quarta-feira, 9 de novembro de 2011

O fantasma que não gostava de abobrinha



Quem foi criança nos anos 80, filho de mãe que ouvia rádio AM, vai entender do que vou falar. Se não foi, leia mesmo assim porque a história é engraçadinha!


Lá pelos idos de meados dos anos 80, uma das grandes celebridades das ondas AM do rádio era um sujeito chamado Eli Correa - disputava o posto com Paulo Barbosa. Seu programa - suceeeesso - tinha um quadro chamado 'Que saudade de você'. Era uma coisa fantástica! Nesse quadro o Eli (!) narrava... não, não... ele DRAMATIZAVA histórias "reais" contadas pelos ouvintes. Quando digo dramatizava, quer dizer que ele se empolgava a um grau que deixaria qualquer ator mexicano sagitariano roendo os próprios cotovelos de inveeeeja!

As histórias eram as mais bizarras possíveis... a maioria sobre desgraças, mas, vez ou outra, Eli flertava com o sobrenatural. Uma dessas, que nunca me esqueci, me apavorou durante anos. Era assim:


"Num desses botecos do centro da cidade, desses que servem comida no balcão, coisas estranhas começaram a acontecer. O dono, senhor vivido, notou que começaram a sumir itens de seu estoque. Um dia era um pacote de pão, no outro era um litro de leite, no outro um quilo de carne. No começo, perdoou, afinal, seu único funcionário, um rapaz humiiiiilde, embora ganhasse um ninharia, trabalhava arduamente e, além de ser uma simpatia no balcão, ainda cozinhava muito bem... quer dizer, isso comparado a ele, que não sabia nem ferver água! Pra que brigar com o rapaz por conta de uma coisinha aqui e outra ali? Fica como parte do pagamento, pensava!


Os dias foram passando e os sumiços iam aumentando. Já não era um coisa por vez. De uma hora pra outra, começaram a sumir garrafas de cerveja (não as garrafas, mas o conteúdo delas!), frutas, ovos coloridos e tudo que tinha no estabelecimento. A ponto do dono, sujeito de bom coração, dar um basta! Chamou o rapaz para uma conversa e, qual não foi sua surpresa ao presenciar um sujeito pasmo diante de si. Indignado, inconformado, o rapaz bradava que ele nunca havia levado sequer uma migalha que não fosse sua e blá-blá-blá... depois de horas, quem pedia perdão era o dono ao rapaz, pois estava claro que não era o pobrezinho quem estava surrupiando coisas de seu estoque.


Curioso é que os sumiços continuaram e foram piorando. Chegando ao ponto de começar a sumir coisas dos pratos dos clientes. O cidadão estava de frente para seu prato e num piscar de olhos, puft! cadê o bife acebolado que estava ali? Sumiu! Era de arrepiar. Arrepiu? Sim, arrepio... todo sumiço era acompanhado de um arrepio provocado por um ventinho gelado... vUuUUuuu...


Não havia PF que passasse impune pelos furtos, até que um dia... Bom, um dia ao invés de sumir a mistura... sumiu o arroz e feijão... num piscar de olhos, o prato ficou limpo... ou quase... no cantinho, só sobrou o refogadinho. Só sobrou o refogado de abobrinha... vUuUUuuu...


Muito atento, o dono resolveu testar... fez um belo prato de refogadinho e um montinho de arroz e feijão do lado... dali dois segundinhos... vUuUUuuu... cadê o arroz e feijão? Não sobrou nem história... já o refogadinho... in-to-ca-do!


Seguindo o conselho de um dos clientes que teve um belo ovo frito furtado de seu prato, convocou a mãe fulaninha para dar um parecer espiritual sobre o caso. Após breve análise, o julgamento:


- Seu estabelecimento está possuído por um espírito mal desencarnado... mas não qualquer um... trata-se de um fantasma que não gosta de abobrinha! - (Jura?)


- E o que eu faço, minha mãe?


- Espalhe abobrinhas por todos os cantos do seu estabelecimento.


Depois de dois meses, o estabelecimento estava livre do espírito... que deve ter REmorrido de fome e foi buscar comidinha melhor em outra freguesia!"


Eli jurava que era verdade... vUuUUuuu... que medinho!!!

Consequência disso é que passei a infância todinha sem nem olhar para abobrinha... o que me faz pensar na seguinte questão:

- Se o fantasma não gostava de abobrinha... não seria mais lógico eu sempre ter esse refogadinho no meu prato para afastar o gasparzinho????????? Ao invés de ficar com medo do fantasma eu peguei medo de abobrinha!!!!! Quem explica? vUuUUuuu...

2 comentários:

Silvia disse...

Fabi... muito engraçado... eu também passei bons medos daquelas es... (ou talvez) his... tórias que ele contava. E aquela música de fundo? Bom feriado! Bjs. Silvia

Vakachá disse...

Ahaha, essa foi boa !
Eu me lembro tbem quantas tardes passei com a minha mae ouvindo Eli Correa, minha tia era fa do Paulo ahaha
Pensei que o texto era sobre abobrinha verdura rsrsrs
Mas foi ainda melhor :-))