domingo, 6 de setembro de 2009

Buchada de Quem?!


Eles estavam namorando oficialmente há 4 meses e pareceia que a coisa era pra valer. Decidiram que era hora de conhecer os respectivos pais. Evento cercado de ansiedade e a pergunta 'será que eles vão gostar de mim?!' na cabeça o tempo todo.

No meio da semana ele foi conhecer os pais dela. Gente boníssima. Receberam-no de braços abertos para um jantarzinho informal. No fim de semana foi a vez dela conhecer a família dele. Os pais dele também, gente da melhor categoria. Era a primeira namorada que o filho levava para eles conhecerem... sinal de que dessa vez a coisa ia!

Ficaram conversando na sala, enquanto a mãe, que bateu o pé recusando ajuda na cozinha, terminava o almoço. Papo vai, papo vem. Vez ou outra a mãe ia até a sala pra contar uma história constrangedora da infância dele. Coisa de mãe. Numa dessas trouxe o álbum de bebê com aquelas fotos clássicas que as mãe guardam com carinho para poderem matar seus filhos de vergonha quando adultos. Sabem quais, né?!

Uma hora depois, o almoço estava servido. Todos foram para a sala de jantar. Mesa pra lá de fartíssima! O prato principal?! Buchada de bode... especialidade da futura sogra! O que, de quem?! Ela entrou em pânico. Nunca havia comido isso e acreditava piamente que passaria por esta encarnação sem provar tal iguaria de nome tão convidativo.

- Depois que você provar esta, nunca mais vai querer outra! - era uma ameaça?! - Minha mãe faz a melhor buchada de bode de que já se ouviu falar! - existe uma melhor?!

Ouvia a tudo com um sorrisinho paralisado no rosto, enquanto a sogrinha ia enchendo, enchendo e enchendo o prato dela. O cérebro trabalhando a mil por hora em busca de uma solução rápida e indolor. O que fazer?! O que fazer?! Só conseguiu pensar em duas alternativas: terminar o namoro ali, antes da primeira garfada ou cair durinha e morta.

Como estava apaixonada, não quis terminar o namoro, preferia morrer... ou quase isso! Optou por um desmaio cinematográfico. Virou os olhos, colocou as costas da mão na testa, rodopiu nos calcanhares, amoleceu as penas e esparramou-se pelo chão (...nem quis ir pra perto do sofá, o chão duro passava mais veracidade!). A encenação foi tão boa que faria qualquer diretor shakespeariano exigir que ela fosse sua Julieta para todo o sempre.

Com o espalhafato, o prato voou longe (graças a Deus!). Todos foram acudir a pobre moça desfalecida. A mãe correu para a cozinha pegar vinagre. O pai dava-lhe bofetadas na cara para reanimá-la... ou matá-la de vez! O namorado gritava seu nome pedindo que voltasse.

Ensopada e fedida de vinagre, de bochechas roxas pelas pancadas e praticamente surda, ela achou que já era seguro simular a volta ao mundo dos não-desmaiados. Será que ainda iam querer almoçar?! Aos poucos, foi acordando, dizendo as clássicas 'onde estou?! o que houve?!'.

Percebendo a volta da pobrezinha, todos sentiram-se aliviados. Colocaram-na no mais fofo sofá da casa, ofereceram água e ficaram enchendo a moça de atenções. A essa altura dos acontecimentos, ninguém mais lembrava da buchada. Ufa!

Enquanto contemplava a norinha, a sogra cochicou no ouvido do marido:

- ...te prepara, meu velho, acho que vem por aí um herdeiro! Acho que essa menina está grávida! Vamos ser avós já-já, escreve!

A recém-acordada ouviu o cochicho e quase desmaiou de verdade, mas achou melhor não desfazer o engano ali, esse era um caso que se resolveria com o tempo e com a ausência de barriga com um bebê crescendo dentro , o objetivo do momento era não comer a buchada e até ali estava funcionando.

Saiu da casa amparada pelo namorado que ficou todo preocupado com seu amorzinho, mas não escapou a tempo de levar uma 'marmitinha' com a buchada... pra ela comer em casa quando sentisse fome. Em casa, sabemos o destino da quentinha, pois não?!

Para momentos de desespero, soluções desesperadas. Sempre!

Nenhum comentário: