terça-feira, 24 de julho de 2007

Banquete


Há alguns anos, quando estava me preparando para o vestibular, às vésperas do exame mais importante (na verdade meses antes, mas vestibulando é um bicho apavorado que acha que a prova será amanhã!!), um professor resolveu dar alguns conselhos práticos para o grande dia.
Aquela velha história de sempre: conheça antes o local da prova, chegue cedo, leve caneta preta, lápis, borracha, R.G. original... e “cuidado, muito cuidado com o que irão levar pra comer e beber durante a prova!”. A sala toda riu do exagero e da ênfase dada ao “cuidado”, no entanto, como ele já havia sido fiscal de sala em vários vestibulares, começou a contar o que já viu! As histórias eram as mais engraçadas possíveis, mas vou contar só a mais bizarra:
...era Fuvest. Fim de ano, quase Natal. Sala lotada. Cérebros fritando. Silêncio ensurdecedor. Transcorrido algum tempo do início da prova, era natural que algumas pessoas começassem a sentir fome, afinal, pensar queima calorias como correr duas maratonas sob sol de 40°. Como num cair de dominós, os pobres vestibulandos começaram a abrir seus chocolates. Zumzumzum discreto. O fiscal, acostumado àquele tipo de ritual, assistia a tudo como a um filme a se repetir: eles comeriam seus chocolates, beberiam suas águas e continuariam a chutar as alternativas de a a e. Mas, num certo momento, uma vestibulanda levantou a mão, pedindo que o fiscal se aproximasse. Ele se aproximou e ela então perguntou se poderia comer ali. Sorridentemente, ele disse que sim. Foi aí que a bizarrice se deu. De lá da frente da sala o perplexo fiscal mal podia acreditar no que seus olhos viam. A faminta vestibulanda puxou uma sacola que estava sob sua cadeira e de dentro tirou nada menos do que um PANETONE!! Sim, um panetone inteirinho, embalado e tudo o mais! E plástico de embalagem de panetone, todos sabemos, faz uma verdadeira festa ao ser manipulado. Todas as atenções se voltaram para aquele Natal que acontecia logo ali. Dispersão total. Para completar, ela puxou uma faca de pão da sacola (praticamente uma arma!!), cortou, impassível, fatias do panetone e as comeu! Terminada a refeição, ela continuou resolvendo sua prova. Creio que ninguém mais conseguiu se concentrar na prova e, diz a lenda, ninguém daquela sala passou pra segunda fase, só a dona do panetone!! Será que foi estratégia?!
Bom, dependendo do cardápio do seu banquete, você pode eliminar concorrentes. Lembre-se disso no próximo concurso!

2 comentários:

Morgana disse...

Eu ia me mijar de rir se estivesse na classe hahahaha!!!!

Antônio Jorge disse...

Quem foi mesmo que criou o Panetone ? Maquiavel ?