domingo, 23 de novembro de 2008

Pão Caseiro: eu faço, faço sim!

Sexta-feira à noite é o dia da yoga. No finzinho da última aula, a professora decidiu encerrar com uma auto-massagem nos pés: uma maravilha! (Não, não, caros amigos, a temática do blog não mudou... já chego lá!) Para exemplificar o que deveríamos fazer a professora disse que deveríamos massagear o pé como se estivéssemos amassando massa de pão. Em seguida um comentário baixinho: "...ninguém mais faz pão caseiro!" "Opa! Eu faço", bradei suavemente, afinal, era uma aula de yoga! Ela então "...pão caseiro?! Amassado na mão?", "Sim!Sim! Tal qual as vovós faziam!". Ora, ora!

As moderníssimas máquinas de pão podem ser muito práticas, as padarias e supermercados podem ser 24 horas, mas nada, nada, absolutamente nada é capaz de se igualar ao efeito mágico provocado pelo pão caseiro feito com suas próprias mãozinhas! A seleção dos ingredientes, a combinação, o contato com a massa, a sova, a espera, o cresimento, a espiadinha no forno, o perfume se espalhando pela casa... pelo bairro, a faca serrando a casquinha crocante, a fumacinha subindo, a primeira mordida... o golinho de café! Nenhum outro pão é capaz!

À parte o encantamento, há também o argumento prático para se fazer seu próprio pão. Para começar, é um pão muitíssimo mais saudável pois não leva nenhum tipo de conservante químico, coloração artificial, nem goooordura trans, além disso, é possível torná-lo integral - utilizando farinha de trigo integral e sementes variadas (linhaça, gergelim, girassol) - e light - optando por leite desnatado, açúcar e margarina light. Em termos financeiros, nem é preciso fazer muitas contas para chegar à conclusão de que o pão caseiro sai por muuuuito menos! Já viram quanto está valendo um pão integral light no mercado?! Pelo mesmo valor, é possível fazer três em casa.

O tempo, ah, o tempo, irão dizer: não temos tempo para isso! Direi: a gente seeeeempre arranja um tempinho para fazer aquilo que dá prazer... é ou não é?! E não estou falando de dias de preparação. É preciso umas duas horas, duas horas e meia, sim, mas isso contando com tempo de crescimento e forno... e nada impede que se faça outras tarefas enquanto a massa cresce ou assa! Sem contar que é perfeitamente possível congelar esse pão por até um mês! Não precisa fazer todos os dias. Resumindo: é saudável, barato e prático, sim!

Só está faltando a receita, pois não?!

Esta é uma receita básica e pode ser variada conforme o gosto do padeiro de ocasião (vou colocar minhas variações entre parênteses). Ela é muito prática e pula algumas etapas (a tal da biga!)que fariam o Olivier Anquier dar um gritinho de "uh la la", mas dá super certo... é a minha receita (adaptada da receita da minha mamãe):
2 ovos
5 colheres de sopa de açúcar (coloco 2 de mascavo e 2 de light)
2 colheres de sopa de margarina (coloco 1 bem cheia de light ou 2 de azeite... dá um perfume incrível!)
1 pitada de sal
250 ml de leite morninho (uso o desnatado)
1 envelope de fermento biológico seco (dos que há no mercado, na minha opinião, o que dá o melhor resultado é o Fermix Dona Benta, mas o Fleischmann também faz direitinho)
5 a 6 xícaras de farinha de trigo (uso metade branca e metade integral)
(opcional: 3 colh. de sopa de semente de linhaça seca, trituradas no liquidificador; 3 colh. de sopa de semente de linhaça germinada - deixe de um dia para o outro em 100ml de água mineral em recipiente fechado; 1 colh. de sopa de semente de gergelim; 2 colh. de sopa de farelo e/ou gérmen de trigo)

