Top 5 - Você tem cara de quê?!

1º Cara de limão azedo – não é exatamente com a cara do limão, mas sim a cara de quem chupou limão. Não qualquer um, mas um bem, bem azedo. Essa careta geralmente aparece quando a pessoa não está vivendo o melhor de seus dias. Demonstra uma rabugice que não dá pra disfarçar. É bem comum que as pessoas acordem com essa cara. Sabe aquela cara de segunda-feira de frio e chuva que você precisa levantar às 6h pra ir trabalhar? Corra pro espelho e espia sua cara... é exatamente a cara de limão azedo!


2º Cara de quem comeu e não gostou – essa é quase irmã gêmea da anterior, mas há sutis diferenças. A primeira é uma cara mais passageira, sua permanência tem tempo limitado. Se dura muito, daí passa a ser a cara de quem comeu e não gostou. Trata-se de uma carranca daquelas que assusta criancinha. Como quando se toma óleo de fígado de bacalhau. Se você foi criança nos anos 80 sabe bem do que estou falando. É aquela cara de total insatisfação com as pessoas, com o mundo, com o mosquitinho que voa lá na China. É a própria cara do mau-humor-galopante. Cuidado com essa, afinal, se não tratada pode se tornar permanente!!


3º Cara de pamonha – sabe aquela pessoa inexpressiva? Aquela que tem exatamente a mesma feição para momentos de alegria, tristeza, medo, felicidade, pavor, euforia? Essa é a cara de pamonha. Incapaz de manifestar emoções por meio de suas feições, o sujeito cara de pamonha possui a habilidade de tirar qualquer cristão do sério quando, no auge de uma briga, enquanto o outro ralha e espuma, ele fica ali, parado, como se nada estivesse acontecendo. Não se trata da famosa ‘cara de paisagem’, essa é mais cínica. A cara de pamonha é, na verdade, a manifestação de um abobalhamento crônico.


4º Cara de pastel – não, não, não... não se trata de um sujeito com cara dominada por espinhas, esse é um cara de chokito. O cara de pastel é aquele meio sem graça, meio metido a esperto, que vive fazendo uma malandragenzinha aqui, outra ali, que quer sempre levar vantagem em tudo, mas, no fim das contas, só se dá mal e acaba ficando com... cara de pastel! Bem feito!!


5º Cara de maracujá de gaveta – essa cara não se limita a um único sentimento ou comportamento, mas se trata de uma junção de vários. Se você é do tipo que acorda com cara de limão azedo, passa o dia com cara de quem comeu e não gostou, só muda de expressão pra ficar sem expressão alguma, ou seja, com cara de pamonha e suas investidas só o deixam com cara de pastel: cuidado, muito cuidado, você pode acabar ficando com cara de maracujá de gaveta! Pior, além da cara todinha enrugada e amassada, o interior é ácido. Xiii, difícil de aturar. Contra a ranhetice, apenas um remédio: boas gargalhadas! Levar a vida com bom humor deixa qualquer um com cara de docinho de coco e pele de pêssego! Vale a pena.

domingo, 15 de agosto de 2010

Almas Gêmeas, Quadrigêmeas, Óctuplas...


O amor tem razões que a própria razão desconhece. A história deles começa assim:


Ele levava uma vida pra lá de comum. Trabalho, casa, amigos. Um dia se deu conta disso e entristeceu. Começou a buscar mudanças, novidades, transformações, mas ao que tudo indicava, seu destino era mesmo a pasmaceira.

Alguns amigos diziam que o que lhe faltava era uma grande, intensa, esfuziante, radiante, palpitante história de amor. Depois de muito relutar contra a ideia, deu-se por rendido e pôs-se a procurar por ela, a tal história de amor.

Falar é fácil, né?! Mal podiam saber os amigos que essa nova busca o deixava cada vez mais entristecido. Isso porque ele procurava, procurava, procurava e nada de achá-la, a tal história de amor.

Um dia, jururu que só, sentou-se numa mesa de bar e, assim, como um desabafo, ao ser perguntado pelo que desejava, pediu que o garçom lhe trouxesse uma moça bonita. Ele não podia adivinhar que 'moça bonita' era justamente o nome do drinque mais forte e cabuloso da casa.

