História de um provérbio
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- Cheguei!
- Você não ia chegar mais tarde?
- A reunião foi cancelada, daí quis fazer surpresa... fiz mal?
- Nã-nã-não... claro que não...
- Iiiih, tô te achando estranho, que que foi, heim?
- Nada!
- Hummm... não acreditei, mas vou fingir que acredito... vamos jantar?
- Estou sem fome...
- Já comeu?
- NÃO! Só não estou com fome, não quero jantar, não quero comer nada...
- Calma! Perguntei só pra saber, mas agora fiquei com a pulga atrás da orelha...
- Vai querer controlar minha fome?
- Não, não, longe de mim querer controlar sua fome, mas confesso que não estou entendendo bem essa sua reação. Você já jantou? Saiu com alguém pra jantar e não quer me dizer?
- Não saí pra jantar com ninguém...
- Então porque você está sem fome? Aliás, por que você está tão estranho?
- Eu não estou estranho, você é que tirou a hora pra implicar comigo...
- Não sei... estou com a sensação de que você está me escondendo alguma coisa...
- (...)
- Olha, seja lá o que for, meu amor, pode me contar... eu sei que pareço irracional de vez em quando, mas, acima de tudo, eu te amo e coloco esse amor acima de tudo...
- (...)
- Anda, pode falar... você teve uma aventura, não teve?
- (...)
- Fala, meu amor, você sabe que a pior verdade sempre dói menos do que a melhor mentira...
- Eu não queria...
- Eu sei... me conta... é aquela ninfetinha do escritório, não é? Eu sabia... ela nunca me enganou...
- Não, não é nada disso...
- Não? Quem é então? Alguma da academia?
- Não, não é nenhuma mulher...
- NÃO????? É homem? Você descobriu que é gay?
- NÃO! Não pira!
- Desculpa... mas se não é mulher, não é homem... bom, daí fico sem ideia...
- Eu queria ter te contado antes, mas eu sei que você não vai me entender...
- Entender o quê?
- Desde quando a gente se casou eu já gostava, sempre gostei...
- (Ai, meu Deus, não sei se quero saber...)
- ...mas sabia que você não gostava e sempre deixou isso muito claro... então eu achei melhor esconder...
- Drogas?
- Me deixa terminar, por favor...
- Desculpa! Continua...
- Então, sempre que podia, sempre que você viajava, ou ficava até mais tarde no trabalho, ou saia com as amigas... bom, daí eu aproveitava... (longo suspiro) Mas eu quero que você saiba que nunca foi fácil pra mim, porque eu não gosto de mentir pra você...
- Fala logo, pelamordeDeus!
- EU GOSTO DE MIOJO E COMO SEMPRE QUE POSSO!
- (catatônica)
- Eu escondo os pacotes numa gaveta no meu escritório e trago pra casa quando sei que você não vai estar... eu faço, como, lavo tudo e gaurdo antes que você chegue...
- Há quanto tempo?
- Desde quando nos casamos...
- Você gosta?
- Adoro.
- Como eu vou contar uma coisa dessas pra minha família? A nona... a nona vai morrer do coração...
- Mas é macarrão, também, amor...
- Não, por favor, não fala mais nada, eu preciso ficar sozinha...
Sim, temos um novo hit nas paradas. Não, não se trata de mais um hit musical de melodia grudenta, mas sim de um hit culinário: cupckes!
Uma padoquinha que se preze, das de bairro às super badaladas casas de pães, por mais que algumas resistam ao modismo, uma hora ou outra, lá estarão os bolinhos que mais parecem um enfeite de tão bonitinhos que são.
Há também outro lugar onde os cupcakes podem ser encontrados com facilidade: festas infantis! Já que estas sempre contam com rica decoração, os bolinhos acabam sendo um atrativo a mais, com a vantagem de que, além de enfeitar, também podem ser devorados com gosto!!
Os cupcakes dividem-se em 3 tipos básicos: 1) os bonitos; 2) os gostosos e 3) os bonitos E gostosos! Tudo depende da função, da quantidade e dos valor que se pretende gastar/investir. Se a ideia é basicamente dar um up na decoração, bastam que sejam bonitinhos, engraçadinhos e gostosinhos. Se o que se espera é uma experiência gastronômica, única, indescritível... invista em ingredientes diferenciados e requintados. Mas se além de fazer vista na decoração você pretende fazer gosto ao paladar: prepare-se para confeitar uma linda joia!
A receita do bolinho em si, não tem muito segredo e, na dúvida, faça aquela receita de bolo de costume e coloque para assar nas forminhas de papel. Um detalhe importante é usar forminhas de metal (daquelas que se assa pão de mel) para dar suporte às formas de papel - do contrário, seus cupcakes parecerão pequenos Aliens desformes!!