Numa tigela bem grande (acredite, a massa cresce!), misture os ovos, o açúcar, a margarina e o sal (se for fazer integral, adicione as sementes... agora!). Vá acrescentando o leite morno (a temperatura ideal é a mesma da mamadeira do bebê... se não tiver filhos... não precisa desistir ou ter um só pra fazer o pão... teste a temperatura colocando o dedo e sentindo que não queima!). À parte, misture o fermento em uma xícara de farinha e reserve (o fermento não pode ir diretamente no líquido, ok?!). Adicione, uma a uma, três xícaras de farinha no líquido (se tiver frescurinha, pode utilizar uma colher para misturar). Só então, acrescente a mistura de farinha e fermento na massa. Vá, aos poucos, adicionando a farinha restante. A quantidade irá variar de acordo com o tamanho dos ovos* e a temperatura ambiente. O ponto será quando a massa estiver elástica e começando a soltar da mão (ou da colher, no caso de frescurinha!). Não se desespere colocando muita farinha, pois é preciso que a massa esteja úmida para que cresça com mais facilidade. Cubra a tigela com um plástico (deixe espaço entre a massa e o plástico) e alguns panos de prato (uso uns 5 e se o tempo estiver frio, enrolo num cobertor! Sério!) e proteja seu bebê de todo e qualquer trisco de corrente de ar. Deixe crescer por uma hora, mais ou menos (o tempo varia conforme a temperatura ambiente, quanto mais frio, mais tempo). Após o crescimento, numa bancada enfarinhada, sove a massa (sovar não é surrar! Amasse com energia e delicadeza), polvilhando mais farinha, se necessário, para facilitar a tarefa! Se gostar, polvilhe canela em pó para dar ainda mais sabor. Modele os pães (as tranças ficam lindas, mas se for pedir demais, as bolinhas ou o filão já bastam!), coloque numa assadeira untada (pra evitar a fadiga) e deixe descansar por mais 30 minutos (protegido de correntes de ar... recomendo que coloque no forno ainda desligado, lá ele estará seguro!). Após esse tempo, ligue o forno em temperatura média e deixe assar por aproximadamente 25 minutos, a cor do seu pão é você quem decide! Rende três tranças grandes. Enquanto espera, já sabe: coe aquele cafézinho espertíssimo! Depois é só se deliciar! Ah! se for congelar, deixe o pão esfriar sobre uma grade, fatie (se for uma trança ou filão, caso contrário irá precisar de uma moto-serra para fatiá-lo congelado!), coloque num saco plástico limpo e coloque no freezer. Para descongelar, retire as fatias que for consumir e coloque diretamente na torradeira ou no forno ou no prosaico tostex!

Não é por nada, não, mas fica divino, viu?! Não tenham medo da massa! Lembrem-se: é fazendo que se aprende!

*a saga dos ovos: http://claraemneve.blogspot.com/2008/02/uma-receita-da-minha-me.html

PS: essa beleza da foto é de minha autoria! rã-rã!

3 comentários:

Silvestre Gavinha disse...

Fabi, concordo com você. Nada como um pão de casa fresquinho. E fazer é uma delícia. Os primeiros são sempre uma surpresa. Mas depois é só alegria. E inventar em cima, acrescentar coisas ... adorei tua receita. Mas devo confessar que, embora tenha feito muito pão, agora, só faço o que chamo de comida de vadia (nada que demore mais que 40min entre começar e servir). E, li também a saga dos ovos, que gostei mais ainda, outra confissão a ser feita. Cozinho igual a tua mãe dando receita. Um pouquinho disso, outro daquilo... Meu filho me xinga horrores quando faço alguma coisa que ele goste, pois diz que nunca mais vou conseguir fazer igual.
Bem, muito obrigadinha pelo post e a receita que perfumou meu domingo de manhã enquanto esperava nascer um pequeno.
Grande abraço
Marie

Regis disse...

que vontade de cortar pão quentinho!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

FabiCatarse!! disse...

Marie, pior que estou ficando igual minha mãe... fiz um pão de queijo perfeito e tive de repetir mil vezes a receita pra certá-la de novo... da última vez, anotei a receita pra não correr o risco!!! hehehe

Miguelito! Pão quente é um sonho!