Depois da primeira, o que se seguiu foi uma verdadeira orgia, tamanha fora a quantidade de 'moças bonitas' que desceram goela abaixo. Saiu de lá carregado pelo garçom.

No dia seguinte, a despeito da dor de cabeça que o alucinava, sentiu um alívio que há muito não sentia. Infelizmente. Sim, porque a partir daquele dia, não passou um se quer sem suaS moçaS bontiaS. Dia após dia, eram doses e mais doses. Resultado: em menos de um mês tinha se tornado um alcoólatra.

Os amigos ficaram desesperados, afinal, no fundo, no fundo sabiam que tinham lá sua pontinha de responsabilidade naquilo. Por que diabos não mandamos o cara montar um quebra-cabeça de 200mil peças?! Para aquela situação, só havia duas alternativas: convencê-lo a frequentar o AA ou inventar uma máquina do tempo e voltar no momento exato do primeiro gole.

A escolha não poderia ser mais óbvia, afinal, até terminarem a máquina do tempo, o pobre amigo já teria morrido de cirrose. Trataram, portanto, de munir-se dos melhores argumentos para levar o amigo a uma reunião do AA. Foi uma batalha, tendo em vista que ele nunca estava suficientemente sóbrio para admitir que era alcoóltra e que precisava de ajuda. Mas depois de muitos gritos, lágrimas, súplicas e pedidos, ele topou, porque, acima de tudo, ele era um cara gente boa, que não negava nada aos amigos.

No dia e hora marcados, lá estava ele, de cara limpa, ou quase isso, afinal, as moças bonitas ainda bailavam por seu sangue.

Entrou na sala. Não estava muito cheia, mas pareceu que uma multidão a lotava quando todos o aplaudiram. Sentiu-se envergonhado, mas havia prometido aos amigos que assistiria a palestra até o final só para provar que não tinha problemas com a bebida. Procurou um lugar para se sentar. Nem esolheu muito, só queria não ser mais a pessoa em pé sendo aplaudida por estranhos, sabe-se lá porquê.

Só depois de alguns segundos, reparou que havia se sentado ao lado de uma moça bonita, dessa vez uma moça mesmo. Ela também parecia constrangida.

- Seu primeiro dia?

- É.

- O meu também.

- Você é alcoólatra?

- Nããããão, mas meus amigos acham que sim.

- Os meus também.

- Que bobagem, né?!

- É mesmo. Sabe qual a justificativa deles pra me taxarem de alcoólatra?!

- Qual?

- Que só os alcoólatras bebem sozinhos. Eu sempre estou sozinha.

- Mas olha só que coincidência: meus amigos disseram a mesma coisa!

Deram-se uma risadinha e silenciaram por alguns segundos até que ele disse:

- Depois da palestra, você não gostaria de sair comigo pra beber alguma coisa?

- Adoraria.

E foi assim que, a partir daquele dia não se desgrudaram mais. Nunca mais beberam sozinhos. Bebiam juntos, religiosamente, todos os dias.

Os amigos de ambos ficaram tranquilos, afinal, beber acompanhado não caracteriza alcoolismo.

Eram almas gêmeas... embora, depois de alguns goles, eram almas quadrigêmeas, óctuplas... e assim por diante. Mas acima de tudo, felizes da vida. Estavam vivendo a tal história de amor, ainda que nunca estivessem sóbrios o suficiente para perceber isso.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Afinal de contas, todo mundo um dia já foi criança!


Ontem, foi aniversário do meu praticamente-sobrinho num buffet super fofo. Muitos brinquedos, games, jogos, monitores animadíssimos. Impossível ficar indiferente por muito tempo. Em menos de meia hora já está todo mundo com a mesma idade, brincando, pulando, cantando e... comendo.

Quando o assunto é comida, em festinha de criança, quem é que se lembra da tal dieta?! É muito interessante perceber que todos entram no clima (ok, ok... a grande maioria!) e voltam ao tempo que ninguém se preocupava com quantidade de calorias, gordura, açúcar. A única preocupação: é gostoso? então, eu quero! E, claro, tudo é gostoso em festinha de criança! Coxinha, bolinho de queijo, esfirra, mini-pizza, mini-cachorro quente, mini-hambúrguer.