Outra dica fundamental para quem pretende se aventurar pelo maravilhoso mundo dos cupcakes é: nunca encha a forminha até a borda, senão, periga você ter de enfeitar sua festa com pequenos vulcõezinhos em erupção! Aconselho fazer um teste de crescimento: encha uma forminha pela metade e outra faltando um dedinho pra encher, leve ao forno e veja qual fica mais bonito, afinal, nesse caso, beleza se põe à mesa!! Lembre-se de que o bolinho não deve ficar muuuuito alto, senão, depois de decorados, eles chegarão ao teto!
Recheios e coberturas! Se a prioridade for a fina estampa dos bolinhos, o recheio pode ser o mesmo usado na cobertura: chantilly, butter cream, glacê real, ganache, doce de leite, brigadeiro. Alerto apenas para o fato de que os dois primeiros não resistem ao calor (periga dar piriri no pessoal!), o glacê real já resiste melhor e dá mais ou menos o mesmo efeito do chantilly, com a vantagem de que é (bem) mais light! O ganache e o doce de leite são firmes e fortes, ideiais para dias mais quentes, mas, porém, todavia, no entanto, são mais caros, então, se a ideia é fazer uma grande quantidade a baixo custo, esses dois não são opção. Contudo, se a opção for belezura e gostosura, acertar-se-á na mosca com esses dois (inclusive combinandos!). Já o brigadeiro, bom, não permite grandes viagens no confeitar, mas brigadeiro é tão bom que chega a ser bonito! Além disso, todas essas opções de cobertura aderem muito bem aqueles confeitos coloridinhos que dão um charme a mais no resultado final.
Ficou entusiasmada/o? Quer fazer e não sabe como? Eu dou uma forcinha. Segue uma receitinha báááásica do bolinho e de glacê real (esse, simplesmente não tem como errar!):
Bolo
2 ovos;
1 xícara + 1 colher de sopa de açúcar peneirada;
4 colheres de sopa de margarina sem sal;
5 colheres de sopa de leite;
½ colher de chá de essência de sua preferência (não quer arriscar? use a de baunilha!);
1 xícara e ½ de farinha de trigo peneirada;
1 colher de chá de fermento em pó.
Bata as gemas, o açúcar e a margarina até formar um creminho claro e homogêneo. Acrescente o leite e a essência. Aos poucos, vá incorporando a farinha de trigo. Na última leva de farinha de trigo, acrescente também o fermento em pó e misture delicadamente (lembrando que o fermento em pó não é dado a grandes surras... seja gentil!). Por último, e com ainda mais delicadeza, incorpore as claras em neve (é essa maravilha que irá conferir fofura a seus bolinhos). Coloque nas forminhas, seguindo as dicas dadas lá em cima. Leve para assar em forno médio por aproximadamente 15 minutos 9varia muito de forno pra forno... aconselho espetar um palitinho de dente quando o bolinho estiver douradinho). Rende aproximadamente 20 bolinhos (depende do tamanho da forminha que você irá usar).
Glacê Real
150 gramas de açúcar peneirado;
110 ml de água gelada;
1 colher de sopa de emulsificante (usado para fabricar sorvete e encontrado em lojas de sorveteiros e materiais para festas);
1 colher de sobremesa de essência da sua preferência;
1 colher de chá de corante alimentício (de preferência que combine com o sabor... pra não virar o sambadocrioulodoido).
Junte os 3 primeiros ingredientes e bata na batedeira em velocidade máxima até pelo menos quadruplicar de volume (sim! rende muuuito). Acrescente os 2 últimos e bata por mais 1 minuto aproximadamente. Tã-nam! Não tem como errar. Confeite com a ajuda de uma manga para confeitar.
Dica master-blaster: tendo em vista que esse glacê rende muito, sugiro, ao final da primeira etapa, dividir o conteúdo da batedeira em 2 ou 3 tigelas diferentes e acrescentar sabores e essências diferentes. Em festinhas infantis, quanto mais diversidade de cor e sabor, melhor!
Para colocar o recheio escolhido, com a ajuda de uma faquinha de ponta, retire um conezinho do bolinho. Recheie (fica mais fácil com uma manga para confeitar também!). Corte metade do conezinho de bolo (no sentido da altura) e recoloque a tampinha para fechar o recheio.
Sem ideias para enfeitar?! Google imagens, minha gente! Dúvidas? Angústias? Me mande um e-mail, na medida do possível, posso ajudar.
Quando eu era criança (há pouquíssimo tempo atrás) as semanas que antecediam as férias do meio do ano, coincidindo com as festas juninas, eram uma época de festa! Além de merenda temática, com muita canjica, arroz doce e curau, aconteciam também as festinhas particulares, reservadas às turmas da sala e é disso que eu quero falar.
Não sei como as coisas funcionam hoje, não tive a oportunidade de me interar com as mamães de plantão, mas antigamente... digo, digo, há pouco tempo atrás, no meu tempo de criança no primário (não é mais primário, né?! Leia-se: no meu tempo de ensino fundamental I), a professora dividia a sala da seguinte forma: as meninas trazem um pratinho e os meninos um refrigerante.
Divisão muito prática, mas pouco justa. Vejamos porquê.
Desde aquele tempo essa organização me deixava meio encafifada. O raciocínio era 9e continua sendo) o seguinte: crianças não podem cozinhar, logo, bolos, brigadeiros, beijinhos, tortas, coxinhas, quibinhos e afins deveriam ser preparados por um adulto e não, nunca, jamais pelas criancinhas. Seguindo por esse caminho, fica fácil concluir que quem prepararia os quitutes que forrariam os pratinhos que seriam levados às badaladas festinhas de sala era quem? Quem? Quem? As respectivas mamães das menininhas! Assim sendo, a pergunta que sempre me intrigou é: meninos não têm mamães?!
Por que raios as mamães de meninos eram poupadas do forno e/ou fogão às vésperas das festinhas?! Não que ir para a cozinha seja um sacrifício... embora para algumas pessoas seja, mas creio que, de maneira equânime, há mamães de meninas e mamães de meninos que gostam de cozinhar, assim como há aquelas que não tem a mínima alegria e frequentar a morada do fogão e geladeira!
Naquela época não tinha o escopo necessário para formular hipóteses. Hoje, no entanto, arrisco três:
1) meninos, arteiros que só vendo, a caminho da escola, equilibrando os quitutes sobre os pratinhos, sentiriam incontroláveis impulsos para fazer ‘GUERRAAAA DE COMIIIIIDA’, entendendo a comidinha como munição, a festa correria sérios riscos de fracasso por falta de belisquetes. Sabendo disso, as professoras optavam por não alimentar a natureza bélica dos anjinhos;
2) meninos, arteiros que só vendo, consumiriam todo o tempo disponível das mamães que passariam suas tardes a ralhar com os diabinhos, não lhes restando tempo hábil para encarar o fogão. Sabendo disso, as professoras, compadecidas das mamães davam-lhes um desconto, poupando-as do fogão;
3) meninos, arteiros que só vendo, comilões que só vendo, engraçadinhos que só vendo não segurariam suas mãozinhas e beliscariam os quitutes por todos o caminho até a escola, chegando lá apenas os pratinhos vazios e a gracinha: 'a senhora mandou a gente trazer um pratinho... eu trouxe!'. Sabendo disso, as professoras, que poderiam não estar de tãããão bom humor assim, preferiam se poupar da fadiga desnecessária.
Deixei escapar alguma coisa?! O que mais explicaria o fato de mamães de meninos não poderem exibir seus dotes culinários para os amiguinhos de seus filhotes? Sim, porque, se por um lado as mamães de meninas precisam cozinhar (ou não, no caso daquelas que se abastecem numa padoca próxima de casa), as de meninos são privadas dessa atividade!
Durante anos essa prática abusiva vem cerceando o direito de mães de meninos provar que são sim boas de forno e fogão, ficando limitadas às impessoais e insossas garrafas de refrigerante!
E hoje em dia com mamães que trabalham fora? Todo mundo leva refrigerante?! Ou, ainda assim, meninas compram pratinhos e meninos compram refrigerante? A coisa vai ficando cada vez mais complicada, gentê!
Esse post é especial... um pouco adiantado (embora atrasado!), mas o motivo explica. O dia 30 de junho de 2011 marca um fim. Do Clara em Neve?! Claro que não! Toc-toc-toc. Marca o fim de algo muito importante (e não é o Clara em Neve?!), o fim de uma Era de burburinho, de borbulhas, de espumas, de esferas. Já divinharam a qual fim me refiro?Daqui um mês o El Bulli, de Ferran Adrià, fecha suas portas como restaurante para se tornar um centro de pesquisas gastronômicas.
Vale também registrar que é admirável a coragem de Ferran Adrià de 'sair de cena' no auge de sua fama. Entre aspas porque ele não sai exatamente de cena, seu nome sempre será lembrado, além disso, permanece no ramo das invencionices gastronômicas, mas não mais num restaurante. Como diria meu querido gênio, Paulo Leminski: 'Quem vai embora, não embolora'.
Caso queira, ainda tem um mês para conseguir, com cambista, uma vaguinha na lista de espera antes que o El Bulli feche!
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