São tantas opções de delícias que o melhor mesmo é não escolher e comer um de cada de tudo... ou bem mais de um, o que é mais provável!! Os adultos só se lembram de sua condição pós-18 anos quando passa um chopp geladinho pra acompanhar as gostosurinhas. Eu diria que é o melhor de dois mundos, afinal.

Quando tudo já está pra lá de bom, eis que vem ele: o bolo. Irresistível. Os olhos de todos miram uma direção: o aniversariante... que coincidentemente está bem na frente do bolo. Quilos de chantilly e recheio, intercalados por bolo fofinho, molhadinho, nessa ordem, afinal, há muito mais receheio e cobertura do que o bolo, propriamente dito.

Quem ousaria pensar que são milhares de calorias indo pra dentro?! Come-se, sem o menor constrangimento, cada garfada, juntamente com brigadeiros e bejinhos (aliás, diga-se de passagem, os de ontem estavam simplesmente divinos! E o brigadeiro branco?! o que era aquilo?! Deus do céu, comeria um quilo... pena que não cabia mais nada! hehehehe).

No final, estão todos felizes e satisfeitos (literalmente). Tudo tão bom, tão gostoso, tão feliz! Por que será que tem gente que não gosta de comemorar aniversário?! Existe coisa melhor do que celebrar mais um ano de vida, cercado das pessoas que ama, comendo coisas gostosas e brincando a valer?! Eu adoro, desde sempre.
Se o problema é a idade pesando, que tal fingir que é criança de novo?! Só por algumas horas, dando um tempo na vida adulta. Afinal de contas, todo mundo já foi criança um dia... que que custa relembrar?! Experimente isso na próxima festinha de criança. Se sentir dificuldade... roube um brigadeiro da mesa e coma escondido... vai ver que esse pode ser um portal pra voltar no tempo! Boa viagem.

*

PS: Felipe, amorzinho da minha vida, parabéns pelo 7º aniversário (tudo isso, já!).

domingo, 18 de julho de 2010

Carta Aberta ACMB


"Somos a ACMB, Associação dos Caminhoneiros Macrobióticos do Brasil. Gostaríamos, através desta carta aberta à população, de manifestar nossa indignação quanto ao trato generalista, preconceituoso e desrespeitoso para conosco, profissionais de veículos terrestres automotores de cargas pesadas, no que se refere à nossa alimentação.

Generalista porque tomam-nos por uma grande massa homogênea, não levando em consideração nossas individualidades. Preconceituoso porque partem de ideias pré-concebidas e que não refletem a realidade, mas tão somente o senso comum. Desrespeitoso porque, ainda que algumas situações descrevam a realidade, não nas usam em bom tom, sendo sempre utilizada como uma referência pejorativa.

Somos um grupo discreto, não em números, tendo em vista que somos muitos, e cada vez mais, mas sim por não chamar atenção. No entanto, percebemos que tanta discrição acabou por arraigar ainda mais a imagem, há tanto difundida, do caminhoneiro que se alimenta de forma, digamos, exagerada.

Antes de mais nada, é preciso que se diga que a macrobiose consiste na prática de bons hábitos alimentares e de higiene que visam uma vida mais saudável e prolongada. Nós, os macrobióticos, preocupamo-nos em selecionar, criteriosamente, o que comporá nosso prato. Além disso, damos especial atenção aos cuidados no preparo, bem como na quantidade daquilo que será nossa refeição. Comemos com vagar e concentração e, por isso, saciamo-nos com pouco, ou melhor, com a quantidade suficente para manter o bom funcionamento do organismo.

A regra máxima que norteia nossa prática consiste em perceber nosso corpo como nosso caminhão. Se não fizermos manutenção preventiva, se não usarmos bons fluidos (óleos, lubrificantes, entre outros) ou não usarmos combustíveis de boa procedência, temos a exata noção do que irá acontecer: o caminhão irá parar de funcionar e, dependendo do dano, pode ser que nunca mais volte a rodar. Com nosso corpo ocorre exatamente o mesmo. Ao perceber isso, transformamos nossas práticas alimentares e, por haver tantos, achamos por bem nos juntarmos numa associação.

Por fim, declaramos que a razão que nos motivou a divulgar nosso grupo é a profunda indignação com que se referem aos pratos de nós caminhoneiros. Prezada sociedade, já é tempo de parar de associar os pratos com 3 quilos de comida como sendo um 'prato de caminhoneiro'. Quando forem utilizar a referida malfadada expressão, pedimos que, por imensa gentileza, lembrem-se que há, sim, caminhoneiros que comem 185 gramas de comida por refeição e mastigam 20 vezes antes de engolir.

Temos plena consciência de que mudar nossa imagem perante a sociedade será um trabalho árduo e longo, mas queremos aqui registrar o início dessa jornada.


Sem mais,

Agradecemos a atenção de todos,


ACMB
(Associação dos Caminhoneiros Macrobióticos do Brasil)"



Fonte da imagem: www.molotov.com.br

Ninguém manda no meu chopp!


Dia desses, depois de um longo dia de trabalho, finalmente consegui combinar uma happy hour com algumas amigas que não via há séculos. Para brindar o momento, nada melhor do que um choppinho gelado, pois não?! Teria sido, se o referido choppinho não tivesse sido motivo de estresse! Pode uma coisa dessas?!

Pois aconteceu e eu vou contar:


Foi num Quiosque da Brahma. Sentadinhas, as três amiguinhas resolveram iniciar os trabalhos. Penduradas no balcão, observando o suave derramar do chopp dentro do copo, duas delas fizeram um inocente pedido, sem saber que aquilo quase-quase causara um infarto na atendente:

- Queremos o nosso sem colarinho, por favor!

Ao pedido, a resposta foi um solene 'cri-cri-cri' de grilos no silêncio e o demarramar da espuma completando o copo.

Quando se é ignorada, a sensibilidade aumenta e pudemos perceber que a tal atendente arregalou os olhos, sua respiração ficou rápida e seu coração passou a bater tal qual tamborim na concentração, minutos antes de entar na avenida. A pobrezinha estava infartando!

Mais do que rapidamente, pegamos nossos copos e fomos para a mesa. Claaaro que lá chegando, sentimo-nos obrigadas a maldizer duramente o recente acontecimento.

Enquanto bufávamos, a dona da 'lojinha' se aproximou da mesa intencionando dissertar sobre seus porquês:

- Oi, eu vim aqui pedir desculpas e explicar pra vocês. Um monte de coisa que a gente faz tem regras, não tem?! Então, o chopp da Brahma também tem uma regrinhaaaa: tem que ter três dedos de colarinho.

- Regra pra beber chopp?! Essa é boa! - disse uma delas em tom nitidamente sarcástico.

- Ah, mas isso não é a gente que diz... é a Brahma que orienta. Eu já liguei pra lá dizendo que os clientes não gostam, mas eles dizem que até podemos perder alguns clientes, mas que em menos de um ano teremos bons clientes.

(Pausa no diálogo para um segundo de revolta: será que eu entendi bem?! Ela disse que a Brahma disse pra ela não se importar em perder clientes porque só os bons ficariam?! É isso?!)

- Ah, mas então somos os péssimos clientes que você acaba de perder!!

- Mas olha, é que a Brahma diz que o chopp perfeito tem que ter três dedos de colarinho...

- Essa é a sua opinião e da Brahma, mas será que a do cliente não deveria ser levada em conta?! O chopp perfeitoo, pra mim, é o que eu escolho, do jeito que eu gosto.

- Ah, mas é que aqui é assim!

- Já entendemos e por isso, terminando esse, vamos continuar bebendo em outro lugar, onde não seremos obrigadas a nada!


Curioso que em qualquer outro lugar onde o chopp da Brahma é vendido, peço sem colarinho e sou atendida sem ficar de castigo no milho por isso. Partindo do princípio universal de que o cliente tem sempre razão, se eu quiser colocar uma colher de açúcar no meu chopp, o problema é meu, né não?! Adivinha se bebo de novo num Quiosque da Brahma! Nunquinha. Ninguém manda no meu chopp.


Bebemos o restante num gole e saímos rapidinho, antes que a doninha viesse com mais uma lista de regras e/ou nos mandasse bater continência. Sai pra lá!